4.5.16

 

 

GUILLAUMET Henri1.jpg

 o avião de Henri Guillaumet

 

 

 

 

José Cutileiro.jpg

 

 

 

Mar Morto e cavalinhos

 

 

 

Começo a escrever ao meio-dia da Quinta-Feira 28 de Abril. Quando a leitora me ler, a Vera, minha senhoria e decoradora de interiores na net (com o bloco aninhado no seu blog, as ilustrações são propostas por ela), terá saído da Portela na madrugada de Sábado para estar ao fim do dia na Jordânia, mais precisamente numa margem do Mar Morto, a interpretar em conferência de ONG dedicada a crianças e famílias, ficando por lá até ao próximo Sábado. Poderia, mesmo assim, ter posto o bloco no blog no começo da semana mas havia preferido que eu lhe mandasse o texto antes de partir porque, technologically challenged fora de casa, só com a malinha dos pertences, talvez não conseguisse encontrar boneco apropriado. Respondi-lhe que sem horas de fecho estritas me era muito mais difícil escrever para qualquer publicação, que o desafio me agradava e que ela poderia contar comigo.

 

Pensei na tarefa e prefigurei a táctica. Decidi antecipar trabalho no morto a publicar no Expresso de Sábado e, com efeito, acabei de o escrever ontem e mandei-o esta manhã (28) com mais de 24 horas de avanço sobre a deadline afim de ficar à vontade ao redigir o bloco. Lembrei-me de Guillaumet, aviador colega e amigo de Saint-Exupéry, cujo avião-correio caíra nos Andes deixando-o ileso mas sozinho na neve, sem comunicações. Cá em baixo deram-no por perdido mas três dias depois encontrou gente e foi salvo, para grande alegria de todos, exausto mas feliz. “Ce que j’ai fait, je te le dis, jamais aucune bête ne l’aurait fait!” declarou. Sabia que se parasse para descansar se deixaria dormir na neve e nunca mais acordaria; por isso não parara de andar. Era homem novo, os pilotos têm treino físico muito exigente mas, francês de nascimento e formação, fora o que entendia ser um triunfo do espírito sobre a matéria que lhe deslumbrara a mente. N’est pas français qui veut. Sendo o homosapiens o único animal com capacidade cerebral para o cálculo que Guillaumet fizera no cimo dos Andes, tinha provavelmente razão. Como eu tive ao avançar esta semana para Quarta-Feira a escrita do In Memoriam.

 

Un soneto me manda hacer Violante começou famosamente Lope de Vega, enfiando considerações sobre a arte do soneto em geral e o método da feitura daquele soneto em particular para rematar no 14º verso: contad si son catorce, y está hecho! mas eu estou ainda em 2.310 batidas – com espaços - faltando-me por isso 690 e não me parece que seja por aqui que o gato irá às filhoses. Mas uns versos puxam por outros e com o estado em que a Europa se apresenta agora, a rebolar para o fascismo, vem-me à cabeça Manuel Bandeira, no Jockey Club do Rio de Janeiro, em 1936:

 

Os cavalinhos correndo,                                                                                                          

E nós, cavalões, comendo.                                                                                                        

A Itália falando grosso,                                                                                                          

A Europa se avacalhando.

 

Cavalinhos, cavalões, o refrão vai-se repetindo, a beleza de Esmeralda faz esquecer Mussolini e outros males do mundo, enlouquecendo o poeta, tudo como deve ser, porque Manuel Bandeira sofria daquilo que o António Alçada achava ser também maleita minha: a mania de viver em epopeia amorosa.

 

Por razões técnicas longas de explicar a contagem de batidas neste texto não é evidente mas palpita-me estar pelas 3.000. Até Quarta-Feira que vem.

 

 

 

 

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10.4.16

 

 

A. Calpi Taças_n.jpg

 Galeria espaço AZ, Lisboa

 

 

 

 

Patente até 24 de Abril em Lisboa, a exposição "Colectiva" apresenta um vasto conjunto de obras confeccionadas por A. calpi desde o ano 2000 a partir de objectos abandonados, restos de colecção e materiais descartados.

 

A colecção de colagens, esculturas e assemblages, suportada por elementos de cenografia e decoração, inclui desde pequenos objectos até imponentes e delicados  "troféus" e "monumentos", erguidos dia a dia por A. calpi ao sabor do que se lhe ofereceu ao longo dum percurso criativo singular, marcado por incursões em géneros muito diversos e tendo por pano de fundo o amor pelo teatro e a alta cultura.

 

A quantidade e a diversidade de peças expostas, a sua laboriosa complexidade, e a forma como se encontram distribuídas pelos diferentes espaços da galeria conferem a esta primeira mostra a densidade de uma retrospectiva: meditação bem humorada e melancólica sobre a passagem do tempo e a vida dos objectos, cartografia dos estados de alma do artista, labirinto poético não isento de inquietação.

 

 

 

 

 

"Colectiva" de A. calpi

Curadoria: Eva Oddo [texto da exposição aqui]

 

Na Galeria espaço AZ aqui

Travessa Fábrica dos Pentes, 10

Lisboa

Exposição patente até 24 de Abril, Quinta a Domingo das 16H00 às 20H00

 

Acção dramática “Morre Pr’aí” / “Drop Dead” / “Die Hard” de 11 a 24 de Abril

 

Para adultos. Quintas, sábados, domingos e segundas às 19H30.

Nestes dias a galeria fecha às 19h30 e não será possível aceder depois desta hora.

Número limitado de lugares, sujeito a reserva por e-mail [colectivac@gmail.com].

 

 

 

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12.5.15

 

 

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Surge finalmente uma bonita colecção a preço acessível que vem colmatar a quase total ausência de obras de referência sobre a história do design contemporâneo em Portugal.

 

A Colecção Design Português, constituída por 8 volumes organizados cronologicamente, apresenta-se como a primeira história do design nacional desde o início do século XX até à actualidade nas mais diversas áreas de intervenção. Reúne os principais designers portugueses e descreve, em cerca de 800 páginas, a evolução do design, o seu contexto histórico, as modalidades da sua prática e os debates teóricos que acompanham a institucionalização desta disciplina.

O último volume sai hoje com o Público.

 


COLECÇÃO DESIGN PORTUGUÊS

Coordenação de José Bártolo

Edição ESAD e Verso da História, com a chancela do Ano do Design Português

Distribuição com jornal Público, todas as terças-feiras, até 12 de maio

 

 

Volume 1: 1900-1919 | Maria Helena Souto
Volume 2: 1920-1939 | Rui Afonso Santos
Volume 3: 1940-1959 | Maria João Baltazar
Volume 4: 1960-1979 | Victor M. Almeida
Volume 5: 1980-1999 | Helena Sofia Silva
Volume 6: 2000-2015 | José Bártolo
Volume 7: Cronologia 1900-1959 | José Bártolo
Volume 8: Cronologia 1960-2015 | José Bártolo

 

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21.12.14

 

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Arminda D'Korth Brandão

Lisboa, Dezembro de 1930

Foto: M. Dinis

 

 

 

Foto gentilmente cedida por Henrique D'Korth Brandão, a quem muito agradecemos.

 

 

Em 2015 visitaremos o espólio fotográfico de João Christiano D'Korth (1893 - 1974) [irmão de Arminda D' Korth Brandão, na foto].

 

 

Nota:

para ampliar foto visite os meus álbuns no FLICKR aqui

 

  


6.12.12

 

 

 

António Joaquim Tavares Ferro (1895-1956) 

 

 

A RTP2 exibe no próximo domingo um documentário sobre António Ferro, da autoria de Paulo Seabra, projecto que tive o gosto de acompanhar desde o princípio. O Paulo sabe que eu estimo António Ferro e o trabalho das equipas de que se rodeou no SPN e no SNI, e que gostava de ver mais valorizado o seu legado [1].

 

Sou suspeita, já que António Ferro era “muito lá de casa” [2ou melhor dizendo muito lá de casa de meus avós maternos, com quem vivi vários anos. E sem nunca o ter conhecido pessoalmente, nem a sua mulher, Fernanda de Castro [3], tenho a sensação de os conhecer desde sempre de casa de meus avós, que os recordavam com grande amizade e admiração. Com gratidão também: em poucas palavras, estes meus avós tinham sido ricos e perdido tudo em 1929; meu avô Guilherme Pereira de Carvalho [4], quase a chegar aos 40 anos e com três filhos pequenos, empregara-se pela primeira vez na vida a vender automóveis. Três anos depois foi convidado por António Ferro a integrar o SPN como seu secretário pessoal. Era o trabalho ideal para o seu feitio, a garantia de um salário ao fim do mês e, last but not least, a promessa de uma existência infinitamente mais “rica” do que tudo aquilo com que os meus avós pudessem ter sonhado desde o seu revés de fortuna.

 

Lembro-me de minha avó descrever uma viagem de navio à Argentina, por ocasião de um congresso de escritores, depois de se ter convencido de que "nunca mais faria uma viagem", e da satisfação com que recordava o convívio com intelectuais e artistas estrangeiros que passaram por Portugal nesses anos. Guardava dessa época uma vasta colecção de autógrafos em pequenos álbuns encadernados, especialmente concebidos para o efeito.

 

Ultimamente, novas descobertas proporcionadas pela exaustiva recolha documental e iconográfica realizada por Paulo Seabra para o documentário aprofundaram o meu interesse por António Ferro. Resta-nos agora esperar por uma biografia moderna digna deste homem carismático, que imagino, no auge da «política do espírito», a reinventar o Império assim à maneira dum produtor do cinema clássico de Hollywood.

 

 

 

ESTÉTICA PROPAGANDA UTOPIA no Portugal de António Ferro

 

RTP2 | DOMINGOS  9 e 16 de DEZEMBRO de 2012 | 21h

 

 

 

 

 

 

 

 

Notas: 

IMAGEM: Fototeca Palácio Foz (actualmente, na Direcção-Geral de Arquivos/Torre do Tombo) s/data, encontrada aqui e que lembra esta aqui

 

1. A loja A Vida Portuguesa, a vitória de um movimento cívico pela reabertura do Museu de Arte Popular, em 2010, e diversos blogs contribuíram de forma importante para o reconhecimento da produção do SNI. Mais neste blog aqui e na tag "arte popular"

 

2. Uma expressão favorita de João Bénard da Costa e título de um dos seus livros. Leia mais aqui.

 

3. Fernanda de Castro aqui  e numa fotografia de Cecil Beaton  aqui

 

4. Guilherme Pereira de Carvalho aqui e os meus dois avós nos anos 20 aqui

 

5. Fundação António Quadros aqui e aqui

 

6. A poesia dos simples: arte popular e nação no Estado Novo, de Vera Marques Alves aqui 

 

 

 

 

 


1.11.12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Papelaria Progresso, Rua do Ouro, 153, Lisboa.(c. 1964)

Fotografias sem data. Estúdio Mário Novais. 

 

Fotografias cedidas por José Inácio Vieira Gagean, a quem muito agradecemos.

 

 

Sobre o mesmo assunto veja também aqui 

 

 

 

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31.1.12

 

 

 

 

Sophie Le Berre, Hotel Chelsea, New York c. 1996
 
Foto: Rita Barros aqui

 

 

 
 
 
 
Mais sobre o Hotel Chelsea aqui e a notícia do seu encerramento recente aos turistas aqui
 
 
 
 
 
 
 
 

 

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26.1.12

 

 

 
 

António Júdice Bustorff Silva (de pé), Lisboa c. 1950

 

 

 

 

Obituário de The Times,  3 de Janeiro de 1980:

 

The distinguished lawyer, Dr Antonio Judice Bustorff Silva, who died in Lisbon on Dec­ember 17, aged 84, will be affec­tionately remembered by many of the older generation of British entrepreneurs in Portu­gal.

 

He was at one time or another chairman, director or legal adviser of many important British enterprises, including the Tramways of Lisbon and the Telephones of Lisbon and Oporto, both of which until a few years ago were operated by British Concessionary Com­panies.

 

Born in 1895 on the island of Sao Tome, where his father had big plantations, Dr Bustorff, as he was always known, took his law degree at Coimbra Uni­versity. His youth was spent in the turbulent times of the end of the monarchy and the birth of the First Republic. He was an ardent monarchist, and it must have been with a sense of relief that he saw the Generals take over in 1926, after a suc­cession of more than 40 Repub­lican Governments in 16 years.

 

Bustorff was the legal repre­sentative of the Royal Family, and when the Generals called in Dr Salazar (himself a crypto-monarchist) it was in dealing with the affairs of the Royal Family that the friendship and confidence between the two men began and later became of such value to his clients, Portu­guese or foreign.

 

Bustorff was a steadfast admirer of Salazar and his general policies, but he was never a toady and his advice to the Prime Minister, on behalf of his clients, was invariably what he thought to be compat­ible with the interests of the client and of the Portuguese State.

 

One of the most important services rendered by Bustorff to his own country and to the Allied cause during the Second World War concerned the ex­ploitation of uranium. The Portuguese Government was approached by Britain, and Salazar decided that Bustorff would represent the Portuguese Government in the company which was to carry out the work.

 

He was also legal adviser to the British-owned Panasqueira Mines, the largest source of wolfram available to the West and a constant source of dispute between the economic warriors of each side. After the war Bustorff was made honorary CBE, a decoration of which he was immensely proud.

 

A man of enormous energy Bustorff frequently represented Portugal at international con­ferences. He had great devotion to his Church and a true sense of humour. His Germanic name is from a Swiss ancestor who came to Portugal in the 17th century to escape the persecu­tion of Roman Catholics.

 

He spoke several languages fluently but, in his bubbling enthusiasm, not always cor­rectly. «Come and see my Charolais veals», he would say to an English guest at his estate near Setubal, «they are beau­ties". He entertained lavishly and the food and wines were always Portuguese and usually produced by him.

 

The passion of his leisure time was building, especially restoring old houses. He built or restored one for each of his five children and for each pair of his 24 grandchildren.

 

When the Second Republic came in 1974 Bustorff was already virtually retired, but he was summoned to Brazil, where more legal work awaited him and he went in 1975, aged 80. He suffered a stroke there and was brought home. Lucid and able to speak, he struggled bravely for two years, as presi­dent of the Bragança Founda­tion and supervising proper­ties which had not been seques­trated.

 

It can be postulated that the «Blue Monkey» Marques de Soveral, of Edward Vll's time, and Bustorff Silva, were the most steadfast and most influ­ential Portuguese friends of Britain in the 20th century.

 

 

 

Sir Peter Norton-Griffiths

in "The Times"  3 January 1980

 

 

Notas:

 

 

António Júdice Bustorff Silva formou-se em Direito em Lisboa e não em Coimbra como afirma o autor do artigo.

 

 

Foto e perfil do Marquês de Soveral aqui 

 

 

 

 

 

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21.1.12

 

 

  

Véra Obolensky, São Petersburgo, 2010

  Foto: Jean-François Blézot

 

 

 

uma entrevista com Véra Obolensky aqui

 

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18.1.12

 

 

 

 

 

 

Fernanda de Castro, Lisboa c. 1942

Foto: Cecil Beaton
 
Revista Panorama nº 12 ano II 1942
 
 
 
 
Um blog sobre Fernanda de Castro aqui
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13.1.12

 

 

 

 

Eleonor and Giles Robertson, Edinburgh, 1987

foto: Thomas Struth

 

até 29 de Janeiro de 2012 aqui 

 

 

 

 

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10.1.12

 

 

 

 

Fritz Lang and Thea von Harbou in their Berlin apartment. (Circa 1923)

 

foto: Waldemar Titzenthaler in Berliner Interieurs,Enno Kaufhold (Berlin 1999)


  

veja a série "Home Is Where the Heart Is" aqui

 

 

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