28.1.15

 

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Atenas, 2015

 

 

 

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Depois da vitória do Syriza

 

 

 

Das flores postas por Alexis Tsipras diante do muro em Atenas que recorda e condena o fuzilamento de 200 resistentes gregos por soldados alemães do III Reich em 1944, do seu anúncio da intenção de ficar na Europa e no euro, fazendo entretanto coligação de governo com partido de extrema direita, hostil à Europa, depois do anúncio de posições de partida, grega e europeia+FMI, aparentemente irreconciliáveis, seguir-se-ão semanas de regateio digno de bazar turco ou da antiga Praça da Figueira ao fim das quais a Grécia irá ficar no euro (onde nunca deveria ter entrado, mas é assim).

 

Saída seria golpe mortal no projecto europeu. Hoje a alternativa europeia é: ou prosperarmos juntos ou arruinarmo-nos separados. Apesar de haver partidos estridentes contra a União nos quatro grandes países membros (e também nalguns pequenos) o bom senso tem levado a melhor de indignações causadas pela falta de cabeça e de coração dos nossos chefes políticos. Há quem pense que a mediocridade é inevitável depois de tantas décadas sem guerra; eu julgo que ela venha de um encurtar de vistas deliberado para agradar aos eleitores, garantindo paz sem ter de gastar em defesa. Com o fim da Guerra Fria, deixara de haver rapazes maus. Entretanto, essa aldrabice levou um rombo: a Rússia de Putin, na Ucrânia; muçulmanos sunitas salafistas no Estado Islâmico destaparam-na.

 

O projecto europeu fora lançado a seguir a 1945 para acabar com guerras entre a França e a Alemanha e para resistir ao expansionismo da União Soviética. Deu boa conta do recado – tal como a OTAN, a qual se houve tão bem que no conceito estratégico russo congeminado no Kremlin de Vladimir Vladimirovich (“A maior tragédia geopolítica do século XX foi o fim da União Soviética”) ocupa, juntamente com os Estados Unidos, lugar de papão-mor.

 

Tsipras manobra trunfo táctico que o alinha com os bons sonhos inocentes da troika: combater antes de tudo a corrupção - que Pasok e Nova Democracia sempre cultivaram - fazendo cumprir leis, pagar impostos, escolher funcionários por mérito e não por parentesco e compadrio. Em suma: inventando um estado novo. Tentar substituir a Grécia que há, com ascendência fantasiada de zénite intelectual e artístico e misérias e manhas de província otomana, por uma espécie de Holanda de 5ª Divisão.

 

Talvez os europeus, cercados de perigos, decidam que têm de se entender. Fala-se de perdões de dívida: são muitos na história do capitalismo, sobretudo à Alemanha em 1953. Há quem esqueça que então a URSS existia e era vital prevenir tentações neutralistas de Bona. Hoje o quadro é outro mas encontrar-se-á maneira de aliviar o erro da austeridade aplicada como remédio à doença grega (falsa teoria e prática nefasta) sem lesar outros contribuintes europeus.

 

O direito internacional é flexível. Quando, em 1998, Robin Cook disse a Madeleine Albright que, segundo os seus advogados, bombardear a Sérvia seria ilegal, ela respondeu: “Arranje outros advogados”.

 

 

 

 

 

link do postPor VF, às 10:28  comentar

De João Garcia a 31 de Janeiro de 2015 às 21:37
Pois. Mais uma que ficámos a dever a Giscard. Nunca a Grécia devia ter entrado na agora UE sem a Turquia e, por culpa sobretudo nossa, nunca mais teremos a Turquia connosco. É grave e perigoso.

De Carlos Carapeto a 2 de Fevereiro de 2015 às 01:59


"Entretanto, essa aldrabice levou um rombo: a Rússia de Putin, na Ucrânia"

Senhor embaixador sou um ouvinte assíduo dos seus comentários no programa "Visão Global" aos domingos na RTD 1, tenho assistido com grande espanto que o Senhor embaixador insiste continuamente em apresentar Putin como o grande responsável por a situação dramática que a Ex-Ucrânia está mergulhada (Ex-Ucrânia porque a Ucrânia foi assassinada na Maidan e enterrada em Odessa).

Senhor Embaixador desejo fazer-lhe as seguintes perguntas.

Mas foi Putin quem contribuiu para os distúrbios violentos em Kiev com o objetivo de afastar um presidente democraticamente eleito?

Foi Putin quem enviou os seus representantes e emissários à Maidan instigar elementos declaradamente nazis a provocar o caos e a violência extrema?

Eram pró Russos aqueles que assassinaram de forma cruel gente pacifica em Odessa?

Putin em alguma parte do território que governa negou o uso da língua materna aos povos que o habitam?

Na Russia de Putin foram praticados crimes desta natureza?

https://www.youtube.com/watch?v=R7nW7l4jvj8

Por favor Senhor embaixador ouça com atenção os pedidos de socorro desta senhora gravida de gemeos, assassinada em Odessa, repare que no fim do vídeo é içada uma bandeira da Ucrânia na janela onde a senhora é morta.

https://www.youtube.com/watch?v=R7nW7l4jvj8


Senhor embaixador como ilustre defensor dos direitos humanos devia fazer chegar estes vídeos às instancias competentes para julgar os criminosos que cometeram estes actos bárbaros contra pessoas indefesas.

Obrigado.

Carlos Carapetoi

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