1.7.15

 

 

 

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 Nave dos Loucos,  Pieter van der Heyden

 

 

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Sem Europa

 

 

 

 

Amigo antigo perguntou-me há dias como era isto da Grécia. Embora o bloco só saia à Quarta-Feira, esta semana tenho de o aprontar mais cedo e bato teclas ao Domingo. Se, entre o momento em que escrevo e o momento em que a leitora lê, o primeiro ministro Tsipras, possuído de élan ecuménico, tiver ido ver o papa Francisco a Roma, ou o seu partido prometer apresentar provas de que o ministro Schäuble recebeu instruções directas do grupo Bilderberg, ou um movimento de Cristãos Sociais bávaros, com freiras, curas e bandeirolas, garantir que o ministro Varoufakis é o Anticristo, sem que nada disso apareça no blog a explicação fica dada.

 

Resposta ao meu amigo. 1 Muita gente acha que a Grécia não estava em estado de ser admitida nas Comunidades Europeias quando o foi, em 1981 (por grande pressão francesa, com Giscard Presidente). A política e a economia eram conduzidas por famílias, compadrios, redes de corrupção, a evasão fiscal era a norma, tudo coisas dificeis de conciliar com um Estado moderno. 2 Gente acha também que, depois, a adopção do euro foi ainda mais disparatada. 3 Em 2010, George Papandreu, recém-eleito primeiro ministro, disse que governos anteriores tinham falsificado as contas e que a situação financeira do país era catastrófica (verdade e ninguém foi preso; tampouco algum político se reformou). 4 Perante o «buraco» grego, os países europeus e a troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu, FMI) impuseram austeridade muito dura que salvou bancos franceses e alemães mas aumentou dívida e desemprego e enterrou a economia. (Quando em 2011, Papandreu quiz fazer um referendo a fim de procurar apoio popular a medidas difíceis, Merkel e Sarkozy mandaram-no bugiar e foi substituido por um tecnocrata). Nos últimos anos, a administração de Samaras conseguiu mesmo assim obter um supervavid primário que se viesse a ser acompanhado de restruturação da dívida permitiria à Grécia ir saindo do buraco – mas que sem restrusturação de pouco serve. 5 No começo deste ano, Syrisa, partido de extrema esquerda com vocação de PREC, mentira fácil e ignorância militante ganhou eleições prometendo acabar com a austeridade, coligou-se com pequeno partido de extrema direita, e tem negociado de má fé com os credores. 6 Quando, há dias, Tsipras anunciou referendo em que diria não, os ditos credores – Comissão, FMI, Estados Membros – acabaram a conversa e a Grécia que se governe.

 

Porque é que o desentendimento tem sido tão grande ? Porque para os alemães, dívida é pecado e para os gregos tem sido, há gerações, modo de vida. Hoje, apesar da inépcia crassa do Syrisa, muitos gregos tentam corrigir-se mas como mudar os alemães? (No seu diário de 14-18, Enrst Junger fala do «surpreendente amor dos nossos soldados pela ordem» mesmo no meio dos horrores da guerra).

 

E como já não há estadistas com visão europeia (Grécia; emigração) vai tudo de mal a pior. O mundo globalizado não é pera doce e sem uma União forte seremos deitados às feras.

 

 


 

 

 

link do postPor VF, às 08:49  comentar

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