Quarta-feira, 1 de Maio de 2019

O Bloco-Notas de José Cutileiro

Donald e IvanaDonald Trump e Ivana, a sua pimeira mulher

 

José Cutileiro

 

 

A eficácia do mal…

 

 

…ou a incompetência do bem ou porque é que eu apostaria, dobrado contra singelo, que Trump será reeleito 45° presidente dos Estados Unidos, como o foram o 44°, o 43° e o 42°. Disseram-me um dia que os chineses dizem – e não sei se quem mo disse conhecia algum chinês que o tivesse dito - Deus nos livre de viver em tempos interessantes. Mas desta vez não nos livrou e, lendo alguns propósitos de bispos e teólogos cristãos contemporâneos, reverendas e reverendos ditos progressivos, talvez nem sequer o pudesse fazer pela razão simples de afinal não existir.

 

Faz mais de 80 anos que, no começo da Guerra de Espanha , 1936-1939, Federico Garcia Lorca foi assassinado na sua Andaluzia natal por fascistas homófobos parecidos com muitos dos que acabam de levar o partido espanhol Vox às Cortes em Madrid. Lorca era um progressivo que morreu cedo demais para ter virado reaccionário com a idade, mas era também um grande dramaturgo e nem todos os seus personagens, homens ou mulheres, falam connosco na flor da idade – além disso, falam como eles e elas eram e não como ele foi – tal uma mulher, não me lembro se na Yerma se nas Bodas de Sangre (não tenho os livros à mão): «A mi me gustan las cosas asi: los hombres hombres, el trigo trigo». Eu estou com ela e receio que número crescente de eleitores americanos, de qualquer idade e sexo, esteja também, sobretudo desde que o Partido Democrata ganhou maioria gorda na Câmara dos Representantes e, entre correcção política e visões mirabolantes do futuro próximo, assusta os moderados de um lado e do outro, precisos para derrotar Trump quando este se bater por segundo mandato.

 

O receio instalou-se na noite das eleições e, desde então, nunca diminuiu. As minhas primeiras reacções, sem serem imediatas, foram simbólicas. Quando chegaram as alturas próprias não renovei as assinaturas da New York Revue of Books e do New Yorker – apesar de tentivas de ambos  de me levarem de novo aos respectivos redis. Tão-pouco lhes escrevi a explicar a minha retirada; antecipei que não concordariam com a explicação e que, por isso, menos a mereceriam ainda. Eu achara que, regressado depois de uns anos à Europa (Montemor, Marinha, Ilha de Ré, Bruxelas) não haveria melhores bisbilhoteiros para me manterem ao corrente de andanças transatlânticas. Consideram-se os mais inteligentes da costa oriental do seu continente, assim como os franceses se consideram os mais inteligentes da costa ocidental do continente deles.  Se os fosse lendo regularmente saberia tudo.

 

Puro engano. Não perceberam nada de nada do que, da costa à contracosta, a sua gente queria. Pior que Macron com os franceses. E, dado o tempo decorrido da eleição até hoje, não parecem ter emenda. Na quinta-feira passada o New York Times, em anúncio para angariar novos assinantes, gabava-se assim: Whatever happens next, we’ll help you to make sense of it. A arrogância não mudou. E The Donald – como lhe chamava a sua primeira mulher – irá ser reeleito.

 

publicado por VF às 09:00
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