5.11.14

 

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Raio de vizinho!

 

 

Vladimir Putin insiste em provocar o Ocidente. Para ele o colapso da União Soviética foi a maior-catástrofe geopolítica do século XX. Oficial da antiga KGB, disfarçara esse ressabiamento durante muitos anos e Yeltsin que, de seu livre alvedrio, dissolvera a União Soviética de cima para baixo sem derramamento de sangue, designara-o seu sucessor. Fê-lo como quem, para escolher um melão, o provasse primeiro. Nos seus últimos anos de Kremlin, preocupado com o futuro da democracia na Rússia – Yeltsin era instintivamente um libertário - e com o futuro da família, enleada em negócios com grandes zonas de sombra que sucessor mal inspirado poderia querer investigar e punir, foi nomeando primeiros-ministros a ritmo acelerado, descartando depressa o primeiro, pouco tempo depois o segundo, e ungindo o terceiro seu herdeiro presuntivo. Assim Putin chegou ao Kremlin e, quer ainda em vida de Boris Nicolaievich quer depois da sua morte, a família Yeltsin – parentes e afins - nunca foi inquietada. Quanto à democracia, como se sabe, a conversa tem sido outra.

 

Movido por ambição de restaurar grandezas passadas – para o efeito, Rússia e U.R.S.S. são a mesma coisa (De Gaulle, que percebia a História, nunca dizia l’Union Soviétique; dizia sempre la Russie) – o apetite de Putin foi confortado pelos egoísmos moles dos europeus e pela falta abananada de chefia dos Estados Unidos que está a deixar o mundo sem rei nem roque. E passou das palavras aos actos (mirando al tendido: no dia seguinte ao inquilino da Casa Branca, dando o dito por não dito, desistir de bombardear a Síria, o inquilino do Kremlin publicou artigo de fundo no New York Times a explicar-lhe benevolamente como se devia mandar no mundo). Depois, sem estados de alma, ocupou ilegalmente a Crimeia, organizou referendo a mostrar que era o que os indígenas queriam e alimenta a dissidência na Ucrânia Oriental, reconhecendo voto ilegal lá efectuado Domingo, negando sempre (ele e acólitos, incluindo o MNE Lavrov, apparatchik todo-o-terreno) a participação de soldados russos; mentindo tanto que até Angela Merkel perdeu a paciência.

 

Há dias apertou mais a tenaz. Aviões militares russos, alguns capazes de transportarem bombas atómicas (a que pulverizou Nagazaqui, era de 21 kilotões; as russas de hoje são de 200) violaram espaço aéreo europeu do Mar Báltico ao Mar Negro. Não submeteram planos de voo e iam de transponders desligados – isto é, além de querer acobardar os Aliados perante ataque eventual a um dos Bálticos, a fanfarronada teve riscos próprios – lembre-se a morte de Christophe de Margerie num aeródromo de Moscovo, por bebedeira e inépcia do pessoal de terra.

 

O novo secretário-geral da OTAN, norueguês temperado por curta fronteira com o Urso, talvez ajude a endireitar as espinhas vergadas de Bruxelas e de Washington. Valha-nos isso ou milagre de S. Jorge – senão o dragão moscovita pintará a manta enquanto lhe der na real gana. 

 

 

                                        

link do postPor VF, às 08:01  comentar

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