3.6.10

 

 

 

 

 

Freixo de Baixo, Amarante, 1939

 

 

Nunca me canso destas fotografias de grupo, tão bem enquadradas, que mostram os retratados de corpo inteiro e nos permitem apreciar plenamente a moda da época. Esta foi tirada na Casa de Alvellos, vizinha da Casa de Freitas.

 

Pedro de Alvellos, ao centro, entre Stella e Margarida, viria a tornar-se numa das figuras carismáticas da região. Foi autor de mais de uma dezena de livros, e uma das suas peças de teatro, "À Lareira do Pecado", foi representada no Teatro Nacional D. Maria II.

 

Fervoroso coleccionador da obra de Camilo Castelo Branco, reuniu uma importante biblioteca camiliana, que legaria ao Município de Amarante.

 

A ele se deve a criação da Região de Turismo da Serra do Marão e muito do trabalho de promoção do Museu de Amarante.

 

 

 


1.6.10

 

 

 

Rio Lima, c. 1945

 

 

 

A minha mãe está sentada no chão, à esquerda, ao lado de Marila Portela, uma das suas maiores amigas de toda a vida. Margarida era amiga de infância de Marila e da sua família, que passava o verão no Minho, nesta casa:

 

 

 

 

 

 

Paço do Cardido

Viana do Castelo, Ponte de Lima

 

 

 

uma descrição pormenorizada da casa e mais fotos aqui



29.5.10

 

 

Lousada, c.1936

 


 

da esquerda para a direita:

Stella, Margarida e Frederico

com os primos António Duarte, João Manuel e Mariazinha (Maria do Carmo) Rebelo de Carvalho,

filhos de Alzira Pereira de Carvalho, irmã mais nova de meu avô materno.

 

 

 

Aos apreciadores de fotografias que não acompanham o blog desde o princípio sugiro a leitura do post "a fotografia vernacular" aqui

 

 

 

 


27.5.10

 


 

 

Margarida de Barros Pereira de Carvalho (1892-1968)

Baía, Brasil, c. 1896

 

 

 

Descubra o álbum que contém esta fotografia no post "O álbum do Brasil" aqui, e outras fotografias do mesmo álbum clicando na tag "brasil".

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Casa da Mogada, no Concelho de Guimarães, de onde era natural a minha bisavó Maria do Carmo de Barros de Faria e Castro , pertencia a esta antes do seu casamento com Guilherme Pereira de Carvalho. Coube em herança a Margarida de Barros Pereira de Carvalho, a terceira dos sete filhos do casal.

 

 

 

 

 

 

Maria do Carmo de Barros de Faria e Castro (1868-1926)

e Guilherme Pereira de Carvalho (1864-1927)

(fotografia reproduzida no livro Retrovisor, um Álbum de Família)

 

 

 

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25.5.10

 

 

Caldas das Taipas

 

 

 

Pela “Mogada”, como por “Freitas”, passaram várias gerações da minha família materna. A Casa da Mogada, no Concelho de Guimarães, que foi cenário de muitas fotografias da infância e adolescência de minha mãe, pertencia a sua tia homónima Guida - Margarida Pereira de Carvalho Crato - irmã de meu avô materno. De entre as numerosas fotografias que guardo desta casa opto mais uma vez por esta, a escolhida para o livro Retrovisor, um Álbum de Família, pois permite situar o local onde este grupo foi fotografado:

 

 

 

 

 

Mogada c. 1930

Margarida, ao centro, à frente dos seus tios Guida

e Eduardo de Carvalho Crato, ao fundo, de pé.

 

 

 

 

A minha mãe está sentada no chão entre os seus irmãos, Stella e Frederico. Atrás de Frederico está sentada minha avó materna, Maria do Carmo Belmarço Pereira de Carvalho.

 

 

 

 

 

 

Margarida Pereira de Carvalho Crato (1892-1968)

e Eduardo de Carvalho Crato (1877-1947)

 

 



 

 

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23.5.10

 

 

 

 

 

Vista de Amarante, data desconhecida

 

 

 

 

 

 

da esquerda para a direita:

O poeta Teixeira de Pascoaes

Frederico e Guilherme Pereira de Carvalho,

no jardim da Casa de Freitas (c. 1927).

 

 

 

Descobri estas fotografias no site da "Associação Amarante Automóveis Antigos" aqui. Foi curioso encontrar mais uma fotografia de Teixeira de Pascoaes na Casa de Freitas, tirada na mesma ocasião da que aqui publiquei no ano passado, como confirmam os trajes do poeta e de Frederico.

 

 

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14.5.10

 

 

 

Carta de Teixeira de Pascoaes a Vasco Futscher Pereira

 

 

 

23 de Novembro de 1946

Amarante


Muito querido amigo e jovem confrade

Felicito-o e felicito-me pela entrevista, que está uma perfeição! Mas também desejo agradecer-lhe as suas amabilíssimas palavras, que eu, decerto, não mereço. Recebi uma carta da Estrelinha, que me deixou deslumbrado! Não lhe respondi, nem respondo. Responder a uma estrela um poeta da minha idade! É um impossível quasi metafísico!

Envio todos os meus respeitos a sua queridíssima esposa; e um imenso abraço ao seu muito querido sogro, que eu conto entre o pequenino número dos meus autênticos amigos.

Seu velho confrade muito grato e dedicado



Teixeira de Pascoaes

 


 

 

 

Teixeira de Pascoaes (1877-1952)

 

 


 

O poeta e escritor Teixeira de Pascoaes, pseudónimo literário de Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos, e o meu avô, Guilherme Pereira de Carvalho (1891-1966), eram amigos de longa data e as suas famílias conviveram muito. Teixeira de Pascoaes viveu toda a vida em Gatão, nos arredores de Amarante, não longe da Casa de Freitas, em pano de fundo deste blog. Veja outra fotografia do poeta, vinte anos antes, aquiQuanto a "Estrelinha",  veja uma foto dela aqui.



12.5.10

 

 

Não se pode ir lá de avião. Não há aeródromos nas imediações; é na serra, perto do Marão, que o poeta cantou em Versos imortais, a umas poucas milhas de Amarante. Vai-se por um caminho ladeado de sobreiros já antigos e frondosos que é mais caminho de carro de cavalos do que de automóveis, até a um pequeno terreiro onde há laranjeiras plenas de frutos ainda verdes. Do terreiro, por um largo portão brazonado, entra-se no pátio da casa onde vive o poeta. É uma casa solarenga, do século XVI ou XVII, remodelada depois, que guarda ainda o seu ar vetusto de velha casa senhorial e a nobreza clássica das suas linhas simples, austeras.

Nesse pátio já talvez um autogiro ou um helicóptero pudessem descer. Mas não aconselho o leitor - mesmo que ele tenha sido companheiro de La Cierva - a que tente a arriscada aventura.

Teixeira de Pascoaes ouviu o ruído do carro em que fomos e veio receber-nos à porta. É um homem baixo e magro, um pouco curvado, com uma cabeça já grisalha, revolta, a face angulosa e uns olhos profundos, penetrantes, cheios de riqueza e de vida. A sua austeridade é a de um monge , como é de monge a sua simplicidade e o encanto com que nos recebe na bela casa da sua família, mais velha ainda porventura do que esta, e onde vive como num convento que nos mostra tal como um bom frade desligado dos prazeres e interesses deste mundo.

Tentar apresentar a leitores, sejam eles portugueses ou estrangeiros, este homem, poderá quási parecer uma liberdade de que usa o jornalista, para, através do escritor, se apresentar ele próprio.

É que Teixeira de Pascoaes é bem o Patriarca da literatura portuguesa contemporânea - um patriarca amado dos fiéis e sobre cuja dignidade não há discussões. Os seus livros estão traduzidos para francês, alemão, espanhol, holandês, húngaro, tcheco, italiano.

O "Grande de Espanha" D.Miguel de Unamuno contou-o no número dos seus grandes amigos e o pensador russo, universalmente conhecido, Nicolau Berdiaeff considerou-o um dos mais notáveis autores do nosso tempo.

Isto é bastante, não é verdade, leitor?... Por isso mesmo o entrevistador se esconde sob um pseudónimo.

Nicolau Berdiaeff classificou um dia Pascoaes de "Poeta místico com temática religiosa"... Ora eu venho fazer-lhe uma entrevista sobre aviação... É pois natural que hesite antes de atacar o tema principal da nossa conversa.

Fala-se primeiro de poesia. Depois do que Unamuno chamou "o sentimento trágico da vida". Depois da morte e do existencialismo". Não! - Decididamente é perigoso ouvir este homem encantador falar do que lhe interessa; temo que a ouvi-lo, me esqueça do tema da entrevista, e depois que seja já impossível sair do beco onde estamos. Beco, está claro, porque não vejo a saída para o campo da aviação.

Por isso pergunto de chofre:

— Que pensa da Aviação?

Pascoaes sorri e responde:

— Penso que outrora os homens criavam os anjos e hoje.... os macaqueiam.

Há um silêncio. Não vou, evidentemente, perguntar a este homem se ele voou. Há em toda a sua obra uma altura que nenhum avião do mundo jamais atingirá. Mas insisto:

— Crê que a conquista do ar pela moderna aviação poderá trazer algo de novo a "visão do mundo" dos poetas ?...

A expressão de Pascoaes tornou-se agora vagamente irónica:

— Penso que a visão do mundo depende da altura a que se está."Nos aviões modernos, como se voa muito, muito alto, a "visão do mundo"...deve tornar-se tão vaga, tão imprecisa,que me arrisco a dizer que desaparece...

Uma criada trouxe-nos café e os maravilhosos doces de ovos de Amarante. Pascoaes, sorrindo, explica:

— Nunca percebi como Vergílio foi capaz de escrever a "Eneida", sem ter tomado uma chícara de café e sem fumar um cigarro.

Há neste homem profundamente triste, por mais paradoxal que isto pareça, um bom humor sadio. Um bom humor sem amargura ou ironia – que tem frescura e juventude.

O bom humor com que responde, já a finalizar a entrevista, quando lhe pergunto o que pensa do papel a desempenhar pela aviação no futuro:

— Não penso nada, ou melhor, não digo o que penso. Ainda não consegui limar a vaidade até o ponto de me não importar com o que pensarão de mim os que me lerem daqui a alguns anos - isto, bem entendido, se daqui a alguns anos ainda alguém me ler. Ora eu não quero que me aconteça o mesmo que aconteceu a Thiers quando, num momento de muito fraca inspiração, se lembrou de dizer do "caminho de ferro" que era uma invenção absurda e irritante que apenas servia a meia dúzia de loucos possuídos da mania das velocidades...

 

 

 

A entrevista foi realizada por Vasco Futscher Pereira para a Lisbon Courier, revista de turismo aéreo criada pelo meu avô materno, Guilherme Pereira de Carvalho, em 1946. Não sei dizer ao Leitor que pseudónimo terá usado o meu pai ... Da Lisbon Courier, possuo apenas este exemplar, que fica para outro dia e outro post.

 

 



 

 

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20.4.10

 

 

Vieux dépliants touristiques, magazines démodés, notes de téléphone obsolètes, je fourrais allègrement tout ce qui me tombait sous la main dans de grands sacs-poubelle. C’était un jour faste. Aucune peine, nulle culpabilité n’entravait mon action. Les rayonnages du grenier se vidaient enfin. J’éprouvais une joie sans mélange. Une grande boîte aux motifs rouge et vert suspendit mon enthousiasme. J’y découvris soigneusement entreposées des dizaines de serviettes en papier venues de cafés et de restaurants du monde entier. Je voulus les jeter tout aussitôt, hésitai un instant puis les examinai plus attentivement. Au bas de chacune d’elles, la fine écriture de ma mère, ferme et déliée, se détachait clairement, imprimant à ces papiers anodins une émotion inattendue, véritable, légère et persistante. Vacillante, enfermée dans le petit grenier obscur, alors qu’un soleil éblouissant rayonnait à l'extérieur, je me représentai l’étrangeté de cette collection, l’absurdité de ma situation. Par quelles puissances infernales étais-je retenue comme Perséphone sous terre, à l'écart de toute vie, de toute lumière ? C’est à cet instant que l’idée d'écrire ces pages m’est venue.

 

 

Lydia Flem

in  Comment j’ai vidé la maison de mes parents pp. 128-129

© Éditions du Seuil, 2004

 

 


 

 

 

 


15.9.09

 

 

 

 

O Desprezo de Jean-Luc Godard (1963)

 


25.5.09

 

 

 


Cette photo me serre la gorge. Je n'en connais pas de plus triste.

Elle symbolise pour moi toutes les maisons que l'on quitte pour n'y plus revenir, les étés passés, les pans de vie qui s'écroulent, l'amertume du temps qui fuit, les morts qu'on laisse derrière soi, le regret... Elle est l'envers du décor heureux, l'exact opposé de la photo de famille prise dans la même maison, mais sur l'autre versant du coteau, dans le verger ensoleillé. Elle est la solitude quand la belle saison est passée.

En regardant cette image j'essaie en vain d'imaginer que je pourrais aller vers la maison. Rien à faire. Je m'en vais. Elle s'éloigne irrésistiblement, comme si je la regardais une dernière fois par la vitre arrière d'une voiture qui m'emporte. Elle est déjà toute grise, l'éloignement et la pluie noient les détails, comme va bientôt le faire la mémoire. A peine si je distingue encore un bout de gouttière, le haut des pommiers dénudés par l'hiver qui dépassent du talus. Il cache le pré en pente où je ne ferai plus jamais de galipettes, le potager abandonné. La maison est une coque vide et silencieuse et quelques pommes oubliées vont pourrir sur les claies de la remise.

C'est le soir, il pleut, la voiture fuit avec moi sur la route. C'est tout juste si je n'entends pas le chuintement, le bruit de petite déchirure que fait l'eau sous les pneus. Dans deux, trois secondes tout sera fini, il sera trop tard, la maison aura disparu de ma vue et de ma vie après le virage. Je n'y reviendrai jamais.

On reste un instant encore le regard fixé vers la chose perdue, passe la seconde vide où l'on mourrait volontiers pour n'avoir plus rien à quitter, rien à voir mourir.

Anny Duperey

in Le Voile noir

© Éditions du Seuil, 1992

 

Imagem: Fotografia de Lucien Legras

©  Éditions du Seuil, 1992

 

Mais sobre Le Voile noir aqui

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30.4.09

 

Vasco e Margarida Futscher Pereira

Itália, 1948

 

O livro Retrovisor, um Álbum de Família, que aqui venho anunciando, é lançado na próxima semana. Aproveito o momento para agradecer aos leitores que me têm acompanhado neste espaço. Talvez alguns se perguntem se o blog acaba aqui. Não acaba, mas haverá naturalmente um 'antes' e um 'depois' do livro, porque foi em torno do livro que construí o blog. Pode ser que nos próximos tempos abrande o ritmo de posts, e prometo que tão cedo não volto a falar na minha família. No livro, eu conto a história com princípio, meio e fim. Aqui, tenho procurado apresentar o material de que a história é feita, mas sempre com o cuidado de não estragar a surpresa. Mais tarde chegará o momento de poder servir-me livremente de todo o material.

 



 

sinopse:

Retrato de um diplomata português e da sua família, cujas histórias se cruzaram com a História do século XX em três continentes. Sendo uma história pessoal, com as vicissitudes a que nenhuma vida escapa, é também a ilustração de um percurso, ao serviço de Portugal, antes e depois do 25 de Abril, por lugares e épocas tão diversos como a Europa do após-guerra, a África Colonial e a América dos finais da Guerra Fria.

 

excerto da introdução:

 

Fiz este álbum para mostrar aos meus sobrinhos alguma coisa da vida e do mundo dos seus avós Margarida e Vasco, com quem eles não tiveram oportunidade de conviver. Eu, que tive a sorte de conhecer bem os meus avós, queria falar-lhes dos seus, e também doutras pessoas muito queridas, parentes e amigos sem os quais o retrato da nossa família ficaria muito incompleto.

Vasco teve um percurso ascendente e chegou mesmo a ser uma figura pública na última década da sua vida, enquanto Margarida fez o percurso inverso, mas eu desejava retratar os dois. E apesar de ter consciência de que a história se construiria em torno da figura dele, em virtude da sua carreira e do 'exotismo' da vida diplomática, os arquivos de ambos completavam-se. Ela conservou um espólio fotográfico e documental considerável, escreveu “Livros de Bébé” para os três filhos e publicou dois livros de poesia. Ele conservou toda a sua correspondência pessoal e um arquivo completo da sua vida profissional.

 

Mais no site do editor aqui


23.4.09

 

Casa Ventura Terra

na Avenida da Liberdade, nº 192, Lisboa

 

Regresso à casa de meu bisavô — Guilherme Pereira de Carvalho (1864-1927) — na Avenida da Liberdade, em Lisboa, porque acabei por encontrar, por mero acaso, esta fotografia que permite situá-la com maior exactidão, como pretendia uma Leitora interessada na obra do Arquitecto Ventura Terra.

 

Ampliei a fotografia para tentar ler o número da porta, 192 ou 182, fiquei na dúvida. A imagem contém, no entanto, outros elementos que permitirão lá chegar a quem estiver interessado: a placa de bronze na fachada ostenta o emblema da BP e a bomba de gasolina no passeio, à frente da casa, parece confirmar que ali se encontravam instalados nos anos 50 a sede ou escritórios da companhia petrolífera.

 

Na fotografia vemos a minha prima brasileira Stella Maria Pereira de Carvalho, que também já aqui mencionei, numa das vezes que esteve em Portugal, neste caso em Agosto de 1957.

 

 

verso da fotografia

 

post anterior sobre a mesma casa aqui

Mais sobre Stella Maria aqui

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5.4.09

 

 

 

 

O poeta Teixeira de Pascoaes e Frederico Pereira de Carvalho

na Casa de Freitas. c. 1927

LXVII

 





Que saudades eu sinto desta flor,

Que vai murchar!

E desta gota de água e de esplendor,

Um pequenino mundo que é só mar.

E desta imagem que por mim passou

Misteriosamente.

E desta folha pálida e tremente

Que tombou...

Da voz do vento que me deixa mudo,

E deste meu espanto de criança.

Que saudades de tudo eu sinto, porque tudo

É feito de lembrança...

 

 

 

Teixeira de Pascoaes

Versos Pobres (1949)

In Poesia de Teixeira de Pascoaes,

Org. de Silvina Rodrigues Lopes

Lisboa, Editorial Comunicação, 1987

Mais sobre a saudade pascoaesiana aqui

Biografia e obras de Teixeira de Pascoaes aqui

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2.4.09

 

 

 

 

 

Maria do Carmo de Barros Pereira de Carvalho

(Mariêta)

Baía, Brasil, c. 1897

 

 

A camélia desbotada que Unamuno encontrou no Santuário do Bom Jesus do Monte, seca, espalmada contra o vidro duma tosca moldura, guarda muito do segredo da emigração minhota: "Em 14 de Março de 1874, retirei do Senhor do Bom Jesus do Monte uma camélia com a promessa de lha restituir, caso ele permitisse que eu voltasse um dia a esta terra, da minha volta ao Minho. E como ele o permitiu, nesta data lhe devolvo como prova de fé e de religião... Braga, Junho de 1895, Maria Emília Santos Mayor."

 

Não leva o minhoto consigo, como o inglês, hábitos de vida que na simplicidade do seu quotidiano difícil mal teve tempo de criar. Mas permaneceram com ele os costumes, os modos e a paisagem que lhe deram carácter. O caldo verde tem tanta importância como o trajo típico que manda ir da cidade ou da aldeia natal para a sua filha, lá no Brasil, assim que pode. Depois, na criança que nasce, no aniversário de família, no casamento longe, o fotógrafo lá está para fixar em postal a cores a pose lusíada que por vezes pode guardar um pequeno coração que só conhece Portugal de ouvir dizer.

 

Qual o segredo deste patriotismo entranhado, que não exclui, no entanto, a rápida capacidade de adaptação do minhoto à terra que procura? A paisagem, às vezes, responde-nos. Tenho na minha frente, materializada nessa branda policromia que é uma das suas características, os campos silenciosos do Minho à hora discreta do entardecer. Até à fímbria do horizonte sobe, aqui e além, o fumo dos casais. Findou o trabalho rural — e é a hora em que outro se inicia o do lume amigo onde se prepara a ceia. Esta paisagem, tímida na sua alegria amena, dá ao minhoto certo sentido das proporções que o acompanha sempre — e envolve uma população cada vez mais densa, que talvez não desejasse senão viver e morrer aqui, entregue à terra ou a um artesanato agrário, tradicional. Mas a industrialização da época é contrária às calmas recompensas dessas antigas ocupações, cujo valor económico era também moral. Por isso, o minhoto emigra e, se é preciso, em conjunto, como já, no século XVI, Campo Tourinho fazia, levando de Viana para Porto Seguro,de que era donatário, dizem os livros, "mulher, filhos e outros moradores casados, como parentes e muita outra gente". Ao emigrar, o minhoto transmite a sua confiança ao solo onde chega e oferece-lhe, além da força do seu braço e do seu ímpeto, a madura perspicácia da sua intuição. E tenho para mim que, talvez contraditoriamente, também deve estas qualidades à paisagem, que, longe de adormecê-lo, o estimula, não lhe fechando o sonho nos limites da terra, por demasiado estreita. Quando lhe foge, sublima-se.

 

Afinal, a écloga não é incompatível com a epopeia.

 

 

 

 

 

Luís Forjaz Trigueiros (1956)

in Paisagens Portuguesas, Uma viagem literária

© Guimarães Editores Lda (1993)

 

Leia mais sobre o autor aqui

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28.3.09

 

 

 

 

Casa de Freitas  c. 1930

 Concelho de Amarante  

 

Aproveito o facto de ter evocado o meu bisavô Guilherme Pereira de Carvalho, no post anterior, para satisfazer a curiosidade de um amigo que, um dia destes, me perguntou com intuição certeira “que casa mágica é esta que serve de pano de fundo ao blog". Situada na região de Entre Douro e Minho, a 'Casa de Freitas' acolheu sucessivas gerações da minha família materna. Nos anos cinquenta foi inteiramente reconstruída, após um grande incêndio que só deixou de pé a fachada, mas o seu aspecto actual é praticamente idêntico.

 

Foram muitas as fotografias de família e amigos tiradas nesta casa ao longo do século XX e eu estava à espera de um momento oportuno para apresentá-la ao Leitor, desde que, logo no primeiro dia, abri com esta vista uma excepção à regra de não mostrar no blog imagens do livro Retrovisor, um Álbum de Família (a sair em breve). 

 

 

A Casa de Freitas terá sido mandada construir por António Pereira de Carvalho, nome a que correspondem supostamente as iniciais “APC” que encimam o portão do jardim. Sei que a propriedade foi comprada pelo meu bisavô a Joaquim Leite de Carvalho. Guilherme Pereira de Carvalho (1854-1927) — a não confundir com o meu avô, do mesmo nome — e Joaquim Leite de Carvalho eram naturais do Lugar de Freitas, na Freguesia de Telões, e ambos comerciantes estabelecidos no estado brasileiro da Baía. Uniam-nos laços de parentesco. Descobri recentemente esta fotografia de Joaquim Leite de Carvalho num álbum de família muito antigo que pertenceu a meu tio-avô António Guilherme Pereira de Carvalho:

 

 

Joaquim Leite de Carvalho

c.1900

 

Por morte de meu bisavô, a propriedade coube em herança a sua filha mais velha, Maria do Carmo (Mariêta), que por sua vez a deixou aos sobrinhos.

 

Hoje a Casa de Freitas pertence a um bisneto de Guilherme Pereira de Carvalho.

 

 

O álbum de António Pereira de Carvalho está aqui 

 

 


26.3.09

 

 

 

Arquitecto Miguel Ventura Terra

1866-1919

 

Por ocasião da reabertura da Sala das Sessões, a Assembleia da República promove a exposição “Arquitecto Miguel Ventura Terra (1866-1919) ”, em homenagem ao autor do projecto original do Hemiciclo inaugurado em 1903. A obra de Ventura Terra integra alguns dos edifícios mais emblemáticos de Lisboa: os liceus de Camões e de Pedro Nunes, o Teatro Politeama, a Maternidade de Alfredo da Costa, o átrio do Teatro Nacional de S. Carlos, o Banco Totta & Açores (na Baixa), a sinagoga de Lisboa e quatro casas que arrecadaram o Prémio Valmor (entre 1903 e 1911).
A exposição ontem inaugurada traça um breve retrato biográfico do arquitecto, que nunca descurou actividades filantrópicas. Quem passar pela Rua de Alexandre Herculano, em Lisboa, poderá ler na placa da Casa Ventura Terra a seguinte inscrição: "Esta casa foi legada às escolas de Belas-Artes de Lisboa e Porto pelo arquitecto Miguel Ventura Terra, que nela faleceu em 30 de Abril de 1919, destinando o seu rendimento líquido para pensões a estudantes pobres das duas escolas que mostrem decidida vocação para as Belas-Artes."

 

 


 

"A Construcção Moderna" Anno III - 20 de Novembro de 1902

 

 

A nossa revista honra-se mais uma vez com a collaboração do distincto archictecto, sr. Ventura Terra, apresentando o projecto da casa que vae ser construída na Avenida da Liberdade. Como se vê das plantas o prédio é só para um morador, o proprietário, exmo sr. Guilherme Pereira de Carvalho. Pouco teremos a dizer d’elle, que o não mostre os desenhos. A fachada será toda revestida de marmore branco e as colunas serão de marmore de côr. Interiormente, terá a casa todas as condições da vida moderna, com luz e ar em todas as suas divisões.

 

 

Guilherme Pereira de Carvalho

1854–1927

 

Mais sobre a exposição aqui e o Arquitecto Ventura Terra aqui

Se é a primeira vez que visita este blog leia mais sobre os Pereira de Carvalho aqui


24.2.09

 

Guilherme e Cristina, 1952

 

 

 

 

Na minha família, quem gostava mais do carnaval eram os meus avós, talvez por terem passado a infância no Brasil e se recordarem de grandes festas de carnaval dos seus tempos de juventude. Esta fotografia, tal como as anteriores, foi tirada no Saldanha, em Lisboa, onde viviam os meus avós maternos. O traje de Cristina, de “Leiteira Rica”, o do Minho que tenho vestido na foto de 1955, e o da Nazaré, da minha prima Verusca, na foto de 1964, eram de casa deles e deviam ter pertencido à minha mãe e à minha tia Stella.

 

Na minha adolescência não gostava do carnaval, porque na rua, além das bisnagas - que ainda vá que não vá - os miúdos atiravam-nos aos pés estalinhos de pólvora, de que eu tinha imenso medo, e arremessavam saquinhos de areia que aleijavam. A pobre Sylvie Vartan foi atingida no palco por vários, quando actuou em Lisboa, no Cinema Monumental.

 

 

Leia mais sobre o carnaval aqui

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25.12.08

Boas Festas!

Descubra as diferenças

 

São Francisco, 1958

 

Eu sou a segunda, a contar da esquerda, na primeira fila. Morávamos desde 1955 em S. Francisco, onde o meu pai era o cônsul de Portugal. Atrás de mim está a minha irmã Cristina. A minha mãe escreveu no meu “Livro de Bébé”:

 

 

Natal de 1958

 

Soraya e Afsaneh Eghbal, Teresa, Carlitos, Mariano, Diego e Belen La Vera, Dominique e Nathalie de Fossey, com a Vera e Cristina na nossa casa, dia de Natal.

 


 

 

As primeiras eram filhas do cônsul do Irão em Francisco e os segundos eram filhos do cônsul de Espanha. Os meus pais gostavam muito de Ahmad Eghbal e da sua mulher, que era francesa, bem como de Carlos e Teresa de La Vera, que reencontrámos dez anos mais tarde em Madrid. Dos Eghbal não soube mais nada mas agora, ao "googlar" o nome, descobri que Afsaneh escreveu dois livros. O primeiro, publicado em 1983, tem por título L'espèce errante.

 

 


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