4.2.17

 

 

 

traje romântico.jpg

 traje masculino - século XIX

 

 

 

 

 

Para em tudo ser grande, este homem singular a quem os seus contempo­râneos chamaram «o divino», como a Pla­tão, foi um dos maiores, senão o maior ele­gante do seu tempo. Poeta do amor, tão belo, que se um dia os Amores descessem à terra fariam o ninho num verso seu; ora­dor tão eloquente, que o seu verbo evocava o daqueles atenienses maravilhosos que, envoltos no seu pálio branco, arrastando as suas sandálias doiradas, discutiam sob os loureiros roxos dos jardins de Academo: diplomata, homem do mundo, grande do ir mo, ministro de Estado — Garrett levou trinta anos de vida a espalhar em volta de si, como braçados de rosas, a elegância, a harmonia, a beleza e a graça. Por onde quer que passasse, a Moda curvava-se diante dele. Ministro na Bélgica, foi tão grande o sucesso pessoal da sua elegância que por toda a parte, nas montras, nos cartazes, nos jornais de Bruxelas aparecem as «capas à Garrett», os «chapéus à Garrett», as «jóias à Garrett». Regressando a Lisboa em 1846, de tal forma o seu tipo inconfundível se impôs, tanto o imitaram e o copiaram, que todos os retratos em miniatura pintados por Guglielmi parecem, pelo talhe das bar­bas, pelo jeito das cabeleiras, peias peque­nas moscas, pelos próprios folhos das cami­sas, o retrato de Garrett. Como Brummell, tudo na sua elegância era simples, mas tudo era perfeito e minucioso. Vestia-se em In­glaterra. Mandava vir de Londres as casa­cas, as meias, os sapatos de baile, as luvas de Jouvin, a libré verde do groom, a suit of clothes com que passeava em Sintra, até os seus assombrosos pijamas matinais de xa­drez branco e vermelho, cuja pantalona afunilava em meia como a dos arlequins. Bulhão Pato descreve o trajo com que ele se apresentava nas Câmaras, o mesmo que usava nas lutas da eloquência e nas entre­vistas de amor: «Casaca verde-bronze com botões de metal amarelo recortado sobre veludo verde; colete branco, deslumbrante, grandes bandas; calça de flor de alecrim; camisa finíssima, encanudada; luvas ama­relas.» Quando tinha de pronunciar algum dos seus monumentais discursos, não es­quecia nenhum pequeno pormenor de ele­gância: ele, que não usava rapé, levava sem­pre consigo uma pequena tabaqueira de ouro para o ajudar nos gestos; e nunca, antes de começar a falar, deixava de esfre­gar as mãos para as fazer mais pálidas. Como a sua nobre figura dominava então a assembleia! Que harmonia de atitudes! Que elegância majestosa, só comparável à de Lamartine! Iluminava-se, crescia, arre­batava. E, entretanto, Garrett não era belo. Garrett lutava com a falta de dotes natu­rais. O milagre da sua elegância foi, sobre­tudo, uma obra de arte, de paciência e de génio. Tudo nele era postiço, desde o es­partilho até ao chinó, desde os dentes até às ancas, desde o chumaço dos ombros até ao bucho das pernas. Quando à noite reco­lhia a casa, depois de um baile ou de uma recepção, desmanchava-se como um puzzle. E o que tem graça, é que era ele o primeiro a rir-se dos ridículos a que o obrigavam, não só os seus defeitos físicos, mas as própria exigências da moda de 1840. Uma noi­te, o criado de quarto de Garrett adoeceu e teve de ser substituído por outro — um pobre rapaz boçal chegado da província. Quando o «divino», quase de madrugada, de calção e meia, regressava de um baile dos marqueses de Viana — o primeiro baile de Lisboa em que apareceram camélias do Japão — foi já o criado novo que, pela pri­meira vez, se apresentou para o despir. — «Começamos pelo chino, percebe?» — disse-lhe Garrett, tirando a cabeleira pos­tiça e enfiando-a na boneca. O pobre rapaz, que nunca tinha visto arrancar os cabelos da cabeça com tanta facilidade, ficou va­rado de espanto. Depois, o poeta tomou um pequeno espelho, abriu a boca, fez saltar a dentadura e deu-a ao criado: — «Tome lá os dentes. Meta-os num copo de água.» O assombro do pobre homem subiu de ponto. Imperturbável, Garrett des­piu a casaca em «busto de abelha», o colete de reflexos de prata, o espartilho, e apon­tou os chumaços das espáduas: — «Tire-me os ombros.» Em seguida, puxou uma ca­deira, assentou-se: — «Agora, tire-me as barrigas das pernas.» O criado, muito pá­lido, coberto de suores frios, teve naquele instante a impressão de que o amo ia desfazer-se todo. (Garrett percebeu, levantou-se, avançou para ele e disse-lhe, olhando-o fixamente: — «Agora, desatarrache-me a cabeça devagarinho.» O pavor do ingénuo provinciano foi tal que abalou pela porta fora e nunca mais ninguém o viu. Este epislódio pinta a figura do poeta muito melhor do que todos os retratos e todas as carica­turas. No fim da vida, no período agudo da paixão pela Ignota Dea das Folhas Caí­das, Garrett esqueceu-se por vezes de que já tinha mais de cinquenta anos e de que nem todas as idades suportam as modas excessivamente audaciosas. Quando sobra­çava a pasta dos Negócios Estrangeiros, apareceu um dia em conselho de ministros com umas extravagantes calças de qua­dradinhos brancos e roxos, que fizeram sensação em Lisboa e que chegaram a despertar receios de natureza política. — «Então, como vão esses negócios da Fa­zenda?» — perguntou o poeta ao seu colega Rodrigo da Fonseca, estendendo-lhe afec­tuosamente a mão. — «Mal, muito mal — respondeu o espirituoso Rodrigo. — Sobre­tudo, os negócios da fazenda das tuas cal­ças. Se tu apareces assim no Parlamento, deitas o governo a terra!» A sua última preocupação foi a de mandar gravar por toda a parte, na baixela de prata, nos sine­tes de uso, nas pedras dos anéis, o seu es­cudo de armas rodeado das insígnias da grã-cruz e bailiado de Malta. A morte, po­rém, que tantas vezes tem piedade do génio, não o deixou ser ridículo por muito tempo. Dois anos depois, o divino Garrett, prín­cipe dos príncipes da elegância portuguesa, rodeado de flores, compondo ainda ao es­pelho a sua última toilette, morria vítima das duas mais terríveis doenças que se conhecem no mundo: a política e o amor. Sem dúvida, foram estes os corifeus da elegância romântica em Portugal — os «in­ternacionais», aqueles cujas jóias e cujas casacas nos fizeram, por um momento, quase tão admirados na Europa do sé­culo XIX, como os coches de D. João V nos tinham feito célebres na Europa do século XVIII. Mas, ao lado destes, quan­tos outros! Quanto janota ilustre fascinou Lisboa, nessa longa parada de elegâncias que ia da plateia de S. Carlos até aos sa­lões da Regaleira, do Marrare de Poli­mento até às alamedas doiradas do Passeio Público! De quantos está ainda fresca a memória, elegantes pragmáticos, devotos fiéis do ritual da Moda, capazes de se dei­xar insultar para não desfazer um só caracol da cabeleira, de se deixar matar para não desmanchar uma só prega das calças! Alguns passam, flagrantes e vivos, diante dos meus olhos.

 

 

Júlio Dantas in O heroísmo, a elegância, o amor*

Edições Roger Delraux

© Maria Isabel Dantas, 1980

 

 

 

* Conferências proferidas no Brasil em 1923 pelo autor, a convite da Academia Brasileira de Letras, por proposta do romancista Coelho Netto:

 

O Heroísmo: O Mosteiro da Batalha

 

A Elegância: Os Elegantes do Romantismo

 

O Amor: Mulheres que Camões amou

 

 

Nota:

 

O meu agradecimento a Manuel Sant'Iago Ribeiro, que me deu a conhecer estas conferências.

 

A imagem é do blog Des bobines et des songes 


 

 

link do postPor VF, às 08:00  comentar

10.8.16

 

img053 Estádio Nacional.jpg

 Inauguração do Estádio Nacional, 1944

Fotos: João D'Korth

 

 

 

 

 

José Cutileiro.jpg

 

 

 

Vergonha na cara

 

 

 

 

Nuno Bragança tinha tido uma nanny de maneira que quando foi a Londres pela primeira vez, já com mais de trinta anos, os nativos com quem falava não percebiam que ele era estrangeiro. Passou lá um mês; a jantarmos na véspera de se ir embora perguntei-lhe o que achara. “Levaria muito tempo a habituar-me a viver aqui mas a Portugal sei que nunca hei de me habituar.”

 

Com efeito assim foi e o problema não era só do Nuno; o sentimento também assalta muitos que não acabam matando-se. Para Alexandre O’Neill era uma moinha permanente: “Portugal, questão que tenho comigo mesmo”. No meu caso, o incómodo deve vir do Pai que tive. Nos meus primeiros anos de liceu, era director do Centro de Saúde de Lisboa; todas as manhãs um automóvel o vinha buscar, que o trazia à noite (e muitos dias também para almoço que nessa altura comia-se mais em casa do que hoje). A Escola Valsassina, onde o João e eu andávamos, era a caminho do Centro mas nunca pusemos o rabo naquele carro porque um carro de serviço não servia para levar meninos ao liceu. O civismo ia mais longe. A CUF convidou o Pai para dirigir a parte de saúde pública dos seus serviços médicos. Era um lugar novo e aliciante mas havia uma condição: que ele prescindisse de intervenções políticas (não tinham passado da assinatura de alguns abaixo assinados contra o regime; nem sequer era comunista). Quando ele recusou, o médico que lhe transmitira o convite tentou demovê-lo, perguntando-lhe se ele não se lembrava de que tinha filhos. “É exactamente por me lembrar de que tenho filhos” respondeu o Pai.

 

Só comecei a dar-me conta daquilo a que alguns gostam de chamar o “país real” e outros o “Portugal profundo” já na universidade, alguns anos depois do Pai ter morrido. Mandara fazer um sobretudo e o alfaiate teve de mudar a data de uma prova para ir ao Minho testemunhar num julgamento. Contou-me depois: “O Senhor Doutor está a ver, o Juiz queria que eu dissesse a verdade mas eu…”.

 

Outros anos passaram. Virei antropólogo, veio o 25 de Abril, o PREC, a descolonização mas um ano depois disso tudo já se tinha percebido que o país mais parecido com Portugal antes do 25 de Abril era Portugal depois do 25 de Abril. Um dia disse ao Vitor Cunha Rego que meu pai me ensinara serem os portugueses um povo maravilhoso, oprimido por uma cáfila na qual o bandido-mor era Salazar. “Pois é” respondeu o Vitor “eu também tive um pai assim. E é grave um homem aos cinquenta anos descobrir que o pai era parvo”.

 

A identidade entre o país da Exposição do Mundo Português e o país da CPLP parece hoje quase completa. Pelo menos do ponto de vista moral. Em 1944, quando foi inaugurado o Estádio Nacional, avionette lançou sobre o público milhares de panfletos dizendo “O que nós queremos é futebol!” e explicando porquê.

 

Havia censura prévia e a imprensa – jornais e rádio – não podia contar de viagens duvidosas de secretários de estado. Agora pode e conta mas ganhamos as mesmas. Já ninguém terá vergonha na cara?

 

 

 

 

link do postPor VF, às 09:00  comentar

3.4.15
 
 
My Years in Angola (1950-1970)
Andries Pieter van der Graaf
 
Other posts:
 

 

Besides food (Mozambique tea - chá licungo - , and cashew nuts should also be mentioned), drinks and textiles, there was an assortment of other articles, which pretty well matched the range of articles in the "mercearias" (general stores) in the interior and in the city. These were: storm lanterns, primus stoves, chopping knives, hoes, corrugated panels, plumbing, floor covering, sewing machines, iceboxes, bicycles. In the shop window was a graphic poster of a Raleigh bicycle, with a native on it, chased by a lion. Many Velosolex (motorized bicycles) were also imported, but more in Lobito than to Luanda, where the roads were too steep. In the first years, copper wire, beads and other decorative articles were important. Importing of beads was arranged through Amsterdam from Italy ("missangas"), and from Czechoslovakia ("contas").

 

 

 

 

 

raleigh-bicycle-lion-vintage-bicycle

 

 

 poster of a Raleigh bicycle

 

 

Angola is generally a "price market," but Bacalhau is an exception to this rule. Bacalhau (dried cod) the way the Portuguese like it, is Clipfish, dried on rocks (Stockfish is dried hanging on wooden racks). Codfish came mainly from Norway, with occasional shipments from Iceland and Scotland. For dried cod, or "o fiel amigo" (the faithful friend) as the Portuguese call it, quality is the top requirement, since they are so fond of Bacalhau that no feast day may be celebrated without it, e.g., Christmas.

 

 

In the warehouse

 

 In the warehouse

 

What with one thing and another, the months of November and December were always exceptionally busy for anyone who had anything to do with the "armazém" (warehouse). During this period, a great deal of work was done by the native assistants in the warehouse, and when the bonuses were handed out, they were given extra consideration too. There were some very strong men among them, I especially remember "Maximbombo", the native word for "bus", commonly used in Angola. Many of the natives have Portuguese, or Portuguese-derived names, but there are exceptions to this. For example, Van Dunen harks back to the Dutch administrator Van Duinen; Fançoni to Van Zon, etc. One particularly good tribe came from the Bailundo area, who didn't speak Kimbundo, as they do in the North, but Umbundu. As employees, the natives were still very subservient, something which was to change a great deal in the next decade; they also had very few rights, notwithstanding the official policy of equality and assimilation. The economic colour barrier was enormous.

 

 

 

Luanda was still small. Behind the Avenida Brito Godins, where our "residencia" was situated, there were a few residential areas, but otherwise nothing very much yet. There was no Avenida Marginal, just a sandy shore to the bay, and not far from there was the market, where now the Banco Commercial rises up.

 

13 Luanda, no Marginal

 

Luanda bay, before the Avenida Marginal was built

 

4 Luanda, '50s

 

Luanda in the fifties

 

3 A residencia, front garden

 

 

 A residência, front garden. Circa 1952, with Joyce, Kees and Betty

 

1 Causeway to the Ilha

 

 Causeway to the Ilha

 

 

When I arrived in Luanda, the peak demand for foreign imported cotton prints had already passed. Around Sá da Bandeira you didn't see very much textile, for there the native people kept mostly to their traditional dress, a loincloth, some arm rings, beads and buttons. In this cattle-rich area, the women wore leather strips, onto which sawn-through cone shells had been added. These cost about "an ox" each, and from the number of these shells you could calculate the financial status of the native family.

 

Muhuila married women

 

Muhuila married women

 

 

In the surrounding area, Huila, and Cuanhama, there is still a great deal of traditional life to be seen. A trip into the Huila area stands out as the most interesting one in my memory. The native tribes provided the most picturesque spectacle. They were mostly Huilas and Mucubais, tribes that had resisted the trend to wearing European clothes - in contrast to Northern Angola. They kept to their own ways and it was marvellous to see their dark brown shining bodies, embellished by thick copper wire wound around their necks and legs, all sparkling in the sunlight. The women, with finery differing according to age or status, often wore strings of shells, cowrie and others, and beads. On their backs they wore cone shells, sawn in halves. These came all the way from the coast and were very expensive. I was told that one could tell how rich they were by the number of shells they wore. One of them was worth " an ox ". In their necklaces and bracelets, however, there were often small European objects, such as coins and safety pins and other shiny objects.  

 

 

6 "Trip through South and Central Angola", Muhuila women, with cut off cone shells

Muhuila women, with cut off cone shells, Joyce, Kees and Betty by the car

 

A.P. with Mumuhuila

 A.P. with Mumuhuila tribesmen

 

 

 

The travelling salesmen took as many samples with them as possible of everything that we sold. There was a good variety, and therefore our men were always welcomed by the clients. Still, they always had to keep in mind the custom of never being over hasty. The first day had to be seen as the lead up to the real business visit. First, time needed to be patiently spent on "cumprimentar" (greetings) and "conversa" (conversation). The next day was the day for business. Only then were the boxes of samples brought out from under the canvas of the carrinha (pick-up), and opened.

 

Trip to Nova Lisboa, May, 1965

 Trip to Nova Lisboa, 1965

 

The roads were appalling. Heading inland, there was asphalt only as far as Catete (60km), and on the way to Malange, around Zenza, there was a 30 km stretch of very fine sand, all very well for growing cotton, but not quite the right thing for a road. Driving through those 30 km would take a good three hours. But these trips also had a very attractive side as well. Astonishing vegetation: baobabs ("imbondeiro"), and candelabra-euphorbias along the road to Dondo, and further along perhaps coffee plants in bloom. Towards the south, instead, you would see different types of acacia, and then dry savannah.

 

 

057

baobab tree

 

The hotels along the way were pretty shabby, but they sometimes made good meals: feijoada (a bean stew), guisado (stewed meat and greens), churrasco (piri-piri chicken). Breakfast was "sem garfo" or "com garfo" (with or without a fork). "With" was with meat, almost a full meal, and "without" was coffee and a couple of rock-hard buns with very salty butter. For the lorry drivers there was still another "matabicho" (matar o bicho = to kill the animal; the official Portuguese word for breakfast is "pequeno almoço"): a strong cup of coffee with brandy upon departure at dawn, followed later in the morning with a "matabicho com garfo." Another delicacy of the "mato" was muamba (palmoil stew).

 

 

to be continued...

 

Andries Pieter van der Graaf Jan/Feb 1974

Translated by Elizabeth Davies (van der Graaf) 2012

 

 

Full text:

The memoir of Andries Pieter van der Graaf is in two parts: Part 1 (written in English) starts in 1909 with his birth, and provides a vivid description of his early life in Krimpen aan de Lek, a small community near Rotterdam; of the effects of the Depression on the family; and of his experiences during the war. In Part 2 (written in Dutch, translation into English provided), he takes us from his first day in Angola, through his years learning how to run a Dutch trading company in Angola in colonial times, to his fascination with Angola and its peoples.

 

www.asclibrary.nl/docs/341/217/341217840.pdf

http://www.asclibrary.nl/docs/341220647.htm

 

Album "Vintage Angola" on Flickr 

 

 

 

Many thanks to Elizabeth Davies (van der Graaf) and her family for allowing me to adapt the text and to illustrate it by using photos from the family's collection.

 

Muito agradeço a Elizabeth Davies e sua família que autorizaram gentilmente a edição do texto para publicação neste blog e disponibilizaram fotografias do espólio do autor.

 

 

 

 

 

link do postPor VF, às 10:31  comentar

29.6.14

 

 

A visita do Governador Geral Dr. Jaime Alberto de Castro Morais a Damão, Novembro de 1923

 

Fotografia gentilmente cedida por Laura Castro Caldas a quem muito agradeço

 

 

 

 

 

 

 

link do postPor VF, às 11:45  comentar

7.9.13

 

 

 

 

«O timor que usa «taiss» ou «lipa», largo pano de algodão às riscas, colorido de azul ou de encarnado, e chegando da cinta aos joelhos, cabaia ou curta jaleca branca de botões apresilhados, lenço atado no alto da cabeça à moda javanesa..., vai porém para a guerra de «lipa» negra, cabaia encarnada, lenço com penas de galo erectas ao topo e, principalmente quando já «Açuaim», ou guerreiro de fama, de manilhas, colares de «mútissalas», «luas» de prata ou de oiro, e de cinta ou faixa branca... » (Alberto Osório de Castro)




 

«Debaixo do braço ou posto ao colo, não falta o galo de combate, nem no saquitel a lâmina acerada que no começo dos torneios, se lhe ata a uma das patas, apetrechando-o para uma peleja renhida, em volta da qual se há de comprimir o povoleu e ferverão as apostas a dinheiro.» (Armando Pinto Correia)

 

 



Testemunhas de antigas lutas, as tranqueiras e outros vestígios das arquitectura militar de Filomeno da Câmara, são hoje representações históricas que surpreendem o visitante recém-chegado a alguns postos administrativos do interior. (Ruy Cinatti)

 




Timor, Páginas de um Diário Poético

Ruy Cinatti

Panorama, Revista Portuguesa de Arte e Turismo

Números 36 e 37, ano de 1948


Fotos: Ruy Cinatti (1947)

 



link do postPor VF, às 17:18  comentar

5.9.13

 


« De qualquer forma por que as populações timoresas se estudem..., o caos surge desnorteante e quase impenetrável, revelando-se a disparidade de raças que na ilha e fora dela se cruzaram para produzir os tipos e os dialectos que naquele país se encontram. Dir-se-ia que da mais ocidental das terras sundanesas até às Filipinas e destas para o sul, e deste até Timor e às Fidji, todos os povos se mestiçaram e emigraram de forma a criar a Babel de elementos somatológicos que é a ilha de Timor. » (Leite de Magalhães)




 

«As raparigas de Oékussi, de uma tez de âmbar gris claro, feições delicadas, lembram sundanesas ou burmesas de distantes origens indús.» (Alberto Osório de Castro)




Timor, Páginas de um Diário Poético

Ruy Cinatti

"Panorama, Revista Portuguesa de Arte e Turismo"

Números 36 e 37, ano de 1948

 

Fotos: Ruy Cinatti (1947)



O Timor de Ruy Cinatti  de Peter Stilwell | PDF in Revista Camões nº14  aqui


História-Antropologia TIMOR LESTE  aqui 

 



link do postPor VF, às 11:23  comentar

11.7.13

 

 

 

 

Um enorme jacaré de 4,5 m de comprido morto em 1910 pelo 2º tenente Almeida Pinheiro, imediato da canhoneira chaimite e por um sargento do mesmo navio em frente da praia da catembe (Lourenço Marques)*.

 

 

 

 

 

*Legenda manuscrita no verso da fotografia, gentilmente cedida por Laura Castro Caldas, a quem muito agradeço.
 
link do postPor VF, às 15:30  comentar

9.2.13

 

 

 

Portugal c. 1935

 

 

A minha Mãe tinha muito gosto e paciência para nos mascarar no Carnaval. No castelo de S. Jorge houve uma festa comemorativa das Guerras Peninsulares, (século XIX) um grupo de jovens oficiais e soldados foram vestidos à época das tropas de D. Pedro e D. Miguel, e nesse ano o meu irmão foi vestido a «rigor» como oficial de Caçadores 7.

Eu que só tinha quatro anos, levava um vestido império azulão, uma touca com paradis verdadeiros, tudo no mesmo tom. Como o vestido era comprido, não era fácil brincar, sem descoser e por vezes rasgar. A Mãe à noite cosia e remediava os "estragos".

Nos dias de Carnaval íamos às matinés ou então à "amostra" a casa dos Tios, Avós e outras pessoas amigas. O meu Irmão tinha um porte impecável, nada saía do lugar, era um oficial verdadeiro, com a sua cartola muito alta e a "canana" para os apontamentos (que eram feitos com um lápis pequenino). Quase sempre ganhava o 1o prémio nos cinemas S. Luís, Capitólio, e outras salas de espectáculo. Éramos um par muito bem mascarado mas eu desmanchava-me sempre, e no fim da tarde a diferença entre o aprumo do Luiz e o meu desalinho era bem visível.

 

 

Alda Rosa Bandeira de Lima Osório Bernardo de Sousa

in Memórias e Saudades

Publicado em 2011

 

Um bonito álbum, muito bem escrito e ilustrado, de uma Senhora que ao fazer oitenta anos reuniu recordações do antigamente para os filhos, netos e bisnetos. Publicaram-se apenas três exemplares neste formato. 

 

 


Nota:
O álbum Memórias e Saudades foi-me gentilmente cedido por Maria do Rosário Sousa Machado, a quem muito agradeço. 
 
 
link do postPor VF, às 10:15  comentar

20.12.12

 

 

 Timor, anos 20 do séc. XX?

 


Jesus mouris iha manu kokoreek!  Jesus nasceu ao cantar do galo!

A luz do petróleo incendiava a casa de estrelas. E íamos, toda a gente, a família e os que viviam connosco em família, festejar o nascimento de Jesus que o galo anunciara.[…] Recebíamos presentes trazidos do bazar e que tinham entrado em casa às escondidas. Não eram bem brinquedos, mas coisas que nos enfeitavam — tecidos bonitos, alfinetes de ouro, chinelas bordadas...

A Princesa minha mãe morreu, era menina ainda. Mas o Natal ficou nos meus olhos e na minha alma como afirmação de que Jesus passeara por toda a ilha de Timor tal como o fizera desde Belém a Jerusalém.

 

*

 

Na linha de cultos lunissolares, que imprimiu e imprime sinais e marcas indeléveis na alma dos Timorenses, a consubstanciação de Maromak como ente supremo, Deus, não representava qualquer oferta de paz ou de alívio. Pelo contrário o conhecimento, a consciência de Maromak impunha receio e inquietação. […] Carregado de superstições, crente da existência de espíritos vagueando, dominado pela vontade e atitudes de bruxos e feiticeiros, responsabilizado pelos oráculos ou sacerdotes, o Timorense não pôde despir-se de todas as suas vestes ancestrais para com simplicidade tornar-se cristão. Isso explica em grande parte que ainda hoje se prenda tanto à terra e considere os objectos mais variados e lugares, montes, rios, árvores e casas como tabus ou luliks. De facto, entre o Homem e a Terra, e entre o presente e o passado há tão intimas e tão vivas alianças que dir-se-ia ser fácil fazer reviver todas as gerações do passado. De crenças totemísticas, há também animais luliks ou tabus, o que explica a atitude suave de todo o timorense para com os animais. Deve assinalar-se, para melhor acentuar a importância dos luliks na vida dos autóctones de Timor, que tabu significa exactamente uma prática supersticiosa da Oceânia que dá carácter sagrado a determinado ser ou a determinada coisa, proibindo o contacto com ele ou o seu uso. [...] O Cristianismo só o entendem na medida em que lhes garante o caminho para encontrar a Deus, mas querem, na busca, ter presente o melhor e mais subtil do seu passado. Por isso os uma-luliks ou templos permanecem na sua beleza estranha e misteriosa encastoados na paisagem grandiosa da ilha e cultuados pelos que têm os pés mergulhados no húmus mais fundo e mais rico daquele chão. Muitas das cerimónias dos uma-luliks, as de maior relevo, conduzem os crentes a um tal estado de histerismo que findam em incontroláveis orgias. As famílias autóctones cristãs já se despegaram dessas orgias, porque receberam a suavidade da Presença de Jesus e a magnitude da Sua mensagem. [...] Como no tempo em que eu era pequeno e a Princesa minha mãe menina, os autóctones cristãos dessa ilha suave e viril, fruto de uma inexplicável simbiose de beleza e força, cultuarão o Menino Jesus na noite de Natal. E tal como eu, também os meninos de agora ouvirão das bocas de suas mães as palavras de anúncio do Anjo Gabriel:

Ave Maria, graça barak liu iha Ita-Boot; Maromak ho Ita-Boot; Ita-Boot di'ak liu feto hotu-hotu; Ita-boot nia Oan, Jesus, di’ak liu.

Santa Maria, Maromak nia Inan, haro-han ba Na'i Maromak tan ba ami-ata salan, oras ne'e ho oras ne'ebé ami-ata becik atu mate. Amen.

 

 

Fernando Sylvan aqui

Excertos de “Iha Kalan Boot – Jesus Mouris –  Iha Manu Kokoreek” 

Foto (data desconhecida) e texto publicados em Panorama Revista de Arte e Turismo nº 24-III Série-Dezembro de 1961 - Edição do SNI, Lisboa

 


 

 

 



17.12.12

 

 

 

Quatro panorâmicas e figuras aguareladas de usos e costumes das cidades ou regiões representadas:

1a Panorâmica—Configuração da Entrada da Barra de Goa; 2/1 Panorâmica—Perspectiva da Praça de Dio vista do mar; 3ª Panorâmica—A entrada do Rio de Janeiro; 4ª Panorâmica—Vista da Ilha de Moçambique, tirada do seu porto. Séc. XVIII.

 

in Panorama, Revista Portuguesa de Arte e Turismo

 

 

Nota:

Documento apresentado em exposição no Museu Militar de Lisboa integrada nas comemorações do V Centenário da Morte do Infante Dom Henrique, 1960.

 

 

  

link do postPor VF, às 14:56  comentar

26.8.12

 



 

Traje de Meia Senhora*

Viana do Castelo, Portugal, c. 1950 

 





NÃO QUEIRAS SAIA DE CHITA,

QUE TE HÃO DE CHAMAR SENHORA;

ANTES SAIA DE ESTAMENHA,

QUE É TRAJE DE LAVRADORA.




A forma e composição do vestuário relacionam a inteligência do homem com a qualidade e variedade insistentes do trabalho predominante e dos trabalhos afins ou contribuintes dele. As cores, ou enfeites, os adereços e os complementos, mais ou menos acidentais, sempre todavia decorativos, revelam o sentimento artístico, a elegância de imaginação, a estética utilitária de quem os aplica. Não pode esquecer o que no traje impõem os determinantes de ordem moral, cuja influência colabora fortemente na sua elaboração.[...] O traje é, assim, o vértice de convergência de actividades mentais, concorrentes no mesmo objectivo; exterioriza-as em manifestações concordantes, que fazem dele o panorama psicológico da população, revestida no seu todo orgânico. Deve ainda acrescentar-se aos mencionados elementos da feição do traje a influência sugestiva das modas vagueantes das classes superiores, ricas e desnaturadas. Isto é: a acção reflexa, que o traje popular sofre do traje culto. Têm aspectos funcionais diferentes os dois trajes: estável, contínuo, natural e espontâneo, o popular; instável, descontínuo, artificial e estudado, o traje erudito. A estabilidade do traje popular corresponde à mutabilidade excessiva do outro. Até, quando no todo ou em parte o traje das classes de cima passa para o povo com adaptação correspondente, mantém neste a duração, que além não teve. Não quer dizer que o traje popular seja inerte e imutável, nem que o não popular, em suas metamorfoses, tenha falta de traços comuns, melhor ou pior conservados. Somente, à maior persistência do excitante espiritual corresponde maior permanência de efeitos, e entre eles a fisionomia do traje. Como  na  vida  rural a continuidade é regra, o traje rural evoluciona lentamente, ao passo que o traje urbano ou citadino sofre maiores sugestões do usado pela gente do mundo elegante, internacionalizado e aparatoso. A desigualdade económica, sobretudo, entre o campo agrícola e os centros industriais ou comerciais, prova fundas diferenciações não só em superfície como em profundidade. A quadra popular, posta como abertura desta nota etnográfica, evidencia o confronto de trajes, consoante as condições económicas e sociais.

 

Luís Chaves

in Vida e Arte do Povo Português p. 7

Secretariado da Propaganda Nacional, Edição da Secção de Propaganda e Recepção da Comissão Nacional dos Centenários, Lisboa, 1940


 

 

 


SPN Lisboa 1940



Foto: Maria Manuela Couto Viana com o traje de Meia Senhora, ao lado de Luísa Cerqueira com traje de Mordoma, na Festa do Traje. (Anos 50)


Maria Manuela Couto Viana aqui e aqui

link do postPor VF, às 11:38  comentar

24.8.12

 

 

 

desenho de Paulo Ferreira



[...] No traje português actual reconhecem-se caracteres primitivos em que a influência geográfica dominou, e verificam-se também, dentro de certos limites e com justificada interpretação, variedades e diferenciações em estádios sucessivos ou meras sobreposições. O homem do mar, sempre com a mesma faina e sempre nas ondas, exige o traje que lhe não tolha os movimentos, a um tempo leve e agasalhador, e facilmente substituído. O mesmo princípio se aplica a todas as mulheres, que trabalham no mar, na praia e nas lides relacionadas com o mar.  O pastor, na planície alentejana ou por vales e lameiras, pastagens das serras, tanto nas verandas — as "brandas" — como nas inverneiras, do Centro e Norte de Portugal, tem vestuário protector das intempéries e dos acidentes do solo. As partes, que o constituem, obedecem a especial adaptação, e têm por matéria prima fundamental a pele e a lã dos rebanhos.  Na planície do Ribatejo, estendida a um e outro lado do Tejo, larga, uniforme, colorida, o campino a cavalo percorre as lezírias e os salgados, persegue ou atrai o gado bravio em correrias repetidas; é o que Fialho de Almeida chamou "emanação da paisagem" (1). O traje apropria-se ao movimento, violento e livre, do cavaleiro ágil nos gestos e nas atitudes. É leve, articulado, solto: jaqueta curta, colete, faixa à cinta, calção e meia com sapato de espora, carapuça na cabeça; ordinariamente em mangas de camisa, equilibra no ombro a jaqueta. Se o traje deste centauro é simbólico, por certo não o é menos o "pampilho", que, empunhado na carreira, lhe marca sinal heráldico de cavaleiro armado nas regras da cavalaria. A cor, onde os olhos poisam e vai embelezar-se de sensações excitantes a alma do habitante de uma região, reflecte no traje o carácter dominante da sua psicologia. As lãs dos picotes, riscadilhos, xergas ou burelas, buréis, estamenhas, saragoças, churras ou tingidas, dão tons de monótona grandeza aos trajes serranos. Quando misturam fios de lã, e os tingem para atavio do traje ou da casa, fazem-no em combinações vibrantes de cor. À medida que se desce para a planície, a cor alegra os trajes, que manifestam a pouco e pouco a subida para a policromia rica. Assim, as mulheres policromizam e complicam o vestuário, quanto mais se aproximam das baixas e sobretudo mais se achegam do mar. Aí as matizações são perfeitas, vivas no colorido e movimentadas no jogo dos tons. A mulher da zona litoral é a mais colorida e a de maior composição indumentária. E de entre todas a mais rica é a do recanto de Noroeste, na região de Viana-do-Castelo. Esta gradação do traje, das alturas para as baixas, e do interior para a orla marítima, condiz com as outras manifestações espirituais e utilitárias do homem na mesma direcção.[...]

 

Luís Chaves

in Vida e Arte do Povo Português p. 8

Secretariado da Propaganda Nacional, Edição da Secção de Propaganda e Recepção da Comissão Nacional dos Centenários, Lisboa, 1940


 

 

 

 

Nota:  Fialho de Almeida, O Paiz das Uvas, 3ª ed. Lisboa, 1915, pág. 37




Veja também aqui e aqui

link do postPor VF, às 13:30  comentar

20.8.12

 

 

  

Portugal, c. 1915

 

Foto: Ricardo Santos & Filho - Évora

 

 

Mais uma fotografia curiosa de meu tio-avô paterno António Correia Caldeira Coelho (1888-1977). Que festa terá sido esta? Ele é o homem de bigode e chapéu de aba redonda, sentado no centro do grupo. A fotografia é colada sobre cartolinaiVeja uma fotografia dele em 1907, aqui, e em 1910, aqui

 

 

link do postPor VF, às 23:52  comentar

13.8.12

 

 

 

 

 

Mordoma de Vila Franca do Lima com o cesto de promessa para as Festas da Senhora da Agonia


Viana do Castelo, Portugal, c. 1970

 

 

 

Museu do Traje de Viana do Castelo aqui 

Mais trajes aqui

link do postPor VF, às 12:35  comentar

9.8.12

 

 

Maria Alice Matos Carneiro (1896-1935) à frente do carro de bois. 

 

 

 Maria Alice Carneiro, sentada ao centro, em quarto lugar a contar da esquerda


 

O mesmo grupo. Maria Alice Carneiro de pé em terceiro lugar a contar da esquerda.



Fotografias gentilmente cedidas por Maria Augusta Carneiro Bustorff Burnay.

 

 

Museu do Traje de Viana do Castelo está a fazer uma recolha de imagens de trajes (anteriores a 1960) para poder constituir uma Base de Dados de apoio a estudos sobre a utilização do Traje Popular Vianense. Os álbuns de fotografias de família são uma das fontes mais importantes, onde se encontram muitas vezes imagens com enorme valor documental.

Colabore: reveja os seus álbuns de família. Se encontrar alguma imagem digitalize-a ou empreste-a ao Museu, onde será digitalizada e imediatamente devolvida.

Os responsáveis pela recolha estão igualmente a preparar a edição de um livro dedicado ao tema.

 

Bisavós minhotas ou longínquas tias mascaradas, por favor encaminhem-nas para António Medeiros e João Alpuim, Museu do Traje de Viana do Castelo.


Nota: texto encontrado aqui 

link do postPor VF, às 16:30  comentar

30.7.12

 

 

 

 

Gabrielle Douglas fotografada por Martin Schoeller para a revista Time

 



Training his lens on several of the American athletes headed to London for the 2012 Olympic Games (as well as Oksana Masters, who will be rowing in the Paralympic games in late August), Schoeller gives the viewer an intimate glimpse at the person behind the fierce competitor...

 



este texto e mais fotografias  aqui

 

a crítica da revista Salon aqui 


Martin Schoeller aqui




link do postPor VF, às 09:17  comentar

14.7.12





Bather posing for photo - Ostend c. 1913


Imagem: Library of Congress Prints and Photographs Division Washington, D.C. 20540 USA aqui
link do postPor VF, às 12:20  comentar

10.6.12

 

Nagasaki Kunchi Festival (2011)

 

 

The Kunchi festival of Nagasaki was first celebrated in 1634.The festival was originally part of the bakufu policy to forge a Yamato spirit for Nagasaki, which up to 1614 had been Japan's only Christian town. The Kunchi festival started out as an anti-Christian festival, in which the anti-Christian forces in Nagasaki - the bakufu, Shinto, Buddhism and the brothel wards - all joined hands to provide an alternative to the famous Easter processions, which had been performed throughout the city during the Christian period (1570-1614).

After a devastating fire in 1857, Nagasaki Kunchi became a "new" festival in which the participating neighborhoods were free to innovate and to compete with each other in creating opulent and eye-catching performances. The result is the stunning array of presentations we see today, many of which reflect the international color and unique history of Nagasaki.

 

 

 

 

Suwa shrine (main location) Iwaibune ("celebration ship"). 

 


 

Nagasaki Kunchi Festival 2011

 

 

 

Nagasaki Kunchi Festival 2011

 

 

 

 

 

Nagasaki Kunchi Festival 2011

The dragon, Kokkodesho?

 


Captions: from text by Reinier Hesselink here

 

 

Embaixada de Portugal em Tóquio aqui

 

The Last Nan Ban Jin, Aventuras e desventuras de um português no Japão, em pleno Século XXI aqui 

 

 

Nagasaki

 

 

 

 

link do postPor VF, às 01:11  comentar

27.5.12

 

 

 
Pablo Picasso
1er Carnet #VIII (8.7.1959)

 

[...] El contacto con el toro bravo es lo que nos hace toreros. Quizá sea el contacto con su soledad en el campo, lo que hace que el hombre se vaya consolidando en su carácter. Y en este caso, al referirme al hombre, he de hacer alusión directa de mí, ya que, al pedirme estas cuartillas, quisieron hacerme protagonista del relato. Supe también en el campo y en este contacto con lo que el público llama la fiera, lo que debía rehuir para no convertirme en lo que Antonio Machado llamaba: « España de charanga y pandereta, cercado y sacristía, devota de Frascuelo y de María, de espíritu burlón y de alma quieta». Supe desde el primer momento que buscaría algo más, que encontraría otras inquietudes en mi vida. No admito la carnavalada más que en las máscaras de Goya o de Solana. Estoy más cerca de la pintura negra Goyesca, que de la fiesta en la Pradera de San Isidro. En él campo castellano fui puesto en contacto con esa España más profunda, que es la España del campo en donde no cabe el oropel, porque las vestiduras son de cuero, en donde no sirven las panderetas, porque su tamborileo sería borrado por la profundidad de su horizonte. Conocí a la par a los hombres que a nadie engañan, porque nacieron ayunos de aspiraciones por una tradición de inexplicable resignación, porque nadie les ha querido despertar sus conciencias. Y conocí a la par al toro, alejado del albero de la plaza, en donde assume el papel de antagonista en este festejo, en el que el papel de protagonista, de héroe legendario, se le ha atribuido al torero. Y estoy conforme — ¿por qué no? — en el reparto que en la Gran Comedia Humana, me ha tocado en suerte o en desgracia representar.

En un herradero, en una tienta, en cualquiera de esas faenas que hay que realizar antes de que el toro se encuentre en condiciones de ser lidiado, puede estar el secreto de la trascen­dencia con que tratamos de revestir a este espectáculo de multitudes, espectáculo capaz de despertar pasiones insospechadas. Si no le diésemos, si no revistiésemos a la corrida de la precisa trascendencia, no resultaría serio — ya lo he dicho en otras ocasiones — que un hombre con unas medias rosas, luche con un toro en medio de una plaza, y todo esto en plena Era atómica; a primera vista no parece serio.

Pero algo más que la simple pandereta, hay en las entrañas de esta fiesta. Algo más existe, efectivamente, si sus protagonistas tienen algo más que lo superficial. Sin embargo, no puede evitarse que como frivolidad sea tomado a veces, un espectáculo que es la lucha a muerte entre toro y torero. Pues sí, es un juego, casi una frivolidad, para el pueblo más familiarizado con la muerte que haya existido jamás: España. 

 

 

Luis Miguel Dominguín

in Picasso, Toros y Toreros

© 1980 Alpine Fine Art Collection, Ltd, 

New York, New York

link do postPor VF, às 11:10  comentar

16.5.12

 

 

 

 

 João Branco Núncio c. 1930

 Foto: Mário Novais

aqui

 

 

[...] a par da «revolução» belmontista, também a nossa tourada sofrera importantes altera­ções forçadas por essa excepcional figura de cavalei­ro que foi João Branco Núncio. Cerca do final dos anos 20, totalmente coadjuvado pelo inesquecível Simão da Veiga e por outros jovens artistas, João Núncio decide pôr termo à prática do «touro corri­do». De facto, passa-se a exigir que para a lide a ca­valo tal como para o toureio clássico saiam reses que nunca tenham sido toureadas. A medida acaba por ser aceite e com ela, tal como acontecera com a «re­volução» belmontista, aumenta decisivamente o in­teresse artístico da nossa tourada. Mas, note-se que por essa ocasião os touros utilizados nas corridas eram por via de regra animais autóctones cuja selecção não contemplava em especial os problemas de casta ou nobreza. Significativamente e quando começam a surgir em Espanha touros bem adaptados ao toureio post-belmontista, também por cá os ganadeiros inici­am idêntico caminho. Nos anos 40 e 50 eram fre­quentes os cartazes em que se anunciavam com certo orgulho touros de «casta espanhola». E, porque um animal de investida suave e persistente é capaz de permitir uma melhor exploração artística da sua lide, atinge-se nessa ocasião (anos 40) um dos vários pon­tos máximos do nosso toureio a cavalo.

 

Fernando Teixeira

in "Tauromaquia" Dicionário de História de Portugal- IX

Coordenadores: António Barreto e Maria Filomena Mónica

© Livraria Figueirinhas

 

 


link do postPor VF, às 17:21  comentar

12.5.12

 

 

 

 

Paquito 

Vila Franca, Portugal, 1949

 

 

 

[Nos anos 30 do século XX] A salvação da festa vai provir duma outra evolução decisiva da lide [...]. Trata-se da revolução da arte de tourear, criada pelo célebre diestro Juan Belmonte. Pode dizer-se que antes des­te, e mesmo quando praticada por verdadeiras figu­ras da época como o famoso Guerrita ou como o malogrado Joselito, afinal o maior rival de Belmonte, toda a lide do touro se baseava no princípio tauromáquico pitorescamente descrito por Lagartijo: «Viene el toro; se no te quitas, te quita el». Isto é, na interpretação pre-belmontina o toureio fazia-se, à custa da velocidade de execução, da agilidade de per­nas, da esquiva hábil à investida do animal. Belmonte, diz-se que por insuficiência física, optou pelo cami­nho inverso. A posição do toureiro passa a ser predo­minantemente estática e a forma de manejar capa ou muleta é que obriga o touro a circular em volta da figura de pés fincados na areia. Com este princípio a técnica e o domínio sobre o touro terão que ser abso­lutos e capas e muletas deverão deslocar-se tão lenta­mente quanto possível, como se estivéssemos peran­te uma inusitada forma de ballet. Assim nasce uma nova arte, melhor dizendo assim o toureio passa a poder plasmar-se numa estética de tal forma dimensionada que se vai revelar quase obsessiva numa plêiade de poetas e artistas. Aliás, nem os românticos se irão afastar. Manolete, outra figura de época, vai elevar esse toureio agora hierático aos seus mais al­tos níveis com toda a carga de tragédia que aparecia já implícita na sua arrepiante expressão artística. Mas muitos hão de ser os toureiros que na definição de Garcia Lorca virão a ser tocados pelo mágico Duende desenhando em instantes fugazes verdadeiras obras primas que perduram uma eternidade em quem tem a felicidade de os contemplar (1)

 

Fernando Teixeira (aqui)

in "Tauromaquia"

Dicionário de História de Portugal- IX

Coordenadores: António Barreto e Maria Filomena Mónica

© Livraria Figueirinhas

 

 

 

 

1. Remeto o leitor que queira aprofundar o tema para Hemingway, Morte ao entardecer, ou para José Bergamin, La musica callada del toreo, Madrid, 1981, Turner, ou para o autor em O touro e o destino, Lisboa, 1994, Instituto de Sociologia e Etnologia, Uni­versidade Nova de Lisboa.

 

 

 

 

 

Paquito

aqui 

 

 

link do postPor VF, às 11:43  comentar

9.5.12

 

 

 

 

  

 


 

 

 

Portugal, 1994

Fotos: Rineke Dijkstra

 

Retrospectiva até 28 de Maio de 2012 aqui 

e de 29 de Junho a 3 de Outubro 2012 aqui

 




A fotógrafa holandesa Rineke Dijkstra (1959, Sittard, Holanda) retrata crianças, adolescentes ou jovens adultos desde o início dos anos de 1990. As suas séries fotográficas parecem pertencer ao âmbito do registo documental, marcado pela observação sociológica e antropológica, mas rapidamente assumem uma leitura estética ou de cariz formal.  Este texto continua aqui

 


 

Em 1993 decidimos visitar Lisboa. Num domingo fui a Vila Franca de Xira com alguns alunos. Chegámos justamente no momento em que os forcados saíam da arena, cobertos de sangue. Tirei algumas fotos com uma simples máquina Polaroid e acontece que as fotos eram tão interessantes que decidi voltar no ano seguinte para fotografar estes rapazes com a minha máquina fotográfica 4x5 polegadas. Entrevista com Rineke Dijkstra aqui

 

 

 

I didn’t stay in touch with the bullfighters. At that time, when I made [these photographs], there was no email. There are different groups; they fight in a village one week, and then the next week, they go somewhere else. So it’s very difficult to track them down. Interview with Rineke Dijkstra here.

 

 

 

 

 

A Pega e os Novos Elementos aqui 

 

A origem dos forcados aqui

 



29.4.12

 

 

 João Branco Núncio

Vila Franca, Portugal 1949

 

 

À portuguesa tradição do toureio a cavalo se referem já crónicas de Strabão, citando os antigos lusitanos como amigos dos jogos hípicos, com touros, e outras que dão notícia de D. Sancho II alanceando touros ao estilo da época, e as de Fernão Lopes em relação a D. Fernando, e as de Garcia de Rezende que descrevem el-rei D. João II no gosto pelas touradas e fazendo frente e matando à espada um touro que em Alcochete lhe saiu ao caminho quando ia com a rainha. Outras crónicas descrevem façanhas do rei D. Sebastião como toureiro a cavalo, e dizem que o neto de Carlos V rojoneou em Cadiz, de abalada para o sonho de Alcácer. E muitos monarcas foram toureiros a cavalo, até D. Miguel que farpeou em Salvaterra, e na praça de Xabregas desta cidade de Lisboa, que teve redondéis no Rossio, no Terreiro do Paço, na Junqueira, no Largo da Anunciada, no local onde está o jardim da Estrela, no Salitre, no Campo de Santana e agora no Campo Pequeno. D. Carlos criou touros e D. Luís e D. Miguel entraram em tourinhas. E quantos fidalgos lanceando e rojoneando nas festas dos nascimentos de príncipes e das suas bodas e nos torneios peninsulares com os continuadores del Cid e de Villamediana, nas Praças Maiores de Espanha, em nobre competência, por sua dama, em alardes de valentia e de pompa pela gente de cada bando, a cavalo e a pé, com as armas e as cores de cada qual! Em Portugal manteve-se e aperfeiçoou-se a Arte de Marialva, tomando o nome do grande senhor e cavaleiro a quem mestre Andrade  dedicou o seu famoso tratado de equitação. Desde aqueles tempos, e até aos nossos dias, têm sido sucessivas as gerações de cavaleiros tauromáquicos. Estes e os forcados são os representantes do toureio português, uma vez que os bandarilheiros, e os antigos «capinhas», quási se limitam a imitar, até na indumentária, os seus iguais de Espanha.

Os cavaleiros  tauromáquicos têm indumentária própria: a casaca bordada e o tricórnio de plumas, e botas altas à Relvas — outro bom cavaleiro, do século XIX, em que brilharam também Mourisca, Tinoco, Castelo Melhor e outros. E os forcados, que, como os campinos, são do Ribatejo, terra dos touros, também vestem de forma característica, e também têm sua arte, porque não é apenas função de força o pegar um touro de cara, de costas ou de cernelha. Há que saber cair na cabeça da fera, evitando a violência do choque quando, para colher, humilha, e depois aguentar-se, «embarbelando» bem, ou, na melhor ajuda, torcendo bem a «pombinha», vértebra da cauda. E para se julgar da arte que pode caber em sorte tão rude, basta ver os últimos grupos de forcados-amadores, como os de Santarém e de Montemor, tão elegantes e pundonorosos, e até alguns profissionais que sabem dar terreno, com ritmo, com graça, como Edmundo e Garrett e os seus valentes conterrâneos do Ribatejo.

E tem ritual a sua aparição com a azémola das farpas, estas em duas arcas cobertas com pano rico, de veludo, que eles desdobram cuidadosamente ante a presidência, que manda recolher as caixas com os ferros para o uso da lide. Depois retiram-se os forcados para saltarem à arena quando o «inteligente» entende que o touro mete bem a cabeça e as hastes permitem a sorte. Os cavaleiros surgem, então, para as cortezias, outrora feitas ao som do hino real, caminhando passo a passo até sob o camarote da presidência, que saúdam em vénia de cabeça descoberta, depois recuando cerimoniosamente, voltando a avançar para se separarem nos cumprimentos ás quatro partes da assistência, ladeando e cruzando-se no meio do redondel, e sempre no cuidado dos cavalos bem ensinados, e na praxe dos movimentos.

 

 

 
 
Pepe Anastasio (aqui)
Algés, Portugal, 1949

 

 

 

Assenta o toureio equestre em três princípios básicos: cravar de alto a baixo, ao estribo e sem deixar tocar a montada. E, de uma maneira geral, além do mérito de equitador, necessita o cavaleiro de ser toureiro, isto é, de conhecer os touros e saber medir os terrenos. Carece o cavaleiro de firmeza de joelhos para as reacções do cavalo, que o deve temer mais a ele que ao touro, boa mão esquerda para mandar rápido, e boa direita para cravar, com pulso para aguentar a resistência, e certeza para encontrar o sítio próprio, com precisão. E o cavalo deve estar ensinado para todo o toureio, especialmente para entrar e sair nas quatro sortes clássicas: de cara, à tira, à meia volta e à garupa. E quando tudo corre bem, em tarde quente de verão, e o público, entusiasmado, aplaude cavaleiros e forcados, estes agradecem juntos, abraçando-se num gesto simbólico do seu convívio nos campos de Portugal — que a ambos dá o pão, o azeite, o vinho, e a alegria de viver ao sol.

 

 

El Terrible Perez

in  "Tauromaquia Portuguesa, Cavaleiros e Forcados"

Revista Panorama Números 25 e 26, Ano de 1945, Volume 5º

 

 

Fotos: Fernando Henrique Lezameta Simões (1920-2011) 

 

 

 

 

 

 capa de Panorama 

Nºs 25 e 26, 1945, Vol. 5º

 

 índice aqui 

 

Excerto do livro ABC da Tauromaquia de El Terrible Pérez, Edições VIC, 1944, aqui

 

 

Excerto do artigo Touradas em Portugal  de Conde de Sabugosa aqui 

 

link do postPor VF, às 10:31  comentar

20.4.12

 

 

 

 
Golegã, Portugal
Foto: Margarida Relvas (finais século XIX)

 

 

 

verso


link do postPor VF, às 14:14  comentar

12.4.12

 

 

 


Untitled Film Still #33, 1979

até 11 de Junho de 2012  aqui.

 

 

link do postPor VF, às 10:08  comentar

21.2.12

 

 

 


Gonçalo Luiz Maravilhas Caldeira Coelho
 Foto/Bilhete-Postal : Furtado & Reis, Lisboa 1928

 

 

 

 

 

Fotografia publicada no livro "Retrovisor, Um Álbum de Família" aqui 

 



link do postPor VF, às 00:40  comentar

5.1.12

 

 

 

 

 

A Tuna Académica da Universidade de Coimbra em 1910-1911

(digressão por Ciudad Rodrigo, Salamanca, Valladolid e Zamora)
 

Foto: J.M. dos Santos, Coimbra.

 

 
 
 
 
 
 
 
Esta fotografia vem da minha família paterna, mais precisamente da família materna de meu pai. António Correia Caldeira Coelho (1888-1977) - irmão da minha avó Rosita - está sentado na terceira fila. É o terceiro a contar da direita. Formou-se em Direito em Coimbra, em 1913, e na sua juventude participou em iniciativas recreativas e culturais, como atestam fotografias e documentos que as suas irmãs conservaram e assim me chegaram às mãos. Não creio que tocasse um instrumento musical. Na margem inferior direita da fotografia é identificado como 'Delegado'.
Leia aqui um artigo que me esclareceu sobre as digressões da Tuna Académica da Universidade de Coimbra por terras de Espanha:
 
Fundada em 1888, surge da popularidade da actividade musical entre os escolares na 2ª metade do Século XIX, que com a extinção da orquestra do teatro académico e com a passagem da Estudantina de Santiago de Compostela por Coimbra sentiram a necessidade de criar um agrupamento musical semelhante não só para retribuir a visita aos estudantes espanhóis mas também para levar Coimbra representada musicalmente a outros centros de Portugal.
 

 

 

 

Outra fotografia de António Caldeira Coelho, uns anos antes, aqui. 

 

 

Tuna Académica da Universidade de Coimbra aqui

 

 

 

 

link do postPor VF, às 23:57  comentar

15.12.11

 

 

 

 

Maquineta Adoração dos pastores*

Século XIX, início

 

 

 

Maquineta de autoria desconhecida, mas que traduz de modo eloquente o gosto pelo presépio no século XVIII português. Nesta tripla Adoração – as Sagrada Família, dos Anjos e dos Pastores – podemos observar que remetem para um certo arcaismo, como a posição das mãos e os cabelos soltos da Virgem, evocação das imagens de Dionísio e António Ferreira, ou a indumentária de dois dos músicos, memória de figurinos seiscentistas.  

 

 

 

* Presépio da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva

 

  Imagem e texto encontrados aqui

 


 


link do postPor VF, às 11:36  comentar

1.12.11

 

 

 
 
José Alvellos, Maria José e Hugo Belmarço
 
foto A.Linares- Alhambra,64 Granada
 
 
 
link do postPor VF, às 16:58  comentar

27.7.11

 

 

 

Portugal, Anos 50


 

 

Veja também aqui

 

 

 

link do postPor VF, às 12:17  comentar


pesquisar neste blog
 
mais sobre mim
Translator
sitemeter
contador sapo