25.2.16

 

 

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Recolher, preservar e divulgar as memórias de gente comum, reconhecendo que esses testemunhos de vida contribuem para o conhecimento da história e da identidade nacionais, é a missão do Arquivo dos Diários, associação cultural criada há dois anos, que lançou o concurso “Conta-nos e Conta Connosco”, destinado a enriquecer o seu acervo.

 

Agora que dispõe de uma equipa e de um espaço na Biblioteca de São Lázaro, graças a uma parceria com a Junta de Freguesia de Arroios, a associação está em condições de começar a reunir cartas e diários através dos quais os portugueses poderão contar a sua história. Diários, cartas, fotografias e filmes caseiros ou simples evocações feitas pelas pessoas são uma parte importante na construção da memória de cada um. Mas esses documentos servem também para ajudar a construir a narrativa de uma comunidade. A ideia é catalogar por temas tudo o que for recebido e, no futuro, disponibilizar o acervo num meio digital. 

 

Existem já em vários países europeus arquivos dedicados a recolher a memória popular, designadamente o Archivio Diarístico Nazionale, em Itália, que serviu de referência a Clara Barbacini e Roberto Falanga, fundadores deste projecto.

 

 

 

 

 

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© Soraia Martins 

 

 

 

O principal obstáculo, admitem, é chegar às pessoas e mostrar-lhes que as suas memórias e objectos pessoais podem ajudar a desenvolver outros projectos interessantes, do cinema ao teatro, da ficção à investigação, ou simplesmente servir para consulta de quem tem curiosidade por histórias de outros tempos.

 

“Espero que os portugueses desmintam o pudor como traço da sua cultura”, diz Roberto. “Sei que vai ser complicado, mas desafiante. E acho que só o facto de alguém se questionar se deve ou não entregar [os diários e cartas da sua família] já é bom. Estimula o pensamento. Nesse tempo de reflexão o tema esteve ali, a ser considerado.”

 

Também sabem que poderá haver resistências à entrega de materiais e à publicação. “Sabemos que estamos a tocar assuntos muito delicados”, asseguram. Recordam o caso de uma mulher, vítima de violência doméstica, que ganhou em Itália um concurso semelhante ao agora lançado em Portugal e só anos mais tarde recebeu o prémio, depois de o marido morrer. Há também questões legais que podem colocar-se, por exemplo, no caso de pessoas que encontram ou compram materiais que não se importam de doar mas que dizem respeito a terceiros.

 

Tal como em Itália, está prevista a publicação anual de pelo menos um diário: quem entrega os seus materiais pode escolher participar num concurso aberto até 1 de Março próximo. Depois, um painel de dois júris – um popular e um técnico – escolherá um vencedor. Será publicado pela Penguin – Companhia das Letras.

 

As entregas podem ser feitas na Biblioteca de São Lázaro todos os sábados das 11h às 13h ou enviadas por correio e a associação tem um site com toda a informação em www.arquivodosdiarios.pt. Tem também uma página de Facebook aqui.

 

Arquivo dos Diários

Biblioteca de São Lázaro

Rua do Saco, 1  Lisboa 1169-107 (Freguesia de Arroios)  

 

 

Agradecimentos:

 

artigo de Vanessa Rato no jornal Público, artigo de Samuel Alemão em “O Corvo” e textos reunidos no site Arquivo dos Diários.

 

Fotos gentilmente cedidas por Arquivo dos Diários e Soraia Martins

 

 

 


15.11.15

 

 

 

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 Samuel van Hoogstraten (1664)

 

 

Queridos Leitores,

 

o blog faz hoje sete anos, os últimos dois com a presença semanal do Bloco-Notas de José Cutileiro. São já mais de cem crónicas com o respectivo boneco, como ele diz. São textos que me orgulho de publicar e estou-lhe muitíssimo grata por isso. Grata ainda pela ajuda que tem dado a manter vivo este espaço e por me deixar exercer funções de iconógrafa – mot savant que ouvi há uns anos numa conferência no Instituto Francês e a que logo me identifiquei. 

 

Este ano o Retrovisor recebeu outras contribuições valiosas: as fotografias de João D’Korth, cerca de 300 imagens dos anos 30 e 40, que Henrique D’Korth Brandão pôs à minha disposição e ajudou a digitalizar, e a série My Years in Angola (1950-1970) graças à colaboração de Elizabeth Davies. Agradeço ainda a Jorge Colaço, amigo e colaborador deste blog desde o princípio. 

 

Ao longo destes anos tenho acompanhado com interesse a expansão dos conteúdos em português na rede, muito graças à blogosfera, e detectado lacunas também. Ainda há personalidades do século XX em Portugal com pouca ou nenhuma presença na net. A fotografia vernacular começa a despertar mais interesse – neste momento estão patentes em Lisboa fotografias dos álbuns da Raínha D. Amélia e dos Retornados das ex-colónias – mas quanta coisa não se terá já perdido ou continua a desbotar no fundo duma gaveta? 

 

Há pouco tempo, para ilustrar um artigo sobre o poeta Tomaz Kim, o Jornal de Letras usou uma fotografia deste blog (muito bonita apesar de um pouco estragada). No verão passado o jornal Observador usou imagens que tenho coleccionado das praias de antigamente, algumas das quais eu própria descobri na rede. As fotografias de João D’Korth da Exposição do Mundo Português contêm surpresas apesar de tratar-se de um evento tão amplamente registado. Espero continuar a mostrar aqui curiosidades do mesmo género, que no entanto não vêm ter comigo ao ritmo a que eu desejaria.

 

Aos leitores que visitam pela primeira vez, ou que do Retrovisor conhecem pouco mais que o Bloco-Notas de José Cutileiro, convido à leitura de anteriores posts de aniversário.

 

Muito obrigada pela visita!

 

 

*

 

 

Álbum de Família (2008)

 

Queridos Leitores, (2011)

 

Cabinet de Curiosités (2011)

 

Na blogosfera desde 2008 (2012)

 

Cabinet de curiosités 2 (2013)

 

Tags (2013)

 

 


31.7.15

 

 

 

Déjeuner sur l'herbe 1933

 

 

 

 

 

 

 

 

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Néné campagne

 

 

 fotografias de João D' Korth

 c. 1933

 álbum Vintage France no Flickr

 

 

 

 

 

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29.6.15

 

 

 

La vida es un sueño y los sueños sueños son. Calderón cut a play's title out of that old Spanish proverb. Life is a Dream. The rest translates: 'Dreams are dreams.'

 

On the fifth of March 1933, the banks of the nation closed. Led more by a nose for drama than by the concern proper to a son, I hustled uptown to see how the 'old man' was weathering the crisis; my curiosity was not altogether sympathetic.

 

His business was located at 295 Fifth Avenue, the Textile Building, a hive of importers, wholesalers like himself, dark-complexioned men, immigrants all, most of them Armenians but some Anatolian Greeks, as well as a few Persians, Syrians and Egyptians. These men had come overseas from the East, propelled by a dream: that here their throats would not be cut. Working in the dust of carpets, living alone in dark back rooms, depriving themselves of pleasures, they'd put the dollars together, year after year, obeying the voice in the air of America; to accumulate money; that was safety, that was happiness. They married late, unromantically, going back to their native lands, as my father had, to find a proper woman out of their own tradition, ten, fifteen, twenty years younger, then made children as quickly as possible in half-paid-for homes while dutifully continuing to feed their accounts in banks whose doors, that morning, had remained locked.

 

Generally these men entered my father's store only when they had a customer whose needs they weren't able to meet from their own stock. They'd escort this buyer to Father's place and there pick up, in place of a profit, a commission. These encounters were rare since they were a last resort. My father's competitors paid each other no casual visits. But when I walked in that morning, there they were, a dozen or more, sitting cross-legged on piles of three-by-five Sarouk or Hamadan 'mats', clumped together in static postures, like hens roosting. Motionless, inanimate, they seemed to be waiting – but for what? Occasionally a few mournful words would be mumbled, a puzzled complaint. No response was expected, none offered.

 

Skirting the motionless figures, I circled back to the small desk where I was supposed to tend the accounts-due books. With business as bad as it had been, there'd been little to do that summer. I'd typed a few letters: 'Your immediate check would be sincerely appreciated' or 'We will regretfully be forced to place your account in the hands of our lawyers.' But most of the time I'd tilted up the large stock of our book and hidden The Brothers Karamazov behind it. This had been noticed, of course, and reinforced the general opinion that I was a young man without a future.

 

On this morning I sat idle, like the others, studying the assembly of merchants, men whose skins had once been a rich olive and were now pale from worry and the cold light that concrete walls shed. They're like shipwrecked sailors, I thought, thrown up on a desert and waiting for someone to rescue them.

 

Actually my father's business had gone 'kaput' - his word — three years before, in 1929, when the market collapsed. He'd put the yield of a life's labour into a stock issued by the National City Bank. Bought at just over 300, climbing as millions cheered past 600, it then rumpled with all the others down the mountain of high finance, like the boulders of an avalanche, to 23. At that time, he'd thought of his disaster as something for which he was in some way responsible; he must have done something wrong, made some awful mistake. Had he been outsmarted? Had he been cheated?

 

But now, in 1933, on the day the banks closed, surrounded as he was by men who shared the catastrophe — no one smarter, no one luckier, he knew them all to be as ordinary as he was - Father must have begun to accept that what had happened was more serious than any mistake he could have made. The men around him were all bleeding from the same invisible lesions. In a few years many of them would be out of business. They all shared a dread of what was coming.

 

 

Elia Kazan

in  A Life   p.102-103

© Elia Kazan 1988

 

 

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On board the Keiser Wilhelm which brought us to America (1913)



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7.5.15

 

 

Tesouros Fotografia XIX

 

João Francisco Camacho, Ilha da Madeira, Costa Norte, 1870 -1876.

Col. Arquivo de Documentação Fotográfica da DGPC

 

 

 

 

Tesouros da Fotografia Portuguesa do Século XIX

Curadoria: Emília Tavares e Margarida Medeiros

Museu Nacional de Arte Contemporânea [até 28 de Junho 2015]

Rua Serpa Pinto, 4

1200-444 Lisboa
 
 
 

A exposição apresenta um conjunto significativo de fotógrafos, imagens e objectos provenientes de mais de uma dezena de acervos públicos e cinco privados, colocando em diálogo diversas instituições que têm como missão a salvaguarda do património fotográfico nacional. 

 

A fotografia produzida em Portugal no século XIX [1840 - 1900] continua em grande medida desconhecida e arredada do estudo da sociedade e da cultura oitocentistas. Este projecto aborda algumas das principais vertentes do legado fotográfico produzido no século XIX em Portugal, constituindo um primeiro esboço de análise global sobre os seus meios de produção e divulgação. 

 

Merecem particular atenção as fotografias inéditas de colecções particulares, como a colecção João José P. Edward Clode, e creio ser a primeira vez que são expostas fotografias de Margarida Relvas. Quatro câmaras fotográficas são outra das curiosidades destra mostra.  

 

O catálogo ainda não se encontra disponível.

 

 

Margarida Relvas neste blog aqui

 

O meu álbum de fotografias do século XIX no Flickr aqui

 

Fotografia do século XIX neste blog nas tags Photographia, Relvas

 

 

 

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24.4.15

 

Henrique D’Korth Brandão,  que alguns leitores conhecem do Facebook onde publica regularmente fotografias – as suas e as do seu álbum de família ­– pôs gentilmente à disposição deste blog os álbuns de fotografias de seu tio João D'Korth, que lhe foram recentemente oferecidos. Em futuros posts apresentaremos as fotografias de João D'Korth, começando pelo álbum da Exposição do Mundo Português (1940), a coincidir com as efemérides dos 75 anos do evento e dos 120 anos do nascimento de António Ferro.

 

Pedi a Henrique uma apresentação de João D'Korth:

 

 

 

 

 

João D’Korth (1893-1974)

 

 

 

 

 

João D’Korth (1893-1974) 

 

Meu tio-avô João "Grande" (como me ensinaram a chamar-lhe para o distinguir do tio João "Pequeno", irmão de minha mãe), nasceu em Lisboa ao meio-dia de terça-feira 2 de Maio de 1893 na Rua Larga de São Roque, número 66, 2º andar e foi baptizado aos 25 dias do mesmo mês, na igreja do Santíssimo Sacramento com o nome de João Chrystiano Castagna D'Korth.

 

Sei que o "Tio Faísca" trabalhou décadas na C.R.G.E. [Companhias Reunidas de Gás e Electricidade] quando ainda sediada na rua Vítor Cordon, que esteve em França na Grande Guerra, e aí se interessou por pombos-correios. Também gostava de pesca. No jardim da sua Princesa, havia pombas de leque e carpas brocadas em profusão; rosas de Santa Teresinha e brincos-de-princesa.

 

 

 

D'Korth João fardado 1917 07

 

 

João D'Korth em 1917

 

 

 

Segundo a minha mãe e a minha tia, o tio João tratou a Néné "como uma Princesa". Era a Princesa dele e uso agora a aliança que ele usou, revelando quando aberta o nome dela e a data do casamento: Maria das Dôres, 9-2-1931.

 

Foi a Néné que encadernou livros e albuns de fotografias, preservando a maior parte do espólio de imagens a que tive acesso — a guardadora de imagens que me permitem evocar e aceder a esse mapa da cidade-de-cada-um, feito das ruas-do-onde-morava.

 

 

 

 

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Nené - Maria das Dores D'Korth no seu estúdio de encadernação

em Lisboa na Travessa da Fábrica das Sedas, 23

 

 

 

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 Álbum de fotografias de João D'Korth encadernado e com papel estampado por Néné 

 

 

Foi engenheiro e engenhocas. Os relógios, que coleccionou, pontuaram a vida da casa, do rés-do-chão ao primeiro andar; acertados por ele, disparavam a cada quarto-de-hora em intervalos de segundos para se poder ouvir distintamente o toque de cada um. Eram relógios de caixa-alta, de carrilhão, de mesa, de três movimentos, de parede e, em profusão no estúdio de encadernação da tia Dores, os de cuco.

 

 

A música foi outra das suas paixões: seu pai, meu bisavô João Gregório D'Korth, médico-homeopata, foi um dos fundadores da Academia de Amadores de Música. Tocava violino e os três filhos estudaram todos um instrumento. Piano, violino e violoncelo, em casa, em Paris e em Berlim.

 

 

 

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Da esq. para a dta Maria Henriqueta (1892), João Cristiano (1893) e Arminda Mariana (1894)

Lisboa, fotografia Vidal e Fonseca, c. 1900

 

 

 

As aparelhagens de som foram em várias casas de parentes montadas por ele com requintes de amplificação e pré-amplificação. Gostava de automóveis e de viagens; primeiro, das complicadas, daquelas guiadas horas a fio e com guindastes pelo meio para içar a máquina da estrada para o ferry e do barco para outras margens.

 

 

 

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 Viagem a Marrocos, anos 40

 

 

 

Com o passar dos anos, foram os cruzeiros e a linha "C", "Grande come il mare", com todo o seu rol de nomes de Augusto a Flavia, passando pelo meu: Enrico.

 

 

Só há pouco descobri que aos pombos, peixes, automóveis, abelhas, relógios, navios, e aviões, podia juntar ainda como paixão sua a fotografia. Faceta oculta que me é revelada meio-século volvido: quando julgava não existirem mais fotografias de família para digitalizar, aparecem quatro álbuns que me dão a ver um mundo que se estende para além do país dos afectos.

 

 

 

 

 

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Estádio Nacional, 1944

Toni e Néné, os irmãos António José Brandão e Maria das Dôres Brandão D'Korth

 

 

 

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Exposição do Mundo Português, Lisboa 1940

Nau Portugal aqui

 

Álbum Exposição do Mundo Português no Flickr

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FAMÍLIAS - NOMES

 

Os Castagna vieram de Malta em meados do século XIX, e foram comerciantes com loja de câmbio na Rua dos Capellistas, ou Rua Nova d'El-Rey.

 

Os D'Korth eram médicos que emigraram da Antuérpia para a cidade da Horta e daí para Montevideo, Porto e Lisboa. O tio João Grande era irmão de minha avó [materna] e casou com uma irmã de meu avô [materno]: cunhados, irmãos e vizinhos, numa espécie de imagem de espelho a revelar as duas famílias de que descende minha mãe: os (Carvalho) Brandão, brincalhões e mais down-to-earth, vindos da Mealhada-Anadia para Lisboa onde meu bisavô abriu loja na rua Augusta em 1913. Os de Korth, reservados de aparência e assaz altivos.

 

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Pintura a óleo representando o bisavô João Gregório D'Korth (1853-1925) a tocar violino com o "seu" quarteto; pintado pela minha bisavó, Marianna Castagna D'Korth, em 1900, na casa da Estrada das Laranjeiras a Palhavã. A casa foi demolida para dar lugar á Praça de Espanha e o quadro desapareceu também.

 

 

Henrique D'Korth Brandão

Lisboa 2015

 

 

 

 Álbuns no Flickr:

Exposição do Mundo Português

 França Anos 30

Marrocos Anos 40

 

 

 

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9.12.14

 

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 Foto: Júlio Novais (1904)

 

Nos 160 anos da morte de Garrett a BNP revisita a Exposição Garrettiana de 1904

aqui

 

No ano do cinquentenário da morte de Almeida Garrett, a Biblioteca Nacional promoveu uma exposição comemorativa, era então seu director o erudito e bibliófilo Xavier da Cunha (além de crítico e poeta, também sob o pseudónimo de Olímpio Freitas), ao tempo fundador da Sociedade Literária Almeida Garrett e membro dos seus corpos dirigentes.

 

Admirador de Almeida Garrett, Xavier da Cunha esteve no centro das comemorações, antes de mais no centenário do nascimento, em 1899, propondo à Academia das Ciências de Lisboa a edição de um «livro áureo» do autor de Viagens na Minha Terra, iniciativa que não vingou. Nos anos subsequentes, porém, sobretudo a partir de 1903, a proposta para a trasladação dos restos mortais de Garrett para o Panteão dos Jerónimos, a cargo da Sociedade Literária Almeida Garrett e ocorrida a 3 de maio, foi amplamente difundida pela imprensa portuguesa, com destaque para o Diário de Notícias, de que era então redactor principal o escritor Brito Aranha.

 

No ano seguinte, ao mesmo tempo que Teófilo Braga coordenava as Obras Completas de Almeida Garrett, em diversos volumes de uma «Edição ilustrada» de pequeno formato e em dois tomos de uma «Grande edição popular», a Biblioteca Nacional chamou a si a organização de uma exposição de «homenagem simples e modestíssima» ao escritor romântico, segundo descrição no Boletim da Sociedade Literária Almeida Garrett . Inaugurada a 9 de dezembro de 1904 pelo príncipe real D. Luís Filipe e seu irmão e futuro rei D. Manuel, com assinaturas inscritas em Livro de Visitantes, desta exposição não chegou a ser impresso catálogo (cujo original manuscrito consta existir na Sala Ferreira Lima, FLUC), porém o seu registo fotográfico foi deixado por Júlio Novais e reunidos numa miscelânea os jornais diários que noticiaram o evento.

 

 

 

 

Nota:

Sobre a Sociedade Literária Almeida Garrett e o escritor Xavier da Cunha leia neste blog o post Impressões Deslandesianas.

 

Mais neste blog na tag Garrett

 

 

 

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17.8.14

 

Duas fotografias do álbum do Brasil, de finais do século XIX. O álbum pertenceu a meu tio-avô António Guilherme de Barros Pereira de Carvalho (1893-1939) e chegou-me do Brasil setenta anos depois da sua morte pela mão generosa de Maria Amália Fragelli, que o conservou depois do desaparecimento da única descendente directa de António Guilherme, Stella Maria Pereira de Carvalho

 

           

 

 Brasil, finais do séc. XIX

 

 

 

 

Aninhas, finais do séc XIX

 

 

A menina encostada ao mastro pode ser Ana Maria Barros da Costa Morais, prima de António Guilherme e de Guilherme Júnior, meu avô materno, cujo retrato se encontra na página anterior do álbum e aqui.

 

 

 

 

 

 

Leia mais sobre O álbum do Brasil

 

 

 

Outras fotografias do álbum do Brasil nos posts

 

dispersed relatives

 

A Écloga e a Epopeia (2)

 

Criança (1896)

 

Casa da Mogada (2) 

 

Criança (c.1890)

 

 

 

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2.8.14

 

 

 

S. João do Estoril , Portugal. Princípios do século XX

 

 

As nossas férias eram passadas em S. João do Estoril em Agosto e em Ferreirim em Setembro. Para S. João em geral vínhamos de comboio, o que não era complicado ou demorado. As poucas vezes que viemos de táxi o que me impressionava era a estrada ser tão abaulada, diziam que era por causa da chuva... como era estreita, e tinha dois sentidos, o carro desviava-se para a berma, e os que vinham em sentido contrário passavam melhor! Em cada Verão o meu Avô contratava o Sr. Feliciano (dono de um táxi) que era muito simpático, para nos levar a passear a Sintra. A Avó Alda gostava muito da frescura de Sintra, o passeio era sempre o mesmo, e só íamos uma vez. Assim era uma tarde muito desejada, que me dava um enorme gozo e prazer...

 

Tudo o que havia "de melhor" era usado em Lisboa, o menos bom no Estoril, e o mais velho e estragado ia para Ferreirim. A minha Mãe aproveitava tudo e por vezes ficávamos surpreendidos como "tudo fazia jeito" nos Buxeiros...!

 

Na praia da Poça tínhamos um grande grupo de amigos. As casas eram alugadas ao ano, e assim as famílias vinham para as mesmas casas todos os anos.

 

Poucos tinham casa própria.

 

 

 

 

S. João do Estoril , Portugal. Meados do século XX

Fotografia sem data. Produzida durante a actividade do Estúdio Horácio Novais, 1930-1980.

 

 

 

 

 

Marido Alda Rosa-pb

 José Manuel da Silveira de Sousa

 

 

Também na nossa adolescência, não falhávamos um "sábado á noite" no "Casino Estoril", onde aproveitávamos para dançar... Sempre gostei muito  de  vir  para  S. João do Estoril, era divertido. O tempo era muito preenchido e passava rapidamente... tínhamos muitos amigos, uns mais amigos que outros!!!!

 

Alda Rosa Bandeira de Lima Osório Bernardo de Sousa

in  Memórias e Saudades

2011

 

 

Nota: ver também os posts "Chalet Alda" e " Festas e Mascaradas"

 

Agradecimentos: Alda Rosa Bernardo de Sousa, Maria do Rosário Sousa Machado, blog Restos de Colecção, Biblioteca de Arte Fundação Calouste Gulbenkian

 


21.7.14

 

Em tempo de Verão regresso aos álbuns de família e colecções privadas que aqui tenho explorado. 

 

À excepção da fotografia do chalet, as imagens deste post foram encontradas na blogosfera portuguesa. Não achei fotografias de fandangueiros, saltimbancos, mulheres dos bolos e banheiros nas praias de Portugal do princípio do século XX.

 

Sobre este álbum de recordações de Alda Rosa, “para os filhos, netos e bisnetos”, editado em 2011 e do qual foram feitos 3 exemplares impressos, leia neste blog o post Festas e Mascaradas. 

 

Agradecimentos especiais a Alda Rosa Bernardo de Sousa, Maria do Rosário Sousa Machado e blogs Restos de ColecçãoTeatro e MarionetasAmérico e Galafanha.  

 

 

 

 

Chalet Alda , S. João do Estoril c. 1900

 

 

No meu tempo de menina, as horas em que se ia à praia eram totalmente diferentes das de hoje. íamos de manhã, e á tarde ficávamos no jardim. Só em dia de pic-nic é que ficávamos na praia até mais tarde. Estes almoços eram de "garfo e faca" e toalha posta na mesa. De casa vinham salada russa e um prato quente trazidos pelas criadas. Os banheiros emprestavam-nos uns banquinhos e umas tábuas que serviam de mesa e as cadeiras eram também deles. Claro que com tanta mordomia estes pic-nics não podiam repetir-se muitas vezes.

 

Mesmo para se comer na praia só havia barquilhos e bolas de Berlim. O homem dos barquilhos apregoava: Barquilheiro!!! Trazia uma lata alta com uma roleta, o comprador fazia girar a roleta que ditava a sorte de comer pelo mesmo preço mais ou menos barquilhos. O homem das bolas de Berlim apregoava: bolas de Berlim, perlim pimpim! Assim andavam pela praia estes vendedores. A senhora Ana dos bolos só apareceu mais tarde...

 

 

 

 

 

 

             
Barquilheiro, Roleta de Barquilhos

 

 

 

 

Para divertir as crianças aparecia o "Fandangueiro". Trazia um pequeno estrado, e fazia o seu número de sapateado (com a música do fandango). Também para nos entreter havia o homem dos cães. Trazia 4 ou 5 cães e com cães fazia o seu número. A um dos cães ele mandava «morrer à moda da China com três cartuchos...!» e o cãozinho deitava-se fingir que tinha morrido.

 

O "Catitinha" aparecia na praia todo vestido de preto pois tinha perdido uma filha. Protegia e gostava de crianças: apertava a mão a cada criança e apitava. Os miúdos corriam para ele, apesar de ser uma figura sinistra, com um grande cabelo branco...

 

Os "Robertos" apareciam com a sua voz de flauta e o número de pancadaria a que nos habituaram. No fim pediam dinheiro pelas "actuações" que tinham feito!

 

 

 

 

Robertos na Foz do Douro, início do século XX

 

 

 

 

Para os banhos de sol os banheiros também forneciam encostos e os toldos eram ao mês. Os banheiros tinham "chatas" que levávamos até fora de pé, para aí tomar banho. Muitas vezes atirávamos água uns aos outros e ali se fazia uma guerra com água, que muito nos divertia. As "chatas" eram cada uma do seu banheiro, e não havia rivalidade, era só brincadeira.

 

Também íamos ao Rádio Clube Português patinar...

 

Com tantos programas, as férias em S. João do Estoril eram muito apreciadas...

 

 

Alda Rosa Bandeira de Lima Osório Bernardo de Sousa

in  Memórias e Saudades

2011

 

 

 


5.7.14

 

 

 

Uma visita do Governador-Geral da Índia Portuguesa Capitão de Fragata José Freitas Ribeiro

em começo de 1918

 

 

Fotografia gentilmente cedida por Laura Castro Caldas a quem muito agradeço

 

 

 

 

 

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29.6.14

 

 

A visita do Governador Geral Dr. Jaime Alberto de Castro Morais a Damão, Novembro de 1923

 

Fotografia gentilmente cedida por Laura Castro Caldas a quem muito agradeço

 

 

 

 

 

 

 

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10.5.14

 

 

 Julian Barnes

 

 

First Nietzsche, then Nadar. God is dead, and no longer there to see us. So we must see us. And Nadar gave us the distance, the height, to do so. He gave us Gods distance, the Gods-eye view. And where it ended (for the moment) was with Earthrise and those photographs taken from lunar orbit, in which our planet looks more or less like any other planet (except to an astronomer): silent, revolving, beautiful, dead, irrelevant. Which may have been how God saw us, and why He absented himself. Of course I don't believe in the Absenting God, but such a story makes a nice pattern.

 

When we killed — or exiled — God, we also killed ourselves. Did we notice that sufficiently at the time? No God, no afterlife, no us. We were right to kill Him, of course, this long-standing imaginary friend of ours. And we weren't going to get an afterlife anyway. But we sawed off the branch we were sitting on. And the view from there, from that height — even if it was only the illusion of a view wasn't so bad.

 

We have lost God's height, and gained Nadar's; but we have also lost depth. Once, a long time ago, we could go down into the Underworld, where the dead still lived. Now, that metaphor is lost to us, and we can only go down literally: potholing, drilling for minerals, and so on. Instead of the Underworld, the Underground. Some of us will go down into the earth at the end of it all. Not very far, just six feet down; except that the scale of depth is lost as you stand there and throw flowers down on to a coffin lid, whose brass nameplate winks back at you. Then, it looks and feels a long way down, six feet.

 

 

Julian Barnes

in Levels of Life

Jonathan Cape 2013

© Julian Barnes

 

*

 

 

 

Primeiro Nietzsche, depois Nadar. Deus morreu e já não está lá a ver-nos. Por isso temos nós de nos ver. E Nadar deu-nos a distância, a altitude para o fazermos. Deu-nos a distância de Deus, a visão do olhar de Deus. E onde chegou (até agora) foi ao Nascer da Terra e àque­las fotografias tiradas da órbita lunar, nas quais o nosso planeta parece praticamente igual a outro planeta qual­quer (exceto para um astrónomo): silencioso, rotativo, lindo, morto, irrelevante. Que pode ter sido como Deus nos viu e a razão pela qual se ausentou. E claro que não acredito no Deus Ausente, mas uma história assim é um belo paradigma.

 

Quando matámos (ou exilámos) Deus, matámo-nos também. Demos realmente por isso, na altura? Nem Deus, nem vida depois da morte, nem nós. Fizemos bem em matá-lo, é claro, ao nosso amigo imaginário de longa data. Também não íamos ter vida nenhuma depois da morte. Mas serrámos o ramo onde estávamos sentados. E a vista de lá, daquela altura — ainda que fosse uma vis­ta ilusória — não era assim tão má.

 

Perdemos a altitude de Deus e ganhámos a de Na­dar; mas também perdemos profundidade. Outrora, há muito tempo, podíamos descer ao Submundo, onde os mortos continuavam a viver. Hoje, para nós, essa metá­fora perdeu-se e só podemos descer literalmente: espe­leologia, extração de minério e assim por diante. Em vez do Submundo, o Metropolitano. Alguns de nós des­cem à terra, quando tudo acaba. Não é muito, só um me­tro e tal; mas a escala de profundidade perde-se, quando estamos ali de pé a atirar flores lá para baixo, para a tampa de um caixão, e o nome na placa de latão nos res­ponde com um piscar de olho. Então parece-nos e senti­mos que é muito fundo, um metro e tal.

 

 

Julian Barnes

in Os Níveis da Vida

© 2013 Quetzal Editores/ Julian Barnes

 

tradução de Helena Cardoso

 

 

 

 

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7.5.14

 

 

 

 Jardim-Escola João de Deus aqui

 

 

 

 

 

Óleo de fígado de bacalhau

 

 

História de crianças de que me lembro às vezes, quando vem a propósito. Talvez seja o caso agora — ou talvez não — mas se o for, o menino chamar-se-ia Portugal e estaria num infantário chamado “Jardim-Escola Europa do Sul” onde todos eram obrigados a tomar óleo de fígado de bacalhau de manhã. Rabiavam, mordiam a colher, cuspiam, barafustavam, salvo o menino Portugal que engolia o óleo sem caretas nem protestos. Sempre e com tanta compostura que um dia os outros meninos lhe perguntaram porquê.

 

“Cada colher que tomo, a minha mãe dá-me cinco tostões”.

“E o que é que fazes com os cinco tostões?”

“Junto e quando há dinheiro que chegue a minha mãe compra outra garrafa de óleo de fígado de bacalhau”.

 

Deixado pelos métodos heroicos de tratamento preconizados pela troika com dívida muito maior do que a que tinha antes de começar a ser tratado, desenha-se no futuro de Portugal outra grande garrafa de óleo de fígado de bacalhau. Para usar imagem de Vaclav Havel, começa a ver-se o túnel ao fundo da luz. E, para usar pergunta de Lenine, o que é que se tem de fazer?

 

Antes porém de, embalados por metáforas, nos pormos à procura de soluções, é preciso saudar o povo português. Há nele uma capacidade de bom-senso que sacrifica impulsos do presente a benefícios no futuro e se manifesta quando menos se espera. Nos últimos 40 anos aconteceu-nos duas vezes: pouco depois do 25 de Abril, no acolhimento aos retornados das antigas colónias africanas — certamente o feito colectivo mais notával do país depois do das descobertas do século XV — e agora na aceitação estoica dos rigores da austeridade imposta pela Alemanha, condição moralista sine qua non de deitar uma corda que ajudasse a rebocar a nossa jangada. (E saudar também as autoridades portuguesas que aplicaram à população as medidas mais duras de que há memória ou notícia, nem sempre com habilidade política mas convencidas, a meu ver bem, de que, sem elas, os grandes e as instituições internacionais nos teriam deixado afogar).

 

Para o menino não ter de encetar outra garrafa seria preciso que grande parte da dívida fosse, para efeitos práticos, perdoada. Numa altura em que economistas de diferentes seitas passaram a aplicar os seus intelectos à desigualdade cada vez maior de ricos e pobres em todo o mundo, considerada enorme problema (se bem que, até agora, não haja prova que tal torne sociedades mais agressivas ou conduza a revoluções) é provável que se crie ambiente para isso. Com “O capital no século XXI” do francês Thomas Piketty — grande trabalho de investigação mas fraco guia de acção política, chamou-lhe The Economist — a atravancar imaginações de académicos e de governantes, a visão egoísta e, para além do curto prazo, nociva para todos, da Alemanha de Ângela Merkel perderá o domínio da cena.

 

Historiadores futuros hão de explicar melhor do que nós porque é que os governantes da União Europeia seguiram cegamente a Alemanha no rumo desastroso da austeridade.

 

 

 

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19.2.14

 

 

 

Portugueses prisioneiros dos alemães na Primeira Guerra Mundial (1916) Wikipédia

 

 

 

 

 

 

Duas lições da História

 

 

Lisboa tinham-na os mouros.

                                                                        

Quem a havia de tomar?

                                                                                

El-Rei D. Afonso Henriques

                                                                          

Com os Cruzados a ajudar.

 

 

 

O espírito dos Lusíadas fora assim afunilado no livro de leitura da terceira classe dos meninos e meninas portugueses, no começo dos anos 50 do século passado. Graças sobretudo a cartas de dois dos cruzados conhecem-se alguns pormenores do feito, praticado em 1147. As cartas não referem porém o episódio que ficou gravado para sempre na história militar lusitana, lembrado por pais a filhos, com nome de Largo na Baixa de Lisboa e tudo. Martim Moniz, fidalgo próximo de El-Rei, uma vez aberta fresta entre os batentes da porta principal da fortaleza, atravessou-se nela, dando a vida pela vitória. O seu corpo impediu que os mouros conseguissem voltar a fechar a porta, os cristãos entraram por ela e conquistaram a cidade.

 

 

A tradição não conta que na véspera à noite se teria travado viva discussão entre conselheiros de D. Afonso Henriques. Uns preconizariam o ataque directo à porta principal, aproveitando a passagem dos cruzados e antecipando a chegada de quaisquer reforços mouros vindos do sul. Outros porém, sustentariam que tal esforço seria vão e custoso em vidas, que o cerco acabaria por esfomear os sitiados e os levaria à rendição, e até que, entretanto, ficariam tão enfraquecidos que dentro de duas semanas se poderia fazer ataque surpresa à noite, escalando a parte mais baixa da muralha, nas traseiras do castelo. É plausível — se bem que as fontes utilizadas não sejam geralmente consideradas fidedignas por medievalistas — e, embora não diga de que lado se colocara Martim Moniz, sabe-se o que aconteceu depois e há uma lição a tirar.

 

 

A política externa conduzida quer à maneira europeia de hoje (“Não há rapazes maus”) quer à maneira universal de Clausewitz (de armas na mão, se preciso for) exige determinação, sentido de oportunidade e coragem. Se estes tivessem faltado a D. Afonso Henriques há 1867 anos o destino da cidade de Ulisses teria sido outro e não haveria heroísmo de Martim Moniz para nos inspirar.

 

 

Segunda lição. Em 1916, Portugal entrou na Grande Guerra contra os alemães. Tropas portuguesas combateram em África e no norte de França, tendo sofrido muitas baixas na batalha de La Lys onde as nossas forças se bateram ao lado dos ingleses. Conheci há muitos anos tenente-coronel  reformado, visita de casa de amigos açorianos, que nessa batalha comandara uma bateria de morteiros. Era uma santa pessoa. Tão bom e tão piedoso que, disse-me ele, de cada vez que atirava um morteiro contra os alemães, rezava pedindo a Deus para não matar ninguém.

 

 

Lição: guerras, que dão largas ao pior que há no homem, despertam também às vezes o melhor nele. Politicamente incorrecto? Talvez, mas é assim.

 

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12.1.14

 

 

 

Anonymous

A Young Woman, no date

photograph, with a painted decorative background, 45 x 47 cm

 

 

 

Anonymous

Seated Man, no date

photograph, with a painted decorative background, 50 x 60 cm

 

Following German and Dutch precedent, where paintings made on the back of glass are called Hinterglasmalerei and achterglasschilderij re­spectively, we have coined the term 'reverse-glass painting'. To speak of 'behind-glass' painting generates ambiguity, and it hardly conveys an idea of the basic technique, which involves work performed on the back of a sheet of glass. (Although 'back-of-glass' removes all ambiguities, it is dreadfully cumbersome.) The term eglomise, widely used by histor­ians of the decorative arts, refers specifically to a technique that involves decorating glass by means of gilding, while the expression 'fixed under glass' refers, of course, to pictures pasted behind or framed under glass.The word 'fixed' is, none the less, frequently encountered in the liter­ature on Senegalese art, and, if its application is often incorrect, it is sometimes partially appropriate in a few early examples where both techniques — painting and pasting — are combined: these examples are chromolithographs or photographs that have been placed behind painted glass. Finally, in Senegal, glass paintings are called suwer, a Wolof word directly borrowed from the French sous-verre (behind or under glass). By extension, suwer is the term that is also used to emphasize the qualities of culinary dishes made with a great variety of ingredients: a ceebu jen (rice with fish) is called ceeb suwer when it is richly decorated and colourful.

 

 

Anne-Marie Bouttiaux-Ndiaye

in Senegal Behind Glass, Images of Religious and Daily Life 

© 1994 Prestel-Verlag, Munich and New York and the Royal Museum for Central Africa, Tervuren

 

 

 

 

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10.1.14

 

 

 

Luanda, Angola 

© Royal Museum for Central Africa

 

This staged picture was shot in a studio on the African West Coast, and shows Henry M. Stanley describing his travels to the Portuguese Expedition (Ivens, Capelo, Serpa Pinto) at Luanda, [August or September 1877].

 
This oval-framed photograph, mounted on cardboard, with pencil inscription, is kept in the Henry M. Stanley Archives (King Baudouin Foundation Collection held in trust at the RMCA).

 

 

veja aqui o livro "Exploradores Portugueses e Reis Africanos"

 

 

 

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29.12.13

 

 

 

Lisboa, 1909

 

 

A propósito de post recente no blog Restos de Colecção sobre o Banco Burnay aqui, uma foto de Henry Burnay encontrada no espólio de Venâncio Augusto Deslandes, que vemos à direita, de chapéu alto. A fotografia data de 1909, ano da morte de ambos.

 

 

Mais sobre Henry Burnay em Associação dos Amigos da Torre do Tombo aqui

Mais sobre Venâncio Augusto Deslandes neste blog aqui e aqui

 

 

link do postPor VF, às 12:51  comentar

27.12.13

 

 

 

 The Family Project de Matías Costa

 

 

 

Em 2013 os álbuns de família marcaram presença em várias exposições em Portugal:

 

O Amor e a Família foi o tema da 23.ª edição dos Encontros da Imagem, em Braga. Em várias das exposições, os álbuns de família foram tratados como objecto de arte - e de culto, mesmo se sob um título genérico pouco optimista, roubado a canção dos Joy Division: Love will tear us apart (O amor vai separar-nos).

 

Interessou-me particularmente The Family Project de Matías Costa, jornalista e fotógrafo madrileno que trabalha sobre a sua própria memória familiar, alternando imagens dos seus avós com as memórias dos grandes acontecimentos do século XX, desde a migração europeia para a América e das duas Guerras Mundiais até às ditaduras na Alemanha, Rússia e América Latina.

 

 

Veja o artigo "Os álbuns de família são agora um novo objecto de culto" de Sérgio C. Andrade no jornal Público 

 

 

 

 

Até 5 de Janeiro de 2014, Entre Memória e Arquivo no Museu Berardo, explora a relação entre a fotografia e o arquivo nas práticas artísticas contemporâneas. Sobre esta exposição leia mais neste blog aqui.

 

 

 

 

Entre Memória e Arquivo 

 

Curadoria de Ruth Rosengarten

 até 5 de Janeiro de 2014

CCB - Museu Colecção Berardo 

 

 

 

Por fim, ainda pode ver até 4 de Janeiro  "Ana Maria Holstein Beck - Álbuns de Família", uma colecção doada ao Arquivo Municipal de Lisboa. A autoria da maioria dos álbuns é de Ana Maria José Francisca de Paula de Sousa e Holstein Beck (1902-1966), que reuniu mais de 5 900 fotografias. É apresentada uma selecção de 120 imagens, de 1908 a 1956, assim como a possibilidade de folhear em écran e diaporama os álbuns integralmente digitalizados, expostos em vitrines. A exposição inclui ainda dois documentários, um sobre as várias etapas do tratamento documental, outro com os depoimentos dos autores que contribuiram para a investigação.

 

Esta é uma iniciativa importante para sensibilizar a público para a conservação documental e espera-se que o exemplo inspire novas doações.



 

 

 

Ana Maria Holstein Beck - Álbuns de Família

até 4 de Janeiro de 2014

Arquivo Municipal de Lisboa

 

 

 

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6.12.13

 

 

 

Anonyme; Cabinet de curiosités; (fin XVIIe siècle)

Huile sur toile; Florence; Opificio delle Pietre Dure. aqui

 

 

Tenho celebrado um ou outro aniversário do blog com um breve balanço e queria tê-lo feito neste quinto aniversário, mas atrasei-me. Quero antes de mais agradecer os comentários deixados no post de 15 de Novembro. As palavras de incentivo de tão ilustres colegas da blogosfera animam-me particularmente. Assinalei a data com um cartoon que divide a blogosfera entre “histórias sobre ninharias que alguém cozinhou, tricotou ou coseu”, “auto-promoção” e “teorias da conspiração”. Está bem visto, em versão mais soft seria o facebook, os blogs pessoais e os blogs políticos.

 

Em poucas palavras, para quem me visita pela primeira vez, este blog divide-se entre histórias do meu álbum de família (fotos, recordações e curiosidades do espólio familiar), histórias dos álbuns dos outros (fotografias e curiosidades dos espólios de outras famílias) e, last but not least, textos bastante variados de Autores, sobretudo excertos de obras de história, jornalismo, ensaio e alguma literatura. 

 

Os textos que eu própria escrevo (em minoria) tratam normalmente de espólios familiares, álbuns e recordações, enquanto as citações de Autor e os textos doutras pessoas surgem geralmente a propósito da actualidade e/ou do calendário. Quanto às imagens tenho procurado apresentar um máximo de material inédito, inicialmente com base no meu arquivo familiar e, progressivamente, a partir de colecções particulares que parentes e amigos têm posto generosamente à minha disposição.

 

O blog recebe actualmente em média 50 visitas por dia e poucos comentários (cerca de 300 até hoje em 480 posts). O propósito continua a ser o mesmo: partilhar a minha exploração da fotografia vernacular e reflexões de Autores favoritos, além de contribuir, mesmo que modestamente, para o universo dos conteúdos em português, com imagens, perfis e textos algo esquecidos*.

 

Queridos Leitores e visitantes em geral, continuarei a esforçar-me por merecer a vossa visita. 

 

 

 

 

* Notas:

 

Cabinet de curiosités 1 in English 

 

Neste contexto veja o blog Restos de Colecção aqui e o projecto Conteúdos em Português aqui  

 

Neste blog, um texto sobre a Fotografia Vernacular aqui , um perfil  aqui e um texto de Autor ilustrado com uma foto aqui

 

link do postPor VF, às 07:55  comentar

29.11.13

 

 

 

 


A avaliar pelas aparências dir-se-ia que Aristides de Sousa Mendes era o próprio anti-herói. Senhor beirão, brasonado, proprietário, conservador, católico devoto com uma família extensa, nada parecia separá-lo dos seus pares. Como diplomata, a sua carreira, mesmo nos baixos, permaneceu perfeitamente dentro dos cânones até à aposentação compulsiva em 1940, aos 55 anos. Um homem maduro, com mundo, politicamente atento, avisado pela burocracia de Lisboa, estava agudamente consciente da retribuição que as suas acções iriam provocar.

De facto, diante dos milhares de refugiados apinhados junto ao Consulado Geral de Portugal em Bordéus, deu voz a essas preocupações:


Como informei toda a gente, o meu Governo recusou terminantemente todos os pedidos para concessão de vistos a todos e quaisquer refugiados. [...] Todos eles são seres humanos, e o seu estatuto na vida, religião ou côr são totalmente irrelevantes para mim. [...] Sei que a minha mulher concorda com a minha opinião e estou certo que os meus filhos compreenderão e não me acusarão se, por dar vistos a todos e cada um dos refugiados, eu fôr amanhã destituído do meu cargo por ter agido [...] {contra} ordens que em meu entender, são vis e injustas. E assim declaro que darei, sem encargos, um visto a quem quer que o peça. […]


 

                


Ao agir no plano do real, acudindo na medida das suas possibilidades à situação dramática dos milhares de pessoas em perigo, sabendo que teria de enfrentar uma hierarquia que considerava o diplomata um militar à paisana, Aristides de Sousa Mendes gritava para Lisboa que a liberdade de consciência não é assunto de conveniência. O crime de Sousa Mendes fora tornar claro ao regime que as arquitecturas políticas sobre que assentava o seu perfil internacional e as suas linhas de defesa burocrática eram, realmente, apenas, construções.

O diplomata foi punido mas o “crime” foi abafado. E a maior parte das pessoas que se apresentaram às fronteiras portuguesas foram admitidas, na certeza de que a Espanha não as aceitaria de volta. Pretender que nada acontecera era a maneira mais expedita de reduzir o impacto do precedente e de lidar com a situação tida por desprestigiante de nem o Ministério do Interior nem o Ministério dos Negócios Estrangeiros terem sabido evitar o acontecido. E a habilidade do regime em transformar o vício em virtude ressalta de um Editorial do Diário de Notícias de 14 de Agosto, uma lauda ao humanismo português, que Aristides de Sousa Mendes recortou e enviou ao MNE para juntar à sua defesa...

 

Manuela Franco

in "Razões e Humanidade" [texto na íntegra aqui]


Fotos  aqui  e Documentos aqui



 



 

 

Vidas Poupadas: Três Diplomatas Portugueses na II Guerra Mundial 

Exposição documental

 

Spared Lives, the actions of three Portuguese diplomats in World War II 


site e blog do Instituto Diplomático aqui e aqui

© 2013 Governo da República Portuguesa 

 

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16.8.13

 

 

 

Amadeo de Souza-Cardoso

1887-1918


até 19 de Janeiro de 2014 



Comemorando os 30 anos da abertura do CAM ao público, a 25 de Julho de 1983, uma exposição ocupa todos os espaços do centro, apresentando pela primeira vez ao público a totalidade do acervo de Amadeo de Souza-Cardoso.

 

 

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29.7.13

 

Se a capacidade da fotografia em capturar o extraordinário ou o contingente causou, em termos históricos, maravilha, pelo seu aparente condão de magicamente embalsamar o tempo, a mesma provocou simultaneamente um certo desconforto, já que a preservação de um momento fugidio também servia paradoxalmente de lembrete da corrupção de tudo aquilo que é próprio ao tempo. No arquivo, vemos escrito a letras gordas aquilo que a fotografia leva a cabo numa escala mais modesta: um diálogo com a posteridade, um endereçamento a um tempo por vir, um tempo em que esse mesmo artefacto será ancião, um souvenir de um passado irrecuperável. O objeto arquivístico, tal qual a fotografia, é uma despojada lembrança da morte no futuro.

Com a proliferação da fotografia doméstica (muitos artistas contemporâneos simulam a aparência inábil e inexpressiva das fotos instantâneas) e o interesse crescente pela história e antropologia da vida quotidiana, o arquivo familiar veio juntar-se a outros lugares arquivísticos históricos e burocráticos, tornando-se ao mesmo tempo fonte de significado etnográfico e um lugar menor e localizado (ou até mesmo virtual) de memorialização privada. Em suma, o arquivo tem-se tornado tão ubíquo e comum como a própria fotografia.

 

Ruth Rosengarten

in folha da exposição Entre Memória e Arquivo 


In English: Between Memory and Archive here

 

 

Vivan Sundaram, Lovers, 2001

Colecção Berardo, cortesia do artista

 

 

 

 

Entre Memória e Arquivo



Helena Almeida, Bernd e Hilla Becher, Daniel Blaufuks, Christian Boltanski, Marcel Duchamp, Allan McCollum, Chantal Joffe, Tracy Moffatt, José Luís Neto, Gabriel Orozco, Pedro Quintas, Umrao Singh Sher-Gil, Augusto Alves da Silva, Hiroshi Sugimoto, Vivan Sundaram, Jemima Stehli, Wolf Vostell, Robert Wilson, Francesca Woodman. Curadoria de Ruth Rosengarten*


 

até 29 de Setembro de 2013

Museu Colecção Berardo

 aqui


 

 

 

*o blog Tempus Fugit de Ruth Rosengarten aqui e na lista de blogs deste blog

 

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27.7.13


Le ciel ne voyage pas, mais les pensées parcourent des distances incroyables. Riches en vaticinatons, elles se servent des visions ailées qui ne se posent que de rares fois.

Il arrive qu'elles stagnent dans les cerveaux humains. Quand elles s'élaborent dans la matière grise, l'enceinte où elles gravitent se dessèche et les empêche de se projeter dans le rêve. Alors les pensées ne libèrent pas leurs facultés créatrices; elles restent inanimées et privées de magie. En revanche, le vol que produit le rêve ne sait pas ce que veut dire la mort.

 

Silvia Baron Supervielle

in Lettres à des photographies (Lettre 74)

© Éditions Gallimard, 2013




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20.7.13

 

 

 

Vidal e Hugo Navarro de Andrade Belmarço (c. 1900)

 

 

outra foto dos irmãos aqui

 

interessante apontamento sobre Vidal Belmarço no blog Promontório da Memória aqui

 

Casa Belmarço aqui

link do postPor VF, às 11:17  comentar

16.7.13

 

 

 

Maria Luísa Navarro de Andrade Belmarço com as filhas Carmita e Stella

Faro c. 1905

 

 

 

 

 

 


14.7.13

 

Manuel de Jesus Belmarço c. 1890 

 

 

 

O jornal Público noticiou há dias que a Casa Belmarço em Faro, adquirida em tempos pela Câmara da cidade para ali instalar o Tribunal da Relação, foi posta à venda pelo Estado. A casa foi mandada construir por meu bisavô sob projecto do arquitecto Norte Júnior e inaugurada em 1912.

 

Manuel de Jesus Belmarço (1857-1918)  fez fortuna no Brasil como negociante de cereais e café. Casou com Maria Luísa Navarro de Andrade e tiveram quatro filhos, três dos quais nasceram no Brasil. Viveu com a família em S. Paulo e após regressar a Portugal, em 1899, construiu uma casa em Lisboa, na Avenida da Liberdade, e esta em Faro, a cidade onde nascera. O filho mais velho, Vidal Alberto Belmarço (1891-1961) e a mulher, Amélia Salter de Sousa Belmarço (1886-1964) viveram nesta casa até ao fim da vida.

 

 

 

 

                                     

 

 a notícia recente aqui

in English read here

 

a Casa Belmarço na Wikipedia aqui

Arquitecto Manuel Josquim Norte Júnior aqui 

 

 

 

 

 

 Trapiche Belmarço e sua ponte de madeira, na cidade de Santos aqui

© Museu do Porto de Santos - Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp)

 

 

Fotos antigas do Porto de Santos na Fundação Arquivo e Memória de Santos  aqui

 

 

 

 

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11.7.13

 

 

 

 

Um enorme jacaré de 4,5 m de comprido morto em 1910 pelo 2º tenente Almeida Pinheiro, imediato da canhoneira chaimite e por um sargento do mesmo navio em frente da praia da catembe (Lourenço Marques)*.

 

 

 

 

 

*Legenda manuscrita no verso da fotografia, gentilmente cedida por Laura Castro Caldas, a quem muito agradeço.
 
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