Quinta-feira, 7 de Maio de 2015

Fotografia Portuguesa do Século XIX

 

 

Tesouros Fotografia XIX

 

João Francisco Camacho, Ilha da Madeira, Costa Norte, 1870 -1876.

Col. Arquivo de Documentação Fotográfica da DGPC

 

 

 

 

Tesouros da Fotografia Portuguesa do Século XIX

Curadoria: Emília Tavares e Margarida Medeiros

Museu Nacional de Arte Contemporânea [até 28 de Junho 2015]

Rua Serpa Pinto, 4

1200-444 Lisboa
 
 
 

A exposição apresenta um conjunto significativo de fotógrafos, imagens e objectos provenientes de mais de uma dezena de acervos públicos e cinco privados, colocando em diálogo diversas instituições que têm como missão a salvaguarda do património fotográfico nacional. 

 

A fotografia produzida em Portugal no século XIX [1840 - 1900] continua em grande medida desconhecida e arredada do estudo da sociedade e da cultura oitocentistas. Este projecto aborda algumas das principais vertentes do legado fotográfico produzido no século XIX em Portugal, constituindo um primeiro esboço de análise global sobre os seus meios de produção e divulgação. 

 

Merecem particular atenção as fotografias inéditas de colecções particulares, como a colecção João José P. Edward Clode, e creio ser a primeira vez que são expostas fotografias de Margarida Relvas. Quatro câmaras fotográficas são outra das curiosidades destra mostra.  

 

O catálogo ainda não se encontra disponível.

 

 

Margarida Relvas neste blog aqui

 

O meu álbum de fotografias do século XIX no Flickr aqui

 

Fotografia do século XIX neste blog nas tags Photographia, Relvas

 

 

 

publicado por VF às 14:53
link do post | comentar | favorito
Domingo, 29 de Abril de 2012

Tauromaquia Portuguesa

 

 

 João Branco Núncio

Vila Franca, Portugal 1949

 

 

À portuguesa tradição do toureio a cavalo se referem já crónicas de Strabão, citando os antigos lusitanos como amigos dos jogos hípicos, com touros, e outras que dão notícia de D. Sancho II alanceando touros ao estilo da época, e as de Fernão Lopes em relação a D. Fernando, e as de Garcia de Rezende que descrevem el-rei D. João II no gosto pelas touradas e fazendo frente e matando à espada um touro que em Alcochete lhe saiu ao caminho quando ia com a rainha. Outras crónicas descrevem façanhas do rei D. Sebastião como toureiro a cavalo, e dizem que o neto de Carlos V rojoneou em Cadiz, de abalada para o sonho de Alcácer. E muitos monarcas foram toureiros a cavalo, até D. Miguel que farpeou em Salvaterra, e na praça de Xabregas desta cidade de Lisboa, que teve redondéis no Rossio, no Terreiro do Paço, na Junqueira, no Largo da Anunciada, no local onde está o jardim da Estrela, no Salitre, no Campo de Santana e agora no Campo Pequeno. D. Carlos criou touros e D. Luís e D. Miguel entraram em tourinhas. E quantos fidalgos lanceando e rojoneando nas festas dos nascimentos de príncipes e das suas bodas e nos torneios peninsulares com os continuadores del Cid e de Villamediana, nas Praças Maiores de Espanha, em nobre competência, por sua dama, em alardes de valentia e de pompa pela gente de cada bando, a cavalo e a pé, com as armas e as cores de cada qual! Em Portugal manteve-se e aperfeiçoou-se a Arte de Marialva, tomando o nome do grande senhor e cavaleiro a quem mestre Andrade  dedicou o seu famoso tratado de equitação. Desde aqueles tempos, e até aos nossos dias, têm sido sucessivas as gerações de cavaleiros tauromáquicos. Estes e os forcados são os representantes do toureio português, uma vez que os bandarilheiros, e os antigos «capinhas», quási se limitam a imitar, até na indumentária, os seus iguais de Espanha.

Os cavaleiros  tauromáquicos têm indumentária própria: a casaca bordada e o tricórnio de plumas, e botas altas à Relvas — outro bom cavaleiro, do século XIX, em que brilharam também Mourisca, Tinoco, Castelo Melhor e outros. E os forcados, que, como os campinos, são do Ribatejo, terra dos touros, também vestem de forma característica, e também têm sua arte, porque não é apenas função de força o pegar um touro de cara, de costas ou de cernelha. Há que saber cair na cabeça da fera, evitando a violência do choque quando, para colher, humilha, e depois aguentar-se, «embarbelando» bem, ou, na melhor ajuda, torcendo bem a «pombinha», vértebra da cauda. E para se julgar da arte que pode caber em sorte tão rude, basta ver os últimos grupos de forcados-amadores, como os de Santarém e de Montemor, tão elegantes e pundonorosos, e até alguns profissionais que sabem dar terreno, com ritmo, com graça, como Edmundo e Garrett e os seus valentes conterrâneos do Ribatejo.

E tem ritual a sua aparição com a azémola das farpas, estas em duas arcas cobertas com pano rico, de veludo, que eles desdobram cuidadosamente ante a presidência, que manda recolher as caixas com os ferros para o uso da lide. Depois retiram-se os forcados para saltarem à arena quando o «inteligente» entende que o touro mete bem a cabeça e as hastes permitem a sorte. Os cavaleiros surgem, então, para as cortezias, outrora feitas ao som do hino real, caminhando passo a passo até sob o camarote da presidência, que saúdam em vénia de cabeça descoberta, depois recuando cerimoniosamente, voltando a avançar para se separarem nos cumprimentos ás quatro partes da assistência, ladeando e cruzando-se no meio do redondel, e sempre no cuidado dos cavalos bem ensinados, e na praxe dos movimentos.

 

 

 
 
Pepe Anastasio (aqui)
Algés, Portugal, 1949

 

 

 

Assenta o toureio equestre em três princípios básicos: cravar de alto a baixo, ao estribo e sem deixar tocar a montada. E, de uma maneira geral, além do mérito de equitador, necessita o cavaleiro de ser toureiro, isto é, de conhecer os touros e saber medir os terrenos. Carece o cavaleiro de firmeza de joelhos para as reacções do cavalo, que o deve temer mais a ele que ao touro, boa mão esquerda para mandar rápido, e boa direita para cravar, com pulso para aguentar a resistência, e certeza para encontrar o sítio próprio, com precisão. E o cavalo deve estar ensinado para todo o toureio, especialmente para entrar e sair nas quatro sortes clássicas: de cara, à tira, à meia volta e à garupa. E quando tudo corre bem, em tarde quente de verão, e o público, entusiasmado, aplaude cavaleiros e forcados, estes agradecem juntos, abraçando-se num gesto simbólico do seu convívio nos campos de Portugal — que a ambos dá o pão, o azeite, o vinho, e a alegria de viver ao sol.

 

 

El Terrible Perez

in  "Tauromaquia Portuguesa, Cavaleiros e Forcados"

Revista Panorama Números 25 e 26, Ano de 1945, Volume 5º

 

 

Fotos: Fernando Henrique Lezameta Simões (1920-2011) 

 

 

 

 

 

 capa de Panorama 

Nºs 25 e 26, 1945, Vol. 5º

 

 índice aqui 

 

Excerto do livro ABC da Tauromaquia de El Terrible Pérez, Edições VIC, 1944, aqui

 

 

Excerto do artigo Touradas em Portugal  de Conde de Sabugosa aqui 

 

publicado por VF às 10:31
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 20 de Abril de 2012

Golegã (c.1890)

 

 

 

 
Golegã, Portugal
Foto: Margarida Relvas (finais século XIX)

 

 

 

verso


publicado por VF às 14:14
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 17 de Abril de 2012

Margarida Relvas

 

 

da esqª para a dtª:
Matilde Deslandes, Judite? Deslandes, Eugénia Relvas, Margarida Relvas, c. 1885
Foto: Carlos Relvas

Margarida Augusta Azevedo Relvas Navarro (1862- ?) foi uma das primeiras mulheres a fotografar em Portugal. Consegui descobrir a sua data de nascimento na fotobiografia de seu irmão, José Relvas (1858-1929), aqui

 

 


Mais sobre Margarida Relvas aqui .Neste blog, fotografias de Margarida Relvas aqui e aqui ou na tag "Relvas".

 

Casa dos Patudos, Museu de Alpiarça aqui 

 

 


 

 

publicado por VF às 11:13
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2012

Matilde Deslandes c.1880

 

 

 

 
Matilde Rebello Deslandes c. 1880
Foto: Carlos Relvas

 

 

 

Uma das muitas fotografias que conservo de Matilde Rebello Borges de Castro Deslandes (1854-1931), mulher de Venâncio Augusto. São quase todas da autoria de Carlos Relvas. O "fotógrafo amador", como ele próprio se intitulava, e sua filha, Margarida Relvas, retrataram Venâncio e a família ao longo de toda a vida. Veja outras fotografias de Venâncio e Matilde neste blog, aqui. 

 
publicado por VF às 11:47
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012

curiosidades garrettianas

 

 

 

Venâncio Augusto Deslandes c. 1880 

Foto: Marguerite Relvas

 

 

 

A propósito dos manuscritos do Romanceiro garrettiano redescobertos em 2004, já aqui apresentei aos leitores a figura do Conselheiro Venâncio Augusto Deslandes(1829-1909), a quem pertenceu, não se sabe como, a agora chamada ‘Colecção Futscher Pereira’ (ver post anterior). O espólio garrettiano foi identificado pelo Professor Artur Anselmo ao examinar um conjunto de papéis e curiosidades bibliográficas que haviam pertencido a V. A. Deslandes : "Isto é Garrett. Conheço a letra de Garrett!".

 

A aturada investigação entretanto levada a cabo por Sandra Boto sobre o percurso deste espólio não permitiu (ainda) determinar de que forma ele chegou à biblioteca do Conselheiro Deslandes mas veio revelar alguns dados novos e surpreendentes, além de apresentar um panorama sugestivo da classe letrada e intelectual da Lisboa de finais do século XIX, princípios do século XX, “confinada a uma pequena casta onde todos se conheciam e relacionavam”. [1]   

 

 

 

 

1. Sandra Cristina de Jesus Boto in As Fontes do Romanceiro de Almeida Garrett. Uma Proposta de 'Edição Crítica', p. 180

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, 2011

 

 

 

 
Verso da fotografia
 
 
publicado por VF às 12:50
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

casal (c.1876)

 

 

 

 

Venâncio Augusto Deslandes e Matilde Rebello Deslandes

c.1876

 

 

 

 

 

caderno no qual Matilde inscreveu a data do seu casamento,

celebrado no dia 7 de Abril de 1876 

 

publicado por VF às 18:12
link do post | comentar | favorito

pesquisar

mais sobre mim

posts recentes

Fotografia Portuguesa do ...

Tauromaquia Portuguesa

Golegã (c.1890)

Margarida Relvas

Matilde Deslandes c.1880

curiosidades garrettianas

casal (c.1876)

tags

todas as tags

links

arquivos

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Creative Commons License
This work by //retrovisor.blogs.sapo.pt is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.

Blogs Portugal

blogs SAPO

subscrever feeds