Terça-feira, 4 de Janeiro de 2011

Cinema Novo (1963)

 

 

 

Rui Gomes e Isabel Ruth em "Os Verdes Anos", de Paulo Rocha.

(Col. Cinemateca Portuguesa)

 

 

Os Verdes Anos é o primeiro filme das produções Cunha Telles que, pode dizer-se, começavam com o pé direito: o filme seria premiado em Locarno, o nome de Paulo Rocha surgia nas principais revistas de cinema europeias como uma revelação.

Visto hoje, Os Verdes Anos têm o grande mérito de ser um documento precioso sobre Lisboa do príncipio dos anos 60, o seu provincianismo, o desespero e a sufocação de uma geração jovem. Para o cinema, o filme revelava ainda a sensibilidade de um compositor (Carlos Paredes) que construiu um tema musical que ficaria célebre (...).

Pela primeira vez depois de muitos anos este filme sintonizava-se com a realidade portuguesa, espelhava-a. Era um vento de mudança no cinema que por cá se fazia. Mas a mudança não estava só na respiração temática. Acontecia também (...) na respiração fílmica, na atenção aos movimentos de câmara, à realidade plástica dos planos, aos tempos.

Mais de vinte anos depois, Os Verdes Anos, não ganharam cãs, sabemo-lo... O que quer dizer que o Cinema Novo que nele se propunha o era, de facto.

 

Jorge Leitão Ramos,

in Dicionário do Cinema Português 1962-1988

Ed. Caminho, Lisboa, 1989

 

 

 

 

Isabel Ruth em "Os Verdes Anos", de Paulo Rocha.

(Col. Cinemateca Portuguesa)

 

 

Paulo Rocha era, por essa altura, relativamente marginal a quaisquer grupos. Estivera, é certo, por esses anos, perto de alguns dos universitários católicos que mais inovaram em matéria de gostos críticos, mas nunca teve nessas estruturas papel de evidência. Depois, vagueara pela França, com uma bolsa do IDHEC e estagiara com Renoir em Le Caporal Epinglé. Ao voltar, em 1962, trabalhou com Oliveira no Acto da Primavera e na Caça. Quando se decidiu passar à realização, foi buscar a esse grupo de católicos dois dos mais relevantes colaboradores: Nuno Bragança (1929-1985) que viria a ser um dos expoentes da nova literatura portuguesa dos anos 60 e 70 e o poeta Pedro Tamen (1934). O primeiro adaptou o argumento e escreveu os diálogos; o segundo foi autor da letra da canção leitmotiv do filme, musicada por Carlos Paredes (...).

Ainda, Verdes Anos, é o filme que melhor dá a ver Lisboa e Portugal como espaços de frustração, espaços claustrofóbicos, sem saídas, onde tudo se frustra e tudo agoniza numa morte branda.

 

João Bénard da Costa

in Histórias do Cinema, Sínteses da Cultura Portuguesa

Europália 91, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Lisboa

 

 

Textos e fotos reproduzidos de Amor de Perdição.pt aqui

 

 

 

 

"Os Verdes Anos", de Paulo Rocha (Portugal 1963)

 


publicado por VF às 17:29
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1 comentário:
De Eva Bacelar a 6 de Janeiro de 2011 às 02:42
Gosto muito deste filme e tudo o que aqui se diz é acertadíssimo. É realmente uma boa imagem de Lisboa nos anos 60, e gosto do tom simples que domina a cena.... Obrigada Eva

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