12.10.17

 

 

 

 

Wiaz b&w-1

 

 

 

Entre le père Deau et moi, la correspondance reprend. Très vite, nous convenons de nous revoir en mai à Malagar car je dois m'y rendre pour terminer d'aménager le petit logement que la région Aquitaine met à la disposi­tion de la famille Mauriac pour la remercier de lui avoir fait don de la propriété. Je lui avais décrit la colère puis le chagrin que j'avais éprouvés face à la décision de ma mère, de sa sœur et de ses frères. Leur volonté inébran­lable malgré mes supplications, celles de mon frère et de mes cousines. Nous ne réclamions que de différer de quelques années leur choix. J'étais la plus acharnée car j'y allais souvent. Cette propriété était ce à quoi je tenais le plus au monde. Un paradis de l'enfance d'abord, des années délaissé, et un paradis pour l'adulte que j'étais devenue. Durant les huit dernières années de la vie de ma grand-mère, j'avais pris l'habitude de passer de régu­liers séjours auprès d'elle. C'est là que nous avions appris à nous connaître et à nous aimer. À sa mort, grâce à l'insistance de ma plus chère amie, j'y étais retournée. Miracle, les jours heureux étaient tout aussi vivants et je pouvais y retrouver sans tristesse des êtres aimés et disparus. C'est là que j'ai commencé à écrire. Je pus en profiter encore deux ans puis je dus m'en aller comme en avait décidé ma famille.

 

Anne Wiazemsky in Un Saint Homme

© Éditions Gallimard, 2017

 

 

 

Domaine de Malagar

 

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Fotos gentilmente cedidas por Meei-huey Wang.

 

Um artigo do Guardian aqui

link do postPor VF, às 16:27  comentar

5.7.17

 

Maria Teresa Horta

 Maria Teresa Horta

 

José Cutileiro

 

Hortenses dos Açores

 

 

Os últimos dias foram marcados por celebrações de mortes de gente boa: Helmut Kohl, o primeiro grande europeu a ser considerado, ao mesmo tempo e pelas mesmas pessoas, também um grande alemão (esperemos que, além do primeiro, não tenha sido o último…); Simone Veil que, por instinto nato e experiência dos verdes anos, toda a vida defendeu fracos contra fortes, gente decente contra gente indecente e não tinha ódio no coração; até - para aquelas e aqueles que percebem que só as pessoas frívolas consideram a frivolidade frívola - Alain Senderens, cozinheiro (chefe, como se diz agora em português) francês que tomou conta do Lucas Carton, restaurante parisiense célebre mas entrado em decadência há muitos anos, o levou outra vez à glória de três macarrões no Guide Michelin, o que não acontecia à casa desde os anos 30 do século passado, e foi um dos celebrados inventores daquilo a que se chamou nouvelle cuisine. A gastronomia é em França o que a tauromaquia é em Espanha – forma de ascensão social fulminante que pode levar chefes e toureiros, os grandes artistas dos respectivos ramos, aos píncaros da sociedade nacional de cada um dos países. Tal como a Igreja católica tinha sido em Itália, não no Renascimento, quando a plutocracia coeva tomara conta da instituição, o Vaticano era de bilionários como hoje é a administração Trump, houve Papas Medici, Farnese, Borgia, etc., mas sim nos séculos XIX e XX, quando rapazes de origem humilde, educados em seminários, chegavam a padres, às vezes a bispos, raramente a cardeais e - Euro-milhões dos desígnios de Deus - um ou outro dava em papa. Vindos de cantos dispares da bota italiana, aconteceu de vez em quando, lembrando-se mais a gente de Angelo Roncalli, aliás João XXIII, (canonizado há meses pelo Papa Francisco) que, ao convocar o Concílio Vaticano II, quase virou de pernas para o ar a Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana e foi alvo de injúrias e calúnias – parecidas, de resto, com as que, anos mais tarde, foram dirigidas a Simone Veil por causa da lei sobre a interrupção voluntária da gravidez em França – vindas de sectores integristas e tradicionalistas da Igreja, enraivados por tanta modernice.

 

Mas papas italianos talvez tenham acabado. O último foi João Paulo I e durou um mês. João Paulo II era polaco; Bento XVI, alemão; Francisco, argentino (embora com pais italianos).

 

Entretanto, a mudar livros de um desarrumo para outro, encontrei um da Teresa Horta. Somos da mesma idade, conhecemo-nos pouco mas os nossos pais, médicos e amigos, foram mobilizados durante a guerra para ilhas diferentes dos Açores. Teresa visitou-nos, com a mãe, na quinta da Terceira onde vivíamos. (Havia lá em casa retrato dela aos 7 anos a rir diante de muitas hortenses). Aprendi a ler aos 4, li tudo antes de tempo, mas nessa visita ela maravilhou-me com maestria maior. “É não é? Pois é!” disse três ou quatro vezes durante a tarde e nunca mais me esqueci desse malabarismo de monossílabos.

 

 

 


24.6.17

 

 

Montras c. 1960 

Montra-1

O tesouro!... 

 

Montra 3

A mensagem 

 

Montra 2

Páscoa Feliz

 

 

 

montra 4

 

Para onde for leve sempre consigo a sua PARKER

 

 

 

Papelaria da Moda papel

 

Mais sobre as Papelarias Progresso e da Moda AQUI  e AQUI 

 

 

 

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11.1.17

 

 

 

Mário Soares

 

Mário Soares

1924-2017 

 

 

 

 

 

José Cutileiro

 

 

O bey de Tunis

 

 

 

O bey de Tunis entrou na literatura portuguesa na manhã em que Eça de Queiroz se serviu dele para acudir a um writer’s block. Prometera na véspera ao director do jornal que teria o artigo pronto para ele no dia seguinte. O moço da tipografia que viera buscá-lo esperava no pátio, andando de um lado para o outro com botas que rangiam. Mas a noite passara, a inspiração não chegara e agora, entre a espada e a parede, Eça, sem outro tema que lhe passasse pela cabeça, resolvera atacar o bey de Tunis – com má consciência, porque o que sabia do bei dava este como homem perfeitamente estimável e, ainda por cima, julgava ter visto algures que ele tinha morrido. Pouco importava. “Em Tunis há sempre um bey” decretou – e deu cabo dele.

 

Ou pelo menos assim resolveu dizer aos seus leitores e ao também escritor Pinheiro Chagas a quem treplicava. Eça escrevera em artigo publicado numa revista duas passagens cujos conteúdos haviam indignado Pinheiro Chagas: que a nossa colonização no Oriente fora um monumento de ignomínia e que no começo do século XIX Portugal fora uma colónia do Brazil. Num artigo de jornal Pinheiro Chagas replicara, com argumentos recheados de erudição (num deles evoca as Molucas, levando Eça a perguntar-lhe na sua tréplica: “Pois todas as Molucas, Pinheiro Chagas?) e condenara Eça pela insuficiência do seu conhecimento e a sua falta de patriotismo. Agora Eça, com talento polémico e leveza de prosa muito superiores aos do outro, considera Pinheiro Chagas um brigadeiro da campanha do Roussilhão que “sabiam deitar fundilhos numas calças e estavam convencidos de que Deus era padre” e diz-lhe por fim “Você, meu caro Pinheiro Chagas, não ama a Pátria, namora-a”. Pretendendo fazê-lo para desculpar Chagas dos disparates que contra ele dissera, inventa sardonicamente a história do bey de Tunis explicando que sabia bem quanto a falta de inspiração era razão de tantos disparates que se publicam nos jornais. (Ou diz isto por palavras suas, melhores do que as minhas, porque cito de memória e não vale a pena contar outra vez à leitora quanto a memória é traiçoeira: tanto ou mais do que as mulheres garantiu-me há anos, sem estar bêbado, um marialva desmemoriado).

 

Os tempos não são bons. Estamos a poucos dias de Trump dispor dos códigos secretos, isto é mais perto do que alguma vez estivemos de uma guerra nuclear – e de muitas outras arrelias convencionais. E Mário Soares deixou-nos. Entre Setembro de 1974 e Novembro de 1975, sempre que vinha de Londres a Lisboa tentava ir ver, antes de quaisquer outros, o mais pessimista e o mais optimista dos meus amigos, traçava a bissetriz entre o que cada um deles me dizia e sabia em que Portugal estava. Mais tarde, com a Pátria outra vez pacata, quando Victor Cunha Rego se foi embora procurei tentar substituir o pessimismo dele pelo meu. Não foi fácil mas não foi impossível. Mas o optimismo de Mário Soares não o encontro em mim e fiquei agora sem saber em quem o possa encontrar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


30.8.16

 

 

Untitled-1.jpgFernando Guedes (1929-2016)

 

 

 

 

Ignoro se têm sido muito ou pouco estudadas eventuais afinidades do nosso modernismo com o dos Britânicos, para além da comum recusa do sentimentalismo (mas talvez não a procura radical da despersonalização e do distanciamento, que quase só encontramos em Pessoa; a estética imagista só terá verdadeira expressão portuguesa com Alberto de Lacerda, mas esta poderá ser uma opinião controversa), mas não resisto a chamar a vossa atenção para os conselhos que William Carlos Williams, um outro americano que foi figura de proa do Imagismo, dava à poeta inglesa Denise Levertov, em 1954, repercutindo ainda nesse momento, de forma bastante fiel, o ideário imagista de Pound e Eliot em 1914. Dizia ele: «Corte, e corte de novo, tudo o que escrever — ao mesmo tempo que por obra da sua arte não deixa vestígios dos cortes — e o resultado final ficará repleto do que tem para dizer».

 

O crítico britânico Harold Monro, num livro intitulado Some Contemporary Poets, publicado em 1920, conta a história de um jovem poeta americano recém-chegado dos Estados Unidos que procurou Eliot a fim de lhe mostrar os seus trabalhos. Este, ponderou longamente em silêncio um poema e, erguendo finalmente os olhos, terá dito: «Precisou de 97 palavras para o fazer; eu acho que poderia tê-lo feito em 56». Mas nada disto era novo e os próprios imagistas não se cansavam de o afirmar: «Estes princípios não são uma novidade; caíram em desuso. Eles são o essencial de toda a grande poesia».

 

É claro que estamos no plano estilístico da precisão. Mas creio que poderíamos articular isto, independentemente dos particulares relativos à diferença de contextos, com o que António Ferro — fundador e referência desta Casa — escrevia, em 1919, em Leviana (publicado em 1921):

 

«O excesso de pormenores embrulha a concepção, a intenção. Já que não podemos simplificar a vida, simplifiquemos a literatura. A literatura, como a vida, está atravancada. Há que descongestioná-la: um só quadro numa parede, dois ou três móveis em cada sala. Simplifiquemos! Simplifiquemos! A falta de espaço é cada vez maior. Há que fazer peças com poucas personagens, romances com poucas páginas, telas com poucas tintas. Seleccionar! Seleccionar! Escrever muito é fácil. Escrever pouco é heróico, muitas vezes. Poucos escritores têm essa coragem».

 

Como é sabido, The Waste Land, o poema de Eliot que Fernando Guedes considera o mais visionário do século xx, foi drasticamente reduzido na sua dimensão pela mão de Pound, que na dedicatória de Eliot é justamente designado como il miglior fabbro.

 

***

 

Há muito que Fernando Guedes se interessa por estes dois autores, Eliot e Pound. Poeta, ligado à Távola Redonda, nessas «folhas de poesia», cuja publicação se iniciou em Janeiro de 1950, apresentou e traduziu ambos (possivelmente pela primeira vez entre nós, como ele próprio notou na sessão de apresentação do livro). Eliot fora distinguido com o Nobel em 1948; Pound, internado num hospital psiquiátrico, recebera o Prémio Bollingen, em 1949. Posteriormente, no final da década, Fernando Guedes haveria de dirigir uma outra revista que logo no título – Tempo Presente – evocava Eliot (O tempo presente e o tempo passado/ São ambos presentes talvez no tempo futuro/E o tempo futuro contido no tempo passado) e que no segundo número apresentava traduções de Pound e saudava a sua libertação, ocorrida no ano anterior.

 

Deste modo, o que Fernando Guedes faz nestas quatro comunicações é arrumar de forma condensada o seu próprio percurso de leitor de Eliot e Pound ao longo de décadas e apresentar a sua visão sobre o lugar de cada um deles na poesia do século xx. Partindo de uma perspectiva, que foi antes de mais geracional, de reavaliação da modernidade face à tradição, de indagação estética (o tal percurso partilhado em fraterna amizade com Fernando Lanhas), mas também ideológica na marcação das suas distâncias, Fernando Guedes engloba no seu interesse por estes poetas a dinâmica concisa e complexa da estética imagista, a relação com as artes plásticas, e, muito particularmente, a sua ressonância mítica e religiosa.

 

 

Jorge Colaço

 

Excerto de um texto lido no Círculo Eça de Queirós no dia 4 de Setembro de 2014 a propósito do livro de Fernando Guedes T. S. Eliot e Ezra Pound – uma tentativa de aproximação às suas vidas e às suas obras, publicado nesse mesmo ano.

 

 

O artigo de Jorge Colaço  Na morte de Fernando Guedes (1929-2016)  aqui.

 

Algumas obras de Fernando Guedes disponíveis na Wook aqui

 

 

 

 

 

 

 

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10.11.15

 

 

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Que répliquer à l'hégélianisme spontané qui gouverne la une des journaux ? Comment ne pas concéder que l'histoire du monde juge tout le monde et emporte tout un chacun (Weltgeschichte ist Weltgericht)? Ma réponse est brutale, je te l'expédie sous forme d'une injonction pragmatique et sai­gnante : redevenons classiques. Pas naïvement classiques, bien sûr. Casse-cou jusqu'au bout, je n'aurai de cesse avant que tu m'entendes: revenons à Racine. Oui, résiste à l'incoer­cible désir de normalité qui pousse à s'immerger dans ce qui semble le cours des choses. Oui, prête au journal télévisé l'attention détachée, mais imprescriptible, que suscite une représentation d'Athalie ou d'Andromaque. Sur la scène, à l'écran, l'éclair du définitif risque à tout moment d'accrocher ton regard. Accrocher à quoi? La question est bonne. Garde la tête hors de l'eau, redeviens « classique », et tu ne seras jamais l'homme d'une seule époque.

 

Le classique habite deux patries, la sienne et une autre. La Florence des Médicis et la Grèce, la Rome du quintocento et celle d'Auguste. Le Siècle d'or espagnol, l'Angleterre d' Élisabeth, la France du Roi-Soleil, au choix, mais jamais sans son ombre glorieuse et antique. Les classiques cultivent le sentiment paradoxal mais banal d'une plongée dans l'histoire qui les élève et les enlève hors histoire. Ils s'autorisent de l'expérience immobilisée du temps qui passe. Ces esprits à double nationalité recherchent le temps perdu plus frénétiquement que l'existence de Dieu, quitte à reconnaître, avec Proust que, perdu pour perdu, le temps est cette recherche même, dont on ne sort que mort. Il n'y a pas de train pour Cythère, mon ami. Afin de vaincre l'angoisse des quais de gare, grignote une madeleine.

 

 

 

André Glucksmann

in Le Bien et le Mal, Lettres immorales d'Allemagne et de France

© Éditions Robert Laffont, S. A., Paris, 1997

 

 

 

 

 

 

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17.4.15

 

My Years in Angola (1950-1970)
Andries Pieter van der Graaf
 
Previous posts:

By 1962, Portugal started to get over the 1961 scare, and Adriano Moreira, Minister for the Ultramar, was working on the Lei Orgânica do Ultramar, which was to lead to the creation of a Common Market for the Portuguese territories. Work was also being done on the Statute for the Indigenous People, which was to grant them more rights.

 

Governor Deslandes (1) ran up against friction with Lisbon, where people felt that he wanted to govern in too autonomous a fashion.

 

General Venâncio A. Deslandes (1909-1985)

Governor Venâncio Augusto Deslandes and Andries Pieter van der Graaf

 

 

Economic activity took off. In Portugal itself there was now far more interest in Angola's economic potential, and in the following years many government projects were started, such as building roads, airports, schools, hospitals, and so forth. The government also became interested in oil production and iron-ore mining. Industry, fisheries, and tourism all began to be given more attention.

 

 

 

 

 

 

Agfa

 

Loading lorry Casa Holandesa/Zuid Afrikaans Handelshuis (ZAH)

 

 

Coffee exports got going again, and some years later production reached around 200.000 tons. The services of the Instituto do Café (formerly Junta do Café) were improved, and it became an institution guaranteeing the quality of exported coffee.

 

 

Fazenda Sofia 2

 

 

Fazenda Sofia, Cuanza-Sul

Sociedade Agrícola e Comercial Luís Henriques Moutinho S.A.R.L.

Cuanza-Sul (1910-1975)

 

Fazenda Sofia Angola

 

Fazenda Sofia, Angola (2

 

 

 

Commercial banks in Portugal also began to show an interest. Up until then, the Banco de Angola, as both issuer and commercial bank, held the monopoly. However, with the arrival of the Banco Comercial de Angola came an influx of Portuguese banks, followed by the English/Portuguese Banco Totta Standard de Angola.

 

In the meantime, Cabinda underwent a great change. The days when people called for the taxi (as there was only one) instead of a taxi, were over. Banks, shipping companies, and trading companies became established there. With the expansion of oil exploration, terrorist activities tailed off in that area. The interior of Cabinda, a tropical wilderness with various hard woods, including mahogany, was also once again accessible. From time to time the border between Cabinda and Congo was closed off due to political disturbances, but a lively smuggling business continued across the border, making Cabinda a good market for all sorts of products, and our travelling salesmen therefore sold a lot.

 

In the northern coffee regions, the terrorists were able to stand firm, though practically all the connecting roads were in Portuguese hands. Even on these roads, attacks took place on troop columns and convoys. To reach Carmona, in the centre of the coffee production area, the detour via Vila Salazar was still used.

 

 

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Carmona, Angola

 

 

Travel in the interior became progressively safer, and faster with the new asphalt roads. The asphalt road Luanda-Dondo-Quibala-Nova Lisboa-Lobito was completed, and links between Luanda and Lobito (600 km), and Luanda and Nova Lisboa (700 km) were excellent. Moçamedes got a railway link to the iron-ore mines, which had been almost completely taken over by the government. Railway equipment was delivered by Krupp, against payment in iron-ore deliveries over a number of years. A modern ore transfer harbour was built in Moçamedes.

 

In the meantime, disturbances were felt from Zambia, meaning that the eastern border areas to the north and south of the Benguela railway became dangerous. The eastern districts were very suited to terrorist activities: they were far away (some of them were called "terras do fim do mundo" (lands at the end of the world) and rich in cattle, especially red buffalo (pacaça) and various types of antelope. "Aldeamentos" (native housing regroupings) were set up in these areas in order to provide some protection for the population. The capitals remained accessible by Fokker Friendship or other airplanes.

 

A DTA Fokker F-27-200 at Benguela Airport in 1965.

 A DTA Fokker F-27-200 at Benguela Airport in 1965.

 

 

 * * *

 

On November 13, 1968, we received the longest telegram we had ever had in Luanda, with news of the merger between ZAH and CTC (Curaçao Trading Company, later Ceteco).

This was a completely unexpected development, and everyone was stunned. The Dutch staff was split in its opinion on the matter, the Portuguese as a whole were negative (the Portuguese version of "rather the devil you know, than the devil you don't" came up again and again), and I had my hands full trying to get everyone to see things from the bright side; after all, you never know what a good Portuguese worker will do when beset by doubts. Convincing some exceptionally good people to stay with the company, when they received offers from other companies, had been a constant concern before, and this might well have been "the last straw." But there were no mishaps.

 

A period of adjustment and new initiatives began, which it was interesting to be involved in. End January 1971 I handed business administration in Angola over to Mr. de Groot.

 

Farewell, 1971

 

Farewell dinner. From left: De Groot, D. Augusta Neves e Sousa, A.P. van der Graaf and others.

 

It was a pleasure for me to be able to hand over a good, profitable business, with a staff that undoubtedly still had a lot of untapped potential. It is with great pleasure that I think back to the times when we worked together.

 

 

ZAH staff - 49

 

ZAH Luanda office staff, with A.P. van der Graaf (front row, 4th from the right), his wife Joyce, and Chargois (HQ)

 

 

 

 

A.P. van der Graaf and Queen Juliana 

 Knighted by Queen Juliana (Ridder in de Orde van Oranje-Nassau)

 23 April 1968

 

 

 

 

 

Andries Pieter van der Graaf Jan/Feb 1974

Translated by Elizabeth Davies (van der Graaf) 2012

 

 

A.P. e Elizabeth

 Andries Pieter van der Graaf and daughter Elizabeth (Betty), Angola 1968

 

Many thanks to Elizabeth Davies (van der Graaf) and her family for allowing me to adapt the text and to illustrate it by using photos from the family's collection.

 

Muito agradeço a Elizabeth Davies e sua família que autorizaram gentilmente a edição do texto para publicação neste blog e cederam fotografias do espólio do autor.

 

 

Full text:

The memoir of Andries Pieter van der Graaf is in two parts: Part 1 (written in English) starts in 1909 with his birth, and provides a vivid description of his early life in Krimpen aan de Lek, a small community near Rotterdam; of the effects of the Depression on the family; and of his experiences during the war. In Part 2 (written in Dutch, translation into English provided), he takes us from his first day in Angola, through his years learning how to run a Dutch trading company in Angola in colonial times, to his fascination with Angola and its peoples.

 

www.asclibrary.nl/docs/341/217/341217840.pdf

http://www.asclibrary.nl/docs/341220647.htm

 

 

Links to previous posts in this blog:

My Years in Angola (1950-1970)

My Years in Angola (2)

My Years in Angola (3)

My Years in Angola (4)

 

Link to photo album "Vintage Angola" on Flickr: 

https://www.flickr.com/photos/vfutscher/sets/

 

 

 

 

 

Notes:

1.

Venâncio Augusto Deslandes (1909 - 1985)

 

Not to be confused with his ancestor of the same name (V.A.D. 1829-1909) referred to several times in this blog.

 

Venâncio Augusto Deslandes (1909- 1985), Air Force General, Ambassador to Spain, Governor-General and Commander-in-Chief of the Armed Forces of Angola, Chief of Defence Staff.

 

General Deslandes took office while the UPA* terrorism crisis continued to devastate northern Angola. Once the situation was under control, and all the north reoccupied, General Deslandes launched a vast development plan for Angola, which included the creation of a university in Luanda. This initiative and the success of his administration met with strong resistance from the Minister of the Overseas, Adriano Moreira, who soon removed him from office. (In Memória da Nação and Wikipédia, excerpt translated by Elizabeth Davies)

 

*UPA – União dos Povos de Angola, founded in 1959, by Holden Roberto.

 

More on General Venâncio A. Deslandes in Memória de África

 

 

Venâncio Augusto Deslandes (1909 - 1985)

 

A não confundir com o seu antepassado do mesmo nome (V.A.D. 1829-1909) várias vezes referido neste blog.

 

Venâncio Augusto Deslandes (1909-1985) General da Força Aérea, Embaixador em Espanha, Governador Geral e Comandante-Chefe das FA de Angola, Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas.

 

O General Deslandes assumiu funções quando o terrorismo da UPA* assolava ainda o Norte de Angola. Controlada a situação, e concluída a reocupação de todo o Norte, o General Deslandes lançou um vasto plano de fomento para Angola que incluia a criação de uma Universidade em Luanda. O sucesso da sua administração e a sua iniciativa encontraram forte resistência no Ministro do Ultramar, Adriano Moreira, que rapidamente o demitiu. (Fontes: Memória da Nação e Wikipédia)

 

*UPA – União dos Povos de Angola, fundada em 1959, por Holden Roberto. 

 

Mais sobre o General Venâncio A. Deslandes em Memória de África

 

 

 

 

 

2. 

Photos 

Fazenda Sofia: Many thanks to Sofia and Fernando Luís Plácido de Abreu.

 

Carmona: cc3413.wordpress.com

 

DTA Folker: http://en.wikipedia.org/wiki/TAAG_Angola_Airlines

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


29.12.14

 

Romanceiro Capa 1.jpg

 

Romanceiro

Manuscrito do Autor

[autógrafo de Almeida Garrett]

 

 

 

A compra pelo Estado Português do espólio garrettiano designado por “Colecção Futscher Pereira” [1], anunciada pelo Secretário de Estado da Cultura no dia 18 de Dezembro, fecha um ciclo iniciado há dez anos pela descoberta, por minha irmã Cristina Futscher Pereira (1948-2005), de manuscritos inéditos de Almeida Garrett que contribuem de forma decisiva para o estudo do Romanceiro português.

 

Fica deste modo assegurada a ampla divulgação deste espólio, o maior desejo de Cristina, além da permanência dos autógrafos em Portugal, nas melhores condições [2]. Por fim, e também importante, com esta aquisição a Direcção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas valoriza aos olhos do público a recolha pioneira de Garrett de temas da nossa tradição oral. São relatos de eventos históricos e histórias de amor, transgressão e violência, de grande suspense e final incerto, que mantêm plena actualidade no século XXI.

 

Para a família, a colecção permanecerá ligada à memória de Cristina, de Venâncio Augusto Deslandes e de iniciativas e amizades inspiradas pelo Autor [3]. Entregamos estes papéis com muita satisfação e um bocadinho de nostalgia.

 

 

 

*

 

 

 

 Notas: 

 

1.  A Colecção engloba mais de 400 páginas manuscritas, grande parte delas inéditas, compreendidas no período de 1839 a 1853/54.

Artigo de Luís Miguel Queirós no Público sobre a aquisição da colecção pelo Estado Português. 

 

2.  “O espólio agora adquirido será objecto de um contrato de depósito na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, enriquecendo, desta forma, o já importante espólio garrettiano de que [a instituição] dispõe”, de acordo com o comunicado divulgado pelo Gabinete do Secretário de Estado da Cultura citado pela Agência Lusa.

Espólio Garrettiano da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra [Youtube] 

 

3.

-  Blog garrettiano O Divino , 2004-2005

 

-  A Moira Encantada de João Baptista de Almeida Garrett  

Edição oferecida pelo "Diário de Notícias" aos leitores no 140º aniversário do jornal, a 29 de Dezembro de 2004

ISSN 0870-1954 Lisboa, Dezembro 2004

 

- No aniversário da morte de Garrett. Apresentação de um inédito do Romanceiro [Ermitão] 

Ofélia Paiva Monteiro e Maria Helena Santana

Annualia Verbo. Temas, Factos, Figuras, 2005/2006. 

 

- As Fontes do Romanceiro de Almeida Garrett. Uma Proposta de ‘Edição Crítica’ [Tese de Doutoramento em Línguas, Literaturas e Culturas, Especialidade de Estudos Literários]

Sandra Boto

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, 2011

  

 

 

 

Sobre a Colecção Futscher Pereira e Venâncio Augusto Deslandes leia também aqui 

 

 

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18.10.14

 

Rita Barros regista desde 1987 a vida no Hotel Chelsea, em Nova Iorque, e vem registando a sua agonia desde que em 2011 o hotel foi vendido, encerrado ao turismo, esventrado por obras e os residentes de longa data se viram confrontados com muitas incertezas pessoais e a morte anunciada da sua casa comum.

 

Negação, zanga, negociação, depressão, aceitação — as etapas do luto são cinco, não necessariamente por esta ordem mas fica a ideia.

 

Embora centrada no trabalho de Rita Barros no Chelsea, a exposição comissariada por Jorge Calado dá a ver todo o universo da artista, dos seus primeiros trabalhos a preto e branco às suas imagens mais emblemáticas [o sapato e a chávena de café da série Presença na Ausência] e incluídos estão também outros temas [11 de Setembro] e uma bonita colecção dos seus photobooks artesanais. 

 

Nesta exposição um engenhoso biombo vermelho separa o antes do depois: à entrada somos naturalmente conduzidos para o Chelsea e os seus habitantes nos bons tempos [reunidos no livro Chelsea Hotel Fifteen Years] e para três auto-retratos de Rita Barros no seu apartamento, cuidadosamente encenados, coloridos, solares.

 

À saída, após as imagens fúnebres e irónicas [de Displacement] e uma deambulação melancólica pelos belíssimos interiores do Chelsea despovoado e semi destruído [a série mais recente] encerram o percurso, nas costas do biombo, duas imagens intimistas que convido o Leitor a descobrir . 

 

 

 

 

 Biblioteca da Faculdade de Ciência e Tecnologia /UNLCampus da Caparica 

 

 

 

 

Biblioteca da Faculdade de Ciência e Tecnologia /UNL

 

Campus da Caparica

 

2ª a 6ª feira | 09:00h - 20:00h

 

Sábados | 18 e 25 de Outubro, 15 Novembro | 15h - 18h

 

Imagem aqui

 

 

 

 

 

 

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31.8.14

 

 

  Simon Leys / Pierre Ryckmans

 

 

 

La Chine a connu ces dernières années de prodi­gieuses transformations. Elle est en passe de devenir une super-puissance — sinon la super-puissance. Dans ce cas, elle sera — chose inouïe — une super­puissance amnésique. Car, jusqu'à présent, sa miracu­leuse métamorphose s'effectue sans mettre en ques­tion l'absolu monopole que le Parti communiste continue à exercer sur le pouvoir politique, et sans toucher à l'image tutélaire du président Mao, sym­bole et clé-de-voûte du régime. Et le corollaire de ces deux impératifs est la nécessité de censurer la vérité historique de la République populaire depuis sa fon­dation : interdiction absolue de faire l'histoire du maoïsme en action - les purges sanglantes des années 1950, la gigantesque famine créée par Mao (dans un accès de délire idéologique) au début des années 1960, et enfin le monstrueux désastre humain de la «Révolution culturelle » (1966-1976). Treize ans après la mort du despote, le massacre de Tianan-men (4 juin 1989) est encore survenu comme un post-scriptum ajouté par les héritiers, pour marquer leur fidélité au testament laissé par l'ancêtre fonda­teur. Mais ces quarante années de tragédies histo­riques (1949-1989) ont été englouties dans un « trou de mémoire » orwellien: les Chinois qui ont 20 ans aujourd'hui ne disposent d'aucun accès à ces infor­mations-là — il leur est plus facile de découvrir l'his­toire moderne de l'Europe ou de l'Amérique que celle de leur propre pays.

 

Quelle sorte d'avenir peut-on bâtir sur l'ignorance obligatoire du passé récent? «Ce qui peut constituer le plus grand obstacle empêchant la Chine de devenir un pays moderne au meilleur sens du mot, c'est sa volonté de maquiller et de récrire l'Histoire, tout par­ticulièrement, l'histoire de la "Révolution cultu­relle" », remarquait tout récemment le journaliste Jonathan Mirsky, perspicace observateur de l'actua­lité chinoise.

 

Mais la métaphore la plus éloquente de la situa­tion présente est encore ce Coma de Pékin évoqué par Ma Jian: le protagoniste du roman (une création particulièrement puissante de la littérature chinoise contemporaine) est un jeune manifestant décerveié par une balle perdue de Tiananmen, qui flotte, para­lysé, muet, sourd et aveugle, dans un coma sans fin.

 

 

Simon Leys

in Le Studio de l'inutilité

[Relire l'histoire de la « Révolution culturelle », Intoduction à la réédition des Habits neufs du président Mao (Ivrea 2009)]

© Flammarion 2012

 

 

Mais sobre o Autor aqui e aqui

 

 

 

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6.6.14

 

 

  1942-2014

 

 

 

Agora que a poeira começa a assentar sobre o desaparecimento de Vasco Graça Moura, sobre tudo o que se tem dito e escrito acerca desta personalidade, há duas ou três coisas que apetece remoer.

 

Ao amplo e merecido consenso público que em volta desta figura maior da cultura portuguesa se suscitou, num primeiro momento justificado pela óbvia proximidade da sua morte, sucederam-se as declarações, os artigos, as crónicas, os comentários de louvor póstumo. E foi aí que começaram a aparecer as frases condicionais e as conjunções adversativas. Os ses e os mas.

 

Um sortido rico de colunistas encartados tratou de vir a terreiro tirar o chapéu, que decerto não usa, e curvar-se em vénias de amplitude igualmente variada.

 

Mas, porém, contudo, todavia, no entanto, não obstante.

 

Uma grande figura apesar de não ser de esquerda. Incompreensível.

 

E essa incompreensão é já uma reticência, uma sombra, uma prevenção. Uma nódoa na iminência de alastrar.

 

Pior do que isso, alguns vieram ensinar às crianças e ao povo que o homem foi realmente uma grande figura, muito embora dado ao exagero. Veja-se o que defendeu em política. Veja-se esta coisa do acordo ortográfico. Fúria demasiado grande e sonorosa para assunto tão pouco merecedor. Se era razão para tanto empolamento. Uma vocação de cavaleiro andante perdida em damas de pouca categoria. Mas, claro, isso não tira que foi uma figura importante, então não, poeta e etecetera.

 

Irra!

 

A menorização deliberada da intervenção pública de VGM, quer na vertente da acção política, quer sobretudo na oposição ao acordo ortográfico, é um mau serviço prestado à memória do escritor.

 

Mau serviço porque em ambos os casos, VGM colocou empenhamento e seriedade no que apoiou e no que contrariou. E essas suas posições, ainda que por vezes conjunturais, esses seus combates, são parte inalienável do seu legado intelectual.

 

A desvalorização da questão do acordo ortográfico como questiúncula irrelevante, como caturrice contrária aos ventos da História e do Progresso, e até como toleima, é um «branqueamento» da sua natureza eminentemente política, e não linguística, e significa o triunfo — mais um — do novo-riquismo nonchalant, que se crê muito moderno e se supõe terrivelmente sofisticado.

 

Como queria, e cria, o escritor, jornalista e panfletário austríaco, Karl Kraus, talvez seja mesmo verdade que a decadência dos povos se evidencie em primeiro lugar no descaso da língua: nos seus usos, abusos e desusos. João de Araújo Correia, escritor menos obscuro do que muitos que por aí se pavoneiam, escreveu: «Sim, o povo é que faz as línguas. Mas quem as desfaz é a canalha». E, por isso, a resistência, porventura vã, de Vasco Graça Moura ganha um significado maior, político e cultural. Resistência, cuja derradeira linha de defesa é a sua própria obra poética, romanesca e ensaística que brota de amor ciente e paciente por esta tão desconsiderada língua — «no teu próprio país te contaminas/ e é dele essa miséria que te roça./ mas com o que te resta me iluminas».

 

 

Jorge Colaço

 

 

 

 

Nota:

 

Jorge Colaço é o autor dos blogs Conteúdos em Português e Retentiva. Sinto-me honrada e feliz pelo facto de ter escolhido publicar este texto aqui.

 

 

 

 

 

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27.4.14

 

 

variação

 

                                                                            obscurent eum tenebrae et umbra mortis;

                                                                            occupet eum caligo,

                                                                            et involvatur amaritudine.

 

                                                                                                                       Job, I, 5

 

 

um verso envolto de amargura, "eclipse

nesse passo o sol padeça".

nas suas aliterações surdamente torturadas,

na sua imprecação contra o destino: à voz

 

 

das desventuras já pouco tempo resta no

ofício das trevas ciciado.

obscuramente a morte está na alma

do mundo. cinzas, cinzas

 

 

para a inquietação da vida, para o pardo avesso do tempo

medido a velas de cera, cinzas para a desolação,

silêncio para os silêncios. a terra erma

 

 

e dissonante, lá, onde a luz cala e a memória

se apaga, fulgor negro, adversidade, eclipse

nesse passo o sol padeça.

 

 

 

Vasco Graça Moura

in laocoonte

Poesia 2001-2005

Quetzal Editores/Bertrand Editora Lda, 2006

 

 

 

 

 

 

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5.1.14

 

 

 

Sport Lisboa e Benfica 1966/1967

 

 

Postal reproduzido no livro Retrovisor, um Álbum de Família. Texto e outra foto neste blog aqui.

 

A crónica de Ferreira Fernandes Nunca passei por ele sem dizer "obrigado" aqui

 

O ensaio de Nuno Domingos As lutas pela memória de Eusébio aqui

 

Alexandre O'Neill sobre Eusébio aqui

 

Perfil de Eusébio aqui

 

 

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27.3.13

 

 

 

Another Happy Day#1

© Rita Barros, até 15 de Abril 2013 em Lisboa* 

 

 

Displacement 2 é o diário de um luto. Em 2011 o Chelsea Hotel em Nova Iorque, catedral da cena underground dos anos 60, e onde Rita Barros vive desde 1984, foi vendido e fechado ao público. O edifício está em obras. Os residentes de longo prazo estão a ser alvo de acções de despejo e assistem impotentes ao desmoronamento gradual do seu quadro de vida, um quadro de boémia artística e de relacionamentos privilegiados porventura condenado à extinção nos tempos que vivemos hoje. A globalização tornou as grandes metrópoles mais parecidas umas com as outras e cidades como Nova Iorque e Londres tornaram-se muito caras. Deixou de haver lugar para a improvisação. Displacement 2 poderia chamar-se The Party is Over. Nunca mais o Chelsea Hotel  será a casa que Rita Barros retratou em 1999, no livro Quinze Anos: Chelsea Hotel.

 

Desde 2011 Rita Barros regista a "remodelação" do Chelsea e com ela a dissolução de todo o seu universo mais íntimo, através de pequenas acções dramatúrgicas que ela própria concebeu e interpreta, fiel ao espírito de liberdade artística e irreverência que presidiu ao mítico hotel. Nesta segunda série de fotografias, iniciada no verão de 2012, os tijolos do jardim do telhado, entretanto destruído, adquirem o estatuto metafórico da representação dos sólidos alicerces da casa então construída e agora transformados em desperdício, mas transformados também em arma de arremesso contra a dor da perda, pessoal e colectiva. 

 

 

 

 

*Até 30 de Abril 2013 
Loja da Atalaia 
Av. Infante D. Henrique, Armazém B, Loja 1, Cais da Pedra a S. Apolónia

1950 -­‐ 376 Lisboa

 

 

 

Notas:

 

Post adaptado de texto de António Calpi, na íntegra aqui

 

Uma fotografia do livro Quinze Anos: Chelsea Hotel neste blog aqui 

 

Entrevistas de Rita Barros aqui e aqui

 

in English here

 

 

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18.1.13

 

 

  J.-B. Pontalis

 

 

 

« Le fond de l'amour c'est de penser à quel­qu'un hors de sa présence, puis hors de propos, puis malgré la présence », écrit Hector Bianciotti rendant compte de la correspondance entre Rilke et Magda von Hattingberg.

Peut-être est-ce là le fond de l'amour. C'est sûrement le cas du transfert amoureux. La pré­sence de l'analyste est la condition nécessaire pour qu'un transfert puisse naître; mais trop de pré­sence, une présence trop affirmée, en chair et en os, et trop constante, entrave le déploiement du transfert, lui assigne une direction et une seule.

Absent présent, présent absent définit la place, la non-place de l'analyste: cette non-place sans cesse réinventée qui favorise la « correspondance » amoureuse, l'échange de lettres adressées à l'homme inconnu, à la femme lointaine.


 

Quand Freud écrit que l'amour de transfert ne peut pas être différencié d'un « véritable » amour, il reconnaît du même coup que tout amour est amour de transfert, non parce qu'il ne ferait qu'en répéter un autre, infantile, mais parce qu'il crée son objet, qu'il l'invente dans le double sens du mot invention : fiction et trouvaille.

 

 

 

J.-B. Pontalis

in En marge des jours

© Éditions Gallimard, 2002



Mais aqui





21.7.12

 

 

 
Frédéric Mitterrand
foto: A. Chardeau © Radio France


 

 

16 mai 2012 : dans son bureau quasiment vide de la rue de Valois, le ministre de la culture et de la communication, Frédéric Mitterrand, regarde, à la télévision, la passation de pouvoir entre Nicolas Sarkozy et François Hollande et emballe ses derniers cartons. C’est son dernier jour au ministère.

 

 

Émission "Les Pieds sur Terre" par Sonia Kronlund sur France Culture ici 


 

 


 

 

Nota: Esperemos vê-lo regressar em breve à tv, à rádio, à escrita.

 

Mais sobre Frédéric Mitterrand neste blog aqui 

 

 

 

 

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9.10.11

 

 

 

 

 

veja também aqui 

 

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6.8.11


Encore aujourd'hui, toute une vie plus tard, il suffit d'un instant de rêverie éveillée, n'importe où, n'importe quand, ou d'un instant de distraction délibérée afin de m'évader d'une conversation oiseuse, d'un récit mal fagoté, d'un spectacle médiocre, pour que brusquement, sans rapport apparent avec les préoccupations ou les désirs circonstanciels, se déploie dans ma mémoire un envol d'éclatante blancheur d'images au ralenti. Ailes de mouette, à l'aube, derrière les baies vitrées d'une chambre d'hôtel, en Bretagne ? Focs des voiliers sous la lumière d'étain de la baie de Formentor ? Brouillards laiteux, effilochés par les vents tournoyant dans le détroit d'Eggemogging ?


Il m'arrive de ne pas identifier ces images. Je reste alors au seuil de leur lisibilité, remué par une émotion indéfinissable : quelque chose de fort et de vrai demeure caché, m'échappe et se dérobe. Quelque chose se défait, sitôt surgi, comme un désir inassouvi. Mais il arrive aussi qu'elles se précisent, qu'elles cessent d'être floues, de me flouer.


Je reconnais le long couloir de l'appartement de la rue Alfonso-XI, à Madrid, résonnant du bruit de nos courses, des portes ouvertes à la volée. Je reconnais dans la pénombre d'un soir de la fin de l'été les meubles précieux recouverts de housses blanches. Et c'est alors que réapparaissent, liés au souvenir enfantin, étrangement gouvernés par lui, tous les autres : un envol de pigeons, place de la Cybèle ; les mouettes de Bretagne ; les voiles de Formentor ; les brouillards de Little Deer Isle. Et le souvenir d'Odile, voltigeant à travers un salon parisien, arrachant joyeusement les linceuls éclatants des fauteuils et des canapés, les transformant en oriflammes du plaisir annoncé, tout en chantant à tue-tête l'air du toréador de Bizet.


Au « Petit Schubert », boulevard du Montparnasse, quelques jours après mon arrivée à Paris, j'avais eu Odile M. dans mes bras. Je me suis demandé si quelqu'un n'allait pas subitement surgir pour me l'enlever. À Eisenach, dans le vieil hôtel où les Américains avaient installé un centre de rapatriement, l'officier français des commandos m'avait enlevé Martine. Mais au « Petit Schubert » le temps a passé, il ne se passait rien. Rien d'autre que la lumière allumée dans les yeux d'Odile, la présence accrue de son corps. Elle était toujours dans mes bras. Elle ne semblait appartenir à personne. Personne ne semblait avoir sur cette jeune femme droit de préemption ou de cuissage. Elle allait être à moi.


Les jours ont passé, les semaines: elle était à moi. Mais sans doute faut-il renverser ce rapport d'appartenance. C'est moi qui lui appartenais, plutôt, puisqu'elle était la vie et que je voulais appartenir à la vie, pleinement. Elle a réinventé pour moi, avec moi, les gestes de la vie. Elle a réinventé mon corps, un usage de mon corps, du moins, qui n'était plus strictement celui d'une économie de survivance, qui était celui du don, du gaspillage amoureux.


Pourtant, malgré elle, malgré moi, malgré l'exubérance de cet été du retour, la mémoire de la mort, son ombre sournoise, me rattrapait parfois. Au milieu de la nuit, de préférence.

 

Jorge Semprún

in  L’Écriture ou la Vie    p.200-201

© Éditions Gallimard 1994

 

Para Isabel Feijó (4 Janeiro 1959 - 5 de Agosto 2011) 

 



21.7.11

 

 

 

 

 

Centro Espacial Kennedy, Cabo Canaveral (esta manhã)

foto: Joe Skipper/Reuters

 

Mais aqui

 

Veja também aqui

 

 

 

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10.4.11

 

 

 

 

 

 

 

Running on empty, Sydney Lumet, EUA, 1988

 

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23.3.11

 

 

 

 Gata em Telhado de Zinco Quente (Richard Brooks, E.U.A. 1958)

 

 

 

mais aqui e na tag "Elizabeth Taylor"

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14.11.10

 

 

 

 

Desenho

de Américo da Silva Amarelhe (1892-1946)

(aqui)

 

 

Despedida de Guilherme Pereira de Carvalho do cargo de administrador da revista “De Teatro”, para assumir funções no SPN. Entre os convivas, fixados pelo lápis de Amarelhe, estão Lino Ferreira, António Ferro, Alexandre de Azevedo, José Paulo da Câmara, Silva Tavares, Feliciano Santos, Artur Portela, José Galhardo, Pedro Bordalo Pinheiro, Norberto de Araújo, Pinheiro Correia, Álvaro Lima, Nogueira de Brito, João Bastos, Mário Duarte, Albino Abranches, Lopo Lauer, Álvaro Raio de Carvalho, Leitão de Barros, Álvaro de Andrade, etc. Ao centro alto, Guilherme Pereira de Carvalho e, ao centro baixo, Amarelhe.

 

 

Visite o Centro de Estudos de Teatro aqui

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2.10.10

 

 

 

 


 

 

 

 

Par où s'est-il approché le triste, le long, l'interminable orage de la fin des années soixante ? Si amer et si confus qu'on ne sait s'il dure toujours ou s'il s'aggrave encore. Est-ce par ici, le long des couloirs de cet hôpital où mourut l'ami le plus cher, celui auquel je pense chaque jour depuis que nous nous sommes laissés seuls, il y a vingt ans, vingt-cinq ans, je ne me rappelle jamais la date ? Ou est-ce par là, juste un peu plus tard, quand on parlerait d'une chambre en désordre, d'un téléphone, d'une couverture avec dessous la plus belle fille du monde ? Ou est-ce par là encore, lorsque les salles obscures s'abandonnèrent au soleil noir venu du Nord que dispensait une lanterna magica aux éclats de voix mystérieux et rauques, et qu'on sentit, soudain, la beauté sourde de sa lumière cruelle.

 

 

 

Frédéric Mitterrand

in Tous Désirs Confondus

© RAPHO/TOP - ACTES SUD, 1988

 

 

 

outros excertos da mesma obra aquiaqui

 

 

Imagem: Capa da revista "Paris Match", 8 de Agosto de 1962


Leia também aqui


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28.1.10

 

 

 

I remember my first real glimpse into New York City — the first time I picked up The Catcher in the Rye. I was standing — if you really want to hear about it — in a bookstore, a sophomore in high school, and from the first sentence I was drawn in as with no book I had read before.

It’s a novel that forces you to ask distressing questions. How do you overcome cynicism in an age of manipulation, when social networking eclipses friendship, when what matters is to seem rather than to be? How do you get past the phoniness in everyone around you, the masks they wear, the sense that no one can be known as he really is? How, among the lonely masses of the city, can you remember that these commuters, these beggars, these cabdrivers and subway operators — are people?

After reading Catcher, I turned to other works by Salinger, and it was in these — notably in the stories of the Glass family — that I found his most compelling answer to Holden’s plight. Seymour Glass, the eldest of seven insanely precocious children, seems in many ways to represent triumph over cynicism.

Seymour sees the flaws in people, their shabby motives, their vanity, but, rather than spurn them, he has compassion. He sees their shortcomings, sees how their shortcomings deprive them of happiness, and he takes pity. He loves them. He looks for the virtues hiding behind their vices. He is attentive to “the main current of poetry that flows through things,” and bears in mind constantly — impossibly, it seems — the fact that every encounter with another human being is sacred. In short, Seymour sees more.

When Zooey, the youngest male of the Glass family, complains about having to appear on a children’s quiz show, Seymour responds by telling him to shine his shoes beforehand. “I was furious,” Zooey recounts. “The studio audience were all morons, the announcer was a moron, the sponsors were morons, and I just damn well wasn’t going to shine my shoes for them.”

Seymour’s answer: Shine your shoes for the Fat Lady. No details, no further explanation. The Fat Lady. Zooey imagines her sitting on a porch in the heat, swatting flies, listening to the quiz show on the radio, and he comes to understand the injunction to shine his shoes. Out of love for that woman. Out of respect for her lonely, downtrodden existence.

Ultimately, Zooey arrives at an even more radical epiphany: Everyone is the Fat Lady. Everyone, from the janitor in your college to the pretentious know-it-all in your section to the president of the United States — everyone is swatting flies on a lonely porch. Everyone has hidden fears, shameful struggles, a loneliness that can never be quite drowned out by the noise of parties or the solace of alcohol. Realizing this, Zooey has gotten beyond cynicism, beyond misanthropy. He can love.

 

Brice Taylor

in Untimely Meditations

publicado no "Yale Daily News" de 18 de Setembro de 2009 aqui

 

 

 

 

J.D. Salinger

1919 - 2010

 

 

Imagem e mais aqui

 

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12.1.10

 

 

 

L'Amour l'après-midi de Eric Rohmer (França, 1972)

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26.6.09

 

 

 

 

Há muitos anos, quando as minhas sobrinhas eram pequenas, levei-as a ver Michael Jackson no estádio de Alvalade. Nada pode substituir a experiência de assistir a um espectáculo assim num estádio cheio, ter oportunidade de ver e ouvir aquele cantor e bailarino de excepção, acompanhado por aquela banda, a tocar aquelas músicas. Lembro-me de ter ficado surpreendida com a altura e a corpulência de Michael Jackson, são pormenores de que só nos apercebemos ao vivo, a televisão engana nas proporções e cria-nos estas surpresas.

 

Mais recentemente, já depois de todas as chatices, não pude deixar de o reconhecer no patético e comovente Willy Wonka (Johnny Depp) de Charlie and the Chocolate Factory (Tim Burton, 2005).

 

Ao receber ontem à noite a notícia da sua morte, um sms da minha sobrinha Rosa, já passava da meia-noite - "viste as notícias"? - seguido de breve conversa ao telefone, as duas emocionadas, lembrei-me da minha mãe a chorar quando morreu Marilyn Monroe, da capa do "Paris-Match" em casa dos meus avós.

 

Querido Michael Jackson. Descansa em Paz.

 

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22.5.09

 

 

 

Com João Bénard da Costa e Lotte Eisner

na Arrábida, em 1983

 

 

 

Lotte H. Eisner, a grande ensaísta do cinema expressionista alemão, visitou Portugal em 1983 a convite da Cinemateca Portuguesa, à qual eu acabara de chegar, com a missão – imagine-se – de dar maior visibilidade às actividades da instituição. Os anos que lá trabalhei foram dos mais felizes de toda a minha vida profissional. Comecei por ter a sorte de a minha primeira tarefa correr bem, uma homenagem a outra senhora muito idosa, Dina Teresa, vedeta do primeiro filme sonoro português. Os jornais deram um relevo sem precedentes ao evento, o que me valeu a confiança imediata de Luís de Pina e João Bénard da Costa, além de ter contribuído para esclarecer, aos olhos dos outros colaboradores da direcção – uma equipa reduzida, muito competente e motivada – as razões da minha presença ali.

 

O meu trabalho consistia em redigir comunicados de imprensa, tratar dos convites, fazer pequenas visitas guiadas ao museu instalado no primeiro andar, acompanhar os visitantes estrangeiros, numerosos nesses anos; fazia também o que mais houvesse para fazer, telefonemas para o estrangeiro, ajudar a secretária de João Bénard a decifrar-lhe a letra, traduzir, escrever à máquina quando era preciso. Vale a pena explicar que o processo então utilizado para o fabrico das “folhas de sessão” obrigava a que o texto fosse dactilografado, numa máquina de escrever eléctrica - a máquina de esfera IBM - numas folhas especiais recobertas de uma fina camada de cera. As gralhas eram tapadas com um verniz, aplicado a pincel, que permitia voltar a bater letras por cima. Só então é que a ‘matriz’ seguia para a reprografia.

 

Eu escrevia bem à máquina, depressa e com poucos êrros, e foi assim que algumas vezes, não muitas, o João me pediu que levasse a máquina para o seu gabinete, para me ditar de improviso o texto da “folha” a distribuir daí a pouco na sala de cinema.

Ditava, contínua e pausadamente, sem omitir a pontuação, a caminhar devagar de um lado para o outro. No fim o texto estava perfeito, não era preciso alterar uma vírgula, nunca vi nada assim. Mas além da admiração que a ‘proeza’ sempre me causava, a recordação mágica que guardo dessas ocasiões está ligada à concentração profunda de ambos na tarefa, algo parecido com a ‘simbiose’ que o intérprete de conferência (em que mais tarde me tornei) estabelece, durante o discurso, com o orador (inspirado).

 

João Bénard Costa revelou-me o sentido da expressão “escrever ao correr da pena”.

 

 

 

 

 

 

 

um excerto de Muito Lá de Casa aqui

 

 

Mais sobre João Bénard da Costa aqui

 

 

 

 


15.3.09

 

 

 

 

 

Maria Violante Vieira

1.11.1915 -  27.1.1997

 

 

 

Tinha o dom de ouvir os outros, porque se interessava verdadeiramente por eles e porque raramente falava de si própria. Julgo que mantinha essa sua reserva, ou pudor, mesmo com os amigos mais íntimos. Era inteligente e generosa.

 

Para minha irmã Cristina, em particular, a sua presença reconfortante, num período particularmente difícil para a nossa família, tornou-a numa figura de referência. Data desses tempos, ou seja do princípio dos anos 60, esta fotografia tirada por Cristina, no Monte Estoril, ou talvez em Sesimbra, onde Maria Violante se refugiava por vezes no Hotel do Mar.

 

 

Tita - como os sobrinhos e nós lhe chamávamos - tinha uma vida de trabalho intensa. Geria com a irmã, Maria Antónia Vieira Gagean, as empresas que haviam herdado do pai, a Papelaria Progresso e a Papelaria da Moda, e o escritório Vialga, representante da  Parker em Portugal. Ali foram empregues os talentos de criadores tão diversos como o designer Manuel Rodrigues e o poeta Alexandre  O'Neill, que cunhou 'slogans' publicitários para a famosa marca de canetas, segundo acabo de descobrir na tocante biografia de Maria Antónia Oliveira (Publicações Dom Quixote 2007).

 

No início dos anos 70, Maria Violante estabeleceu um primeiro contacto com a UNICEF para trazer para Portugal os cartões de Natal desta agência mundial de ajuda às crianças mais desprotegidas. Na sequência desse contacto, fundou a associação “Amigos da Unicef". Em 10 de Abril de 1979 foi oficialmente criado o Comité Português para a Unicef, ao qual passou a dedicar-se inteiramente, desempenhando o cargo de Presidente até ao final da sua vida.

 

Foi em casa de Maria Violante, um pequeno apartamento com vista para o Tejo, próximo do Jardim do Príncipe Real, que Cristina e eu estivémos pela última vez com o Professor Agostinho da Silva, seu companheiro dos últimos anos. Pouco tempo depois, no dia de Natal de 1996, ou na véspera, não sei, fomos as duas vê-la ao hospital. Foi uma visita muito breve, o tempo de uma carícia e de uma troca de olhares de despedida.

 

 

Visite a Unicef Portugal aqui

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8.12.08

 

Ao receber esta manhã a notícia da morte de António Alçada Baptista, fui reler Peregrinação Interior à procura de um excerto para aqui publicar. Recordava acima de tudo a simplicidade e o sentido de humor com que o autor descreve episódios da sua infância na Covilhã. Ficou para mim como um livro de memórias, um dos meus favoritos de sempre de um escritor português.

 

António Alçada Baptista é um dos escritores que cito em “Retrovisor, um Álbum de Família”. Reencontrei hoje aquelas qualidades intactas, assim como os sorrisos e risos que muitas passagens inevitavelmente convocam. Esquecera por completo as interrogações mais profundas destas “Reflexões sobre Deus” e mesmo o subtítulo deste memorial interior, como lhe chama o autor.

 

 

 

Às vezes penso numa coisa que havia ali na feira popular, em Palhavã, e que era o Poço da Morte. Pagavam-se quinze tostões e os voluntários eram submetidos à força de um vórtice que os fazia subir colados às paredes. Eu nunca tive coragem para me meter naquilo, mas ficava espectador interessado daquela minoria audaz que se entregava livremente à força que a fazia subir. Depois a máquina parava e as pessoas continuavam normalmente coladas ao chão, passeando a sua banalidade somente interrompida.

 

Sinto que um imenso surto vital irrompe na grande comunidade de espaço e de tempo em que estamos imersos. Que ele é feito do esforço dos criadores, santos, poetas e sábios, nomeados ou não, que ao longo dos tempos fizeram dum pequeno sopro interior a epopeia da conquista da verdade e da liberdade que paira ao longo da história como sua e nossa justificação. Sei que para a maioria das pessoas coisas destas nada significam, mas que há outras que fizeram da sua integração nesta epopeia a sua razão de viver. Julgo que Deus estará em mim e eu nele enquanto for capaz de manter esta vontade vital de permanecer na força do seu vórtice criador.

 

 

 

António Alçada Baptista

in Peregrinação Interior I

© Editorial Presença

 

 



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