4.11.15

 

 

  

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 Mário Soares na manifestação da Fonte Luminosa, Lisboa 1975.

 

 

 

 

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Salvar a Pátria outra vez?

 

 

 

Talvez o Dr. Mário Soares pudesse salvar a Pátria, tal como fez durante o PREC há 40 anos. Não estamos juntos há algum tempo. Mas se nestas coisas sentir como quando me lembro dele no Verão quente de 1975 e saísse do silêncio das últimas semanas, proclamando alto e bom som que sem defesa constante da liberdade, da democracia parlamentar e da Europa não há caminho para Portugal, talvez número suficiente de dirigentes socialistas retomassem o rumo sensato e moderado do Partido - cortassem com o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda, deixassem passar no Parlamento o governo de Passos Coelho e cumprissem o seu dever patriótico de oposição parlamentar.

 

Dizem-me que tudo isto é muito improvável. Mário Soares não intervirá; mesmo que interviesse, poucos dirigentes socialistas lhe dariam ouvidos; mesmo que alguns lhos dessem, partidos políticos no poder são hoje máquinas eficazes de distribuição de serviços e influências e muitos socialistas, há 4 anos afastados da cornucópia do governo central e ávidos dela, dando por si de repente tão perto, preferem fazer vista grossa sobre o estratagema tosco que lá os fez chegar e, encorajados por desajeitamento natural e impopularidade à esquerda de Passos Coelho e Cavaco Silva, pretendem que tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos democráticos possível. É erro moral de consequências pesadas previsíveis, algumas das quais se começam já a sentir. Nestes últimos dias, duas pessoas cujas sensibilidade e visão aprecio sentiram no ar um cheiro de guerra civil; outra escreveu, lapidarmente: “A linguagem da ‘esquerda unida contra a direita’ e dos ‘pobres contra os ricos’ é um dos distintivos do ‘terceiro mundo’ e uma das causas da pobreza”.

 

‘Terceiro mundo’ para cujo estilo de vida poderemos resvalar. Enquanto, em 1974 e 1975, a União Soviética existia e, por isso, trabalhistas e conservadores britânicos, sociais-democratas e cristãos democratas alemães, decididamente contra ela, nos puseram a mão por baixo como Deus faz aos borrachos, agora, a Europa, haja ou não de nos mandar troika e nos pôr de castigo, tem muito mais e pior com que se preocupar. Além disso, quem possa trazer dinheiro fresco de fora, sem o qual não sairemos do buraco, olhará para a estabilidade do regime e, se esta não o satisfizer, irá bater a outra porta aberta. Em regabofe pré-governativo, socialistas, comunistas e bloquistas não parecem ter-se dado conta disso. Nem, os dois últimos, de implicação perversa: vão mandar às urtigas convicções temperadas pelos anos para apoiar governo que agirá contra elas?

 

Continuo a pensar que a austeridade não é maneira boa de tratar da crise financeira. Mas os governos da zona euro e as instituições europeias, incluindo o Banco Central, entendem que sim. Passos Coelho fez bem o que pôde, ao fim de 4 anos ganhou os votos e estávamos a começar a viver com menos aperto. A manobra para o deitar abaixo, imprópria de pessoas de bem, vai demorar a saída da crise.

 

 

 

 

link do postPor VF, às 10:00  comentar

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