Terça-feira, 22 de Setembro de 2009

Em louvor dos clássicos

 

 

 

 

 

 

 

Uma obra inspiradora sobre a actualidade dos "clássicos", graças à paixão com que o autor tanto enuncia a "verdade" dos seus escritores favoritos (Stendhal, Tolstoï, Dostoïevski, Kleist) como denuncia a "mentira" dalguns dos seus ódios de estimação (de Goethe a Melville, passando por um certo ‘establishment’ das letras americanas). 

 
Breves excertos do ensaio "One of the very few ", dedicado a Stendhal :
 

C'est lorsque aucune position sociale n'est sûre et qu'aucune idée ne peut être tenue pour acquise que les vérités sur notre existence peuvent faire surface. Le danger est la muse de la fiction. C'est sous son emprise qu'ont oeuvré les écrivains qui (avec la force de leur génie) ont pénétré derrière la façade sociale, au-delà des conceptions biaisées de leur époque, et ont recréé nos destinées comme si on pouvait les contempler à travers le regard de Dieu. Stendhal était l'un de ces very few : il écrivait au temps présent éternel.

 
 

«Vivre c'est sentir, avoir des émotions puissantes », écrit-il, formule qui n'est pas ce truisme qu'elle paraît être. Il se soumet à toutes les sensations si elles sont assez intenses: même douloureusement ressentie, une défaite est une victoire. Ce qui importe est d'éprouver pleinement le miracle d'exister. (...) On pourra voir une clé nous permettant de comprendre tant son oeuvre que son caractère dans le fait qu'il conseille à juste titre à ses lecteurs de ne pas perdre leur temps à le lire s'ils n'ont pas passé au moins six mois dans les affres de l'amour.

 

 

Stendhal n'est pas fait pour les érudits, ni pour les intellectuels des lettres, en nombre heureusement limité : son oeuvre traite des émotions humaines, notre lot commun. Il ne se soucie de plaire ni aux femmes prétentieuses, ni aux hommes "positifs" trop occupés à gagner cent mille francs par an et à gérer une main d'oeuvre de deux mille employés pour perdre leur temps à des choses inutiles, ni à l'étudiant si enchanté d'avoir appris le grec moderne qu'il pense déjà à se mettre à l'arabe ; mais il n'exclut pas de ses happy few la sorte de gens qui font fortune à la Bourse ou à la loterie. Selon Stendhal, de tels jeux de hasard, qui suscitent de fortes émotions, sont tout à fait compatibles avec les sentiments inspirés par une grande peinture, une phrase de Mozart ou un éclat dans le regard d'une femme.

 

Stephen Vizinczey

traduzido do inglês por Philippe Babo

© Éditions Gallimard, 2006

 

 

 

Descobri Vizinczey em França, onde comprei num aeroporto a edição de bolso do seu romance Éloge des Femmes Mûres, editado em Portugal pela Cotovia.

Truth and Lies in Literature, antologia de críticas e ensaios, na maioria publicados em jornais ingleses e americanos, inclui ainda alguns textos notáveis sobre a experiência pessoal do autor.

Nascido na Hungria em 1933, Stephen Vizinczey, que combateu o Exército Vermelho nas ruas de Budapeste em 1956, exilou-se no Canadá. Em 1965 publicou neste país, em edição de autor, o romance In Praise of Older Women, escrito em inglês. Enviou-o a Anthony Burgess e Graham Greene, que o acolheram com entusiasmo. Em Inglaterra o livro tornar-se-ia um ‘best seller’, valendo-lhe uma carreira internacional. 
 
 
Mais sobre Truth and Lies in Literature aqui

Um excerto de Éloge des Femmes Mûres aqui 

 

 

publicado por VF às 12:59
link do post | comentar | favorito
1 comentário:
De Maria João a 24 de Setembro de 2009 às 23:17
Obrigada por teres partilhado este livro comigo! Graças a ele já me lancei na leitura da Anna Karénine e fiquei com imenso apetite para ler outros clássicos da literatura mundial!
Bjos
Maria João

Comentar post

pesquisar

mais sobre mim

posts recentes

O Bloco-Notas de José Cut...

O Bloco-Notas de José Cut...

O Bloco-Notas de José Cut...

O Bloco-Notas de José Cut...

O Bloco-Notas de José Cut...

O Bloco-Notas de José Cut...

O Bloco-Notas de José Cut...

O Bloco-Notas de José Cut...

O Bloco-Notas de José Cut...

O Bloco-Notas de José Cut...

tags

todas as tags

links

arquivos

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Creative Commons License
This work by //retrovisor.blogs.sapo.pt is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.

Blogs Portugal

blogs SAPO

subscrever feeds