22.2.12



Almeida Garrett, a figura mais avançada de entre os artistas românticos de raiz burguesa e liberal, é dos primeiros leitores modernos de Gil Vicente. Aos 23 anos, em O Toucador (periódico sem política, dedicado às senhoras portuguesas, 1822), apresenta um resumo e fragmentos de Mofina Mendes. Em 1822, em Portugal, Gil Vicente é um autor caído no esquecimento, ou conhecido de muito poucos. As duas últimas edições completas dos textos datam do século XVI (1562 e 1586) e já não há muitos exemplares de nenhuma delas.[...]

 

1826, no prefácio do Parnaso Lusitano, Garrett escreve: 

O próprio Gil Vicente não deixa de ter seu cómico sal, e entre muita extravagância muita coisa boa; Bouterwek e Sismondi parece que escolheram o pior para citar; muito melhores coisas tem, particularmente nos autos, superiores sem comparação às comédias. A soltura da frase e a falta de gosto são os defeitos do século: o engenho que daí transparece é do homem grande e de todas as épocas. Em nota, acrescenta: Reservo-me para uma edição que pretendo publicar do nosso Plauto, fruto de longo e penoso trabalho, para examinar melhor este ponto e demonstrar o que aqui enuncio. Bosquejo da História da Poesia e Língua Portuguesa

Paris: Aillaud (VII-XVI:XIII).


Não realizou o seu projecto, mas é possível que seja ele o instigador da edição de Hamburgo.

A edição romântica que inaugura a época moderna de Gil Vicente e o torna o primeiro autor clássico do século de ouro.

 

 

Osório Mateus

in de teatro e outras escritas

“Garrett leitor de Vicente / Garrett e Vicente” (1 e 2) pp.269-270

© José Camões e Quimera Editores

 


 

 

 


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