Domingo, 18 de Dezembro de 2016

brinquedos portugueses

 

 

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Em tempos, quando o Menino Jesus, ou tu, faziam anos, a família e os amigos da casa ofereciam-te objectos desconcertantes e inúteis, chamados brinquedos. Tu, está claro, ficavas muito contente com os presentes, por virem embrulhados em papéis vistosos, por constituírem uma novidade, aliás provisória (lamentável defeito da novidade!) mas principalmente por ser costume ficarmos contentes quando alguém nos oferece qualquer coisa. Na verdade, ou seja, no dia seguinte (a verdade só é completa no dia seguinte), verificavas que os tais brinquedos não correspondiam às tuas secretas ambições. Ah! O dia seguinte do brinquedo! Como é rápida a decadência do brinquedo, uma vez arrancado ao arranjo da montra da loja, onde brilhou, rodeado por outros brinquedos, valorizado por luzes hipócritas! Os brinquedos deviam ficar eternamente na suas caixas bonitas, ou penduradas nos tectos dos estabelecimentos para serem apontados pelos dedos indicadores dos meninos. É raro um brinquedo corresponder à imaginação da criança que o recebe. Deves lembrar-te de que, por volta dos teus seis anos, não achavas graça nenhuma a um boneco, por mais bonito que ele fosse. Eu, pelo menos, não achava. O que eu queria era um martelo verdadeiro para pregar pregos verdadeiros onde me apetecesse. A lei natural dos contrastes convida as crianças a desejarem ser adultas. Por exemplo: um cavalo vivo, com arreios de “cow-boy”, é artigo muito querido de todos os meninos. Pistolas autênticas, das que dão tiros homicidas, bicicletas de duas rodas, serrotes, etc., são objectos apreciadíssimos pela infância, que também aceita, resignadamente, as respectivas imitações, de lata, de três rodas, e sem dentes.

 

 

 

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Tenho um amigo um bocado parecido comigo nestes assuntos de educação infantil. Tem dois filhos a quem tudo permite e a quem gostaria de realizar todos os sonhos. Há tempo, um dos pequenos pediu-lhe um serrote com dentes afiados, e o pai fez-lhe a vontade. O serrote marcou época em casa do meu amigo. Vários móveis de estimação foram serrados pelo garoto que, trocadilho aparte, tem «bicho carpinteiro». O pai do serrador desgostou-se com a proeza do filho e julgo que lhe tirou o serrote. Mas teve desgosto quando lhe tirou o serrote. Disse-me, confidencialmente, que nunca mais o seu querido filho teria um brinquedo que lhe desse satisfação comparável à daquele serrote verdadeiro. «Resta saber — concluiu — se é melhor evitar a perda de móveis insubstituíveis ou a perda duma partícula da alegria de viver do meu filho». Mas, repito, não ê possível apertar em tão poucas linhas a extensa filosofia do brinquedo.

 

 

 

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[...] As crianças portuguesas já trazem de longe, quando nascem, uma indisciplina, uma desordem que não lhes consente manusear dinamite sem perigo de explosões. Logo, não as podemos presentear, aos dez anos, como acontece aos meninos alemães, com espingardas de tiro rápido, nem com cavalos de carne e osso, como é uso conceder às crianças inglesas. Sejamos prudentes com os nossos filhos, deliciosamente meridionais, imaginativos e bravos! Fabriquemos, para eles, alguns brinquedos mansos e já consagrados, mas tanto quanto possível aportuguesados.

 

 Olavo d’Eça Leal

in Revista Panorama, número 12, ano 2º, 1942

 

 

 

 

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Olavo d’Eça Leal (1908-1976) pertenceu à geração de intelectuais e artistas portugueses que colaboraram na revista Contemporânea e no Salão dos Independentes. Escritor e célebre radialista da Emissora Nacional, a sua obra inclui o teatro, a poesia, as artes plásticas, a ficção e a literatura infantil. Escreveu e produziu dezenas de peças para a rádio e televisão, foi jornalista, ilustrador, e coleccionador ecléctico.

 

Em 1939 publica um livro para crianças, Iratan e Iracema, os Meninos mais Malcriados do Mundo, com ilustrações de Paulo Ferreira, que recebe o prémio Maria Amália Vaz de Carvalho. Esta história ao jeito de folhetim radiofónico infantil foi lida pelo autor aos microfones da Emissora Nacional no programa "Meia Hora de Recreio" em trinta e oito fragmentos. Em 1943 é editada a sua História de Portugal para os Meninos Preguiçosos (1943) ilustrada por Manuel Lapa.

 

Desenhos, pinturas, livros e objectos de Olavo d’Eça Leal reunidos ao longo dos últimos quarenta anos pelo seu filho Tomaz encontram-se expostos na Casa da Pinheira [The House of the She-Pine Tree] - Casa-Museu e Guest House situada numa antiga quinta do século XIX próximo da aldeia do Sabugo.

 

 

 

 

 

Agradecimentos: Tomaz d’Eça Leal, Casa da Pinheira , Hemeroteca DigitalAlmanak Silva, Restos de Colecção, JuvenilbaseWikipedia

    

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Quarta-feira, 14 de Setembro de 2016

O Bloco-Notas de José Cutileiro

 

 

 

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@ Percy Jackson 

 

 

 

 

 

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Deuses

 

 

 

 

Em igreja desafectada num lugarejo da Beira profunda, pedindo-se a vizinha chave para a abrir, amigos dos Pais descobriram estatueta magnífica de S. Sebastião do século XVII. Um ano depois, estando por perto, pediram outra vez à vizinha para lhes abrir a igreja – e não viram o S. Sebastião. Perguntaram se alguém o teria levado (passava-se isto há uns 80 anos e começara já a compra por dez reis de mel coado de obras de arte achadas na província portuguesa por citadinos astutos - pilhagem comparável às das Invasões Francesas do começo do século XIX, com a vantagem de as obras assim preservadas terem ficado em Portugal) mas nada da igreja fora entretanto vendido. De entrada, a vizinha nem percebia bem de que é que eles estavam a falar até, de repente, se fazer luz no seu espírito: “A gente capemo-lo e fizemos uma Santa Teresinha!”

 

O catolicismo cultivou os Santos e as Santas, alguns plasmados de anteriores figuras pagãs, amortecendo assim o choque brutal do monoteísmo - a invenção mais traumática e funesta da humanidade - na vida de cada um (e cada uma) de nós que com ele tivesse de lidar. Santos e Santas são cortesãos celestes, com acesso directo a Deus menos ou mais facilitado, desde Santos e Santas modernas sem cultos enraizados nas mentes dos fiéis às hipóstases mais celebradas da Senhora sua Mãe. Beatas (e beatos) estabelecem as suas intimidades. Uma de Reguengos, a quem mãe aflita com doença de filho viera pedir intervenção de Nossa Senhora de Fátima (de que a beata possuía imagem a que rezava), respondeu-lhe: “Deixa estar filha que eu, em chegando a casa, caio-me lá com a minha Periquita!”. Às vezes, como entre humanos, as coisas dão para o torto: o meu amigo Fernando viu numa igreja de Luanda mulher de pé em cima de um banco insultando em kiluanda imagem de Nossa Senhora do Carmo, por esta não ter cumprido a sua parte de um acordo.

 

As coisas passavam-se assim com Deuses e Deusas quando toda a gente tinha vários. Era o caso - para escolher sociedade evoluída - da civilização romana com quem os cristãos tiveram problemas, não por terem Deus diferente, tal não aquecia nem arrefecia os romanos, mas por não admitirem existência de Deuses dos outros. A intolerância não foi inventada pelos monoteístas mas foi dotada por eles de superioridade moral. Desde as origens no Próximo Oriente as chacinas não pararam. Mas salvo em casos especiais – judeus ortodoxos, Tea Partiers americanos, waabistas - as três grandes religiões reveladas parecem hoje menos viradas para o proselitismo, mormente a Hebraica quiçá por ter sido mais maltratada do que as outras duas. A Cristã chega a roçar o agnosticismo. Mais novo, o Islão dá fiéis cheios de sangue na guelra. Se algum dos seus entusiastas, fanático do chamado Estado Islâmico, nos perguntar o que fizemos do Deus a quem chamam Alá, em cujo nome matam e esfolam, devemos responder que o capámos e fizemos um Nosso Senhor Jesus Cristo, user-friendly para crentes e descrentes.

 

 

 

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Segunda-feira, 29 de Agosto de 2016

Designers Portugueses

 

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na loja do Público aqui 

 

 

Mais uma óptima colecção a preço acessível sobre a história do design em Portugal. A descobrir.

 

Colecção Designers Portugueses, constituída por 13 volumes, coordenada por José Bártolo, retrata a vida e obra de 13 grandes designers. 


COLECÇÃO DESIGNERS PORTUGUESES

Coordenação de José Bártolo

© 2016 Cardume Editores e Autores

 

 

1 João Machado  

2 Daciano da Costa

3 Sebastião Rodrigues  

4 João Abel Manta 

5 José Brandão  

6 Pedro Silva Dias 

7 Jorge Silva  

8 José Albergaria  

9 João Nunes 

10 Francisco Providência 

11 Ana Salazar  

12 Toni Grilo  

13 Bernardo Marques  

 

 

 
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Quarta-feira, 3 de Agosto de 2016

O Bloco-Notas de José Cutileiro

 

 

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Fim de festa

 

 

 

 

Saiu o ano, entrou o ano. No topo do Estado dois chatos tristonhos deram lugar a dois faroleiros alegres e parece que o povo gosta assim. Ao menos anda a gente distraída, Senhor Doutor. Não ficámos menos pobres mas passámos a viver com mais gosto, dizem-me médicos de Lisboa e mestres d’obras de província. E nesta aventura inédita a que chamamos Europa – já lá vai mais de meio século sem andarmos à estalada uns aos outros (e sem batermos em pretos) – há muitos que nos invejam por esse mundo fora, apesar do mal que gostamos de dizer de nós próprios. Mas será preciso acordarmos e ganharmos juízo porque a papa doce está a acabar.

 

Não acabaria nunca enquanto a União Soviética existisse e a Alemanha estivesse dividida. (Gosto tanto da Alemanha que prefiro que haja duas – lembrava o General De Gaulle). O medo que o Camarada Estaline e os seus herdeiros nos metiam nos ossos tinha efeito salutar nas nossas decisões de europeus do Ocidente: dava força e razão ao que nos unia, punha de lado o que nos afastava e a construção europeia não parava. Se idade e doença não tivessem levado tão depressa desta para melhor os dois predecessores imediatos de Gorbachev, a perestroika e o colapso da União Soviética só teriam chegado dez anos depois, com a União Europeia já pronta para entrega aos europeus, chave na mão, pelo empreiteiro Delors ao serviço do casal franco-alemão (gravado para todo o sempre na sabedoria das nações por Mitterrand e Kohl de mão dada em Verdun).

 

A reunificação alemã deu cabo desse casal. Como no drama de Almeida Garrett Frei Luís de Sousa, que dantes se estudava no liceu, o primeiro marido afinal ainda estava vivo. “Perdida, desonrada, infame” grita da filha inocente a bígama involuntária quando tal descobre, antes de se fechar num convento a expiar a culpa até ao fim da vida. Para a Alemanha Reunida, o centro da Europa passou a ser a Leste. Tem algum respeito ainda pelo Noroeste protestante, à cabeça os holandeses, heróis de Srebrenica e gente de contas certas; Inglaterra indispensável para equilibrar França que não só descobriu que não manda na Europa (tempo foi em que Kohl dizia que o Chanceler alemão, quando ia ver o Presidente francês, devia começar por fazer três reverências) mas também que nem sequer em si própria manda - com os ingleses a irem-se embora, como é que vai ser? – e os de Sul e Sueste que se arranjem, punidos com cegueira analfabeta, norteada por calendários eleitorais teutónicos. Até à reunificação, a Alemanha Ocidental expiara exemplarmente a sua gigantesca culpa (ajudada por perdão de dívida que afastava fantasias de ir para Leste) mas, depois de reunida, a tentação de ser alemã e não cidadã europeia cruza cada vez mais cabeças, deixando mais nódoas negras nos vizinhos.

 

Enquanto a Europa se afunda. Quando agora o Sultão de Istanbul acusa as potências ocidentais de conspirarem contra ele, as potências em vez de mandarem canhoneiras para o Bósforo desfazem-se em desculpas de mau pagador.

 

 

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Sábado, 9 de Julho de 2016

dicionário pessoal: contemporizar

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contemporizar
con.tem.po.ri.zar
verbo transitivo e intransitivo
(de con + temporizar)

 

Ceder aos tempos e às circunstâncias. Deixar-se torcer, ou torcer-se, para não quebrar. Acomodar-se. Fingir que se gosta do que na realidade não se gosta. Transigir. Consentir. Resignar-se. Desistir. Confunde-se por vezes, na prática, erradamente, com manifestação de tolerância (ver tolerância). Em certos enunciados poderá aparecer com o sentido de «dar tempo» ou «ganhar tempo», o que pode ter carácter benigno nalguns casos e ser fatal em muitos mais. Raras vezes significa estar à altura das circunstâncias; na maior parte dos casos adquire mesmo um sentido oposto.

 

 

 

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Quarta-feira, 29 de Junho de 2016

O Bloco-Notas de José Cutileiro

 

 

 

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A Nave dos Loucos - Pieter van der Heyden (1562)

 

 

 

 

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“E agora José?”

 

 

 

perguntou Yvonne por SMS (haver quem se lembre de Carlos Drummond a propósito da maioria dos britânicos decidirem de um dia para o outro sair da União Europeia dá logo algum conforto). É pergunta retórica mas eu respondo. Agora, Yvonne, das duas uma: se, dos outros europeus, aqueles a quem a Inglaterra faz falta dentro da União tiverem mais poder do que aqueles que suspiram de alívio por a verem sair dela, tudo irá menos mal no menos mau dos mundos possíveis. Se for ao contrário vamos ter, Você e eu, fim de vida muito mais incómodo do que aquele que havíamos antecipado.

 

Vai ouvir e ler agora toda a espécie de argumentos, vindos de um lado e do outro, mas não será o valor intrínseco de qualquer deles que ditará o futuro mas sim o resultado do confronto de forças indicado acima. É sempre assim. Por exemplo, durante a Guerra (como nós dizemos; para leitoras mais novas, a Segunda Guerra Mundial) uma tarde, no Norte de África, Duff Cooper tentava persuadir Churchill dos grandes méritos de De Gaulle (Churchill, primeiro-ministro britânico e De Gaulle, chefe exilado em Londres das forças francesas livres, não precisarão de apresentação; Duff Cooper foi ministro inglês próximo de Churchill, embaixador em Paris logo a seguir à guerra, biógrafo exímio de Talleyrand e polígamo natural: a mulher, Lady Diana Cooper tinha às vezes de consolar a sua principal amante francesa, Louise de Vilmorin, dos devaneios do marido). A certa altura Winston interrompeu Duff: “Não vale a pena insistires. Tu gostas dele e eu não (You like the man and I don’t)”.

 

É o que se está a passar. Felizmente para quem pense, como eu, que União Europeia, privada de Reino Unido, seria objecto político teratológico, girafa sem pescoço ou touro sem cornos, o chefe de fila dos que lamentam a saída e não a querem apressar é Angela Merkel, ao pé da qual resmungões anti-ingleses de vários partidos e pátrias, sedentos de divórcio litigioso, são pigmeus. Vale a pena ir demorando porque os jogos não estão feitos. O referendo não era vinculativo. Referendos europeus foram repetidos. Danos nos interesses de todos causados por tão egrégia insensatez cega os olhos. Brutidão xenófoba – a começar pelos ingleses – precisa de correcção exemplar. Talvez se possa ainda virar o bico ao prego.

 

Moralistas evocarão Bertolt Brecht: “É preciso dissolver o povo e eleger outro!”. Haverá lembranças diferentes. Em 1999, quando a OTAN ia bombardear a Sérvia, Robin Cook, MNE inglês, disse a Madeleine Albright, MNE americana, que os seus juristas (lawyers) achavam que tal era ilegal. “Get other lawyers” respondeu ela. E na Cidade e as Serras quando os dois homens de Madame de Trèves, o marido, o Conde de Trèves e o amante, o banqueiro judeu David Ephraim, querem convencer Jacinto a investir numa mina de esmeraldas no Ceilão e Jacinto pergunta enfadado Ele há esmeraldas no Ceilão? o banqueiro indigna-se: “Homem, há sempre esmeraldas desde que haja accionistas!

 

Brexit? Ou talvez não?

 

 

 

 

 

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Segunda-feira, 13 de Junho de 2016

lisbon poets & co.

 

 

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 7 postais ilustrados por André Carrilho

 

 

 

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 lisbon poets & co. no Facebook aqui

 

Poètes de Lisbonne - Camões, Cesário Verde, Sá-Carneiro, Florbela Espanca, Pessoa | Traduction Élodie Dupau.

 

 

Lisbon Poets - Camões, Cesário Verde, Sá-Carneiro, Florbela Espanca, Pessoa | Portuguese originals and English translations, by Austen Hyde and Martin D'Evelin | Illustrations by André Carrilho | Foreword by Leonor Simas-Almeida | 1st edition: June 2015  Publisher: lisbon poets & co.

 

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Sábado, 4 de Junho de 2016

dicionário pessoal: incontornável

 

 

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incontornável
in.con.tor.ná.vel
adjectivo (2 géneros)
(de in­- + contornável)


Termo com que se designa uma pessoa ou coisa que não conseguimos evitar. Figura publicamente omnipresente: muito mais notória do que notável. Modismo, de uso insistente e detestável, cujo significado se confunde, muitas vezes erradamente, com o de indispensável. O que não conseguimos evitar, por força de circunstâncias que não determinamos, nem sempre é indispensável. Quando aplicado a pessoas pode ser, por vezes, um enorme aborrecimento ou uma clara injustiça. Aplicado a coisas e a situações, os poderes — central e local — têm-se encarregado de demonstrar a vacuidade da sua utilização e o esvaziamento do seu significado: não há incontornáveis.

 

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Domingo, 10 de Abril de 2016

"Colectiva" de A. calpi

 

 

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 Galeria espaço AZ, Lisboa

 

 

 

 

Patente até 24 de Abril em Lisboa, a exposição "Colectiva" apresenta um vasto conjunto de obras confeccionadas por A. calpi desde o ano 2000 a partir de objectos abandonados, restos de colecção e materiais descartados.

 

A colecção de colagens, esculturas e assemblages, suportada por elementos de cenografia e decoração, inclui desde pequenos objectos até imponentes e delicados  "troféus" e "monumentos", erguidos dia a dia por A. calpi ao sabor do que se lhe ofereceu ao longo dum percurso criativo singular, marcado por incursões em géneros muito diversos e tendo por pano de fundo o amor pelo teatro e a alta cultura.

 

A quantidade e a diversidade de peças expostas, a sua laboriosa complexidade, e a forma como se encontram distribuídas pelos diferentes espaços da galeria conferem a esta primeira mostra a densidade de uma retrospectiva: meditação bem humorada e melancólica sobre a passagem do tempo e a vida dos objectos, cartografia dos estados de alma do artista, labirinto poético não isento de inquietação.

 

 

 

 

 

"Colectiva" de A. calpi

Curadoria: Eva Oddo [texto da exposição aqui]

 

Na Galeria espaço AZ aqui

Travessa Fábrica dos Pentes, 10

Lisboa

Exposição patente até 24 de Abril, Quinta a Domingo das 16H00 às 20H00

 

Acção dramática “Morre Pr’aí” / “Drop Dead” / “Die Hard” de 11 a 24 de Abril

 

Para adultos. Quintas, sábados, domingos e segundas às 19H30.

Nestes dias a galeria fecha às 19h30 e não será possível aceder depois desta hora.

Número limitado de lugares, sujeito a reserva por e-mail [colectivac@gmail.com].

 

 

 

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Sábado, 19 de Março de 2016

dicionário pessoal: lucidez

 

 

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lucidez
lu.ci.dez
nome feminino
(de lúcido + suf. –ez)

 

 

A lucidez é a capacidade de ver através dos objectos opacos. É diferente da vidência, que é a capacidade de ignorar esses objectos. Já a cegueira torna os objectos, todos os objectos, igualmente opacos e irremediavelmente presentes. Aquilo a que chamamos idiotia é, pelo contrário, um estado de opacidade face aos objectos.

 

 

imagem: aqui

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