12.5.12

 

 

 

 

Paquito 

Vila Franca, Portugal, 1949

 

 

 

[Nos anos 30 do século XX] A salvação da festa vai provir duma outra evolução decisiva da lide [...]. Trata-se da revolução da arte de tourear, criada pelo célebre diestro Juan Belmonte. Pode dizer-se que antes des­te, e mesmo quando praticada por verdadeiras figu­ras da época como o famoso Guerrita ou como o malogrado Joselito, afinal o maior rival de Belmonte, toda a lide do touro se baseava no princípio tauromáquico pitorescamente descrito por Lagartijo: «Viene el toro; se no te quitas, te quita el». Isto é, na interpretação pre-belmontina o toureio fazia-se, à custa da velocidade de execução, da agilidade de per­nas, da esquiva hábil à investida do animal. Belmonte, diz-se que por insuficiência física, optou pelo cami­nho inverso. A posição do toureiro passa a ser predo­minantemente estática e a forma de manejar capa ou muleta é que obriga o touro a circular em volta da figura de pés fincados na areia. Com este princípio a técnica e o domínio sobre o touro terão que ser abso­lutos e capas e muletas deverão deslocar-se tão lenta­mente quanto possível, como se estivéssemos peran­te uma inusitada forma de ballet. Assim nasce uma nova arte, melhor dizendo assim o toureio passa a poder plasmar-se numa estética de tal forma dimensionada que se vai revelar quase obsessiva numa plêiade de poetas e artistas. Aliás, nem os românticos se irão afastar. Manolete, outra figura de época, vai elevar esse toureio agora hierático aos seus mais al­tos níveis com toda a carga de tragédia que aparecia já implícita na sua arrepiante expressão artística. Mas muitos hão de ser os toureiros que na definição de Garcia Lorca virão a ser tocados pelo mágico Duende desenhando em instantes fugazes verdadeiras obras primas que perduram uma eternidade em quem tem a felicidade de os contemplar (1)

 

Fernando Teixeira (aqui)

in "Tauromaquia"

Dicionário de História de Portugal- IX

Coordenadores: António Barreto e Maria Filomena Mónica

© Livraria Figueirinhas

 

 

 

 

1. Remeto o leitor que queira aprofundar o tema para Hemingway, Morte ao entardecer, ou para José Bergamin, La musica callada del toreo, Madrid, 1981, Turner, ou para o autor em O touro e o destino, Lisboa, 1994, Instituto de Sociologia e Etnologia, Uni­versidade Nova de Lisboa.

 

 

 

 

 

Paquito

aqui 

 

 

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