18.12.16

 

 

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Em tempos, quando o Menino Jesus, ou tu, faziam anos, a família e os amigos da casa ofereciam-te objectos desconcertantes e inúteis, chamados brinquedos. Tu, está claro, ficavas muito contente com os presentes, por virem embrulhados em papéis vistosos, por constituírem uma novidade, aliás provisória (lamentável defeito da novidade!) mas principalmente por ser costume ficarmos contentes quando alguém nos oferece qualquer coisa. Na verdade, ou seja, no dia seguinte (a verdade só é completa no dia seguinte), verificavas que os tais brinquedos não correspondiam às tuas secretas ambições. Ah! O dia seguinte do brinquedo! Como é rápida a decadência do brinquedo, uma vez arrancado ao arranjo da montra da loja, onde brilhou, rodeado por outros brinquedos, valorizado por luzes hipócritas! Os brinquedos deviam ficar eternamente na suas caixas bonitas, ou penduradas nos tectos dos estabelecimentos para serem apontados pelos dedos indicadores dos meninos. É raro um brinquedo corresponder à imaginação da criança que o recebe. Deves lembrar-te de que, por volta dos teus seis anos, não achavas graça nenhuma a um boneco, por mais bonito que ele fosse. Eu, pelo menos, não achava. O que eu queria era um martelo verdadeiro para pregar pregos verdadeiros onde me apetecesse. A lei natural dos contrastes convida as crianças a desejarem ser adultas. Por exemplo: um cavalo vivo, com arreios de “cow-boy”, é artigo muito querido de todos os meninos. Pistolas autênticas, das que dão tiros homicidas, bicicletas de duas rodas, serrotes, etc., são objectos apreciadíssimos pela infância, que também aceita, resignadamente, as respectivas imitações, de lata, de três rodas, e sem dentes.

 

 

 

Olavo 2.jpg

 

 

 

Tenho um amigo um bocado parecido comigo nestes assuntos de educação infantil. Tem dois filhos a quem tudo permite e a quem gostaria de realizar todos os sonhos. Há tempo, um dos pequenos pediu-lhe um serrote com dentes afiados, e o pai fez-lhe a vontade. O serrote marcou época em casa do meu amigo. Vários móveis de estimação foram serrados pelo garoto que, trocadilho aparte, tem «bicho carpinteiro». O pai do serrador desgostou-se com a proeza do filho e julgo que lhe tirou o serrote. Mas teve desgosto quando lhe tirou o serrote. Disse-me, confidencialmente, que nunca mais o seu querido filho teria um brinquedo que lhe desse satisfação comparável à daquele serrote verdadeiro. «Resta saber — concluiu — se é melhor evitar a perda de móveis insubstituíveis ou a perda duma partícula da alegria de viver do meu filho». Mas, repito, não ê possível apertar em tão poucas linhas a extensa filosofia do brinquedo.

 

 

 

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[...] As crianças portuguesas já trazem de longe, quando nascem, uma indisciplina, uma desordem que não lhes consente manusear dinamite sem perigo de explosões. Logo, não as podemos presentear, aos dez anos, como acontece aos meninos alemães, com espingardas de tiro rápido, nem com cavalos de carne e osso, como é uso conceder às crianças inglesas. Sejamos prudentes com os nossos filhos, deliciosamente meridionais, imaginativos e bravos! Fabriquemos, para eles, alguns brinquedos mansos e já consagrados, mas tanto quanto possível aportuguesados.

 

 Olavo d’Eça Leal

in Revista Panorama, número 12, ano 2º, 1942

 

 

 

 

Olavo-dEa-Leal10.jpg

 

Olavo d’Eça Leal (1908-1976) pertenceu à geração de intelectuais e artistas portugueses que colaboraram na revista Contemporânea e no Salão dos Independentes. Escritor e célebre radialista da Emissora Nacional, a sua obra inclui o teatro, a poesia, as artes plásticas, a ficção e a literatura infantil. Escreveu e produziu dezenas de peças para a rádio e televisão, foi jornalista, ilustrador, e coleccionador ecléctico.

 

Em 1939 publica um livro para crianças, Iratan e Iracema, os Meninos mais Malcriados do Mundo, com ilustrações de Paulo Ferreira, que recebe o prémio Maria Amália Vaz de Carvalho. Esta história ao jeito de folhetim radiofónico infantil foi lida pelo autor aos microfones da Emissora Nacional no programa "Meia Hora de Recreio" em trinta e oito fragmentos. Em 1943 é editada a sua História de Portugal para os Meninos Preguiçosos (1943) ilustrada por Manuel Lapa.

 

Desenhos, pinturas, livros e objectos de Olavo d’Eça Leal reunidos ao longo dos últimos quarenta anos pelo seu filho Tomaz encontram-se expostos na Casa da Pinheira [The House of the She-Pine Tree] - Casa-Museu e Guest House situada numa antiga quinta do século XIX próximo da aldeia do Sabugo.

 

 

 

 

 

Agradecimentos: Tomaz d’Eça Leal, Casa da Pinheira , Hemeroteca DigitalAlmanak Silva, Restos de Colecção, JuvenilbaseWikipedia

    

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17.9.16

 

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algo
al.go
pronome indefinido
advérbio
(do latim aliquod, «alguma coisa»)

 

O étimo de «algo» é a forma neutra de aliquis, de onde se originou a palavra «alguém». A muito antiga palavra fidalgo constitui uma reminiscência dessa genealogia: resulta de fi(lho) + de + algo, sendo «algo» aqui equivalente a «alguém», como quando se diz aos filhos para estudarem para serem «alguém», ainda que desprovidos de fidalguia. Como pronome indefinido, significando «alguma coisa», o termo tem tido um incremento notável. O seu uso faz mesmo parecer que as formas «alguma coisa» ou «qualquer coisa» estão contaminadas de um plebeísmo a evitar; faz figura de linguagem elevada. Há mesmo quem adopte o termo em regime de exclusividade. A marca de chocolates Ferrero Rocher tem culpas no cartório. Todos se lembram daquele anúncio em que uma senhora diz ao motorista «Ambrósio, apetecia-me tomar algo», frase que tem aliás dado azo às mais descabeladas versões. Com ajuda da patroa do Ambrósio ou não, o certo é que «algo» parece ter caído no goto das massas falantes: «aconteceu algo» ou «tenho algo a dizer» ou «ele fez algo de bom». Os próprios dicionários impam, repletos de «algos». Não se tratando de obscenidade, modismo, ou incorrecção, é apenas causa de prurido ou caso de irritação, agravada quando alastra, como nódoa, à escrita e aos seus práticos. Menor favor dos utentes da língua parece merecer o uso do termo como advérbio – como na frase «Caro senhor, achei o seu texto algo insosso» –, no sentido de «um pouco» ou «um tanto». Enfim, é das tais coisas para as quais não se vê saída, ao contrário da Lanalgo, que tinha cinco entradas para uma saída feliz.

 

 

 

 

 

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6.7.16

Xarope_de_Capile.jpg

 

 

 

 

José Cutileiro.jpg

 

 

 

Errata

 

 

 

Sempre tive dificuldades com a ortografia de nomes. De gentes e de sítios. Escrevi uma vez Camões com z no fim, abaixo de O homem que for sisudo/Numa tão grande questão/Terá de tomar por escudo/A justiça e a razão/Que estas armas vencem tudo, versos que escolhera para citação de abertura em apontamento douto e terso sobre política europeia  -  mas dei por isso e emendei antes de o mandar por e-mail ao seu ilustre destinatário. Outra vez, há muito mais tempo, numa série de textos publicitários curtos, encomendados por Eduardo Calvet de Magalhães, escrevi várias vezes Carcave-los, como se carcaver fosse um verbo, mas também dei por isso antes de os entregar, comentando o percalço com Calvet. (Lembrando-me dele agora, ressinto a injustiça do seu esquecimento. O mano Manuel, pedagogo, tal renome teve que lhe deram nome de rua e tudo. O nome do mano José, embaixador, é venerado no Palácio das Necessidades como uma das sumidades diplomáticas da segunda metade do nosso século XX. Do Eduardo ninguém fala, embora tenha introduzido a publicidade moderna em Lisboa e no Porto e, entre a chegada da Canada Dry e a chegada da Coca Cola, ter imaginado o refrigerante que mais conviria a Portugal - capilé gaseificado - para publicidade do qual até inventara slogan: “A bebida que lhe corre nas veias”).

 

Na semana passada tornei a disparatar: chamei a Louise de Vilmorin, Louise de Villemorin. Quando dei por isso, avisei a Vera que corrigiu logo no blog e, por conseguinte, o bloco que anda no éter (é assim que se deve dizer?) está como deveria estar mas as poucas amigas e amigos a quem todas as semanas mando directamente o pdf  – ces êtres malhereux, aimables, charmants, point hypocrites, point “moraux”, assim lhes poderia haver chamado Stendhal, ou We few, we happy few, we band of brothers proclamaria talvez, imune a correcção política, Shakespeare quando estava em ‘mode’ heroico  ficaram com o erro por corrigir. A todas e a todos, quer tenham lido esse Bloco-Notas quer não e, se o leram, quer tenham dado pelo disparate quer lhes tenha escapado, aqui e agora deixo o nome bem soletrado da amante principal de Duff Cooper em Paris (mais tarde amante de André Malraux que depois da morte dela herdou no leito sua sobrinha Sophie, também de Vilmorin, conta esta num livro).

 

Assobios para o lado, tudo quanto escrevi acima. André Gide dizia, no Paris dos anos 20 do século passado –“ les années folles” – que às vezes lhe parecia haver mais artistas do que obras de arte. Em Portugal - na Europa - de 2016, às vezes parece haver mais comentadores do que factos a comentar. Sou suspeito por ser eu próprio comentador mas ao acordar de manhã já o mundo está a ser batido em gigantesca montanha de claras em castelo, perfumadas com o aroma do dia. Omnipresente mas efémera conversa de treinadores de bancada, lembra o mano João, com Schadenfreude de quem arranca ternas figuras à brutidão dos calcários e nelas deixa os seus estados de alma per omnia secula seculoram. Amen.

 

 

 

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12.5.15

 

 

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Surge finalmente uma bonita colecção a preço acessível que vem colmatar a quase total ausência de obras de referência sobre a história do design contemporâneo em Portugal.

 

A Colecção Design Português, constituída por 8 volumes organizados cronologicamente, apresenta-se como a primeira história do design nacional desde o início do século XX até à actualidade nas mais diversas áreas de intervenção. Reúne os principais designers portugueses e descreve, em cerca de 800 páginas, a evolução do design, o seu contexto histórico, as modalidades da sua prática e os debates teóricos que acompanham a institucionalização desta disciplina.

O último volume sai hoje com o Público.

 


COLECÇÃO DESIGN PORTUGUÊS

Coordenação de José Bártolo

Edição ESAD e Verso da História, com a chancela do Ano do Design Português

Distribuição com jornal Público, todas as terças-feiras, até 12 de maio

 

 

Volume 1: 1900-1919 | Maria Helena Souto
Volume 2: 1920-1939 | Rui Afonso Santos
Volume 3: 1940-1959 | Maria João Baltazar
Volume 4: 1960-1979 | Victor M. Almeida
Volume 5: 1980-1999 | Helena Sofia Silva
Volume 6: 2000-2015 | José Bártolo
Volume 7: Cronologia 1900-1959 | José Bártolo
Volume 8: Cronologia 1960-2015 | José Bártolo

 

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3.4.15
 
 
My Years in Angola (1950-1970)
Andries Pieter van der Graaf
 
Other posts:
 

 

Besides food (Mozambique tea - chá licungo - , and cashew nuts should also be mentioned), drinks and textiles, there was an assortment of other articles, which pretty well matched the range of articles in the "mercearias" (general stores) in the interior and in the city. These were: storm lanterns, primus stoves, chopping knives, hoes, corrugated panels, plumbing, floor covering, sewing machines, iceboxes, bicycles. In the shop window was a graphic poster of a Raleigh bicycle, with a native on it, chased by a lion. Many Velosolex (motorized bicycles) were also imported, but more in Lobito than to Luanda, where the roads were too steep. In the first years, copper wire, beads and other decorative articles were important. Importing of beads was arranged through Amsterdam from Italy ("missangas"), and from Czechoslovakia ("contas").

 

 

 

 

 

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 poster of a Raleigh bicycle

 

 

Angola is generally a "price market," but Bacalhau is an exception to this rule. Bacalhau (dried cod) the way the Portuguese like it, is Clipfish, dried on rocks (Stockfish is dried hanging on wooden racks). Codfish came mainly from Norway, with occasional shipments from Iceland and Scotland. For dried cod, or "o fiel amigo" (the faithful friend) as the Portuguese call it, quality is the top requirement, since they are so fond of Bacalhau that no feast day may be celebrated without it, e.g., Christmas.

 

 

In the warehouse

 

 In the warehouse

 

What with one thing and another, the months of November and December were always exceptionally busy for anyone who had anything to do with the "armazém" (warehouse). During this period, a great deal of work was done by the native assistants in the warehouse, and when the bonuses were handed out, they were given extra consideration too. There were some very strong men among them, I especially remember "Maximbombo", the native word for "bus", commonly used in Angola. Many of the natives have Portuguese, or Portuguese-derived names, but there are exceptions to this. For example, Van Dunen harks back to the Dutch administrator Van Duinen; Fançoni to Van Zon, etc. One particularly good tribe came from the Bailundo area, who didn't speak Kimbundo, as they do in the North, but Umbundu. As employees, the natives were still very subservient, something which was to change a great deal in the next decade; they also had very few rights, notwithstanding the official policy of equality and assimilation. The economic colour barrier was enormous.

 

 

 

Luanda was still small. Behind the Avenida Brito Godins, where our "residencia" was situated, there were a few residential areas, but otherwise nothing very much yet. There was no Avenida Marginal, just a sandy shore to the bay, and not far from there was the market, where now the Banco Commercial rises up.

 

13 Luanda, no Marginal

 

Luanda bay, before the Avenida Marginal was built

 

4 Luanda, '50s

 

Luanda in the fifties

 

3 A residencia, front garden

 

 

 A residência, front garden. Circa 1952, with Joyce, Kees and Betty

 

1 Causeway to the Ilha

 

 Causeway to the Ilha

 

 

When I arrived in Luanda, the peak demand for foreign imported cotton prints had already passed. Around Sá da Bandeira you didn't see very much textile, for there the native people kept mostly to their traditional dress, a loincloth, some arm rings, beads and buttons. In this cattle-rich area, the women wore leather strips, onto which sawn-through cone shells had been added. These cost about "an ox" each, and from the number of these shells you could calculate the financial status of the native family.

 

Muhuila married women

 

Muhuila married women

 

 

In the surrounding area, Huila, and Cuanhama, there is still a great deal of traditional life to be seen. A trip into the Huila area stands out as the most interesting one in my memory. The native tribes provided the most picturesque spectacle. They were mostly Huilas and Mucubais, tribes that had resisted the trend to wearing European clothes - in contrast to Northern Angola. They kept to their own ways and it was marvellous to see their dark brown shining bodies, embellished by thick copper wire wound around their necks and legs, all sparkling in the sunlight. The women, with finery differing according to age or status, often wore strings of shells, cowrie and others, and beads. On their backs they wore cone shells, sawn in halves. These came all the way from the coast and were very expensive. I was told that one could tell how rich they were by the number of shells they wore. One of them was worth " an ox ". In their necklaces and bracelets, however, there were often small European objects, such as coins and safety pins and other shiny objects.  

 

 

6 "Trip through South and Central Angola", Muhuila women, with cut off cone shells

Muhuila women, with cut off cone shells, Joyce, Kees and Betty by the car

 

A.P. with Mumuhuila

 A.P. with Mumuhuila tribesmen

 

 

 

The travelling salesmen took as many samples with them as possible of everything that we sold. There was a good variety, and therefore our men were always welcomed by the clients. Still, they always had to keep in mind the custom of never being over hasty. The first day had to be seen as the lead up to the real business visit. First, time needed to be patiently spent on "cumprimentar" (greetings) and "conversa" (conversation). The next day was the day for business. Only then were the boxes of samples brought out from under the canvas of the carrinha (pick-up), and opened.

 

Trip to Nova Lisboa, May, 1965

 Trip to Nova Lisboa, 1965

 

The roads were appalling. Heading inland, there was asphalt only as far as Catete (60km), and on the way to Malange, around Zenza, there was a 30 km stretch of very fine sand, all very well for growing cotton, but not quite the right thing for a road. Driving through those 30 km would take a good three hours. But these trips also had a very attractive side as well. Astonishing vegetation: baobabs ("imbondeiro"), and candelabra-euphorbias along the road to Dondo, and further along perhaps coffee plants in bloom. Towards the south, instead, you would see different types of acacia, and then dry savannah.

 

 

057

baobab tree

 

The hotels along the way were pretty shabby, but they sometimes made good meals: feijoada (a bean stew), guisado (stewed meat and greens), churrasco (piri-piri chicken). Breakfast was "sem garfo" or "com garfo" (with or without a fork). "With" was with meat, almost a full meal, and "without" was coffee and a couple of rock-hard buns with very salty butter. For the lorry drivers there was still another "matabicho" (matar o bicho = to kill the animal; the official Portuguese word for breakfast is "pequeno almoço"): a strong cup of coffee with brandy upon departure at dawn, followed later in the morning with a "matabicho com garfo." Another delicacy of the "mato" was muamba (palmoil stew).

 

 

to be continued...

 

Andries Pieter van der Graaf Jan/Feb 1974

Translated by Elizabeth Davies (van der Graaf) 2012

 

 

Full text:

The memoir of Andries Pieter van der Graaf is in two parts: Part 1 (written in English) starts in 1909 with his birth, and provides a vivid description of his early life in Krimpen aan de Lek, a small community near Rotterdam; of the effects of the Depression on the family; and of his experiences during the war. In Part 2 (written in Dutch, translation into English provided), he takes us from his first day in Angola, through his years learning how to run a Dutch trading company in Angola in colonial times, to his fascination with Angola and its peoples.

 

www.asclibrary.nl/docs/341/217/341217840.pdf

http://www.asclibrary.nl/docs/341220647.htm

 

Album "Vintage Angola" on Flickr 

 

 

 

Many thanks to Elizabeth Davies (van der Graaf) and her family for allowing me to adapt the text and to illustrate it by using photos from the family's collection.

 

Muito agradeço a Elizabeth Davies e sua família que autorizaram gentilmente a edição do texto para publicação neste blog e disponibilizaram fotografias do espólio do autor.

 

 

 

 

 

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27.3.15

 

 

My Years in Angola (1950-1970) 

Andries Peter van der Graaf

 

Other posts:

My Years in Angola (1950-1970)

My Years in Angola (3)

My Years in Angola (4)

My Years in Angola (5)

 

 

nestles-milk-banner

 

 

 

 

In the '50s, business with Nestlé was developing very well, for which we held the monopoly. At first condensed milk was the main product, then milk powder replaced it, as well as all sorts of baby food. We were not able to remain sole agent, in part as a result of pressure exerted by C.U.F. (Companhia União Fabril) on S.P.L. (Sociedade Produtos Lacteos).

 

 

 

 

 

 

 

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S.P.L. (Sociedade Produtos Lacteos)

 

 

For many years it was only possible to import milk products from Portugal (significantly more expensive than Dutch milk powder, for example) as no import licenses were issued for foreign milk. Later on, this situation changed. Only in later years was fresh milk available in the cities, and also sterilized milk, mainly from Cela.

 

 

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Cela, Angola c. 1960

 

Cela is a colony for white Portuguese settlers, situated in a highly fertile area of Central Angola, along the Cuvo River, most probably formerly a river bed.

 

 

12 Colonization project at Cela

 

 

Cela c.1960

 

 

A lot of money was squandered in Cela because things were done in a disorganized fashion (land planning took place when work had been on-going for over ten years, thousands of head of cattle were imported from Denmark and which were unable to adapt to the climate, colonists were recruited in Portugal more on the basis of connections than suitability). Still, it was an interesting project, to which we also contributed a good deal. One big client was the colonists' Cooperative, though unfortunately they were always short of cash, and couldn't pay their debts.

 

 


10 House of a colonist at Cela

 

Cela c.1960

 

Cooperation is not a strong point in the Portuguese. They are too individualistic for that, they say so themselves. The only Cooperative with which we had no financial problems was one in which the members were mostly Germans. Here and there in Angola there were some groups of Germans, among them the Mannhardt brothers, for example in Calulu, where they very successfully grew coffee.

 

coffee 15

 

A.P. van der Graaf visiting a coffee plantation

 

8 With Dutch padre

 Kees, Betty and Joyce with Dutch Padre

 

Sometimes missionaries came to buy goods from us and I was invited by them to come and have a look at their mission services. These were at Dondi, some 80 miles from Nova Lisboa. It was a Protestant mission, "Congregational", American and Canadian. This was a big mission, providing teaching in a number of subjects including agriculture and other trades, as well as providing medical care, including a leper colony. It covered a large area, many brick buildings in which the various services, hospitals and workshops were housed. 

 

 

 

 

IGREJA LUTAMO 1

 

 

Dondi Mission, Angola

 

Means School, 1950's

 Means School, Dondi, 1950's

 

 

 

What I remember best is the choir singing led by one of the American missionaries. The Bantu have an exceptional sensitivity to sound and rhythm, and the choir master had, I thought, brought them to a high level of performance.

 

Listen here to Angolan Umbundu music 

 

See here ruins of Dondi mission (Images of Angola - Noel Henderson-James, 2011)

 
 

 

... to be continued...

 

 

 

Andries Pieter van der Graaf

Jan/Feb 1974
Translated by Elizabeth Davies (van der Graaf) 2012

 

Full text:

The memoir of Andries Pieter van der Graaf is in two parts: Part 1 (written in English) starts in 1909 with his birth, and provides a vivid description of his early life in Krimpen aan de Lek, a small community near Rotterdam; of the effects of the Depression on the family; and of his experiences during the war. In Part 2 (written in Dutch, translation into English provided), he takes us from his first day in Angola, through his years learning how to run a Dutch trading company in Angola in colonial times, to his fascination with Angola and its peoples.

 

www.asclibrary.nl/docs/341/217/341217840.pdf

http://www.asclibrary.nl/docs/341220647.htm

 

Album "Vintage Angola" on Flickr 

 

 

 

Notes:

 

Read post # 1:  My Years in Angola (1950-1970) here

 

Many thanks to Elizabeth Davies (van der Graaf) and her family for allowing me to adapt the text and to illustrate it by using photos from the family's collection.

 

Muito agradeço a Elizabeth Davies e sua família que autorizaram gentilmente a edição do texto para publicação neste blog e disponibilizaram fotografias do espólio do autor.

 

Images and Photos:

NestléLeite Condensado

S.P.L.: Restos de Colecção

Means School, Dondi: Nancy Henderson-James

Music:

Angolan Umbundu Music: Nancy Henderson-James

 

 

 

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21.5.14

 

 

 

Anúncio do cognac feito pela família de Jean Monnet, inventor da Europa moderna

 

 

 

 

 

Votos, omeletes e ovos cozidos

 

 

De Gaulle menosprezava a construção europeia: as nações eram ovos cozidos e com ovos cozidos não se faziam omeletes.

 

Salvador da França juntamente com os comunistas contra o governo de Vichy, tratando depois da vitória a Alemanha de Bona com magnanimidade (gostava tanto da Alemanha que dizia preferir que houvesse duas), deixou o poder sobre quezílias da paz em 1946, atravessou o deserto em Colombey-les-Deux-Églises de onde o foram buscar em 1958 para presidir à República e salvar segunda vez a Pátria. Em 1969 voltou para Colombey e, morrendo a fazer uma paciência de cartas em 1970, foi poupado à reunificação alemã.

 

Quando Mitterand, inquilino do Eliseu da altura, se deu conta do risco desta já não havia nada a fazer – no Kremlin, Gorbachev fora persuadido por um Kohl determinado como Bismark e pródigo como o Emir do Qatar; de Washington, Bush pai forçara a mão a Londres e Paris. Chirac, sucessor de Mitterand, percebera que tinha acabado a papa doce e começara tentativas de reintegração da França na estrutura militar da OTAN que Sarkozy finalizaria enquanto, colando-se a Angela Merkel, fingia que ainda mandava na Europa. François Hollande tentou entrada de leão mas terá saída de sendeiro.

 

A União que vai a votos esta semana para o Parlamento Europeu não é a do tratado de Maastricht. Não por termos passado de 12 a 28 países mas por duas outras razões. A União Soviética colapsou e acabou o medo dela que unia o Ocidente (Putin é incómodo mas não mete medo comparável porque, por um lado, não prega ideologia subversiva e, por outro, conta com quinta coluna de industriais alemães, banqueiros ingleses e vendedores de armamento franceses ao pé dos quais os partidos comunistas mais estalinistas do Ocidente durante a Guerra Fria eram brincadeiras de criança). E à nossa Alemanha Ocidental com a capital em Bona, discreta para se fazer perdoar pelo Holocausto e mais crimes, sucedeu país da Europa Central com capital em Berlim que retomou alento, herdou tiques geoestratégicos (do reconhecimento da Croácia em 1992 até ao moralismo luterano/calvinista com que sufocou os países do Sul 20 anos depois), manda mais na União do que qualquer outro mas continua uma democracia exemplar.

 

Hoje, em autocarros de Bruxelas, anúncios exortam-nos a votar para escolher “o governo da Europa”. É propaganda mentirosa (o governo da Europa está nas capitais dos países e não nas instituições de Bruxelas) mas não é só propaganda. Na selva da globalização nós, os europeus, só nos safaremos unidos. E contra nacionalismos populistas a União só terá força se os povos sentirem que precisam dela. O caminho passa também pelo Parlamento Europeu por pouco votado, frívolo, irresponsável e distante que nos pareça hoje.

 

Perante concorrência desenfreada e impiedosa do resto do Mundo está-se a descobrir que os ovos afinal talvez não estivessem tão cozidos como isso tudo. A omelete não será baveuse mas, se não a quisermos comer, morreremos de fome.

 

 

 

 


27.12.12

 

 

 

Contracapa de Revista Panorama, 1960



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15.11.12

 

 

 

Foto: © Martin Parr / Magnum Photos

Fashion shoot (1999)

 

 



O blog faz hoje 4 anos. Aproveito este aniversário para agradecer especialmente aos leitores e amigos que ao longo destes quatro anos puseram à minha disposição fotografias e textos, deixaram comentários no blog, divulgaram nos seus próprios blogs o meu, e também aos que simplesmente espreitam com regularidade o Retrovisor. O número de visitas tem vindo sempre a subir, o que me anima a prosseguir viagem na vossa companhia.

 

 

Mais sobre este blog aqui e aqui



 


2.11.12

  

 

 

 Papelaria Progresso, Rua do Ouro - Rua da Vitória, Lisboa

 

 

 

 

Papelaria Fernandes e Papelaria Progresso, Rua do Ouro, Lisboa.

 

 

 

 




Notas:

Fotografias sem data. O "Isetta" estacionado na rua permite situá-las na segunda metade dos anos 50.

 

Sobre a publicidade das canetas "Parker" leia aqui 

 


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1.11.12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Papelaria Progresso, Rua do Ouro, 153, Lisboa.(c. 1964)

Fotografias sem data. Estúdio Mário Novais. 

 

Fotografias cedidas por José Inácio Vieira Gagean, a quem muito agradecemos.

 

 

Sobre o mesmo assunto veja também aqui 

 

 

 

link do postPor VF, às 21:36  comentar

28.12.11

 

 

 

 

 

Anúncio da Mobil
contracapa de Panorama, Revista Portuguesa de Arte e Turismo

nº 4 - IV Série - Dezembro de 1962

 

 

 

Outro anúncio da Mobil aqui e mais sobre a campanha da Mobil nas tags design e publicidade

 

Sobre a Mobil Oil Portuguesa veja aqui

 

 

 

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11.12.11

 

 

 


página de Panorama, Revista Portuguesa de Arte e Turismo

nº 4 - IV Série - Dezembro de 1962

Foto: A. Santos d'Almeida Jr.   

 

Notas:


Os esquiadores estão junto à imagem de Nossa Senhora da Estrela, a dois quilómetros da Torre, identificada aqui

Veja quem esculpiu a imagem aqui 



 

 

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29.7.11

 

 

 

             

 

postais, anos 60


  

link do postPor VF, às 22:47  comentar

23.7.11

 

 

 

 

 

Desenho de Eduardo Anahory (1917-1985)
Revista Panorama, Anos 50

 

 

 

  

Eduardo Anahory, arquitecto, pintor, ilustrador, artista gráfico e decorador, inicia a sua actividade como artista gráfico em 1936 com a concepção, encomenda da Junta Nacional de Educação, do ex-libris comemorativo dos 10 anos da “revolução nacional”, da capa do Guia Oficial da Exposição do Mundo Português, e mantém uma assídua colaboração na revista Panorama. Participa, também, noutras iniciativas do S.P.N./S.N.I., como a I Exposição de Montras (Lisboa, 1940), as Exposições de Arte Moderna (1945 e 1946), os pavilhões da “Secção da Vida Popular” na Exposição do Mundo Português (1940) e o I Salão Nacional de Artes Decorativas (1949).

 

 

 

Veja também também aqui e aqui 

 

 

link do postPor VF, às 01:11  comentar

20.7.11

 

 

 

 

 

cartaz do SNI

outros aqui

 

 

link do postPor VF, às 12:00  comentar

19.1.11

 

 

 

Ao sair da Telecine O'Neill percebeu que estava a ser muito solicitado por outras agências. Já tinha aliás trabalhado em regime de free-lancer com outras agências, como a MR Estúdios, de Manuel Rodrigues*, para quem fez muitas campanhas. «Há um slogan que ele fez na MR, feito para a Mobil, e que não foi aprovado, "Mobil Serviço, dê por ele sem dar por isso"; a campanha não foi aprovada.» (JM)**

 

Na MR fez as campanhas da Gazcidla, do café instantâneo Tofa*** - «Tofa: revelando num instante o segredo de um aroma» - e das canetas Parker****, com longos textos a acompanhar o slogan «Diz-me com quem andas dir-te-ei quem és». Num deles, o público alvo são os jovens: «Um jovem como tantos outros. Herdeiro de uma civilização, será o seu continuador. Estudante. Escrevendo, compreende o passado para construir o futuro. E mais tarde, quando sobre o papel as palavras se alinharem nervosamente, quando a mão lutar por seguir o cérebro que pensa, é o Amanhã que está surgindo e foi uma Parker que O escreveu.» Para as mulheres que pudessem ambicionar uma Parker, O'Neill escreveu: «Recortada no vermelho de um forro, entre o branco de um lenço de cambraia e o reflexo de um espelho, Parker brilha como uma jóia. Delicada, elegante, feminina - Parker. Um número de telefone: Parker. A hora de um encontro: Parker. Um nome, uma morada: Parker. Uma data a lembrar: Parker.»

 

Pois, leitor, assim era o mundo português em 1965: o rapaz usava a caneta para - que bagatela - construir o futuro; a mulher (chique), para apontar os afazeres do amor e da ociosidade. Mas conceda-se que é um bom texto publicitário (não se trata aqui de poesia), ao conseguir insinuar um tom de erotismo num objecto a ele tão ligado como a caneta, num tempo a ele tão avesso. Certo é que a Parker gostou do trabalho de Alexandre O'Neill, que começava a ser conhecido como publicitário com génio.

 

 

Maria Antónia Oliveira

in Alexandre O'Neill, uma Biografia Literária

©2005 Maria Antónia Oliveira e Publicações Dom Quixote


 

 

 

 

aqui

 

 

 

Notas:

 

*MR Estúdio e Manuel Rodrigues, neste blog, aqui

** A campanha para a Mobil foi aprovada, contrariamente ao que recorda João Martins. Veja um anúncio aqui

 

*** Tofa aqui

**** Parker em Portugal aqui

 


 

Maria Antónia Oliveira, autora da biografia de Alexandre O'Neill, fala sobre sobre o seu trabalho, aqui


link do postPor VF, às 13:06  comentar

21.8.10

 

 

 

Teen Dance in Basement Recreation Room (1961), by Lee Howick and Neil Montanus.

© 2009 Kodak, courtesy of George Eastman House.

 

 

 

In 1950, Eastman Kodak Company installed the first Colorama in Grand Central. These advertisements would become known as “The World’s Largest Photographs" and were huge indeed: eighteen feet high and sixty feet wide, requiring more than a mile of cold - cathode tubes to illuminate the transparencies from behind. Altogether, 565 Colorama photographs would be situated on this spot over the next forty years. As a major corporate and aesthetic undertaking, the production of Coloramas required the combined efforts of Kodak's marketing and technical staffs and scores of photographers that included such notables as Ansel Adams, Ernst Haas, and Eliot Porter. Until 1990, these illuminated images reflected and reinforced American values and aspirations while encouraging picture-taking as an essential aspect of leisure, travel, and family. In the decades that came and went—from Levittowns and the baby boom, to Watts and Woodstock, to video games and MTV—they proffered an almost unchanging vision of landscapes, villages, and families, American power and patriotism, and the decorative sentimentality of babies, puppies, and kittens. They marked traditional holidays, conventional views of the faraway, and such uplifting events as a moonwalk and a royal wedding; they suggested, with varying degrees of explicitness, that such sights could be defined, secured, memorialized, and enjoyed through the complementary practice of photography. […]

Today, these images linger in the landscape of memory. The Coloramas taught us not only what to photograph, but how to see the world as if it were a photograph. They served to manifest and visualize values that even then were understood as nostalgic and in jeopardy, salvageable only through the time-defying alchemy of Kodak cameras and film.

 

 

 

Alison Nordström

in "Dreaming in Color"

Colorama

The World’s Largest Photographs From Kodak and the George Eastman House

© George Eastman House / Aperture Foundation

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Esta e outras imagens "Colorama" num artigo da "Vanity Fair" aqui

 

 



22.3.09

 

 

 

 

 

 

 

Design de Manuel Rodrigues

 

 

 

 

 

Contracapa de

PANORAMA - Revista Portuguesa de Arte e Turismo

Nº 16 IV Série – Dezembro de 1965

Edição do Secretariado Nacional da Informação, Cultura Popular e Turismo

 

 

Logotipo

 

For the record, confirmei a suspeita de que as notas dactilografadas que usei para o perfil de Manuel Rodrigues se destinavam a uma publicação. Com efeito, um artigo de Margarida Futscher acompanha na edição referida da revista Panorama as imagens reproduzidas nos dois últimos posts.

 

Ver o perfil de Manuel Rodrigues aqui

link do postPor VF, às 11:35  comentar

18.3.09

 

 

 


Manuel Rodrigues

1924-1965

 

 

 

 

O seu nome, que mencionei no post anterior, é um daqueles que nas buscas do "Google" quase não produz resultados, tal como o de Paulo Ferreira, autor do desenho que aqui publiquei no 'dia dos namorados'.

 

 

Vem Manuel Rodrigues a propósito de Maria Violante Vieira e da "Papelaria Progresso", mas também de uma crónica recente de Catarina Portas, que passo a citar:

 

 

O facto de o MAP [Museu de Arte Popular] ser um produto da "Política do Espírito" salazarista, um regime que muito doutrinou e fantasiou sobre a nacionalidade, é justamente, a meu ver, a melhor das provocações para querer descobrir mais sobre a relação de inspiração que, ao longo da história, alguns artistas mantiveram com o seu próprio país. Desde a busca do pittoresco que apaixonou a geração de Bordalo e Ramalho até aos nossos dias, essa inspiração continua visível e estimulante no trabalho de artistas como Joana Vasconcelos ou João Pedro Vale. E, neste caso, pode passar também muito adequadamente pelo explorar da obra de todo um conjunto de artistas que, nos anos 30 e 40 do séc. XX, por aí muito se passearam - falo de Sarah Afonso, Maria Keil, Almada Negreiros, Carlos Botelho, Bernardo Marques, Tom, Piló ou Paulo Ferreira.

 

 

 

Nos anos 60 em Portugal não se usava o termo “designer” mas é o termo que faz hoje sentido empregar para descrever a actividade múltipla de Manuel Rodrigues. Aqui fica um resumo da sua carreira, que elaborei com base em apontamentos de minha mãe (para um artigo de jornal?) guardados por ela juntamente com uns obituários e outras recordações dele como esta:

 

 

 

Tofa.jpg

 capa de um folheto publicitário

design de Manuel Rodrigues

 

 

 

 

 

 

Manuel Rodrigues iniciou a sua carreira no SNI (Secretariado Nacional de Informação), ainda antes de terminar o curso da Escola de Artes Decorativas António Arroio, trabalhando com Tomás de Melo (Tom) e Roberto de Araújo. Fez parte das equipas de artistas que criaram a “Exposição do Mundo Português”, em 1940, dirigidas por Bernardo Marques, Tom, Manuel Lapa, Roberto de Araújo e Cotinelli Telmo.

 

Em 1947 é lhe entregue por António Ferro a direcção artística das montras do SNI e a partir de 1951 distingue-se na direcção artística de exposições, como a exposição "Portugal de Hoje" realizada no Brasil em 1954, por motivo das comemorações do IV Centenário da Fundação da Cidade de S. Paulo. Concebe os 'stands' de Portugal em exposições internacionais no estrangeiro, nas quais é distinguido com diversos prémios.

 

A ele se fica a dever a decoração de ruas de Lisboa por ocasião das visitas de Isabel II de Inglaterra e do imperador da Etiópia, cujos pavilhões de recepção na Praça do Comércio foram por ele desenhados.

 

Manuel Rodrigues trabalhou ainda para o teatro, com cenários para o "Teatro do Povo", dirigido por Ribeirinho, e figurinos para o grupo de bailado "Verde Gaio". Desenhou modelos de moda masculina, em colaboração com o "International Fashion Council".

 

Em 1959  realiza com o Arquitecto Conceição Silva a “Exposição da Raínha D. Leonor” no Mosteiro da Madre de Deus, organizada pela Fundação Gulbenkian, e em 1961 ambos levam a cabo uma das primeiras verdadeiras experiências de design global em Portugal, para os “Cafés Tofa” (Torrefacção de Cafés de Portugal).

 

Cria em 1962 a agência “Estúdio MR”, realizando campanhas de publicidade da Tofa, Mobil, e produtos da Fábrica Simões e Compª (camisas TV, lingerie Caron). Desenha selos para os CTT.

 

O seu último trabalho, também em colaboração com Conceição Silva, é o da decoração do maciço de amarração da ponte sobre o Tejo, na Avenida da Índia, e das zonas verdes circundantes.

 

Morre em Setembro de 1965, aos 41 anos, vítima de um desastre de viação.

 

 

 

 

 

 

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