19.8.15

 

 

belmonte4--644x362.jpgJuan Belmonte

 

 

 

José Cutileiro.jpg 

 

Melhores dias?

 

 

Paul Kruger, presidente da república do Transvaal, derrotada pelos ingleses na Guerra dos Boers, e Grã Cruz da Ordem de Nossa Senhora da Conceição (nos anos a seguir ao ultimato inglês não morríamos de amores em Portugal pelo nosso aliado mais antigo, além de que havia por toda a Europa grande simpatia pelos africânder, que só passaram a maus depois de inventado e imposto o apartheid em 1948) finou-se exilado na Suíça em 1904, convencido de que a Terra era plana: forte leitor da Bíblia e fraco leitor de tudo o resto, passara pelos feitos de Fernão de Magalhães e Galileu Galilei como cão por vinha vindimada e ficara-se pela interpretação que dera ao evangelho.

 

Presumo que hoje, por causa de fotografias tiradas de naves espaciais, não ficaria na sua. Nenhum dos 17 candidatos a candidato do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos na eleição do ano que vem (17 quando escrevo; quando a leitora me ler poderá já haver mais) até agora o fez. Ora como, por um lado, parte deles é gente cujo catecismo, sem interferência exterior, a levaria a essa crença e todos eles são gente pronta a declará-la mesmo que não a sintam se tal fizesse ganhar votos em Novembro de 1916 na Cintura Bíblica do Sul dos Estados Unidos, é de supor que, pelo menos nisso, o Partido Republicano profundo – a gente da Festa do Chá; a gente que iça a bandeira da Confederação esclavagista batida na guerra do Norte contra o Sul em 1865 – se curvou a algumas evidências científicas que travejam hoje o entendimento do mundo.

 

Reconheço ser difícil. Tirar a Terra do centro do mundo e pô-la a transladar à roda do Sol deu tonturas metafísicas no século XVII mas isso é café pequeno comparado com o que nos cabe a nós. Sabemos hoje que há no Universo milhões de nebulosas como a nossa – a Via Láctea - as quais têm cada uma milhões de estrelas, a milhões de anos-luz umas das outras, muitas com planetas orbitando-as. É difícil de imaginar. Simples questão de magnitude ou, olhando para a Terra, de insignificância? Parece que não. Eu sou ateu mas católicos com cabeças bem melhores do que a minha dizem-me que nada disso torna mais ou menos provável o Deus de Abraão, Isaac e Jacob.

 

Porque a gente pensa em muitas outras coisas. Há anos, em impressos da Universidade da Califórnia, quem se matriculasse punha uma cruz em “macho” ou “fêmea”. Hoje tem 6 escolhas: macho, fêmea, gay, transsexual macho, transsexual fêmea, outra – tal é a largueza do reino de Deus. Além disso, cada pessoa tem vida e morte suas e que se lixem os biliões de estrelas. Juan Belmonte, com problema numa perna, inventou o toureio parado (aquele que vigora há quase 100 anos). Não foi morto na praça por um touro como o seu mais mexido rival, Gallito. Cortou a coleta e, glória nacional, aos 70 anos apaixonou-se por rejoneadora colombiana linda, 50 anos mais nova: ela deu-lhe tampa e ele deu um tiro na cabeça. (A pequena depois dizia que não tinha sido bem assim mas assim ficou para a História).

 

 

 

 

link do postPor VF, às 11:38  comentar

De Partebilhas a 17 de Março de 2016 às 11:40
"Parar, mandar e templar" - a trilogia de Belmonte.

Fez bem "rematar" este seu artigo invocando Belmonte.

Olé!

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