Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2012

Boas saídas...

 

 

 

Contracapa de Revista Panorama, 1960



publicado por VF às 11:45
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Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2012

Natal Timorense

 

 

 Timor, anos 20 do séc. XX?

 


Jesus mouris iha manu kokoreek!  Jesus nasceu ao cantar do galo!

A luz do petróleo incendiava a casa de estrelas. E íamos, toda a gente, a família e os que viviam connosco em família, festejar o nascimento de Jesus que o galo anunciara.[…] Recebíamos presentes trazidos do bazar e que tinham entrado em casa às escondidas. Não eram bem brinquedos, mas coisas que nos enfeitavam — tecidos bonitos, alfinetes de ouro, chinelas bordadas...

A Princesa minha mãe morreu, era menina ainda. Mas o Natal ficou nos meus olhos e na minha alma como afirmação de que Jesus passeara por toda a ilha de Timor tal como o fizera desde Belém a Jerusalém.

 

*

 

Na linha de cultos lunissolares, que imprimiu e imprime sinais e marcas indeléveis na alma dos Timorenses, a consubstanciação de Maromak como ente supremo, Deus, não representava qualquer oferta de paz ou de alívio. Pelo contrário o conhecimento, a consciência de Maromak impunha receio e inquietação. […] Carregado de superstições, crente da existência de espíritos vagueando, dominado pela vontade e atitudes de bruxos e feiticeiros, responsabilizado pelos oráculos ou sacerdotes, o Timorense não pôde despir-se de todas as suas vestes ancestrais para com simplicidade tornar-se cristão. Isso explica em grande parte que ainda hoje se prenda tanto à terra e considere os objectos mais variados e lugares, montes, rios, árvores e casas como tabus ou luliks. De facto, entre o Homem e a Terra, e entre o presente e o passado há tão intimas e tão vivas alianças que dir-se-ia ser fácil fazer reviver todas as gerações do passado. De crenças totemísticas, há também animais luliks ou tabus, o que explica a atitude suave de todo o timorense para com os animais. Deve assinalar-se, para melhor acentuar a importância dos luliks na vida dos autóctones de Timor, que tabu significa exactamente uma prática supersticiosa da Oceânia que dá carácter sagrado a determinado ser ou a determinada coisa, proibindo o contacto com ele ou o seu uso. [...] O Cristianismo só o entendem na medida em que lhes garante o caminho para encontrar a Deus, mas querem, na busca, ter presente o melhor e mais subtil do seu passado. Por isso os uma-luliks ou templos permanecem na sua beleza estranha e misteriosa encastoados na paisagem grandiosa da ilha e cultuados pelos que têm os pés mergulhados no húmus mais fundo e mais rico daquele chão. Muitas das cerimónias dos uma-luliks, as de maior relevo, conduzem os crentes a um tal estado de histerismo que findam em incontroláveis orgias. As famílias autóctones cristãs já se despegaram dessas orgias, porque receberam a suavidade da Presença de Jesus e a magnitude da Sua mensagem. [...] Como no tempo em que eu era pequeno e a Princesa minha mãe menina, os autóctones cristãos dessa ilha suave e viril, fruto de uma inexplicável simbiose de beleza e força, cultuarão o Menino Jesus na noite de Natal. E tal como eu, também os meninos de agora ouvirão das bocas de suas mães as palavras de anúncio do Anjo Gabriel:

Ave Maria, graça barak liu iha Ita-Boot; Maromak ho Ita-Boot; Ita-Boot di'ak liu feto hotu-hotu; Ita-boot nia Oan, Jesus, di’ak liu.

Santa Maria, Maromak nia Inan, haro-han ba Na'i Maromak tan ba ami-ata salan, oras ne'e ho oras ne'ebé ami-ata becik atu mate. Amen.

 

 

Fernando Sylvan aqui

Excertos de “Iha Kalan Boot – Jesus Mouris –  Iha Manu Kokoreek” 

Foto (data desconhecida) e texto publicados em Panorama Revista de Arte e Turismo nº 24-III Série-Dezembro de 1961 - Edição do SNI, Lisboa

 


 

 

 


publicado por VF às 12:21
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Sexta-feira, 21 de Setembro de 2012

Marinha (Póvoa de Varzim)

 

 

  

..

João Marques de Oliveira (1853-1927).

Óleo sobre madeira (59,5x41 cm)
Museu José Malhoa, Caldas da Rainha, Portugal



Esta e outras marinhas na pintura portuguesa aqui




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Segunda-feira, 13 de Agosto de 2012

Mordoma (1970)

 

 

 

 

 

Mordoma de Vila Franca do Lima com o cesto de promessa para as Festas da Senhora da Agonia


Viana do Castelo, Portugal, c. 1970

 

 

 

Museu do Traje de Viana do Castelo aqui 

Mais trajes aqui

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Segunda-feira, 30 de Julho de 2012

ginasta olímpica (2012)

 

 

 

 

Gabrielle Douglas fotografada por Martin Schoeller para a revista Time

 



Training his lens on several of the American athletes headed to London for the 2012 Olympic Games (as well as Oksana Masters, who will be rowing in the Paralympic games in late August), Schoeller gives the viewer an intimate glimpse at the person behind the fierce competitor...

 



este texto e mais fotografias  aqui

 

a crítica da revista Salon aqui 


Martin Schoeller aqui




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Sexta-feira, 27 de Julho de 2012

emergency session

 

 

 

 

 

desenho de Roz Chast

 


 


 

publicado por VF às 09:42
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Quarta-feira, 11 de Julho de 2012

The Sea (1912)

 

 

 

 

 

Piet Mondrian (1872-1944)

oil on canvas, private collection, Switzerland
©ABC/Mondriaan Estate / Holzman Trust licensed by International Partners B.V. 
 
 
 
publicado por VF às 08:37
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Domingo, 10 de Junho de 2012

Portugal-Japão

 

Nagasaki Kunchi Festival (2011)

 

 

The Kunchi festival of Nagasaki was first celebrated in 1634.The festival was originally part of the bakufu policy to forge a Yamato spirit for Nagasaki, which up to 1614 had been Japan's only Christian town. The Kunchi festival started out as an anti-Christian festival, in which the anti-Christian forces in Nagasaki - the bakufu, Shinto, Buddhism and the brothel wards - all joined hands to provide an alternative to the famous Easter processions, which had been performed throughout the city during the Christian period (1570-1614).

After a devastating fire in 1857, Nagasaki Kunchi became a "new" festival in which the participating neighborhoods were free to innovate and to compete with each other in creating opulent and eye-catching performances. The result is the stunning array of presentations we see today, many of which reflect the international color and unique history of Nagasaki.

 

 

 

 

Suwa shrine (main location) Iwaibune ("celebration ship"). 

 


 

Nagasaki Kunchi Festival 2011

 

 

 

Nagasaki Kunchi Festival 2011

 

 

 

 

 

Nagasaki Kunchi Festival 2011

The dragon, Kokkodesho?

 


Captions: from text by Reinier Hesselink here

 

 

Embaixada de Portugal em Tóquio aqui

 

The Last Nan Ban Jin, Aventuras e desventuras de um português no Japão, em pleno Século XXI aqui 

 

 

Nagasaki

 

 

 

 

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Sexta-feira, 6 de Abril de 2012

Au pied de la Croix

 

 


 

 

Gerhard Richter

Cloud (1976)

 aqui

 

 


Évangile selon saint Marc

Mc 5, 33-37

 

A la sixième heure, l'obscurité se fit sur toute la terre, jusqu'à la neuvième heure. Et, à la neuvième heure, Jésus poussa un grand cri : « Eloï, Eloï, Lamma sabacthani? » Ce qui veut dire : « Mon Dieu, mon Dieu, pour­quoi m'as-tu abandonné? » Certains de ceux qui étaient là dirent, en l'entendant : «Tiens, il appelle Élie.» Quelqu'un courut imbiber une éponge de vinaigre et, l'ayant mise au bout d'un roseau, lui donna à boire en disant : «Attendez, voyons si Élie va venir pour le descendre à terre ! »

Mais Jésus, ayant jeté un grand cri, expira.

 

 

[...]


G.S. : Après cet appel sans réponse de Dieu qui n'éveille que moquerie ou pitié des hommes, Jésus gémit sa soif comme un homme, comme un être de besoins qu'il était...

 

 

F.D. : Mais c'est à ce moment-là qu'il se montre autre, et venu d'ailleurs: ce moribond pousse alors, dans un dernier effort, au son d'un grand cri, le souffle venu d'ail­leurs. Par ce souffle il a respiré, il a vécu, il a parlé, par ce souffle rendu il quitte ce passage dans la chair.

Ce long cri du Christ abandonné des hommes, aban­donné de Dieu son Père, ce cri qui appelle, sans réponse audible, ce cri n'est-il pas le modèle des mots d'amour, d'amour et de désir, aux limites de l'articulé et du son?

C'est par le cri que le nouveau-né en appelle à sa mère pour s'y blottir, se calmer, apaiser sa soif et sa faim.

C'est par le cri que tout enfant en appelle à son père pour être protégé des méchants.

C'est par le cri que tout humain fait appel pour préserver son droit à l'intégrité quand une part de son corps, trahie par la douleur, se dérobe à la cohésion de l'ensemble et se disloque. Ce cri alors en appelle au secours d'un autre, à son aide.

Cri du besoin, cri du désir, cri de l'amour trahi, cri d'un fils d'homme, cri de tous les hommes. En son cri, ils peuvent tous se reconnaître.

Ce cri, entendu par tous les témoins, ce cri étrange, mystérieux, insolite et inépuisable, n'est-il pas le mes­sage où déchiffrer la résurrection assumée de la chair, audible en ses prémisses, là, au moment de sa mort en croix, par Jésus de Nazareth?

Ce cri de Jésus exposé entre terre et ciel s'est répandu dans l'espace. Il résonne toujours.

 

 

Francoise Dolto e Gérard Sévérin

in L'Évangile au risque de la psychanalyse (Au pied de la Croix , Tome I )

Éditions du Seuil

© Éditions Universitaires, S.A., 1977, J.-P. Delarge, éditeur



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Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012

carnaval (1928)

 

 

 


Gonçalo Luiz Maravilhas Caldeira Coelho
 Foto/Bilhete-Postal : Furtado & Reis, Lisboa 1928

 

 

 

 

 

Fotografia publicada no livro "Retrovisor, Um Álbum de Família" aqui 

 



publicado por VF às 00:40
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