Sábado, 9 de Outubro de 2010

Gainsbourg (Vie Heroïque)

 

 

 

 

 

 

em breve num cinema perto de si

 

 

This is the west, sir. When the legend becomes fact, print the legend.

 

Fiel à máxima citada por John Ford num diálogo de The Man Who Shot Liberty Valance,  Joann Sfar oferece-nos em Gainsbourg (Vie Heroïque) um punhado de momentos lendários da vida do prodigioso poeta-compositor da música popular francesa Serge Gainsbourg: um percurso 'chiaroscuro' iluminado neste "conto" pelas fabulosas interpretações de Eric Elmosnino, no papel de Gainsbourg, e Laetitia Casta e Lucy Gordon, nos papéis de Brigitte Bardot e Jane Birkin, entre outros.

Porquê um final feliz?

J. Sfar: “Porque não considero que Gainsbourg tenha estragado a sua vida. Se houve maldição, foi provocada, escolhida. O tipo fez tudo o que queria e deixou muitas coisas boas. Ter-me ia sido muito difícil não deixar uma mensagem optimista. É a minha maneira de ser.” *

Gainsbourg (Vie Heroïque) é exibido em Lisboa no dia 16 de Outubro às 19h30 na sala 1 do Cinema São Jorge.

Dossier do Ypsilon aqui

 

 

 


 

Serge Gainsbourg e Brigitte Bardot

desenho de Joann Sfar**

 

 

* Joann Sfar em entrevista a Jean-Pierre Fuéri na revista "Casemate" (hors série ciné), Janeiro de 2010

**na mesma revista

 

mais sobre Joann Sfar aqui

 

Leia a crítica "Serge and the soul of modern France" aqui

 

 

publicado por VF às 15:31
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Sábado, 2 de Outubro de 2010

Tous Désirs Confondus (3)

 

 

 

 


 

 

 

 

Par où s'est-il approché le triste, le long, l'interminable orage de la fin des années soixante ? Si amer et si confus qu'on ne sait s'il dure toujours ou s'il s'aggrave encore. Est-ce par ici, le long des couloirs de cet hôpital où mourut l'ami le plus cher, celui auquel je pense chaque jour depuis que nous nous sommes laissés seuls, il y a vingt ans, vingt-cinq ans, je ne me rappelle jamais la date ? Ou est-ce par là, juste un peu plus tard, quand on parlerait d'une chambre en désordre, d'un téléphone, d'une couverture avec dessous la plus belle fille du monde ? Ou est-ce par là encore, lorsque les salles obscures s'abandonnèrent au soleil noir venu du Nord que dispensait une lanterna magica aux éclats de voix mystérieux et rauques, et qu'on sentit, soudain, la beauté sourde de sa lumière cruelle.

 

 

 

Frédéric Mitterrand

in Tous Désirs Confondus

© RAPHO/TOP - ACTES SUD, 1988

 

 

 

outros excertos da mesma obra aquiaqui

 

 

Imagem: Capa da revista "Paris Match", 8 de Agosto de 1962


Leia também aqui


publicado por VF às 16:34
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Domingo, 5 de Setembro de 2010

Elizabeth Taylor

 

 

 

 

 

 She was very lively, though one could see she had undergone a massive ordeal. She was whiter by far than the hospital's bedsheets; her eyes, without make-up, seemed bruised and swollen, like a weeping child’s.


What she was recovering from was a form of pneumonia. “My chest and lungs were filled with a sort of thick black fire. They had to cut a hole in my throat to drain out the fire. You see," she said, pointing at a wound in her throat that was stopped with a small rubber plug. "If I pull this out my voice disappears," and she pulled it out, and indeed her voice did disappear, an effect which made me nervous, which made her merry.


She was laughing, but I didn't hear her laughter until she had reinserted the plug. "This is the second time in my life that I felt — that I knew — I was dying. Or maybe the third. But this was the most real. It was like riding on a rough ocean. Then slipping over the edge of the horizon. With the roar of the ocean in my head. Which I suppose was really the noise of my trying to breathe. No," she said, answering a question, "I wasn't afraid. I didn't have time to be. I was too busy fighting. I didn't want to go over that horizon. And I never will. I'm not the type."


Perhaps not; not like Marilyn Monroe and Judy Garland, both of whom had yearned to go over the horizon, some darker rainbow, and before succeeding, had attempted the voyage innumerable times. And yet there was some common thread between these three, Taylor, Monroe, Garland — I knew the last two fairly well, and yes, there was something; an emotional extremism, a dangerously greater need to be loved than to love, the hotheaded willingness of an incompetent gambler to throw good money after bad.

 

Truman Capote

in Elizabeth Taylor (1974)

 

A Capote Reader

© 1987 by Alan U. Schwartz

 

publicado por VF às 10:14
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Terça-feira, 31 de Agosto de 2010

elipse

 

 

No meu livro usei uma fotografia de Elizabeth Taylor, de quem gosto muito, para fechar o capítulo americano em “elipse”. Com a fotografia do casal desavindo de Cat on a hot tin roof, ao lado de um texto sobre Portugal que começa com a frase “Eram dias felizes...”  pretendi introduzir, de forma subtil, uma mudança de atmosfera.

 

Naquela época, as loiras queriam parecer-se com Marylin Monroe e as morenas com Elizabeth Taylor. A minha mãe queria, e nota-se nas fotografias dela dessa época. Tinha uns olhos lindos, como Taylor, e era do mesmo signo astrológico: Peixes.

 

Nesta altura Elizabeth Taylor atravessava um dos momentos mais emblemáticos da sua carreira e um dos mais dramáticos da sua vida atribulada: 1958 foi o ano de Cat, pelo qual seria nomeada para o Óscar de melhor actriz, e o ano em que perdeu Mike Todd, em Março, num desastre de avião.

 

 

 

 

 

 

A elipse é o processo narrativo que se caracteriza pela supressão de elementos da acção para realçar outros e tem no cinema, meio que se rege pela economia e necessidade de síntese, um campo de aplicação privilegiado. A montagem, dividindo o tempo e o espaço narrativos em diversas partes (planos), veio facilitar essa operação e quanto mais elíptico for um filme, mais longe estará de uma estética literária ou teatral. O cinema está repleto de exemplos memoráveis de elipses. O que há de tão apetecível e sedutor nelas é a sua implicação do espectador: as elipses são lacunas, espaços vazios, pequenas ilhotas de liberdade semiótica que solicitam uma pluralidade de leituras. O realizador já não afirma, apenas sugere; não mostra a totalidade das coisas, mas apenas a sua parte mais significativa; e, finalmente, cria espaços de indeterminação, ambiguidade e criatividade que o seu público poderá explorar.

 

post de Flávio no blog A Bomba aqui

 

 

Se é a primeira vez que visita este blog leia mais sobre o álbum de família aqui

publicado por VF às 10:37
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Segunda-feira, 16 de Agosto de 2010

Cinerama (1956)


 

 

 

 

 

postal ilustrado de grande formato (22,85 cm x 15,16 cm)

1956

 

 

 

 

7 de Outubro 56

 

Minha querida Stella,


Desde que vi o Cinerama já não sou capaz de escrever postais mais pequenos!! (Digo-te que o Cinerama me pasmou completamente!) – A nossa viagem de barco correu muito bem, excepto o meu quase permanente enjôo – um nojo!! O serviço é óptimo e pessoal simpatiquíssimo. Tive muito bons companheiros de bordo – italianos e americanos. – A chegada a Nova-York é um colosso! N. York é esmagativo: irreal à força de formidável – com certeza apaixonante. Em 24 horas livres vi tudo o que pude, que foi bastante ainda assim. Adorei o palácio das Nações Unidas onde almocei com os Albano Nogueira, que foram encantadores. Vi o Metropolitan Museum etc., e tanta coisa vi que parece que estive lá 8 dias naquela Babilónia moderna! – A viagem de avião para aqui muito boa. Calculas como Vasco e eu estamos felizes de nos reencontrar. As pequenas óptimas e o Cinerama deslumbrou-as – mas de facto é de pasmo! San Francisco é lindo, simpático e cheio de requinte – as lojas são de endoidecer – nunca vi mais bonitas! Logo que possa escrevo carta. Estamos bastante bem instalados num “flat” mobilado e que não foi caro.

 

Milhões de beijos para os pequenos e para ti e Eduardo. Abraços do Vasco. Espero muito depressa notícias tuas.

Beijo do coração

 

Margarida

 

p.s. Vi a “Radio City” com as Rocket Girls – estupendo!

pps. Como vai a nossa Paulinha? Diz aos pequenos que cá os espero na terra dos cowboys!

 

 

 

 

 

 

Stella com os filhos Luís e Miguel

c. 1956

 

 


O postal faz parte de um conjunto de recordações que a minha tia Stella, no fim da sua vida, confiou à minha irmã Cristina. É o postal que publiquei há dias no post "The past is a foreign country", aqui.

 

 

Tentei descobrir aqui o que teremos visto em "Cinerama":


 

The first Cinerama film, This Is Cinerama, premiered on 30 September 1952, at The Broadway Theatre in New York. The New York Times judged it to be front-page news. Writing in the New York Times a few days after the system premiered, film critic Bosley Crowther wrote:


Somewhat the same sensations that the audience in Koster and Bial's Music Hall must have felt on that night, years ago, when motion pictures were first publicly flashed on a large screen were probably felt by the people who witnessed the first public showing of Cinerama the other night... the shrill screams of the ladies and the pop-eyed amazement of the men when the huge screen was opened to its full size and a thrillingly realistic ride on a roller-coaster was pictured upon it, attested to the shock of the surprise. People sat back in spellbound wonder as the scenic program flowed across the screen. It was really as though most of them were seeing motion pictures for the first time.... the effect of Cinerama in this its initial display is frankly and exclusively "sensational," in the literal sense of that word.


Although most of the films produced using the original three-strip Cinerama process were full feature length or longer, they were mostly travelogues or episodic documentaries such as This Is Cinerama (1952), the first film shot in Cinerama. Other travelogues presented in Cinerama were Cinerama Holiday (1955), Seven Wonders of the World (1955), Search for Paradise (1957) and South Seas Adventure (1958).

 


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Sábado, 14 de Agosto de 2010

Disneyland (1961)

 

 

 

 

 

Com os meus pais em Disneyland.

California, 1961

 

 

 


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Domingo, 25 de Julho de 2010

Tonka

 

U.S.A.-1958

 

 

 

 

A minha primeira ida ao cinema? A primeira recordação, pelo menos, de estar sentada numa fila de cadeiras, numa sala de espectáculos, onde de repente as luzes se apagam.

 

 

Foi em São Francisco, com outras crianças, os nossos amigos espanhóis, e talvez as iranianas (todos numa fotografia aqui). Fomos acompanhados pela nossa empregada portuguesa, Zulmira (aqui), e não sei se algum outro adulto. 

 

Um dos miúdos espanhóis virou-se para a Zulmira, que não falava inglês, e disse-lhe assim: "não te preocupes que eu explico-te tudo". Ela nunca mais se esqueceu.

 

Eu nunca mais me esqueci do cavalo, grande herói do filme, e ainda hoje gosto de filmes de índios e cowboys. Quem não gosta?

 

 

 

 

 

 

São Francisco, 1957

 

 

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Quinta-feira, 11 de Março de 2010

Alice

 

 

 

 

 

num cinema perto de si

 

 

O paradoxo suportado por Alice está patente desde a primeira página das aventuras no país das maravilhas. O universo vitoriano é introduzido como um universo pastoral idealizado, feito de leituras e de jogos. Mas a menina aborrece-se: «Sentada no tronco ao lado de sua irmã, Alice começava a estar cansada de não ter nada para fazer .» O calor adormece-lhe o espírito. A plenitude ambiente não esgota o desejo que procura o seu objecto: «Ela estava, portanto, interrogando-se (...) se o prazer de entrançar uma grinalda de margaridas valia o esforço de se levantar para ir colher as margaridas .» Alice hesita entre não fazer nada, pôr termo a todos os desejos e deixar-se dormir (o que verificaremos que é o que fará), e procurar sair do tédio e satisfazer o desejo que a anima. Alice adormece. No fim, o leitor deve convir que tudo aquilo era um sonho mas, no mesmo movimento, Alice é brutalmente projectada num universo estranho. As suas aventuras largam amarras assim que a sua curiosidade é desperta pelo aparecimento do Coelho Branco. A técnica do maravilhoso faz-nos deslizar imperceptivelmente duma realidade de ficção para um mundo puramente imaginário. A primeira página do conto surge já comandada por uma dupla tensão. O desejo de abolir o desejo e a sua impossibilidade. Lewis Carroll antecipa, afinal, a descoberta freudiana segundo a qual o sonho é a realização dum desejo inconsciente. O país das maravilhas apresentar-se-á, desde logo, como sendo o inverso desse mundo vitoriano idealizado: um universo onde o desejo que governa os protagonistas vem levantar obstáculos à racionalidade, ao ponto de deitar por terra os seus fundamentos. O universo imaginário está mais próximo do nosso do que a realidade de ficção que nos é apresentada no início e no fim das aventuras de Alice. Com efeito, o sonho dá em pesadelo. Alice não é um conto de fadas tradicional que se acaba com a realização do desejo. As suas viagens ao país das maravilhas ou ao outro lado do espelho dão melhor conta da impossível satisfação do desejo, fundada, segundo a descoberta freudiana, pela perda original dum objecto de fruição, irrecuperável e interdito, que Lacan designa como o objecto a, objecto causa do desejo. Uma das primeiras descobertas de Alice depois da sua queda na toca do coelho é um boião vazio de compota de laranja: ela anuncia o desdobramento dum tal saber no texto, igualmente movido pelo desejo paradoxal de abolição do desejo. É por isso que As Aventuras de Alice no País das MaravilhasDo Outro Lado do Espelho terminam num retorno ao mesmo. Alice volta a ser a criança que era, não cresceu, não se tornou a mulher que a irmã imagina que ela venha a ser, e lamenta então a sua infância. Ela deixa de ser rainha no fim do seu périplo através do espelho, justamente na altura em que acabava de atingir esse estatuto, e a própria Rainha Vermelha volta a ser gatinha.

 

 

 

Sophie Marret

in  Alice

Tradução  de Maria Antonieta de Carvalho

© Éditions Autrement, Paris, 1998 / Editora Pergaminho, Cascais, 2000

 

 

 

 

 

publicado por VF às 07:15
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Domingo, 7 de Março de 2010

[Ir ao cinema, na caverna escura,]

 

 

Ir ao cinema, na caverna escura,

sentar-me na poltrona do teu ombro

numa t-shirt antiga de bom pêlo,

é o prazer mais certo que me resta.

Que bom deixar-me estar na oscilação discreta

que nasce do teu corpo e me transporta

a essa embriaguez chamada rima;

sentir o cheiro limpo do cabelo,

adivinhar-te o gosto da saliva.

Pois, embora eu veja a multidão compacta

(que a imagem tornou inofensiva)

estremecer e rir e comover-se

à imprecisa luz da narrativa,

eu sei que é tudo só um mero acto

de magia vulgar vinda do tecto

onde o olhar obsceno do arquitecto

ao longo da sessão vigia e julga;

e mesmo a clara forma da paisagem

é tosco véu de uma ilusão sensível,

metáfora ou reflexo de outro mundo

perfeito e puro, onde não entra gente

(mas entra, vê tu bem, a miserável pulga).

Tu porém és real, sentes lá dentro

um coração pulsar, e até parece

que tens em ti a inclinação secreta

a seres dono de ti, e partilhar

a vida verdadeira de um insecto.

Assim eu sonho e penso, já suspenso

por fino fio, à altura do teu peito;

mas já, impaciente, tu murmuras

que perdes o teu tempo em desgraçada fita;

melhor seria, em quente discoteca,

toda a noite dançar (uma invenção maldita,

alheia à condição de quem medita),

ou regressar a casa, onde de graça

te aguarda mais concreta companhia.

Ficar por aqui só, sem o mistério

da tua carne branca bem cheirosa,

é uma perspectiva que me assusta;

como dizer-te que também eu quero

afinal conhecer o nó do enredo?

De poucas horas feita a longa vida,

são estas as melhores e as mais justas;

está o filme a acabar, fica comigo até ao fim;

não sabes que te perdes, quando te perdes de mim?

 

 

 

António Franco Alexandre

in  Aracne

© Assírio & Alvim e António Franco Alexandre, 2004

colecção Poesia Inédita Portuguesa

 

Livro  aqui 

 

publicado por VF às 22:14
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Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010

Horribly Ever After

 


 

Girls! Want to live happily ever after?

 

Kill yourself now.

 

Listen, I've been very patient. I've put up with the slow, sure erosion of our dreams, our ideals, our dewy-eyed expectations of a world brimming with child-care centers, with men sharing the dusting, with women going two weeks before remembering to shave their legs.


I hung onto a thread of sanity as hordes of women decided that feminism meant they should turn themselves into small men and wear pin-striped suits and bow ties and pursue the key to the executive washroom as if it were the Holy Grail.


I just hid under the covers when Women Who Love Too Much became a best-seller, and women by the scores gobbled the book before breakfast and became convinced that they had this dread disease they had to cure before men would want them.


And then the marriage epidemic! And the concomitant baby epidemic! People put blinders on their brains and hypnotized themselves into believing that real life was "Father Knows Best"! And if they couldn't scam themselves into sugar-coated marriages, they blamed it on their codependency problems! So we were back to blaming the victim, but I held my peace. I may have whimpered a little.


But that was then. Now I'm out for blood. No more Missus Nice Girl. Now I've read, in the goddamned New York Times, the goddamned Newspaper of Record, that yearning for the handsome prince on the white charger is a perfectly reasonable pastime. That hoping and praying to live Happily Ever After is totally okay. These fantasies, according to the New York Times, help us endure.


Endure.


Endure Jesus motherfucking Christ. Didn't we bury this concept with enormous fanfare in 1972?


I don't blame the writer. I know what it's like to be on deadline. Casting around hysterically for a topic, she realized that all her friends had seen Pretty Woman and took it from there.


But because such an idea has been published in the New York Times, people will run around believing again that it is true, and they will again start reading Cinderella to their four-year-olds. And the whole hideous cycle will be perpetuated.


Believing in the handsome prince on the white charger who will catch you when you swoon and spirit you off to Happily-Ever-After-Land is the utter downfall of women.


Because it is a wish that will never come true. It is a wish that will guarantee that we will never be happy.


It is possible for a woman to be happy with a man, but not if she wants to be rescued. Do you know what kind of guys want to rescue women? Mafia guys! Guys who want to play God! Guys who want total control! These guys are bad news! Tell them you want to take a part-time job and they lock you in a tower!

Plus, if you're waiting around to be rescued you never do anything but get your legs waxed. You're too anxious and passive to even read a murder mystery. You've given men all the power, again. You've turned yourself into a giant child.


Girls, what would you do if some adorable guy came up to you and said, "Hi, my life isn't working out at all. Everything's falling apart. Take care of me, please."


You'd say, "Yo, I'm not your mother!" Wouldn't you?


Men are not our mothers. Our mothers are our mothers, and they were the ones who passed on these festering fantasies.


Men are just guys running around who want someone to take care of them too. When we swoon on them, decent men have a tendency to gibber and cry, to feel helpless and inadequate and run away. Or if they're not so decent, they'll lead us on, drop us flat, and steal our wallets.


Wanting to be taken care of is one of your basic human emotions. Our job as humans is to take care of each other. But if we expect rescue as our birthright, if it's supposed to be all one-sided, we're dead. When we don't get it, we're pissed off and crazed, blinded by our own feelings of deprivation, and pretty soon nobody invites us to parties.


Here's my plan: If any girl tells me she rented Pretty Woman and suddenly felt a hideous yearning bubbling up from the pit of her stomach, I am going to take her hand and force her to rent Ford Fairlane.


See how she likes the other side of the coin.

 


Cynthia Heimel

in Get your tongue out of my mouth, I’m kissing you good-bye!  (Feminist Rants)

pp. 24-25-26

© 1993 Cynthia Heimel

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por VF às 18:09
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