20.7.16

 

 

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 Donald Trump e Nigel Farage

 

 

 

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Mundo novo

 

 

 


Pedro Pires de Miranda, com quem tive a honra de trabalhar quando ele era ministro dos negócios estrangeiros (“A política externa é óptima: só se tem inimigos!” disse-me uma vez - e outra vez, quando eu o informava que com três pessoas não conseguiria levar a cabo tarefa de que me encarregara, perguntou-me “Já experimentou com duas?”) pediu-me ao jantar em que o conheci que eu lhe pusesse, para o dia seguinte, em meia página, as diferenças entre as posições da OTAN e do Pacto de Varsóvia na Conferência Europeia de Segurança, em Estocolmo, onde ele viera acompanhar Mário Soares, Presidente da República, ao funeral de Olaf Palme (primeiro ministro sueco assassinado) e onde eu vivia, chefiando a delegação portuguesa à Conferência. No papel que lhe entreguei quando ele ia apanhar o avião escrevera meia dúzia de frases. A primeira, em inglês (língua franca da diplomacia, onde eu estava, e dos negócios, donde ele vinha), tocava no nó do problema: “We are right and they are wrong” (Nós temos razão e eles não). O mundo era menos complicado do que é agora.


Pedro foi-se embora há pouco tempo, eu ainda por cá ando mas nos trinta anos desde esse enterro nórdico especial (o assassino de Palme andava a monte, não se sabia quem era nem se havia cúmplices, desabaram sobre a cidade num fim de semana chefes políticos do mundo inteiro e, para preocupação suplementar dos serviços de segurança suecos, Shimon Peres, PM de Israel, no sábado, em vez de ir como os outros em carros mais ou menos blindados, foi a pé aos lugares onde tinha de se ir) desde esse enterro, dizia, os que tínhamos razão, ganhámos a guerra fria – e a Rússia perdeu-a - sem termos de dar um tiro. Éramos os melhores, os mais fortes, os mais ricos e ainda por cima, para algumas almas optimistas a História tinha acabado. Só que, como escreveu Nelson Mandela, quando se chega ao cimo da montanha que se está a subir descobre-se que há outra montanha que tem de se subir também, depois dessa mais outra ainda e por aí fora.


Ora para as montanhas que se seguiram e para a cordilheira que se vislumbra até onde a vista alcança nem nós nem os americanos - Atenas e Roma do mundo de hoje, houve quem gostasse de pensar - temos mostrado grande jeito. Perante a decadência do Ocidente (será finalmente desta?) avultam novos poderes – China, Índia; menos grandes mas incomodamente perto, a Rússia de Putin, segunda potência nuclear do mundo, batoteira das Olímpiadas, invasora de vizinhos e a Turquia, onde o islamista Erdogan venceu golpe militar pondo o povo na rua pelo FaceTime do seu iPhone – mas o podre vem de dentro.


Na pátria da Magna Carta, políticos encartados mentiram escandalosamente a eleitores que mostraram ignorância abissal e fartura sem remédio das “elites” - como se chama agora a quem saiba ler e escrever e tenha onde cair morto. Do outro lado do Atlântico, “Nós, o povo” reduziu a duas as pessoas entre quem escolher para suceder a Barack Obama e uma delas é Donald Trump. 

 

 

 

   

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