15.11.12

 

 

 

Foto: © Martin Parr / Magnum Photos

Fashion shoot (1999)

 

 



O blog faz hoje 4 anos. Aproveito este aniversário para agradecer especialmente aos leitores e amigos que ao longo destes quatro anos puseram à minha disposição fotografias e textos, deixaram comentários no blog, divulgaram nos seus próprios blogs o meu, e também aos que simplesmente espreitam com regularidade o Retrovisor. O número de visitas tem vindo sempre a subir, o que me anima a prosseguir viagem na vossa companhia.

 

 

Mais sobre este blog aqui e aqui



 


2.11.12

  

 

 

 Papelaria Progresso, Rua do Ouro - Rua da Vitória, Lisboa

 

 

 

 

Papelaria Fernandes e Papelaria Progresso, Rua do Ouro, Lisboa.

 

 

 

 




Notas:

Fotografias sem data. O "Isetta" estacionado na rua permite situá-las na segunda metade dos anos 50.

 

Sobre a publicidade das canetas "Parker" leia aqui 

 


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1.11.12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Papelaria Progresso, Rua do Ouro, 153, Lisboa.(c. 1964)

Fotografias sem data. Estúdio Mário Novais. 

 

Fotografias cedidas por José Inácio Vieira Gagean, a quem muito agradecemos.

 

 

Sobre o mesmo assunto veja também aqui 

 

 

 

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31.10.12

 

 


 

Papelaria Progresso, Rua do Ouro, Lisboa. 

Arquitectura: Francisco Conceição Silva

Fotografias sem data. Estúdio Mário Novais*


 

 Papelaria Progresso, Rua do Ouro, Lisboa.

 

 

Papelaria Progresso, Rua da Vitória, Lisboa, anos 60

Fotografia sem data. Estúdio Mário Novais*

 

 

Ao recordar o Liceu Francês, onde cheguei em 1961, ­vêm-me sempre à memória outros lugares que na Lisboa sombria e provinciana do princípio da década de sessenta, pelos mesmos motivos estéticos e afectivos, me transmitiam um bem estar imediato: a Papelaria Progresso, na Rua do Ouro, e o Café Monumental, na Avenida Fontes Pereira de Melo, onde minha mãe me levava, hoje desaparecidos, eram como o Charles Lepierre, espaços de grande qualidade, novos em folha, cuidadosamente pensados e desenhados para servir. O seu "look" inspirava-me confiança no futuro.




* fotografias gentilmente cedidas por José Inácio Vieira Gagean.  


Mais neste blog sobre a Papelaria Progresso aqui e na tag "design"


Sobre o Monumental veja aqui e aqui e neste blog aqui


Sobre Lisboa nessa época leia aqui



esta foto aqui

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19.10.12

 

Liceu Francês Charles Le Pierre, Lisboa, Portugal

 

Lycée Français Charles Lepierre.
Arquitectos: M. Cuminal, N. de Groer.

Fotografia sem data. Estúdio Mário Novais: 1933-1983. aqui

 

 

 

20 Octobre 2012

 

Animations durant la Journée “Portes Ouvertes”

 

• un point accueil dans la cour d’honneur du lycée

information sur le projet de création d’une Association des anciens élèves

 

• des expositions collectives d’arts:

artistique (1er étage du bâtiment principal et salle de danse)

littéraire (2ème étage)

photographique sur l’histoire du lycée (la rotonde)

 

• des visites guidées, par des élèves actuellement scolarisés

• des animations musicales

• des jeux pour les enfants

• un tournoi de football (Terrain de sports)

• différents points de restauration légère (pizzas, gâteaux, crêpes, café et boissons)

 

• en vente toute l’après‐midi:

des tickets pour la Boum du soir

le Livre souvenir du 60ème

des objets souvenirs

l’inscription au tournoi de golf du 24 novembre 2012 au Campo Real

les photos du dîner des anciens (2ème étage)

 

 

 

 

 aqui e aqui

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26.8.12

 



 

Traje de Meia Senhora*

Viana do Castelo, Portugal, c. 1950 

 





NÃO QUEIRAS SAIA DE CHITA,

QUE TE HÃO DE CHAMAR SENHORA;

ANTES SAIA DE ESTAMENHA,

QUE É TRAJE DE LAVRADORA.




A forma e composição do vestuário relacionam a inteligência do homem com a qualidade e variedade insistentes do trabalho predominante e dos trabalhos afins ou contribuintes dele. As cores, ou enfeites, os adereços e os complementos, mais ou menos acidentais, sempre todavia decorativos, revelam o sentimento artístico, a elegância de imaginação, a estética utilitária de quem os aplica. Não pode esquecer o que no traje impõem os determinantes de ordem moral, cuja influência colabora fortemente na sua elaboração.[...] O traje é, assim, o vértice de convergência de actividades mentais, concorrentes no mesmo objectivo; exterioriza-as em manifestações concordantes, que fazem dele o panorama psicológico da população, revestida no seu todo orgânico. Deve ainda acrescentar-se aos mencionados elementos da feição do traje a influência sugestiva das modas vagueantes das classes superiores, ricas e desnaturadas. Isto é: a acção reflexa, que o traje popular sofre do traje culto. Têm aspectos funcionais diferentes os dois trajes: estável, contínuo, natural e espontâneo, o popular; instável, descontínuo, artificial e estudado, o traje erudito. A estabilidade do traje popular corresponde à mutabilidade excessiva do outro. Até, quando no todo ou em parte o traje das classes de cima passa para o povo com adaptação correspondente, mantém neste a duração, que além não teve. Não quer dizer que o traje popular seja inerte e imutável, nem que o não popular, em suas metamorfoses, tenha falta de traços comuns, melhor ou pior conservados. Somente, à maior persistência do excitante espiritual corresponde maior permanência de efeitos, e entre eles a fisionomia do traje. Como  na  vida  rural a continuidade é regra, o traje rural evoluciona lentamente, ao passo que o traje urbano ou citadino sofre maiores sugestões do usado pela gente do mundo elegante, internacionalizado e aparatoso. A desigualdade económica, sobretudo, entre o campo agrícola e os centros industriais ou comerciais, prova fundas diferenciações não só em superfície como em profundidade. A quadra popular, posta como abertura desta nota etnográfica, evidencia o confronto de trajes, consoante as condições económicas e sociais.

 

Luís Chaves

in Vida e Arte do Povo Português p. 7

Secretariado da Propaganda Nacional, Edição da Secção de Propaganda e Recepção da Comissão Nacional dos Centenários, Lisboa, 1940


 

 

 


SPN Lisboa 1940



Foto: Maria Manuela Couto Viana com o traje de Meia Senhora, ao lado de Luísa Cerqueira com traje de Mordoma, na Festa do Traje. (Anos 50)


Maria Manuela Couto Viana aqui e aqui

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4.2.12

 

 

As Fontes do Romanceiro de Almeida Garrett. Uma Proposta de ‘Edição Crítica’, tese de doutoramento que Sandra Cristina Boto defendeu ontem na Universidade Nova de Lisboa, representa para a minha família a conclusão feliz dum percurso iniciado em 2004 pela descoberta duma importante colecção de autógrafos garrettianos em nossa casa. Ao apresentar com esta colecção perspectivas inteiramente novas sobre o romanceiro garrettiano, o trabalho de Sandra Boto confere pleno sentido ao enorme esforço que minha irmã dedicou à divulgação deste espólio, em grande parte inédito.

 

Hoje penso que foi sorte estes papéis serem redescobertos por uma estrangeirada, que nunca tinha lido as Viagens na Minha Terra, mas de Garrett sabia pelo menos que “main street is named after him!” (Cristina Futscher Pereira dixit). Quantos portugueses de gema se teriam dado ao trabalho?

 

Diz Sandra Boto na introdução:

 

Sabia-se, por fontes externas, que a colecção continha novos temas tradicionais. A publicação, na edição de 9 de Dezembro de 2004 do jornal Público, de um tema religioso de base tradicional, Fonte da Cruz, fazia suspeitar da importância destes materiais para o estudo do romanceiro tradicional garrettiano. Sabia-se também que entre estes autógrafos se encontrariam igualmente temas de origem não tradicional. Aliás, um romance criado pela pena garrettiana, A moira encantada, constituíra, a 29 de Dezembro de 2004, o verdadeiro cartão de visita desta colecção, num infelizmente pouco valorizado suplemento do Diário de Notícias. (1)

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 A Moira Encantada de João Baptista de Almeida Garrett  

ISSN 0870-1954 Lisboa, Dezembro 2004

 

 

 

Do ponto de vista da minha família, a edição de A Moira Encantada foi um pequeno milagre, só tornado possível por circunstâncias muito favoráveis como o apoio essencial que recebemos de Ofélia Paiva Monteiro e Maria Helena Santana, e o facto de termos encontrado patrocinadores - Diário de NotíciasPortugal Telecom - que gostaram do projecto e nos deram autonomia total para o realizar.

 

Uns meses depois, as duas especialistas chamavam a atenção para a riqueza do espólio agora encontrado, concluindo que dar a conhecer este romanceiro inédito seria prosseguir a tarefa que o próprio Garrett definiu como um “grande serviço ao seu País” [2]. Mas (quase) ninguém estava interessado, como sintetizou mais tarde Jorge Colaço [3] ao contar a história na sua Carta a Garrett.

 

No entanto, sete anos volvidos sobre a descoberta da 'Colecção Futscher Pereira' [4], a Proposta de ‘Edição Crítica’  de Sandra Boto vem contrariar o pessimismo e convidar-nos a revisitar o nosso Autor e o seu apaixonante Romanceiro:   

 

[...] no que concerne ao Romanceiro, a elaboração de um plano editorial patente na “Introducção” ao tomo II da obra, cujos preparativos e rascunhos textuais se prova estarem documentalmente contidos na Colecção Futscher Pereira em autógrafos garrettianos, só nos anima a levar a cabo a tarefa de prosseguir editorialmente com esse mesmo plano, que a morte do poeta impediu de se cumprir. A não destruição intencional destes materiais em vida de Garrett conjugada com o manifesto de intenções que é o mencionado plano editorial, o qual por seu turno entendemos como uma vontade expressa autoral de vir a publicar futuramente esses materiais, é garante de que é uma missão estudá-los e editá-los, mesmo com mais de 150 anos de atraso.[1]

 

 

 

 

 

 

Autógrafo de Almeida Garrett:

Romanceiro

Colecções de xácaras, estudos e apontamentos para a confecção do Romanceiro

Manuscrito do Autor

 

 

 

 

Notas:

 

1 Sandra Cristina Boto in As Fontes do Romanceiro de Almeida Garrett. Uma Proposta de 'Edição Crítica' (introdução)

Tese de Doutoramento em Línguas, Literaturas e Culturas, Especialidade de Estudos Literários

Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, 2011

 

2 Ofélia Paiva Monteiro e Maria Helena Santana in No aniversário da morte de Garrett. Apresentação de um inédito do Romanceiro. Annualia Verbo. Temas, Factos, Figuras, 2005/2006. pp.235-239

 

3 o blog de Jorge Colaço aqui

 

4 Colecção Futscher Pereira (CFP), assim designada por Sandra Boto. São também as iniciais de Cristina Futscher Pereira, coincidência feliz.

 

O blog garrettiano de Cristina Futscher Pereira -— O Divino — deixou de estar acessível no blogs.sapo.pt

 

Texto integral de A Moira Encantada aqui

 

Mais neste blog na tag "garrett" 

 

 


28.12.11

 

 

 

 

 

Anúncio da Mobil
contracapa de Panorama, Revista Portuguesa de Arte e Turismo

nº 4 - IV Série - Dezembro de 1962

 

 

 

Outro anúncio da Mobil aqui e mais sobre a campanha da Mobil nas tags design e publicidade

 

Sobre a Mobil Oil Portuguesa veja aqui

 

 

 

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11.12.11

 

 

 


página de Panorama, Revista Portuguesa de Arte e Turismo

nº 4 - IV Série - Dezembro de 1962

Foto: A. Santos d'Almeida Jr.   

 

Notas:


Os esquiadores estão junto à imagem de Nossa Senhora da Estrela, a dois quilómetros da Torre, identificada aqui

Veja quem esculpiu a imagem aqui 



 

 

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31.7.11

 

 

 

 projecto de Eduardo Anahory


 

O protótipo terá 30 metros por 20, sendo a superfície da piscina de 200 m2 (20 x 10 metros), ficando assim 400 m2 de «deck», o que permite a instalação confortável de mais de 100 pessoas. A toda a volta da piscina haverá o equipamento e serviços necessários a uma verdadeira praia: guarda-sois, colchões para banhos de sol, «snack-bar», etc.

 

Estas «Praias-Piscinas-Flutuantes» podem prestar serviço não apenas onde não existem praias mas também onde estas são pouco acessíveis — alagadiças ou menos acolhedoras — ou possuem uma fauna marítima de algum modo pouco tranquilizadora (medusas, tubarões, etc.) e, ainda, quando se trata de boas praias, mas que estão habitualmente apinhadas de gente, não podendo já oferecer nem espaço nem sossego.

 

Lisbon Courier, XXIII Ano- nº 268-269-Agosto de 1968

 

 

Veja também aqui

 

 


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29.7.11

 

 

 

             

 

postais, anos 60


  

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27.7.11

 

 

 

Portugal, Anos 50


 

 

Veja também aqui

 

 

 

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23.7.11

 

 

 

 

 

Desenho de Eduardo Anahory (1917-1985)
Revista Panorama, Anos 50

 

 

 

  

Eduardo Anahory, arquitecto, pintor, ilustrador, artista gráfico e decorador, inicia a sua actividade como artista gráfico em 1936 com a concepção, encomenda da Junta Nacional de Educação, do ex-libris comemorativo dos 10 anos da “revolução nacional”, da capa do Guia Oficial da Exposição do Mundo Português, e mantém uma assídua colaboração na revista Panorama. Participa, também, noutras iniciativas do S.P.N./S.N.I., como a I Exposição de Montras (Lisboa, 1940), as Exposições de Arte Moderna (1945 e 1946), os pavilhões da “Secção da Vida Popular” na Exposição do Mundo Português (1940) e o I Salão Nacional de Artes Decorativas (1949).

 

 

 

Veja também também aqui e aqui 

 

 

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3.7.11

 

 

  

 

Portugal, 1970

 

 

 

A «Praia-Piscina-Flutuante» é um interessante empreendimento do arquitecto Eduardo Anahory, a que deu o nome de «Seapool».

 

Esta praia-flutuante pode definir-se como sendo uma grande jangada no centro da qual fica instalada uma piscina com paredes e fundo perfuradas, em rede de nylon, de modo a que a água seja constantemente renovada e filtrada. Esta jangada é constituída por elementos modulados cuja montagem, desmontagem e armazenagem é de grande facilidade.

 

A primeira «praia-piscina-flutuante» cuja inauguração assinalámos em número anterior, esteve instalada em frente da praia do Tamariz, no Estoril, durante o Verão deste ano. Era composta de 32 elementos com as medidas exteriores de 30 metros por 20 metros, tendo a piscina propriamente dita, as medidas de 20 x 10 metros. No «deck» de 400 m2, podiam instalar-se confortavelmente 100 pessoas, além do equipamento de bar, instalações sanitárias e equipamento acessório: guarda-sol, cadeiras e mesas.

 

A gravura mostra-nos um aspecto da «Seapool» instalada na praia do Tamariz. A despeito do elevado número dos seus utentes e de ter suportado por vezes ventos e ondulações fortes, não sofreu quaisquer estragos nas peças componentes. Agora desmontada e armazenada, voltará a ser instalada no próximo Verão.

 

Este tipo de piscina flutuante, além de trazer para o banhista a possibilidade de tomar banho ao largo sem correr qualquer risco, pode constituir óptima solução para as zonas da costa que não têm praias ou para ampliar e valorizar as praias acanhadas e superlotadas, podendo ser de grande utilidade também, com fins turísticos ou desportivos, em barragens e lagos.

 

 

 

in "Lisbon Courier" XXV Ano – nº 294-295-Outubro de 1970

 


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14.2.11

 

 

 

 

 

 

 

 

neste terceiro ano de actividade bloguística talvez valha a pena fazer um balanço. Começo por explicar aos visitantes recém-chegados que me lancei nisto para anunciar um livro que tinha acabado de escrever e ia publicar daí a uns meses, em edição de autor (saiu em Maio de 2009). Não podendo contar com grande visibilidade nem distribuição, a oportunidade de usar uma montra gratuita e interactiva era bastante tentadora. Também desejava mobilar o "vazio", quase inevitavel após a finalização de um projecto que me ocupava há muito tempo.

 

 

Um blog, além de servir para mostrar imagens e curiosidades que tinham ficado na gaveta, permitia seguir com os mesmos temas - recordações, álbuns de família, fotografias, curiosidades - e explorá-los mais livremente, sem as mesmas preocupações de coerência, cronologia, fio narrativo, ou o que fosse. Com a ajuda de autores favoritos, fui assim construindo este 'arquivo', procurando casar o álbum de família com as minhas leituras e os assuntos que me interessam.

 

Valeu a pena: julgo que este Retrovisor contribuiu para criar interesse no outro, cuja edição impressa (500 exemplares) se encontra quase esgotada. Volta e meia sinto a satisfação de 'acrescentar um conteúdo'  que ficará guardado na net. Tive a alegria inesperada de reencontrar amigos que perdera de vista e fiz novos contactos na blogosfera.

 

 

Ultimamente este blog recebia 20 a 30 visitas por dia, o que, não sabendo se é muito se é pouco, me contentava. Há dias o Retrovisor mereceu um destaque dos "blogs do sapo", que fez disparar o número de visitas, uma agradável surpresa, veremos se muda alguma coisa. A média de comentários é que é baixa, menos de um por post. Gostava de receber mais feedback, em particular dos visitantes regulares, que sei que há alguns, pelo menos em Portugal, França, Bélgica, Brasil e Estados Unidos. Aos leitores que se têm manifestado, por comentário ou e-mail, nunca agradeço o suficiente.

 

 

Muito obrigada a todos pela visita!

 

 

Imagem: cartão de Dia dos Namorados, E.U.A., anos 50

 

mais sobre este blog e o livro na tag "retrovisor"

 


19.1.11

 

 

 

Ao sair da Telecine O'Neill percebeu que estava a ser muito solicitado por outras agências. Já tinha aliás trabalhado em regime de free-lancer com outras agências, como a MR Estúdios, de Manuel Rodrigues*, para quem fez muitas campanhas. «Há um slogan que ele fez na MR, feito para a Mobil, e que não foi aprovado, "Mobil Serviço, dê por ele sem dar por isso"; a campanha não foi aprovada.» (JM)**

 

Na MR fez as campanhas da Gazcidla, do café instantâneo Tofa*** - «Tofa: revelando num instante o segredo de um aroma» - e das canetas Parker****, com longos textos a acompanhar o slogan «Diz-me com quem andas dir-te-ei quem és». Num deles, o público alvo são os jovens: «Um jovem como tantos outros. Herdeiro de uma civilização, será o seu continuador. Estudante. Escrevendo, compreende o passado para construir o futuro. E mais tarde, quando sobre o papel as palavras se alinharem nervosamente, quando a mão lutar por seguir o cérebro que pensa, é o Amanhã que está surgindo e foi uma Parker que O escreveu.» Para as mulheres que pudessem ambicionar uma Parker, O'Neill escreveu: «Recortada no vermelho de um forro, entre o branco de um lenço de cambraia e o reflexo de um espelho, Parker brilha como uma jóia. Delicada, elegante, feminina - Parker. Um número de telefone: Parker. A hora de um encontro: Parker. Um nome, uma morada: Parker. Uma data a lembrar: Parker.»

 

Pois, leitor, assim era o mundo português em 1965: o rapaz usava a caneta para - que bagatela - construir o futuro; a mulher (chique), para apontar os afazeres do amor e da ociosidade. Mas conceda-se que é um bom texto publicitário (não se trata aqui de poesia), ao conseguir insinuar um tom de erotismo num objecto a ele tão ligado como a caneta, num tempo a ele tão avesso. Certo é que a Parker gostou do trabalho de Alexandre O'Neill, que começava a ser conhecido como publicitário com génio.

 

 

Maria Antónia Oliveira

in Alexandre O'Neill, uma Biografia Literária

©2005 Maria Antónia Oliveira e Publicações Dom Quixote


 

 

 

 

aqui

 

 

 

Notas:

 

*MR Estúdio e Manuel Rodrigues, neste blog, aqui

** A campanha para a Mobil foi aprovada, contrariamente ao que recorda João Martins. Veja um anúncio aqui

 

*** Tofa aqui

**** Parker em Portugal aqui

 


 

Maria Antónia Oliveira, autora da biografia de Alexandre O'Neill, fala sobre sobre o seu trabalho, aqui


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11.1.11

 

 

 

O cineasta António-Pedro Vasconcelos, que tinha 35 anos há 35 anos, recorda os tempos em que era difícil ser jovem num País vigiado e em que nem se podia beijar a namorada em público, mas onde também era impossível ser um velho intelectual activo e respeitado num regime que perseguia inteligência e liberdade.

 

Não é fácil explicar a um jovem de hoje - que julgará que o querem gozar quando se conta que a primeira televisão do realizador foi comprada a prestações para ver um jogo internacional do Benfica ou que chegou a pôr no "prego" (essa instituição antiga, onde se deixavam objectos, fosse a máquina de escrever ou o par de sapatos, como garantia do dinheiro emprestado) a aliança de casamento e o esquentador da casa de banho - o que era ter 21 anos no Portugal das décadas de 50 e de 60.

 

Só a partir de 1966/67 é que começa a surgir um maior consumo (televisão, semáforos, novos cafés) e, naturalmente, o boom da publicidade, que deu emprego a muita gente, dos escritores (O'Neill, Sttau Monteiro, Alves Redol, Ary dos Santos) aos cineastas (Fernando Lopes, José Fonseca e Costa e António-Pedro Vasconcelos, que filmou uma centena de anúncios).

 

O pior era, contudo, esse "ambiente de Feira Cabisbaixa, como tão bem definiu [no livro de poemas] o Alexandre O'Neill". Expulso de um café por beijar a namorada ou a conversar olhando sempre para a mesa do lado e tentando perceber se havia algum informador da PIDE a ouvir o que se dizia, com uma censura que só deixava projectar “Os Quatrocentos Golpes” depois de fazer 14 cortes no filme de Truffaut, ao sair dessa Lisboa provinciana, fechada e vigiada para Paris da liberdade e da vivacidade o choque era enorme.

 

Um jovem português de hoje, além de não sentir a vergonha ("era quase humilhante, a não ser que se tivesse, como cartão de visita, o estatuto de exilado, desertor, resistente") de ser identificado com o País da ditadura e da guerra colonial - o que era inevitável até 1966, "quando tudo mudou por causa do Eusébio no Mundial de Inglaterra" -, também não sente o mesmo contraste entre Portugal e o resto da Europa.

 

"Assediado para entrar no PCP, como toda a gente da minha geração (até porque os comunistas dominavam o Cineclube Universitário e a revista Imagem), apesar de ter ideais revolucionários, não aderi (nem nenhum dos meus amigos da época) porque li, quando era muito novo, um livro sobre os Processos de Moscovo e fiquei a saber o que era o estalinismo."

 

No fundo, a forma do seu grupo de amigos se manifestar era, por exemplo, distribuírem-se por uma sala onde era projectado um filme português daquela época e começar a patear - como fizeram no Éden, a 6 de Maio de 1960, na estreia de “O Cantor e a Bailarina”, de Armando de Miranda, acabando todos na esquadra.

 

"Um lado tenebroso do regime é que os intelectuais ou se exilavam, como o Jorge de Sena, ou então desistiam, morriam por dentro".

 

Um dos primeiros contemplados com os subsídios da Gulbenkian, em 1971 rodou Perdido por Cem, em torno de Artur, um rapaz da província (interpretado por José Cunha) que aproveita uma boleia de Rui (papel confiado a José Nuno Martins) para se escapar para Lisboa. Numa das cenas, filmada em directo na Pastelaria Suíça, no Rossio, o protagonista "lia Musil e olhava para as pessoas que por ali estavam, quase só homens, todos de chapéu, vestidos de negro, cinzento ou azul escuro, com um aspecto taciturno, como se fosse a Feira Cabisbaixa do O'Neill".

 

 

Fernando Madaíl

in "Diário de Notícias", 25 de Abril de 2009, na íntegra aqui

 

 

 

 

 

 

 

 

Cartaz do filme Perdido por Cem

de António Pedro Vasconcelos (Portugal 1972).

 

 

 

um post recente sobre António Pedro Vasconcelos e a sua obra aqui

 

 

 


7.1.11

 

 

Eis-me pronto a retomar Santos, o Velho. Imagine-se: quatro dezenas de garotos com possibilidades Nopa reunidos numa sala estreita. Ali, um só programa: catequese e aceleradamente. Isto a teoria. E imagine quem puder minha pessoa de criança frágil, caixilhos de solidão acolchoada contra micróbios e correntes de ar. Eu de olhos e ouvidos por abrir lançado em semelhante maralhal. Não faço a mais pequena ideia sobre se havia outras crianças de famílias fofas nessas aulas, onde reinavam padres e senhoras devotadas, alindando os interiores dos candidatos ao encontro com a Terceira Pessoa da Trindade. O que recordarei enquanto recordar é a incursão de espanto e derrelicto quando Lisboa-a-louca me acometeu, de lados vários, por interposta amostragem da minha geração em Madragoa.

 

Num país católico porque sim, só pais possessos de frenético niilismo ousam desafiar o aparente brinde que a máquina religiosa concede às vielas quando organiza actos desses, colectivos, em que ao filho de ricos é ordenado misturar-se temporariamente aos muitos filhos da mãe. Destarte, a catequese de o Velho, Santos, tornou-se uma mini-Sorbonne Maio 68. Aos meus olhos esparvoados por veludos, o desvairamento das crianças ditas populares foi um disparo de canhão batendo em cheio num museu de porcelanas. Certa Lisboa veio-me assim: um sacerdote, ou uma senhora de antepassados convenientes, debitando Dogmas a um cardume de rapazes loucos por que chegasse a hora em que, findas as aulas a sexos separados, o encontro com as catecúmenas nos corredores do velhíssimo edifício permitisse o desporto, ainda incipiente, do apalpão à tripa forra. Para ganhar balanço nessa direcção surpreendente, os rapazes desmultiplicavam-se em palavrões sussurrados, gestos franceses, e até mesmo em onanismo sorridente, pastoral. Depressa percebi: para me entender com esta, para mim nova, espécie de pessoas, eu carecia da mais sumária iniciação na bronca. Humanismos.

 

Voltando a casa, repensava o visto e o ouvido, esforço aplicado de reter o que ensinasse a navegar águas desconhecidas. Criança sem irmãos nem ir à escola excepto para exames, sentia-me, não a boiar, mas a cair num fundo. A toda a hora e transe eu procurava não esquecer aquelas palavras e modos de as juntar que eram a única moeda convertível em intercâmbio humano no país madragoante. Podia uma de duas: ou refugiar-me atrás de noções pias e, assim escorado, olhar aquela malta inquietante como quem despreza um bando de perdidos; ou recorrer a esforços inventados para tomar o rumo oposto. Tive o instinto do vital. Isto é: havia aquela gente e o seu mundo: pois cabia-me chegar ao ponto de não me acantonar, sonso, mas de alinhar. Certa noite, já deitado, comecei, baixinho, recapitulação de quantas imprecações ouvira nos últimos dias, ensaiando mesmo alguns tiques de pronúncia sem os quais, já percebera, falaria estrangeiradamente, o vexame. Uma criada ouviu o meu murmúrio, veio escutar à porta. Não tardou que arremetesse quarto adentro, numa indignação:

«E eu a pensar que o menino estava a rezar !» Custou-me arrancar-lhe a promessa de nada dizer à minha mãe.

 

Que a maioria destas crianças não tomava a catequese a sério era mais do que evidente. Que iriam quase todas à cerimónia como um molho de pombos bravos dá volta nos ares antes da trovoada rebentar, era fatal. Mas que, apesar dos palpáveis factos e contra eles, o corpo docente insistisse, isso é que me deixava estupefacto. Por maior que fosse o descalabro em matéria de disciplina colectiva e compostura individual, a teima dos treinadores de liturgia e Lei era digna de registo. Padres e senhoras disparavam, contra a impermeabilidade de uma humanidade que desconheciam, sorrisos maleáveis como cobras de água, mas tão ineficazes como as turras duma varejeira na vidraça que a separa do ar livre. Na minha intestinidade caíam, caladinhas, as sementes primeiras duma descoberta que anos mais tarde brotaria em viço verde: o universo onde eu fora parido, amamentado e agasalhado, era de cegos.

 

 

 

Nuno Bragança

in  A Noite e o Riso pp.108-111

Moraes Editores, Lisboa, 1969

 

 

 

 

 

 

 

Capa de António Mendes de Oliveira

 

 

 

 

aqui

 

 

 


31.12.10

 

 

 

 

Ria de Aveiro, “Painel” da proa de um barco moliceiro

 

 

Página de Vida e Arte do Povo Português, planeado por Francisco Lage, Luís Chaves e Paulo Ferreira, executado sob a direcção artística de Paulo Ferreira, com desenhos seus, e fotografias de Mário Novais, na Litografia Nacional, Porto.

Secretariado da Propaganda Nacional, Edição da Secção de Propaganda e Recepção da Comissão Nacional dos Centenários, Lisboa 1940.

 

 

Um Bom 2011.

 


 

 


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29.12.10

 

 

 

 

 

Ilustração de Paulo Ferreira

in Vida e Arte do Povo Português

Secretariado da Propaganda Nacional,

Edição da Secção de Propaganda e Recepção da Comissão Nacional dos Centenários, Lisboa, 1940

 

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28.12.10

 

 

 

 

 

Apagaste-la candeia

Que estava no velador;

Agora vai-te deitar,

Às escuras, meu amor.

 

A candeia, por estar alta,

Não deixa de alumiar;

O amor, por estar longe,

Não deixa de não lembrar. *

 

 

 

 

[...] O archote, o candelabro e a vela, ou brandão, iluminaram, sob as abóbadas dos castelos e solares da Meia-Idade, as cenas familiares, as seroadas e os tumultuosos festins de outrora. Paralelamente, nos míseros casebres dos mesteirais e servos da gleba, se alumiavam estes com grosseiras alâmpadas de ferro ou escudelas de barro embicadas, temperadas de azeite, sebo e combustíveis, obtidos pela fusão de gorduras animais, no interior do país, e de peixe, nas populações da beira-mar. Nalguns pontos mais desconversáveis de cerros nortenhos e em barracas de pescadores da orla marítima, observam-se ambos estes arcaicos processos. A estas lâmpadas, das quais Rocha Peixoto se ocupou**, dá o insigne etnógrafo mui antiga filiação, cotejando-as com exemplares encontrados em escavações e necrópoles de extintas civilizações mediterrâneas. Com o andar do tempo veio a adaptação do gancho e da argola, para suspensão, aos recipientes luminosos. Daqui nasceu a candeia, o mais generalizado de todos os utensílios de iluminação, e o candeeiro de metal, de argola, para poiso ou suspensão. A candeia, a tão simpática candeia, não é mais do que um avatar da velha lucerna romana. Larga e carinhosa referência lhe é feita em muitos passos do pátrio folclore; ela é a companheira, a amiga, a auxiliar do cavador, do pescador, do artífice, do pastor e até do mendigo a quem almas caridosas deram poisada nocturna nalguma arribana ou dependência de moradia pobre. Quem há aí que nunca repousasse a vista na sua luz suave, essa luz que, no dizer da popularíssima adivinha — é do tamanho duma abelha e enche a casa até à telha?

 

 

Cardoso Marta

in Vida e Arte do Povo Português pp.162-163

Secretariado da Propaganda Nacional, Edição da Secção de Propaganda e Recepção da Comissão Nacional dos Centenários, Lisboa, 1940

 

Notas:

* quadras populares

**Illuminação Popular, in rev. "Portugália", fasc I do tomo II, Porto, 1905

 

Imagem: desenho de Paulo Ferreira (1940)

 

 

Artigo "Os Etnógrafos Locais e o Secretariado de Propaganda Nacional (um estudo de caso)" aqui

 

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18.12.10

 

 

 

Capa de Panorama Revista de Arte e Turismo, nº 28 - IV série

Dezembro de 1968


 

 

Editada mensalmente pelo SPN, Secretariado da Propaganda Nacional (em 1945 SNI, Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo) — e terminada com a dissolução deste organismo, à queda do regime do Estado Novo em 1974, sob a superior direcção de António Ferro até 1949 (e tendo como director gráfico Bernardo Marques até então e Júlio Gil depois de uma interrupção em 1950) Panorama foi a primeira revista portuguesa de vocação modernizante. em grande parte consagrada às artes plásticas — embora, pela própria função cultural e propagandística da instituição editora, entre estas fossem especialmente tratadas as de carácter decorativo e de atracção turística, domínios em que a própria revista lançou iniciativas de relevo. Não deixaram por isso os números da sua primeira série, correspondentes à acção de A. Ferro durante a década de 40 (depois, com maior acentuação política, a revista entrou em franca decadência cultural) de prestar atenção à pintura, à escultura, ao desenho e também à arquitectura, sobretudo para encarecer a acção fomentadora do Estado Novo. Esta vinculação política, de carácter oficial, levou Panorama a documentar sectariamente as iniciativas do SPN-SNI, e as suas exposições, com esquecimento de outras — e propositadas ignorâncias das Exposições Gerais de Artes Plásticas ou da Exposição Surrealista de 1949 e da de Azevedo-Lemos-Vespeira de 1952 e outras, depois, de idêntico carácter modernizante contestatário, nas décadas seguintes. Bem paginada e ilustrada, documentalmente, com colaboração de bons desenhadores e excelentes capas (Bernardo Marques, Emmerico, Paulo, Ofélia, Anahory, Lapa), Panorama tinha menor interesse nos textos publicados, de carácter magazinesco, embora com algumas assinaturas de relevo (J. Osório de Oliveira. Reynaldo dos Santos, Reis Santos, Diogo de Macedo, João Couto).

 

 

inCatálogo da exposição Os Anos 40 na Arte Portuguesa

Comissário: Fernando de Azevedo

Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1982

 

 

Imagem:

Grupo do Grande Presépio do Mosteiro da Madre de Deus. Oficina de António Ferreira. Séc XVIII. Museu Nacional de Arte Antiga.

Foto: A. Santos d’Almeida

 

 

imagens da revista Panorama aqui e aqui


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14.12.10

 

"Foi  uma boa batalha política. Ganha. Contra amigos políticos e pessoais, com outros amigos. Esperemos que venha a ser uma guerra ganha. Para já é um começo, um recomeço." (A.P.)

 

 

 

 

Revista Panorama, nº 4 - ano 1- 1941 (detalhe da capa)

desenho de Alberto Cardoso

 

 

 

O Museu de Arte Popular reabriu ontem, com a Exposição "Os Construtores do MAP-Museu em Construção". Parabéns a todos os que por ele se bateram.

 

Leia mais aqui e aqui e também no link "museu de arte popular" na coluna direita deste blog.

 

MAP e Loja do Museu na Av. de Brasília 1400-038 Lisboa



30.11.10

 

 

“Salut les copains” era a revista que as francesas liam no liceu francês. Embora algumas estrêlas da “geração yéyé” tenham alcançado popularidade além fronteiras, e tiveram-na sem dúvida nenhuma em Portugal, a sua projecção foi restrita à excepção do caso de Serge Gainsbourg, cujo “Je t’aime moi non plus” esteve no topo dos “charts” britânicos, conquista lendária celebrada no recente biopic do compositor.

 

Eu era fã de Françoise Hardy, Sylvie Vartan, Adamo, Polnareff, para nomear apenas alguns, mas a música vinda de Inglaterra e da América já exercia uma atracção irresistível. Com a chegada do programa “Em Órbita”, transmitido pelo Rádio Clube Português, a pop francesa desapareceu aos poucos do meu radar, mas não as canções, a moda, os filmes e os livros que vinham de França.

 

 

sobre o programa "Em órbita" leia aqui

 

 

 

 

 

 

L'interjection yéyé est, au départ, la transcription française du yeah, une déformation de «ye», qui ponctue les chansons de rock et de twist américaines. Les paroliers ont préféré « yé » à une traduction plus littérale en ouais. De là , « yéyé » désigna le courant musical.

Le 22 juin 1963, entre 150 000 et 200 000 jeunes se retrouvent place de la Nation à Paris, pour fêter le premier anniversaire du magazine Salut les copains. A l'exception de Johnny Hallyday, aucune idole ne va pouvoir atteindre le podium. Il y a trop de monde et la sécurité n'est pas garantie.

Quelques jours plus tard, dans une chronique publiée dans le journal Le Monde, le sociologue Edgar Morin baptise ces jeunes les yéyé. Par extension yéyé désigne donc aussi un phénomène de mode des années 1960.

 

Les artistes du Yé-yé:

 

* Claude François * César et les Romains * Christophe * Dalida * Françoise Hardy * France Gall * Sheila * Sylvie Vartan * Chantal Goya * Frank Alamo * Eddy Mitchell * Johnny Hallyday *Jacques Dutronc * Michel Polnareff * Liz Brady * Cosette * Dani * Gillian Hills * Jacqueline Taïeb * Jocelyne * Michèle Richard * Pierre Lalonde * Ronnie Bird * Les Surfs * Richard Anthony * Serge Gainsbourg.

 

Leia a história da revista "Salut les copains" aqui

 


26.11.10

 

 

 

 

Revista ELLE, 5 Outubro 1967

 

 

 

Devo muito aos jornais e às revistas e a "Elle" francesa é de longe a publicação que me acompanha há mais tempo, e com maior regularidade. Leio-a desde o início dos anos 60, desde que fui morar para o Saldanha, onde o correio a entregava pontualmente todas as semanas, oferta de Pierre e Helène Lazareff ao meu avô.

A "Elle" continua igual ao que era há 50 anos, o que parece um milagre mas é verdade. Apenas desapareceram das suas páginas Marcelle Ségal e Francesco Waldner, infelizmente. Em tudo o mais, a edição francesa, que continua a ser semanal, manteve intacta a qualidade da sua redacção, dos seus colaboradores, do seu design gráfico e do seu conjunto de rubricas. É simplesmente perfeita. Espero que nunca mude.

 

Leia a história da "Elle" aqui

 

Sobre Marcelle Ségal e o seu "Courrier du Coeur" leia aqui

 


2.8.10

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

© 1959 by Golden Press, Inc.

Designed and produced by Artists and Writers Press, Inc., New York

and from the Basic Science Education Series (Unitext),

published by Row, Peterson and Company, Evanston, Illinois.

 

 

 


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24.7.10

 

 

Golden Books



1951: Doctor Dan, The Bandage Man is released with Johnson & Johnson® Band-Aids glued to the right side of the title page. This marked one of the first ventures into book and product joint packaging. First printing is 1.75 million--the largest first printing of any Little Golden Book to date.

 

1952: Little Golden Books' 10th anniversary. To this date, almost 183 million Little Golden Books have been sold, with The Night Before Christmas alone selling over 4 million copies.

 

1953: To date, almost 300 million Little Golden Books have been sold!

 

1954: Little Golden Books are now available throughout most of the world, except the Soviet Union, where at the time they were considered too capitalistic.

 

May 1, 1954: Release of Little Lulu and Her Magic Tricks, with a 2.25 million first printing. The book has a small package of Kleenex® tissues attached to its front cover and directions for how to make toys from the tissues. An extensive advertising and promotional campaign for this title leads to the book's appearance on the "Arthur Godfrey Show" the month it is released.

 

Mid-1950s: Top-selling Little Golden Books center around children's TV shows and westerns (The Roy Rogers Show, Howdy Doody, The Lone Ranger, Captain Kangaroo, etc.).

 

Early 1960s: A large number of new Little Golden Books focus on popular Saturday morning TV shows such as Huckleberry Hound, The Bullwinkle Show, Yogi Bear, The Flintstones, and Bozo the Clown.

 

 


17.12.09

 

 

 

à sexta-feira na RTP 2

 

 

 

While the show, like its subject, has many surface pleasures — period design, period bad behavior (if you like high modernism, narrow lapels, bullet bras, smoking, heavy drinking at lunch, good hotel sex, and bad office sex, this is the series for you) — at its core Mad Men is a moving and sometimes profound meditation on the deceptive allure of surface, and on the deeper mysteries of identity. The dialogue is almost invariably witty, but the silences, of which there are many, speak loudest: Mad Men is a series in which an episode’s most memorable scene can be a single shot of a woman at the end of her day, rubbing the sore shoulder where a bra strap has been digging in.

 


 

Leia o artigo da "Vanity Fair" aqui e um texto sobre o genérico de Mad Men aqui

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10.6.09

 

est essentiellement poétique. Comment en serait-il autrement, dans un pays dont la poésie est la plus marquante expression de sa vie spirituelle? La langue portugaise elle-même, depuis ses origines, a épousé, suivant une syntaxe souple et une phonétique richement nuancée, le rythme et la cadence du vers — la forme qui exprime, mieux que toute autre, les subtilités de l'âme. La poésie au Portugal est, à son tour, profondément lyrique. Il est vrai que Camoens, son plus haut poète, resplendit toujours et surtout comme un des plus grands épiques de l'Humanité, car on le considère à travers le poème qui l'a immortalisé: «Les Lusiades». Mais les connaisseurs savent trop bien qu'il occupe dans l’histoire littéraire du Portugal le sommet jamais atteint de la poésie lyrique. Et tous les Portugais, qui gardent sa renommée aussi jalousement que si c'était la leur propre, ne s'enivrent pas moins de ses chansons, de ses sonnets ou de ses vilancetes, que des puissants accents épiques de son poème tant célébré. L'art populaire portugais reflète donc, en tout, ce caractère lyrique. De même que la poétique populaire se complait généralement à créer — le plus souvent par improvisation—des quatrains qui sont de véritables petits poèmes lyriques, de même l'art populaire joue des formes et des couleurs, suivant les lois d'une même simplicité spontanée. C'est ce qui le rend sensible et émouvant. C'est ce qui le rend, surtout, spirituel. Car on dirait bien que c'est également pour chanter ce que le coeur leur dicte que tous ces artisans ignorés moulent la terre glaise, pour en extraire le galbe élégant des poteries; qu’ils couvrent d’ornements précieux les objets votifs ou simplement d’usage domestique; qu’ils tressent et enchevêtrent des dessins de merveille avec des fibres de sparte ou des brins d’osier; qu’ils dessinent avec du fil et de la soie, leurs dentelles et leurs broderies; qu’ils construisent, avec des filaments d’or et d’argent, les filigranes en arabesques; qu’ils dressent des arcs verdoyants aux jours de pèlerinage ou de pardon; ou que,finalement, ils prennent les pinceaux pour exprimer leurs caprices de coloristes. En chacun de ces ouvrages, en y regardant bien, vous trouverez toujours les traces de l’attachement affectif de l’artisan au terroir ou à la personne aimée. Dans la plupart de ces travaux, le mot AMOR apparaît fréquemment. En suivant la ligne gracieuse de leurs guirlandes, les quatre lettres expressives surgissent, inattendues—quand ce n'est pas un nom de femme: — Maria — ou celui du bien-aimé: — Manuel. Ou bien, une phrase discrète, une date qui rappelle un souvenir heureux, ou, tout simplement, un coeur stylisé — l’offrande suprême! Et aujourd'hui comme hier, ces motifs se répètent, immuables, tels que les vers d'un quatrain chanté jadis et que l’on entend toujours, car il est une expression heureuse du sentiment lyrique de chacun. De même, par le truchement de ces minuscules poèmes plastiques innombrables, sont dites et redites, de génération en génération, les lois obscures du langage des formes artistiques du peuple portugais.

 

António Ferro

in Quelques Images de l' Art Populaire Portugais

S.P.N. 1937

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa de Paulo Ferreira (1937)

 

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7.6.09

 

 

Desenho de Paulo Ferreira (1937)

 

 

fechado em Belém mas aberto aqui

 

Imagem:  da obra Quelques Images de l'Art Populaire Portugais, design gráfico e ilustrações de Paulo Ferreira

S.P.N. 1937

 




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