Sexta-feira, 20 de Julho de 2018

Evora-Africa

Até 25 de Agosto de 2018 em Évora

O programa completo pode ser consultado em http://evorafrica.pt/

 

 Chéri Samba

Chéri Samba

© http://www.magnin-a.com

 

A exposição de arte contemporânea "African Passions", no Palácio Cadaval, com curadoria de André Magnin e Philippe Boutté - a primeira que realiza em Portugal - inclui obras de artistas plásticos e fotógrafos do Congo, Costa do Marfim, Moçambique, Mali, Senegal, Benim, África do Sul e Madagáscar.

 

O festival "Evora Africa", que se prolonga até 25 de Agosto, apresenta um diversificado programa de exposições, concertos, performances, conferências e DJ'S e reúne trinta artistas plásticos contemporâneos, músicos e performers africanos. 

 

 

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Omar Victor Diop, Série Diáspora

© http://www.magnin-a.com

 

Para além do Palácio Cadaval, o Templo Romano, o Cromeleque dos Almendres e a Biblioteca Pública de Évora serão palco de espetáculos da Orquestra Ballaké Sissoko, Costa Neto, Irmãos Makossa, Rita Só, Johnny Cooltrane, Mbye Ebrime, DJ Rycardo, Companhia Xindiro e os jovens dançarinos, Celeste Mariposa, Bambaram, Bassekou Kouyate, Selma Uamusse, Bubacar Djabaté, Áfrika Aki, The Zaouli de Manfla, Miroca Paris, DJ Ibaaku, Sara Tavares, Congo Stars de Vibration, Dj Lucky, Lady G Brown.

 

 

Malick Sidibé | Courtesy Galerie MAGNIN-A, Paris

 Malick Sidibé, Nuit de Noël (Happy Club), 1963

© http://www.magnin-a.com

 

 

 

Centro de Arte Quetzal, Vidigueira

 

No contexto do festival, o Centro de Arte Quetzal apresenta uma selecção de trabalhos dos artistas sul-africanos Marlene Dumas, Moshekwa Langa e William Kentridge, incluindo a série de curtas-metragens de animação (Dez desenhos para projecção 1989-2011), e um mural tipográfico da artista egípcia e libanesa Bahia Shebab, com o título Mil Vezes Não.

 

W Kentrridge

William Kentridge Levitation 1996

 

 

 

Marlene Dumas

Marlene Dumas Cain+Abel (Twins) 1989

 

 

 

publicado por VF às 12:25
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Quarta-feira, 7 de Março de 2018

O Bloco-Notas de José Cutileiro

BreakerBoys Lewis Hine

 "Breaker Boys" (1910)

 

 

 

 

José Cutileiro

 

 

Matar o tempo

 

 

 

John Lennon dizia que era capaz de se levantar de manhã da cama e começar logo a não fazer nada. Nessa época, que talvez esteja a acabar em Portugal, em que quem não fosse um camponês era um senhor e vivia numa espécie de férias grandes com “room service” incluído, eu gostava de gente assim e ainda hoje embirro com quem nos deseje «Bom trabalho!» de manhã, quer de viva voz quer por écran de computador intermédio.

 

Parece estar agora muito na moda em Portugal fazer exortações moralistas que não passariam pela cabeça de protestantes do Norte da Europa, os quais, desde que, já lá vai meio milénio, tiveram de aprender a ler para tratarem com Deus – era preciso cada um e cada uma ler a Bíblia, enquanto cá pelo Sul continuou a bastar que o cura lesse a vulgata, ficando o resto da malta (diria o malogrado Zeca Afonso) analfabeta – fazem o que têm a fazer, tal como deve ser feito, sem que isso dê direito a prémio ou distinção. Lá, o trabalho é uma obrigação nobre - pais e mães ensinavam a filhos e filhas que perder tempo é pecado - cá, o trabalho « é bom pró preto » ou pelo menos assim ouvi dizer muitas vezes; agora talvez seja diferente como o é muita coisa que espanta qualquer Ulisses local que regresse a esta Ítaca, a começar por descobrir que os velhos são mais velhos, os novos são mais altos e as pequenas vão todas prá cama antes de casarem.

 

Chegado a meio deste Bloco-Notas tenho que firmar o rumo, resistindo à tentação tradicional dos anciães de acharem tudo pior agora – como aquele casal amigo da Senhora Tichbein, mãe do Emílio de Emílio e os Detectives na Berlim dos anos 30 do século XX, com saudades do tempo deles, quando o céu era mais azul e as cabeças dos bois eram maiores. Tais perspectivas, por consoladoras que sejam para egoísmos de fim de vida, convencidos de lhes ter cabido melhor do que à rapaziada e à raparigada que agora lhes poluem o ambiente, são falsas.

 

Em termos simples: malgrado a horrível guerra na Síria e outras guerras indecentes (convém a leitora não esquecer que houve guerras decentes e podem ser precisas outra vez), o lamentável Presidente Trump e outros mandachuvas desanimadores - Putin, Erdogan, Orban, Duterte , Xi (o Chinês perpétuo), Maduro, tantos mais - o mundo nunca foi melhor para as pessoas do que é agora. Quem julgue o contrário é ignorante e, se insistir depois de advertido, além de ignorante será teimoso para lá do razoável. O mundo em geral está muito melhor do que estava, por exemplo, no começo da Grande Guerra em 1914. As pessoas são muito mais saudáveis e inteligentes do que eram nesse tempo e muito menos religiosas (59% no mundo inteiro quando, nessa altura, rondavam 100%). Em consequência, usam mais a razão do que fézadas irracionais para resolver problemas e tudo vai claramente melhor que dantes.

 

Vale a pena ler Enlightenment Now: The Case for Science, Humanism and Progress por Steven Pinker, para argumentação fundamentada e convincente. Pelo menos convenceu-me a mim.

 

 

 

 

 

publicado por VF às 09:00
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Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2018

O Bloco-Notas de José Cutileiro

 

Cópia de Exílio da Família Real

D. Manuel II a embarcar para o exílio na Ericeira (1910) 

 

 

 

José Cutileiro

 

 

Presidente a vida inteira

 

 

O Presidente Joseph Kabila, filho e herdeiro do presidente Laurent-Désiré Kabila, inimigo figadal de Mobutu e, depois da deposição deste último, mandachuva um ror de anos do Congo – que antes de se chamar Congo outra vez, como no tempo da administração belga, fora o exemplo mais brutal, mais egoísta e mais deletério dos colonialismos europeus em África (exemplo seguido a seguir à independência, mutatis mutandis, que uma colónia é uma colónia, um estado soberano é um estado soberano e agora se chamava Zaire, pelo ex-sargento Mobutu – os belgas não tinham formado um só oficial congolês - tratando os seus tão mal quanto o colonizador), o Presidente Kabila filho, dizia eu, que tendo ascendido ao poder dez dias depois do assassinato do pai, acabou o seu segundo e constitucionalmente último mandato há um ano mas insiste em não se ir embora enquanto o país desliza para mais uma guerra civil, esperando contra a esperança que lhe deem terceiro mandato, deve ter tido estes dias uma alegria inesperada quando lhe chegou notícia, talvez pela televisão, talvez por algum conselheiro solícito, talvez – muito improvavelmente mas nunca se sabe – pelo embaixador chinês em Kinshasa, frisando que o fazia a título pessoal, que as autoridades chinesas resolveram não dar só dois mandatos ao Presidente Xi Jinping como acontecera a todos os seus predecessores desde a morte de Mao, mas deixarem-no ficar no poder até vir a mulher da fava, dito por outras palavras, passar a ser Presidente perpétuo como é o Presidente da Academia Francesa e como era dantes o Papa em Roma.

 

Não há nada de estranho nem pouco habitual no chefe de um povo, de um país, de um Estado, ser perpétuo e hereditário, isto é que tenha herdado o título e o passe por herança a quem de direito (com sorte, filho ou filha; com menos sorte, parente mais distante). Temo todos, habitantes do globo terrestre - a maioria de nós, desde que nascemos -, exemplo vivo no mundo de hoje: a Rainha Elizabeth do Reino Unido da Grã Bretanha e da Irlanda do Norte (Dona Isabel Segunda, chamar-lhe-íamos nós). Em sociedades da nossa civilização que, num pequeno canto da Eurásia, fizeram transição sábia do feudalismo para a democracia, as monarquias subsistem. “Aquelas criaturinhas pouco ou nada fazem mas têm o condão de manter o povinho unido”, dizia há 50 anos a D. Adelaide, da nossa embaixada em Oslo, Deus lhe tenha a alma em descanso.

 

Fora desse ramalhete feliz e de poucos outros casos, porém, as monarquias deram par o torto e perderam o pé. A decapitação de Luís XVI em 1793 criou moda que ficou. Hoje há sobretudo repúblicas e, com elas, pese aos Orbans, Erdogans e Kabilas deste mundo, há limites aos mandatos de poder. Quando o maior país, a segunda economia e o arauto convencido do seu papel de mentor do futuro, quer voltar a ter chefe perpétuo, prega um grande susto às democracias. E, de Havana a Moscovo, de Ancara a Caracas, de Damasco a Kinshasa, dá alma nova à sacanagem.

 

 

 

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Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2016

Arquivo dos Diários

 

 

ALMANAQUE_arquivo_diarios_03.png

 

 

 

Recolher, preservar e divulgar as memórias de gente comum, reconhecendo que esses testemunhos de vida contribuem para o conhecimento da história e da identidade nacionais, é a missão do Arquivo dos Diários, associação cultural criada há dois anos, que lançou o concurso “Conta-nos e Conta Connosco”, destinado a enriquecer o seu acervo.

 

Agora que dispõe de uma equipa e de um espaço na Biblioteca de São Lázaro, graças a uma parceria com a Junta de Freguesia de Arroios, a associação está em condições de começar a reunir cartas e diários através dos quais os portugueses poderão contar a sua história. Diários, cartas, fotografias e filmes caseiros ou simples evocações feitas pelas pessoas são uma parte importante na construção da memória de cada um. Mas esses documentos servem também para ajudar a construir a narrativa de uma comunidade. A ideia é catalogar por temas tudo o que for recebido e, no futuro, disponibilizar o acervo num meio digital. 

 

Existem já em vários países europeus arquivos dedicados a recolher a memória popular, designadamente o Archivio Diarístico Nazionale, em Itália, que serviu de referência a Clara Barbacini e Roberto Falanga, fundadores deste projecto.

 

 

 

 

 

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© Soraia Martins 

 

 

 

O principal obstáculo, admitem, é chegar às pessoas e mostrar-lhes que as suas memórias e objectos pessoais podem ajudar a desenvolver outros projectos interessantes, do cinema ao teatro, da ficção à investigação, ou simplesmente servir para consulta de quem tem curiosidade por histórias de outros tempos.

 

“Espero que os portugueses desmintam o pudor como traço da sua cultura”, diz Roberto. “Sei que vai ser complicado, mas desafiante. E acho que só o facto de alguém se questionar se deve ou não entregar [os diários e cartas da sua família] já é bom. Estimula o pensamento. Nesse tempo de reflexão o tema esteve ali, a ser considerado.”

 

Também sabem que poderá haver resistências à entrega de materiais e à publicação. “Sabemos que estamos a tocar assuntos muito delicados”, asseguram. Recordam o caso de uma mulher, vítima de violência doméstica, que ganhou em Itália um concurso semelhante ao agora lançado em Portugal e só anos mais tarde recebeu o prémio, depois de o marido morrer. Há também questões legais que podem colocar-se, por exemplo, no caso de pessoas que encontram ou compram materiais que não se importam de doar mas que dizem respeito a terceiros.

 

Tal como em Itália, está prevista a publicação anual de pelo menos um diário: quem entrega os seus materiais pode escolher participar num concurso aberto até 1 de Março próximo. Depois, um painel de dois júris – um popular e um técnico – escolherá um vencedor. Será publicado pela Penguin – Companhia das Letras.

 

As entregas podem ser feitas na Biblioteca de São Lázaro todos os sábados das 11h às 13h ou enviadas por correio e a associação tem um site com toda a informação em www.arquivodosdiarios.pt. Tem também uma página de Facebook aqui.

 

Arquivo dos Diários

Biblioteca de São Lázaro

Rua do Saco, 1  Lisboa 1169-107 (Freguesia de Arroios)  

 

 

Agradecimentos:

 

artigo de Vanessa Rato no jornal Público, artigo de Samuel Alemão em “O Corvo” e textos reunidos no site Arquivo dos Diários.

 

Fotos gentilmente cedidas por Arquivo dos Diários e Soraia Martins

 

 

 

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Domingo, 15 de Novembro de 2015

Sete anos

 

 

 

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 Samuel van Hoogstraten (1664)

 

 

Queridos Leitores,

 

o blog faz hoje sete anos, os últimos dois com a presença semanal do Bloco-Notas de José Cutileiro. São já mais de cem crónicas com o respectivo boneco, como ele diz. São textos que me orgulho de publicar e estou-lhe muitíssimo grata por isso. Grata ainda pela ajuda que tem dado a manter vivo este espaço e por me deixar exercer funções de iconógrafa – mot savant que ouvi há uns anos numa conferência no Instituto Francês e a que logo me identifiquei. 

 

Este ano o Retrovisor recebeu outras contribuições valiosas: as fotografias de João D’Korth, cerca de 300 imagens dos anos 30 e 40, que Henrique D’Korth Brandão pôs à minha disposição e ajudou a digitalizar, e a série My Years in Angola (1950-1970) graças à colaboração de Elizabeth Davies. Agradeço ainda a Jorge Colaço, amigo e colaborador deste blog desde o princípio. 

 

Ao longo destes anos tenho acompanhado com interesse a expansão dos conteúdos em português na rede, muito graças à blogosfera, e detectado lacunas também. Ainda há personalidades do século XX em Portugal com pouca ou nenhuma presença na net. A fotografia vernacular começa a despertar mais interesse – neste momento estão patentes em Lisboa fotografias dos álbuns da Raínha D. Amélia e dos Retornados das ex-colónias – mas quanta coisa não se terá já perdido ou continua a desbotar no fundo duma gaveta? 

 

Há pouco tempo, para ilustrar um artigo sobre o poeta Tomaz Kim, o Jornal de Letras usou uma fotografia deste blog (muito bonita apesar de um pouco estragada). No verão passado o jornal Observador usou imagens que tenho coleccionado das praias de antigamente, algumas das quais eu própria descobri na rede. As fotografias de João D’Korth da Exposição do Mundo Português contêm surpresas apesar de tratar-se de um evento tão amplamente registado. Espero continuar a mostrar aqui curiosidades do mesmo género, que no entanto não vêm ter comigo ao ritmo a que eu desejaria.

 

Aos leitores que visitam pela primeira vez, ou que do Retrovisor conhecem pouco mais que o Bloco-Notas de José Cutileiro, convido à leitura de anteriores posts de aniversário.

 

Muito obrigada pela visita!

 

 

*

 

 

Álbum de Família (2008)

 

Queridos Leitores, (2011)

 

Cabinet de Curiosités (2011)

 

Na blogosfera desde 2008 (2012)

 

Cabinet de curiosités 2 (2013)

 

Tags (2013)

 

 

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Sexta-feira, 31 de Julho de 2015

Déjeuners sur l'herbe (França, anos 30)

 

 

 

Déjeuner sur l'herbe 1933

 

 

 

 

 

 

 

 

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Néné campagne

 

 

 fotografias de João D' Korth

 c. 1933

 álbum Vintage France no Flickr

 

 

 

 

 

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Segunda-feira, 29 de Junho de 2015

La vida es un sueño

 

 

 

La vida es un sueño y los sueños sueños son. Calderón cut a play's title out of that old Spanish proverb. Life is a Dream. The rest translates: 'Dreams are dreams.'

 

On the fifth of March 1933, the banks of the nation closed. Led more by a nose for drama than by the concern proper to a son, I hustled uptown to see how the 'old man' was weathering the crisis; my curiosity was not altogether sympathetic.

 

His business was located at 295 Fifth Avenue, the Textile Building, a hive of importers, wholesalers like himself, dark-complexioned men, immigrants all, most of them Armenians but some Anatolian Greeks, as well as a few Persians, Syrians and Egyptians. These men had come overseas from the East, propelled by a dream: that here their throats would not be cut. Working in the dust of carpets, living alone in dark back rooms, depriving themselves of pleasures, they'd put the dollars together, year after year, obeying the voice in the air of America; to accumulate money; that was safety, that was happiness. They married late, unromantically, going back to their native lands, as my father had, to find a proper woman out of their own tradition, ten, fifteen, twenty years younger, then made children as quickly as possible in half-paid-for homes while dutifully continuing to feed their accounts in banks whose doors, that morning, had remained locked.

 

Generally these men entered my father's store only when they had a customer whose needs they weren't able to meet from their own stock. They'd escort this buyer to Father's place and there pick up, in place of a profit, a commission. These encounters were rare since they were a last resort. My father's competitors paid each other no casual visits. But when I walked in that morning, there they were, a dozen or more, sitting cross-legged on piles of three-by-five Sarouk or Hamadan 'mats', clumped together in static postures, like hens roosting. Motionless, inanimate, they seemed to be waiting – but for what? Occasionally a few mournful words would be mumbled, a puzzled complaint. No response was expected, none offered.

 

Skirting the motionless figures, I circled back to the small desk where I was supposed to tend the accounts-due books. With business as bad as it had been, there'd been little to do that summer. I'd typed a few letters: 'Your immediate check would be sincerely appreciated' or 'We will regretfully be forced to place your account in the hands of our lawyers.' But most of the time I'd tilted up the large stock of our book and hidden The Brothers Karamazov behind it. This had been noticed, of course, and reinforced the general opinion that I was a young man without a future.

 

On this morning I sat idle, like the others, studying the assembly of merchants, men whose skins had once been a rich olive and were now pale from worry and the cold light that concrete walls shed. They're like shipwrecked sailors, I thought, thrown up on a desert and waiting for someone to rescue them.

 

Actually my father's business had gone 'kaput' - his word — three years before, in 1929, when the market collapsed. He'd put the yield of a life's labour into a stock issued by the National City Bank. Bought at just over 300, climbing as millions cheered past 600, it then rumpled with all the others down the mountain of high finance, like the boulders of an avalanche, to 23. At that time, he'd thought of his disaster as something for which he was in some way responsible; he must have done something wrong, made some awful mistake. Had he been outsmarted? Had he been cheated?

 

But now, in 1933, on the day the banks closed, surrounded as he was by men who shared the catastrophe — no one smarter, no one luckier, he knew them all to be as ordinary as he was - Father must have begun to accept that what had happened was more serious than any mistake he could have made. The men around him were all bleeding from the same invisible lesions. In a few years many of them would be out of business. They all shared a dread of what was coming.

 

 

Elia Kazan

in  A Life   p.102-103

© Elia Kazan 1988

 

 

Elia Kazan.jpg

 

 

On board the Keiser Wilhelm which brought us to America (1913)



publicado por VF às 08:44
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Sexta-feira, 26 de Junho de 2015

Rali Senhoras (França, anos 30)

 

 

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fotografias de João D' Korth

 

 

 

 

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Quinta-feira, 7 de Maio de 2015

Fotografia Portuguesa do Século XIX

 

 

Tesouros Fotografia XIX

 

João Francisco Camacho, Ilha da Madeira, Costa Norte, 1870 -1876.

Col. Arquivo de Documentação Fotográfica da DGPC

 

 

 

 

Tesouros da Fotografia Portuguesa do Século XIX

Curadoria: Emília Tavares e Margarida Medeiros

Museu Nacional de Arte Contemporânea [até 28 de Junho 2015]

Rua Serpa Pinto, 4

1200-444 Lisboa
 
 
 

A exposição apresenta um conjunto significativo de fotógrafos, imagens e objectos provenientes de mais de uma dezena de acervos públicos e cinco privados, colocando em diálogo diversas instituições que têm como missão a salvaguarda do património fotográfico nacional. 

 

A fotografia produzida em Portugal no século XIX [1840 - 1900] continua em grande medida desconhecida e arredada do estudo da sociedade e da cultura oitocentistas. Este projecto aborda algumas das principais vertentes do legado fotográfico produzido no século XIX em Portugal, constituindo um primeiro esboço de análise global sobre os seus meios de produção e divulgação. 

 

Merecem particular atenção as fotografias inéditas de colecções particulares, como a colecção João José P. Edward Clode, e creio ser a primeira vez que são expostas fotografias de Margarida Relvas. Quatro câmaras fotográficas são outra das curiosidades destra mostra.  

 

O catálogo ainda não se encontra disponível.

 

 

Margarida Relvas neste blog aqui

 

O meu álbum de fotografias do século XIX no Flickr aqui

 

Fotografia do século XIX neste blog nas tags Photographia, Relvas

 

 

 

publicado por VF às 14:53
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Sexta-feira, 24 de Abril de 2015

Fotografias de João D'Korth

 

Henrique D’Korth Brandão,  que alguns leitores conhecem do Facebook onde publica regularmente fotografias – as suas e as do seu álbum de família ­– pôs gentilmente à disposição deste blog os álbuns de fotografias de seu tio João D'Korth, que lhe foram recentemente oferecidos. Em futuros posts apresentaremos as fotografias de João D'Korth, começando pelo álbum da Exposição do Mundo Português (1940), a coincidir com as efemérides dos 75 anos do evento e dos 120 anos do nascimento de António Ferro.

 

Pedi a Henrique uma apresentação de João D'Korth:

 

 

 

 

 

João D’Korth (1893-1974)

 

 

 

 

 

João D’Korth (1893-1974) 

 

Meu tio-avô João "Grande" (como me ensinaram a chamar-lhe para o distinguir do tio João "Pequeno", irmão de minha mãe), nasceu em Lisboa ao meio-dia de terça-feira 2 de Maio de 1893 na Rua Larga de São Roque, número 66, 2º andar e foi baptizado aos 25 dias do mesmo mês, na igreja do Santíssimo Sacramento com o nome de João Chrystiano Castagna D'Korth.

 

Sei que o "Tio Faísca" trabalhou décadas na C.R.G.E. [Companhias Reunidas de Gás e Electricidade] quando ainda sediada na rua Vítor Cordon, que esteve em França na Grande Guerra, e aí se interessou por pombos-correios. Também gostava de pesca. No jardim da sua Princesa, havia pombas de leque e carpas brocadas em profusão; rosas de Santa Teresinha e brincos-de-princesa.

 

 

 

D'Korth João fardado 1917 07

 

 

João D'Korth em 1917

 

 

 

Segundo a minha mãe e a minha tia, o tio João tratou a Néné "como uma Princesa". Era a Princesa dele e uso agora a aliança que ele usou, revelando quando aberta o nome dela e a data do casamento: Maria das Dôres, 9-2-1931.

 

Foi a Néné que encadernou livros e albuns de fotografias, preservando a maior parte do espólio de imagens a que tive acesso — a guardadora de imagens que me permitem evocar e aceder a esse mapa da cidade-de-cada-um, feito das ruas-do-onde-morava.

 

 

 

 

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Nené - Maria das Dores D'Korth no seu estúdio de encadernação

em Lisboa na Travessa da Fábrica das Sedas, 23

 

 

 

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 Álbum de fotografias de João D'Korth encadernado e com papel estampado por Néné 

 

 

Foi engenheiro e engenhocas. Os relógios, que coleccionou, pontuaram a vida da casa, do rés-do-chão ao primeiro andar; acertados por ele, disparavam a cada quarto-de-hora em intervalos de segundos para se poder ouvir distintamente o toque de cada um. Eram relógios de caixa-alta, de carrilhão, de mesa, de três movimentos, de parede e, em profusão no estúdio de encadernação da tia Dores, os de cuco.

 

 

A música foi outra das suas paixões: seu pai, meu bisavô João Gregório D'Korth, médico-homeopata, foi um dos fundadores da Academia de Amadores de Música. Tocava violino e os três filhos estudaram todos um instrumento. Piano, violino e violoncelo, em casa, em Paris e em Berlim.

 

 

 

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Da esq. para a dta Maria Henriqueta (1892), João Cristiano (1893) e Arminda Mariana (1894)

Lisboa, fotografia Vidal e Fonseca, c. 1900

 

 

 

As aparelhagens de som foram em várias casas de parentes montadas por ele com requintes de amplificação e pré-amplificação. Gostava de automóveis e de viagens; primeiro, das complicadas, daquelas guiadas horas a fio e com guindastes pelo meio para içar a máquina da estrada para o ferry e do barco para outras margens.

 

 

 

 img050 - Version 2

 

 Viagem a Marrocos, anos 40

 

 

 

Com o passar dos anos, foram os cruzeiros e a linha "C", "Grande come il mare", com todo o seu rol de nomes de Augusto a Flavia, passando pelo meu: Enrico.

 

 

Só há pouco descobri que aos pombos, peixes, automóveis, abelhas, relógios, navios, e aviões, podia juntar ainda como paixão sua a fotografia. Faceta oculta que me é revelada meio-século volvido: quando julgava não existirem mais fotografias de família para digitalizar, aparecem quatro álbuns que me dão a ver um mundo que se estende para além do país dos afectos.

 

 

 

 

 

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Estádio Nacional, 1944

Toni e Néné, os irmãos António José Brandão e Maria das Dôres Brandão D'Korth

 

 

 

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Exposição do Mundo Português, Lisboa 1940

Nau Portugal aqui

 

Álbum Exposição do Mundo Português no Flickr

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FAMÍLIAS - NOMES

 

Os Castagna vieram de Malta em meados do século XIX, e foram comerciantes com loja de câmbio na Rua dos Capellistas, ou Rua Nova d'El-Rey.

 

Os D'Korth eram médicos que emigraram da Antuérpia para a cidade da Horta e daí para Montevideo, Porto e Lisboa. O tio João Grande era irmão de minha avó [materna] e casou com uma irmã de meu avô [materno]: cunhados, irmãos e vizinhos, numa espécie de imagem de espelho a revelar as duas famílias de que descende minha mãe: os (Carvalho) Brandão, brincalhões e mais down-to-earth, vindos da Mealhada-Anadia para Lisboa onde meu bisavô abriu loja na rua Augusta em 1913. Os de Korth, reservados de aparência e assaz altivos.

 

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Pintura a óleo representando o bisavô João Gregório D'Korth (1853-1925) a tocar violino com o "seu" quarteto; pintado pela minha bisavó, Marianna Castagna D'Korth, em 1900, na casa da Estrada das Laranjeiras a Palhavã. A casa foi demolida para dar lugar á Praça de Espanha e o quadro desapareceu também.

 

 

Henrique D'Korth Brandão

Lisboa 2015

 

 

 

 Álbuns no Flickr:

Exposição do Mundo Português

 França Anos 30

Marrocos Anos 40

 

 

 

publicado por VF às 15:59
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