Quarta-feira, 23 de Março de 2011

Elizabeth Taylor (1932-2011)

 

 

 

 Gata em Telhado de Zinco Quente (Richard Brooks, E.U.A. 1958)

 

 

 

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publicado por VF às 14:46
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Domingo, 5 de Setembro de 2010

Elizabeth Taylor

 

 

 

 

 

 She was very lively, though one could see she had undergone a massive ordeal. She was whiter by far than the hospital's bedsheets; her eyes, without make-up, seemed bruised and swollen, like a weeping child’s.


What she was recovering from was a form of pneumonia. “My chest and lungs were filled with a sort of thick black fire. They had to cut a hole in my throat to drain out the fire. You see," she said, pointing at a wound in her throat that was stopped with a small rubber plug. "If I pull this out my voice disappears," and she pulled it out, and indeed her voice did disappear, an effect which made me nervous, which made her merry.


She was laughing, but I didn't hear her laughter until she had reinserted the plug. "This is the second time in my life that I felt — that I knew — I was dying. Or maybe the third. But this was the most real. It was like riding on a rough ocean. Then slipping over the edge of the horizon. With the roar of the ocean in my head. Which I suppose was really the noise of my trying to breathe. No," she said, answering a question, "I wasn't afraid. I didn't have time to be. I was too busy fighting. I didn't want to go over that horizon. And I never will. I'm not the type."


Perhaps not; not like Marilyn Monroe and Judy Garland, both of whom had yearned to go over the horizon, some darker rainbow, and before succeeding, had attempted the voyage innumerable times. And yet there was some common thread between these three, Taylor, Monroe, Garland — I knew the last two fairly well, and yes, there was something; an emotional extremism, a dangerously greater need to be loved than to love, the hotheaded willingness of an incompetent gambler to throw good money after bad.

 

Truman Capote

in Elizabeth Taylor (1974)

 

A Capote Reader

© 1987 by Alan U. Schwartz

 

publicado por VF às 10:14
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Terça-feira, 31 de Agosto de 2010

elipse

 

 

No meu livro usei uma fotografia de Elizabeth Taylor, de quem gosto muito, para fechar o capítulo americano em “elipse”. Com a fotografia do casal desavindo de Cat on a hot tin roof, ao lado de um texto sobre Portugal que começa com a frase “Eram dias felizes...”  pretendi introduzir, de forma subtil, uma mudança de atmosfera.

 

Naquela época, as loiras queriam parecer-se com Marylin Monroe e as morenas com Elizabeth Taylor. A minha mãe queria, e nota-se nas fotografias dela dessa época. Tinha uns olhos lindos, como Taylor, e era do mesmo signo astrológico: Peixes.

 

Nesta altura Elizabeth Taylor atravessava um dos momentos mais emblemáticos da sua carreira e um dos mais dramáticos da sua vida atribulada: 1958 foi o ano de Cat, pelo qual seria nomeada para o Óscar de melhor actriz, e o ano em que perdeu Mike Todd, em Março, num desastre de avião.

 

 

 

 

 

 

A elipse é o processo narrativo que se caracteriza pela supressão de elementos da acção para realçar outros e tem no cinema, meio que se rege pela economia e necessidade de síntese, um campo de aplicação privilegiado. A montagem, dividindo o tempo e o espaço narrativos em diversas partes (planos), veio facilitar essa operação e quanto mais elíptico for um filme, mais longe estará de uma estética literária ou teatral. O cinema está repleto de exemplos memoráveis de elipses. O que há de tão apetecível e sedutor nelas é a sua implicação do espectador: as elipses são lacunas, espaços vazios, pequenas ilhotas de liberdade semiótica que solicitam uma pluralidade de leituras. O realizador já não afirma, apenas sugere; não mostra a totalidade das coisas, mas apenas a sua parte mais significativa; e, finalmente, cria espaços de indeterminação, ambiguidade e criatividade que o seu público poderá explorar.

 

post de Flávio no blog A Bomba aqui

 

 

Se é a primeira vez que visita este blog leia mais sobre o álbum de família aqui

publicado por VF às 10:37
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Domingo, 13 de Setembro de 2009

Histoire(s) du Cinéma

 

 

 

 

 

 

 O cinema olhou sempre menos para o mundo do que olhou para o mundo a olhar para ele. E quando apareceu a televisão, esta rapidamente substituiu o mundo e deixou de olhar para ele. Quando se vê televisão, nunca se vê que a televisão nos está a ver. Mas quando Ingrid Bergman esconde uma chave na mão, essa chave está a olhar para nós. E isso acontecia numa altura em que não queríamos ver o mundo no estado em que os campos o tinham deixado.


O cinema desapareceu nesse momento. Desapareceu porque prenunciou os campos. Chaplin, que era um caso único, conhecido como nunca ninguém foi conhecido, Chaplin, em quem toda a gente acreditava, pois bem, quando fez  The Great Dictator ninguém acreditou nele. Podiam ter acreditado ao menos um pouco. E quando Lubitsch ousou dizer "So they call me Concentration Camp Ehrhardt", as pessoas disseram: "De que está ele a falar? Está doido!". Mesmo sendo ele judeu, um imigrante, plenamente consagrado na comédia. De repente, as pessoas deixaram de rir. Alguma coisa aconteceu.


Retrospectivamente, foi nessa altura que disse a mim próprio que enquanto realizador, enquanto fazedor de filmes, estou em território ocupado. Estou na Resistência. Faço-o mais ou menos bem. Sou provavelmente como René Hardy ou Trepper, como naqueles romances de que gosto tanto onde se trabalha para todos os lados, já sem realmente saber para qual. Estamos em território ocupado. Na minha opinião, quando Lelouch tem sucesso, é um Otto Abetz para um Resistente em França. E Tavernier é um "vichyista", na minha opinião. Foi deste ponto de vista que escrevi a Malraux - e Deus sabe como admirava Malraux, e ainda admiro - sobre La Religieuse. Escrevi: "Escrevo-lhe de um lugar distante - a França Livre".


Mas como, apesar de tudo, esta não é uma ocupação real, somos um pouco marginais e estamos um pouco falidos. É por isso que de vez em quando temos que dizer: vamos tentar outra vez. Questionamo-nos sempre no fim, bem, na alvorada do crepúsculo das nossas vidas. É então que nos perguntamos a que história(s) pertencemos...

 

 

 

 

 

 

 

 

O cinema começou mudo, e foi muito bem sucedido. O som, como a cor, foi sempre uma opção. Tinham os seus próprios processos, mesmo que não fossem tecnicamente perfeitos — ainda hoje não são... Mas não queriam o som. Mitry e Sadoul descreveram como Edison demonstrou o seu cinema falado, mas tudo estava já em marcha no Grand Café. Primeiro houve doze discípulos, depois trinta, quarenta, e finalmente quatrocentos milhões. Só mais tarde quisemos o cinema sonoro, o que, para mais, se explica muito bem por circunstâncias sociais. O sonoro veio num momento histórico, quando Roosevelt falou mais alto, a democracia falou mais alto, e disseram: New Deal. E depois de alguns "crashes" da bolsa, o fascismo falou mais alto, e Hitler disse aquilo que disse. O "dizer", mas um dizer "errado", passou a dominar. Não foi Freud quem tomou o poder na Alemanha, foi Hitler (e no entanto eram vizinhos, e viviam a poucas ruas de distância).


Apesar da Inquisição espanhola, apesar das guerras napoleónicas, apesar de tudo, tinham acontecido algumas conquistas humanísticas nada insignificantes. Para as preservar - apesar do horror absoluto dos campos de concentração - o que aconteceu foi que, definitivamente, "ver" e "dizer se tornaram uma só coisa", e portanto os outros objectivos tiveram que ser redefinidos. E só o cinema o podia fazer. [...]


Não é uma questão de ser testemunha. É porque era o único instrumento - nem o microscópio, nem o telescópio, só o cinema. Achei sempre alguma coisa de tocante na obra de um realizador de que só gosto moderadamente, George Stevens. Em A Place in the Sun, há um sentimento profundo de felicidade que muito raramente se encontra noutros filmes, inclusive filmes muito melhores. Um sentimento de felicidade simples, profano, um momento com Elizabeth Taylor. E quando descobri que Stevens tinha filmado os campos, e que nessa ocasião a Kodak lhe tinha dado os seus primeiros rolos de película 16mm colorida, percebi como é que ele pôde fazer esse grande plano de Elizabeth Taylor irradiando uma espécie de felicidade assombrada...

Jean-Luc Godard em entrevista a Serge Daney (“Libération”, 26 de Dezembro de 1988)
Tradução: Luís Miguel Oliveira
in Godard 1985 1999
Edição Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema, 1999

 

 

publicado por VF às 19:22
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