29.5.15

 

Álbum de fotografias de João D' Korth (1893-1974) 

páginas 25 a 27

 

 

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© Henrique D'Korth Brandão

 

continua...

 

 

Apresentamos as fotografias do álbum pela ordem em que o autor as paginou.

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3. páginas 7 a 9

4. páginas 10 a 12

5. páginas 13 a 15

6. páginas 16 a 18

7. páginas 19 a 21

8. páginas 22 a 24

 

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selo?

Exposição do Mundo Português

 

 

 

 

 

 

 

 

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24.5.15

 

Álbum de fotografias de João D' Korth (1893-1974) 

páginas 22 a 24

 

 

 

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Apresentamos as fotografias do álbum pela ordem em que o autor as paginou.

1. páginas 1 a 3 aqui

2. páginas 4 a 6

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22.5.15

 

Álbum de fotografias de João D' Korth (1893-1974) 

páginas 19 a 21

 

 

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Apresentamos as fotografias do álbum pela ordem em que o autor as paginou.

1. páginas 1 a 3 aqui

2. páginas 4 a 6

3. páginas 7 a 9

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6. páginas 16 a 18

 

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17.5.15

 

Álbum de fotografias de João D' Korth (1893-1974) 

páginas 16 a 18

 

 

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Apresentamos as fotografias do álbum pela ordem em que o autor as paginou.

© Henrique D'Korth Brandão

1. páginas 1 a 3 aqui

2. páginas 4 a 6

3. páginas 7 a 9

4. páginas 10 a 12

5. páginas 13 a 15

 

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15.5.15

 

 

Álbum de fotografias de João D' Korth (1893-1974) 

 

páginas 13 a 15

 

 

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Apresentamos as fotografias do álbum pela ordem em que o autor as paginou.

páginas 1 a 3 aqui

páginas 4 a 6

páginas 7 a 9

páginas 10 a 12

 

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10.5.15

 

Álbum de fotografias de João D' Korth (1893-1974) 

páginas 10 a 12

 

 

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Apresentamos as fotografias do álbum pela ordem em que o autor as paginou.

páginas 1 a 3 aqui

páginas 4 a 6

páginas 7 a 9

 

© Henrique D'Korth Brandão

 

Álbum Exposição do Mundo Português no Flickr

 

 Exposição do Mundo Português

 

 

 

 

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8.5.15

 

 

Álbum de fotografias de João D' Korth (1893-1974) 

páginas 7 a 9

 

 

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Apresentamos as fotografias do álbum pela ordem em que o autor as paginou.

páginas 1 a 3 aqui

páginas 4 a 6

© Henrique D'Korth Brandão

 

Álbum Exposição do Mundo Português no Flickr

 

 

Mundo Port Guia Oficial

Exposição do Mundo Português

 

 

 

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3.5.15

Álbum de fotografias de João D' Korth (1893-1974) 

páginas 4 a 6

 

 

 

 

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Apresentamos as fotografias do álbum pela ordem em que o autor as paginou.

páginas 1 a 3 aqui

© Henrique D'Korth Brandão

 

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1.5.15

 

 

Álbum de fotografias de João D' Korth (1893-1974) 

páginas 1 a 3

 


 

   

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Apresentaremos na íntegra as fotografias do álbum pela ordem em que o autor as paginou.

 

© Henrique D'Korth Brandão

 

Álbum Exposição do Mundo Português no Flickr

 

 Exposição do Mundo Português aqui

 

 

 

 

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23.2.13

 

 

 

Elisa Silva Santos, Alice Ribeiro, Eduardo Silva Santos e Estolano Dias Ribeiro

Anos 20 do séc. XX

 

 

Vivi sempre com o desgosto de não ter conhecido este avô (nem o outro),e contavam-me pessoas que com ele privaram que era uma pessoa irresistivelmente encantadora. [...] Muito jovem foi trabalhar para Moçambique. Terá sido aí que estabeleceu uma amizade muito forte com Estolano Ribeiro, e trabalhado com ele, na Companhia do Boror de que também viria a ser accionista. A amizade com Estolano Ribeiro esteve na origem de uma relação de uma enorme familiaridade, madrinhas e afilhados para cá e para lá, e que ao fim de três gerações se mantém viva. Os dois amigos e as suas mulheres formaram um eixo que sustentou e relacionou afectos, entreajudas, o afirmar de um certo estilo/ espírito, mitologias – de que eu próprio fui herdeiro, como se fosse possível comungar de património genético por afinidade. [...]

 

 

Update 001

Não tropecei propriamente no registo de nascimento do meu avô. Andei laboriosamente à procura dele. Sabia que era escorpião, e a partir do registo de nascimento da minha mãe, que refere a idade dele, e da minha avó, determinei que ele tinha muito provavelmente nascido entre Outubro e Novembro de 1879. E ela em 9 de Setembro de 1894. Ouf! Seguiu-se uma segunda ida para a Torre do Tombo. A Torre do Tombo é uma experiência. A escala, os materiais, o silêncio. A função. Alguém na portaria dirigiu-se a mim como Sr. Investigador Shiii! Durante duas horas literalmente "lambi" não papel mas microfilme, dando à manivela nos registos paroquiais da Freguesia do Santíssimo Coração de Jesus. Rolo 1.538. Nada. Rolo 2.642. Outras freguesias. Rezei o responso a São Tomás de Vila Nova. E mesmo, mesmo, no fim dos registos, próximo da "data extrema", na margem do livro aparece um simples Eduardo. A próxima coisa em que os meus olhos pousaram, curiosamente, foi o nome Rozebel. Invadiu-me um sentimento de calma enorme, e de exaltação também. Agradeci ao Altíssimo ter-me finalmente levado aos meus.[…]

Preciso do casamento, e já agora do óbito. Seguiram-se 24 horas de alta voltagem. Estas descobertas deixam-me num estado quase febril, é o encontro com a verdade, os registos contam-me a verdadeira história, muito mais nítida e útil do que as minhas memórias e a tradição oral que carregava comigo há anos.

Logo de manhã: Conservatória. De uma assentada a transcrição do registo que já tinha visto, e logo a seguir o de casamento e o de óbito. Um manancial de informação e muitos recantos da minha história - e da deles - iluminados.

 

Joaquim Martinho

in 1912 um superalbum

Edição Súbita, Associação de Desenho e Cinema

©2012 Joaquim Martinho

aqui

 

 

 

Este livro dedicado a um neto, para um dia ele “saber de onde vem este avô”, reúne cerca de trinta membros da família do autor num mosaico de histórias dos últimos cem anos em Portugal. Alguns retratos e paisagens recordaram-me pessoas e ambientes do meu próprio passado e, a par do importante trabalho de transmissão às gerações seguintes, é neste reconhecimento que reside a meu ver o grande encanto dos álbuns de família dos outros*. Neste "superalbum" também apreciei particularmente o modo como o autor vai partilhando o seu work in progress e as reflexões que o mesmo lhe vai suscitando. 

 

 

* Mais sobre a fotografia vernacular aqui

 

 

 

 

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9.12.12

 

 

 

 



Ferro, António Joaquim Tavares (Lisboa, 17-8-1895 - Lisboa, 11-11-1956). A sua personali­dade de escritor, jornalista e político evoca, habitu­almente, na recorrência memorial uma dupla cir­cunstância: editor de Orpheu, a convite de Mário de Sá-Carneiro, com apenas 19 anos; fundador--director do Secretariado da Propaganda Nacional (após 1944, denominado de Secretariado Nacional da Informação, Cultura Popular e Turismo), por convite de António de Oliveira Salazar, a fim de promover a «política do espírito» do «Estado Novo». Sendo certas essas duas evidências, elas não esgo­tam contudo as manifestações de uma complexa vivência, que articulou de forma hábil a acção cul­tural com a acção política, entrelaçadas por uma muito particular dimensão estética, e que se pode, em visão estrutural, periodizar deste modo: 1914-17 (irrupção poética e cívica), 1918-32 (resistência à cultura e à política republicana demoliberal), 1933-49 (vertigem da propaganda salazarista) e 1950-56 (solidão do diplomata). [...]

 

Ernesto Castro Leal

in "António Ferro" Dicionário de História de Portugal- VIII

Coordenadores: António Barreto e Maria Filomena Mónica

© Livraria Figueirinhas

Imagem: A.F. c. 1940




 

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6.12.12

 

 

 

António Joaquim Tavares Ferro (1895-1956) 

 

 

A RTP2 exibe no próximo domingo um documentário sobre António Ferro, da autoria de Paulo Seabra, projecto que tive o gosto de acompanhar desde o princípio. O Paulo sabe que eu estimo António Ferro e o trabalho das equipas de que se rodeou no SPN e no SNI, e que gostava de ver mais valorizado o seu legado [1].

 

Sou suspeita, já que António Ferro era “muito lá de casa” [2ou melhor dizendo muito lá de casa de meus avós maternos, com quem vivi vários anos. E sem nunca o ter conhecido pessoalmente, nem a sua mulher, Fernanda de Castro [3], tenho a sensação de os conhecer desde sempre de casa de meus avós, que os recordavam com grande amizade e admiração. Com gratidão também: em poucas palavras, estes meus avós tinham sido ricos e perdido tudo em 1929; meu avô Guilherme Pereira de Carvalho [4], quase a chegar aos 40 anos e com três filhos pequenos, empregara-se pela primeira vez na vida a vender automóveis. Três anos depois foi convidado por António Ferro a integrar o SPN como seu secretário pessoal. Era o trabalho ideal para o seu feitio, a garantia de um salário ao fim do mês e, last but not least, a promessa de uma existência infinitamente mais “rica” do que tudo aquilo com que os meus avós pudessem ter sonhado desde o seu revés de fortuna.

 

Lembro-me de minha avó descrever uma viagem de navio à Argentina, por ocasião de um congresso de escritores, depois de se ter convencido de que "nunca mais faria uma viagem", e da satisfação com que recordava o convívio com intelectuais e artistas estrangeiros que passaram por Portugal nesses anos. Guardava dessa época uma vasta colecção de autógrafos em pequenos álbuns encadernados, especialmente concebidos para o efeito.

 

Ultimamente, novas descobertas proporcionadas pela exaustiva recolha documental e iconográfica realizada por Paulo Seabra para o documentário aprofundaram o meu interesse por António Ferro. Resta-nos agora esperar por uma biografia moderna digna deste homem carismático, que imagino, no auge da «política do espírito», a reinventar o Império assim à maneira dum produtor do cinema clássico de Hollywood.

 

 

 

ESTÉTICA PROPAGANDA UTOPIA no Portugal de António Ferro

 

RTP2 | DOMINGOS  9 e 16 de DEZEMBRO de 2012 | 21h

 

 

 

 

 

 

 

 

Notas: 

IMAGEM: Fototeca Palácio Foz (actualmente, na Direcção-Geral de Arquivos/Torre do Tombo) s/data, encontrada aqui e que lembra esta aqui

 

1. A loja A Vida Portuguesa, a vitória de um movimento cívico pela reabertura do Museu de Arte Popular, em 2010, e diversos blogs contribuíram de forma importante para o reconhecimento da produção do SNI. Mais neste blog aqui e na tag "arte popular"

 

2. Uma expressão favorita de João Bénard da Costa e título de um dos seus livros. Leia mais aqui.

 

3. Fernanda de Castro aqui  e numa fotografia de Cecil Beaton  aqui

 

4. Guilherme Pereira de Carvalho aqui e os meus dois avós nos anos 20 aqui

 

5. Fundação António Quadros aqui e aqui

 

6. A poesia dos simples: arte popular e nação no Estado Novo, de Vera Marques Alves aqui 

 

 

 

 

 


26.9.12

 




Sintra (Portugal) 1938:

Seated are T. S. Eliot and Guilherme Pereira de Carvalho, editor of «Lisbon-Courier». — Middle row (from the left): Robert de Traz, Jacques de Lacretelle, Mme de Lacretelle, Mme. A Ferro [Fernanda de Castro], António Ferro — Upper row (from the left): Máximo Buontempelli, Aldo Bizarri, J. Silva Dias.

 


In 1938 T.S. Eliot came to Portugal at the invitation of the Secretariado de Propa­ganda Nacional and took part in the jury which awarded the Camoes prize to Gonzague de Reynold. In June 1943 — in the middle of World War II — Eliot sent the editor of the Portuguese magazine «Aventura» Ruy Cinatti a letter: 

 

 

I am convinced (I may say in explanation) that the ultimate unity of Europe cannot come through identity of political organization, or a legal-political federation, or a vague brotherly love, or an identity of interest among the masses of the people, but from the unity of the Christian Faith, and the unity in diversity of civili­zation and cultures which Christianity brought about in the past.

And for the latter, I believe that the literary periodicals of the highest standards in each European capital have a responsibility, not only to their readers at home, but to each other.

For a few years it seemed as if my hopes might approximate as nearly to realization as human hopes can; and there were half a dozen literary periodicals, some now extinct, some, alas! the same only in name, which could, in time, have done a great deal in spontaneous co-operation (1).

We know what happened; and we saw political divergences, which in part represented a normal reaction against the nineteenth century illusion that there must be one ideal form of government equally suitable for every nation, encroach upon the field of culture, until political variety became cultural disunion. In a situation in which the chief cultural effort of each country is to protect itself against the culture of others, such interchange as my review The Criterion and the other reviews I have in mind required, became impossible.

Those of us who were engaged in that attempt during the twenty years between the wars, may have resigned our personal hopes, but have not, I am sure, abandoned our aspirations. We trust that Europe will not follow the same course again; and we look for another literary generation to realize our frustrated ambitions.

 

 

in "Lisbon Courier"  nº 33, Dezembro 1948


Notes:


1. The Managing Editor of «Lisbon-Courier» [Dr. M. W. Clauss] had met T. S. Eliot in 1928 in London, in his former capacity as Managing Editor of the «Europaeische Revue». Until 1932 this monthly revue, published in German in Vienna, Leipzig, and Ber­lin by Austrian Prince Charles Antoine de Rohan, established a close cooperation and exchange of articles with the «Nouvelle Revue Française» (Paris), «Nuova Antologia» (Rome), Ortega's «Revista del Occidente» (Madrid) and, last but not least, Eliot's «New Criterion».

 

2.«Lisbon-Courier» published this photo and text in 1948 to mark the award of the Nobel Prize for Literature to T.S. Eliot.

 

3. T.S. Eliot and the other members of the jury of Camoes Prize-1938 here





 

 


Ruy Cinatti aqui



17.2.12

 

 

Garrett é mais do que Garrett. Quer dizer que a sua obra, por admirável que seja no teatro, no romance, na poesia, em títulos como Frei Luís de Sousa, Viagens na Minha Terra, Folhas Caídas, não é uma obra fechada, mas uma obra aberta. Obra aberta porque não se encerrando na sua acabada perfeição como um fim em si mesma, rasgou uma estrada na literatura portuguesa. Há na história literária como na história política fundadores de dinastia. E na literatura portuguesa é, sem dúvida, Garrett um desses fundadores. Depois de Garrett há toda uma literatura que dele deriva - uma literatura que por isso mesmo se chama neogarrettiana ou neogarretista (e, se designou também, mas com menor fortuna, por novilusista).[...]

 

Àquela “geração de 90” pertenciam, entre outros, Trindade Coelho (1861-1908) e Manuel da Silva Gaio (1860-1934), nomes representativos do neogarrettismo ou do nacionalismo literário. No artigo de apresentação da Revista Nova (Nov. de 1893)  —  e novo não seria só o título da publicação como o seu espírito — , Trindade Coelho aponta em Garrett um exemplo de banho lustral, qual é o de mergulhar “no fecundo veio” da província portuguesa e das tradições populares.[...]

 

Na peugada de Ramalho, que explorou aquele “fecundo veio” aberto por Garrett, outros vieram que viajando pelo vasto mundo, regressavam sempre ao ninho. É o caso desse espectador cosmopolita, de clara prosa e poder evocativo, que foi Augusto de Castro (1883-1970), homem do mundo que gostava também de viajar no seu jardim. É o caso ainda de António Ferro (1895-1956), igualmente grande jornalista, mas de prosa mais dinâmica (ou não fosse ele um protagonista da aventura futurista), e homem de acção – um poeta de acção, diria, por esse toque estético que punha em todas as suas realizações. Uma vida sem beleza, toda material e vazia de alma, é uma vida que não vale a pena viver. Uma equilibrada dosagem de inovação e tradição, de europeísmo e de nacionalismo, de alta cultura e de cultura popular, determina a acção de António Ferro, para quem vale o que disse Afonso Lopes Vieira de Garrett: mais notável ainda “pelo que descobriu e indicou do que pelo que realizou”
[...] escritor da família garrettiana é ainda Luís Forjaz Trigueiros (1915-2000) por esse espírito liberal sem demagogia, por essa curiosidade cosmopolita sem divórcio das raízes. Das “paisagens portuguesas” – título de uma sua colectânea de páginas de geografia literária, aquelas que parece exercerem maior fascínio sobre Luís Forjaz Trigueiros são as do Minho (1) , “campos elísios” também para este moderno autor de viagens na nossa terra.

 

 

João Bigotte Chorão

in “Garrett, Clássico do Romantismo”

Revista “O Tripeiro” 7ª série – Ano XVIII – Nº 2, Fevereiro de 1999. aqui

 

 

Notas:

1. Leia neste blog o texto A Écloga e a Epopeia de Luís Forjaz Trigueiros aqui e aqui

2. Este post é retirado do texto publicado no blog O Divino (28 de Março de 2005) aqui

 

 


18.1.12

 

 

 

 

 

 

Fernanda de Castro, Lisboa c. 1942

Foto: Cecil Beaton
 
Revista Panorama nº 12 ano II 1942
 
 
 
 
Um blog sobre Fernanda de Castro aqui
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20.7.11

 

 

 

 

 

cartaz do SNI

outros aqui

 

 

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28.12.10

 

 

 

 

 

Apagaste-la candeia

Que estava no velador;

Agora vai-te deitar,

Às escuras, meu amor.

 

A candeia, por estar alta,

Não deixa de alumiar;

O amor, por estar longe,

Não deixa de não lembrar. *

 

 

 

 

[...] O archote, o candelabro e a vela, ou brandão, iluminaram, sob as abóbadas dos castelos e solares da Meia-Idade, as cenas familiares, as seroadas e os tumultuosos festins de outrora. Paralelamente, nos míseros casebres dos mesteirais e servos da gleba, se alumiavam estes com grosseiras alâmpadas de ferro ou escudelas de barro embicadas, temperadas de azeite, sebo e combustíveis, obtidos pela fusão de gorduras animais, no interior do país, e de peixe, nas populações da beira-mar. Nalguns pontos mais desconversáveis de cerros nortenhos e em barracas de pescadores da orla marítima, observam-se ambos estes arcaicos processos. A estas lâmpadas, das quais Rocha Peixoto se ocupou**, dá o insigne etnógrafo mui antiga filiação, cotejando-as com exemplares encontrados em escavações e necrópoles de extintas civilizações mediterrâneas. Com o andar do tempo veio a adaptação do gancho e da argola, para suspensão, aos recipientes luminosos. Daqui nasceu a candeia, o mais generalizado de todos os utensílios de iluminação, e o candeeiro de metal, de argola, para poiso ou suspensão. A candeia, a tão simpática candeia, não é mais do que um avatar da velha lucerna romana. Larga e carinhosa referência lhe é feita em muitos passos do pátrio folclore; ela é a companheira, a amiga, a auxiliar do cavador, do pescador, do artífice, do pastor e até do mendigo a quem almas caridosas deram poisada nocturna nalguma arribana ou dependência de moradia pobre. Quem há aí que nunca repousasse a vista na sua luz suave, essa luz que, no dizer da popularíssima adivinha — é do tamanho duma abelha e enche a casa até à telha?

 

 

Cardoso Marta

in Vida e Arte do Povo Português pp.162-163

Secretariado da Propaganda Nacional, Edição da Secção de Propaganda e Recepção da Comissão Nacional dos Centenários, Lisboa, 1940

 

Notas:

* quadras populares

**Illuminação Popular, in rev. "Portugália", fasc I do tomo II, Porto, 1905

 

Imagem: desenho de Paulo Ferreira (1940)

 

 

Artigo "Os Etnógrafos Locais e o Secretariado de Propaganda Nacional (um estudo de caso)" aqui

 

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18.12.10

 

 

 

Capa de Panorama Revista de Arte e Turismo, nº 28 - IV série

Dezembro de 1968


 

 

Editada mensalmente pelo SPN, Secretariado da Propaganda Nacional (em 1945 SNI, Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo) — e terminada com a dissolução deste organismo, à queda do regime do Estado Novo em 1974, sob a superior direcção de António Ferro até 1949 (e tendo como director gráfico Bernardo Marques até então e Júlio Gil depois de uma interrupção em 1950) Panorama foi a primeira revista portuguesa de vocação modernizante. em grande parte consagrada às artes plásticas — embora, pela própria função cultural e propagandística da instituição editora, entre estas fossem especialmente tratadas as de carácter decorativo e de atracção turística, domínios em que a própria revista lançou iniciativas de relevo. Não deixaram por isso os números da sua primeira série, correspondentes à acção de A. Ferro durante a década de 40 (depois, com maior acentuação política, a revista entrou em franca decadência cultural) de prestar atenção à pintura, à escultura, ao desenho e também à arquitectura, sobretudo para encarecer a acção fomentadora do Estado Novo. Esta vinculação política, de carácter oficial, levou Panorama a documentar sectariamente as iniciativas do SPN-SNI, e as suas exposições, com esquecimento de outras — e propositadas ignorâncias das Exposições Gerais de Artes Plásticas ou da Exposição Surrealista de 1949 e da de Azevedo-Lemos-Vespeira de 1952 e outras, depois, de idêntico carácter modernizante contestatário, nas décadas seguintes. Bem paginada e ilustrada, documentalmente, com colaboração de bons desenhadores e excelentes capas (Bernardo Marques, Emmerico, Paulo, Ofélia, Anahory, Lapa), Panorama tinha menor interesse nos textos publicados, de carácter magazinesco, embora com algumas assinaturas de relevo (J. Osório de Oliveira. Reynaldo dos Santos, Reis Santos, Diogo de Macedo, João Couto).

 

 

inCatálogo da exposição Os Anos 40 na Arte Portuguesa

Comissário: Fernando de Azevedo

Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1982

 

 

Imagem:

Grupo do Grande Presépio do Mosteiro da Madre de Deus. Oficina de António Ferreira. Séc XVIII. Museu Nacional de Arte Antiga.

Foto: A. Santos d’Almeida

 

 

imagens da revista Panorama aqui e aqui


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14.12.10

 

"Foi  uma boa batalha política. Ganha. Contra amigos políticos e pessoais, com outros amigos. Esperemos que venha a ser uma guerra ganha. Para já é um começo, um recomeço." (A.P.)

 

 

 

 

Revista Panorama, nº 4 - ano 1- 1941 (detalhe da capa)

desenho de Alberto Cardoso

 

 

 

O Museu de Arte Popular reabriu ontem, com a Exposição "Os Construtores do MAP-Museu em Construção". Parabéns a todos os que por ele se bateram.

 

Leia mais aqui e aqui e também no link "museu de arte popular" na coluna direita deste blog.

 

MAP e Loja do Museu na Av. de Brasília 1400-038 Lisboa



14.11.10

 

 

 

 

Desenho

de Américo da Silva Amarelhe (1892-1946)

(aqui)

 

 

Despedida de Guilherme Pereira de Carvalho do cargo de administrador da revista “De Teatro”, para assumir funções no SPN. Entre os convivas, fixados pelo lápis de Amarelhe, estão Lino Ferreira, António Ferro, Alexandre de Azevedo, José Paulo da Câmara, Silva Tavares, Feliciano Santos, Artur Portela, José Galhardo, Pedro Bordalo Pinheiro, Norberto de Araújo, Pinheiro Correia, Álvaro Lima, Nogueira de Brito, João Bastos, Mário Duarte, Albino Abranches, Lopo Lauer, Álvaro Raio de Carvalho, Leitão de Barros, Álvaro de Andrade, etc. Ao centro alto, Guilherme Pereira de Carvalho e, ao centro baixo, Amarelhe.

 

 

Visite o Centro de Estudos de Teatro aqui

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8.11.10

 

 

 

Guilherme Pereira de Carvalho (1891-1966)

óleo s/tela de Arpad Szenes (aqui)

 

 

 

 

Em casa dos meus avós no Saldanha havia uma salinha com as paredes forradas de fotografias, de personalidades estrangeiras que visitaram Portugal no tempo em que o meu avô trabalhava no SPN/SNI (Secretariado Nacional de Informação) e de artistas portugueses e estrangeiros de teatro e variedades, o universo que mais o fascinava.

Arpad Szenes ofereceu-lhe este retrato em 1940.

 

Guilherme Pereira de Carvalho foi um dos colaboradores directos de António Ferro desde a criação do Secretariado de Propaganda Nacional, em 1933, e permaneceu no Palácio Foz até se reformar, em finais dos anos 50. Foi também director de uma revista, a "Lisbon Courier", que já evoquei aqui e a que regressarei em breve para mostrar mais algumas curiosidades, agora que um primo me emprestou gentilmente os vários volumes encadernados da sua colecção.

 

 

 

 

 

 

 

 

Walt Disney com António Ferro e Guilherme Pereira de Carvalho

Brasil, 1942?

 

 

 

sobre a casa do Saldanha leia aqui

 

Uma foto do Saldanha nos anos 60 aqui

 

 


10.6.09

 

est essentiellement poétique. Comment en serait-il autrement, dans un pays dont la poésie est la plus marquante expression de sa vie spirituelle? La langue portugaise elle-même, depuis ses origines, a épousé, suivant une syntaxe souple et une phonétique richement nuancée, le rythme et la cadence du vers — la forme qui exprime, mieux que toute autre, les subtilités de l'âme. La poésie au Portugal est, à son tour, profondément lyrique. Il est vrai que Camoens, son plus haut poète, resplendit toujours et surtout comme un des plus grands épiques de l'Humanité, car on le considère à travers le poème qui l'a immortalisé: «Les Lusiades». Mais les connaisseurs savent trop bien qu'il occupe dans l’histoire littéraire du Portugal le sommet jamais atteint de la poésie lyrique. Et tous les Portugais, qui gardent sa renommée aussi jalousement que si c'était la leur propre, ne s'enivrent pas moins de ses chansons, de ses sonnets ou de ses vilancetes, que des puissants accents épiques de son poème tant célébré. L'art populaire portugais reflète donc, en tout, ce caractère lyrique. De même que la poétique populaire se complait généralement à créer — le plus souvent par improvisation—des quatrains qui sont de véritables petits poèmes lyriques, de même l'art populaire joue des formes et des couleurs, suivant les lois d'une même simplicité spontanée. C'est ce qui le rend sensible et émouvant. C'est ce qui le rend, surtout, spirituel. Car on dirait bien que c'est également pour chanter ce que le coeur leur dicte que tous ces artisans ignorés moulent la terre glaise, pour en extraire le galbe élégant des poteries; qu’ils couvrent d’ornements précieux les objets votifs ou simplement d’usage domestique; qu’ils tressent et enchevêtrent des dessins de merveille avec des fibres de sparte ou des brins d’osier; qu’ils dessinent avec du fil et de la soie, leurs dentelles et leurs broderies; qu’ils construisent, avec des filaments d’or et d’argent, les filigranes en arabesques; qu’ils dressent des arcs verdoyants aux jours de pèlerinage ou de pardon; ou que,finalement, ils prennent les pinceaux pour exprimer leurs caprices de coloristes. En chacun de ces ouvrages, en y regardant bien, vous trouverez toujours les traces de l’attachement affectif de l’artisan au terroir ou à la personne aimée. Dans la plupart de ces travaux, le mot AMOR apparaît fréquemment. En suivant la ligne gracieuse de leurs guirlandes, les quatre lettres expressives surgissent, inattendues—quand ce n'est pas un nom de femme: — Maria — ou celui du bien-aimé: — Manuel. Ou bien, une phrase discrète, une date qui rappelle un souvenir heureux, ou, tout simplement, un coeur stylisé — l’offrande suprême! Et aujourd'hui comme hier, ces motifs se répètent, immuables, tels que les vers d'un quatrain chanté jadis et que l’on entend toujours, car il est une expression heureuse du sentiment lyrique de chacun. De même, par le truchement de ces minuscules poèmes plastiques innombrables, sont dites et redites, de génération en génération, les lois obscures du langage des formes artistiques du peuple portugais.

 

António Ferro

in Quelques Images de l' Art Populaire Portugais

S.P.N. 1937

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa de Paulo Ferreira (1937)

 

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18.3.09

 

 

 


Manuel Rodrigues

1924-1965

 

 

 

 

O seu nome, que mencionei no post anterior, é um daqueles que nas buscas do "Google" quase não produz resultados, tal como o de Paulo Ferreira, autor do desenho que aqui publiquei no 'dia dos namorados'.

 

 

Vem Manuel Rodrigues a propósito de Maria Violante Vieira e da "Papelaria Progresso", mas também de uma crónica recente de Catarina Portas, que passo a citar:

 

 

O facto de o MAP [Museu de Arte Popular] ser um produto da "Política do Espírito" salazarista, um regime que muito doutrinou e fantasiou sobre a nacionalidade, é justamente, a meu ver, a melhor das provocações para querer descobrir mais sobre a relação de inspiração que, ao longo da história, alguns artistas mantiveram com o seu próprio país. Desde a busca do pittoresco que apaixonou a geração de Bordalo e Ramalho até aos nossos dias, essa inspiração continua visível e estimulante no trabalho de artistas como Joana Vasconcelos ou João Pedro Vale. E, neste caso, pode passar também muito adequadamente pelo explorar da obra de todo um conjunto de artistas que, nos anos 30 e 40 do séc. XX, por aí muito se passearam - falo de Sarah Afonso, Maria Keil, Almada Negreiros, Carlos Botelho, Bernardo Marques, Tom, Piló ou Paulo Ferreira.

 

 

 

Nos anos 60 em Portugal não se usava o termo “designer” mas é o termo que faz hoje sentido empregar para descrever a actividade múltipla de Manuel Rodrigues. Aqui fica um resumo da sua carreira, que elaborei com base em apontamentos de minha mãe (para um artigo de jornal?) guardados por ela juntamente com uns obituários e outras recordações dele como esta:

 

 

 

Tofa.jpg

 capa de um folheto publicitário

design de Manuel Rodrigues

 

 

 

 

 

 

Manuel Rodrigues iniciou a sua carreira no SNI (Secretariado Nacional de Informação), ainda antes de terminar o curso da Escola de Artes Decorativas António Arroio, trabalhando com Tomás de Melo (Tom) e Roberto de Araújo. Fez parte das equipas de artistas que criaram a “Exposição do Mundo Português”, em 1940, dirigidas por Bernardo Marques, Tom, Manuel Lapa, Roberto de Araújo e Cotinelli Telmo.

 

Em 1947 é lhe entregue por António Ferro a direcção artística das montras do SNI e a partir de 1951 distingue-se na direcção artística de exposições, como a exposição "Portugal de Hoje" realizada no Brasil em 1954, por motivo das comemorações do IV Centenário da Fundação da Cidade de S. Paulo. Concebe os 'stands' de Portugal em exposições internacionais no estrangeiro, nas quais é distinguido com diversos prémios.

 

A ele se fica a dever a decoração de ruas de Lisboa por ocasião das visitas de Isabel II de Inglaterra e do imperador da Etiópia, cujos pavilhões de recepção na Praça do Comércio foram por ele desenhados.

 

Manuel Rodrigues trabalhou ainda para o teatro, com cenários para o "Teatro do Povo", dirigido por Ribeirinho, e figurinos para o grupo de bailado "Verde Gaio". Desenhou modelos de moda masculina, em colaboração com o "International Fashion Council".

 

Em 1959  realiza com o Arquitecto Conceição Silva a “Exposição da Raínha D. Leonor” no Mosteiro da Madre de Deus, organizada pela Fundação Gulbenkian, e em 1961 ambos levam a cabo uma das primeiras verdadeiras experiências de design global em Portugal, para os “Cafés Tofa” (Torrefacção de Cafés de Portugal).

 

Cria em 1962 a agência “Estúdio MR”, realizando campanhas de publicidade da Tofa, Mobil, e produtos da Fábrica Simões e Compª (camisas TV, lingerie Caron). Desenha selos para os CTT.

 

O seu último trabalho, também em colaboração com Conceição Silva, é o da decoração do maciço de amarração da ponte sobre o Tejo, na Avenida da Índia, e das zonas verdes circundantes.

 

Morre em Setembro de 1965, aos 41 anos, vítima de um desastre de viação.

 

 

 

 

 

 

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