15.6.16

 

soares e cavaco.jpg

 Mário Soares e Aníbal Cavaco Silva

 

 

 

 

José Cutileiro.jpg

 

 

 

Da cepa torta

 

 

 

A nossa sabedoria popular não fica atrás da do relógio humano de Koenisberg, na Prússia (hoje Kaliningrado, na Rússia) – os vizinhos sabiam que era meio-dia quando o viam entrar em casa para almoçar – conhecido por Emmanuel Kant, considerado por uns o maior filósofo moderno e por outros não, quando escreveu que da madeira torcida da humanidade nada de direito poderia alguma vez ser feito. Em alturas de entusiasmo – pessoal, religioso, corporativo, partidário, patriótico – a gente às vezes julga que vai cortar a direito e quando depois cai em si, descobre que afinal a tábua não destorceu. Aconteceu com o 5 de Outubro de 1910, com o 28 de Maio de 1926 e está agora a acontecer com o 25 de Abril de 1974. É grande pena que seja assim mas é assim mesmo.

 

Ou pelo menos tal me parece, embora me sinta obrigado a lembrar à leitora anedota desenhada na revista humorística madrilena antifranquista La Codorniz – “La revista más audaz para el lector más inteligente”, rezava tarja de um lado ao outro da capa – de uma série delas dedicadas ao pessimismo, em que sujeito lúgubre dizia a compincha mais lúgubre ainda: “Lo único bueno del pesimismo es que a veces uno no tiene razón”. Pode ser que eu não tenha razão agora e que tudo vá pelo melhor no melhor dos mundos possíveis – mas não me palpita nada que tal seja o caso.

 

Do grande sobressalto de há pouco mais de 40 anos, que começou com a Grândola, vila morena, do Zeca Afonso, a sair das telefonias, viemos numa montanha russa, divertida para uns, arrepiante para outros - em giga joga alternando quem se divertia e quem se arrepiava - até que o paralelo divisório da Europa ocidental que passa no coração de Bruxelas - com flamengos na mó de cima e valões na mó de baixo - linha a Norte da qual toda a autoridade é, até prova em contrário, legítima e acreditamos no que um estranho nos diga a menos que tenhamos razões para desconfiar dele e a Sul da qual toda a autoridade é, até prova em contrário, ilegítima e desconfiamos, por princípio, de qualquer estranho que nos fale, nos desabou em cima. Implicações desta configuração vieram dar-nos mau viver quando a crise financeira levou os alemães, com acordo quase geral das gentes do Norte, a nos imporem austeridade cega e irracional, em parte para salvar bancos seus que haviam animado despesas a Sul e em parte para nos fazerem pagar o que acham ser os nossos pecados. (Os franceses não foram capazes de lhes lembrar que, sem a mão que a França lhe estendera, a Alemanha talvez andasse ainda a espiar os seus pecados).

 

Entretanto, por cá, a coragem e visão do Dr. Mário Soares, sobretudo em 1975 e 1985, salvaram a Democracia; Deus o abençoe apesar de ateu. E, entre 1985 e o começo dos anos 90, o Dr. Cavaco Silva, talvez por não pertencer à burguesia urbana, salvou o Estado. Valha-nos isso, mas não é preciso ser pessimista para perceber que as aldrabices risonhas e inconsequentes com que se trata agora dos destinos da Pátria são de muito mau agoiro.

 

 

 

 

link do postPor VF, às 09:00  comentar

15.11.13

 

 

 

 

desenho de Roz Chast (The New Yorker)



Muito obrigada a todos os que me têm acompanhado!





3.1.13

 

 

 

 

 

© Roz Chast / The New Yorker 2012

 

 

 

 


27.7.12

 

 

 

 

 

desenho de Roz Chast

 


 


 

link do postPor VF, às 09:42  comentar

17.5.11

 

 

 

aqui

 


O Cláudio Abramo era um grande jornalista brasileiro e um querido amigo meu. De uma delicadeza, de uma inteligência, de uma argúcia raras. Ele era um aristocrata anarquista, mas tinha a mania que era de esquerda e de esquerda revolucionaríssima. Mas a sua figura, a sua educação e os seus modos não davam para tanto.

Ele tinha um lugar de chefia na Folha de São Paulo. Não me posso esquecer do dia em que fui ter com ele ao jornal e pediu a uma menina servente dois cafés. A menina trouxe os dois cafés numa bandeja, mas tropeçou logo à entrada e espalhou os cafés por cima da mesa. Coitadinha, de atrapalhada, pôs-se a chorar. O Cláudio levantou-se e tentou consolá-la com uma ternura e uma delicadeza que nunca mais esquecerei:

— Ó filhinha, isto não tem importância. Nós é que te pedimos desculpa de te fazer vir aqui com os cafés...

A pequena lá ficou menos nervosa, veio limpar a mesa e trouxe outros cafés. A delicadeza desta cena do «revolucionário» com a menina dos cafés nunca mais me saiu da cabeça e é essa a memória que me ficou do Cláudio.

Quando veio o 25 de Abril, o primeiro telefonema que recebi foi dele. Queria que eu fosse trabalhar para a Folha, em São Paulo, pois estava preocupado com a minha sorte em Portugal. Tranquilizei-o. Disse-lhe que ficaria por aqui, que finalmente íamos ter liberdade mas se, por um acaso, viesse uma «democracia popular», que aí sim. Que já não tinha idade nem condição social para viver numa coisa dessas e que não me esqueceria da sua oferta.

Mas o Cláudio não ficou tranquilo. Como o Victor Cunha Rego tinha trabalhado com ele na Folha, resolveu telefonar ao Victor. Disse-lhe:

— Ó Victor, por favor, vocês não matem o António Alçada!...

O Victor respondeu-lhe:

— Vamos lá agora matar o António Alçada! Era o que faltava. A gente não vai matar ninguém...

Então, veio a revolução ao cimo daquele aristocrata nato e disse de lá meio agastado:

— Não matam ninguém! Então que raio de revolução é essa que não vai matar ninguém...

 

 

António Alçada Baptista

in  A Pesca à Linha, Algumas Memórias

© Editorial Presença aqui

 

Leia também aqui

 

 


31.12.10

 

 

 

 

Ria de Aveiro, “Painel” da proa de um barco moliceiro

 

 

Página de Vida e Arte do Povo Português, planeado por Francisco Lage, Luís Chaves e Paulo Ferreira, executado sob a direcção artística de Paulo Ferreira, com desenhos seus, e fotografias de Mário Novais, na Litografia Nacional, Porto.

Secretariado da Propaganda Nacional, Edição da Secção de Propaganda e Recepção da Comissão Nacional dos Centenários, Lisboa 1940.

 

 

Um Bom 2011.

 


 

 


link do postPor VF, às 13:37  comentar

17.12.10

 

Bordado em protesto contra a decisão da tutela de transferir o espólio do Museu de Arte Popular para o Museu Nacional de Etnologia e adaptar o edifício do antigo MAP para acolher o futuro Museu da Língua Portuguesa.

 


Lenço de namorados do Minho, 2009

 

 


O caminho do Museu de Arte Popular, em Lisboa, tem sido feito de avanços e recuos. Fechou em 2003 e esteve para não reabrir. Um movimento cívico deu-lhe nova vida. (A.D.C.)


reportagem do Público aqui

As bordadeiras  aqui


 

artigo sobre a exposição patente no MAP aqui



link do postPor VF, às 10:39  comentar

3.12.10

 

 

 

 

 

Mais, Francoise, je ne comprends pas ce qui t'empeche de vivre 'intensément' avenue Foch.

 

 

 

Kiraz aqui

 

link do postPor VF, às 20:16  comentar

14.11.10

 

 

 

 

Desenho

de Américo da Silva Amarelhe (1892-1946)

(aqui)

 

 

Despedida de Guilherme Pereira de Carvalho do cargo de administrador da revista “De Teatro”, para assumir funções no SPN. Entre os convivas, fixados pelo lápis de Amarelhe, estão Lino Ferreira, António Ferro, Alexandre de Azevedo, José Paulo da Câmara, Silva Tavares, Feliciano Santos, Artur Portela, José Galhardo, Pedro Bordalo Pinheiro, Norberto de Araújo, Pinheiro Correia, Álvaro Lima, Nogueira de Brito, João Bastos, Mário Duarte, Albino Abranches, Lopo Lauer, Álvaro Raio de Carvalho, Leitão de Barros, Álvaro de Andrade, etc. Ao centro alto, Guilherme Pereira de Carvalho e, ao centro baixo, Amarelhe.

 

 

Visite o Centro de Estudos de Teatro aqui

link do postPor VF, às 12:33  comentar

14.7.10

 

 

 

 

 

Every children’s story that works at all begins with a simple opposition of good and evil, of straightforward innocence and envious corruption. While the good hero or heroine has to be particularized, with flaws and idiosyncrasies, the evil force is, oddly, the more powerful the less distinct it is; because villainy is itself so interesting, there’s no great need to particularize the villain. In few works of children’s literature is the creation of dull and faceless evil as effective as it is in the Babar saga. “Page 2 of ‘Babar’ ” is a code word among certain parents for the entire issue of what it is right to expose our children to. (It’s actually the sixth numbered page in the book, and the fourth page in the story, but it seems to register as page 2, being the second element after the introduction of the elephant nursery idyll.) It is there that Babar’s mother, with her little elephant on her back, is murdered, with casual brutality, by a squat white hunter. The pro-page-twoers think that without the incident the story is robbed of motive and pathos; the anti-page-twoers think that it’s just too hard, too early, and too brutal, so they turn the story into one of a little elephant who merely wanders into Paris—not such a bad premise.

 

 

 

 

 

Far more than an allegory of colonialism, the “Babar” books are a fable of the difficulties of a bourgeois life. “Truly it is not easy to bring up a family,” Babar sighs at one point, and it is true. The city lives on the edge of a desert, and animals wander in and out at will, and then wander out again to make cities of their own. The civilizing principle is energetic but essentially comical, solid-looking on the outside but fragile in its foundations, reducible to rubble by rhinoceroses. Even the elephants, for all their learning and sailor suits, can be turned into slaves through a bad twist of fate. The unruliness of natural life is countered by the beautiful symmetries of classical style and the absurd orderliness of domestic life—but we are kidding ourselves if we imagine that we are ever really safe. Death is a rifle shot and a poisoned mushroom away. The only security, the de Brunhoff books propose, lies in our commitment to those graceful winged elephants that, in Babar’s dream, at the end of “Babar the King,” chase away misfortune. Love and Happiness, who are at the heart of the American vision, are, in Babar’s dream, mere tiny camp followers. The larger winged elephants, which are at the forefront of this French vision of civilized life, are instead Intelligence, Patience, Learning, and Courage. “Let’s work hard and cheerfully and we’ll continue to be happy,” the Old Lady tells the elephants, and, though we know that the hunter is still in the woods, it is hard to know what more to add.

 

 

 

Adam Gopnik

in “Freeing The Elephants”

© The New Yorker, September 22, 2008 aqui

 

 

 

link do postPor VF, às 12:51  comentar

23.2.10

 


 

Girls! Want to live happily ever after?

 

Kill yourself now.

 

Listen, I've been very patient. I've put up with the slow, sure erosion of our dreams, our ideals, our dewy-eyed expectations of a world brimming with child-care centers, with men sharing the dusting, with women going two weeks before remembering to shave their legs.


I hung onto a thread of sanity as hordes of women decided that feminism meant they should turn themselves into small men and wear pin-striped suits and bow ties and pursue the key to the executive washroom as if it were the Holy Grail.


I just hid under the covers when Women Who Love Too Much became a best-seller, and women by the scores gobbled the book before breakfast and became convinced that they had this dread disease they had to cure before men would want them.


And then the marriage epidemic! And the concomitant baby epidemic! People put blinders on their brains and hypnotized themselves into believing that real life was "Father Knows Best"! And if they couldn't scam themselves into sugar-coated marriages, they blamed it on their codependency problems! So we were back to blaming the victim, but I held my peace. I may have whimpered a little.


But that was then. Now I'm out for blood. No more Missus Nice Girl. Now I've read, in the goddamned New York Times, the goddamned Newspaper of Record, that yearning for the handsome prince on the white charger is a perfectly reasonable pastime. That hoping and praying to live Happily Ever After is totally okay. These fantasies, according to the New York Times, help us endure.


Endure.


Endure Jesus motherfucking Christ. Didn't we bury this concept with enormous fanfare in 1972?


I don't blame the writer. I know what it's like to be on deadline. Casting around hysterically for a topic, she realized that all her friends had seen Pretty Woman and took it from there.


But because such an idea has been published in the New York Times, people will run around believing again that it is true, and they will again start reading Cinderella to their four-year-olds. And the whole hideous cycle will be perpetuated.


Believing in the handsome prince on the white charger who will catch you when you swoon and spirit you off to Happily-Ever-After-Land is the utter downfall of women.


Because it is a wish that will never come true. It is a wish that will guarantee that we will never be happy.


It is possible for a woman to be happy with a man, but not if she wants to be rescued. Do you know what kind of guys want to rescue women? Mafia guys! Guys who want to play God! Guys who want total control! These guys are bad news! Tell them you want to take a part-time job and they lock you in a tower!

Plus, if you're waiting around to be rescued you never do anything but get your legs waxed. You're too anxious and passive to even read a murder mystery. You've given men all the power, again. You've turned yourself into a giant child.


Girls, what would you do if some adorable guy came up to you and said, "Hi, my life isn't working out at all. Everything's falling apart. Take care of me, please."


You'd say, "Yo, I'm not your mother!" Wouldn't you?


Men are not our mothers. Our mothers are our mothers, and they were the ones who passed on these festering fantasies.


Men are just guys running around who want someone to take care of them too. When we swoon on them, decent men have a tendency to gibber and cry, to feel helpless and inadequate and run away. Or if they're not so decent, they'll lead us on, drop us flat, and steal our wallets.


Wanting to be taken care of is one of your basic human emotions. Our job as humans is to take care of each other. But if we expect rescue as our birthright, if it's supposed to be all one-sided, we're dead. When we don't get it, we're pissed off and crazed, blinded by our own feelings of deprivation, and pretty soon nobody invites us to parties.


Here's my plan: If any girl tells me she rented Pretty Woman and suddenly felt a hideous yearning bubbling up from the pit of her stomach, I am going to take her hand and force her to rent Ford Fairlane.


See how she likes the other side of the coin.

 


Cynthia Heimel

in Get your tongue out of my mouth, I’m kissing you good-bye!  (Feminist Rants)

pp. 24-25-26

© 1993 Cynthia Heimel

 

 

 

 

 

 

 

 


14.2.10

 

 

 

 

 

Fernand le vampire est un traditionaliste : il dort dans un cercueil et s’habille à l’ancienne mode. En revanche, il ne tue jamais… Fernand est un sentimental ! Pour oublier Liou, il sort dans des rave parties avec Aspirine, une charmante vampire, et passe la nuit au Louvre avec une jolie touriste japonaise. Mais Fernand est-il prêt à revivre une histoire d’amour ?

 

 

 

 

 

scénario et dessin Joann Sfar

© 2007 Guy Delcourt Productions


15.1.10

 

 

 

© Blain / Sfar / Jardel / Dargaud, 2002


 

 

Socrate est le chien d'Héraclès. Héraclès est le fils de Zeus, c'est un demi-dieu. Socrate est le fils du chien de Zeus, c'est un demi-chien. C'est un chien philosophe qui monologue (et parfois dialogue) à propos de son maître principalement qui lui n'en a que pour la bagarre et les femmes.


 

 

 

 

Edition Dargaud

Collection Poisson Pilote

 

link do postPor VF, às 12:15  comentar

23.12.09

 

 

 

 

 

cartoon de Roz Chast (encontrado aqui)

 

 

 

link do postPor VF, às 12:42  comentar

13.12.09

 

 

  

Broderies

Marjane Satrapi

 

 

 

The day I die, you will look at all my books together and see a big family saga. The book Embroidery, my grandmother is the main person. Everything revolves around her.

 

 

It is in her living room with nine or ten women. What do nine or ten women do in an afternoon, especially when they are old? They talk about sex. And one thing leads to another and they laugh and they cry. To some people my grandmother could seem a little bit cynical. But she was not cynical. She had a great sense of morality. She wasn’t a moral person -- she didn’t say “Do this, it is good, Don’t do this, it is bad,” but she always told me “Marjane, if you go to a party and you don’t talk to anyone, they will say “Who does she think she is,” but if you go to a party and start laughing with everyone they will say “Oh, look at this bitch.” So, no matter what you do, if people want to talk about you they will talk about you, so do what you think is right. If you don’t feel like talking, don’t. If you feel like laughing, laugh.

 

Marjane Satrapi em entrevista  aqui

 

 

 


 

 

Mais sobre este livro no blog "Ler BD", aqui

 

 

link do postPor VF, às 17:09  comentar


pesquisar neste blog
 
mais sobre mim
Translator
Blogs Portugal
contador sapo