Quarta-feira, 17 de Novembro de 2010

transes

 

 

 

Os meus avós maternos "na casa da avenida"

Lisboa, 1927

 

 

A Grande Guerra e o pós-guerra provocaram a maior desestabilização da sociedade portuguesa desde a época das guerras civis, na primeira metade do século XIX. [...] Depois de 1918, os preços enlouqueceram: deram-se aumentos gigantescos de um dia para o outro, segundo um ritmo irregular e violento. O valor do dinheiro tornou-se incerto.[...] Mas nem toda a gente passou por estes transes da mesma maneira. Nem a prosperidade nem as dificuldades foram gerais. [...] A inflação destruiu o modo de vida daqueles que dependiam de rendimentos fixos, como juros de títulos ou de montepios. Não só os pôs quase na miséria, como de qualquer modo lhes degradou o estatuto social, sobretudo quando este passou cada vez mais a ser julgado em função de determinados consumos: possuir automóvel, telefone, etc. No funcionalismo do Estado a inflação prejudicou os ordenados médios e altos, que subiram menos do que os ordenados inferiores: amanuenses, sargentos, praças passaram a ganhar melhor, enquanto directores-gerais e oficiais superiores viram o seu poder de compra reduzido a metade. [...] Subitamente, a sociedade não era a mesma. Mais igualitária, cheia de caras novas: os “ricos” não eram os mesmos, os “pobres” também não.

 

 


 

 

© Rui Ramos

in A Segunda Fundação (1890-1926)

Volume VI da História de Portugal, dirigida por José Mattoso, 1994. (2ª edição em 2001)

 

 

publicado por VF às 11:14
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Quinta-feira, 26 de Março de 2009

Exposição Ventura Terra

 

 

 

Arquitecto Miguel Ventura Terra

1866-1919

 

Por ocasião da reabertura da Sala das Sessões, a Assembleia da República promove a exposição “Arquitecto Miguel Ventura Terra (1866-1919) ”, em homenagem ao autor do projecto original do Hemiciclo inaugurado em 1903. A obra de Ventura Terra integra alguns dos edifícios mais emblemáticos de Lisboa: os liceus de Camões e de Pedro Nunes, o Teatro Politeama, a Maternidade de Alfredo da Costa, o átrio do Teatro Nacional de S. Carlos, o Banco Totta & Açores (na Baixa), a sinagoga de Lisboa e quatro casas que arrecadaram o Prémio Valmor (entre 1903 e 1911).
A exposição ontem inaugurada traça um breve retrato biográfico do arquitecto, que nunca descurou actividades filantrópicas. Quem passar pela Rua de Alexandre Herculano, em Lisboa, poderá ler na placa da Casa Ventura Terra a seguinte inscrição: "Esta casa foi legada às escolas de Belas-Artes de Lisboa e Porto pelo arquitecto Miguel Ventura Terra, que nela faleceu em 30 de Abril de 1919, destinando o seu rendimento líquido para pensões a estudantes pobres das duas escolas que mostrem decidida vocação para as Belas-Artes."

 

 


 

"A Construcção Moderna" Anno III - 20 de Novembro de 1902

 

 

A nossa revista honra-se mais uma vez com a collaboração do distincto archictecto, sr. Ventura Terra, apresentando o projecto da casa que vae ser construída na Avenida da Liberdade. Como se vê das plantas o prédio é só para um morador, o proprietário, exmo sr. Guilherme Pereira de Carvalho. Pouco teremos a dizer d’elle, que o não mostre os desenhos. A fachada será toda revestida de marmore branco e as colunas serão de marmore de côr. Interiormente, terá a casa todas as condições da vida moderna, com luz e ar em todas as suas divisões.

 

 

Guilherme Pereira de Carvalho

1854–1927

 

Mais sobre a exposição aqui e o Arquitecto Ventura Terra aqui

Se é a primeira vez que visita este blog leia mais sobre os Pereira de Carvalho aqui

publicado por VF às 15:37
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