13.6.16

 

 

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 7 postais ilustrados por André Carrilho

 

 

 

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Poètes de Lisbonne - Camões, Cesário Verde, Sá-Carneiro, Florbela Espanca, Pessoa | Traduction Élodie Dupau.

 

 

Lisbon Poets - Camões, Cesário Verde, Sá-Carneiro, Florbela Espanca, Pessoa | Portuguese originals and English translations, by Austen Hyde and Martin D'Evelin | Illustrations by André Carrilho | Foreword by Leonor Simas-Almeida | 1st edition: June 2015  Publisher: lisbon poets & co.

 

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20.3.15

 

 

A.P. van der Graaf

 

 

Andries Pieter van der Graaf (1909-1996) spent almost his entire professional career (1928-1970) with the Dutch company Zuid Afrikaans Handelshuis (ZAH). In 1950 he was posted to Angola to act as managing director of the Luanda Office. He served as Dutch Honorary Consul from 1952 till 1971.

 

It is with great pleasure that we present in Retrovisor excerpts from a memoir in which he tells about his experiences learning to run a Dutch trading company in Angola in colonial times and his fascination with the country and its peoples.

 

Many thanks to Elizabeth Davies (van der Graaf) and her family for allowing me to adapt the text and to illustrate it by using photos from the family's collection.

 

 

 * * *

 

 

I visited Angola for the first time in 1950. ZAH (Zuid Afrikaans Handelshuis) had two offices there, one in Luanda, the other in Nova Lisboa. The area covered by the Nova Lisboa office was mostly that along the Benguela Railway: a section from the coast to the border with the Belgian Congo (Katanga). The purpose of my stay in Nova Lisboa was to familiarize myself with the activities that the business had in Africa. Luanda always brought in good year-end results, but paid very little attention to the advice and instructions coming from Head Office, causing continued conflict.

 

 

 

Untitled

Zuid Afrikaans Handelshuis, Luanda c. 1960

 

 

 

The ZUID building in Nova Lisboa was a warehouse, mostly. Trade was mainly in foodstuffs, textile, construction materials, paint, small agricultural tools, general merchandise, and so on.

 

Massive square piles of cotton cloth were the first thing you saw. The cotton prints that attracted the greatest interest were the ones that had just arrived: "novidades". In the area around Nova Lisboa, "pintados" ("blue print"), originally from Germany (Fritz Becker), were still in general use, and worn by both men and women. It was dark blue material with white lines or spotted patterns.

 

Casa Holandesa

 

 

Casa Holandesa

 

 

Sometimes business contacts arrived from the interior with elephant tusks. Their weight varied from 10 to 40 kg, sometimes even more. Consignments were made up and eventually shipped to Holland, where there was always a great deal of interest in these tusks. The tusks were mainly used to make billiard balls. Other products from the upper plateau which were exported by ZUID were beans, castor seed, manioc (cassava, Portuguese: crueira) and sesame seed; and from the river basins: palm nuts, palm oil; also Arabica coffee, as opposed to Robusta, which was practically the only kind of coffee grown in the north of Angola.

 

 

 

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 Map of Angola c. 1960

 

 

 

During the eight months I spent in Nova Lisboa, I made a number of trips to the coast. In the rainy season, these trips often had to be postponed, as the road was poor, and very little was done about this, as the Railways, who had a great say in the matter, felt that good road connections would harm the railway's interests.

 

7 Ferry across the Quanza

 

Ferry across the Cuanza

 

 

On the road from Sá da Bandeira (formerly "Lubango") to Moçamedes, I saw groups of zebra grazing near the road, and further off, herds of springbok, leaping to get out of the way. There are very few springbok left nowadays. The Portuguese name for them is "cabra de leque." "Leque" means "fan," and when alarmed, the hair on their backs stands up on end.

 

 

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 Cabra de Leque

 

 

Benguela itself still had the appearance of an old slave town, with the old walled enclosures still there, where the slaves were kept after their arrival from the interior until being shipped away. Other than that, the most striking things were the red-colored earth and the orange blossoms of the acacia rubra (flame tree).

 

 

Nova Lisboa, Angola 1960

 Nova Lisboa c. 1960

 

 

 

 

 

Benguela

 Benguela, c. 1960

 

 

I remember that one morning, a young native man who always travelled with us to help with the bags, told me that "the rain had rained during the night." This was the first time I had come across the typically Bantu personification of natural phenomena.

 

 ... to be continued... 

 

 

Andries Pieter van der Graaf

Jan/Feb 1974

Translated by Elizabeth Davies (van der Graaf) 2012

 

Other posts:

My Years in Angola (2)

My Years in Angola (3)

My Years in Angola (4)

My Years in Angola (5)

 

 

Full text:

The memoir of Andries Pieter van der Graaf is in two parts: Part 1 (written in English) starts in 1909 with his birth, and provides a vivid description of his early life in Krimpen aan de Lek, a small community near Rotterdam; of the effects of the Depression on the family; and of his experiences during the war. In Part 2 (written in Dutch, translation into English provided), he takes us from his first day in Angola, through his years learning how to run a Dutch trading company in Angola in colonial times, to his fascination with Angola and its peoples.

 

www.asclibrary.nl/docs/341/217/341217840.pdf

http://www.asclibrary.nl/docs/341220647.htm

 

 

Album "Vintage Angola" on Flickr 

 

 

Notes:

Map of Angola: Veteranos da Guerra do Ultramar

Nova Lisboa and Benguela: Tempo Caminhado 

 

 


4.3.15

 

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Duas citações ao almoço e três ao jantar

 

 

 

O pai tinha ido passar um par de semanas a Madrid, na clínica do Dr. Lopez Ibor, psiquiatra reputado (e membro do Conselho Privado do Conde de Barcelona); a mãe fora com ele não sei se por conveniência clínica se por estratégia matrimonial; não me lembro do que fizeram os meus irmãos nem se a casa de Lisboa foi fechada (a idade não perdoa…); eu fiquei aboletado em casa de amigos.

 

Nesse tempo comia-se em casa. Dois dias depois da minha chegada o tio Clarimundo, pater famílias que presidia a mesa, proibiu-me de fazer mais de duas citações ao almoço e três ao jantar. Nunca mais me esqueci porque, até nesta idade — que dantes se considerava avançada — a tentação de citar continua a ser grande. Não, como às vezes supõem os desmemoriados, por pedantismo de bom aluno a querer fazer boa figura mas para facilitar conversa e discussão. O recurso à memória é muito tentador porque, ao longo dos séculos, houve gente que disse, numa das línguas que eu conheço, muito melhor do que eu alguma vez seria capaz, coisas que me apetece dizer por virem a propósito e acertarem em cheio no alvo visado — e as suas formulações grudaram-se-me à cabeça.

 

Nasci com memória como nasci canhoto e de olhos castanhos: é dom sem mérito moral (se tivesse nascido nas classes menos favorecidas talvez tivesse arranjado trabalho num circo), se não faz de mim um Apolo tampouco de mim faz um Quasimodo, mas reconheço duas razões que recomendam limites ao seu abuso público. Uma é pôr limites a caracter maníaco que às vezes tome. Eça de Queiroz contou de amigo tão escrupuloso na atribuição de fontes que chegava a dizer: “Na frase de Carlos Valbom: Estou triste”. A outra é tentar manter boas maneiras. É mal-educado querer parecer mais culto, mais inteligente, mais lido do que os outros ou as outras com quem se esteja a conversar, quer cara a cara e bafo a bafo, como era a prática, quer ao telefone ou das muitas outras maneiras que a modernidade vem pondo ao nosso alcance (uma das razões que torna às vezes tão difícil convívio com a gente muito competitiva que abunda no nosso mundo pós-moderno).

 

Seja como for, isto da memória tem que se lhe diga. A velho amigo meu, colega perguntara na Faculdade: “Tu estudas Medicina Legal compreendendo ou empinando?” A dicotomia não é tão tonta quanto possa parecer. As pessoas mais inteligentes com quem privo são quase todas, como uma delas gosta de dizer, “Alzeimerizadas de nascença”. Se essa maciça falta de memória lhes trouxe esforços suplementares quando as meteram na linha de montagem da educação – o Sistema Galaico-Duriense, os Reis de Portugal, etc., etc. – trouxe-lhes também enormes benefícios de agilidade mental pois não lhes sendo dado, como diria o colega do meu amigo, “empinar raciocínios”, foi em exercícios permanentes que desenvolveram a gramática intelectual precisa para confrontar o mundo.

 

NB  Chamara-lhe “O Bey de Tunis”, não me lembro porquê. Fui escrevendo, saiu isto e mudei o nome.

 

 

 

 

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1.1.15

 

 

 

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Needlepoint Tapestry

© Mati Silverstein, 1976

 

 

UM BOM 2015

 

 

 

 

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21.7.14

 

Em tempo de Verão regresso aos álbuns de família e colecções privadas que aqui tenho explorado. 

 

À excepção da fotografia do chalet, as imagens deste post foram encontradas na blogosfera portuguesa. Não achei fotografias de fandangueiros, saltimbancos, mulheres dos bolos e banheiros nas praias de Portugal do princípio do século XX.

 

Sobre este álbum de recordações de Alda Rosa, “para os filhos, netos e bisnetos”, editado em 2011 e do qual foram feitos 3 exemplares impressos, leia neste blog o post Festas e Mascaradas. 

 

Agradecimentos especiais a Alda Rosa Bernardo de Sousa, Maria do Rosário Sousa Machado e blogs Restos de ColecçãoTeatro e MarionetasAmérico e Galafanha.  

 

 

 

 

Chalet Alda , S. João do Estoril c. 1900

 

 

No meu tempo de menina, as horas em que se ia à praia eram totalmente diferentes das de hoje. íamos de manhã, e á tarde ficávamos no jardim. Só em dia de pic-nic é que ficávamos na praia até mais tarde. Estes almoços eram de "garfo e faca" e toalha posta na mesa. De casa vinham salada russa e um prato quente trazidos pelas criadas. Os banheiros emprestavam-nos uns banquinhos e umas tábuas que serviam de mesa e as cadeiras eram também deles. Claro que com tanta mordomia estes pic-nics não podiam repetir-se muitas vezes.

 

Mesmo para se comer na praia só havia barquilhos e bolas de Berlim. O homem dos barquilhos apregoava: Barquilheiro!!! Trazia uma lata alta com uma roleta, o comprador fazia girar a roleta que ditava a sorte de comer pelo mesmo preço mais ou menos barquilhos. O homem das bolas de Berlim apregoava: bolas de Berlim, perlim pimpim! Assim andavam pela praia estes vendedores. A senhora Ana dos bolos só apareceu mais tarde...

 

 

 

 

 

 

             
Barquilheiro, Roleta de Barquilhos

 

 

 

 

Para divertir as crianças aparecia o "Fandangueiro". Trazia um pequeno estrado, e fazia o seu número de sapateado (com a música do fandango). Também para nos entreter havia o homem dos cães. Trazia 4 ou 5 cães e com cães fazia o seu número. A um dos cães ele mandava «morrer à moda da China com três cartuchos...!» e o cãozinho deitava-se fingir que tinha morrido.

 

O "Catitinha" aparecia na praia todo vestido de preto pois tinha perdido uma filha. Protegia e gostava de crianças: apertava a mão a cada criança e apitava. Os miúdos corriam para ele, apesar de ser uma figura sinistra, com um grande cabelo branco...

 

Os "Robertos" apareciam com a sua voz de flauta e o número de pancadaria a que nos habituaram. No fim pediam dinheiro pelas "actuações" que tinham feito!

 

 

 

 

Robertos na Foz do Douro, início do século XX

 

 

 

 

Para os banhos de sol os banheiros também forneciam encostos e os toldos eram ao mês. Os banheiros tinham "chatas" que levávamos até fora de pé, para aí tomar banho. Muitas vezes atirávamos água uns aos outros e ali se fazia uma guerra com água, que muito nos divertia. As "chatas" eram cada uma do seu banheiro, e não havia rivalidade, era só brincadeira.

 

Também íamos ao Rádio Clube Português patinar...

 

Com tantos programas, as férias em S. João do Estoril eram muito apreciadas...

 

 

Alda Rosa Bandeira de Lima Osório Bernardo de Sousa

in  Memórias e Saudades

2011

 

 

 


1.2.14

 

 

 

Kinshasa, 2000

© Marie-Françoise Plissart

Plaizier Bruxelles

 

 

Veja também neste blog o post Kinshasa - Récits de la Ville Invisible

 

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31.1.14

 

 

 

Burkina Faso (s/data)

© Bastin & Evrard

Plaizier Bruxelles

 

 

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5.1.14

 

 

 

Sport Lisboa e Benfica 1966/1967

 

 

Postal reproduzido no livro Retrovisor, um Álbum de Família. Texto e outra foto neste blog aqui.

 

A crónica de Ferreira Fernandes Nunca passei por ele sem dizer "obrigado" aqui

 

O ensaio de Nuno Domingos As lutas pela memória de Eusébio aqui

 

Alexandre O'Neill sobre Eusébio aqui

 

Perfil de Eusébio aqui

 

 

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14.6.13

 

Margarida Futscher Pereira
verso

 

 

 

 

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6.6.13

 

 

 

Stella Freitas da Costa

 Antonio Guijarro 1958

 

verso



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3.6.13

 

 

 

 

 

 

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26.5.13

 

 

 

 

 

 

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24.5.13

 

 

 

 

 

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16.5.13

 

 

 

 

 

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5.5.13

 

 

 

 

 

Postal de minha Mãe para sua irmã Stella, de um conjunto oferecido por meu primo Miguel Freitas da Costa, a quem muito agradeço.

Outro postal de Margarida para Stella aqui


Uma foto de Stella e Miguel em 1947 aqui


Todos os postais para Stella na tag "postal"

 

 

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14.2.13

 

 

Handpaar einer Doppelstatue des Echnaton und der Nofretete
Neues Reich, 18. Dynastie, um 1350 v. Chr.  Amarna; Quarzit
Inv. - Nr. 20494 Foto: Jürgen Liepe
Staatliche Museen zu Berlin - Ägyptisches Museum



31.12.12

 

 


postal (2012)


Radio Presenter Sister Melianise Gabreus, Les Cayes, Haiti
© Paolo Woods
World Press Photo 2012 aqui





21.2.12

 

 

 


Gonçalo Luiz Maravilhas Caldeira Coelho
 Foto/Bilhete-Postal : Furtado & Reis, Lisboa 1928

 

 

 

 

 

Fotografia publicada no livro "Retrovisor, Um Álbum de Família" aqui 

 



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22.12.11

 

 

 

 

 

Postal de Boas Festas c. 1957

Foto Casa Jorge Lourenço, Cascais, Portugal

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4.12.11

 

 

 

Guilherme Pereira de Carvalho e Hugo Belmarço 

 

 

 

 

Verso:

Bilhete postal: Photographia Vasques, Lisboa


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29.7.11

 

 

 

             

 

postais, anos 60


  

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18.7.11

 

 

 

 

Bilhete-Postal da primeira década do séulo XX, Edição Adelino Alves Pereira.  

Veja outro aqui

 

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21.5.11

 

 

 

 

Copacabana, Rio de Janeiro, Anos 70 

 

 

A resenha de Clóvis Brigagão (aqui) fez-me recordar o Brasil, precisamente no ano de 1976, quando lá fui a primeira vez. A beleza do Rio de Janeiro e ouvir falar português naquele país do novo mundo causaram-me grande impressão, assim como me emocionou contemplar, dali, Portugal e a Europa.

O meu álbum de família, como muitos daqui, passa pelo Brasil; Santos e S. Salvador, onde alguns dos meus bisavós prosperaram nos negócios, a Bahia, onde nasceu meu avô materno, o Rio de Janeiro da infância de minha avó paterna:  país irmão, "terra de exílio", "porto seguro", às vezes as duas coisas, e outras mais, em tantos momentos da nossa história.


 

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16.12.10


 

 

 

Meninos timorenses com as roupas típicas da Aldeia do Maloi (postal)

Laleia, Timor-Leste, 2009


 

Projecto "Aldeia do Maloi", a construção de uma carpintaria em Timor, ao longo de 2010, aqui

 

 

 


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25.10.10

 

 

 

 

Praça Duque de Saldanha, Lisboa, anos 60

 

 

 

A mudança para casa dos meus avós fez-nos recuar no tempo e conhecer uma Lisboa ainda rural, apesar de estarmos na Praça Duque de Saldanha, frente aos modernos cinema e café Monumental, em pleno centro de Lisboa. Ainda passavam eléctricos pelo Saldanha, que iam até ao Campo Grande. Ainda vi pastores com rebanhos a atravessar a avenida da República.

Os meus avós viviam no primeiro andar do edifício que se vê no postal, a “casa do anjo”, num apartamento muito grande. Tinham três empregadas internas – uma cozinheira, uma criada de fora, e a Arminda, que estava ao serviço da minha avó desde os catorze anos e agora tinha mais de setenta. Que idade tinham os meus avós nesta altura? Ela sessenta e dois, ele era dez anos mais velho.

Aos sábados o barbeiro do meu avô vinha a casa, a roupa era lavada por lavadeiras, o leite era trazido por uma leiteira. Foi com a nossa chegada que a minha avó comprou um frigorífico. As compras faziam-se na praça. O telefone tinha um pequeno cofre acoplado no qual era preciso carregar numa moeda, creio que de cinco tostões, para estabelecer a ligação. A minha avó governava a casa com a dispensa fechada à chave e distribuía mensalmente às empregadas doses de açúcar, ovos e sabão.

 

Os meus avós maternos pareciam-me antiquados e algo severos mas aos poucos percebi que -  tal como o liceu francês – “tinham mundo”. Conviviam muito com parentes e amigos e foi com eles que descobri a minha família alargada.

 

 

Uma fotografia dos meus avós maternos aqui

Se é a primeira vez que visita este blog leia também o post "terra de exílio" aqui


16.8.10


 

 

 

 

 

postal ilustrado de grande formato (22,85 cm x 15,16 cm)

1956

 

 

 

 

7 de Outubro 56

 

Minha querida Stella,


Desde que vi o Cinerama já não sou capaz de escrever postais mais pequenos!! (Digo-te que o Cinerama me pasmou completamente!) – A nossa viagem de barco correu muito bem, excepto o meu quase permanente enjôo – um nojo!! O serviço é óptimo e pessoal simpatiquíssimo. Tive muito bons companheiros de bordo – italianos e americanos. – A chegada a Nova-York é um colosso! N. York é esmagativo: irreal à força de formidável – com certeza apaixonante. Em 24 horas livres vi tudo o que pude, que foi bastante ainda assim. Adorei o palácio das Nações Unidas onde almocei com os Albano Nogueira, que foram encantadores. Vi o Metropolitan Museum etc., e tanta coisa vi que parece que estive lá 8 dias naquela Babilónia moderna! – A viagem de avião para aqui muito boa. Calculas como Vasco e eu estamos felizes de nos reencontrar. As pequenas óptimas e o Cinerama deslumbrou-as – mas de facto é de pasmo! San Francisco é lindo, simpático e cheio de requinte – as lojas são de endoidecer – nunca vi mais bonitas! Logo que possa escrevo carta. Estamos bastante bem instalados num “flat” mobilado e que não foi caro.

 

Milhões de beijos para os pequenos e para ti e Eduardo. Abraços do Vasco. Espero muito depressa notícias tuas.

Beijo do coração

 

Margarida

 

p.s. Vi a “Radio City” com as Rocket Girls – estupendo!

pps. Como vai a nossa Paulinha? Diz aos pequenos que cá os espero na terra dos cowboys!

 

 

 

 

 

 

Stella com os filhos Luís e Miguel

c. 1956

 

 


O postal faz parte de um conjunto de recordações que a minha tia Stella, no fim da sua vida, confiou à minha irmã Cristina. É o postal que publiquei há dias no post "The past is a foreign country", aqui.

 

 

Tentei descobrir aqui o que teremos visto em "Cinerama":


 

The first Cinerama film, This Is Cinerama, premiered on 30 September 1952, at The Broadway Theatre in New York. The New York Times judged it to be front-page news. Writing in the New York Times a few days after the system premiered, film critic Bosley Crowther wrote:


Somewhat the same sensations that the audience in Koster and Bial's Music Hall must have felt on that night, years ago, when motion pictures were first publicly flashed on a large screen were probably felt by the people who witnessed the first public showing of Cinerama the other night... the shrill screams of the ladies and the pop-eyed amazement of the men when the huge screen was opened to its full size and a thrillingly realistic ride on a roller-coaster was pictured upon it, attested to the shock of the surprise. People sat back in spellbound wonder as the scenic program flowed across the screen. It was really as though most of them were seeing motion pictures for the first time.... the effect of Cinerama in this its initial display is frankly and exclusively "sensational," in the literal sense of that word.


Although most of the films produced using the original three-strip Cinerama process were full feature length or longer, they were mostly travelogues or episodic documentaries such as This Is Cinerama (1952), the first film shot in Cinerama. Other travelogues presented in Cinerama were Cinerama Holiday (1955), Seven Wonders of the World (1955), Search for Paradise (1957) and South Seas Adventure (1958).

 



21.7.10

 

 

 

 

 

 

Os anos que vivemos na California, de 1956 a 1961, deixaram recordações muito felizes a toda a minha família. O meu irmão nasceu lá. Os anos 50 e o princípio dos 60 na América -  ainda hoje tão revisitados no imaginário colectivo - foram anos de optimismo e transição. Ainda assistimos em São Francisco à eleição de John F. Kennedy, mas já não ao que veio depois.

 

A língua inglesa não é a minha língua materna, mas é a língua em que aprendi a ler e escrever. Os anos que passámos nos Estados Unidos - a minha segunda infância, e no caso da minha irmã Cristina o princípio da adolescência - foram determinantes para as duas, a muitos níveis, e seriam também muito idealizados por ambas, talvez pelo contraste com o que veio depois. As diferenças entre a California do final dos anos 50 e o Portugal do princípio dos anos 60 não explicam tudo, mas ajudam a perceber o fenómeno.  

 

 

The past is a foreign country, they do things differently there.

 

 

 

 

 

 

 

 

San Francisco c. 1956

 

 

 

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27.5.10

 


 

 

Margarida de Barros Pereira de Carvalho (1892-1968)

Baía, Brasil, c. 1896

 

 

 

Descubra o álbum que contém esta fotografia no post "O álbum do Brasil" aqui, e outras fotografias do mesmo álbum clicando na tag "brasil".

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Casa da Mogada, no Concelho de Guimarães, de onde era natural a minha bisavó Maria do Carmo de Barros de Faria e Castro , pertencia a esta antes do seu casamento com Guilherme Pereira de Carvalho. Coube em herança a Margarida de Barros Pereira de Carvalho, a terceira dos sete filhos do casal.

 

 

 

 

 

 

Maria do Carmo de Barros de Faria e Castro (1868-1926)

e Guilherme Pereira de Carvalho (1864-1927)

(fotografia reproduzida no livro Retrovisor, um Álbum de Família)

 

 

 

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23.12.09

 

 

 

 

 

cartoon de Roz Chast (encontrado aqui)

 

 

 

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