16.8.13

 

 

 

Amadeo de Souza-Cardoso

1887-1918


até 19 de Janeiro de 2014 



Comemorando os 30 anos da abertura do CAM ao público, a 25 de Julho de 1983, uma exposição ocupa todos os espaços do centro, apresentando pela primeira vez ao público a totalidade do acervo de Amadeo de Souza-Cardoso.

 

 

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5.8.13

 

 

 

Girl riding a donkey c. 1898

Isaac Israels (1865-1934)



Uma burricada em Portugal (1910) aqui 



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23.12.12

 

 

 

 

 

 

1865-1965

Emissão Comemorativa do 1.° Centenário da Cruz Vermelha Portuguesa

 

 


Coloca-se Portugal entre os primeiros países a abraçar o ideal humanitário da Cruz Vermelha, visto como, dois anos após a fundação do 1.° Comité da Cruz Vermelha internacional, em 1863, em Genebra, o nosso país aderia à ideia do grande benemérito que foi Henri Dunant, pela dedicação exaustiva do seu 1.° Secretário-Geral e verdadeiro fundador da Cruz Vermelha Portuguesa o Dr. José António Marques. Assim se fundava em 11 de Fevereiro de 1865 a 1ª Comissão Executiva da Cruz Vermelha Portuguesa sob a designação, que primeiramente teve, de Comissão Portuguesa de socorros a feridos e doentes militares em tempo de guerra.

 

Mais tarde, com o alargamento do seu âmbito de acção, além das guerras e conflitos armados, as emergências, catástrofes, cataclismos, assistência sanitária e médico-social em tempo de paz, passou a designar-se pelo nome de Sociedade Portuguesa da Cruz Vermelha, participando, após a Grande Guerra, da Liga das Sociedades da Cruz Vermelha.

 

Durante um século de existência a Cruz Vermelha Portuguesa esteve sempre fiel aos seus elevados princípios de desinteressada ajuda humanitária, sem preconceitos políticos e religiosos, tanto no campo nacional como no internacional, sempre presente em todas as convulsões políticas, em todas as vicissitudes por que o país, o mundo, têm passado.

 

Passa neste ano de 1965 o 1.° Centenário da Cruz Vermelha Portuguesa, tendo Portugal anteriormente aderido ao último enunciado das Convenções de Genebra de 1949, que já foram ratificadas.

 

A Cruz Vermelha Portuguesa, com a personalidade jurídica que o Governo da Nação lhe confere, com os seus vários departamentos e voluntariado, com as numerosos Delegações da Metrópole como do Ultramar, sempre a postos e pronta a todos os sacrifícios para bem da humanidade, encara com orgulho o trabalho executado ao longo desta caminhada de um século e com a certeza da sua acção no futuro.

 

Como era de esperar e merecidamente, tem sido destacadas as homenagens e manifestações de apreço por parte de toda a Nação neste ano em que celebra o Centenário e a essas comemorações não poderia faltar a emissão do selo comemorativo.

 

 

 

Leonardo de Sousa Castro Freire

 

Presidente Nacional da Cruz Vermelha Portuguesa

 

 

Os selos (design de Manuel Rodrigues) estão aqui reproduzidos na escala de 1,5:1 nas suas cores reais.

 

 

 

 

 

 

 

 

Cruz Vermelha Portuguesa aqui

 

 

Museu dos CTT aqui

 

 


19.10.12

 

Liceu Francês Charles Le Pierre, Lisboa, Portugal

 

Lycée Français Charles Lepierre.
Arquitectos: M. Cuminal, N. de Groer.

Fotografia sem data. Estúdio Mário Novais: 1933-1983. aqui

 

 

 

20 Octobre 2012

 

Animations durant la Journée “Portes Ouvertes”

 

• un point accueil dans la cour d’honneur du lycée

information sur le projet de création d’une Association des anciens élèves

 

• des expositions collectives d’arts:

artistique (1er étage du bâtiment principal et salle de danse)

littéraire (2ème étage)

photographique sur l’histoire du lycée (la rotonde)

 

• des visites guidées, par des élèves actuellement scolarisés

• des animations musicales

• des jeux pour les enfants

• un tournoi de football (Terrain de sports)

• différents points de restauration légère (pizzas, gâteaux, crêpes, café et boissons)

 

• en vente toute l’après‐midi:

des tickets pour la Boum du soir

le Livre souvenir du 60ème

des objets souvenirs

l’inscription au tournoi de golf du 24 novembre 2012 au Campo Real

les photos du dîner des anciens (2ème étage)

 

 

 

 

 aqui e aqui

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17.10.12

 

A tradicional Journée Portes Ouvertes do Liceu Francês inclui este ano uma exposição literária, e um encontro com antigos alunos que escreveram livros. Alguns desses antigos-alunos-escritores estarão no próximo Sábado à tarde no liceu para uma troca informal com os visitantes da exposição.  


Filipe Jarro, o organizador* deste encontro, tranquilizou-me desde logo na sua gentil carta-convite: "A minha escolha é abrangente (1 ano no liceu ou 15, 1 livro ou 15, 15 prémios ou nenhum, famoso/a ou não...) e todos contam". 


Pela minha parte, sinto-me feliz de participar com "Retrovisor" nas comemorações do 60º aniversário do LFCL e feliz também pela oportunidade de revisitar o liceu em clima de festa. As festas do LFCL são de boa memória e o LFCL tem muito para festejar. 




Notas:


Vão estar presentes Jean-Yves Mercury - Maria Antónia Palla - Carlos Domingos -Jaime Teixeira Mendes - Leonor Xavier - José Manuel de Morais Anes - Maria Helena Torrado - Filomena Marona Beja - Esther Mucznik - Raúl Mesquita - Lúcia Mucznik - Irene Flunser Pimentel - Isabel Alçada - Vera Futscher Pereira - Pedro Paixão - Clara Pinto Correia - Filipe Jarro - Sofia Marrecas Ferreira - Paulo Miguel Gérault Marrecas Ferreira -Teresa Lopes Vieira


 

Os livros expostos estarão à venda graças à participação da Nouvelle Librairie Francaise e os que se encontram esgotados estarão expostos em vitrines emprestadas pela Fundação Gulbenkian.



*Hoje poder-se-ia dizer "Curator", que opina o leitor?

 


 


13.10.12

 

 
30 de Junho de 1955 - Distribuição de prémios do LFCL, no Teatro S. LuÍs em Lisboa
 
Cristina, com 7 anos, recebe os 2 prémios ganhos no Liceu Charles Lepierre - em Lisboa
Ano escolar 1954-55 (1ª Classe) mista francês-português
 
 
 

 

 

Nesse mês de Junho de 1955, Cristina já transitara para o Lycée du Sacré Coeur de Kalina, Léopoldville, hoje Kinshasa, na RDC. Frequentara o Liceu Francês de Lisboa apenas durante o primeiro trimestre do ano escolar, antes da partida para o Congo.

 

Sobre a minha chegada e o regresso de Cristina ao Lycée Français Charles Lepierre no início da década de sessenta, vindas de uma escola americana, falei no meu livro, e em posts neste blog (aqui e aqui). No entanto, dentro da mesma família cada um vive as coisas à sua maneira e segue o seu próprio destino. Para Cristina, França e a língua francesa seriam muito mais do que um percurso educativo. França tornou-se o país onde viveria metade da sua vida adulta — e muitos dos seus momentos mais felizes — o país onde as suas filhas nasceram, o seu porto de abrigo, como aconteceu a tantos portugueses, em particular os da sua geração. Mesmo depois da experiência marcante dos Estados Unidos, França tornou-se o seu país de eleição. E mais de trinta anos após ter concluído o liceu francês em Lisboa (na parte francesa - baccalauréat d'études secondaires) e partido para Toulouse, estudar economia graças a uma bolsa de estudo francesa, escreveu a Robert Bréchon*, responsável pela atribuição da bolsa em 1965, para lhe exprimir a sua gratidão. 

 

 

 

 

1987

Visita de Estado a Portugal do presidente francês François Mitterrand

Cristina toma notas para em seguida reproduzir o discurso em português** 

 

 

Os netos de Cristina, nascidos em Portugal, frequentam hoje em França uma escola do ensino público francês. Falam francês um com o outro — como Cristina e eu falávamos inglês nos Estados Unidos*** — o que me anima a pensar que nunca esquecerão a língua, porque adquirida muito cedo na vida, e ligada aos afectos, o que tem bom prognóstico.

 

 

 

 Notas:

* Robert Bréchon aqui

** veja álbuns de intérpretes de conferência aqui 

*** Mais aqui

 

 

História do Liceu aqui

 

 

 


1.7.12

 

 

 

Beach games at the Belgian Coast (1890-1960)

até 16 de Setembro de 2012 aqui


Musée de La Photographie Charleroi

 aqui

 

 

 

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5.6.12

 

 

 

 

 

Chegada de Isabel II à Doca das Fontaínhas, Setúbal, 16 de Fevereiro de 1957

 

 

 

 

Sobre a Raínha Isabel II e a sua primeira e mais importante visita de Estado a Portugal, um artigo da Revista "Máxima" aqui

 

 

The Queen By Cecil Beaton aqui

 

 

 

Nota:

Fotografia de imprensa de autoria desconhecida, encontrada no espólio familiar. Por coincidência é uma das que ilustra o artigo da Máxima sobre esta visita de Isabel II. Não encontrei outras reproduções desta fotografia na internet.

 

 


4.2.12

 

 

As Fontes do Romanceiro de Almeida Garrett. Uma Proposta de ‘Edição Crítica’, tese de doutoramento que Sandra Cristina Boto defendeu ontem na Universidade Nova de Lisboa, representa para a minha família a conclusão feliz dum percurso iniciado em 2004 pela descoberta duma importante colecção de autógrafos garrettianos em nossa casa. Ao apresentar com esta colecção perspectivas inteiramente novas sobre o romanceiro garrettiano, o trabalho de Sandra Boto confere pleno sentido ao enorme esforço que minha irmã dedicou à divulgação deste espólio, em grande parte inédito.

 

Hoje penso que foi sorte estes papéis serem redescobertos por uma estrangeirada, que nunca tinha lido as Viagens na Minha Terra, mas de Garrett sabia pelo menos que “main street is named after him!” (Cristina Futscher Pereira dixit). Quantos portugueses de gema se teriam dado ao trabalho?

 

Diz Sandra Boto na introdução:

 

Sabia-se, por fontes externas, que a colecção continha novos temas tradicionais. A publicação, na edição de 9 de Dezembro de 2004 do jornal Público, de um tema religioso de base tradicional, Fonte da Cruz, fazia suspeitar da importância destes materiais para o estudo do romanceiro tradicional garrettiano. Sabia-se também que entre estes autógrafos se encontrariam igualmente temas de origem não tradicional. Aliás, um romance criado pela pena garrettiana, A moira encantada, constituíra, a 29 de Dezembro de 2004, o verdadeiro cartão de visita desta colecção, num infelizmente pouco valorizado suplemento do Diário de Notícias. (1)

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 A Moira Encantada de João Baptista de Almeida Garrett  

ISSN 0870-1954 Lisboa, Dezembro 2004

 

 

 

Do ponto de vista da minha família, a edição de A Moira Encantada foi um pequeno milagre, só tornado possível por circunstâncias muito favoráveis como o apoio essencial que recebemos de Ofélia Paiva Monteiro e Maria Helena Santana, e o facto de termos encontrado patrocinadores - Diário de NotíciasPortugal Telecom - que gostaram do projecto e nos deram autonomia total para o realizar.

 

Uns meses depois, as duas especialistas chamavam a atenção para a riqueza do espólio agora encontrado, concluindo que dar a conhecer este romanceiro inédito seria prosseguir a tarefa que o próprio Garrett definiu como um “grande serviço ao seu País” [2]. Mas (quase) ninguém estava interessado, como sintetizou mais tarde Jorge Colaço [3] ao contar a história na sua Carta a Garrett.

 

No entanto, sete anos volvidos sobre a descoberta da 'Colecção Futscher Pereira' [4], a Proposta de ‘Edição Crítica’  de Sandra Boto vem contrariar o pessimismo e convidar-nos a revisitar o nosso Autor e o seu apaixonante Romanceiro:   

 

[...] no que concerne ao Romanceiro, a elaboração de um plano editorial patente na “Introducção” ao tomo II da obra, cujos preparativos e rascunhos textuais se prova estarem documentalmente contidos na Colecção Futscher Pereira em autógrafos garrettianos, só nos anima a levar a cabo a tarefa de prosseguir editorialmente com esse mesmo plano, que a morte do poeta impediu de se cumprir. A não destruição intencional destes materiais em vida de Garrett conjugada com o manifesto de intenções que é o mencionado plano editorial, o qual por seu turno entendemos como uma vontade expressa autoral de vir a publicar futuramente esses materiais, é garante de que é uma missão estudá-los e editá-los, mesmo com mais de 150 anos de atraso.[1]

 

 

 

 

 

 

Autógrafo de Almeida Garrett:

Romanceiro

Colecções de xácaras, estudos e apontamentos para a confecção do Romanceiro

Manuscrito do Autor

 

 

 

 

Notas:

 

1 Sandra Cristina Boto in As Fontes do Romanceiro de Almeida Garrett. Uma Proposta de 'Edição Crítica' (introdução)

Tese de Doutoramento em Línguas, Literaturas e Culturas, Especialidade de Estudos Literários

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, 2011

 

2 Ofélia Paiva Monteiro e Maria Helena Santana in No aniversário da morte de Garrett. Apresentação de um inédito do Romanceiro. Annualia Verbo. Temas, Factos, Figuras, 2005/2006. pp.235-239

 

3 o blog de Jorge Colaço aqui

 

4 Colecção Futscher Pereira (CFP), assim designada por Sandra Boto. São também as iniciais de Cristina Futscher Pereira, coincidência feliz.

 

O blog garrettiano de Cristina Futscher Pereira -— O Divino — deixou de estar acessível no blogs.sapo.pt

 

Texto integral de A Moira Encantada aqui

 

Mais neste blog na tag "garrett" 

 

 


18.12.11

 

 

 

 

 

A Virgem e o Menino

Ângelo da Fonseca (1902-1967)

 

 

 

Também em Goa, pobres e ricos, muito portuguêsmente, fazem presépio. Certas famílias, com alguma antecipação, semeiam nachiniru, cereal que grela rapidamente, em terra espalhada sobre uma pequena tábua. Quando as folhinhas começam a aparecer, formam um tapete verde sobre o qual é armado o presépio de palha.

 

*

 

Os preparativos iniciam-se com grande antecedência, principalmente com a confecção de certos doces típicos, que não faltam em nenhuma mesa, como os mandarês, hóstias grandes feitas de abóbora, secas ao sol e fritas em óleo de coco no momento de servir, assemelhando-se a bolachas muito finas, de excelente paladar. Outro doce peculiar a esse dia é o dodol, preparado com farinha de trigo, sumo de coco, jagra, castanha de caju e manteiga. O dodol ocupa sempre na sua confecção duas ou mais pessoas, que se revezam, pois cansa muito mexê-lo continuamente. De resto, a maioria dos doces goeses é feita por esse processo, como o doce de grão, o doce  bagi, a mangada, a cocada, e outros. [...] E não podemos esquecer os neureus, semelhantes a rissóis mas recheados com coco ralado, cozido em mel de açúcar ou lentilhas, sendo tudo frito em óleo de coco ou assado no forno. E ainda os oddés (lê-se ores), feito- de farinha de trigo amassada em agua e sal, redondos e fritos também em óleo de coco a ferver.

 

*

 

Outro elemento digno de menção especial é a iluminação das casas. Desde as vésperas de Natal até aos Reis, todos os lares católicos irradiam externamente uma luz suave proveniente de lanternas chinesas de diversos formatos e desenhos, com velas de cera acesas. [...] Um elemento, porém, é comum a todas: a estrela! É feita de bambu e forrada de papel de seda, branco ou de cores, e presa a um pau comprido espetado no chão. À noite, quando iluminada, dá-nos a impressão de uma estrela suspensa no céu límpido, evocando a que surgiu aos Reis Magos, assinalando o caminho de Belém.

 

*

 

E a véspera de Natal termina com a Missa do Galo. Todos voltam lentamente para casa, cheretas a servir de lanternas, abrindo buracos na noite. Os doces ficam à espera, pois a consoada é a 25, no próprio dia de Natal, em puro convívio familiar, regalando-se então todos com a boa comezaina, variada e gostosa.

E a meio do dia surgem os farazes.

Os farazes são talvez a classe mais baixa, sem casta, descendente dos primitivos habitantes dravídicos. Vivendo em comunidade mais ou menos tribal e dedicando-se à manufactura de utensílios de bambu, constituem uma das camadas populacionais de Goa mais sinceramente católicas, desprezados como são pelos brâmanes e pelas outras castas arianas. Isso recorda-me palavras que o grande poeta Paulino Dias, na sua narrativa dramática Os párias, põe na boca de um faraz:

 

Os nossos maiores, Pralada, Ravana, Hiraniaxipú, Bali, bateram os Árias e comeram a sua carne. É a vingança, ó Jiubá, dos crimes das eras, os crimes de defender a sua choupana, a sua mulher e os seus filhos. Hoje o estrangeiro os devora com garganta de cobre aquecido. Eu sei que num país depois do mar os Árias são expulsos, feridos, sem poderem passar pelas ruas, entrar nos Dharmasadas e nas pousadas. Pagam pelo que nos fazem, ó Jiubá. Nós temos ainda os deuses deles, Shivá, Rama e Parvati, e eles não nos deixam pisar o degrau do seu templo. Mil vezes melhores os cristãos e muçulmanos que nos aceitam como irmãos.

 

 

Vimala Devi

in "Natal de Goa"

Panorama Revista de Arte e Turismo nº 24-III Série-Dezembro de 1961

Edição do SNI Lisboa

 

 

Notas:

 

Vimala Devi, Paulino Dias e outros autores da literatura indo-portuguesa  aqui

Angelo da Fonseca aqui

 

 

Museum of Christian Art, Goa aqui 

 

 

 

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11.9.11

  

Depuis des temps immémoriaux, l’homme distingue peur et angoisse: «En présence de ce qui est hostile on a peur, en présence des ténèbres on éprouve l’angoisse» (Hermann Broch). La peur est distincte, définie, provoquée par une chose précise, elle blesse un intérêt non moins précis : je crains la foudre, un microbe, une taloche, le grand méchant loup. Et je crains pour... ma vie, mon portefeuille, ma réputation. L’angoisse, en revanche, touche à tout. Elle taraude mon rapport au monde en général. Elle fait vaciller projets et repères. Elle trouble l’image des autres et de moi-même. Experts, politiques et psychologues ont beau s’évertuer à combattre les craintes croissantes par des précautions multiples et souvent vaines, ils peinent à contenir une impalpable angoisse. Quel démenti apporter au sentiment diffus de n'être plus sûr de rien ? Quelle garantie faire valoir à une humanité qui se découvre, se redécouvre soudain sans garantie? Même si les criminels ou leurs complices sont arrêtés et leurs réseaux éradiqués, ils suscitent des concurrents, des adeptes et des admirateurs, pas seulement des indignés. Une page est tournée. Nous vivrons et nos enfants survivront dans une histoire où l’explosion des tours redessine la carte de géographie et trace l'horizon indépassable d’un crépuscule terroriste de l’humanité. Le 11 septembre 2001 aura toujours lieu. C'est à l’échelle de son horreur médiatique et planétaire qu'il faut apprendre à mesurer nos émotions et nos décisions.

 

 

André Glucksmann

in Dostoïevski à Manhattan  p. 15-16

© Éditions Robert Laffont,S.A., Paris 2002

 

 

 

O artigo de André Glucksmann "Ben Laden est mort, mais la haine survit", publicado esta semana no Le Monde, aqui 

 

 

Outro excerto do livro, neste blog, aqui 

 

 

 


  In Remembrance of 9/11

Elizabeth Blackwell Elementary aqui

 

 

 

 

 

 


22.11.10

 

 

 

 

Lisbon Courier - Le Courrier de Lisbonne

Terceiro Ano, Nº 30 - 1 Setembro 1948

(foto de Ruy Cinatti)

 

 

 

 

 

História de uma ilha

 

Quando, antes da guerra, o português ido do ocidente. depois de muitas semanas por mar até o oriente, e após caminhar dias e dias ao longo de Sumatra e de Java e ter serpenteado por entre pequenas ilhas misteriosas. cheias de perfume e de cor, desembarcava em Dili, não encontrava decerto, nem a «metrópole», de tipo mais ou menos europeu, com que o europeu inadaptado se procura iludir, nem a "cidade misteriosa do Oriente» que o europeu sem experiência julga ir encontrar a cada passo. Díli era acolhedora, sem dúvida, com a sua população variada, constituída por europeus, por árabes, por chineses, por negros e enfim, pelos indígenas, com o seu comércio de capital dum território de 450.000 habitantes, com os seus bazares onde tudo se comprava, desde o «best-seller» americano até o amendoim, desde o equipamento desportivo até à linha de coser. Mas era, apesar de acolhedora, uma cidade pequena e modesta, sem grandes pretensões.

Os encantos que a cidade não possuía, possuía-os porém, de sobra, a ilha misteriosa e verde que para lá dela se estendia e sob cujo sortilégio, adivinhado do largo, antes do barco fundear na baía, o europeu desembarcava.

Para lá de Díli era a Natureza. Uma Natureza pujante e viçosa—sob cuja magia ficou sempre quem algum dia a percorreu. As estradas a meia encosta dos montes, por vezes atravessadas pela água cantante que cai em cascatas frescas dos cerros altos, as ribeiras das montanhas onde se colhe um camarão tão saboroso como o do mar, grande e bonito, as matas frondosas de madeiras raras, como a teca, o tamarindo ou o sândalo...

Perante uma Natureza como a de Timor, não há obra humana que resista ao interesse dos homens. E o caminho para quem tem de falar da obra humana, mais exactamente: da obra portuguesa nesta colónia que dista de Lisboa mais de 13.000 milhas, terá de ser o de não falar na Natureza...

Como escreveu o Capitão Pinto Correia, «certos aspectos há em que Timor se torna documento excelente de colonização portuguesa».

O primacial, de entre estes aspectos, é o da "política de ocupação ter cedido o lugar à política de administração e de fomento». Por isso acentuava, antes da guerra, o mesmo notável colonialista português, que Timor se renovava e progredia mercê dum escasso punhado de portugueses, corajosos e activos, que, isolados no interior da colónia, desenvolviam um esforço notável de criadores de riqueza agrária e de reformadores da mentalidade indígena.

Foi esse esforço, que ininterruptamente, ao longo de quatrocentos anos, a administração portuguesa veio dispendendo, que a guerra e a ocupação estrangeira fizeram duramente interromper.

Quando, ao terminar a guerra no oriente, teve o seu termo a ocupação estrangeira, não era só a capital da ilha— Díli — que se encontrava arruinada. Se a cidade, e com ela todos os outros grandes aglomerados urbanos, era um monte de ruínas, através dos quais o mato crescera por tal modo que tornava difícil reconstituir a linha dos antigos arruamentos, a verdade é que toda a ilha estava em ruínas, quer na sua rede de comunicações, quer agrícola e economicamente.

Com a destruição dos principais aglomerados urbanos, e em particular de Díli, destruíra-se a base do comércio que a colónia mantivera até à invasão, com a Austrália e com as índias Holandesas, Por outro lado, as pequenas indústrias locais dos couros, da ourivesaria e dos panos perdiam a base da sua laboração, que era, evidentemente, a paz e o comércio.


 

 

Bazar de Díli, 1948

 

 

 

A riqueza pecuária, uma das mais importantes bases da vida do indígena, era entretanto consumida pelos exércitos que ocupavam a ilha, podendo calcular-se, a despeito de faltarem índices seguros, que, finda a ocupação, estava reduzida a um terço do que o fora antes da guerra.

 

Se a este quadro acrescentarmos a situação da agricultura— arruinada em parte pela devastação dos campos, em parte pelo abandono das culturas pelos indígenas atemorizados com a ocupação e, ainda, o estado da rede de estradas, que ao findar da guerra se encontravam quase completamente intransitáveis, teremos traçado as linhas gerais da situação em que se encontrava a colónia de Timor em 5 de Setembro de 1945, quando de novo as autoridades portuguesas, passado o período da ocupação estrangeira, voltaram a exercer as suas funções de chefia e administração.

Tudo era urgente, tudo era necessário fazer, e se o prestigio português só se robustecera aos olhos dos indígenas durante o período da ocupação, — como o atesta de uma forma inequívoca a paz social que tem rodeado a administração e a obra da reconstrução levada a cabo pelo Governo da colónia de Timor — a verdade é que o que havia a fazer excedia largamente as possibilidades do momento.

O que já se fez atesta, porém, já hoje, honrosamente, o valor e o esforço do punhado de homens de quem se exige tudo e que se tem de contentar com muito pouco. E se a obra de restauração não está ainda terminada, isso deve-se, porventura, sobretudo, à circunstância de não se ter querido reconstruir apenas, mas também emendar e alargar o que, feito ao longo dos anos que precederam a guerra, sem plano nem perspectivas, precisava agora de ser desenvolvido e modificado com vista ao futuro desenvolvimento económico da colónia.

Assim, em menos de 3 anos, o governo da colónia, não só aproveitando a antiga rede de comunicações mas também alargando-a e alterando-a, pôde reconstruir toda a rede de estradas que liga já hoje todas as povoações mais importantes de Timor. A par das comunicações terrestres, entendeu o governo da colónia garantir também uma rede de comunicações aéreas; foi assim que, enquanto se construía em Baucau um aeródromo com características internacionais — que é hoje o maior de Timor — onde pode aterrar qualquer avião moderno, se construíam junto das povoações mais importantes pistas de aterragem cuja importância sob o ponto de vista da saúde pública, é enorme, dado o uso, corrente hoje na colónia, de aviões sanitários para o transporte de doentes.

A par da reconstrução do sistema de comunicações, e em breve estarão também asseguradas as comunicações telefónicas e telegráficas através de toda a ilha — o problema mais importante a resolver, era, naturalmente, o da reorganização da vida agrícola e da riqueza pecuária, bases do sustento da população indígena. Se, pelo que respeita à vida agrícola, a paz social de que acima se falou foi o elemento essencial que levou os indígenas a regressar ao trabalho da terra, já o problema da pecuária requereu medidas do governo. Assim, compraram-se na Austrália exemplares de gados diversos, enquanto a colónia era dotada de técnicos e de todo o apetrechamento necessário à fecundação artificial. Não é de resto estranho ao problema do rendimento agrícola de certas culturas, o problema da existência do gado bufalino, sabido como é que, desconhecendo a charrua, o indígena utiliza o búfalo para preparar a terra; é o que acontece sobretudo com as plantações de arroz.

A par destas medidas, o governo da colónia tem trabalhado no repovoamento das matas de sândalo e de teca, enquanto por outro lado construiu campos experimentais para entregar aos colonos e que são constituídos por terras destinadas a todas as culturas, pomares, uma residência de alvenaria e abundante água corrente.

A grande obra, porém, que há que levar a cabo, é a da reedificação de todos os edifícios que a ocupação estrangeira deixou em escombros ou ao abandono. E foram todos os que, através duma administração quatro vezes centenária, os portugueses haviam construído: casas de habitação, hospitais, edifícios públicos, escolas, igrejas...

Esta obra em via de realização por toda a ilha, será coroada com a construção da nova capital—Nova Díli— num planalto que se eleva a 800 metros sobre o nível do mar, sobranceiro à zona da antiga cidade de Díli. O local onde esta estava construída fora realmente escolhido por razões de ordem militar que, há cento e cinquenta anos, se sobrepuseram à circunstância da falta de salubridade não aconselhar nessa zona qualquer construção, devido à proximidade de pântanos.

Aí, nesse planalto, se construirá a nova cidade capital, com o palácio do governo, os demais edifícios públicos, a residência do Bispo, os consulados da Austrália, Holanda e China, e a zona comercial de europeus e indígenas. Entretanto, no local da antiga capital, o plano prevê a reconstrução da zona portuária de modo a assegurar o seu interesse comercial local.

Por toda a ilha haverá que construir igrejas, escolas, postos sanitários, campos para feiras francas, bazares...e, a par destes edifícios, casas para habitação de funcionários, de colonos, de comerciantes.

Toda esta obra, que levará decerto anos, atestará quando estiver realizada, que a obra de colonização dos portugueses não é uma obra do passado de que o presente se aproveite, mas sim uma obra do presente para benefício dos vindouros e atestará ainda que se, ao cabo das 13.000 milhas que separam Lisboa de Timor, o mundo é outro e novo, continua a ser mundo português.

 

 

 

Vasco Futscher Pereira

"Lisbon Courier"  Nº 30- 1 de Setembro de 1948

 

Fotografias de Ruy Cinatti

 

 

 

Mais fotos de Timor de Ruy Cinatti aqui 


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7.10.10

 

A história das regras que governam a aquisição ou perda de nacionalidade é uma história complexa, que tem posto duramente à prova o regime da soberania popular instituído pela Revolução Francesa. Ao trazer luz a estes casos que vivem entre a lei e a política ou, se quisermos, entre o Direito e o Poder, documenta-se um caminho estreito, por vezes sombrio. E o actual debate sobre o lugar dos “ilegais”, “sem papéis” no “Estado de direito” e na “sociedade dos direitos”, volta a mostrar como em tempos de crise é difícil equilibrar o triângulo extremamente dinâmico que se forma entre o poder institucionalizado, a população e o território. Que maus ventos impeliam já a República?

 

Manuela Franco

in “Os desnacionalizados da I República”

Jornal Público–P2 25 Setembro 2010

 



*

 

 

 

 

 

Lisboa, 24 de Junho de 1916

 

Tenho a honra de devolver a V.Exa, por ordem de S.Exa O Ministro, as duas cartas de denúncia contra Hermano Minder e Leopoldo Futscher que acompanhavam o officio de V.Exa, nº 857, confidencial, de 22 de Junho.


 

 

 

*

 

 

 

 

 

 

[...] Eugénio Futscher e filhos, Americo Futscher e Alberto Futscher, que alegam ser portugueses, descendentes de cidadão suisso, tendo-se apresentado a certidão de nascimento do primeiro,que é natural de Lisboa, e a certidão de óbito do pae. Filho legítimo de Rafael Futscher, natural do Cantão de San Gallen, Suissa, e falecido nesta cidade em 15 de Janeiro de 1903. Estas duas certidões, extraídas dos livros de registo da igreja evangélica Alemã de Lisboa foram passadas em Abril e Maio últimos pelo Consul Geral De Espanha, como encarregado dos interesses alemães em Portugal, o que avoluma a suspeita de que se trata de inimigos.

 

 

*

 

 

Leopoldo Futscher e Eugénio Futscher eram tios maternos de meu avô paterno, Rudolfo Futscher Pereira (1885-1956).  O Professor João Alfredo Lobo Antunes, que foi quem me facultou os dados essenciais sobre a família Futscher em Portugal, para o livro "Retrovisor, um Álbum de Família", conhecia o episódio e mostrou-me cópias de um ou outro documento relacionado.


As cópias dos ofícios que hoje apresento foram-me fornecidas por Manuela Franco que a elas teve acesso no quadro da investigação que realizou no Arquivo Histórico-Diplomático.


mais sobre "os desnacionalizados da I República" no post anterior e o artigo na íntegra aqui.

 

 

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6.10.10

 

 

 



 

 

 

Como português,e como filho de Alfredo Keil, apresento respeitosamente a V.Exa este protesto cheio de tristeza, pedindo que o meu nome (que é o de minha filha) e o de meu irmão não sejam comprehendidos entre os que são apenas tolerados na terra portuguesa.

 

Lisboa, 2 de Maio de 1916

 

Portugal entrara na I Guerra a 9 de Março de 1916. De imediato começaram a surgir pequenas notícias nos diários, sobre a partida de alemães, as respectivas andanças por Lisboa, as voltas pelos guichets, do Governo Civil para o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) e vice-versa.

Prevalecia um ambiente algo irreal quanto ao que significasse estar em guerra, excepto na profusão declaratória da imprensa e dos políticos sobre o heroísmo, a defesa da pátria. Os jornais prometiam novas leis aplicáveis aos súbditos alemães. Passado um mês, a 4 de Abril, um primeiro diploma, emanado do Ministério do Interior, proibia a entrada no território da República aos súbditos da Alemanha e dos seus aliados. Aos estrangeiros já residentes em Portugal eram dados oito dias para solicitar título de residência válido por seis meses, prorrogável, o qual poderia ser retirado a qualquer momento.

[...]

A 21 de Abril de 1916, Afonso Costa fazia sair pelo seu Ministério das Finanças o Decreto-Lei 2.350, que bania todos os súbditos alemães de ambos os sexos, mandados sair pela fronteira terrestre, no prazo de cinco dias, excepção feita aos do sexo masculino entre os 16 e os 45 anos, que seriam conduzidos para a ilha da Terceira, podendo fazer-se acompanhar de mulher e filhos menores (despesas a seu cargo). O incumprimento implicava julgamento por tribunal militar e condenações de um a três anos de prisão em presídio militar. Quanto aos indivíduos sem nacionalidade, mas que tivessem sido alemães, podia o governo aplicar-lhes todas estas disposições se visse inconveniente na livre residência em território português. Restringia-se também a capacidade civil e a propriedade industrial e comercial de nacionais alemães, sujeitas a arrolamento e sequestro em modalidades habituais em estado de guerra. 

A opinião publicada na imprensa ficou satisfeita.

[...]

Os requerimentos amontoavam-se. Centenas e centenas deles estão ainda hoje à disposição para consulta no Arquivo Histórico-Diplomático do MNE. Viúvas, soldados, Frauleins, gente chique ou modesta: a vasta maioria, bisnetos de alemães, muitos deles fugidos da Alemanha por ocasião das revoluções de 1848. Refugiados políticos ou económicos, de entre o milhão de alemães que na altura deixou a Europa e partiu para os EUA, uma pequena fatia instalara-se no Portugal liberal. Agora, viam-se apanhados nas voltas da história. 



 

 

 

Manuela Franco

in “Os desnacionalizados da I República”

Jornal Público–P2 25 Setembro 2010

Leia o artigo aqui


 

 

 

 

 

 

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5.10.10

 

 


 

 


Lisboa, 1910

 

 

 

 

Portugal passou o século XX a pagar a factura do 5 de Outubro. A revolução republicana comprometeu os fundamentos institucionais e culturais da democracia portuguesa. Com o 5 de Outubro, o estado tornou-se propriedade de um partido, que não admitia a rotação no governo. Para defender o seu monopólio, o PRP [Partido Republicano Português] nunca teve problemas em desrespeitar a legalidade e as garantias do cidadão. Logo em 1910, uns juízes que se atreveram a considerar improcedente o processo criminal intentado contra um dos inimigos do PRP viram-se oficialmente ameaçados de serem deportados para a Índia. Ficou-se a saber que o governo republicano considerava os tribunais um mero instrumento do poder executivo para exercer punições políticas.

Por outro lado, o PRP tratou de se garantir contra qualquer surpresa eleitoral. Por isso, negou o direito de voto àquela parte da população que imaginou estar mais próxima do clero católico: as mulheres e as populações rurais em geral (neste caso através do subterfúgio de excluir os analfabetos). A maior parte dos portugueses ficou assim condenada à menoridade cívica. Os republicanos obtiveram deste modo um eleitorado reduzido, facilmente controlável pela máquina administrativa às ordens do PRP. Para se ter uma ideia desta evolução, eis alguns números. Em 1878, sob a Monarquia, 72 por cento dos homens adultos tinham direito de voto; em 1913, sob a República, apenas 30 por cento. Quanto à participação eleitoral: em 1908, nas penúltimas eleições da Monarquia, 32,9 por cento dos eleitores tinham exercido o direito de voto; em 1925, nas últimas eleições da República, essa percentagem ficou nos 14,2 por cento. Portugal andou assim a contracorrente na Europa. Enquanto os outros estados alargavam o direito de sufrágio a todos os homens adultos e até às mulheres, Portugal — o único país da Europa, até 1917, governado pela esquerda revolucionária — foi também o único onde se caminhou para a restrição dos direitos políticos da população.

 

 

 

 

Rui Ramos

 

in Outra Opinião – Ensaios de História (2004)

Ensaio “O dia dos equívocos”, capítulo “o impacto da república sobre a vida portuguesa”

© Independente Global e Rui Ramos



Leia um comentário ao livro aqui.

 


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18.7.10

 

 

 

 

 

© Marie-Françoise Plissart

 

 

 

Descubra o livro Kinshasa, récits de la ville invisible de Filip De Boeck, Marie-Françoise Plissart e Jean-Pierre Jacquemin, clicando no título.

 

2 artigos recentes:

 

"Cinq décennies de descente aux enfers" aqui

 

"Au Congo, anniversaire au coeur des ténèbres" aqui

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30.6.10

 

 

 

 "TKM Lumumba Indépendance " Peinture de Tshibumba. Ca 1972.

 

 

 

My father and I have patched things up. He allowed me to accompany him to Leopoldville, where we got to see history in the making. We watched the Independence ceremonies from a giant rusty barge tied to the bank of the Congo River that was loaded with so many pushing, squirming people Mrs Underdown said we'd probably all go down like the Titanic. It was such an important event King Baudouin of Belgium, himself, was going to be there. It was childish, I know, but I got very excited when she told me that. I suppose I was picturing someone in a crown and an ermine-trimmed scarlet robe, like Old King Cole. But the white men sitting up on the stage were all dressed alike, in white uniforms with belts, swords, shoulder fringe, and white flat-topped military hats. Not a single crown to be seen. As they waited their turn to speak, dark sweat stains blossomed under the arms of their uniforms. And when it was all over I couldn't even tell you which one had been the King. […] After the King and the other white men spoke, they inaugurated Patrice Lumumba as the new Prime Minister, I could tell exactly which one he was. He was a thin, distinguished man who wore real eyeglasses and a small, pointed beard. When he stood up to speak, everyone's mouth shut. In the sudden quiet we could hear the great Congo River lapping up its banks. Even the birds seemed taken aback. Patrice Lumumba raised his left hand up and seemed to grow ten feet tall, right there and then. His eyes shone bright white with dark centers. His smile was a triangle, upcurved on the sides and reaching a point below, like his beard. I could see his face very clearly, even though we were far away.

'Ladies and gentlemen of the Congo' he said, 'who have fought for the independence won today, I salute you!'

The quiet crowd broke open with cheers and cheers. 'Je vous salue! Je vous salue encore!'

Patrice Lumumba asked us to keep this day, June 30, 1960, in our hearts forever and tell our children of its meaning. Everyone on the raft and the crowded banks would do what he said, I knew. Even me, if I ever get to have any children.

 

 

Barbara Kingsolver

in The Poisonwood Bible (Book II The Revelation – Leah) pp. 206-207

© Barbara Kingsolver, 1998

 

 

 

Aos leitores interessados recomendo vivamente este romance sobre a independência do Congo Belga e as três décadas que se lhe seguiram. A história é narrada a várias vozes, as da mulher e das filhas de Nathan Price, um baptista evangélico que leva a família para o interior do Congo Belga em 1959. A acção estende-se até à Angola dos anos 80. Um livro fascinante, que inclui extensa bibliografia sobre o tema. Em português: A Bíblia Envenenadaaqui.

 

Esta imagem e outras aqui


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25.6.10

 

 

 

 

 

Exposições patentes no Musée Royal de L'Afrique Centrale

aqui

 

 

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9.11.09

 

 

 

Para o melhor e o pior, Vasco Luís e Margarida Futscher Pereira não assistiram à queda do muro de Berlim em 1989 nem ao 11 de Setembro de 2001. Foram outros os acontecimentos e as catástrofes que presenciaram, mas o tempo em que viveram preparou o nosso.

 

 

Isto escrevi eu no texto de apresentação de Retrovisor um Álbum de Famíliajá que o desgosto de os meus pais não terem assistido ao fim da Guerra Fria só teve paralelo no alívio de não terem visto os atentados de Nova Iorque e Washington. 

 

 

Sobre a queda do Muro de Berlim sugiro a leitura do artigo "Seven Minutes that Shook the World" do jornalista Daniel Johnson aqui

 

 

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20.8.09

 

 

 

vasco cristina paris 1972

 

Vasco e Cristina, 1972

 

 

 

 

What would the dead want from us

Watching from their cave?

Would they have us forever howling?

Would they have us rave

And disfigure ourselves, or be strangled

Like some ancient emperor's slave?

 

None of my dead friends were emperors

With such exorbitant tastes

And none of them were so vengeful

As to have their friends waste

Waste quite away in sorrow

Disfigured and defaced.

 

I think the dead would want us

To weep for what THEY have lost.

I think that our luck in continuing

Is what would affect them most.

But time would find them generous

And less self-engrossed.

 

And time would find them generous

As they used to be

And what else would they want from us

But an honoured place in our memory,

A favourite room, a hallowed chair,

Privilege and celebrity?

 

And so the dead might cease to grieve

And we might make amends

And there might be a pact between

Dead friends and living friends,

What our dead friends would want from us

Would be such living friends.

 

 

James Fenton

 

 

 

Vasco Luís Futscher Pereira (3 de Fevereiro de 1922 — 20 de  Agosto de 1984)

 

O poema foi lido por Aline Tayar numa cerimónia organizada em memória de Cristina  pelos seus colegas intérpretes do Parlamento Europeu, no dia 25 de Outubro de 2005, em Estrasburgo. 

 


20.7.09

 

 

 

Pictured above in 1969, Apollo 11 astronaut Buzz Aldrin

stands besides a recently deployedlunar seismometer,

looking back toward the lunar landing module.

 

 

 

 

Impresso que descobri no espólio dos meus pais

 

 

Leia a crónica "Forty Years" aqui



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