25.12.16

 

 

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Nativity, 1470-1475 - Piero della Francesca

 

 

 

 

 

 

 

 

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9.8.16

 

 

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Simone Biles fotografada por Norman Jean Roy para a Teen Vogue, Abril 2016

 

 

“Simone trains hard, but she also has uncanny air awareness. She can judge where she is in relation to the ground, even when she’s upside down. Some things you just can’t teach.”

 

o artigo The Full Revolution na revista The New Yorker aqui

 

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13.6.16

 

 

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 7 postais ilustrados por André Carrilho

 

 

 

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 lisbon poets & co. no Facebook aqui

 

Poètes de Lisbonne - Camões, Cesário Verde, Sá-Carneiro, Florbela Espanca, Pessoa | Traduction Élodie Dupau.

 

 

Lisbon Poets - Camões, Cesário Verde, Sá-Carneiro, Florbela Espanca, Pessoa | Portuguese originals and English translations, by Austen Hyde and Martin D'Evelin | Illustrations by André Carrilho | Foreword by Leonor Simas-Almeida | 1st edition: June 2015  Publisher: lisbon poets & co.

 

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10.6.16

 

Arigato, eu.jpg

 aqui

 

 

 

O Japão é daqueles sítios que transformam as pessoas. Posso atestá-lo pela minha experiência pessoal, cumpridos três meses por lá e quase meio milénio após os meus compatriotas ali entra­rem, eles que também terão mudado após o acidente de Tanegashima (que adiante conheceremos) e dito «obrigado» por este não os ter matado. Também poderei confirmar que a experiência do Extremo Oriente é marcante quando, nos próximos capítu­los, escrever sobre os sete portugueses que aí conheci, abertos e aventureiros como lusos, mornos e simpáticos mas cada vez mais formais, trabalhadores e concentrados como os nipónicos.

 

Em 1512, durante o reinado de D. Manuel I, chegaram notí­cias de que existiria um arquipélago ao largo da China. Fora o mercador italiano Marco Polo quem o dissera, acrescentando que esse conjunto de terras rodeadas por mar era chamado «Cipanto» ou «Ji-pangu», em chinês «o local onde o sol nasce».

 

Na época os japoneses viviam isolados, pois o seu território não tem ligação por terra com nenhum outro e eles só mantinham contacto com a China e com a Coreia, de onde vieram fortes influências culturais, como a escrita, o cultivo do arroz e o budismo. «Uma ilha grande, de gente branca, de boas maneiras, formosa e de uma riqueza incalculável», escreveu Marco Polo. A descrição deixava o novo local envolto numa névoa de fabu­losas riquezas, o mistério que ainda hoje se lhe associa e que atrai portugueses, emigrantes, viajantes e exploradores de todo o mundo.

 

Já em 1540 as informações sobre o Japão eram mais claras, pois barcos japoneses ancoravam nas pequenas ilhas de Liampo, na costa chinesa, e por aí tinham contacto com mercadores lusi­tanos. Segundo uma das versões da história, um dos barcos mercadores dirigia-se para lá levando três portugueses quando foi apanhado numa violenta tempestade, indo parar à ilha de Tane­gashima, ao sul do Japão, no tal acidente pelo qual podemos dizer muito obrigado ou arigato gosaimasu.

 

 

Luís Brito

in  Arigato, eu. Os portugueses no Japão

© Fundação Francisco Manuel dos Santos e Luís Brito. Abril de 2016

 

 

 

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30.12.15

 

 

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Mudança climática

 

 

 

 

Véspera de Natal com 15° Celsius à sombra em Montemor-o-Novo e sol a luzir no céu azul entre farrapos de nuvens e édredons espaçados e espessos de nevoeiro de que não me lembro por estas partes e de que não conheço as causas (mais água por esses campos fora desde a barragem da Alqueva?) mas não chegam a escangalhar a amabilidade do tempo, rara há muitos anos por esta quadra.

 

O meu amigo Olivier, belga francofone, quadragenário de fresca data, vegetariano, ecologista, preocupado com o futuro do planeta Terra (Le septième planète fut donc la Terre… etc.), com três filhas pequenas (a mais velha, chinesa, adoptada por ele e pela primeira mulher, irlandesa, as seguintes nascidas da actual mulher, cambojana) sente-se culpado com inverno tão ameno que deveria obrigar os europeus a fazerem tudo quanto pudessem contra o aquecimento global mas, como a ausência de frio lhes sabe bem, os torna mais desleixados ainda do que já eram nesta matéria de vida ou de morte (em Bruxelas, na véspera de lá sair para Portugal, ouvi na telefonia que o dia anterior fora o dia de Dezembro mais quente registado desde que se passara a tirar a temperatura aos dias).

 

A Conferência de Paris – frivolidade perdulária para candidatos a candidato do Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos, pessoas cuja ignorância militante é escandalosa e deletéria; insuficiência desprezível para ecologistas puros e duros; mas, para gente sensata versada nestas coisas (e não só por quem pontifique, no contentamento da mediocridade, “o óptimo é inimigo do bom”), o passo possível e indispensável para tentar prevenir males no tempo dos nossos filhos e netos que não seriam remediáveis – trouxe um desafio inédito. O problema de escolher entre prazer imediato e prazer futuro é tão velho quanto a humanidade ou, pelo menos, quanto a filosofia (ou, para quem rume no sentido oposto, como muitos biólogos contemporâneos gostam de fazer, buscando animais com razão, sentimento, previsão e escolha – golfinhos? elefantes? outros? – mais antigo do que o homem e porque não: em alturas em que resvalei do ateísmo para o agnosticismo ocorreu-me que, se eu tivesse alma, o meu chorado cão Nero haveria de, à maneira dele, ter alma também) e foi bem abordado por filósofos ingleses do século XVIII, ditos utilitaristas, dos quais o mais conhecido era Jeremy Bentham (que ainda impressiona, embalsamado, numa sala de University College, Londres).

 

O dilema é simples: ceder à tentação do momento ou prescindir desse prazer para obter outro, mais sólido, num futuro determinado. Bom senso e experiência sugerem que a segunda via é mais prometedora, mas puxa-nos demais o pé para a primeira. O que é inédito – salvo talvez em dinastias antigas – é sofrermos não pelo nosso futuro, mas pelo futuro de gerações vindouras. A pessoas narcisistas e hedonistas, como nos dizem que somos agora, vivendo em quase 200 países diferentes, nem sempre ocorrerá a culpa generosa do meu amigo Olivier.

 

 

 

 

 

 

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25.12.15

 

 

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Aguarela de Vasco Futscher Pereira (2007)

 

 

 

 

Before the ice is in the pools, 
Before the skaters go, 
Or any cheek at nightfall 
Is tarnished by the snow, 
Before the fields have finished, 
Before the Christmas tree, 
Wonder upon wonder 
Will arrive to me!



Emily Dickinson

 

 

 

 

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29.6.15

 

 

 

La vida es un sueño y los sueños sueños son. Calderón cut a play's title out of that old Spanish proverb. Life is a Dream. The rest translates: 'Dreams are dreams.'

 

On the fifth of March 1933, the banks of the nation closed. Led more by a nose for drama than by the concern proper to a son, I hustled uptown to see how the 'old man' was weathering the crisis; my curiosity was not altogether sympathetic.

 

His business was located at 295 Fifth Avenue, the Textile Building, a hive of importers, wholesalers like himself, dark-complexioned men, immigrants all, most of them Armenians but some Anatolian Greeks, as well as a few Persians, Syrians and Egyptians. These men had come overseas from the East, propelled by a dream: that here their throats would not be cut. Working in the dust of carpets, living alone in dark back rooms, depriving themselves of pleasures, they'd put the dollars together, year after year, obeying the voice in the air of America; to accumulate money; that was safety, that was happiness. They married late, unromantically, going back to their native lands, as my father had, to find a proper woman out of their own tradition, ten, fifteen, twenty years younger, then made children as quickly as possible in half-paid-for homes while dutifully continuing to feed their accounts in banks whose doors, that morning, had remained locked.

 

Generally these men entered my father's store only when they had a customer whose needs they weren't able to meet from their own stock. They'd escort this buyer to Father's place and there pick up, in place of a profit, a commission. These encounters were rare since they were a last resort. My father's competitors paid each other no casual visits. But when I walked in that morning, there they were, a dozen or more, sitting cross-legged on piles of three-by-five Sarouk or Hamadan 'mats', clumped together in static postures, like hens roosting. Motionless, inanimate, they seemed to be waiting – but for what? Occasionally a few mournful words would be mumbled, a puzzled complaint. No response was expected, none offered.

 

Skirting the motionless figures, I circled back to the small desk where I was supposed to tend the accounts-due books. With business as bad as it had been, there'd been little to do that summer. I'd typed a few letters: 'Your immediate check would be sincerely appreciated' or 'We will regretfully be forced to place your account in the hands of our lawyers.' But most of the time I'd tilted up the large stock of our book and hidden The Brothers Karamazov behind it. This had been noticed, of course, and reinforced the general opinion that I was a young man without a future.

 

On this morning I sat idle, like the others, studying the assembly of merchants, men whose skins had once been a rich olive and were now pale from worry and the cold light that concrete walls shed. They're like shipwrecked sailors, I thought, thrown up on a desert and waiting for someone to rescue them.

 

Actually my father's business had gone 'kaput' - his word — three years before, in 1929, when the market collapsed. He'd put the yield of a life's labour into a stock issued by the National City Bank. Bought at just over 300, climbing as millions cheered past 600, it then rumpled with all the others down the mountain of high finance, like the boulders of an avalanche, to 23. At that time, he'd thought of his disaster as something for which he was in some way responsible; he must have done something wrong, made some awful mistake. Had he been outsmarted? Had he been cheated?

 

But now, in 1933, on the day the banks closed, surrounded as he was by men who shared the catastrophe — no one smarter, no one luckier, he knew them all to be as ordinary as he was - Father must have begun to accept that what had happened was more serious than any mistake he could have made. The men around him were all bleeding from the same invisible lesions. In a few years many of them would be out of business. They all shared a dread of what was coming.

 

 

Elia Kazan

in  A Life   p.102-103

© Elia Kazan 1988

 

 

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On board the Keiser Wilhelm which brought us to America (1913)



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1.4.15

 

 

 

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 Cemitério de vítimas do Gulag em Vorkuta, Rússia. 

 

 

 

 

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Quaresma

 

 

 

Sábado, 28 - Entre cornflakes e café, folheio o International New York Times e leio, ao fundo da página 5, que no quadro do desastre de avião que matou o Presidente Lech Kaczynski e mais 95 altas figuras do estado que viajavam com ele, na Rússia ocidental, em 2010, procurador militar polaco acusou ontem 2 controladores aéreos russos. Depois de quase 5 anos de investigação, um dos controladores, de responsabilidade directa pelo desastre; o outro de responsabilidade indirecta. Poderão ser condenados a 8 anos de prisão. Todavia, acrescentou o coronel procurador, a causa mais imediata do desastre fora a falta de treino e o comportamento negligente da tripulação polaca que havia feito descer demais o avião abaixo do nevoeiro e ignorara sinal automático para retomar altitude. Tripulação que não estava autorizada a conduzir o avião presidencial.

 

As revelações do procurador militar foram logo aproveitadas pelo partido conservador Lei e Justiça, maior partido de oposição polaco, fundado pelo falecido presidente e por seu irmão gémeo Jaroslaw, antigo primeiro-ministro, que tem sustentado sempre que o presidente foi assassinado, possivelmente pelos russos, e acredita também que o governo de Donald Tusk (agora Presidente do Conselho Europeu) ajudou a encobrir os factos. Antoni Macierewicz, um dos barões do partido acusou os investigadores de “desencaminharem o público” e disse que o desastre fora causado por explosão misteriosa a bordo. A Rússia ainda não devolveu os restos do avião, apesar de repetidas insistências polacas.

 

Tragédias, intrigas, mistérios em curso bem como muitas opiniões sábias – que se passaria na cabeça do copiloto de Germanwings?; ditos, reditos e desditos de Bibi sobre todo o mundo e ninguém e dinheiro de impostos devolvido aos palestinos; labirinto de becos sem saída, desenhado pela ignorância curta de vistas de Washington na escolha de amigos e inimigos no Médio Oriente (onde o amigo do meu inimigo também muitas vezes meu amigo é); esforços para limpar o Laos, uma das terras mais bombardeadas deste mundo; decisão final pendente da justiça italiana sobre a americana Amanda Knox (a telefonia veio dizer que fora definitivamente absolvida da acusação de ter morto a amiga); Sigmund Freud na história da psiquiatria; o novo Museu Whitney em Nova Iorque; Silicon Valley e automóveis de luxo velozes; mudanças na banca privada internacional – tudo em 22 páginas, no meio de anúncios de joias, de relógios, de bagagens, de hotéis, tudo de luxo, para entreter convalescentes e mais ociosos nesta véspera de Domingo de Ramos, quase me fizeram falhar o inquérito ao desastre do avião polaco.

 

Teria sido pena. Em poucas linhas, não me deixou esquecer que nessa interface entre Leste e mais a Leste, onde desconfiança mútua impera, má-fé campeia e transparência é opaca, está todos os dias em risco a paz geral da Europa. Todo o cuidado é pouco, a começar com Putin. E, vistas bem as coisas, também a acabar nele. Páscoa Feliz.

 

 

 

Imagem aqui

 

 

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1.1.15

 

 

 

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Needlepoint Tapestry

© Mati Silverstein, 1976

 

 

UM BOM 2015

 

 

 

 

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24.12.14

 

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 Fuga para o Egipto, Giotto 1311

 

 

 

 

 

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Boas Festas

 

 

 

A quadra de presentes é propícia ao calibrar das posses de cada um e sente-se no ar um perfume de luta de classes de que não me lembrava há muito tempo (“consciência de classe que parecia adormecida”, escreve-me amiga em Portugal). Apesar de distracções na televisão, na telefonia, nos jornais, na internet, nas redes sociais - guerra sem quartel entre sunitas e xiitas; tropelias de Putin; aquecimento global provocado pelo homem (brinca, brincando, crescemos de dois mil para sete mil milhões em pouco mais de meio século: europeus, porém, somos cada vez menos); epidemias que resistem a remédios - mau viver insidioso alastra em cada vizinhança.

 

Como só más notícias se vendem – e compram – entram-nos desgraças pela casa dentro amanhadas “de cinco maneiras diferentes”, como os linguados do restaurante Sua Excelência quando o Queiroz recitava o menu. Contra mim falo, mas parece às vezes haver hoje mais comentadores do que coisas a comentar. Entretanto, espreguiçando-se estremunhada, a luta de classes que ninguém é capaz de definir mas em que muitos gostam de acreditar – um bocadinho assim como a Graça de Deus – arreganha os dentes. Já tínhamos passado por isso e eu julgava que o assunto estivesse arrumado. Nem pouco mais ou menos.

 

Os muito ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Muita gente na finança – banqueiros e para-banqueiros, grandes, médios e pequenos – tomou o freio nos dentes desde que a União Soviética colapsou e deixou de ter medo fosse do que fosse. Sem perceber que o fim do comunismo não fora a irradicação de uma doença mas sim o fracasso de um remédio – nunca é demais repeti-lo – abandonou o cuidado dos outros. Mas enquanto os Estados Unidos, arrancando com um programa de estímulo, saíram da crise que lá começara em 2008, a Europa, com a grilheta da austeridade a arrastar-lhe os pés, abeira-se da deflação. Irlanda, Grécia e Portugal devem mais do que deviam quando os programas de ajuda começaram - e nunca poderão pagar. Uma falsa convicção germânica de virtude obnubila responsáveis políticos e fá-los insistir no mau caminho.

 

Quando a economia, em vez de crescer, mirra, e os filhos vivem pior do que viveram os pais, os europeus, desabituados há muito tempo de tais desconfortos, tornam-se agressivos. Xenofobia pavoneia-se em França, na Alemanha, na Grã-Bretanha; protecionismo empobrece as nações. Quando não haja estrangeiros nem infiéis para bode expiatório avança a “luta de classes” - exemplo da tentação universal de fazer passar inveja por virtude - com tradição em Portugal, primeiro às escondidas da PIDE, depois posta ao léu pela Revolução dos Cravos. Esquecida a seguir – e lembrada agora.

 

A menos que os políticos entendam, percam medo da Alemanha, esqueçam austeridade e se metam a ajudar a economia com bom senso e coragem precisos, o que espera a Europa é - com vénia a Mestre António Garcia - uma broncalina do camandro ou uma Bernardette do caboz.

 

Boas Festas, mesmo assim.

 

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23.12.14

 

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 Aparador da Consoada

Composição do natural, de Francisco Lage*

 

 

Rabanadas da consoada  (Douro)

 

 

Pão de forma                          1

Ovos                                         6  a  8

Manteiga                                50  gramas

Açúcar                                    1  quilo

Canela                                    q.b.

 

 

Põe-se o açúcar a ferver com água suficiente e deixa-se tomar ponto de espadana.

 

Corta-se o pão às fatias finas, não se utilizando as dos topos. Batem-se os ovos e neles se mergulham as fatias até ficarem bem repassadas. Fritam-se logo a seguir na calda, a que se juntou a manteiga, até que os ovos que as emvolvem fiquem bem cozidos. Com uma escumadeira vão-se retirando as fatias e colocando numa travessa funda. Polvilham-se de canela e regam-se com o resto da calda em que se fritaram.

 

 

 

 *

 

 

Sonhos fofos

 

 

Ovos                                        6

Farinha                                  1  chávena

Manteiga                              60  gramas

Açúcar                                   90  gramas

Canela                                   q.b.

Sal                                          q.b.

Fermento em pó                1  colher de chá

Calda de açúcar                  q.b.

 

 

Põem-se a ferver o leite, a manteiga, o açúcar, a canela e o sal; levantando fervura vaza-se-lhe para dentro, de repente, a farinha e mexe-se até que fique enxuta e cozida.

 

Deixa-se então esfriar um pouco e juntam-se o fermento e os ovos, um a um, ligando-os muito bem com a massa. Amassa-se com a mão até ficar uma massa leve. Fritam-se colheradas desta massa em bastante óleo ou azeite fervente. As colheres devem ser de sobremesa e pequenas pois os sonhos crescem bastante enquanto se fritam.

 

Cobrem-se depois os sonhos com calda de açúcar não muito espessa e aromatizada com baunilha e servem-se frios.

 

 

 

M.A.M. [pseud. colectivo de Maria Adelina Monteiro Grillo e Margarida Futscher Pereira]

in Cozinha do mundo português [p. 661 e p.664] 

Porto: Livr. Tavares Martins, 1962

 

* Imagem: Foto Mário Novais

Revista Panorama, Número 4, III Série, Dezembro de 1956

in Caderno "O Natal Português" de Francisco Lage

 

 

 

 

FELIZ  NATAL 

 

 

 


22.12.14

 

Presépio Popular de Barcelos .jpg

 

Presépio popular de Barcelos

Panorama nº 24 - III Série - Dezembro de 1961

 

 

 

 

Associação Portugal à Mão aqui 

 

 

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21.12.14

 

Natal 1930 img912 - Version 2

Arminda D'Korth Brandão

Lisboa, Dezembro de 1930

Foto: M. Dinis

 

 

 

Foto gentilmente cedida por Henrique D'Korth Brandão, a quem muito agradecemos.

 

 

Em 2015 visitaremos o espólio fotográfico de João Christiano D'Korth (1893 - 1974) [irmão de Arminda D' Korth Brandão, na foto].

 

 

Nota:

para ampliar foto visite os meus álbuns no FLICKR aqui

 

  


10.6.14

 

 

10 de Junho: dia de Portugal — dia de São Camões ... Depois de muitos anos e de alguns regimes que trou­xeram cambiantes ao calendário cívico e suas combi­nações com o litúrgico, a Nação canonizou civicamente o seu épico fixando no dia da sua morte o da comuni­dade nacional. Por acaso, três dias antes do dia onomás­tico de António, o santo português por excelência, paralelamente tornado dia festivo de Lisboa, embora superado no calendário municipal pelo do mártir Vicente e seus corvos domésticos.

 

Porquê a data da morte do poeta piedosamente embrulhado num lençol de esmola, diz a lenda? Porque é a única data certa do seu bilhete de identidade, tão falho de dados firmes como abundante em desgraças e aventuras. Isto significa simbolicamente que uma glória a tal nível se paga a preço de sangue. O fanal humano de um povo tira a sua luz das cinzas de quem o encarnou: Que não é prémio vil ser conhecido, etc.

 

Mas, apesar de tudo, Camões não é uma glória popular. Ou, se o chega a ser, é indirectamente. O povo, sem acesso ao estilo grandíloquo e corrente de Os Lusíadas, só reteve o perfil sofredor e aventureiro do autor. Teve de o assimilar à escala dos seus heróis de terreiro,  dos que  com  ele  compartilham a  sorte mofina e a existência bulhenta em feiras e procissões. Por isso o verdadeiro altar cívico de Camões, embora nem de longe florido como o altar de Santo António nas escadinhas da Alfama, é o tabuleiro de faianças em que verdeja o busto de barro do épico, barbado e de pálpebra descida. Em vez do resplendor dos santos — a coroa de loiros dos poetas.

 

A ingénua, terrível profanação vai mesmo muito mais longe. Tenho diante de mim, sempre que escrevo, uma caneca de loiça — a verde, branco e castanho—, uma caneca de vinho que em vez de um frade glutão representa Camões naquele preparo. Bigode e barba parecem acabados de cofiar, nos ritos do beber das tabernas. Oferta que devo a António Duarte, que se documenta no povo para esculpir os nossos maiores com verdade e com força.

 

Mas a irreverência resulta afinal num símbolo profundo e ousado. O oleiro imaginário converte o cantor de Baco em Baco mesmo. Camões, soldado de África,  náufrago na China, com uma pobre mulher indígena por amparo, tendo acutilado um homem dos arreios do Paço numa procissão da Corte e sido por ele perdoado (como fazem os pobres uns aos outros nas suas fáceis brigas);  Camões, que Diogo do Couto conheceu «vivendo de amigos» na ilha de Moçambique, como tanto inadaptado a repatriar de esmola — acaba naturalmente em caraça de caneca ao alcance de fei­rantes e turistas.

 

[...] Promovendo Camões ao absoluto biográfico da encarnação dos seus valores, o povo português como que oculta a si mesmo uma culpa ancestral. O que nos contemporâneos do poeta foi displicência ou incúria, fraca atenção a uma luz que tentava fazer de nós farol do Mundo, tornou-se, na posterioridade, um zelo repentino em sublimar o homem tratado pessoalmente como mesquinho. É certo que ele mesmo se requintou numa conduta precária, ele mesmo desdenhou o bom comportamento: Erros meus, má fortuna, amor ardente / Em minha perdição se conjugaram. A alquimia da grandeza humana por representação pessoal da grandeza de todos tem esse preço de sangue.

 

No fim de contas o que é, que significa Camões?

 

Pois é o «lugar onde» da consciência de missão de um povo à porta dos Tempos Modernos, criador de cami­nhos, de universalidade, de comunhão humana à escala do Globo Mundo, como diz Fernando Pessoa. Através de um programa de interesses e estímulos materiais, de «dilatação de império»? Sem dúvida. E como não? Deus escreve direito por linhas tortas, diz-se. O «direito», o justo, o generoso da humanização pelo enlace dos conti­nentes estanques durante milénios, fechados historica­mente em si mesmos, sem trato nem troca, teve de passar por algumas vias duras. São as «linhas tortas» da história. Descrevê-las, endireitá-las na boa intenção que tudo justifica e resgata, fazer do farol de Santelmo a pequena luz moral que prevalecerá no fim — foi o segredo  de Camões.  Na voz de Os Lusíadas tudo é «sublime», «sublimado», «excelente», «supremo». As estâncias do poema são uma oficina verbal de transfor­mações prodigiosas. Mas os sofrimentos do poeta, que andou nas toldas dos navios como os seus heróis do mar, autentica-as. Sendo sábias demais, o povo povinho mal as sente. Mas adopta o poeta quase cego, pobre como ele mesmo, e basta. E até quando traz a sua triste verónica a uma caneca de vinho o venera a seu modo.

 

[11.6.1971]

 

Vitorino Nemésio

in  Jornal do Observador

© Editorial Verbo e Vitorino Nemésio, 1974

 

 

 

 


18.4.14

 

 

 

Goa? séc. XVII
Museu Nacional Machado de Castro, Coimbra
Arquivo Nacional de Fotografia / Carlos Pombo da Cruz Monteiro

 

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6.4.14

 

 

 Jean Guitton

 

 

Cher Gyp,

 

As-tu une âme, mon petit chien?

 

J'ai séjourné, il y a bien longtemps, à Hickleton chez un grand seigneur anglais, Lord Hali­fax, que tu connais bien. Lord Halifax ne pou­vait se séparer de toi, son petit chien, qu' il avait appelé Gyp.

Gyp, je m'en souviens, tu prenais à cinq heures le thé avec lui. Tu étais de sa famille, comme l'est un frère. Mais ce qui m'a le plus surpris, c'est que lorsque tu es mort, ton maître t'a fait faire un petit cercueil et il t'a enterré près de l'église.

 

Un jour, je lui dis que sa conduite avec toi m'étonnait beaucoup : il te traitait comme si tu avais eu une âme, et donc une immortalité, Alors, le vieux lord me regarda en même temps qu'il te regarda. Il me dit : «Peut-être Gyp n'a-t-il pas d'âme (soul), mais Gyp a certainement un avenir (future). Car il a pour moi des mouve­ments d'amour — ici, ayant compris, tu aboyas — et tout mouvement d'amour est néces­sairement éternel, comme la beauté.»

 

Cette tendresse avait rapproché Maurice Genevoix de tes congénères, et de tous les ani­maux, en particulier des écureuils, qu'il affec­tionnait. Il disait que l'animal n'est pas une bête. Il est bien plus : l'animal, pour Genevoix, était un «préhomme ensoleillé».

 

Je crois à la souffrance des animaux. Il me suffit d'entendre la plainte des bêtes pour savoir qu'elles souffrent. Je ne suis pas comme Des­cartes qui, lorsqu'il donnait un coup de pied à un chien, le faisait sans aucune pitié, parce que le chien était pour lui une mécanique.

Saint Paul disait que les animaux gémissent avec la création tout entière.

 

Mais je crois à la souffrance des animaux d'un point de vue religieux. Car le Christ sur la croix était semblable à un agneau blessé. Selon saint Jean, le Christ est mort au moment même où l'on immolait les agneaux pour célébrer la pâque juive. Par son oblation, Jésus mettait fin aux autres sacrifices : il est devenu le seul Agneau.

Et de ce point de vue, je pense que l'animal qui souffre est associé d'une manière très lointaine à la Passion.

 

Et c'est pour toi, Gyp, que je me récite le quatrain de Gérard de Nerval:

 

 

Respecte dans la bête un esprit agissant:

Chaque fleur est une âme à la nature éclose.

Un mystère d'amour dans le métal repose,

Tout est sensible! Et tout sur ton être est puissant

 

 

 

Jean Guitton

in Lettres Ouvertes

© Éditions Payot & Rivages, 1993

 

 

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3.3.14

 

 

Lisboa, Fotografia Vasques, 1937
Fotografia gentilmente cedida por Maria Teresa Blanco Camilo, a quem muito agradeço
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14.2.14

 

 

 

 

[...] Aos 72 anos de idade, um ilustre poeta açoriano começa a escrever exaltados versos de amor tardio a uma mulher. Prolonga essa escrita por cerca de quatro anos e ela ocupa para cima de 220 páginas do volume agora editado pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, em edição da responsabilidade de Luiz Fagundes Duarte, Caderno de Caligraphia e outros poemas a Marga. Pensa em publicar em vida uma parte substancial dessa poesia, embora o livro só venha a sair a 14 de Fevereiro de 2003, isto é, a seis dias de se completarem vinte e cinco anos sobre a sua morte e, pelo menos desta vez adequadamente, a coincidir por um acaso feliz com a data conhecida como «dia dos namora­dos». No deslumbramento que sente, há dois aspectos que permitem relacioná-lo com outros casos: um é o do Garrett das Folhas Caídas, já referido, experiência de maturidade e libertação erótica, vivencial e poética, que na época foi quase revolucionária, mas que hoje, ante os poemas de Nemésio, mais se diria uma tímida produção para ser estudada em colégios de freiras; o outro é um paradigma humano e literário que implica uma experiência em que se cumulam maturi­dade, consciência da idade vivida e rejuvenescimento: refiro-me ao de Fausto e Margarida, com alguma ambiguidade, aliás irrelevante, no deslizamento da identificação com a personagem, Fausto, para a identificação com o próprio autor, Goethe: «Que tudo isto, afinal, são glosas de Goethe e Margarida», diz Nemésio, ou ainda:

 

No amor de Margarida eu, Goethe, me renovo.

Ah, Goethe victorino, como estes Versos finos cansam!

Goethe, se o for,  —  Victória a Margarida!

 

Mas paz a Margarida

Na praia da Victória

Onde o mar amanhece

E lhe traz peixe fresco [...]

 

Para além dos vários jogos de palavras a partir da onomástica, de que fica dado um exemplo, a coincidência de nomes, habilmente explorada pelo poeta português, entre a heroína de Goethe e a musa de Nemésio, funciona de modo a estabelecer o paralelo entre dois homens idosos e sabedores, dois criadores, que se transfiguram pela experiência amorosa. E também nas idades das protagonistas haveria por certo uma notável disparidade, uma vez que a Gretchen do Fausto é uma jovem inexperiente e Margarida Vitória contava 54 anos muito vividos em 1973, à data em que estes textos eclodem e explodem... Mas o princípio actuante de ambas estas figuras femininas, na vida e, para o que nos interessa, na expressão lírica da criação literária, é semelhante porque ambas proporcionam aos seus interlocutores entreverem a recuperação da juventude perdida e um intenso sentimento de felicidade.

 

 

 

Vasco Graça Moura

in Discursos vários poéticos ["Anfíbios sistemas de palavras", ou a poesia de amor de Vitorino Nemésio* apresentação de Caderno de Caligraphia e outros poemas a Marga (IN-CM, 2003)]

Edição © Babel, 2013

texto ©Vasco Graça Moura, 2013

 

 

Imagem: aqui

 

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31.12.13

e melhores entradas!

 

 

Estrada Marginal, Lisboa anos 40
foto de imprensa?
 
Bom Ano Novo

 

 

 

 

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23.12.13

 

 

Fatias de família (Alto Alentejo)

 

 

Pão                                 500 gramas

Açúcar                           500 gramas

Ovos                              4

Pau de canela              q.b.

Canela em pó              q.b.

Vinho                            1/2 decilitro

 

 

 

Corta-se o pão em fatias e aloura-se um pouco no forno. Dispõem-se numa travessa funda e regam-se com o vinho açucarado a ferver e temperado com o pau de canela.

 

Quando estiverem molezinhas retiram-se as fatias do molho e escorrem-se. Põe-se ao lume, numa caçarola, o resto do açúcar e um pouco de água até ganhar ponto. Depois vão-se mergulhando as fatias nos ovos batidos, uma a uma, e fritando na calda do açúcar. Estando todas cozinhadas, regam-se com o resto da calda e polvilham-se com canela.

 

 

 

M.A.M. [pseud. colectivo de Maria Adelina Monteiro Grillo e Margarida Futscher Pereira]

in Cozinha do mundo português. Porto: Livr. Tavares Martins, 1962, p. 633

 

 

 

 

 

 

 

 

As 1001 receitas deste livro foram coligidas e experimentadas ao longo de muitos anos por Maria Adelina e Joaquim Monteiro Grillo — o poeta Tomaz Kim — e meus pais, Margarida e Vasco Futscher Pereira. A edição, em 1962, deveu-se a Maria Adelina — Nita Monteiro Grillo — cuja dedicação ao projecto o levou a bom porto.

 

 

É recordado como o melhor livro de Cozinha Portuguesa no blog Prosimetron aqui e aqui.

 

 

 

 

 

 

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21.12.13

 

 

  

Figuras de barro de Estremoz 

foto:  capa de Revista Panorama nº 12, III Série, Dezembro 1958

 

 

 Bom Natal

 

 

 

 

 

Outro presépio de Estremoz neste blog aqui

 

Mais sobre bonecos de barro aqui e aqui

 

Blog do Museu Municipal de Estremoz aqui 

 

 

 

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6.12.13

 

 

 

Anonyme; Cabinet de curiosités; (fin XVIIe siècle)

Huile sur toile; Florence; Opificio delle Pietre Dure. aqui

 

 

Tenho celebrado um ou outro aniversário do blog com um breve balanço e queria tê-lo feito neste quinto aniversário, mas atrasei-me. Quero antes de mais agradecer os comentários deixados no post de 15 de Novembro. As palavras de incentivo de tão ilustres colegas da blogosfera animam-me particularmente. Assinalei a data com um cartoon que divide a blogosfera entre “histórias sobre ninharias que alguém cozinhou, tricotou ou coseu”, “auto-promoção” e “teorias da conspiração”. Está bem visto, em versão mais soft seria o facebook, os blogs pessoais e os blogs políticos.

 

Em poucas palavras, para quem me visita pela primeira vez, este blog divide-se entre histórias do meu álbum de família (fotos, recordações e curiosidades do espólio familiar), histórias dos álbuns dos outros (fotografias e curiosidades dos espólios de outras famílias) e, last but not least, textos bastante variados de Autores, sobretudo excertos de obras de história, jornalismo, ensaio e alguma literatura. 

 

Os textos que eu própria escrevo (em minoria) tratam normalmente de espólios familiares, álbuns e recordações, enquanto as citações de Autor e os textos doutras pessoas surgem geralmente a propósito da actualidade e/ou do calendário. Quanto às imagens tenho procurado apresentar um máximo de material inédito, inicialmente com base no meu arquivo familiar e, progressivamente, a partir de colecções particulares que parentes e amigos têm posto generosamente à minha disposição.

 

O blog recebe actualmente em média 50 visitas por dia e poucos comentários (cerca de 300 até hoje em 480 posts). O propósito continua a ser o mesmo: partilhar a minha exploração da fotografia vernacular e reflexões de Autores favoritos, além de contribuir, mesmo que modestamente, para o universo dos conteúdos em português, com imagens, perfis e textos algo esquecidos*.

 

Queridos Leitores e visitantes em geral, continuarei a esforçar-me por merecer a vossa visita. 

 

 

 

 

* Notas:

 

Cabinet de curiosités 1 in English 

 

Neste contexto veja o blog Restos de Colecção aqui e o projecto Conteúdos em Português aqui  

 

Neste blog, um texto sobre a Fotografia Vernacular aqui , um perfil  aqui e um texto de Autor ilustrado com uma foto aqui

 

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21.6.13

 

Foto: Fernando Lezameta Simões

 

 

Veja também

Fernando Lezameta Simões     

 

 

 

 

link do postPor VF, às 14:51  comentar

5.5.13

 

 

 

 

 

Postal de minha Mãe para sua irmã Stella, de um conjunto oferecido por meu primo Miguel Freitas da Costa, a quem muito agradeço.

Outro postal de Margarida para Stella aqui


Uma foto de Stella e Miguel em 1947 aqui


Todos os postais para Stella na tag "postal"

 

 

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31.3.13

 

 

 

 



Presented to Alexandra Feodorovna by Nicholas II

Dated 1912

Designed in the style of Louis XV, this egg is carved from a solid block of lapis lazuli of superb quality, and is enclosed in an elaborately carved and chased gold cage-work composed of conventionalized motifs including scrolls, shells, baskets of flowers, winged cherubs and the Imperial double-headed eagle beneath a canopy hanging from a fretted arch. The crowned Imperial monogram and the year are shown under a rect­angular portrait diamond surmounting the egg; a large brilliant diamond is set in the base. Inside the egg, a crowned double-headed Imperial eagle, richly set back and front with rose diamonds, frames an oval miniature painting of the Tsarevitch Alexey; this important jewel is supported on a diamond-set base with four diamond leaves, curled to serve as feet. The reverse side frames a miniature showing the back of the eight-year-old Prince.


Here in this whole composition is a striking instance of the beauty of the frame, sur­passing by far the picture it holds, for it must be confessed that the miniature portrait, which is understandably not signed, provides in its weakness of execution, a melancholy anti-climax to a good design.


Signed by Henrik Wigstrom. 

In the Lillian Thomas Pratt Collection of the Virginia Museum of Fine Arts.

 

 

Kenneth Snowman

in The Art of Carl Fabergé

New York Graphic Society Ltd 1964

© Kenneth Snowman 1962 

 

 

 





 
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14.2.13

 

 

Handpaar einer Doppelstatue des Echnaton und der Nofretete
Neues Reich, 18. Dynastie, um 1350 v. Chr.  Amarna; Quarzit
Inv. - Nr. 20494 Foto: Jürgen Liepe
Staatliche Museen zu Berlin - Ägyptisches Museum



31.12.12

 

 


postal (2012)


Radio Presenter Sister Melianise Gabreus, Les Cayes, Haiti
© Paolo Woods
World Press Photo 2012 aqui





29.12.12

 

 

 

 

 

 

Partindo de Lisboa no sábado de manhã, haverá tempo suficiente (dormindo em SETÚBAL), para apreciar lindíssimos trechos marítimos (do OUTÃO, da ARRÁBIDA e de SESIMBRA), o maravilhoso panorama do Castelo de PALMELA, palácios, quintas, monumentos e, no percurso, os mais pitorescos aspectos da risonha paisagem estremenha.

 

Desenho de Bernardo Marques?

Revista Panorama, nº 11, Ano 2, 1942



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27.12.12

 

 

 

Contracapa de Revista Panorama, 1960



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20.12.12

 

 

 Timor, anos 20 do séc. XX?

 


Jesus mouris iha manu kokoreek!  Jesus nasceu ao cantar do galo!

A luz do petróleo incendiava a casa de estrelas. E íamos, toda a gente, a família e os que viviam connosco em família, festejar o nascimento de Jesus que o galo anunciara.[…] Recebíamos presentes trazidos do bazar e que tinham entrado em casa às escondidas. Não eram bem brinquedos, mas coisas que nos enfeitavam — tecidos bonitos, alfinetes de ouro, chinelas bordadas...

A Princesa minha mãe morreu, era menina ainda. Mas o Natal ficou nos meus olhos e na minha alma como afirmação de que Jesus passeara por toda a ilha de Timor tal como o fizera desde Belém a Jerusalém.

 

*

 

Na linha de cultos lunissolares, que imprimiu e imprime sinais e marcas indeléveis na alma dos Timorenses, a consubstanciação de Maromak como ente supremo, Deus, não representava qualquer oferta de paz ou de alívio. Pelo contrário o conhecimento, a consciência de Maromak impunha receio e inquietação. […] Carregado de superstições, crente da existência de espíritos vagueando, dominado pela vontade e atitudes de bruxos e feiticeiros, responsabilizado pelos oráculos ou sacerdotes, o Timorense não pôde despir-se de todas as suas vestes ancestrais para com simplicidade tornar-se cristão. Isso explica em grande parte que ainda hoje se prenda tanto à terra e considere os objectos mais variados e lugares, montes, rios, árvores e casas como tabus ou luliks. De facto, entre o Homem e a Terra, e entre o presente e o passado há tão intimas e tão vivas alianças que dir-se-ia ser fácil fazer reviver todas as gerações do passado. De crenças totemísticas, há também animais luliks ou tabus, o que explica a atitude suave de todo o timorense para com os animais. Deve assinalar-se, para melhor acentuar a importância dos luliks na vida dos autóctones de Timor, que tabu significa exactamente uma prática supersticiosa da Oceânia que dá carácter sagrado a determinado ser ou a determinada coisa, proibindo o contacto com ele ou o seu uso. [...] O Cristianismo só o entendem na medida em que lhes garante o caminho para encontrar a Deus, mas querem, na busca, ter presente o melhor e mais subtil do seu passado. Por isso os uma-luliks ou templos permanecem na sua beleza estranha e misteriosa encastoados na paisagem grandiosa da ilha e cultuados pelos que têm os pés mergulhados no húmus mais fundo e mais rico daquele chão. Muitas das cerimónias dos uma-luliks, as de maior relevo, conduzem os crentes a um tal estado de histerismo que findam em incontroláveis orgias. As famílias autóctones cristãs já se despegaram dessas orgias, porque receberam a suavidade da Presença de Jesus e a magnitude da Sua mensagem. [...] Como no tempo em que eu era pequeno e a Princesa minha mãe menina, os autóctones cristãos dessa ilha suave e viril, fruto de uma inexplicável simbiose de beleza e força, cultuarão o Menino Jesus na noite de Natal. E tal como eu, também os meninos de agora ouvirão das bocas de suas mães as palavras de anúncio do Anjo Gabriel:

Ave Maria, graça barak liu iha Ita-Boot; Maromak ho Ita-Boot; Ita-Boot di'ak liu feto hotu-hotu; Ita-boot nia Oan, Jesus, di’ak liu.

Santa Maria, Maromak nia Inan, haro-han ba Na'i Maromak tan ba ami-ata salan, oras ne'e ho oras ne'ebé ami-ata becik atu mate. Amen.

 

 

Fernando Sylvan aqui

Excertos de “Iha Kalan Boot – Jesus Mouris –  Iha Manu Kokoreek” 

Foto (data desconhecida) e texto publicados em Panorama Revista de Arte e Turismo nº 24-III Série-Dezembro de 1961 - Edição do SNI, Lisboa

 


 

 

 




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