28.8.10

 

 

 

San Francisco, c. 1960.

 

Ao lado do meu pai estão a mulher e o filho de Vítor Pereira Crespo, que estava na altura na Universidade de Berkeley, na California, a fazer o seu doutoramento em química.

 

 


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21.8.10

 

 

 

Teen Dance in Basement Recreation Room (1961), by Lee Howick and Neil Montanus.

© 2009 Kodak, courtesy of George Eastman House.

 

 

 

In 1950, Eastman Kodak Company installed the first Colorama in Grand Central. These advertisements would become known as “The World’s Largest Photographs" and were huge indeed: eighteen feet high and sixty feet wide, requiring more than a mile of cold - cathode tubes to illuminate the transparencies from behind. Altogether, 565 Colorama photographs would be situated on this spot over the next forty years. As a major corporate and aesthetic undertaking, the production of Coloramas required the combined efforts of Kodak's marketing and technical staffs and scores of photographers that included such notables as Ansel Adams, Ernst Haas, and Eliot Porter. Until 1990, these illuminated images reflected and reinforced American values and aspirations while encouraging picture-taking as an essential aspect of leisure, travel, and family. In the decades that came and went—from Levittowns and the baby boom, to Watts and Woodstock, to video games and MTV—they proffered an almost unchanging vision of landscapes, villages, and families, American power and patriotism, and the decorative sentimentality of babies, puppies, and kittens. They marked traditional holidays, conventional views of the faraway, and such uplifting events as a moonwalk and a royal wedding; they suggested, with varying degrees of explicitness, that such sights could be defined, secured, memorialized, and enjoyed through the complementary practice of photography. […]

Today, these images linger in the landscape of memory. The Coloramas taught us not only what to photograph, but how to see the world as if it were a photograph. They served to manifest and visualize values that even then were understood as nostalgic and in jeopardy, salvageable only through the time-defying alchemy of Kodak cameras and film.

 

 

 

Alison Nordström

in "Dreaming in Color"

Colorama

The World’s Largest Photographs From Kodak and the George Eastman House

© George Eastman House / Aperture Foundation

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Esta e outras imagens "Colorama" num artigo da "Vanity Fair" aqui

 

 



16.8.10


 

 

 

 

 

postal ilustrado de grande formato (22,85 cm x 15,16 cm)

1956

 

 

 

 

7 de Outubro 56

 

Minha querida Stella,


Desde que vi o Cinerama já não sou capaz de escrever postais mais pequenos!! (Digo-te que o Cinerama me pasmou completamente!) – A nossa viagem de barco correu muito bem, excepto o meu quase permanente enjôo – um nojo!! O serviço é óptimo e pessoal simpatiquíssimo. Tive muito bons companheiros de bordo – italianos e americanos. – A chegada a Nova-York é um colosso! N. York é esmagativo: irreal à força de formidável – com certeza apaixonante. Em 24 horas livres vi tudo o que pude, que foi bastante ainda assim. Adorei o palácio das Nações Unidas onde almocei com os Albano Nogueira, que foram encantadores. Vi o Metropolitan Museum etc., e tanta coisa vi que parece que estive lá 8 dias naquela Babilónia moderna! – A viagem de avião para aqui muito boa. Calculas como Vasco e eu estamos felizes de nos reencontrar. As pequenas óptimas e o Cinerama deslumbrou-as – mas de facto é de pasmo! San Francisco é lindo, simpático e cheio de requinte – as lojas são de endoidecer – nunca vi mais bonitas! Logo que possa escrevo carta. Estamos bastante bem instalados num “flat” mobilado e que não foi caro.

 

Milhões de beijos para os pequenos e para ti e Eduardo. Abraços do Vasco. Espero muito depressa notícias tuas.

Beijo do coração

 

Margarida

 

p.s. Vi a “Radio City” com as Rocket Girls – estupendo!

pps. Como vai a nossa Paulinha? Diz aos pequenos que cá os espero na terra dos cowboys!

 

 

 

 

 

 

Stella com os filhos Luís e Miguel

c. 1956

 

 


O postal faz parte de um conjunto de recordações que a minha tia Stella, no fim da sua vida, confiou à minha irmã Cristina. É o postal que publiquei há dias no post "The past is a foreign country", aqui.

 

 

Tentei descobrir aqui o que teremos visto em "Cinerama":


 

The first Cinerama film, This Is Cinerama, premiered on 30 September 1952, at The Broadway Theatre in New York. The New York Times judged it to be front-page news. Writing in the New York Times a few days after the system premiered, film critic Bosley Crowther wrote:


Somewhat the same sensations that the audience in Koster and Bial's Music Hall must have felt on that night, years ago, when motion pictures were first publicly flashed on a large screen were probably felt by the people who witnessed the first public showing of Cinerama the other night... the shrill screams of the ladies and the pop-eyed amazement of the men when the huge screen was opened to its full size and a thrillingly realistic ride on a roller-coaster was pictured upon it, attested to the shock of the surprise. People sat back in spellbound wonder as the scenic program flowed across the screen. It was really as though most of them were seeing motion pictures for the first time.... the effect of Cinerama in this its initial display is frankly and exclusively "sensational," in the literal sense of that word.


Although most of the films produced using the original three-strip Cinerama process were full feature length or longer, they were mostly travelogues or episodic documentaries such as This Is Cinerama (1952), the first film shot in Cinerama. Other travelogues presented in Cinerama were Cinerama Holiday (1955), Seven Wonders of the World (1955), Search for Paradise (1957) and South Seas Adventure (1958).

 



14.8.10

 

 

 

 

 

Com os meus pais em Disneyland.

California, 1961

 

 

 


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10.8.10

 

 

 

 

 

Cristina com traje do Minho

São Francisco, 1960

 

 


7.8.10

 

 

 

 

Veja também o post "Snapshot (c.1947)" aqui

 

link do postPor VF, às 15:47  comentar

5.8.10

 

 

 

 

Arizona, 1959

 

 

 

 

É uma pena terem perdido a cor e eu não poder restaurá-las. Das cerca de 250 fotografias do livro, apenas uma vintena são a cores, em parte por causa disto. Mostrarei em próximos posts algumas das "excluídas". O seu estado de conservação é variável, mas todas perderam cor.

 

 

 

 

 

 

Exposição de produtos portugueses c.1959

(foto reproduzida em Retrovisor um Álbum de Família)

 

 

 

 


Esta está perfeitamente conservada, uma raridade na minha colecção. É assim a única fotografia a cores que incluí no capítulo sobre a California, descontando as reproduções de materiais impressos.


O tempo de vida de provas cromogéneas em papel Kodak varia entre os 16 e os 76 anos, segundo a tabela que consta do livro "Conservação de Colecções de Fotografia", da autoria de Luís Pavão, aqui.

 

 

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29.7.10

 

 

 

 

 

 

Para Retrovisor, um Álbum de Família podia ter escolhido esta fotografia do nosso automóvel nos Estados Unidos. Tem falta de definição e contraste mas gosto do enquadramento, a revelar toda a dimensão da sequóia. Creio ter sido a primeira vez que visitámos o parque de Yosemite, na companhia de Manuela e Júlio Fernandes Pereira e do seu filho Manuel Tomás.

 

Manuela Fernandes Pereira era amiga de ambos os meus pais desde a adolescência. Figura no meu livro, não identificada, numa fotografia de grupo dos anos 30, na Casa de Freitas. O seu filho Manuel Tomás, que seguiria a carreira diplomática, também está no livro, no capítulo do Brasil.

 

Se é a primeira vez que visita este blog veja também o post "Kodak Brownie" aqui.

 

aqui tinha mostrado uma fotografia tirada em Yosemite, em 1961, durante um passeio com Joaquim Monteiro Grillo.

 

Mais sobre Yosemite aqui e


 


aqui

 


25.7.10

 

U.S.A.-1958

 

 

 

 

A minha primeira ida ao cinema? A primeira recordação, pelo menos, de estar sentada numa fila de cadeiras, numa sala de espectáculos, onde de repente as luzes se apagam.

 

 

Foi em São Francisco, com outras crianças, os nossos amigos espanhóis, e talvez as iranianas (todos numa fotografia aqui). Fomos acompanhados pela nossa empregada portuguesa, Zulmira (aqui), e não sei se algum outro adulto. 

 

Um dos miúdos espanhóis virou-se para a Zulmira, que não falava inglês, e disse-lhe assim: "não te preocupes que eu explico-te tudo". Ela nunca mais se esqueceu.

 

Eu nunca mais me esqueci do cavalo, grande herói do filme, e ainda hoje gosto de filmes de índios e cowboys. Quem não gosta?

 

 

 

 

 

 

São Francisco, 1957

 

 

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13.9.09

 

 

 

 

 

 

 O cinema olhou sempre menos para o mundo do que olhou para o mundo a olhar para ele. E quando apareceu a televisão, esta rapidamente substituiu o mundo e deixou de olhar para ele. Quando se vê televisão, nunca se vê que a televisão nos está a ver. Mas quando Ingrid Bergman esconde uma chave na mão, essa chave está a olhar para nós. E isso acontecia numa altura em que não queríamos ver o mundo no estado em que os campos o tinham deixado.


O cinema desapareceu nesse momento. Desapareceu porque prenunciou os campos. Chaplin, que era um caso único, conhecido como nunca ninguém foi conhecido, Chaplin, em quem toda a gente acreditava, pois bem, quando fez  The Great Dictator ninguém acreditou nele. Podiam ter acreditado ao menos um pouco. E quando Lubitsch ousou dizer "So they call me Concentration Camp Ehrhardt", as pessoas disseram: "De que está ele a falar? Está doido!". Mesmo sendo ele judeu, um imigrante, plenamente consagrado na comédia. De repente, as pessoas deixaram de rir. Alguma coisa aconteceu.


Retrospectivamente, foi nessa altura que disse a mim próprio que enquanto realizador, enquanto fazedor de filmes, estou em território ocupado. Estou na Resistência. Faço-o mais ou menos bem. Sou provavelmente como René Hardy ou Trepper, como naqueles romances de que gosto tanto onde se trabalha para todos os lados, já sem realmente saber para qual. Estamos em território ocupado. Na minha opinião, quando Lelouch tem sucesso, é um Otto Abetz para um Resistente em França. E Tavernier é um "vichyista", na minha opinião. Foi deste ponto de vista que escrevi a Malraux - e Deus sabe como admirava Malraux, e ainda admiro - sobre La Religieuse. Escrevi: "Escrevo-lhe de um lugar distante - a França Livre".


Mas como, apesar de tudo, esta não é uma ocupação real, somos um pouco marginais e estamos um pouco falidos. É por isso que de vez em quando temos que dizer: vamos tentar outra vez. Questionamo-nos sempre no fim, bem, na alvorada do crepúsculo das nossas vidas. É então que nos perguntamos a que história(s) pertencemos...

 

 

 

 

 

 

 

 

O cinema começou mudo, e foi muito bem sucedido. O som, como a cor, foi sempre uma opção. Tinham os seus próprios processos, mesmo que não fossem tecnicamente perfeitos — ainda hoje não são... Mas não queriam o som. Mitry e Sadoul descreveram como Edison demonstrou o seu cinema falado, mas tudo estava já em marcha no Grand Café. Primeiro houve doze discípulos, depois trinta, quarenta, e finalmente quatrocentos milhões. Só mais tarde quisemos o cinema sonoro, o que, para mais, se explica muito bem por circunstâncias sociais. O sonoro veio num momento histórico, quando Roosevelt falou mais alto, a democracia falou mais alto, e disseram: New Deal. E depois de alguns "crashes" da bolsa, o fascismo falou mais alto, e Hitler disse aquilo que disse. O "dizer", mas um dizer "errado", passou a dominar. Não foi Freud quem tomou o poder na Alemanha, foi Hitler (e no entanto eram vizinhos, e viviam a poucas ruas de distância).


Apesar da Inquisição espanhola, apesar das guerras napoleónicas, apesar de tudo, tinham acontecido algumas conquistas humanísticas nada insignificantes. Para as preservar - apesar do horror absoluto dos campos de concentração - o que aconteceu foi que, definitivamente, "ver" e "dizer se tornaram uma só coisa", e portanto os outros objectivos tiveram que ser redefinidos. E só o cinema o podia fazer. [...]


Não é uma questão de ser testemunha. É porque era o único instrumento - nem o microscópio, nem o telescópio, só o cinema. Achei sempre alguma coisa de tocante na obra de um realizador de que só gosto moderadamente, George Stevens. Em A Place in the Sun, há um sentimento profundo de felicidade que muito raramente se encontra noutros filmes, inclusive filmes muito melhores. Um sentimento de felicidade simples, profano, um momento com Elizabeth Taylor. E quando descobri que Stevens tinha filmado os campos, e que nessa ocasião a Kodak lhe tinha dado os seus primeiros rolos de película 16mm colorida, percebi como é que ele pôde fazer esse grande plano de Elizabeth Taylor irradiando uma espécie de felicidade assombrada...

Jean-Luc Godard em entrevista a Serge Daney (“Libération”, 26 de Dezembro de 1988)
Tradução: Luís Miguel Oliveira
in Godard 1985 1999
Edição Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema, 1999

 

 

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30.12.08

 

Bernardo e Vera em S. Francisco, 1960

 

 

Nos anos cinquenta os meus pais fotografavam com uma Kodak Brownie. Aliás tinham duas, que infelizmente se perderam. Mas lembro-me perfeitamente do "caixote", preto e ligeiramente rugoso. Segurava-se na máquina à altura da cintura e olhava-se por cima para enquadrar.


 

 

 

Visite a George Eastman House aqui

Veja a Brownie que pertenceu a Marylin Monroe aqui.


25.12.08

Boas Festas!

Descubra as diferenças

 

São Francisco, 1958

 

Eu sou a segunda, a contar da esquerda, na primeira fila. Morávamos desde 1955 em S. Francisco, onde o meu pai era o cônsul de Portugal. Atrás de mim está a minha irmã Cristina. A minha mãe escreveu no meu “Livro de Bébé”:

 

 

Natal de 1958

 

Soraya e Afsaneh Eghbal, Teresa, Carlitos, Mariano, Diego e Belen La Vera, Dominique e Nathalie de Fossey, com a Vera e Cristina na nossa casa, dia de Natal.

 


 

 

As primeiras eram filhas do cônsul do Irão em Francisco e os segundos eram filhos do cônsul de Espanha. Os meus pais gostavam muito de Ahmad Eghbal e da sua mulher, que era francesa, bem como de Carlos e Teresa de La Vera, que reencontrámos dez anos mais tarde em Madrid. Dos Eghbal não soube mais nada mas agora, ao "googlar" o nome, descobri que Afsaneh escreveu dois livros. O primeiro, publicado em 1983, tem por título L'espèce errante.

 

 


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