6.3.13

 

 

 

Desk Murder 

Oil on canvas, 76.2 x 122 cm, c.1970–1984

 

 

R.B. Kitaj  (1932-2007)

 

em Londres até 16 de Junho de 2013  aqui

 

Leia aqui

 

 

 

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3.1.13

 

 

 

 

 

© Roz Chast / The New Yorker 2012

 

 

 

 


29.12.12

 

 

 

 

 

 

Partindo de Lisboa no sábado de manhã, haverá tempo suficiente (dormindo em SETÚBAL), para apreciar lindíssimos trechos marítimos (do OUTÃO, da ARRÁBIDA e de SESIMBRA), o maravilhoso panorama do Castelo de PALMELA, palácios, quintas, monumentos e, no percurso, os mais pitorescos aspectos da risonha paisagem estremenha.

 

Desenho de Bernardo Marques?

Revista Panorama, nº 11, Ano 2, 1942



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27.12.12

 

 

 

Contracapa de Revista Panorama, 1960



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23.12.12

 

 

 

 

 

 

1865-1965

Emissão Comemorativa do 1.° Centenário da Cruz Vermelha Portuguesa

 

 


Coloca-se Portugal entre os primeiros países a abraçar o ideal humanitário da Cruz Vermelha, visto como, dois anos após a fundação do 1.° Comité da Cruz Vermelha internacional, em 1863, em Genebra, o nosso país aderia à ideia do grande benemérito que foi Henri Dunant, pela dedicação exaustiva do seu 1.° Secretário-Geral e verdadeiro fundador da Cruz Vermelha Portuguesa o Dr. José António Marques. Assim se fundava em 11 de Fevereiro de 1865 a 1ª Comissão Executiva da Cruz Vermelha Portuguesa sob a designação, que primeiramente teve, de Comissão Portuguesa de socorros a feridos e doentes militares em tempo de guerra.

 

Mais tarde, com o alargamento do seu âmbito de acção, além das guerras e conflitos armados, as emergências, catástrofes, cataclismos, assistência sanitária e médico-social em tempo de paz, passou a designar-se pelo nome de Sociedade Portuguesa da Cruz Vermelha, participando, após a Grande Guerra, da Liga das Sociedades da Cruz Vermelha.

 

Durante um século de existência a Cruz Vermelha Portuguesa esteve sempre fiel aos seus elevados princípios de desinteressada ajuda humanitária, sem preconceitos políticos e religiosos, tanto no campo nacional como no internacional, sempre presente em todas as convulsões políticas, em todas as vicissitudes por que o país, o mundo, têm passado.

 

Passa neste ano de 1965 o 1.° Centenário da Cruz Vermelha Portuguesa, tendo Portugal anteriormente aderido ao último enunciado das Convenções de Genebra de 1949, que já foram ratificadas.

 

A Cruz Vermelha Portuguesa, com a personalidade jurídica que o Governo da Nação lhe confere, com os seus vários departamentos e voluntariado, com as numerosos Delegações da Metrópole como do Ultramar, sempre a postos e pronta a todos os sacrifícios para bem da humanidade, encara com orgulho o trabalho executado ao longo desta caminhada de um século e com a certeza da sua acção no futuro.

 

Como era de esperar e merecidamente, tem sido destacadas as homenagens e manifestações de apreço por parte de toda a Nação neste ano em que celebra o Centenário e a essas comemorações não poderia faltar a emissão do selo comemorativo.

 

 

 

Leonardo de Sousa Castro Freire

 

Presidente Nacional da Cruz Vermelha Portuguesa

 

 

Os selos (design de Manuel Rodrigues) estão aqui reproduzidos na escala de 1,5:1 nas suas cores reais.

 

 

 

 

 

 

 

 

Cruz Vermelha Portuguesa aqui

 

 

Museu dos CTT aqui

 

 


24.8.12

 

 

 

desenho de Paulo Ferreira



[...] No traje português actual reconhecem-se caracteres primitivos em que a influência geográfica dominou, e verificam-se também, dentro de certos limites e com justificada interpretação, variedades e diferenciações em estádios sucessivos ou meras sobreposições. O homem do mar, sempre com a mesma faina e sempre nas ondas, exige o traje que lhe não tolha os movimentos, a um tempo leve e agasalhador, e facilmente substituído. O mesmo princípio se aplica a todas as mulheres, que trabalham no mar, na praia e nas lides relacionadas com o mar.  O pastor, na planície alentejana ou por vales e lameiras, pastagens das serras, tanto nas verandas — as "brandas" — como nas inverneiras, do Centro e Norte de Portugal, tem vestuário protector das intempéries e dos acidentes do solo. As partes, que o constituem, obedecem a especial adaptação, e têm por matéria prima fundamental a pele e a lã dos rebanhos.  Na planície do Ribatejo, estendida a um e outro lado do Tejo, larga, uniforme, colorida, o campino a cavalo percorre as lezírias e os salgados, persegue ou atrai o gado bravio em correrias repetidas; é o que Fialho de Almeida chamou "emanação da paisagem" (1). O traje apropria-se ao movimento, violento e livre, do cavaleiro ágil nos gestos e nas atitudes. É leve, articulado, solto: jaqueta curta, colete, faixa à cinta, calção e meia com sapato de espora, carapuça na cabeça; ordinariamente em mangas de camisa, equilibra no ombro a jaqueta. Se o traje deste centauro é simbólico, por certo não o é menos o "pampilho", que, empunhado na carreira, lhe marca sinal heráldico de cavaleiro armado nas regras da cavalaria. A cor, onde os olhos poisam e vai embelezar-se de sensações excitantes a alma do habitante de uma região, reflecte no traje o carácter dominante da sua psicologia. As lãs dos picotes, riscadilhos, xergas ou burelas, buréis, estamenhas, saragoças, churras ou tingidas, dão tons de monótona grandeza aos trajes serranos. Quando misturam fios de lã, e os tingem para atavio do traje ou da casa, fazem-no em combinações vibrantes de cor. À medida que se desce para a planície, a cor alegra os trajes, que manifestam a pouco e pouco a subida para a policromia rica. Assim, as mulheres policromizam e complicam o vestuário, quanto mais se aproximam das baixas e sobretudo mais se achegam do mar. Aí as matizações são perfeitas, vivas no colorido e movimentadas no jogo dos tons. A mulher da zona litoral é a mais colorida e a de maior composição indumentária. E de entre todas a mais rica é a do recanto de Noroeste, na região de Viana-do-Castelo. Esta gradação do traje, das alturas para as baixas, e do interior para a orla marítima, condiz com as outras manifestações espirituais e utilitárias do homem na mesma direcção.[...]

 

Luís Chaves

in Vida e Arte do Povo Português p. 8

Secretariado da Propaganda Nacional, Edição da Secção de Propaganda e Recepção da Comissão Nacional dos Centenários, Lisboa, 1940


 

 

 

 

Nota:  Fialho de Almeida, O Paiz das Uvas, 3ª ed. Lisboa, 1915, pág. 37




Veja também aqui e aqui

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27.7.12

 

 

 

 

 

desenho de Roz Chast

 


 


 

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27.5.12

 

 

 
Pablo Picasso
1er Carnet #VIII (8.7.1959)

 

[...] El contacto con el toro bravo es lo que nos hace toreros. Quizá sea el contacto con su soledad en el campo, lo que hace que el hombre se vaya consolidando en su carácter. Y en este caso, al referirme al hombre, he de hacer alusión directa de mí, ya que, al pedirme estas cuartillas, quisieron hacerme protagonista del relato. Supe también en el campo y en este contacto con lo que el público llama la fiera, lo que debía rehuir para no convertirme en lo que Antonio Machado llamaba: « España de charanga y pandereta, cercado y sacristía, devota de Frascuelo y de María, de espíritu burlón y de alma quieta». Supe desde el primer momento que buscaría algo más, que encontraría otras inquietudes en mi vida. No admito la carnavalada más que en las máscaras de Goya o de Solana. Estoy más cerca de la pintura negra Goyesca, que de la fiesta en la Pradera de San Isidro. En él campo castellano fui puesto en contacto con esa España más profunda, que es la España del campo en donde no cabe el oropel, porque las vestiduras son de cuero, en donde no sirven las panderetas, porque su tamborileo sería borrado por la profundidad de su horizonte. Conocí a la par a los hombres que a nadie engañan, porque nacieron ayunos de aspiraciones por una tradición de inexplicable resignación, porque nadie les ha querido despertar sus conciencias. Y conocí a la par al toro, alejado del albero de la plaza, en donde assume el papel de antagonista en este festejo, en el que el papel de protagonista, de héroe legendario, se le ha atribuido al torero. Y estoy conforme — ¿por qué no? — en el reparto que en la Gran Comedia Humana, me ha tocado en suerte o en desgracia representar.

En un herradero, en una tienta, en cualquiera de esas faenas que hay que realizar antes de que el toro se encuentre en condiciones de ser lidiado, puede estar el secreto de la trascen­dencia con que tratamos de revestir a este espectáculo de multitudes, espectáculo capaz de despertar pasiones insospechadas. Si no le diésemos, si no revistiésemos a la corrida de la precisa trascendencia, no resultaría serio — ya lo he dicho en otras ocasiones — que un hombre con unas medias rosas, luche con un toro en medio de una plaza, y todo esto en plena Era atómica; a primera vista no parece serio.

Pero algo más que la simple pandereta, hay en las entrañas de esta fiesta. Algo más existe, efectivamente, si sus protagonistas tienen algo más que lo superficial. Sin embargo, no puede evitarse que como frivolidad sea tomado a veces, un espectáculo que es la lucha a muerte entre toro y torero. Pues sí, es un juego, casi una frivolidad, para el pueblo más familiarizado con la muerte que haya existido jamás: España. 

 

 

Luis Miguel Dominguín

in Picasso, Toros y Toreros

© 1980 Alpine Fine Art Collection, Ltd, 

New York, New York

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25.12.11

 

 

 

 

cartão de Boas Festas

de uma série, pintado por Vasco Luís Futscher Pereira (1922-1984)

 

Edição Papelaria Progresso, Lisboa, 1965

 

 

 

Mais sobre a Papelaria Progresso aqui e aqui

 

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11.9.11

  

Depuis des temps immémoriaux, l’homme distingue peur et angoisse: «En présence de ce qui est hostile on a peur, en présence des ténèbres on éprouve l’angoisse» (Hermann Broch). La peur est distincte, définie, provoquée par une chose précise, elle blesse un intérêt non moins précis : je crains la foudre, un microbe, une taloche, le grand méchant loup. Et je crains pour... ma vie, mon portefeuille, ma réputation. L’angoisse, en revanche, touche à tout. Elle taraude mon rapport au monde en général. Elle fait vaciller projets et repères. Elle trouble l’image des autres et de moi-même. Experts, politiques et psychologues ont beau s’évertuer à combattre les craintes croissantes par des précautions multiples et souvent vaines, ils peinent à contenir une impalpable angoisse. Quel démenti apporter au sentiment diffus de n'être plus sûr de rien ? Quelle garantie faire valoir à une humanité qui se découvre, se redécouvre soudain sans garantie? Même si les criminels ou leurs complices sont arrêtés et leurs réseaux éradiqués, ils suscitent des concurrents, des adeptes et des admirateurs, pas seulement des indignés. Une page est tournée. Nous vivrons et nos enfants survivront dans une histoire où l’explosion des tours redessine la carte de géographie et trace l'horizon indépassable d’un crépuscule terroriste de l’humanité. Le 11 septembre 2001 aura toujours lieu. C'est à l’échelle de son horreur médiatique et planétaire qu'il faut apprendre à mesurer nos émotions et nos décisions.

 

 

André Glucksmann

in Dostoïevski à Manhattan  p. 15-16

© Éditions Robert Laffont,S.A., Paris 2002

 

 

 

O artigo de André Glucksmann "Ben Laden est mort, mais la haine survit", publicado esta semana no Le Monde, aqui 

 

 

Outro excerto do livro, neste blog, aqui 

 

 

 


  In Remembrance of 9/11

Elizabeth Blackwell Elementary aqui

 

 

 

 

 

 


29.7.11

 

 

 

             

 

postais, anos 60


  

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23.7.11

 

 

 

 

 

Desenho de Eduardo Anahory (1917-1985)
Revista Panorama, Anos 50

 

 

 

  

Eduardo Anahory, arquitecto, pintor, ilustrador, artista gráfico e decorador, inicia a sua actividade como artista gráfico em 1936 com a concepção, encomenda da Junta Nacional de Educação, do ex-libris comemorativo dos 10 anos da “revolução nacional”, da capa do Guia Oficial da Exposição do Mundo Português, e mantém uma assídua colaboração na revista Panorama. Participa, também, noutras iniciativas do S.P.N./S.N.I., como a I Exposição de Montras (Lisboa, 1940), as Exposições de Arte Moderna (1945 e 1946), os pavilhões da “Secção da Vida Popular” na Exposição do Mundo Português (1940) e o I Salão Nacional de Artes Decorativas (1949).

 

 

 

Veja também também aqui e aqui 

 

 

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20.7.11

 

 

 

 

 

cartaz do SNI

outros aqui

 

 

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13.5.11

 

 


 

"Voz de Portugal", Nº 2.467

Rio de Janeiro, 24 de Setembro de 1976

 

 

VOZ de PORTUGALO recente discurso feito à Nação através da televisão pelo Primeiro-Ministro Mário Soares, causou em Portugal — como aliás também no Brasil, em todos quantos o leram — um forte impacto, pela franqueza e coragem com que nele se abordava a crise em que o país se debate. Mas o diagnóstico que o Primeiro-Ministro fez da situação econômica portuguesa é tão grave, que pode pôr-se em dúvida se ele não terá gerado mais pessimismo do que a confiança no futuro, que é indispensável que Portugal readquira. Que pensa V. Excelência disto?

 

 

 

VASCO FUTSCHER — Em minha opinião, era preciso dizer ao país serenamente, mas sem meias verdades, tudo aquilo, exatamente, que o Primeiro-Ministro lhe disse. E que se a crise da economia portuguesa nunca deixou de ser focada em diferentes tons, e num ou noutro sentido, por todas as forças políticas, desde há um ano para cá, a verdade — ainda que aparentemente paradoxal — é que a larga maioria do povo português ainda não sentiu, diretamente, os efeitos negativos. Graças às grandes reservas de ouro acumuladas pelo regime anterior ao 25 de abril, foi até agora possível conseguir internacionalmente todos os empréstimos externos que solicitamos e evitar assim medidas restritivas ou quaisquer dificuldades de abastecimento público. Certo que temos vivido com uma alta taxa de inflação, e que a vida está hoje muito mais cara do que há cerca de dois anos. Mas os grandes aumentos salariais concedidos nestes dois anos — muitos inteiramente justificados, mas muitos outros, também, completamente irrealistas — por tal modo melhoraram o poder aquisitivo do povo, que pode dizer-se que este nunca, desde há muito, auferira um nível de vida tão alto como aquele de que beneficiou desde 25 de abril de 74.

 

Tudo estaria certo se a produção não tivesse sido afetada e tivesse aumentado, porque então teríamos apenas procedido a uma mais justa distribuição da renda nacional. Mas não foi isso o que se deu: não tem sido o produto do trabalho do país que tem sustentado o enorme acréscimo das despesas nacionais. Estas apenas têm podido ser cobertas através da progressiva descapitalização do Estado, a que é agora imperioso e inadiável por cobro.

 

A esta luz, julgo que a alocução do Dr. Mário Soares terá tido sobretudo em vista preparar psicologicamente a nação para as medidas que, com caráter urgente, o governo terá de adotar para sobrevivermos. Como o próprio Dr. Mário Soares frisou, mais importante para qualquer país do que o ouro em cofre, é o trabalho e a sua capacidade de produção. O que hoje é inadiável para recuperar a economia, e recriar uma atmosfera de ordem e disciplina, absolutamente incompatível com greves selvagens, com ocupações ilegais, com o absentismo que hoje se verifica em largos setores da vida económica, com manipulações partidárias disfarçadas de movimentos de "justa luta pelos direitos dos trabalhadores", com reivindicações salariais completamente irrealistas e, enfim, com a política de avales até agora prosseguida pelo Estado e que, como era previsível, em vez de estimular a produtividade, encorajou sobretudo o absentismo e o parasitismo, por os trabalhadores saberem as empresas protegidas contra o risco de falência.

 

A curto prazo, julgo que será impossível restaurar a nossa vida económica e restabelecer os índices de produção industrial e agrícola que havíamos atingido antes de abril de 74. Mas a condição de base para isso se tornar possível é a restauração de um clima de ordem e disciplina nacionais, e creio que é essa tarefa que o governo se consagrará prioritariamente, não numa perspectiva partidária, mas — como o próprio Dr. Mário Soares o disse claramente — numa perspectiva nacional.

 

 


26.1.11

 

 


 

 

 

 

Ousados, independentes, caóticos, os cultores do surrealismo (do que está para além do real) marcaram a arte, a literatura, a filosofia, os comportamentos do seu século. Em meia dúzia de anos perturbaram a vida portuguesa, convocando-a para a modernidade. Foram o grupo intelectual mais libertário e incómodo da nossa cultura.

A sua formação surge em 1947, entre jovens artistas e intelectuais que frequentavam o Café Gelo, no Rossio, duas décadas depois do movimento se ter afirmado em França.

Antes, noutro café (o Herminius), outros jovens (estudantes da Escola António Arroio) haviam avançado com propostas anunciadoras da nova corrente. Cesariny, Cruzeiro Seixas, Pedro Oom, Vespeira, Moniz Pereira e Pomar, a que se juntam António Pedro, Paolo, Júlio, Costa Pinto, Alexandre O'Neill, José Augusto França, Risques Pereira, Mário Henrique Leiria, António Maria Lisboa, Carlos Eurico da Costa, António Dacosta, Areal, Escada, Vespeira, Natália Correia, fazem-se-lhes referências.

Hostilizados pelos salazaristas e comunistas, mal vistos pelos católicos e burgueses, marginalizados pelos jornais e universidades, acabam, três anos depois, por separar-se.

António Maria Lisboa morre, Cesariny vai para Londres, Cruzeiro Seixas para África, Henrique Leiria para a América Latina.

 

 

 

Fernando Dacosta

in  Nascido no Estado Novo

Editorial Notícias, 2001 / reeedição Casa das Letras, 2008  aqui

© Fernando Dacosta

 

Imagem: desenho de António Pedro, 1948

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29.12.10

 

 

 

 

 

Ilustração de Paulo Ferreira

in Vida e Arte do Povo Português

Secretariado da Propaganda Nacional,

Edição da Secção de Propaganda e Recepção da Comissão Nacional dos Centenários, Lisboa, 1940

 

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28.12.10

 

 

 

 

 

Apagaste-la candeia

Que estava no velador;

Agora vai-te deitar,

Às escuras, meu amor.

 

A candeia, por estar alta,

Não deixa de alumiar;

O amor, por estar longe,

Não deixa de não lembrar. *

 

 

 

 

[...] O archote, o candelabro e a vela, ou brandão, iluminaram, sob as abóbadas dos castelos e solares da Meia-Idade, as cenas familiares, as seroadas e os tumultuosos festins de outrora. Paralelamente, nos míseros casebres dos mesteirais e servos da gleba, se alumiavam estes com grosseiras alâmpadas de ferro ou escudelas de barro embicadas, temperadas de azeite, sebo e combustíveis, obtidos pela fusão de gorduras animais, no interior do país, e de peixe, nas populações da beira-mar. Nalguns pontos mais desconversáveis de cerros nortenhos e em barracas de pescadores da orla marítima, observam-se ambos estes arcaicos processos. A estas lâmpadas, das quais Rocha Peixoto se ocupou**, dá o insigne etnógrafo mui antiga filiação, cotejando-as com exemplares encontrados em escavações e necrópoles de extintas civilizações mediterrâneas. Com o andar do tempo veio a adaptação do gancho e da argola, para suspensão, aos recipientes luminosos. Daqui nasceu a candeia, o mais generalizado de todos os utensílios de iluminação, e o candeeiro de metal, de argola, para poiso ou suspensão. A candeia, a tão simpática candeia, não é mais do que um avatar da velha lucerna romana. Larga e carinhosa referência lhe é feita em muitos passos do pátrio folclore; ela é a companheira, a amiga, a auxiliar do cavador, do pescador, do artífice, do pastor e até do mendigo a quem almas caridosas deram poisada nocturna nalguma arribana ou dependência de moradia pobre. Quem há aí que nunca repousasse a vista na sua luz suave, essa luz que, no dizer da popularíssima adivinha — é do tamanho duma abelha e enche a casa até à telha?

 

 

Cardoso Marta

in Vida e Arte do Povo Português pp.162-163

Secretariado da Propaganda Nacional, Edição da Secção de Propaganda e Recepção da Comissão Nacional dos Centenários, Lisboa, 1940

 

Notas:

* quadras populares

**Illuminação Popular, in rev. "Portugália", fasc I do tomo II, Porto, 1905

 

Imagem: desenho de Paulo Ferreira (1940)

 

 

Artigo "Os Etnógrafos Locais e o Secretariado de Propaganda Nacional (um estudo de caso)" aqui

 

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19.12.10

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

— «Linda pastorinha, que fazeis aqui ?»

— «Procuro o meu gado que por aí perdi.»

— «Tão gentil senhora a guardar o gado!»

— «Senhor, já nascemos para esse fado.»

— «Por estas montanhas em tão grande p'rigo!»

Diga-me, ó menina, se quer vir comigo.»

— «Um senhor tão guapo dar tão mau conselho (1)

Querer que se perca o gado alheio!»

— «Não tenha esse medo que o gado se perca (2)

Por aqui passarmos uma hora de sesta.»

— «Tal razão como essa não na ouvirei (3):

Já dirão meus amos que de mais tardei,»

— «Diga-lhe, menina, que se demorou

Co'esta nuvem de água que tudo molhou.»

— «Falarei verdade, que mentir não sei:

À volta do gado eu me descuidei.»

— «Pastorinha, escute, que oiço balar gado...»

— «Serão as ovelhas que me têm faltado.»

— «Eu lhas vou buscar já muito depressa,

Mas que me espedace por essa charneca.»

— «Ai como vai grave de meias de seda!

Olhe não as rompa por essa resteva (4).»

— «Meias e sapatos (5), tudo romperei (6)

Só por lhe dar gosto, minha alma, meu bem.»

— «Ei-lo aqui vem; é todo o meu gado.»

— «Meu destino foi ser vosso criado.»

— «Senhor, vá-se embora, não me dê mais pena,

— «Que há-de vir meu amo trazer-me a merenda.»

— «Se vier seu amo, venha muito embora;

Diremos, menina, que cheguei agora.»

— «Senhor, vá-se, vá-se, não me dê tormento:

Já não quero vê-lo nem por pensamento.»

— «Pois adeus, ingrata da Linda-a-Pastora!

Fica-te, eu me vou pela serra fora (7).»

— «Venha cá, Senhor, torne atrás correndo...

Que o amor é cego, já me está rendendo.»

Sentaram-se à sombra... tudo estava ardendo... (8)

Quando elas não querem, então 'stão querendo.

 

 

variantes:

(1) Não deve ser nobre quem dá tal conselho — Minho e Beira Baixa.

(2) Eu não digo isso, que o gado se perca,

Mas que descansemos uma hora de sesta.—Beira Alta e Estremadura.

(3) Que dirão meus amos em que me ocupei.—Beira Alta.

(4) Por essas estevas—Alentejo.

(5) Meias e vestido—Ribatejo.

(6) Romperem — Coimbra.

(7) Vai guardar teu gado pela serra fora.— Beira Alta.

(8) Senta-te a esta sombra que está o mundo ardendo.

— «Eu bem não queria, mas estou querendo.»

— «Cala-te, pastora, não digas mais nada,

que a aposta que eu fiz já está ganhada.»

— «Senhor, vou sentar-me não por má tenção.

Pois sabe a verdade, que sou teu irmão.—Beira Alta.

«Sente-se a esta sombra, passemos a sesta,

Já pouco me importa que o gado se perca.»

Ó gente da casa, acudi ao gado,

Que foge a pastora c'o seu namorado.—Minho.

 

 

 

[...] O lugarejo é bem conhecido de nome e fama, chama-se Linda-a-Pastora. Porquê? Não sei. Têm-me jurado antiquários de «meia tigela» que o seu nome verdadeiro é Niña a Pastora. Mas enquanto não achar algum de «tigela inteira» que me saiba dar a razão por que se havia de chamar assim, meio em português meio em castelhano, um aldeote de ao pé de Lisboa — hei-de chamar-lhe eu, como os seus habitantes, e toda a gente diz: Linda-a-Pastora.

Namorei-me do sítio por modo que ali passei o verão todo; e dali fiz deliciosas excursões pelas vizinhanças, que todas são bonitas. Foi neste próprio e apropriado sítio que a Sr.ª Francisca, lavadeira bem conhecida do lugar, me deu a última e, ao parecer, mais correcta lição que do presente romance tinha obtido. Em outras partes do reino traz ele o título de Pastorinha; aqui era justo e natural que se lhe desse o de Linda-a-Pastora, que assentei conservar-lhe.

Na forma é um romance em endeixas, mas o fundo é de uma verdadeira pastorela do género provençal; nem a fariam mais graciosa Giraud Riquier ou Giraud de Borneill.

Tem muitas variantes, porque todo o reino a sabe e canta. Eu noto somente as principais.

 

 

Almeida Garret

in Romanceiro (III)

Edição revista e prefaciada por Fernando de Castro Pires de Lima

Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho/Gabinete de Etnografia, 1963

Leia um excerto do prefácio aqui



 

Imagem:

Desenho de Paulo Ferreira (detalhe)

in Quelques Images de l' Art Populaire Portugais aqui

S.P.N. 1937


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18.12.10

 

 

 

Capa de Panorama Revista de Arte e Turismo, nº 28 - IV série

Dezembro de 1968


 

 

Editada mensalmente pelo SPN, Secretariado da Propaganda Nacional (em 1945 SNI, Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo) — e terminada com a dissolução deste organismo, à queda do regime do Estado Novo em 1974, sob a superior direcção de António Ferro até 1949 (e tendo como director gráfico Bernardo Marques até então e Júlio Gil depois de uma interrupção em 1950) Panorama foi a primeira revista portuguesa de vocação modernizante. em grande parte consagrada às artes plásticas — embora, pela própria função cultural e propagandística da instituição editora, entre estas fossem especialmente tratadas as de carácter decorativo e de atracção turística, domínios em que a própria revista lançou iniciativas de relevo. Não deixaram por isso os números da sua primeira série, correspondentes à acção de A. Ferro durante a década de 40 (depois, com maior acentuação política, a revista entrou em franca decadência cultural) de prestar atenção à pintura, à escultura, ao desenho e também à arquitectura, sobretudo para encarecer a acção fomentadora do Estado Novo. Esta vinculação política, de carácter oficial, levou Panorama a documentar sectariamente as iniciativas do SPN-SNI, e as suas exposições, com esquecimento de outras — e propositadas ignorâncias das Exposições Gerais de Artes Plásticas ou da Exposição Surrealista de 1949 e da de Azevedo-Lemos-Vespeira de 1952 e outras, depois, de idêntico carácter modernizante contestatário, nas décadas seguintes. Bem paginada e ilustrada, documentalmente, com colaboração de bons desenhadores e excelentes capas (Bernardo Marques, Emmerico, Paulo, Ofélia, Anahory, Lapa), Panorama tinha menor interesse nos textos publicados, de carácter magazinesco, embora com algumas assinaturas de relevo (J. Osório de Oliveira. Reynaldo dos Santos, Reis Santos, Diogo de Macedo, João Couto).

 

 

inCatálogo da exposição Os Anos 40 na Arte Portuguesa

Comissário: Fernando de Azevedo

Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1982

 

 

Imagem:

Grupo do Grande Presépio do Mosteiro da Madre de Deus. Oficina de António Ferreira. Séc XVIII. Museu Nacional de Arte Antiga.

Foto: A. Santos d’Almeida

 

 

imagens da revista Panorama aqui e aqui


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14.12.10

 

"Foi  uma boa batalha política. Ganha. Contra amigos políticos e pessoais, com outros amigos. Esperemos que venha a ser uma guerra ganha. Para já é um começo, um recomeço." (A.P.)

 

 

 

 

Revista Panorama, nº 4 - ano 1- 1941 (detalhe da capa)

desenho de Alberto Cardoso

 

 

 

O Museu de Arte Popular reabriu ontem, com a Exposição "Os Construtores do MAP-Museu em Construção". Parabéns a todos os que por ele se bateram.

 

Leia mais aqui e aqui e também no link "museu de arte popular" na coluna direita deste blog.

 

MAP e Loja do Museu na Av. de Brasília 1400-038 Lisboa



3.12.10

 

 

 

 

 

Mais, Francoise, je ne comprends pas ce qui t'empeche de vivre 'intensément' avenue Foch.

 

 

 

Kiraz aqui

 

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14.11.10

 

 

 

 

Desenho

de Américo da Silva Amarelhe (1892-1946)

(aqui)

 

 

Despedida de Guilherme Pereira de Carvalho do cargo de administrador da revista “De Teatro”, para assumir funções no SPN. Entre os convivas, fixados pelo lápis de Amarelhe, estão Lino Ferreira, António Ferro, Alexandre de Azevedo, José Paulo da Câmara, Silva Tavares, Feliciano Santos, Artur Portela, José Galhardo, Pedro Bordalo Pinheiro, Norberto de Araújo, Pinheiro Correia, Álvaro Lima, Nogueira de Brito, João Bastos, Mário Duarte, Albino Abranches, Lopo Lauer, Álvaro Raio de Carvalho, Leitão de Barros, Álvaro de Andrade, etc. Ao centro alto, Guilherme Pereira de Carvalho e, ao centro baixo, Amarelhe.

 

 

Visite o Centro de Estudos de Teatro aqui

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13.11.10

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Revista de Teatro e Música”, ou simplesmente "de Teatro", foi uma revista portuguesa editada em Lisboa em 1922, por Mario Duarte e Guilherme Pereira de Carvalho Junior.

 

*

 

 

Publicado ininterruptamente entre Setembro de 1922 e Agosto de 1927, sempre sob a direcção de Mário Duarte, este periódico mensal dedicado a todos os que de uma forma ou de outra se interessavam por teatro, destacou-se pela sua longevidade e por um conjunto de características que o individualizaram. Entre elas contam-se as seguintes: publicou peças de autores portugueses (excertos de peças inéditas, ou peças completas), muitas delas já representadas em Portugal, o que leva a direcção da revista a orgulhar-se em 1926 (1926: 40), de ser a segunda publicação mundial a conseguir tal proeza; desencadeou um debate de ideias sobre o estado do teatro da época para o qual contribuíram inúmeros colaboradores de que destaco Henrique Lopes de Mendonça, André Brun, Carlos Selvagem e Santos Tavares; publicou críticas a cerca de quatrocentos espectáculos levados à cena em Portugal por companhias quer nacionais, quer estrangeiras; noticiou regularmente o que de mais relevante se ia passando nos palcos portugueses; registou com regularidade publicações de teatro; incluiu nas suas páginas fotografias e caricaturas – muitas destas saídas da pena de Amarelhe, mas também da autoria de Almada Negreiros e de outros – de conhecidas figuras do teatro de então; foi peça fundamental para a fundação da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses, sob o impulso de Mário Duarte, em 1925; criou a Empresa De Teatro Editora a partir de Dezembro de 1924 que, para além da revista, publicou algumas obras importantes para a história do teatro português.

 

 

Ana Campos

A REVISTA DE TEATRO

Uma visão parcial da dramaturgia portuguesa dos anos 20 (aqui)

(in Sinais de cena n.º 7, Junho de 2007, pp. 122-129)

 

Revista De Teatro e Música na Wikipédia aqui

 

 

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9.10.10

 

 

 

 

 

 

em breve num cinema perto de si

 

 

This is the west, sir. When the legend becomes fact, print the legend.

 

Fiel à máxima citada por John Ford num diálogo de The Man Who Shot Liberty Valance,  Joann Sfar oferece-nos em Gainsbourg (Vie Heroïque) um punhado de momentos lendários da vida do prodigioso poeta-compositor da música popular francesa Serge Gainsbourg: um percurso 'chiaroscuro' iluminado neste "conto" pelas fabulosas interpretações de Eric Elmosnino, no papel de Gainsbourg, e Laetitia Casta e Lucy Gordon, nos papéis de Brigitte Bardot e Jane Birkin, entre outros.

Porquê um final feliz?

J. Sfar: “Porque não considero que Gainsbourg tenha estragado a sua vida. Se houve maldição, foi provocada, escolhida. O tipo fez tudo o que queria e deixou muitas coisas boas. Ter-me ia sido muito difícil não deixar uma mensagem optimista. É a minha maneira de ser.” *

Gainsbourg (Vie Heroïque) é exibido em Lisboa no dia 16 de Outubro às 19h30 na sala 1 do Cinema São Jorge.

Dossier do Ypsilon aqui

 

 

 


 

Serge Gainsbourg e Brigitte Bardot

desenho de Joann Sfar**

 

 

* Joann Sfar em entrevista a Jean-Pierre Fuéri na revista "Casemate" (hors série ciné), Janeiro de 2010

**na mesma revista

 

mais sobre Joann Sfar aqui

 

Leia a crítica "Serge and the soul of modern France" aqui

 

 

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10.9.10

 

 

 

 

 

 

Sphinx (1982)

250 x 200

Victor Willing (1928-1988)

 

 

 

 

Foi com emoção que percorri ontem, em Cascais, a retrospectiva deste artista excepcional. Há muito tempo que esperava pela oportunidade de conhecer melhor a sua obra, desde que vi pela primeira vez quadros seus, na colectiva "Eighty - Les Peintres d'Europe", em Bruxelas (1987).

 

Infelizmente não pude comprar ontem o catálogo, devido a uma avaria momentânea no sistema de pagamento da loja do museu. Reproduzo assim o belo texto do catálogo da exposição de Bruxelas, com a promessa de regressar ao tema para citar palavras de Hellmut Wohl, comissário desta retrospectiva, a quem me sinto profundamente grata.

 

 

 

 

 

Victor Willing retint l'attention du milieu artistique dans les années 50. Il fut la star d'une génération particulièrement douée d'étudiants de la Slade School of Art et à sa sortie fut honoré par une exposition à la Hanover Gallery — la première galerie de Francis Bacon — et, à cette époque, le lieu le plus prestigieux de Londres pour les aspirants avant-gardistes. Ses tableaux étaient passionnément variés et innovateurs dans l'objet, comprenant une scène prémonitoire de violence urbaine et un auto-portrait remarqué pour sa perspective allongée et son air obsédant de solitude. Puis, il s'est marié, et disparut avec sa femme portugaise (Paula Rego) au Portugal et n'a plus fait d'expositions publiques jusqu'en 1978.

 

Sa réémergence fut encore plus marquante que ses premiers débuts. Ici, sans surprise, on vit des tableaux d'une maturité totale ; mais ils étaient passablement uniques par l'objet visionnaire de leurs sujets. D'un seul coup, le milieu artistique londonien se trouva à avoir à vivre avec un peintre d'importance historique — et pas sous l'aspect d'un vieux maître redécouvert mais d'un contemporain actif. Ses premiers tableaux étaient visionnaires en ce sens qu'ils étaient la transposition littérale des hallucinations vécues par l'artiste : un bateau ensablé dans une chambre; une plume habillant un tabouret, en fait, un sens existentialiste du «Time as a shallow stage» (Le temps, une étape superficielle), titre de sa première exposition dans un musée en 1978.

 

Willing, le premier anglais à publier un article sur Pollock, prouva inévitablement être le meilleur à écrire sur son propre travail. Reconnaissant l'importance du maniérisme avec ses «fuites désespérées de l'inertie à travers l'érotisme» et ses «perspectives folles» de de Chirico, à ses propres formulations comme artiste, il écrivit : «La faux de Saturne divise et achève. Dans la tourmente de sa progression, nous cherchons les preuves d'événements passés éparpillés dans la ruine actuelle. Comment préserver cela ?».

 

Cette sauvegarde est l'histoire de son art théâtral et puissamment métaphorique. On ne voit pas de représentation réelle de personnes dans ses travaux mais comme une scène après le lever du rideau, ils sont chargés d'imminence humaine. C'est cet usage de l'espace en tant qu'agent théâtral qui le rattache le plus à l'Existentialisme.

 

Plus récemment, il est revenu au figuratif et particulièrement au portrait, pas le moindre, l'auto-portrait — pas la représentation de traits faciaux mais d'états mentaux.

 

Ici, il a consciemment enchaîné là où Picasso s'était arrêté, devenant ainsi un des rares artistes, peut-être le seul pour l'instant, à briser l'impasse post-Picasso.

 

 

John McEwen

in Eighty - Les Peintres d'Europe

ISSN 0294-1880

 



14.8.10

 

 

 

 

 

Com os meus pais em Disneyland.

California, 1961

 

 

 


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2.8.10

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

© 1959 by Golden Press, Inc.

Designed and produced by Artists and Writers Press, Inc., New York

and from the Basic Science Education Series (Unitext),

published by Row, Peterson and Company, Evanston, Illinois.

 

 

 


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24.7.10

 

 

Golden Books



1951: Doctor Dan, The Bandage Man is released with Johnson & Johnson® Band-Aids glued to the right side of the title page. This marked one of the first ventures into book and product joint packaging. First printing is 1.75 million--the largest first printing of any Little Golden Book to date.

 

1952: Little Golden Books' 10th anniversary. To this date, almost 183 million Little Golden Books have been sold, with The Night Before Christmas alone selling over 4 million copies.

 

1953: To date, almost 300 million Little Golden Books have been sold!

 

1954: Little Golden Books are now available throughout most of the world, except the Soviet Union, where at the time they were considered too capitalistic.

 

May 1, 1954: Release of Little Lulu and Her Magic Tricks, with a 2.25 million first printing. The book has a small package of Kleenex® tissues attached to its front cover and directions for how to make toys from the tissues. An extensive advertising and promotional campaign for this title leads to the book's appearance on the "Arthur Godfrey Show" the month it is released.

 

Mid-1950s: Top-selling Little Golden Books center around children's TV shows and westerns (The Roy Rogers Show, Howdy Doody, The Lone Ranger, Captain Kangaroo, etc.).

 

Early 1960s: A large number of new Little Golden Books focus on popular Saturday morning TV shows such as Huckleberry Hound, The Bullwinkle Show, Yogi Bear, The Flintstones, and Bozo the Clown.

 

 


14.7.10

 

 

 

 

 

Every children’s story that works at all begins with a simple opposition of good and evil, of straightforward innocence and envious corruption. While the good hero or heroine has to be particularized, with flaws and idiosyncrasies, the evil force is, oddly, the more powerful the less distinct it is; because villainy is itself so interesting, there’s no great need to particularize the villain. In few works of children’s literature is the creation of dull and faceless evil as effective as it is in the Babar saga. “Page 2 of ‘Babar’ ” is a code word among certain parents for the entire issue of what it is right to expose our children to. (It’s actually the sixth numbered page in the book, and the fourth page in the story, but it seems to register as page 2, being the second element after the introduction of the elephant nursery idyll.) It is there that Babar’s mother, with her little elephant on her back, is murdered, with casual brutality, by a squat white hunter. The pro-page-twoers think that without the incident the story is robbed of motive and pathos; the anti-page-twoers think that it’s just too hard, too early, and too brutal, so they turn the story into one of a little elephant who merely wanders into Paris—not such a bad premise.

 

 

 

 

 

Far more than an allegory of colonialism, the “Babar” books are a fable of the difficulties of a bourgeois life. “Truly it is not easy to bring up a family,” Babar sighs at one point, and it is true. The city lives on the edge of a desert, and animals wander in and out at will, and then wander out again to make cities of their own. The civilizing principle is energetic but essentially comical, solid-looking on the outside but fragile in its foundations, reducible to rubble by rhinoceroses. Even the elephants, for all their learning and sailor suits, can be turned into slaves through a bad twist of fate. The unruliness of natural life is countered by the beautiful symmetries of classical style and the absurd orderliness of domestic life—but we are kidding ourselves if we imagine that we are ever really safe. Death is a rifle shot and a poisoned mushroom away. The only security, the de Brunhoff books propose, lies in our commitment to those graceful winged elephants that, in Babar’s dream, at the end of “Babar the King,” chase away misfortune. Love and Happiness, who are at the heart of the American vision, are, in Babar’s dream, mere tiny camp followers. The larger winged elephants, which are at the forefront of this French vision of civilized life, are instead Intelligence, Patience, Learning, and Courage. “Let’s work hard and cheerfully and we’ll continue to be happy,” the Old Lady tells the elephants, and, though we know that the hunter is still in the woods, it is hard to know what more to add.

 

 

 

Adam Gopnik

in “Freeing The Elephants”

© The New Yorker, September 22, 2008 aqui

 

 

 

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30.6.10

 

 

 

 "TKM Lumumba Indépendance " Peinture de Tshibumba. Ca 1972.

 

 

 

My father and I have patched things up. He allowed me to accompany him to Leopoldville, where we got to see history in the making. We watched the Independence ceremonies from a giant rusty barge tied to the bank of the Congo River that was loaded with so many pushing, squirming people Mrs Underdown said we'd probably all go down like the Titanic. It was such an important event King Baudouin of Belgium, himself, was going to be there. It was childish, I know, but I got very excited when she told me that. I suppose I was picturing someone in a crown and an ermine-trimmed scarlet robe, like Old King Cole. But the white men sitting up on the stage were all dressed alike, in white uniforms with belts, swords, shoulder fringe, and white flat-topped military hats. Not a single crown to be seen. As they waited their turn to speak, dark sweat stains blossomed under the arms of their uniforms. And when it was all over I couldn't even tell you which one had been the King. […] After the King and the other white men spoke, they inaugurated Patrice Lumumba as the new Prime Minister, I could tell exactly which one he was. He was a thin, distinguished man who wore real eyeglasses and a small, pointed beard. When he stood up to speak, everyone's mouth shut. In the sudden quiet we could hear the great Congo River lapping up its banks. Even the birds seemed taken aback. Patrice Lumumba raised his left hand up and seemed to grow ten feet tall, right there and then. His eyes shone bright white with dark centers. His smile was a triangle, upcurved on the sides and reaching a point below, like his beard. I could see his face very clearly, even though we were far away.

'Ladies and gentlemen of the Congo' he said, 'who have fought for the independence won today, I salute you!'

The quiet crowd broke open with cheers and cheers. 'Je vous salue! Je vous salue encore!'

Patrice Lumumba asked us to keep this day, June 30, 1960, in our hearts forever and tell our children of its meaning. Everyone on the raft and the crowded banks would do what he said, I knew. Even me, if I ever get to have any children.

 

 

Barbara Kingsolver

in The Poisonwood Bible (Book II The Revelation – Leah) pp. 206-207

© Barbara Kingsolver, 1998

 

 

 

Aos leitores interessados recomendo vivamente este romance sobre a independência do Congo Belga e as três décadas que se lhe seguiram. A história é narrada a várias vozes, as da mulher e das filhas de Nathan Price, um baptista evangélico que leva a família para o interior do Congo Belga em 1959. A acção estende-se até à Angola dos anos 80. Um livro fascinante, que inclui extensa bibliografia sobre o tema. Em português: A Bíblia Envenenadaaqui.

 

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