25.2.16

 

 

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Recolher, preservar e divulgar as memórias de gente comum, reconhecendo que esses testemunhos de vida contribuem para o conhecimento da história e da identidade nacionais, é a missão do Arquivo dos Diários, associação cultural criada há dois anos, que lançou o concurso “Conta-nos e Conta Connosco”, destinado a enriquecer o seu acervo.

 

Agora que dispõe de uma equipa e de um espaço na Biblioteca de São Lázaro, graças a uma parceria com a Junta de Freguesia de Arroios, a associação está em condições de começar a reunir cartas e diários através dos quais os portugueses poderão contar a sua história. Diários, cartas, fotografias e filmes caseiros ou simples evocações feitas pelas pessoas são uma parte importante na construção da memória de cada um. Mas esses documentos servem também para ajudar a construir a narrativa de uma comunidade. A ideia é catalogar por temas tudo o que for recebido e, no futuro, disponibilizar o acervo num meio digital. 

 

Existem já em vários países europeus arquivos dedicados a recolher a memória popular, designadamente o Archivio Diarístico Nazionale, em Itália, que serviu de referência a Clara Barbacini e Roberto Falanga, fundadores deste projecto.

 

 

 

 

 

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© Soraia Martins 

 

 

 

O principal obstáculo, admitem, é chegar às pessoas e mostrar-lhes que as suas memórias e objectos pessoais podem ajudar a desenvolver outros projectos interessantes, do cinema ao teatro, da ficção à investigação, ou simplesmente servir para consulta de quem tem curiosidade por histórias de outros tempos.

 

“Espero que os portugueses desmintam o pudor como traço da sua cultura”, diz Roberto. “Sei que vai ser complicado, mas desafiante. E acho que só o facto de alguém se questionar se deve ou não entregar [os diários e cartas da sua família] já é bom. Estimula o pensamento. Nesse tempo de reflexão o tema esteve ali, a ser considerado.”

 

Também sabem que poderá haver resistências à entrega de materiais e à publicação. “Sabemos que estamos a tocar assuntos muito delicados”, asseguram. Recordam o caso de uma mulher, vítima de violência doméstica, que ganhou em Itália um concurso semelhante ao agora lançado em Portugal e só anos mais tarde recebeu o prémio, depois de o marido morrer. Há também questões legais que podem colocar-se, por exemplo, no caso de pessoas que encontram ou compram materiais que não se importam de doar mas que dizem respeito a terceiros.

 

Tal como em Itália, está prevista a publicação anual de pelo menos um diário: quem entrega os seus materiais pode escolher participar num concurso aberto até 1 de Março próximo. Depois, um painel de dois júris – um popular e um técnico – escolherá um vencedor. Será publicado pela Penguin – Companhia das Letras.

 

As entregas podem ser feitas na Biblioteca de São Lázaro todos os sábados das 11h às 13h ou enviadas por correio e a associação tem um site com toda a informação em www.arquivodosdiarios.pt. Tem também uma página de Facebook aqui.

 

Arquivo dos Diários

Biblioteca de São Lázaro

Rua do Saco, 1  Lisboa 1169-107 (Freguesia de Arroios)  

 

 

Agradecimentos:

 

artigo de Vanessa Rato no jornal Público, artigo de Samuel Alemão em “O Corvo” e textos reunidos no site Arquivo dos Diários.

 

Fotos gentilmente cedidas por Arquivo dos Diários e Soraia Martins

 

 

 


19.2.16

 

 

Os textos do Romanceiro português e respectivos registos sonoros, quando conservados, vão passar a estar disponíveis online e em acesso livre na plataforma Romanceiro.pt. A preservação deste património, através da digitalização, era urgente, já que a sua manutenção nos formatos em que se encontrava (cassetes áudio e fotocópias em papel) constituía uma séria ameaça à sua preservação. 

 

A plataforma digital será apresentada amanhã, pelas 16h, na Fundação Manuel Viegas Guerreiro (Loulé), pelo coordenador do projecto, o investigador Pedro Ferré.

 

O objetivo é tornar acessível ao grande público um arquivo sem par no contexto ibérico, que alberga já perto de 14000 imagens de documentos de grande relevo no âmbito da literatura patrimonial portuguesa, nomeadamente do Romanceiro de tradição oral, e cuja expansão está prevista.

 

Nos últimos anos, os investigadores do CIAC  Pere Ferré, Mirian Tavares e Sandra Boto trabalharam o acervo da Fundação Manuel Viegas Guerreiro, que compreende 660 horas de gravação em 609 cassetes áudio ali depositadas, e onde estão guardadas 3632 versões inéditas de romances e acolhe 10096 versões de romances publicadas entre 1828 e 2010. A plataforma Romanceiro.pt é o resultado do projeto “O Arquivo do Romanceiro Português da Tradição Oral Moderna (1828-2010): sua preservação e difusão”, uma parceria entre a Fundação Manuel Viegas Guerreiro (Loulé) e o CIAC – Centro de Investigação em Artes e Comunicação/FCT (Universidade do Algarve / Escola Superior de Teatro e Cinema) com o mecenato da Fundação Calouste Gulbenkian, no âmbito do Concurso de Recuperação, Tratamento e Organização de Acervos Documentais (2013).

 

 

 

 

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O Romanceiro é um género poético tradicional que circula desde os finais da Idade Média na memória dos povos de expressão portuguesa, galega, castelhana e catalã, difundindo-se desde então oralmente de geração em geração. Trata-se, portanto, de um património imaterial de uma vitalidade excepcional e de uma riqueza ímpar que importa preservar, numa altura em que a disseminação das novas tecnologias e dos media parece ter aniquilado talvez definitivamente a sua vitalidade e função no seio das comunidades rurais em que ainda permaneciam até há pouco tempo.

 

Remonta a 1421 o primeiro documento conhecido onde se fixa uma versão de um romance, o "Gentil dona, gentil dona", pela mão do estudante maiorquino Jaume de Olesa. Foi, contudo, o Romantismo que encetou o interesse sistemático por este género poético. Desde 1824, foram coligidas milhares e milhares de versões de romances em Portugal, em Espanha e nos países da diáspora portuguesa e espanhola, sem falar na memória romancística que os judeus expulsos da Península Ibérica nos finais do século XV transportaram com eles pelo mundo e que ainda hoje é preservada.

 

Poderíamos, para o caso específico português, referir-nos ao contributo das recolhas e publicações de versões de romances realizadas a cargo de nomes como Almeida Garrett, Teófilo Braga, Leite de Vasconcellos, Consiglieri Pedroso, Alves Redol, Michel Giacometti, Maria Aliete Galhoz, Manuel Viegas Guerreiro, entre tantos outros. Este arquivo alimenta-se, justamente, dos trabalhos de recolha e publicação do romanceiro tradicional português que estes e muitos outros interessados na literatura de tradição oral levaram e continuam a levar a cabo no presente.

 

 

 

Leia mais aqui e aqui

Entrevista com os investigadores aqui

No facebook aqui  

 

 

 

 

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12.5.15

 

 

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Surge finalmente uma bonita colecção a preço acessível que vem colmatar a quase total ausência de obras de referência sobre a história do design contemporâneo em Portugal.

 

A Colecção Design Português, constituída por 8 volumes organizados cronologicamente, apresenta-se como a primeira história do design nacional desde o início do século XX até à actualidade nas mais diversas áreas de intervenção. Reúne os principais designers portugueses e descreve, em cerca de 800 páginas, a evolução do design, o seu contexto histórico, as modalidades da sua prática e os debates teóricos que acompanham a institucionalização desta disciplina.

O último volume sai hoje com o Público.

 


COLECÇÃO DESIGN PORTUGUÊS

Coordenação de José Bártolo

Edição ESAD e Verso da História, com a chancela do Ano do Design Português

Distribuição com jornal Público, todas as terças-feiras, até 12 de maio

 

 

Volume 1: 1900-1919 | Maria Helena Souto
Volume 2: 1920-1939 | Rui Afonso Santos
Volume 3: 1940-1959 | Maria João Baltazar
Volume 4: 1960-1979 | Victor M. Almeida
Volume 5: 1980-1999 | Helena Sofia Silva
Volume 6: 2000-2015 | José Bártolo
Volume 7: Cronologia 1900-1959 | José Bártolo
Volume 8: Cronologia 1960-2015 | José Bártolo

 

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7.5.15

 

 

Tesouros Fotografia XIX

 

João Francisco Camacho, Ilha da Madeira, Costa Norte, 1870 -1876.

Col. Arquivo de Documentação Fotográfica da DGPC

 

 

 

 

Tesouros da Fotografia Portuguesa do Século XIX

Curadoria: Emília Tavares e Margarida Medeiros

Museu Nacional de Arte Contemporânea [até 28 de Junho 2015]

Rua Serpa Pinto, 4

1200-444 Lisboa
 
 
 

A exposição apresenta um conjunto significativo de fotógrafos, imagens e objectos provenientes de mais de uma dezena de acervos públicos e cinco privados, colocando em diálogo diversas instituições que têm como missão a salvaguarda do património fotográfico nacional. 

 

A fotografia produzida em Portugal no século XIX [1840 - 1900] continua em grande medida desconhecida e arredada do estudo da sociedade e da cultura oitocentistas. Este projecto aborda algumas das principais vertentes do legado fotográfico produzido no século XIX em Portugal, constituindo um primeiro esboço de análise global sobre os seus meios de produção e divulgação. 

 

Merecem particular atenção as fotografias inéditas de colecções particulares, como a colecção João José P. Edward Clode, e creio ser a primeira vez que são expostas fotografias de Margarida Relvas. Quatro câmaras fotográficas são outra das curiosidades destra mostra.  

 

O catálogo ainda não se encontra disponível.

 

 

Margarida Relvas neste blog aqui

 

O meu álbum de fotografias do século XIX no Flickr aqui

 

Fotografia do século XIX neste blog nas tags Photographia, Relvas

 

 

 

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29.12.14

 

Romanceiro Capa 1.jpg

 

Romanceiro

Manuscrito do Autor

[autógrafo de Almeida Garrett]

 

 

 

A compra pelo Estado Português do espólio garrettiano designado por “Colecção Futscher Pereira” [1], anunciada pelo Secretário de Estado da Cultura no dia 18 de Dezembro, fecha um ciclo iniciado há dez anos pela descoberta, por minha irmã Cristina Futscher Pereira (1948-2005), de manuscritos inéditos de Almeida Garrett que contribuem de forma decisiva para o estudo do Romanceiro português.

 

Fica deste modo assegurada a ampla divulgação deste espólio, o maior desejo de Cristina, além da permanência dos autógrafos em Portugal, nas melhores condições [2]. Por fim, e também importante, com esta aquisição a Direcção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas valoriza aos olhos do público a recolha pioneira de Garrett de temas da nossa tradição oral. São relatos de eventos históricos e histórias de amor, transgressão e violência, de grande suspense e final incerto, que mantêm plena actualidade no século XXI.

 

Para a família, a colecção permanecerá ligada à memória de Cristina, de Venâncio Augusto Deslandes e de iniciativas e amizades inspiradas pelo Autor [3]. Entregamos estes papéis com muita satisfação e um bocadinho de nostalgia.

 

 

 

*

 

 

 

 Notas: 

 

1.  A Colecção engloba mais de 400 páginas manuscritas, grande parte delas inéditas, compreendidas no período de 1839 a 1853/54.

Artigo de Luís Miguel Queirós no Público sobre a aquisição da colecção pelo Estado Português. 

 

2.  “O espólio agora adquirido será objecto de um contrato de depósito na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, enriquecendo, desta forma, o já importante espólio garrettiano de que [a instituição] dispõe”, de acordo com o comunicado divulgado pelo Gabinete do Secretário de Estado da Cultura citado pela Agência Lusa.

Espólio Garrettiano da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra [Youtube] 

 

3.

-  Blog garrettiano O Divino , 2004-2005

 

-  A Moira Encantada de João Baptista de Almeida Garrett  

Edição oferecida pelo "Diário de Notícias" aos leitores no 140º aniversário do jornal, a 29 de Dezembro de 2004

ISSN 0870-1954 Lisboa, Dezembro 2004

 

- No aniversário da morte de Garrett. Apresentação de um inédito do Romanceiro [Ermitão] 

Ofélia Paiva Monteiro e Maria Helena Santana

Annualia Verbo. Temas, Factos, Figuras, 2005/2006. 

 

- As Fontes do Romanceiro de Almeida Garrett. Uma Proposta de ‘Edição Crítica’ [Tese de Doutoramento em Línguas, Literaturas e Culturas, Especialidade de Estudos Literários]

Sandra Boto

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, 2011

  

 

 

 

Sobre a Colecção Futscher Pereira e Venâncio Augusto Deslandes leia também aqui 

 

 

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9.12.14

 

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 Foto: Júlio Novais (1904)

 

Nos 160 anos da morte de Garrett a BNP revisita a Exposição Garrettiana de 1904

aqui

 

No ano do cinquentenário da morte de Almeida Garrett, a Biblioteca Nacional promoveu uma exposição comemorativa, era então seu director o erudito e bibliófilo Xavier da Cunha (além de crítico e poeta, também sob o pseudónimo de Olímpio Freitas), ao tempo fundador da Sociedade Literária Almeida Garrett e membro dos seus corpos dirigentes.

 

Admirador de Almeida Garrett, Xavier da Cunha esteve no centro das comemorações, antes de mais no centenário do nascimento, em 1899, propondo à Academia das Ciências de Lisboa a edição de um «livro áureo» do autor de Viagens na Minha Terra, iniciativa que não vingou. Nos anos subsequentes, porém, sobretudo a partir de 1903, a proposta para a trasladação dos restos mortais de Garrett para o Panteão dos Jerónimos, a cargo da Sociedade Literária Almeida Garrett e ocorrida a 3 de maio, foi amplamente difundida pela imprensa portuguesa, com destaque para o Diário de Notícias, de que era então redactor principal o escritor Brito Aranha.

 

No ano seguinte, ao mesmo tempo que Teófilo Braga coordenava as Obras Completas de Almeida Garrett, em diversos volumes de uma «Edição ilustrada» de pequeno formato e em dois tomos de uma «Grande edição popular», a Biblioteca Nacional chamou a si a organização de uma exposição de «homenagem simples e modestíssima» ao escritor romântico, segundo descrição no Boletim da Sociedade Literária Almeida Garrett . Inaugurada a 9 de dezembro de 1904 pelo príncipe real D. Luís Filipe e seu irmão e futuro rei D. Manuel, com assinaturas inscritas em Livro de Visitantes, desta exposição não chegou a ser impresso catálogo (cujo original manuscrito consta existir na Sala Ferreira Lima, FLUC), porém o seu registo fotográfico foi deixado por Júlio Novais e reunidos numa miscelânea os jornais diários que noticiaram o evento.

 

 

 

 

Nota:

Sobre a Sociedade Literária Almeida Garrett e o escritor Xavier da Cunha leia neste blog o post Impressões Deslandesianas.

 

Mais neste blog na tag Garrett

 

 

 

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7.12.14

 

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 Fernando Lopes Graça, Horta, Açores 1983 

 

 

 

Cumpriu-se faz agora dois anos a primeira etapa do projecto ambicioso dum grupo de amigos de Fernando Lopes Graça (1906-1994): trazer a público uma colecção de peças para piano que o compositor dedicou a amigos e eventos – as “Músicas Festivas” – e registá-la em múltiplos suportes, permitindo a criação de conteúdo não efémero.

 

Das 23 peças, 13 nunca tinham sido tocadas em público e 18 nunca tinham sido gravadas. A colecção inédita foi apresentada a 16 de Dezembro de 2012 num concerto do pianista António Rosado no Centro Cultural de Belém. Na mesma data saíram os CD "Músicas Festivas de Fernando Lopes Graça", os quatro volumes das partituras (em suporte papel) e foram criados um sítio Web multilingue* e um álbum de fotografias e documentos no facebook.

 

Um duplo DVD agora lançado [o concerto no CCB, com introdução do musicólogo Rui Vieira Nery, e o documentário "Uma visita aos afectos do compositor"] completa este projecto multimédia, a vários títulos exemplar, constituído por cinco iniciativas produzidas e financiadas por um grupo muito pequeno de pessoas com apoios quase nulos.

 

O documentário "Uma visita aos afectos do compositor" — retrato intimista e muito cativante de Lopes Graça construído a partir de depoimentos, excertos musicais, fotografias, imagens em movimento e documentos reunidos ao longo da pesquisa — revela-nos com simplicidade e saber toda a riqueza da sua música (1), do seu legado intelectual e da sua personalidade, à luz do presente.

 

E nem de propósito, a coincidir com a recente consagração mundial do Cante Alentejano, este documentário vem recordar o papel pioneiro de Lopes Graça na música coral portuguesa e na recolha da nossa música tradicional (2), e inclui mesmo um apontamento extra sobre a digressão pelos Estados Unidos, pela mão do compositor, do grupo coral alentejano da Aldeia Nova de São Bento, a convite da Smithsonian Institution, por ocasião do bicentenário do país, em 1976.

 

Bem vindo às “Músicas Festivas” de Fernando Lopes Graça, disponível em DVD numa loja perto de si.

 

 

 

Notas:

 

 1. “Muita da sua reflexão vem de um trabalho de desconstrução dessas músicas tradicionais e de transposição de elementos que ele encontra nessa linguagem popular para uma esfera erudita em que depois cruza esses elementos com as referências cosmopolitas das vanguardas modernistas em que se integrou”. [Rui Vieira Nery na introdução]

 

2. Lopes Graça cria nos anos 40 o Coro da Academia de Amadores de Música. As suas harmonizações das Canções Regionais Portuguesas e as Canções Heróicas serão cantadas pelo Coro por todo o país. O interesse de Lopes Graça por este património tradicional e o trabalho que desenvolveu nesta área é comparável ao de Garrett com o Romanceiro, acerca do qual o compositor escreveu na revista Gazeta Musical um artigo que será abordado em futuro post.

 

 

 

 

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*Na web em português aqui e EN-FRA-RU-ESP-HUN

 

trailer do documentário aqui

 

facebook aqui

 

 

 

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2.8.14

 

 

 

S. João do Estoril , Portugal. Princípios do século XX

 

 

As nossas férias eram passadas em S. João do Estoril em Agosto e em Ferreirim em Setembro. Para S. João em geral vínhamos de comboio, o que não era complicado ou demorado. As poucas vezes que viemos de táxi o que me impressionava era a estrada ser tão abaulada, diziam que era por causa da chuva... como era estreita, e tinha dois sentidos, o carro desviava-se para a berma, e os que vinham em sentido contrário passavam melhor! Em cada Verão o meu Avô contratava o Sr. Feliciano (dono de um táxi) que era muito simpático, para nos levar a passear a Sintra. A Avó Alda gostava muito da frescura de Sintra, o passeio era sempre o mesmo, e só íamos uma vez. Assim era uma tarde muito desejada, que me dava um enorme gozo e prazer...

 

Tudo o que havia "de melhor" era usado em Lisboa, o menos bom no Estoril, e o mais velho e estragado ia para Ferreirim. A minha Mãe aproveitava tudo e por vezes ficávamos surpreendidos como "tudo fazia jeito" nos Buxeiros...!

 

Na praia da Poça tínhamos um grande grupo de amigos. As casas eram alugadas ao ano, e assim as famílias vinham para as mesmas casas todos os anos.

 

Poucos tinham casa própria.

 

 

 

 

S. João do Estoril , Portugal. Meados do século XX

Fotografia sem data. Produzida durante a actividade do Estúdio Horácio Novais, 1930-1980.

 

 

 

 

 

Marido Alda Rosa-pb

 José Manuel da Silveira de Sousa

 

 

Também na nossa adolescência, não falhávamos um "sábado á noite" no "Casino Estoril", onde aproveitávamos para dançar... Sempre gostei muito  de  vir  para  S. João do Estoril, era divertido. O tempo era muito preenchido e passava rapidamente... tínhamos muitos amigos, uns mais amigos que outros!!!!

 

Alda Rosa Bandeira de Lima Osório Bernardo de Sousa

in  Memórias e Saudades

2011

 

 

Nota: ver também os posts "Chalet Alda" e " Festas e Mascaradas"

 

Agradecimentos: Alda Rosa Bernardo de Sousa, Maria do Rosário Sousa Machado, blog Restos de Colecção, Biblioteca de Arte Fundação Calouste Gulbenkian

 


25.6.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um murro na mesa das voltas da História

 

 

Amigo meu (e dele) disse-me há dias que José Manuel Barroso deveria ter dado um murro na mesa para impedir o descalabro causado pelas políticas europeias de austeridade. A imagem é tentadora para quem ache, como nós, que Barroso vale muito mais do que poderá às vezes ter parecido ao longo da crise — e que o ramalhete de medidas que dá pelo nome de austeridade, em vez de tirar a Europa do buraco onde o carro-adiante -dos- bois dos apóstolos da moeda única a metera, a afundou ainda mais. (Só evangelistas de Goldman Sachs e nem todos — Mario Draghi, por exemplo, escapou ao sortilégio — acham que tudo vai pelo melhor, pelo melhor dos caminhos possíveis).

 

Infelizmente, se num momento de insensatez Barroso tivesse dado tal murro na mesa, além de provavelmente ter partido o punho não haveria mudado de um grau o rumo decidido pelos governos nacionais que são os patrões da União Europeia. A austeridade, nos termos em que foi concebida e aplicada a seguir à descoberta do estado calamitoso das contas gregas, correspondeu à vontade da Alemanha (que entrançou defesa dos seus próprios bancos com pregação de cruzada calvinista) e nenhum outro estado da União se lhe opôs. (A maioria dos governos era de centro-direita mas havia-os também de centro-esquerda). O que Barroso fez, com determinação e eficácia, foi pôr os meios e poderes de que a Comissão dispõe a trabalharem para ajuda dos países da eurozona que tinham de se entender sobre medidas comuns necessárias à salvação do euro e à  imunização deste a crises futuras semelhantes. Sem descurar o mercado interno, de todos. Não houve um dia de folga, um segundo de distracção e os resultados estão à vista.

 

Em tudo há modas; de vez em quando visionários encalham na realidade e a moda muda. Há três anos, quando se descobriu que havia erros fatais no estudo (de dois professores de Harvard) que inspirara os aiatolas da austeridade, o edifício estremeceu e já teria caído sem a teimosia prepotente da Alemanha. Barroso lembrou então que há limites políticos e sociais ao que teóricos advoguem e que sem solidariedade não haveria União Europeia; Berlim agastou-se (vários eurocratas também). Mas o pêndulo começara a ir em sentido inverso e assim continuará por algum tempo. Traduzido para inglês, o economista francês Thomas Piketty, focando a atenção na desigualdade, está a ser ouvido em lugares inesperados. Um condottiere chamado Matteo Renzi começa a meter respeito à Alemanha. O Papa jesuíta virou franciscano. A Europa está a mudar.

 

Mas quem sabe o futuro? Escrevo a uma légua da planura de Waterloo onde, fez na quarta-feira passada 199 anos, um projecto de união europeia capotou, desterrando o tenente corso que se guindara a Imperador para o exílio de Santa Helena. O lugar está sempre cheio de peregrinos, desde generais russos a freiras sicilianas. Tabuletas de restaurantes, inscrições em monumentos, sinais de estrada prestam homenagem a Napoleão Bonaparte.   

 

   

 

Imagem aqui

 

 

 

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3.5.14

 

 

 

 

Ministério dos Negócios Estrangeiros

Foto: Marlene Oliveira

 

 

 

No plano internacional, o poder político saído do movimento militar do 25 de Abril de 1974 foi rapidamente reconhecido pelos principais aliados e países amigos de Portugal, assim como por outras potências com as quais o país não mantinha relações diplomáticas.

 

Os primeiros contactos para dar a conhecer as grandes linhas do Programa do MFA e as intenções da Junta da Salvação Nacional foram em boa medida conduzidos por Mário Soares (recentemente regressado do exílio), em breve nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros do I Governo Provisório. A diversificação das relações exteriores de Portugal, o estreitamento dos laços com os países europeus, e o apoio ao dossier da descolonização foram algumas das principais prioridades das novas autoridades nos meses seguintes.

 

Para além das novas perspectivas geradas pela mudança de regime (das quais se destacaria a aproximação às Comunidades Europeias a partir de 1977), o 25 de Abril constituiu igualmente um momento de abertura no tocante à própria actividade diplomática, com os novos concursos de admissão ao MNE a tornarem possível o ingresso das mulheres na profissão.

 

No site da Associação dos Amigos do Arquivo Historico-Diplomático dão-se a conhecer alguns documentos relativos a este período, bem como uma tabela que dá conta da expansão das relações diplomáticas do país após 1974.

 

 

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18.4.14

 

 

 

Goa? séc. XVII
Museu Nacional Machado de Castro, Coimbra
Arquivo Nacional de Fotografia / Carlos Pombo da Cruz Monteiro

 

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23.2.14

 

Congopresse Study photographs, 1930-1960 

Photographs taken by Congopresse photographers in the Belgian Congo. Accompanying the images are French and Flemish language captions which include specific information on locations and photographers, though often without dates.

 

 

Léopoldville, 1 Juillet 1948

H. Goldstein / Congopresse

© Royal Museum for Central Africa, Tervuren

 

A Léopoldville,le 1er juillet 1948, un Te Deum a été chanté en plein air devant le monument au roi Albert 1er, par S.E. le Cardinal Van Roey, Archevêque de Mâlines, Primat de Belgique, à l'occasion de 1'anniversaire de la proclamation de l' Etat Indépendant du Congo. Aussitôt après fut inauguré le monument aux Pionniers qui, il y a cinquante ans, construisirent le Matadi à Léopoldville, le premier chemin de fer de la Colonie. 

 

Léopoldville, 1 Juillet 1948

H. Goldstein / Congopresse

© Royal Museum for Central Africa, Tervuren

 

Te Deum: vue de la place et du boulevard Albert 1er

 

Léopoldville, 1 Juillet 1948

H. Goldstein / Congopresse

© Royal Museum for Central Africa, Tervuren

 

Les enfants des travailleurs indigènes de L'Otraco, organisme qui assure la gestion du chemin de fer, défilent devant les autorités à la fin de la cérémonie.

 

 

 

Sobre a minha colecção de fotografias Congopresse leia o post "No Congo" aqui e veja mais fotos clicando na tag "Congo".

 

 

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10.2.14

 

Congopresse Study photographs, 1930-1960 

Photographs taken by Congopresse photographers in the Belgian Congo. Accompanying the images are French and Flemish language captions which include specific information on locations and photographers, though often without dates.

 

 

 

 

Port de Léopoldville (sans date)

Photo: J. Mulders / Congopresse

© Royal Museum for Central Africa, Tervuren

 

 

Port de Léopoldville 1948

H. Goldstein / Congopresse

© Royal Museum for Central Africa, Tervuren

 

 

Le 2 Juillet 1948, le M.V. "Général Olsen", le premier bateau de grand tonnage a moteur Diesel mis en service sur le fleuve Congo, et le S.W. "Reine Astrid" ont fait une excursion sur le Stanley-Pool. ils avaient à leur bord les personnalités invitées aux fêtes du 50ème anniversaire de l'inauguration du chemin de fer du Bas-Congo.

 

 

Emate, Congo (sans date)

Photo: E. Lebied / Congopresse 

© Royal Museum for Central Africa, Tervuren

 

 

Pour ravitailler en combustible les bateaux qui parcourent le fleuve et les grandes rivières du Congo, d'innombrables "postes à bois" ont été établis le long des rives. Le bois abattu dans les forêts voisines s'y entasse au bord de l'eau, par centaines de stères. Au poste d'Emate une équipe de travailleurs ravitaille un grand stormwheeler.

 

Emate, Congo (sans date)

Photo: E. Lebied / Congopresse

© Royal Museum for Central Africa, Tervuren

 

 

Le SW "Reine Astrid" renouvelle sa provision de combustible au poste à bois d'Emate.

 

 

 

 

Photos:

© Royal Museum for Central Africa, Tervuren

 

 

 

Sobre a minha colecção de fotografias Congopresse leia o post "No Congo" aqui e veja mais fotos clicando na tag "Congo"

 

Agence Congo Presse hoje aqui

 

 

 

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20.1.14

 

A special theme also has its place here, that of slavery. It is special in that it does not feature in traditional images of reverse-glass painting. In the 1980s, on the initiative of Y. Dupre, administrator of the Regards Croises association, Gora Mbengue produced a series of works relating to slavery. Then in 1989-90 Mor Gueye took over and created a series inspired by the same theme. Here, for the first time, we are presented with a dramatic subject handled gravely. This is unusual, for reverse-glass paintings tend to tackle all themes positively, if not always with humour. Whether the subject is Islam, where we en­counter religious propaganda or a cult of the saints, history, in which the praise of national heroes is sung, or tales and proverbs, where the oral tradition is itself celebrated, there is not one reverse-glass painting that is not optimistic. Even in scenes of daily life, humour, sometimes mixed with cynicism, is brought to bear on theft, adultery, domestic conflict and other problems, large and small. After all, the end justifies the means: the moral message asserts itself almost by accident, with ease and never sententiously. We receive constant lessons in good spirits; then, sud­denly, in a commissioned work on slavery we encounter drama. Reverse-glass paintings bluntly confront us with the brutal reality: torture, chains, babies thrown to crocodiles in front of their mothers, distress, the house of the slaves at Goree, whose 'door of no return' requires no comment. It is, of course, impossible to handle the issue of slavery with detachment. Attemps to generate laughter in order to avoid crying would be inexcusable. The fact, therefore, that traditional reverse-glass painting never alludes to this episode in Senegal's history is in no way surprising, for it would be a departure from the fundamentally optimistic inclination of this art. Interesting as further attempts to portray the history of slavery might be, this particular commission was intended to teach a lesson in tolerance in schools and cultural centres, and slavery remains a marginal trend. Further, one must not forget that reverse-glass paintings were originally intended exclusively for Senegalese people - to define their religious af­filiation, for example, or to educate, or to supply decorative scenes that would give an aesthetic touch to a home. What Senegalese would want to awaken such painful memories when, thanks to reverse-glass paint­ing, he can instead proclaim his deepest beliefs, both religious and intel­lectual?

 

Senegal and Gambia were the first regions in western Africa from whence slaves were exported. This commerce, at its height in the 18th century, was encouraged by the kings of Kayor and Baol, who traded human merchandise for various products, especially guns.Wolof aristocrats and leading citizens did not need the impetus of this commerce to create their own reserves of slaves, who were already to hand under the caste system. They did not have any scruples about systematically seizing individuals or groups that they could use for bar­tering. As for the French, their insatiable demand for African labour sanctioned this state of affairs. The lure of profit did the rest, establishing a foul triangular system of commerce that was to prove to be difficult to abolish.

 

 

Anne-Marie Bouttiaux-Ndiaye 

in Senegal Behind Glass, Images of Religious and Daily Life

(Profane genres and subjects)

© 1994 Prestel-Verlag, Munich and New York and the Royal Museum for Central Africa

 

 

 

 

Mor Gueye  The House of Slaves at Goree, 1992

 

33x48 cm 

Private collection

 

A black and white composition, both in theme and tone. The white officer in his uni­form, conceited and haughty, dominates the scene by his height as well as by his position in the organization of the image. The black slaves are crushed, small, crumpled and separated, with the women on one side and the men on the other, just as the house of slaves was actually arranged. At the 'door of no return', a gaping black hole, is a slave squatting in front of the inescapable fate that awaits him. There are a few contemp­orary 'scholarly' artists who work in black and white, but Mor Gueye is the only tradi­tional one who does so.

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18.1.14

 

Moral tales and proverbs have generated a whole spectrum of paintings, often dealt with humorously, and with certain characters treated with derision. There is no doubt that these pictures follow the same pedagogic purpose as the tales, sayings, riddles and other stories that are told at home by the fireside in the evening. When the women were out buying reverse-glass paintings to decorate their homes, they not only sought out examples that articulated their religious beliefs, but also ones that would show examples of good and bad behaviour to their children.

 

 

 

 

Alexis Ngom The Torment of the Bad Master, 1995

55x48 cm

Private collection

© Royal Museum for Central Africa, Tervuren

This painting illustrates a widely held belief according to which a master who mistreated his animals will be punished after his death by the ones he mistreated.

 

 

 

 

Babacar Lo (Lô Ba)  The Baobab-Women, 1994

48 x 33 cm

© Royal Museum for Central Africa, Tervuren

A tale from Casamance: two young women are turned into baobab trees for mocking an elderly hunchback. The moral of the story is a reminder of the strong respect in which the elderly are held in African societies.

 

 

 

Anne-Marie Bouttiaux-Ndiaye 

in Senegal Behind Glass, Images of Religious and Daily Life

(Profane genres and subjects) 

© 1994 Prestel-Verlag, Munich and New York and the Royal Museum for Central Africa

 

 

 

 

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12.1.14

 

 

 

Anonymous

A Young Woman, no date

photograph, with a painted decorative background, 45 x 47 cm

 

 

 

Anonymous

Seated Man, no date

photograph, with a painted decorative background, 50 x 60 cm

 

Following German and Dutch precedent, where paintings made on the back of glass are called Hinterglasmalerei and achterglasschilderij re­spectively, we have coined the term 'reverse-glass painting'. To speak of 'behind-glass' painting generates ambiguity, and it hardly conveys an idea of the basic technique, which involves work performed on the back of a sheet of glass. (Although 'back-of-glass' removes all ambiguities, it is dreadfully cumbersome.) The term eglomise, widely used by histor­ians of the decorative arts, refers specifically to a technique that involves decorating glass by means of gilding, while the expression 'fixed under glass' refers, of course, to pictures pasted behind or framed under glass.The word 'fixed' is, none the less, frequently encountered in the liter­ature on Senegalese art, and, if its application is often incorrect, it is sometimes partially appropriate in a few early examples where both techniques — painting and pasting — are combined: these examples are chromolithographs or photographs that have been placed behind painted glass. Finally, in Senegal, glass paintings are called suwer, a Wolof word directly borrowed from the French sous-verre (behind or under glass). By extension, suwer is the term that is also used to emphasize the qualities of culinary dishes made with a great variety of ingredients: a ceebu jen (rice with fish) is called ceeb suwer when it is richly decorated and colourful.

 

 

Anne-Marie Bouttiaux-Ndiaye

in Senegal Behind Glass, Images of Religious and Daily Life 

© 1994 Prestel-Verlag, Munich and New York and the Royal Museum for Central Africa, Tervuren

 

 

 

 

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10.1.14

 

 

 

Luanda, Angola 

© Royal Museum for Central Africa

 

This staged picture was shot in a studio on the African West Coast, and shows Henry M. Stanley describing his travels to the Portuguese Expedition (Ivens, Capelo, Serpa Pinto) at Luanda, [August or September 1877].

 
This oval-framed photograph, mounted on cardboard, with pencil inscription, is kept in the Henry M. Stanley Archives (King Baudouin Foundation Collection held in trust at the RMCA).

 

 

veja aqui o livro "Exploradores Portugueses e Reis Africanos"

 

 

 

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4.1.14

 

Maître SYMS

"Article 15"*, 1992

Courtesy: Gallery Lucien Bilinelli, Brussels

© Plazier, Brussels 

 

 

Écoutez mes bêtes,

la conjoncture de la 2ème République

ne permet pas de vous héberger!

Allez vous débrouiller

 

Snif... Maitre nous sommes ici pour vous!

Pourquoi tu nous abandonnes comme ça?

Où pouvons nous aller

 

 

 

Visitei recentemente o Musée Royal de l'Afrique Centrale, em Bruxelas, agora fechado durante 4 anos para obras de remodelação. Queria ver pela última vez as colecções na versão século XIX. A crónica de José Cutileiro no primeiro dia do ano — Nuers e Dinkas — serve-me agora de pretexto para regressar a África com mais umas curiosidades (ver tag Congo).

 

O artigo e o breve documentário recomendados abaixo são antigos mas permanecem actuais.

 

 

*Article 15:

 

After a series of deflationary measures announced by the Zairean government in September 1983, prices for basic commodities rose by 30 to 40 percent while salaries remained unchanged. This further reduced the standard of living of the average Zairean. A schoolteacher in Kinshasa, for example, makes $13 per month. A civil servant with a university diploma, earns $25 per month.

 

''With such salaries,'' a Western diplomat explains, ''you can't make both ends meet. To survive most Zaireans make ample use of what is known here as Article 15.'' In clearer terms this means many Zaireans give way to corruption: teachers sell diplomas. No official form is available from a civil servant without a tip.

 

O artigo Zaire, An African Nation rich in natural resources but plagued by political instability and economic stagnation na íntegra aqui 

 

Defined as 'Manage by Yourself', the mythical article 15 founded an 'informal' economy in Zaire. Squatting in the grey mud of the market Place, black 'Mamas' barter for survival, singing as they prepare their wares. They manage to supplement their husbands' earnings by running a 'black market'.

 

O documentário The Definition of Poverty - DRC  April 1996 aqui

 

 

 

 

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29.12.13

 

 

 

Lisboa, 1909

 

 

A propósito de post recente no blog Restos de Colecção sobre o Banco Burnay aqui, uma foto de Henry Burnay encontrada no espólio de Venâncio Augusto Deslandes, que vemos à direita, de chapéu alto. A fotografia data de 1909, ano da morte de ambos.

 

 

Mais sobre Henry Burnay em Associação dos Amigos da Torre do Tombo aqui

Mais sobre Venâncio Augusto Deslandes neste blog aqui e aqui

 

 

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27.12.13

 

 

 

 The Family Project de Matías Costa

 

 

 

Em 2013 os álbuns de família marcaram presença em várias exposições em Portugal:

 

O Amor e a Família foi o tema da 23.ª edição dos Encontros da Imagem, em Braga. Em várias das exposições, os álbuns de família foram tratados como objecto de arte - e de culto, mesmo se sob um título genérico pouco optimista, roubado a canção dos Joy Division: Love will tear us apart (O amor vai separar-nos).

 

Interessou-me particularmente The Family Project de Matías Costa, jornalista e fotógrafo madrileno que trabalha sobre a sua própria memória familiar, alternando imagens dos seus avós com as memórias dos grandes acontecimentos do século XX, desde a migração europeia para a América e das duas Guerras Mundiais até às ditaduras na Alemanha, Rússia e América Latina.

 

 

Veja o artigo "Os álbuns de família são agora um novo objecto de culto" de Sérgio C. Andrade no jornal Público 

 

 

 

 

Até 5 de Janeiro de 2014, Entre Memória e Arquivo no Museu Berardo, explora a relação entre a fotografia e o arquivo nas práticas artísticas contemporâneas. Sobre esta exposição leia mais neste blog aqui.

 

 

 

 

Entre Memória e Arquivo 

 

Curadoria de Ruth Rosengarten

 até 5 de Janeiro de 2014

CCB - Museu Colecção Berardo 

 

 

 

Por fim, ainda pode ver até 4 de Janeiro  "Ana Maria Holstein Beck - Álbuns de Família", uma colecção doada ao Arquivo Municipal de Lisboa. A autoria da maioria dos álbuns é de Ana Maria José Francisca de Paula de Sousa e Holstein Beck (1902-1966), que reuniu mais de 5 900 fotografias. É apresentada uma selecção de 120 imagens, de 1908 a 1956, assim como a possibilidade de folhear em écran e diaporama os álbuns integralmente digitalizados, expostos em vitrines. A exposição inclui ainda dois documentários, um sobre as várias etapas do tratamento documental, outro com os depoimentos dos autores que contribuiram para a investigação.

 

Esta é uma iniciativa importante para sensibilizar a público para a conservação documental e espera-se que o exemplo inspire novas doações.



 

 

 

Ana Maria Holstein Beck - Álbuns de Família

até 4 de Janeiro de 2014

Arquivo Municipal de Lisboa

 

 

 

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2.12.13



The Case of Hungary: Carlos Sampaio Garrido and  Alberto Teixeira Branquinho



When the Germans occupied Hungary in March 1944 it was already clear that Germany would lose the war and no longer possible to ignore the fate of the Jews. So, when movements began to eliminate the Hungarian Jews, several countries acted to try and stop it. Led by the recently created War Refugee Board the Americans repeatedly warned the Hungarian government not to collaborate in persecutory policies against Jews or others, and took steps with neutral countries to protect the Hungarian Jews.

Between March and December the Hungarian government, deeply divided and headed alternately by two pro-German Prime Ministers and a reluctant one, with the Russians on their borders and under great pressure from the Nazis, wavered in the zeal with which it handled “its Jewish question”. Taking advantage of such wavering the diplomatic representatives of neutral countries were able to join efforts to help the Jews of Budapest and – with the aid of the Allied bombings – did much to protect them from the first wave of deportations in July. From the end of August, it being impossible to prevent the German determination to eliminate the Jews from Budapest, this effort was expressed by the issue of thousands of Swiss, Swedish, Portuguese, Spanish and Vatican documents of protection, in collaboration with the Jewish Committee “Vaa’da”, under Otto Komoly.


The Portuguese government appears to have had no difficulty in authorizing its Legation in Budapest to act together with the representatives of neutral countries in protecting Hungarian Jews, granting then diplomatic asylum, as well as provisional and/or collective passports. This was done on the understanding that granting nationality was out of the question, beneficiaries undertaking not to invoke their Portuguese passport to request Portuguese citizenship and accepting that the validity of the documents expired at the end of 1944.
By this time it was a question of being on the winning side. The neutral Catholic countries – Spain, the Holy See and Portugal– toyed with the idea of an alliance under which they would convince the Allies to sign a separate peace with Germany to avoid the destruction of Germany and stop communism. Immediately after the German occupation, in response to the Allies’ representation that the Sztojay government was a puppet government, Portugal downgraded its diplomatic mission to Budapest, recalling its Minister to Lisbon, and replacing him by a Charge d’Affaires “so as not to give the idea that it was breaking diplomatic ties but to mark the decreased independence of the Hungarian State”.


 


Minister Sampaio Garrido had been in Hungary since 1939 and no doubt had seen a lot, for the persecution of Jews was not introduced to the government of Regent Horthy by the Germans. In the midst of the climate of terror caused by the Gestapo’s arrival in Budapest, Sampaio Garrido had taken the initiative of sheltering a group of people who were probably friends of his in the Portuguese Legation. At the beginning of May, however, he had to inform Lisbon that the Legation had been attacked by the Gestapo and his guests taken to the Budapest Police from where he had had great difficulty in removing them. Although surprised, the government in Lisbon was not angered. Gently calling the attention of its Minister to the fact that he “should” have warned the MNE, it undertook to honor the protection granted by Garrido to his protégés.





Alberto Teixeira Branquinho took over his post as Charge d’Affaires in Budapest on 5 June and with it the responsibility of protecting “its” refugees. In August, when the situation again worsened, the new Charge d’Affaires, invoking the actions of the Swedish Minister in Budapest (Danilsson, a personal friend of Teixeira de Sampaio, Secretary General of the MNE), obtained permission from Lisbon to widen the nature and quantity of Portuguese protection, mainly by issuing Schutzpässe. These protection papers did in fact protect many Jews until Regent Horthy’s deposition by the national socialist Szalasi, Prime Minister and self-proclaimed vice-regent. At the end of October, Szalasi decided that he would only respect protection papers issued by countries that recognized his government as legitimate. At that point, the Portuguese government recalled its Charge d’Affaires.

After 29 October the Portuguese representation in Budapest was in the hands of the vice-consul, Jules Gulden, who continued to keep an eye on the Portuguese protégés. In his book American Jewry and the Holocaust, The American-Jewish Joint Distribution Committee, 1939-1945, Yehuda Bauer says “Jules Gulden not only offered hundred of visas to Portugal but also issued 1 200 protection papers”. In a letter he wrote to the MNE on 18 December about the situation he had left behind in Budapest, Jules Gulden, now a refugee in Geneva, did not mention the subject.

After the departure of its representatives, Lisbon continued representations in Berlin to protect the refugees left behind in the Portuguese Legation and to protect the bearers of Portuguese protection papers. There could be no disrespect for the prerogatives of sovereignty. Officially, Portuguese diplomatic action in Hungary helped save about 1 000 people.


 

Manuela Franco

 

in "Politics and Morals " [click on the title to read full text]





 

16 Jun. 1944

Confidential telegram nº 69 from the Portuguese Legation Budapest to the MNE informing of the worsening situation of the Jewish persecution, in particular in the countryside and of the inhuman way Jews are deported to Germany.



 

Spared Lives, the actions of three Portuguese diplomats in World War II 

 

Documentary Exhibition


 

The Diplomatic Insitute

 site and blog

 © 2013 Governo da República Portuguesa



 


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29.11.13

 

 

 

 


A avaliar pelas aparências dir-se-ia que Aristides de Sousa Mendes era o próprio anti-herói. Senhor beirão, brasonado, proprietário, conservador, católico devoto com uma família extensa, nada parecia separá-lo dos seus pares. Como diplomata, a sua carreira, mesmo nos baixos, permaneceu perfeitamente dentro dos cânones até à aposentação compulsiva em 1940, aos 55 anos. Um homem maduro, com mundo, politicamente atento, avisado pela burocracia de Lisboa, estava agudamente consciente da retribuição que as suas acções iriam provocar.

De facto, diante dos milhares de refugiados apinhados junto ao Consulado Geral de Portugal em Bordéus, deu voz a essas preocupações:


Como informei toda a gente, o meu Governo recusou terminantemente todos os pedidos para concessão de vistos a todos e quaisquer refugiados. [...] Todos eles são seres humanos, e o seu estatuto na vida, religião ou côr são totalmente irrelevantes para mim. [...] Sei que a minha mulher concorda com a minha opinião e estou certo que os meus filhos compreenderão e não me acusarão se, por dar vistos a todos e cada um dos refugiados, eu fôr amanhã destituído do meu cargo por ter agido [...] {contra} ordens que em meu entender, são vis e injustas. E assim declaro que darei, sem encargos, um visto a quem quer que o peça. […]


 

                


Ao agir no plano do real, acudindo na medida das suas possibilidades à situação dramática dos milhares de pessoas em perigo, sabendo que teria de enfrentar uma hierarquia que considerava o diplomata um militar à paisana, Aristides de Sousa Mendes gritava para Lisboa que a liberdade de consciência não é assunto de conveniência. O crime de Sousa Mendes fora tornar claro ao regime que as arquitecturas políticas sobre que assentava o seu perfil internacional e as suas linhas de defesa burocrática eram, realmente, apenas, construções.

O diplomata foi punido mas o “crime” foi abafado. E a maior parte das pessoas que se apresentaram às fronteiras portuguesas foram admitidas, na certeza de que a Espanha não as aceitaria de volta. Pretender que nada acontecera era a maneira mais expedita de reduzir o impacto do precedente e de lidar com a situação tida por desprestigiante de nem o Ministério do Interior nem o Ministério dos Negócios Estrangeiros terem sabido evitar o acontecido. E a habilidade do regime em transformar o vício em virtude ressalta de um Editorial do Diário de Notícias de 14 de Agosto, uma lauda ao humanismo português, que Aristides de Sousa Mendes recortou e enviou ao MNE para juntar à sua defesa...

 

Manuela Franco

in "Razões e Humanidade" [texto na íntegra aqui]


Fotos  aqui  e Documentos aqui



 



 

 

Vidas Poupadas: Três Diplomatas Portugueses na II Guerra Mundial 

Exposição documental

 

Spared Lives, the actions of three Portuguese diplomats in World War II 


site e blog do Instituto Diplomático aqui e aqui

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25.11.13


Portugal participou na II Guerra Mundial como neutro. A lúcida apreciação das condicionantes internas e internacionais, especialmente a experiência da recente guerra civil espanhola, a posição geoestratégica da península ibérica, aconselhavam-no. E, em 1939, a neutralidade era ainda um conceito político-jurídico de aplicação relativamente simples. Mas, para além do soez plano de conquistas territoriais e de esferas de influência, a Alemanha movia uma guerra ideológica, total. Perante a aplicação dos mandamentos do movimento totalitário, o estabelecer em terras conquistadas da vassalagem à mundivisão nazi, a destruição segura dos valores em que a civilização ocidental até então tinha funcionado, a semântica da neutralidade foi-se alterando. Tornou-se uma posição de difícil gestão, tanto mais quanto Portugal era governado em regime autoritário, por um ditador que operava sobre certezas, no caso um conjunto de princípios feitos à medida de um Mundo que a própria guerra se encarregava de destruir.


As certezas são inimigas da verdade. No caso português, escondida pela auto-satisfação de nos termos poupado ao conflito, quem sabe até termos ganho algum dinheiro com ele, a verdade ficou por captar até ao fim da guerra, com o luto oficial por Hitler e, até aos nossos dias, com a apreciação legalista, apolítica e amoral que ainda prevalece sobre a neutralidade portuguesa. Na equidistância perante os dois lados, no não ter compreendido que vencedores e vencidos não se equivaleriam, que o Estado nazi não comportava regeneração, em suma, no fugir a tomar partido no conflito político e moral postulado na II Guerra Mundial, Salazar remeteu a nação portuguesa para a periferia da modernidade e para fora da história da Europa. A democracia demoraria mais trinta anos a chegar a Portugal que, só então, reencontraria o caminho político de regresso à Europa.


Sabe-se que durante os anos da II Guerra Mundial passaram por Portugal dezenas de milhares de refugiados, sobretudo judeus. Muitas vidas foram poupadas pela actuação decidida de três diplomatas portugueses documentada na presente exposição: Aristides de Sousa Mendes, Cônsul de Portugal em Bordéus, Carlos de Sampaio Garrido, Ministro de Portugal na Hungria e Alberto Teixeira Branquinho, Encarregado de Negócios de Portugal em Budapeste. O primeiro, em Junho de 1940, elevou-se pela força do seu carácter acima do pânico dominante e, agindo por decisão e risco individual, no momento certo, abriu as portas de Portugal aos fugidos de França. Seria esmagado pelas certezas de um Salazar vencido pela criação de um facto político cuja reversão arrastaria questões complicadas de enquadrar nos parâmetros escolhidos para a neutralidade portuguesa. Os segundos, em 1944, confrontados com a ocupação alemã da Hungria e o programa acelerado de eliminação dos húngaros judeus, empenharam o seu sentido de valores e a sua coragem na concretização de uma operação de salvamento programada pelos representantes dos países neutros em Budapeste, e que contou com a aprovação e o envolvimento activo de Lisboa. Humana e politicamente de natureza e dimensão muito diferentes, estes dois episódios ilustram bem o evoluir da política portuguesa quanto aos refugiados do nazismo: uma atitude inicial muito restritiva, que se foi flexibilizando progressivamente com o andar da guerra, chegando mesmo a assumir formas de acção positiva quando o regime começou a ter por certa a derrota alemã e a imaginar que a neutralidade proporcionaria uma plataforma de protagonismo político no pós-guerra.

 

Manuela Franco

in "Moral e Política" [o texto na íntegra aqui ]

     " Politics and Morals" [text  here]




 



Vidas Poupadas: Três Diplomatas Portugueses na II Guerra Mundial

Exposição Documental 

Documentary Exhibition


Na escolha dos documentos patentes nesta exposição sobre a acção de três diplomatas portugueses guiamo-nos principalmente pela possibilidade de proporcionar um máximo de leitura directa de dois momentos reveladores da administração da neutralidade portuguesa.

No caso de Aristides de Sousa Mendes, os acontecimentos foram rápidos, as posições extremadas, e o material do processo que lhe foi movido mostra, mesmo ao leitor mais desprevenido, o quadro moral e político em que o drama se desenrolou. Limitamo-nos aqui a juntar alguns documentos que contribuem para contextuar o caso, tanto quanto às atitudes – antecedentes – das autoridades portuguesas perante a questão dos refugiados, como em conclusão, nos pareceu interessante mostrar o ponto de vista crítico da política de vistos de Lisboa que o Cônsul em Marselha, um diplomata completamente alheio ao processo Sousa Mendes, comunicava a Lisboa no final de 1940.

No caso da Hungria, a correspondência trocada entre Lisboa e as Legações de Portugal em Budapeste, em Berlim, e em Berna – onde Sampaio Garrido, saído da Hungria, passou quase todo o Verão de 1944 – permite seguir, às vezes dia a dia, um processo onde o empenho pessoal de dois diplomatas galvanizados pela arrogância do ocupante alemão e pelo terror das perseguições movidas aos judeus de Budapeste, encontrou eco numa Administração politicamente orientada para transformar em créditos na paz, uma neutralidade que entretanto se tornara incómoda.

Esperamos que a presente exposição possa ser uma achega para o concretizar da profecia feita por Salazar, a 18 de Maio de 1945, perante a Assembleia Nacional, no seu discurso “Portugal, a Guerra e a Paz”: “A História, serena e imparcial, como os literatos dizem que é, há-de um dia catalogar os nossos actos desta guerra e classificar a nossa neutralidade”.

 

 


 

 

 Artigo censurado (versão integral aqui)

 

 

 

 

 

Foto: Refugiados em Lisboa durante a II Guerra Mundial aqui  

 

 

Exposição e Textos aqui


Spared Lives, the actions of three Portuguese diplomats in World War II 

Documentary Exhibition

 




site e blog do Instituto Diplomático aqui e aqui

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30.10.13

 

 

 

Limites dos domínios portugueses e neerlandeses em conformidade com o projecto de Tratado estipulado pela Comissão Mista em 28 de Agosto de 1852

Documento do espólio de meu tio-avô António Caldeira Coelho



História-Antropologia TIMOR LESTE  aqui



CARTOGRAFIA  aqui



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25.10.13

 

Quarta Semana:

 

As acácias vermelhas estão a voltar. Nos tempos da colónia as ruas eram cheias de acácias vermelhas, diz quem ainda se lembra. Depois os indonésios arrancaram-nas todas. Porquê? Maldade pura, não há outra explicação. Não se pense que alguém exagerou nas descrições da crueldade dos indonésios em Timor. Foi o padre Felgueiras que me contou os piores horrores. 86 anos quase todos passados aqui, jesuita. Em Santa Cruz morreram duzentos jovens abatidos a tiro e muitos outros “desapareceram” como toda a gente sabe. Mas o que eu não sabia é que aos feridos, levados para o hospital militar, foi-lhes deitado ácido sulfúrico pela goela abaixo. É só um pequeno exemplo.

 

 

 

 

Timor-Leste é verde, tropical húmido e no entanto nas montanhas à volta de Dili praticamente não há árvores, num fenómeno de desertificação marcado e estranho. Com tanta chuva está a desertificar? É certo que a população empobrecida dá cabo de muitas árvores para lenha e que as cabras não ajudam, mas também não há assim tanta gente nem tantas cabras. Então? O exército indonésio durante 24 anos destruiu sistematicamente a floresta que abrigava as ferozes FALINTIL. Sem raízes que agarrem a terra, as chuvas torrenciais arrastam-na. Se acaso for reversível, vai demorar muitos anos e custar muito dinheiro para reflorestar. A propósito, quando depuseram as armas, as ditas ferozes FALINTIL eram uns 120 homens descalços e famintos com, por junto e a retalho, talvez 29 balas e umas espingardas enferrujadas. Mas davam conta da cabeça de um exército bem armado, bem vestido e bem alimentado. Fica sempre bem recordar os heróis.

 

 

 

 

 

Não sei se é porque nos gramam mesmo ou se é só porque abominam profundamente indonésios e australianos. Hoje um taxista pergunta-me “Australian?”, não, portuguesa. “Ah, desculpe” como se me tivesse insultado.

 

Pantai Kalapa, a praia dos coqueiros, a minha. Muitos esgotos a correr para o mar, impensável tomar banho. As marés vivas arrancaram grandes pedaços de coral que lançaram na areia; hoje ao passear apetecia-me apanhar não conchinhas mas enormes pedregulhos. Fica para a próxima maré viva.

 

... and I reluctantly say farewell to bloomy Dili...

 

 

 

 

Isabel Feijó

excertos de carta enviada a alguns amigos durante a sua primeira missão em Timor ao serviço do PNUD, em Novembro de 2003.

 

Uma entrevista com Isabel Feijó sobre o seu trabalho em Timor aqui

 

Arquivo & Museu da Resistência Timorense aqui

 

Fotos de Pedro Martins

 

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18.10.13

 

Quarta Semana:

 

Esta semana chegou finalmente a oportunidade de assistir a um discurso do presidente. Full treatment.

Presidente feliz com lágrimas, de acordo com o Público. De 2a a 5a decorrreu na “Comissão de Acolhimento Verdade e Reconciliação” a primeira audiência pública sobre a guerra civil de 75 em que andaram todos a matar-se uns aos outros. Para quem não leu o Adelino Gomes, já várias vezes tinha sido marcada e outras tantas adiada. É um assunto do mais sensível já que muitos responsáveis políticos de hoje (tanto governo como oposição) foram responsáveis por grandes matanças na época. Desta vez fez-se mesmo. Era aguardado com enorme expectativa e durante as sessões Dili andou colada aos rádios para ouvir os depoimentos; os motoristas aqui do PNUD não saíam dos carros o dia inteiro, sintonizados na Rádio Timor-Leste, e quando saíam era para se juntarem em volta dum transistor. 

 

Note-se bem que isto na altura era Portugal. As nossas maravilhosas RTP, RDP e Lusa têm correspondentes em Dili. Adivinha quantos jornalistas portugueses estavam nas audiências? Quantos passaram por lá, nem que seja 5 minutos? Resposta – Um. Quem? Adelino Gomes que veio de propósito de Lisboa (no voo mais barato que encontrou e pagando do bolso dele as despesas em Dili...). Timor não é notícia. Como não estão a matar ninguém, não interessa para nada. Foram mortos uns milhares em 75 e nunca se falou disso? As feridas são fundas e a gente também teve responsabilidade. Mas o que é que isso interessa agora? Os jornalistas portugueses em Dili foram para a praia.

 

 

 

 

Aconselho vivamente a leitura dos artigos do Adelino Gomes, não posso acrescentar nada. Resta-me a minha própria comoção ao ver toda a gente a chorar com o discurso do Xanana (a começar pelo próprio, voz quebrada, olhos e nariz vermelhos, assoando-se, limpando a cara com o lenço, no meio das suas longas pausas habituais, desta vez mais longas ainda). Nem as moscas (abundantes) se ouviam.

 

 

Isabel Feijó

excertos de carta enviada a alguns amigos durante a sua primeira missão em Timor ao serviço do PNUD, em Novembro de 2003

 

Foto de Pedro Martins

 

Arquivo & Museu da Resistência Timorense aqui 

 

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1.9.13

... São quatro e meia da tarde. A chuva deve durar mais hora e meia. Não há nada a fazer. Sinto-me feliz, contente... Supor que me encontro tão longe de tudo!... Longe das complicações humanas, da vaidade dos cargos, da estupidez consagrada em frases de estereotipo... Para me sentir feliz, basta-me esta choupana desconjuntada e a companhia silenciosa dos indígenas. Encontro-me em perfeita comunicação com o ambiente, numa exaltação sossegada e plena. Encostado ao batente da porta, vou entretecendo ideias vagabundas, sempre à beira do sonho ou da sensação. A Natureza pensa e o homem segue os instintos de uma reminiscência obscura. Os indígenas conseguiram acender uma fogueira. Não posso dominar a comoção que me obriga a envolver os companheiros num olhar de profunda simpatia. Ei-los, acocorados, silenciosos, prontos a obedecer ao mais pequeno sinal. Não dizem nada, mas pensam decerto no «malaio» que os manda ao alto cimo das árvores para colher folhas e flores. Um deles pôs-se de joelhos e, de olhos dilatados, vai soprando a fogueira hesitante. Outro, dobra nos dedos adestrados a folha de begónia, dá-lhe a forma de um copo e estende o braço para a goteira aberta no telhado de capim. Como lhes estou agradecido!... Inteligentes, profundamente psicólogos, incapazes de esquecer, de uma dedicação sem limites. Pensar que estes desgraçados timorenses sofriam resignadamente a incompreensão de quase todos, tinham passado por uma guerra sem quartel... — E agora?!... Exceptuados os missionários, quem se importa com a alma do indígena?! Onde clamam as vozes de Afonso de Castro, de Celestino da Silva, de Armando Pinto Correia... de tantos outros, nobres e humildes que à terra de Timor deram a inteligência e o coração português? Existia uma certeza: mais cedo ou mais tarde a Verdade havia de vencer nas almas; a pureza, a justiça e outros poderes mais transcendentes ainda, seriam coroados pela realidade magnífica de um Timor novo. E a força dos jovens não temia os obstáculos, nem a lógica cerrada dos raciocínios interessados. Quem não sabia defender-se e muito menos atacar, só podia ter uma linha de conduta: seguir em frente, fiel a si próprio e às gerações inúmeras... «talent de bien faire»... «désir»...


 

Ruy Cinatti em Timor

 

A chuva diminui; o céu clareia um pouco. Desanuviam-se os pensamentos e baixa-se à realidade rítmica da vida. Os companheiros estão prontos. Vamos partir dentro de alguns instantes. Fragmentos de poesia afloram no meu espírito: «Ilha perdida de mistérios densa...» Vamos partir. Como sucedeu a Alberto Osório de Castro: «pelas cinco horas da tarde, sob um miúdo aguaceiro que se desfaz no radioso entardecer de nácar — róseo, flavo, verde de água, lilás».

 

E a conversa prossegue... o diálogo silencioso, por vezes iluminado, como em noites secas de Setembro, de fantásticas visões: o céu e o horizonte do mar fulgurando por detraz da fímbria em fogo das nuvens, som que o rolar do trovão seja mais que um surdo murmúrio distante. Diálogo traduzido em movimentos incompreensíveis, como os de um enamorado ainda hesitante, suspenso, não fosse com uma certeza mais fácil quebrar o encanto que a presença amada não teme. O descobrimento da árvore revelada nos sonhos, o Podocarpus imbricata, nos cimos da Mate-Bian, a montanha da alma dos mortos, depois de dois dias de procura estéril, em que o desejo foi mais forte que a vontade. A esperança segura, inabalável, de lá voltar um dia, para que na sombra esverdeada dos fetos arborescentes e junto da fonte glácida onde as colocásias molham os limbos lustrosos, possa reencontrar-me e jurar os votos de uma vocação definida: a de uma existência serena e silenciosa como a da floresta de paus-rosas, em Citrana, onde caminháramos durante horas seguidas. Onde, também, sem dar por isso, me tinha entregado à mais activa das missões: a de um homem para quem o florir da Natureza simboliza o resultado heroico de uma meditação e o trabalho fecundo ao fluir longo de um período de maravilhoso silêncio.

 

E posso ainda julgar descer à rua, para colher nos dedos transfigurados o véu de luar azul? Ou sequer as finas hastes de certas orquídeas de cachos estrelados, quando o cavalo teimoso me levava por sob a penumbra cinérea das casuarinas ? ... A neve perfumada dos cafésais em flor de Fatú-Bessi, a Sintra de Timor, de ravinas sombreadas pela «madre del cacao»... Quantas e quantas recordações se não levantam! É tocar ao de leve nas águas da memória, para que, sobrepostas e logo separadas em ondulações suavíssimas, ressurjam as imagens e a doce comoção que a saudade imensa reergue das brumas da ilha perdida.


Ruy Cinatti

in Panorama, Revista Portuguesa de Arte e Turismo

Números 36 e 37 , 1948



Notas:


Imagem em Timor-Leste History Anthropology  aqui

Espólio de Ruy Cinatti na Biblioteca Universitária João Paulo II, Universidade Católica Portuguesa

 

 

Leia também O Timor de Ruy Cinatti  de Peter Stilwell | PDF in Revista Camões nº14/ 2001 aqui






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16.8.13

 

 

 

Amadeo de Souza-Cardoso

1887-1918


até 19 de Janeiro de 2014 



Comemorando os 30 anos da abertura do CAM ao público, a 25 de Julho de 1983, uma exposição ocupa todos os espaços do centro, apresentando pela primeira vez ao público a totalidade do acervo de Amadeo de Souza-Cardoso.

 

 

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5.8.13

 

 

 

Girl riding a donkey c. 1898

Isaac Israels (1865-1934)



Uma burricada em Portugal (1910) aqui 



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29.7.13

 

Se a capacidade da fotografia em capturar o extraordinário ou o contingente causou, em termos históricos, maravilha, pelo seu aparente condão de magicamente embalsamar o tempo, a mesma provocou simultaneamente um certo desconforto, já que a preservação de um momento fugidio também servia paradoxalmente de lembrete da corrupção de tudo aquilo que é próprio ao tempo. No arquivo, vemos escrito a letras gordas aquilo que a fotografia leva a cabo numa escala mais modesta: um diálogo com a posteridade, um endereçamento a um tempo por vir, um tempo em que esse mesmo artefacto será ancião, um souvenir de um passado irrecuperável. O objeto arquivístico, tal qual a fotografia, é uma despojada lembrança da morte no futuro.

Com a proliferação da fotografia doméstica (muitos artistas contemporâneos simulam a aparência inábil e inexpressiva das fotos instantâneas) e o interesse crescente pela história e antropologia da vida quotidiana, o arquivo familiar veio juntar-se a outros lugares arquivísticos históricos e burocráticos, tornando-se ao mesmo tempo fonte de significado etnográfico e um lugar menor e localizado (ou até mesmo virtual) de memorialização privada. Em suma, o arquivo tem-se tornado tão ubíquo e comum como a própria fotografia.

 

Ruth Rosengarten

in folha da exposição Entre Memória e Arquivo 


In English: Between Memory and Archive here

 

 

Vivan Sundaram, Lovers, 2001

Colecção Berardo, cortesia do artista

 

 

 

 

Entre Memória e Arquivo



Helena Almeida, Bernd e Hilla Becher, Daniel Blaufuks, Christian Boltanski, Marcel Duchamp, Allan McCollum, Chantal Joffe, Tracy Moffatt, José Luís Neto, Gabriel Orozco, Pedro Quintas, Umrao Singh Sher-Gil, Augusto Alves da Silva, Hiroshi Sugimoto, Vivan Sundaram, Jemima Stehli, Wolf Vostell, Robert Wilson, Francesca Woodman. Curadoria de Ruth Rosengarten*


 

até 29 de Setembro de 2013

Museu Colecção Berardo

 aqui


 

 

 

*o blog Tempus Fugit de Ruth Rosengarten aqui e na lista de blogs deste blog

 

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