Quinta-feira, 12 de Outubro de 2017

Anne Wiazemsky (1947-2017)

 

 

 

 

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Entre le père Deau et moi, la correspondance reprend. Très vite, nous convenons de nous revoir en mai à Malagar car je dois m'y rendre pour terminer d'aménager le petit logement que la région Aquitaine met à la disposi­tion de la famille Mauriac pour la remercier de lui avoir fait don de la propriété. Je lui avais décrit la colère puis le chagrin que j'avais éprouvés face à la décision de ma mère, de sa sœur et de ses frères. Leur volonté inébran­lable malgré mes supplications, celles de mon frère et de mes cousines. Nous ne réclamions que de différer de quelques années leur choix. J'étais la plus acharnée car j'y allais souvent. Cette propriété était ce à quoi je tenais le plus au monde. Un paradis de l'enfance d'abord, des années délaissé, et un paradis pour l'adulte que j'étais devenue. Durant les huit dernières années de la vie de ma grand-mère, j'avais pris l'habitude de passer de régu­liers séjours auprès d'elle. C'est là que nous avions appris à nous connaître et à nous aimer. À sa mort, grâce à l'insistance de ma plus chère amie, j'y étais retournée. Miracle, les jours heureux étaient tout aussi vivants et je pouvais y retrouver sans tristesse des êtres aimés et disparus. C'est là que j'ai commencé à écrire. Je pus en profiter encore deux ans puis je dus m'en aller comme en avait décidé ma famille.

 

Anne Wiazemsky in Un Saint Homme

© Éditions Gallimard, 2017

 

 

 

Domaine de Malagar

 

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Fotos gentilmente cedidas por Meei-huey Wang.

 

Um artigo do Guardian aqui

publicado por VF às 16:27
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Domingo, 18 de Dezembro de 2016

brinquedos portugueses

 

 

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Em tempos, quando o Menino Jesus, ou tu, faziam anos, a família e os amigos da casa ofereciam-te objectos desconcertantes e inúteis, chamados brinquedos. Tu, está claro, ficavas muito contente com os presentes, por virem embrulhados em papéis vistosos, por constituírem uma novidade, aliás provisória (lamentável defeito da novidade!) mas principalmente por ser costume ficarmos contentes quando alguém nos oferece qualquer coisa. Na verdade, ou seja, no dia seguinte (a verdade só é completa no dia seguinte), verificavas que os tais brinquedos não correspondiam às tuas secretas ambições. Ah! O dia seguinte do brinquedo! Como é rápida a decadência do brinquedo, uma vez arrancado ao arranjo da montra da loja, onde brilhou, rodeado por outros brinquedos, valorizado por luzes hipócritas! Os brinquedos deviam ficar eternamente na suas caixas bonitas, ou penduradas nos tectos dos estabelecimentos para serem apontados pelos dedos indicadores dos meninos. É raro um brinquedo corresponder à imaginação da criança que o recebe. Deves lembrar-te de que, por volta dos teus seis anos, não achavas graça nenhuma a um boneco, por mais bonito que ele fosse. Eu, pelo menos, não achava. O que eu queria era um martelo verdadeiro para pregar pregos verdadeiros onde me apetecesse. A lei natural dos contrastes convida as crianças a desejarem ser adultas. Por exemplo: um cavalo vivo, com arreios de “cow-boy”, é artigo muito querido de todos os meninos. Pistolas autênticas, das que dão tiros homicidas, bicicletas de duas rodas, serrotes, etc., são objectos apreciadíssimos pela infância, que também aceita, resignadamente, as respectivas imitações, de lata, de três rodas, e sem dentes.

 

 

 

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Tenho um amigo um bocado parecido comigo nestes assuntos de educação infantil. Tem dois filhos a quem tudo permite e a quem gostaria de realizar todos os sonhos. Há tempo, um dos pequenos pediu-lhe um serrote com dentes afiados, e o pai fez-lhe a vontade. O serrote marcou época em casa do meu amigo. Vários móveis de estimação foram serrados pelo garoto que, trocadilho aparte, tem «bicho carpinteiro». O pai do serrador desgostou-se com a proeza do filho e julgo que lhe tirou o serrote. Mas teve desgosto quando lhe tirou o serrote. Disse-me, confidencialmente, que nunca mais o seu querido filho teria um brinquedo que lhe desse satisfação comparável à daquele serrote verdadeiro. «Resta saber — concluiu — se é melhor evitar a perda de móveis insubstituíveis ou a perda duma partícula da alegria de viver do meu filho». Mas, repito, não ê possível apertar em tão poucas linhas a extensa filosofia do brinquedo.

 

 

 

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[...] As crianças portuguesas já trazem de longe, quando nascem, uma indisciplina, uma desordem que não lhes consente manusear dinamite sem perigo de explosões. Logo, não as podemos presentear, aos dez anos, como acontece aos meninos alemães, com espingardas de tiro rápido, nem com cavalos de carne e osso, como é uso conceder às crianças inglesas. Sejamos prudentes com os nossos filhos, deliciosamente meridionais, imaginativos e bravos! Fabriquemos, para eles, alguns brinquedos mansos e já consagrados, mas tanto quanto possível aportuguesados.

 

 Olavo d’Eça Leal

in Revista Panorama, número 12, ano 2º, 1942

 

 

 

 

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Olavo d’Eça Leal (1908-1976) pertenceu à geração de intelectuais e artistas portugueses que colaboraram na revista Contemporânea e no Salão dos Independentes. Escritor e célebre radialista da Emissora Nacional, a sua obra inclui o teatro, a poesia, as artes plásticas, a ficção e a literatura infantil. Escreveu e produziu dezenas de peças para a rádio e televisão, foi jornalista, ilustrador, e coleccionador ecléctico.

 

Em 1939 publica um livro para crianças, Iratan e Iracema, os Meninos mais Malcriados do Mundo, com ilustrações de Paulo Ferreira, que recebe o prémio Maria Amália Vaz de Carvalho. Esta história ao jeito de folhetim radiofónico infantil foi lida pelo autor aos microfones da Emissora Nacional no programa "Meia Hora de Recreio" em trinta e oito fragmentos. Em 1943 é editada a sua História de Portugal para os Meninos Preguiçosos (1943) ilustrada por Manuel Lapa.

 

Desenhos, pinturas, livros e objectos de Olavo d’Eça Leal reunidos ao longo dos últimos quarenta anos pelo seu filho Tomaz encontram-se expostos na Casa da Pinheira [The House of the She-Pine Tree] - Casa-Museu e Guest House situada numa antiga quinta do século XIX próximo da aldeia do Sabugo.

 

 

 

 

 

Agradecimentos: Tomaz d’Eça Leal, Casa da Pinheira , Hemeroteca DigitalAlmanak Silva, Restos de Colecção, JuvenilbaseWikipedia

    

publicado por VF às 17:15
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Sexta-feira, 3 de Abril de 2015

My Years in Angola (3)

 
 
My Years in Angola (1950-1970)
Andries Pieter van der Graaf
 
Other posts:
 

 

Besides food (Mozambique tea - chá licungo - , and cashew nuts should also be mentioned), drinks and textiles, there was an assortment of other articles, which pretty well matched the range of articles in the "mercearias" (general stores) in the interior and in the city. These were: storm lanterns, primus stoves, chopping knives, hoes, corrugated panels, plumbing, floor covering, sewing machines, iceboxes, bicycles. In the shop window was a graphic poster of a Raleigh bicycle, with a native on it, chased by a lion. Many Velosolex (motorized bicycles) were also imported, but more in Lobito than to Luanda, where the roads were too steep. In the first years, copper wire, beads and other decorative articles were important. Importing of beads was arranged through Amsterdam from Italy ("missangas"), and from Czechoslovakia ("contas").

 

 

 

 

 

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 poster of a Raleigh bicycle

 

 

Angola is generally a "price market," but Bacalhau is an exception to this rule. Bacalhau (dried cod) the way the Portuguese like it, is Clipfish, dried on rocks (Stockfish is dried hanging on wooden racks). Codfish came mainly from Norway, with occasional shipments from Iceland and Scotland. For dried cod, or "o fiel amigo" (the faithful friend) as the Portuguese call it, quality is the top requirement, since they are so fond of Bacalhau that no feast day may be celebrated without it, e.g., Christmas.

 

 

In the warehouse

 

 In the warehouse

 

What with one thing and another, the months of November and December were always exceptionally busy for anyone who had anything to do with the "armazém" (warehouse). During this period, a great deal of work was done by the native assistants in the warehouse, and when the bonuses were handed out, they were given extra consideration too. There were some very strong men among them, I especially remember "Maximbombo", the native word for "bus", commonly used in Angola. Many of the natives have Portuguese, or Portuguese-derived names, but there are exceptions to this. For example, Van Dunen harks back to the Dutch administrator Van Duinen; Fançoni to Van Zon, etc. One particularly good tribe came from the Bailundo area, who didn't speak Kimbundo, as they do in the North, but Umbundu. As employees, the natives were still very subservient, something which was to change a great deal in the next decade; they also had very few rights, notwithstanding the official policy of equality and assimilation. The economic colour barrier was enormous.

 

 

 

Luanda was still small. Behind the Avenida Brito Godins, where our "residencia" was situated, there were a few residential areas, but otherwise nothing very much yet. There was no Avenida Marginal, just a sandy shore to the bay, and not far from there was the market, where now the Banco Commercial rises up.

 

13 Luanda, no Marginal

 

Luanda bay, before the Avenida Marginal was built

 

4 Luanda, '50s

 

Luanda in the fifties

 

3 A residencia, front garden

 

 

 A residência, front garden. Circa 1952, with Joyce, Kees and Betty

 

1 Causeway to the Ilha

 

 Causeway to the Ilha

 

 

When I arrived in Luanda, the peak demand for foreign imported cotton prints had already passed. Around Sá da Bandeira you didn't see very much textile, for there the native people kept mostly to their traditional dress, a loincloth, some arm rings, beads and buttons. In this cattle-rich area, the women wore leather strips, onto which sawn-through cone shells had been added. These cost about "an ox" each, and from the number of these shells you could calculate the financial status of the native family.

 

Muhuila married women

 

Muhuila married women

 

 

In the surrounding area, Huila, and Cuanhama, there is still a great deal of traditional life to be seen. A trip into the Huila area stands out as the most interesting one in my memory. The native tribes provided the most picturesque spectacle. They were mostly Huilas and Mucubais, tribes that had resisted the trend to wearing European clothes - in contrast to Northern Angola. They kept to their own ways and it was marvellous to see their dark brown shining bodies, embellished by thick copper wire wound around their necks and legs, all sparkling in the sunlight. The women, with finery differing according to age or status, often wore strings of shells, cowrie and others, and beads. On their backs they wore cone shells, sawn in halves. These came all the way from the coast and were very expensive. I was told that one could tell how rich they were by the number of shells they wore. One of them was worth " an ox ". In their necklaces and bracelets, however, there were often small European objects, such as coins and safety pins and other shiny objects.  

 

 

6 "Trip through South and Central Angola", Muhuila women, with cut off cone shells

Muhuila women, with cut off cone shells, Joyce, Kees and Betty by the car

 

A.P. with Mumuhuila

 A.P. with Mumuhuila tribesmen

 

 

 

The travelling salesmen took as many samples with them as possible of everything that we sold. There was a good variety, and therefore our men were always welcomed by the clients. Still, they always had to keep in mind the custom of never being over hasty. The first day had to be seen as the lead up to the real business visit. First, time needed to be patiently spent on "cumprimentar" (greetings) and "conversa" (conversation). The next day was the day for business. Only then were the boxes of samples brought out from under the canvas of the carrinha (pick-up), and opened.

 

Trip to Nova Lisboa, May, 1965

 Trip to Nova Lisboa, 1965

 

The roads were appalling. Heading inland, there was asphalt only as far as Catete (60km), and on the way to Malange, around Zenza, there was a 30 km stretch of very fine sand, all very well for growing cotton, but not quite the right thing for a road. Driving through those 30 km would take a good three hours. But these trips also had a very attractive side as well. Astonishing vegetation: baobabs ("imbondeiro"), and candelabra-euphorbias along the road to Dondo, and further along perhaps coffee plants in bloom. Towards the south, instead, you would see different types of acacia, and then dry savannah.

 

 

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baobab tree

 

The hotels along the way were pretty shabby, but they sometimes made good meals: feijoada (a bean stew), guisado (stewed meat and greens), churrasco (piri-piri chicken). Breakfast was "sem garfo" or "com garfo" (with or without a fork). "With" was with meat, almost a full meal, and "without" was coffee and a couple of rock-hard buns with very salty butter. For the lorry drivers there was still another "matabicho" (matar o bicho = to kill the animal; the official Portuguese word for breakfast is "pequeno almoço"): a strong cup of coffee with brandy upon departure at dawn, followed later in the morning with a "matabicho com garfo." Another delicacy of the "mato" was muamba (palmoil stew).

 

 

to be continued...

 

Andries Pieter van der Graaf Jan/Feb 1974

Translated by Elizabeth Davies (van der Graaf) 2012

 

 

Full text:

The memoir of Andries Pieter van der Graaf is in two parts: Part 1 (written in English) starts in 1909 with his birth, and provides a vivid description of his early life in Krimpen aan de Lek, a small community near Rotterdam; of the effects of the Depression on the family; and of his experiences during the war. In Part 2 (written in Dutch, translation into English provided), he takes us from his first day in Angola, through his years learning how to run a Dutch trading company in Angola in colonial times, to his fascination with Angola and its peoples.

 

www.asclibrary.nl/docs/341/217/341217840.pdf

http://www.asclibrary.nl/docs/341220647.htm

 

Album "Vintage Angola" on Flickr 

 

 

 

Many thanks to Elizabeth Davies (van der Graaf) and her family for allowing me to adapt the text and to illustrate it by using photos from the family's collection.

 

Muito agradeço a Elizabeth Davies e sua família que autorizaram gentilmente a edição do texto para publicação neste blog e disponibilizaram fotografias do espólio do autor.

 

 

 

 

 

publicado por VF às 10:31
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Sábado, 18 de Outubro de 2014

Bohemia

 

Rita Barros regista desde 1987 a vida no Hotel Chelsea, em Nova Iorque, e vem registando a sua agonia desde que em 2011 o hotel foi vendido, encerrado ao turismo, esventrado por obras e os residentes de longa data se viram confrontados com muitas incertezas pessoais e a morte anunciada da sua casa comum.

 

Negação, zanga, negociação, depressão, aceitação — as etapas do luto são cinco, não necessariamente por esta ordem mas fica a ideia.

 

Embora centrada no trabalho de Rita Barros no Chelsea, a exposição comissariada por Jorge Calado dá a ver todo o universo da artista, dos seus primeiros trabalhos a preto e branco às suas imagens mais emblemáticas [o sapato e a chávena de café da série Presença na Ausência] e incluídos estão também outros temas [11 de Setembro] e uma bonita colecção dos seus photobooks artesanais. 

 

Nesta exposição um engenhoso biombo vermelho separa o antes do depois: à entrada somos naturalmente conduzidos para o Chelsea e os seus habitantes nos bons tempos [reunidos no livro Chelsea Hotel Fifteen Years] e para três auto-retratos de Rita Barros no seu apartamento, cuidadosamente encenados, coloridos, solares.

 

À saída, após as imagens fúnebres e irónicas [de Displacement] e uma deambulação melancólica pelos belíssimos interiores do Chelsea despovoado e semi destruído [a série mais recente] encerram o percurso, nas costas do biombo, duas imagens intimistas que convido o Leitor a descobrir . 

 

 

 

 

 Biblioteca da Faculdade de Ciência e Tecnologia /UNLCampus da Caparica 

 

 

 

 

Biblioteca da Faculdade de Ciência e Tecnologia /UNL

 

Campus da Caparica

 

2ª a 6ª feira | 09:00h - 20:00h

 

Sábados | 18 e 25 de Outubro, 15 Novembro | 15h - 18h

 

Imagem aqui

 

 

 

 

 

 

publicado por VF às 09:53
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Sábado, 27 de Setembro de 2014

Carta a Garrett (2005)

 

 

Cristina Ténis 1965.jpg

 

 

Cristina Futscher Pereira

17 Abril 1948—27 Setembro 2005 

 

 

 

 

 

Caro Almeida Garrett

 

 

Perdoe-me tão directa interpelação, mas creia que não o incomodaria por pouca coisa. Conhece bem o drama de partir, e de partir cedo. De partir cedo demais. Sei, por isso, que entenderá o que tenho para dizer.

 

O seu nome e a sua obra são ainda venerados nesta sua terra, embora um pouco da mesma forma que os monumentos o costumam ser. Reverenciados, mas na verdade esquecidos, ignorados, e vandalizados. Nada de novo, como muito bem sabe.

 

Imagine que se descobriram os manuscritos inéditos do seu Romanceiro misturados com outros papéis que estavam em casa de Venâncio Deslandes, na época director da Imprensa Nacional. Podemos talvez imaginar as razões pelas quais o Senhor Deslandes poderá ter levado os manuscritos para casa, mas provavelmente nunca saberemos ao certo a razão de lá terem ficado até a Cristina Futscher Pereira os ter descoberto.

 

Mas o achado constituiu também um encontro.

 

A partir desse momento o destino de Cristina Futscher Pereira passou a estar ligado ao destino desses papéis, e Você, meu caro Garrett, passou a estar no centro do seu entusiasmo. Ela pressagiava que aqueles manuscritos eram um sinal da sua boa estrela, e até construiu este pequeno «templo», de onde agora lhe escrevo, para nele partilhar as boas novas com todos os interessados.

 

Mas (quase) ninguém estava verdadeiramente interessado. Bem, houve alguns lampejos de interesse pelos papéis, noblesse oblige, embora frouxos e breves. Não sei, talvez estejamos cansados de ser um País, de ter uma História tão pesada e de tão incerto saldo.

 

Além do mais, o romanceiro é uma coisa tão out, tão old fashioned you know what I mean? —, é coisa de um mundo que já não existe, e que por isso já não nos interessa. Claro, é bom que se preserve, alguém que se encarregue de guardar essas coisas. Pode ser que um dia façam falta, sei lá.

 

Apesar de tudo, o meu Amigo nem tem muito de que se queixar. Apesar do infortúnio pedagógico das Viagens, ainda faz parte do cânone, ninguém lhe impugna o episódio do Mindelo, ainda lhe dão palco nos teatros, o fraque verde, a gravata de cor e o chapéu branco ainda causam um simulacro de furor entre as senhoras. Da sua poesia sobraram as Folhas Caídas (cujo pathos aumenta se se souber da história com a viscondessa da Luz), e a sua eloquência ainda ecoa vagamente no Parlamento. Outros não se podem gabar de tanto.

 

Mas na verdade pouca gente o lê e, hélas!, cada vez menos gente fala a mesma língua em que Você escreveu páginas tão marcantes.

 

Adiante. Eu conheci a Cristina por sua causa. Digamos que foi o ilustre Autor que propiciou o nosso encontro. Assim que lhe ouvi os planos, logo a alertei para esperar muito pouco ou nada. Mas o meu cepticismo foi cedendo à sua energia e vontade de suscitar um interesse renovado pela sua figura e pela sua obra, caro Garrett. E a isso eu não me poderia negar.

 

O resultado dessa colaboração está aqui nestas páginas escritas no éter (o meu caro Amigo perdoará não me atrever sequer a tentar explicar-lhe o que isto é…), mas está também nas muitas cartas que trocámos, através da quais o nosso relacionamento atingiu a patente de amizade.

 

Caro Almeida Garrett, a Cristina Futscher Pereira morreu.

 

Partiu cedo demais, como também aconteceu consigo. Com a morte dela, morre também este espaço que ela lhe dedicou, no qual eu tive a honra e o gosto de participar.

 

Ele aí – aí?, aqui? – fica, como testemunho de como lhe pulsou o coração ao longo do seu último ano de vida. A Cristina fez o que pôde, até já não poder fazer mais. Mas fica também o exemplo, e, quem sabe?, talvez ele frutifique, talvez possa ser retomado. Não é verdade que todos lhe devemos isso?

 

Cumprido este dever de que voluntariamente me incumbi, despeço-me com a estima e a admiração de sempre.

 

Jorge Colaço

 

Post-Scriptum – Se os mortos e os tempos conviverem e se misturarem como acontece na Torre de Barbela de Ruben A., estou certo de que há-de vir a conhecer a Cristina. Peço-lhe que a trate como a uma boa e dedicada Amiga.

 

 

 

 

Notas:

 

Este texto fechou o blog O Divino em 2005. O blog garrettiano fora criado por Cristina em 2004 e foi retirado dos blogs do sapo cinco anos depois.

 

Jorge Colaço é o autor dos blogs Retentiva e Conteúdos em Português. 

 

 

Leia também os posts

 

Long Live Garrett

 

Garrett inédito

 

Garrett liberal, romântico, escritor, homem de espírito, pesquisador, homem de acção...

 

Garrett leitor de Vicente

 

Venâncio Augusto Deslandes (1829-1909)

 

 

Inéditos do romanceiro garrettiano neste blog na tag Garrett 

 

 

 

 

 

 

Lettre à Garrett (2005)

 

 

Cher Almeida Garrett,

 

Pardonnez-moi de vous interpeller ainsi, si soudainement, mais, croyez bien que je n’oserais pas vous importuner pour un rien. Partir, et partir tôt, est un drame que vous connaissez bien. Partir trop tôt. Je sais, donc, que vous comprendrez ce que j’ai à vous dire.

 

Votre nom et votre œuvre sont encore vénérés dans ce pays qui est le vôtre, même si on leur voue, en somme, l’estime accordée habituellement aux monuments. Révérés, mais en vérité, oubliés, ignorés et vandalisés. Rien de nouveau, nous le savons bien.

 

Imaginez-vous que les manuscrits inédits de votre Romanceiro ont été découverts dans un tas de papiers qui se trouvait chez Venâncio Deslandes, jadis directeur de l’Imprensa Nacional. Il n’est pas difficile d’imaginer les raisons qui auront conduit Monsieur Deslandes à rapporter le manuscrit chez lui mais nous ne saurons probablement jamais le fin mot de l’histoire qui explique qu’ils y soient restés jusqu’à ce que Cristina Futscher Pereira ne les déniche.

 

Mais cette découverte fut aussi une rencontre.

 

Car, dès cet instant, le destin de Cristina Futscher Pereira s’est mêlé à celui de ces documents. Et vous, mon cher Garrett, sachez que vous avez nourri son enthousiasme. Elle pressentait que ces manuscrits étaient une manifestation de sa bonne étoile et alla même jusqu’à construire ce petit temple d’où je vous écris, pour y partager les bonnes nouvelles avec tous ceux qu’elles intéresseraient.

 

Mais, (presque) personne ne se montra intéressé. Enfin, il y eu quelques lueurs d’intérêt pour ces documents, noblesse oblige , bien qu’elles fussent mornes et brèves. Qui sait, peut-être sommes-nous fatigués d’être un Pays, d’avoir une Histoire si pesante, au bilan si incertain.

 

Et puis, un Romanceiro, n’est-ce pas quelque chose de complètement has been, si old fashioned – you know what I mean? – quelque chose qui appartient à un monde qui n’est plus et qui a donc cessé de nous intéresser ? Bien sûr, il convient de le protéger et quelqu’un doit se charger de conserver ces choses. Ça pourrait venir à manquer, un jour, qui sait ?

 

Et pourtant, cher ami, vous avez bien peu de raisons de vous plaindre. En dépit de l’infortune pédagogique de Voyages , vous faites encore partie du canon, personne ne vous réfute l’épisode de Mindelo, la scène des théâtres vous est encore ouverte, le frac vert, la cravate colorée et le chapeau blanc provoquent encore bien des émois chez la gente féminine. De votre poésie, il reste Folhas Caídas (dont le pathos augmente quand on connaît l’histoire de la vicomtesse de Luz) et votre éloquence résonne encore vaguement au parlement. Tout le monde n’a pas la chance de pouvoir en dire autant.

 

Mais en réalité, votre œuvre est bien peu lue et, hélas ! , rares sont ceux qui parlent encore cette langue dans laquelle vous avez écrit ces pages si remarquables.

 

Poursuivons. J’ai connu Cristina à cause de vous. Disons que c’est l’écrivain illustre qui est à l’origine de notre rencontre. A peine m’avait-elle fait part de ses projets que je lui disais de ne rien attendre, ou si peu. Mais mon scepticisme a cédé face à l’énergie qui l’animait et à son désir d’éveiller un intérêt renouvelé pour votre personne, cher Garrett, et pour votre œuvre. Comment aurais-je pu refuser ?

 

Le résultat de cette collaboration est là, dans ces pages écrites dans l’éther (vous me pardonnerez, cher ami, de ne pas me risquer à la moindre explication...) mais aussi, dans ce riche échange épistolaire d’où est née une amitié certaine.

 

Cher Almeida Garrett, Cristina Futscher Pereira n’est plus.

 

Elle est partie trop tôt, comme vous. Avec elle, disparaît également cet espace qu’elle vous avait consacré et auquel j’ai eu l’honneur et le plaisir de participer.

 

Et lui là, – là ? Ici ? – reste pour témoigner de ces battements de cœur que vous avez provoqués tout au long de sa dernière année de vie. Cristina a fait ce qu’elle a pu jusqu’à ne plus pouvoir. Mais son exemple est là et, qui sait, peut-être fera-t-il des émules, peut-être sera-t-il repris ? N’est-il pas vrai que nous lui sommes tous redevables ?

 

C’est le devoir accompli - dont je me suis moi-même investi - que je vous salue, toujours plein d’estime et d’admiration.

 

 

 

Jorge Colaço

 

Post-Scriptum – Si les morts et les époques se rejoignent et se mêlent comme dans La Tour de Barbela de Ruben A., vous finirez par faire la connaissance de Cristina. Je vous demande de lui accorder le traitement que l’on réserve aux amis sincères et dévoués.

 

 

 

Traduction de Laurence Corréard

 

 

 

Lettre à Garrett fut le dernier texte publié dans O Divino , un blog créé par Cristina en 2004.

 

 

 

 

publicado por VF às 06:41
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Sábado, 23 de Agosto de 2014

Casa de Alvellos (1920/1930)

 

 

 

 Casa de Alvellos, Freixo de Baixo c. 1920

 

 

 

Casa de Alvellos, Freixo de Baixo, c. 1930

 

Da esqª para a dtª : Hugo Belmarço e Maria José Barros da Costa Belmarço, criança não identicada, Maria de Lurdes da Costa Belmarço, homem não identificado, Ana Maria Barros da Costa Morais, Pedro Alvellos, Manuel José da Costa Belmarço, Jorge Morais.

 

 

 

 

 

Maria José e Ana Maria Barros da Costa eram filhas dos viscondes de Alvellos, segunda e último a contar da esquerda nesta fotografia.

 

 

 

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Fotografias gentilmente cedidas por Isabel Belmarço de Mello e Castro a quem muito agradeço.
 
 
 
 
 

 

publicado por VF às 13:47
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Segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Chalet Alda (S. João do Estoril)

 

Em tempo de Verão regresso aos álbuns de família e colecções privadas que aqui tenho explorado. 

 

À excepção da fotografia do chalet, as imagens deste post foram encontradas na blogosfera portuguesa. Não achei fotografias de fandangueiros, saltimbancos, mulheres dos bolos e banheiros nas praias de Portugal do princípio do século XX.

 

Sobre este álbum de recordações de Alda Rosa, “para os filhos, netos e bisnetos”, editado em 2011 e do qual foram feitos 3 exemplares impressos, leia neste blog o post Festas e Mascaradas. 

 

Agradecimentos especiais a Alda Rosa Bernardo de Sousa, Maria do Rosário Sousa Machado e blogs Restos de ColecçãoTeatro e MarionetasAmérico e Galafanha.  

 

 

 

 

Chalet Alda , S. João do Estoril c. 1900

 

 

No meu tempo de menina, as horas em que se ia à praia eram totalmente diferentes das de hoje. íamos de manhã, e á tarde ficávamos no jardim. Só em dia de pic-nic é que ficávamos na praia até mais tarde. Estes almoços eram de "garfo e faca" e toalha posta na mesa. De casa vinham salada russa e um prato quente trazidos pelas criadas. Os banheiros emprestavam-nos uns banquinhos e umas tábuas que serviam de mesa e as cadeiras eram também deles. Claro que com tanta mordomia estes pic-nics não podiam repetir-se muitas vezes.

 

Mesmo para se comer na praia só havia barquilhos e bolas de Berlim. O homem dos barquilhos apregoava: Barquilheiro!!! Trazia uma lata alta com uma roleta, o comprador fazia girar a roleta que ditava a sorte de comer pelo mesmo preço mais ou menos barquilhos. O homem das bolas de Berlim apregoava: bolas de Berlim, perlim pimpim! Assim andavam pela praia estes vendedores. A senhora Ana dos bolos só apareceu mais tarde...

 

 

 

 

 

 

             
Barquilheiro, Roleta de Barquilhos

 

 

 

 

Para divertir as crianças aparecia o "Fandangueiro". Trazia um pequeno estrado, e fazia o seu número de sapateado (com a música do fandango). Também para nos entreter havia o homem dos cães. Trazia 4 ou 5 cães e com cães fazia o seu número. A um dos cães ele mandava «morrer à moda da China com três cartuchos...!» e o cãozinho deitava-se fingir que tinha morrido.

 

O "Catitinha" aparecia na praia todo vestido de preto pois tinha perdido uma filha. Protegia e gostava de crianças: apertava a mão a cada criança e apitava. Os miúdos corriam para ele, apesar de ser uma figura sinistra, com um grande cabelo branco...

 

Os "Robertos" apareciam com a sua voz de flauta e o número de pancadaria a que nos habituaram. No fim pediam dinheiro pelas "actuações" que tinham feito!

 

 

 

 

Robertos na Foz do Douro, início do século XX

 

 

 

 

Para os banhos de sol os banheiros também forneciam encostos e os toldos eram ao mês. Os banheiros tinham "chatas" que levávamos até fora de pé, para aí tomar banho. Muitas vezes atirávamos água uns aos outros e ali se fazia uma guerra com água, que muito nos divertia. As "chatas" eram cada uma do seu banheiro, e não havia rivalidade, era só brincadeira.

 

Também íamos ao Rádio Clube Português patinar...

 

Com tantos programas, as férias em S. João do Estoril eram muito apreciadas...

 

 

Alda Rosa Bandeira de Lima Osório Bernardo de Sousa

in  Memórias e Saudades

2011

 

 

 

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Quarta-feira, 25 de Setembro de 2013

carta de Timor (2003)

 

Primeira Semana:

 

Por muito que tenha seguido o drama de 99 pela TSF e visto montanhas de imagens do day after, confesso que não estava preparada para isto. Não ficou mesmo um edifício inteiro. Não se vê um telhado que não brilhe sem sequer um átomo de musgo. Com este calor e esta humidade quer mesmo dizer que estão acabadinhos de fazer. Mas muitas casas e edifícios publicos não têm telhado nenhum. Normalmente quando não têm telhado também não têm interior. Com pelo menos uma excepção – o palácio da Presidência da República, apropriadamente intitulado Palácio das Cinzas. Não tem telhado. Tem rés do chão e primeiro andar, mas só o rés do chão funciona, com umas placas de zinco a servir de tecto. Claro que já podia ter instalações decentes mas suponho que o PR queira dar o exemplo e só terá um palácio digno quando a população que ficou sem casa tiver onde morar. Mas digno é uma coisa, um telhadinho, não seria talvez um luxo excessivo... enfim... por estas e por outras é que não se pode deixar de ter uma imensa admiração por estes malucos. Pelo menos eu tenho, senão também não estava aqui.

 

 

 

 

 

 

E era pena, porque se está aqui muito bem. Para meu grande espanto em Dili há tudo. Não haverá muito queijo francês, mas há massa italiana, vinho português (e australiano), azeite de diversas proveniências, carne brasileira e mais o que se quiser de produtos chineses, tailandeses e etc., desta zona do mundo. Restaurantes dos mais diversos – timorenses, chineses, indianos, tailandeses, birmaneses, japoneses, australianos e portugueses - muitos e muito apreciados. Portugal do Minho a Timor não foi o Salazar que fez, foi a paixão timorense pelo bolinho de bacalhau. 

 

Mas e Dili, como é?...  A bem dizer ainda não percebi bem. Tem uma rua com comércio, sobretudo de chineses, tipo loja dos 300 e dezenas de timorenses a vender CDs e DVDs pirata. Mas parece-me que o comércio está muito espalhado. Não há construção em altura. O edifício mais alto deve ser a catedral. Muitas árvores. Casas dentro de muros com jardins. Muitas Nações Unidas (que gastam fortunas em pré-fabricados em vez de reconstruirem como os timorenses desejariam) com muitas medidas de segurança, muito arame farpado e muitos sacos de areia em volta. Compounds com muitos circuitos de video interno e muitas parabólicas. Muitas embaixadas e muitas residências de embaixadores. Bastantes ONGs. Quantidade de restaurantes do mais a armar ao pingarelho ao mais mixuruca. E os timorenses, onde vivem? Em barracas, na sua esmagadora maioria. Os bairros de barracas, embora tenham sofisticados esgotos construidos a céu aberto (brilhantes indonésios, bastava pôr uma tampa e talvez se diminuisse o número de mosquitos e respectiva malária e dengue!...), são normalmente os mais limpos. As mulheres, ou melhor, os seres do sexo feminino (a partir dos 3 anos) passam uma boa parte dos seus dias a varrer meticulosamente o seu espaço privado e envolvente. Para uma cidade que não tem serviços municipais (não tem sequer município), Dili é surpreendentemente limpa.

 

 

 

 

 

E para terminar, finalmente ontem confirmei que existe coral azul. Tinha há anos lido uma crónica da Sophia em que falava das maravilhosas ilhas de coral azul na Indochina. Desde então procurei por todo o lado (sobretudo guias turísticos da região) onde ficariam as tais ilhas de coral azul. Cheguei a concluir que era liberdade poética. Coral azul só existe na cabeça da senhora. Mas não. Existe. Na Praia da Areia Branca, a 10 km do centro de Dili, junto com búzios e beijinhos encontram-se abundantes pedaços de coral branco, vermelho e AZUL!!! Afinal era verdade! Grande Sophia!

 

Isabel Feijó

excertos de carta enviada a alguns amigos durante a sua primeira missão em Timor ao serviço do PNUD, em Novembro de 2003

 

Fotos de Pedro Martins

  

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Terça-feira, 16 de Julho de 2013

Faro (c.1905)

 

 

 

Maria Luísa Navarro de Andrade Belmarço com as filhas Carmita e Stella

Faro c. 1905

 

 

 

 

 

 

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Domingo, 14 de Julho de 2013

Casa Belmarço

 

Manuel de Jesus Belmarço c. 1890 

 

 

 

O jornal Público noticiou há dias que a Casa Belmarço em Faro, adquirida em tempos pela Câmara da cidade para ali instalar o Tribunal da Relação, foi posta à venda pelo Estado. A casa foi mandada construir por meu bisavô sob projecto do arquitecto Norte Júnior e inaugurada em 1912.

 

Manuel de Jesus Belmarço (1857-1918)  fez fortuna no Brasil como negociante de cereais e café. Casou com Maria Luísa Navarro de Andrade e tiveram quatro filhos, três dos quais nasceram no Brasil. Viveu com a família em S. Paulo e após regressar a Portugal, em 1899, construiu uma casa em Lisboa, na Avenida da Liberdade, e esta em Faro, a cidade onde nascera. O filho mais velho, Vidal Alberto Belmarço (1891-1961) e a mulher, Amélia Salter de Sousa Belmarço (1886-1964) viveram nesta casa até ao fim da vida.

 

 

 

 

                                     

 

 a notícia recente aqui

in English read here

 

a Casa Belmarço na Wikipedia aqui

Arquitecto Manuel Josquim Norte Júnior aqui 

 

 

 

 

 

 Trapiche Belmarço e sua ponte de madeira, na cidade de Santos aqui

© Museu do Porto de Santos - Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp)

 

 

Fotos antigas do Porto de Santos na Fundação Arquivo e Memória de Santos  aqui

 

 

 

 

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