27.5.11

 

 

 

 

[...]  E, novamente, tudo bem com Portugal. Esse é um comentário que traduz com fidelidade, a intenção dos sucessivos gestos diplomáticos trocados essa semana entre Brasília e Lisboa, de onde o Primeiro Ministro Mário Soares chegou a destacar parte importante do lançamento de seu programa de governo, para reiterar uma maior aproximação com o Brasil.

 

Na verdade, os telegramas – e só agora, depois de um mês divulgados – entre os presidentes Geisel e Ramalho Eanes, refletem uma disposição de abertura política que não se verificava desde o final de 1974, quando Portugal tentava inaugurar seus primeiros tempos de vida democrática, com a consolidação das diferentes tendências políticas que iriam resultar na vitória da oposição socialista, com o governo do primeiro-ministro Mário Soares.

 

Amigo pessoal do chanceler Azeredo da Silveira, o chefe do Governo português terá potencialidade suficiente para sensibilizar o Governo brasileiro. No momento, é o lado de cá quem é chamado a dar uma certa dose de confiança a Portugal, reestabelecendo — com a necessidade de um conteúdo mais pragmático — o clima que criou a agora esvaziada comunidade luso-brasileira.

 

Sob outra forma, o Brasil poderá ser essencial para Portugal, na solução de questões resultantes da herança de problemas com as ex-colónias africanas — com quem o Itamaraty vem conseguindo manter um entendimento mais do que razoável; um deles seria a grande quantidade de imigrantes que se dirigiram para o território português, e agora não encontram colocação no disputado mercado da mão-de-obra daquele país.

 

A praxe diplomática dos telegramas, dessa vez, chegou a trazer uma novidade, que foi a não divulgação — quando seria de interesse — do texto enviado pelo chanceler Azeredo da Silveira a Mário Soares quando ele fala que o Brasil acompanhava com "especial" interesse os novos tempos que esperam Portugal.

 

[...] Agora, é esperar pelas novidades que se anunciam na aproximação bilateral — admitidas por autoridades dos dois países — que farão esquecer os tempos em que o atual embaixador de Lisboa, Vasco Futscher Pereira, era obrigado a conversar com os jornalistas no pátio externo do Itamaraty. Isso aconteceu quando nem tudo era claro na política interna dos respectivos governos.

 

 

Pedro Redig

Editoria de Política, Jornal Diário, Brasília 07 de Agosto de 1976

 

 

 

 

 

 

Ministério das Relações Exteriores do Brasil

Palácio do Itamaraty, Brasília

 

 

 

Os anos que o meu pai passou como embaixador de Portugal em Brasília (1974-77) foram muito complicados em matéria de relações entre os dois países, que poderão mesmo ter estado à beira de uma ruptura. Quem conhece bem a história, por a ter vivido, é o Embaixador José Paulouro das Neves, que citei há tempos aqui, e o Embaixador António Pinto da França, então Cônsul Geral no Rio de Janeiro, que citei no meu livro, a propósito do ofício de diplomata. António Pinto da França tem escrito interessantes memórias e, quem sabe, talvez venha um dia a debruçar-se sobre esse período conturbado. Sei que o meu pai tinha uma grande admiração pela diplomacia brasileira, que considerava das melhores do mundo. 

 

 

 

 

 

Notas:

obras de António Pinto da França aqui 

 

 o artigo citado neste post está aqui

 

 

 

 

 

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