2.7.16

 

 

G red.jpg

 

 

 

galhardia
ga.lhar.di.a
nome feminino
[de galhardo (do provençal antigo galhart, francês gaillard) + ia]

 

A galhardia pode referir-se à beleza ou à distinção, à generosidade, à vivacidade, à robustez ou à bravura. O coloquialismo espanhol trapío (de etimologia incerta; segundo José María de Cossío a palavra terá origem no jargão náutico, no qual designaria o velame), ausente dos dicionários portugueses, embora usado na língua com frequência, sobretudo em contexto tauromáquico, aglutina algumas destas acepções. O Dicionário da Real Academia Espanhola oferece como segunda acepção de trapío a «boa presença e galhardia de um touro de lide». Mas não é esse o primeiro significado listado; nesse primeiro lugar aparece o «ar garboso que costumam ter algumas mulheres».
Não é necessária uma grande investigação para concluir que, relativamente ao touro, na sua «presença e galhardia» se articulam envergadura, beleza, brio e bravura. Relativamente à mulher, a ideia é sobretudo designar a elegância e o porte. A vivacidade e aprumo inerentes à prática de dançar galhardas, popularizadas em Portugal nos salões dos séculos XVI e XVII, deixou algum vestígio no significado de galhardia que toca também o significado de garbo (palavra de origem italiana). A elegância grácil do garbo é, no entanto, designada com acerto por uma outra palavra fora de moda, belíssima por sinal, que aliás nos chegou por via castelhana: donaire.
Seja como for, em Portugal, o termo trapío, usado — sem dúvida por gente com uma organização mental especiosa — para designar o porte garboso da mulher desliza facilmente para a outra acepção: uma mulher com trapío é uma mulher com a envergadura necessária. Que por certo se desenvencilhará com galhardia, seja o que for que isso, no momento, queira dizer.

 

 

 

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19.8.15

 

 

belmonte4--644x362.jpgJuan Belmonte

 

 

 

José Cutileiro.jpg 

 

Melhores dias?

 

 

Paul Kruger, presidente da república do Transvaal, derrotada pelos ingleses na Guerra dos Boers, e Grã Cruz da Ordem de Nossa Senhora da Conceição (nos anos a seguir ao ultimato inglês não morríamos de amores em Portugal pelo nosso aliado mais antigo, além de que havia por toda a Europa grande simpatia pelos africânder, que só passaram a maus depois de inventado e imposto o apartheid em 1948) finou-se exilado na Suíça em 1904, convencido de que a Terra era plana: forte leitor da Bíblia e fraco leitor de tudo o resto, passara pelos feitos de Fernão de Magalhães e Galileu Galilei como cão por vinha vindimada e ficara-se pela interpretação que dera ao evangelho.

 

Presumo que hoje, por causa de fotografias tiradas de naves espaciais, não ficaria na sua. Nenhum dos 17 candidatos a candidato do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos na eleição do ano que vem (17 quando escrevo; quando a leitora me ler poderá já haver mais) até agora o fez. Ora como, por um lado, parte deles é gente cujo catecismo, sem interferência exterior, a levaria a essa crença e todos eles são gente pronta a declará-la mesmo que não a sintam se tal fizesse ganhar votos em Novembro de 1916 na Cintura Bíblica do Sul dos Estados Unidos, é de supor que, pelo menos nisso, o Partido Republicano profundo – a gente da Festa do Chá; a gente que iça a bandeira da Confederação esclavagista batida na guerra do Norte contra o Sul em 1865 – se curvou a algumas evidências científicas que travejam hoje o entendimento do mundo.

 

Reconheço ser difícil. Tirar a Terra do centro do mundo e pô-la a transladar à roda do Sol deu tonturas metafísicas no século XVII mas isso é café pequeno comparado com o que nos cabe a nós. Sabemos hoje que há no Universo milhões de nebulosas como a nossa – a Via Láctea - as quais têm cada uma milhões de estrelas, a milhões de anos-luz umas das outras, muitas com planetas orbitando-as. É difícil de imaginar. Simples questão de magnitude ou, olhando para a Terra, de insignificância? Parece que não. Eu sou ateu mas católicos com cabeças bem melhores do que a minha dizem-me que nada disso torna mais ou menos provável o Deus de Abraão, Isaac e Jacob.

 

Porque a gente pensa em muitas outras coisas. Há anos, em impressos da Universidade da Califórnia, quem se matriculasse punha uma cruz em “macho” ou “fêmea”. Hoje tem 6 escolhas: macho, fêmea, gay, transsexual macho, transsexual fêmea, outra – tal é a largueza do reino de Deus. Além disso, cada pessoa tem vida e morte suas e que se lixem os biliões de estrelas. Juan Belmonte, com problema numa perna, inventou o toureio parado (aquele que vigora há quase 100 anos). Não foi morto na praça por um touro como o seu mais mexido rival, Gallito. Cortou a coleta e, glória nacional, aos 70 anos apaixonou-se por rejoneadora colombiana linda, 50 anos mais nova: ela deu-lhe tampa e ele deu um tiro na cabeça. (A pequena depois dizia que não tinha sido bem assim mas assim ficou para a História).

 

 

 

 


25.7.14

 

Folhas dos álbuns de Fernando Lezameta Simões:

Rallye de Miramar:

 

Miramar 1949-1

Miramar 1949-2

 

 

 

 

 

  III Cintra Rampa 1950:

 

 

III Cintra (Rampa) 50

 

 

Capa de álbum: 

 

Fernando L.Simões 1949 capa

 

 

  

Veja mais fotografias nos posts

Fernando Lezameta Simões

Cascais (1950)

Ofir (1949)

Rallye Lisboa (Estoril) 1950

Tauromaquia Portuguesa

revolução da arte 

Amália Rodrigues (1949)

 

 

 

Agradeço mais uma vez a Rita Simões Saldanha que disponibilizou generosamente os álbuns do pai para digitaliação e partilha neste blog.

 

 

 

 

Notas:

 

O “II Rallye de Miramar” teve lugar em redor da praia de Miramar (Vila Nova de Gaia) no norte de Portugal, entre 26 e 28 de Agosto de 1949, com partida de Cacilhas. 

 

A prova, promovida pela secção regional Norte do “Automóvel Clube de Portugal”, foi vencida pela equipa formada por Jorge Seixas e Martinho Lacasta, num «Allard» M Type. 

 

Agradecimentos aos blogs HeróisRestos de Colecção e João Saldanha, neto de Fernando Lezameta Simões.

 

 

 

 

 

 

 


14.5.14

 

 

 

Domingo Ortega

 

 

 

 

 

 

O saber dos antigos

 

 

“Os velhos mestres estabeleceram as regras” lembrou o professor, irritado com modernices do caloiro. “Quando eram novos” disparou o caloiro e pensou com os seus botões: Game, set and match. Era numa escola de belas-artes de Londres, passou-se há mais de meio século e o professor já era anacrónico.

 

Nas artes plásticas, a boa-vai-ela tinha começado em França, com “O Salão dos Recusados” dos impressionistas em 1863. Pintura, escultura, desenho não pararam desde aí de viver em sobressalto; arquitectura e artes decorativas entraram também na voragem (incluindo a fantasia de Gaudi em Barcelona, inimitável à época porque em Paris ou Londres ou Berlim a mão de obra era muito mais cara do que na Catalunha). Na música e artes conexas, na literatura, o vendaval começara um pouco mais tarde mas o vento também não caiu ainda.

 

Antes, tudo fora diferente. Numa conferência pronunciada no Ateneo de Madrid, em 1950, sob o título “El Arte del Toreo” (desculpando-se por ter ousado saltar de espontâneo para arena tão sábia) o grande matador Domingo Ortega definiu génio como a acção de uma personalidade excepcional dentro de normas que são eternas. Desde o começo do toureio a pé – prática plebeia libertada no século XVIII do toureio equestre dos fidalgos – segundo Ortega, as normas da arte eram quatro: parar, templar, cargar y mandar. E dizem-me que continuam a sê-lo nos nossos dias. (Ao contrário do que acontece noutras artes, em tauromaquia há limites impostos pela realidade ao sucesso, até à própria viabilidade do experimentalismo. Como lembrou Jacques Lacan num momento raro de lucidez: “Le réel c’est quando on se cogne”).

 

O que aconteceu às artes aconteceu à educação. Durante milénios educar crianças consistia em tentar fazer com que os filhos ficassem iguais aos pais e as filhas iguais às mães. Na Europa e nos Estados Unidos da América, a revolução industrial inglesa e a revolução política francesa acabaram com essa simplicidade. A complexidade que lhe sucedeu e a pouco-e-pouco se espalhou por todo o mundo foi-se tornando mais variada, alargando-se agora às virtualidades do mundo digital. Toca a todos, premeia algumas originalidades e quando a Áustria, que perdeu o império na Primeira Guerra Mundial e os judeus na Segunda — isto é, que ficou sem corpo nem alma — se reencontra num transsexual com voz de soprano e barba de Capitão Haddock, talvez “normas eternas” tenham ido parar às urtigas — ou talvez os austríacos estejam enfim em paz uns com os outros e com o mundo.

 

Mas aprendi muito com a velhice: com a dos outros, em novo, mais do que com a minha, agora. Até coisas práticas. Quando o PREC nacionalizou Pancada & Moraes e o meu chorado Albaninho Costa Lobo levou grande rombo financeiro não lhe ouvi queixas mas notei uma mudança sensata. Antes de almoço no Belcanto passou a mandar pôr no copo whisky Red Label e não, como antes, Black Label (quer um quer outro com água lisa natural). Talvez gente nova não fosse tão avisada.

 

 

 

Imagem: aqui

 

 

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31.5.12

 

 

Algés, Portugal, 1949

Mais sobre Amália Rodrigues neste blog aqui e aqui

 

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27.5.12

 

 

 
Pablo Picasso
1er Carnet #VIII (8.7.1959)

 

[...] El contacto con el toro bravo es lo que nos hace toreros. Quizá sea el contacto con su soledad en el campo, lo que hace que el hombre se vaya consolidando en su carácter. Y en este caso, al referirme al hombre, he de hacer alusión directa de mí, ya que, al pedirme estas cuartillas, quisieron hacerme protagonista del relato. Supe también en el campo y en este contacto con lo que el público llama la fiera, lo que debía rehuir para no convertirme en lo que Antonio Machado llamaba: « España de charanga y pandereta, cercado y sacristía, devota de Frascuelo y de María, de espíritu burlón y de alma quieta». Supe desde el primer momento que buscaría algo más, que encontraría otras inquietudes en mi vida. No admito la carnavalada más que en las máscaras de Goya o de Solana. Estoy más cerca de la pintura negra Goyesca, que de la fiesta en la Pradera de San Isidro. En él campo castellano fui puesto en contacto con esa España más profunda, que es la España del campo en donde no cabe el oropel, porque las vestiduras son de cuero, en donde no sirven las panderetas, porque su tamborileo sería borrado por la profundidad de su horizonte. Conocí a la par a los hombres que a nadie engañan, porque nacieron ayunos de aspiraciones por una tradición de inexplicable resignación, porque nadie les ha querido despertar sus conciencias. Y conocí a la par al toro, alejado del albero de la plaza, en donde assume el papel de antagonista en este festejo, en el que el papel de protagonista, de héroe legendario, se le ha atribuido al torero. Y estoy conforme — ¿por qué no? — en el reparto que en la Gran Comedia Humana, me ha tocado en suerte o en desgracia representar.

En un herradero, en una tienta, en cualquiera de esas faenas que hay que realizar antes de que el toro se encuentre en condiciones de ser lidiado, puede estar el secreto de la trascen­dencia con que tratamos de revestir a este espectáculo de multitudes, espectáculo capaz de despertar pasiones insospechadas. Si no le diésemos, si no revistiésemos a la corrida de la precisa trascendencia, no resultaría serio — ya lo he dicho en otras ocasiones — que un hombre con unas medias rosas, luche con un toro en medio de una plaza, y todo esto en plena Era atómica; a primera vista no parece serio.

Pero algo más que la simple pandereta, hay en las entrañas de esta fiesta. Algo más existe, efectivamente, si sus protagonistas tienen algo más que lo superficial. Sin embargo, no puede evitarse que como frivolidad sea tomado a veces, un espectáculo que es la lucha a muerte entre toro y torero. Pues sí, es un juego, casi una frivolidad, para el pueblo más familiarizado con la muerte que haya existido jamás: España. 

 

 

Luis Miguel Dominguín

in Picasso, Toros y Toreros

© 1980 Alpine Fine Art Collection, Ltd, 

New York, New York

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22.5.12

Corrida de touros em Espanha, Anos 40

formato 4,5 x 3 cm (Instanta)

 

 

 

.....
1.os aguacilillos                                                              2.cortejo
......
3.picador                                                                         4.sorte de bandarilhas
 ......
5.sorte de bandarilhas                                                     6. sorte de muleta
 
Fotos: António Sérgio Carneiro Bustorff Silva (1923-2001)
Corrida de toros aqui
 
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16.5.12

 

 

 

 

 João Branco Núncio c. 1930

 Foto: Mário Novais

aqui

 

 

[...] a par da «revolução» belmontista, também a nossa tourada sofrera importantes altera­ções forçadas por essa excepcional figura de cavalei­ro que foi João Branco Núncio. Cerca do final dos anos 20, totalmente coadjuvado pelo inesquecível Simão da Veiga e por outros jovens artistas, João Núncio decide pôr termo à prática do «touro corri­do». De facto, passa-se a exigir que para a lide a ca­valo tal como para o toureio clássico saiam reses que nunca tenham sido toureadas. A medida acaba por ser aceite e com ela, tal como acontecera com a «re­volução» belmontista, aumenta decisivamente o in­teresse artístico da nossa tourada. Mas, note-se que por essa ocasião os touros utilizados nas corridas eram por via de regra animais autóctones cuja selecção não contemplava em especial os problemas de casta ou nobreza. Significativamente e quando começam a surgir em Espanha touros bem adaptados ao toureio post-belmontista, também por cá os ganadeiros inici­am idêntico caminho. Nos anos 40 e 50 eram fre­quentes os cartazes em que se anunciavam com certo orgulho touros de «casta espanhola». E, porque um animal de investida suave e persistente é capaz de permitir uma melhor exploração artística da sua lide, atinge-se nessa ocasião (anos 40) um dos vários pon­tos máximos do nosso toureio a cavalo.

 

Fernando Teixeira

in "Tauromaquia" Dicionário de História de Portugal- IX

Coordenadores: António Barreto e Maria Filomena Mónica

© Livraria Figueirinhas

 

 


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12.5.12

 

 

 

 

Paquito 

Vila Franca, Portugal, 1949

 

 

 

[Nos anos 30 do século XX] A salvação da festa vai provir duma outra evolução decisiva da lide [...]. Trata-se da revolução da arte de tourear, criada pelo célebre diestro Juan Belmonte. Pode dizer-se que antes des­te, e mesmo quando praticada por verdadeiras figu­ras da época como o famoso Guerrita ou como o malogrado Joselito, afinal o maior rival de Belmonte, toda a lide do touro se baseava no princípio tauromáquico pitorescamente descrito por Lagartijo: «Viene el toro; se no te quitas, te quita el». Isto é, na interpretação pre-belmontina o toureio fazia-se, à custa da velocidade de execução, da agilidade de per­nas, da esquiva hábil à investida do animal. Belmonte, diz-se que por insuficiência física, optou pelo cami­nho inverso. A posição do toureiro passa a ser predo­minantemente estática e a forma de manejar capa ou muleta é que obriga o touro a circular em volta da figura de pés fincados na areia. Com este princípio a técnica e o domínio sobre o touro terão que ser abso­lutos e capas e muletas deverão deslocar-se tão lenta­mente quanto possível, como se estivéssemos peran­te uma inusitada forma de ballet. Assim nasce uma nova arte, melhor dizendo assim o toureio passa a poder plasmar-se numa estética de tal forma dimensionada que se vai revelar quase obsessiva numa plêiade de poetas e artistas. Aliás, nem os românticos se irão afastar. Manolete, outra figura de época, vai elevar esse toureio agora hierático aos seus mais al­tos níveis com toda a carga de tragédia que aparecia já implícita na sua arrepiante expressão artística. Mas muitos hão de ser os toureiros que na definição de Garcia Lorca virão a ser tocados pelo mágico Duende desenhando em instantes fugazes verdadeiras obras primas que perduram uma eternidade em quem tem a felicidade de os contemplar (1)

 

Fernando Teixeira (aqui)

in "Tauromaquia"

Dicionário de História de Portugal- IX

Coordenadores: António Barreto e Maria Filomena Mónica

© Livraria Figueirinhas

 

 

 

 

1. Remeto o leitor que queira aprofundar o tema para Hemingway, Morte ao entardecer, ou para José Bergamin, La musica callada del toreo, Madrid, 1981, Turner, ou para o autor em O touro e o destino, Lisboa, 1994, Instituto de Sociologia e Etnologia, Uni­versidade Nova de Lisboa.

 

 

 

 

 

Paquito

aqui 

 

 

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9.5.12

 

 

 

 

  

 


 

 

 

Portugal, 1994

Fotos: Rineke Dijkstra

 

Retrospectiva até 28 de Maio de 2012 aqui 

e de 29 de Junho a 3 de Outubro 2012 aqui

 




A fotógrafa holandesa Rineke Dijkstra (1959, Sittard, Holanda) retrata crianças, adolescentes ou jovens adultos desde o início dos anos de 1990. As suas séries fotográficas parecem pertencer ao âmbito do registo documental, marcado pela observação sociológica e antropológica, mas rapidamente assumem uma leitura estética ou de cariz formal.  Este texto continua aqui

 


 

Em 1993 decidimos visitar Lisboa. Num domingo fui a Vila Franca de Xira com alguns alunos. Chegámos justamente no momento em que os forcados saíam da arena, cobertos de sangue. Tirei algumas fotos com uma simples máquina Polaroid e acontece que as fotos eram tão interessantes que decidi voltar no ano seguinte para fotografar estes rapazes com a minha máquina fotográfica 4x5 polegadas. Entrevista com Rineke Dijkstra aqui

 

 

 

I didn’t stay in touch with the bullfighters. At that time, when I made [these photographs], there was no email. There are different groups; they fight in a village one week, and then the next week, they go somewhere else. So it’s very difficult to track them down. Interview with Rineke Dijkstra here.

 

 

 

 

 

A Pega e os Novos Elementos aqui 

 

A origem dos forcados aqui

 



6.5.12

 

 

 

 

 

 

Brinquedos populares inspirados na arte de tourear 

 

 

 

Fotos: Horácio Novaes
Revista Panorama (1945)

 

 

 

Grotescos toureiros farpeando, movimentam-se pelo afrouxar e retesar de cordéis, accionados por uma esfera de barro que se faz oscilar em movimento de pêndulo. Em muitos desses objectos recreativos, fabricados a trouxe-mouxe para divertimento das crianças de parcos recursos, as duas placas independentes, em que assentam o touro e o toureiro, são forçadas a giro circulatório, impulsionadas pelo rodar de uma simples carreta que os petizes puxam numa plenitude de entusiasmo. E os bonifrates azougados — como peças de fogo preso em arraial minhoto — bandarilham com fúria, mexendo exaustivamente os braços e a cabeça, enquanto o touro, circungirando, distribui chavelhadas a esmo...

 

 

 

Guilherme Felgueiras

In “Os Touros na Arte Popular” 

Revista Panorama Números 25 e 26, Ano de 1945, Volume 5º  aqui 

 

 

 

 

 


Estúdio Horácio Novais 

aqui

 

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29.4.12

 

 

 João Branco Núncio

Vila Franca, Portugal 1949

 

 

À portuguesa tradição do toureio a cavalo se referem já crónicas de Strabão, citando os antigos lusitanos como amigos dos jogos hípicos, com touros, e outras que dão notícia de D. Sancho II alanceando touros ao estilo da época, e as de Fernão Lopes em relação a D. Fernando, e as de Garcia de Rezende que descrevem el-rei D. João II no gosto pelas touradas e fazendo frente e matando à espada um touro que em Alcochete lhe saiu ao caminho quando ia com a rainha. Outras crónicas descrevem façanhas do rei D. Sebastião como toureiro a cavalo, e dizem que o neto de Carlos V rojoneou em Cadiz, de abalada para o sonho de Alcácer. E muitos monarcas foram toureiros a cavalo, até D. Miguel que farpeou em Salvaterra, e na praça de Xabregas desta cidade de Lisboa, que teve redondéis no Rossio, no Terreiro do Paço, na Junqueira, no Largo da Anunciada, no local onde está o jardim da Estrela, no Salitre, no Campo de Santana e agora no Campo Pequeno. D. Carlos criou touros e D. Luís e D. Miguel entraram em tourinhas. E quantos fidalgos lanceando e rojoneando nas festas dos nascimentos de príncipes e das suas bodas e nos torneios peninsulares com os continuadores del Cid e de Villamediana, nas Praças Maiores de Espanha, em nobre competência, por sua dama, em alardes de valentia e de pompa pela gente de cada bando, a cavalo e a pé, com as armas e as cores de cada qual! Em Portugal manteve-se e aperfeiçoou-se a Arte de Marialva, tomando o nome do grande senhor e cavaleiro a quem mestre Andrade  dedicou o seu famoso tratado de equitação. Desde aqueles tempos, e até aos nossos dias, têm sido sucessivas as gerações de cavaleiros tauromáquicos. Estes e os forcados são os representantes do toureio português, uma vez que os bandarilheiros, e os antigos «capinhas», quási se limitam a imitar, até na indumentária, os seus iguais de Espanha.

Os cavaleiros  tauromáquicos têm indumentária própria: a casaca bordada e o tricórnio de plumas, e botas altas à Relvas — outro bom cavaleiro, do século XIX, em que brilharam também Mourisca, Tinoco, Castelo Melhor e outros. E os forcados, que, como os campinos, são do Ribatejo, terra dos touros, também vestem de forma característica, e também têm sua arte, porque não é apenas função de força o pegar um touro de cara, de costas ou de cernelha. Há que saber cair na cabeça da fera, evitando a violência do choque quando, para colher, humilha, e depois aguentar-se, «embarbelando» bem, ou, na melhor ajuda, torcendo bem a «pombinha», vértebra da cauda. E para se julgar da arte que pode caber em sorte tão rude, basta ver os últimos grupos de forcados-amadores, como os de Santarém e de Montemor, tão elegantes e pundonorosos, e até alguns profissionais que sabem dar terreno, com ritmo, com graça, como Edmundo e Garrett e os seus valentes conterrâneos do Ribatejo.

E tem ritual a sua aparição com a azémola das farpas, estas em duas arcas cobertas com pano rico, de veludo, que eles desdobram cuidadosamente ante a presidência, que manda recolher as caixas com os ferros para o uso da lide. Depois retiram-se os forcados para saltarem à arena quando o «inteligente» entende que o touro mete bem a cabeça e as hastes permitem a sorte. Os cavaleiros surgem, então, para as cortezias, outrora feitas ao som do hino real, caminhando passo a passo até sob o camarote da presidência, que saúdam em vénia de cabeça descoberta, depois recuando cerimoniosamente, voltando a avançar para se separarem nos cumprimentos ás quatro partes da assistência, ladeando e cruzando-se no meio do redondel, e sempre no cuidado dos cavalos bem ensinados, e na praxe dos movimentos.

 

 

 
 
Pepe Anastasio (aqui)
Algés, Portugal, 1949

 

 

 

Assenta o toureio equestre em três princípios básicos: cravar de alto a baixo, ao estribo e sem deixar tocar a montada. E, de uma maneira geral, além do mérito de equitador, necessita o cavaleiro de ser toureiro, isto é, de conhecer os touros e saber medir os terrenos. Carece o cavaleiro de firmeza de joelhos para as reacções do cavalo, que o deve temer mais a ele que ao touro, boa mão esquerda para mandar rápido, e boa direita para cravar, com pulso para aguentar a resistência, e certeza para encontrar o sítio próprio, com precisão. E o cavalo deve estar ensinado para todo o toureio, especialmente para entrar e sair nas quatro sortes clássicas: de cara, à tira, à meia volta e à garupa. E quando tudo corre bem, em tarde quente de verão, e o público, entusiasmado, aplaude cavaleiros e forcados, estes agradecem juntos, abraçando-se num gesto simbólico do seu convívio nos campos de Portugal — que a ambos dá o pão, o azeite, o vinho, e a alegria de viver ao sol.

 

 

El Terrible Perez

in  "Tauromaquia Portuguesa, Cavaleiros e Forcados"

Revista Panorama Números 25 e 26, Ano de 1945, Volume 5º

 

 

Fotos: Fernando Henrique Lezameta Simões (1920-2011) 

 

 

 

 

 

 capa de Panorama 

Nºs 25 e 26, 1945, Vol. 5º

 

 índice aqui 

 

Excerto do livro ABC da Tauromaquia de El Terrible Pérez, Edições VIC, 1944, aqui

 

 

Excerto do artigo Touradas em Portugal  de Conde de Sabugosa aqui 

 

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27.4.12

 

 

 

Portugal, anos 40

 

 

 

Corrida de touros à portuguesa aqui 


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24.4.12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Portugal, anos 40

 

 

Fotos: António Sérgio Carneiro Bustorff Silva (1923-2001) 

 

 

Tenta, s.f. (de tentar)

Corrida de novilhos logo depois da ferra e da enchocalhação, para diversão ou para lhes experimentar a disposição para as lides tauromáquicas: "Um e outro, no entanto,... dos que aparecem nas tentas do Ribatejo e nas touradas de caridade lá poderiam, posto de banda de que picar touros é modo de vida humilhante... entrar francamente na vida do trasteio...", Fialho de Almeida, À Esquina, 54. // Taur. Operação que tem por fim verificar a bravura das bezerras que hão de ser escolhidas para a reprodução; faz-se em pátio fechado e com um picador que as castiga, para verificar a sua reacção.

 

Grande Dicionário da Língua Portuguesa António de Morais Silva

Vol. X

Editorial Confluência

 

 


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20.4.12

 

 

 

 
Golegã, Portugal
Foto: Margarida Relvas (finais século XIX)

 

 

 

verso


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