26.1.11

 

 


 

 

 

 

Ousados, independentes, caóticos, os cultores do surrealismo (do que está para além do real) marcaram a arte, a literatura, a filosofia, os comportamentos do seu século. Em meia dúzia de anos perturbaram a vida portuguesa, convocando-a para a modernidade. Foram o grupo intelectual mais libertário e incómodo da nossa cultura.

A sua formação surge em 1947, entre jovens artistas e intelectuais que frequentavam o Café Gelo, no Rossio, duas décadas depois do movimento se ter afirmado em França.

Antes, noutro café (o Herminius), outros jovens (estudantes da Escola António Arroio) haviam avançado com propostas anunciadoras da nova corrente. Cesariny, Cruzeiro Seixas, Pedro Oom, Vespeira, Moniz Pereira e Pomar, a que se juntam António Pedro, Paolo, Júlio, Costa Pinto, Alexandre O'Neill, José Augusto França, Risques Pereira, Mário Henrique Leiria, António Maria Lisboa, Carlos Eurico da Costa, António Dacosta, Areal, Escada, Vespeira, Natália Correia, fazem-se-lhes referências.

Hostilizados pelos salazaristas e comunistas, mal vistos pelos católicos e burgueses, marginalizados pelos jornais e universidades, acabam, três anos depois, por separar-se.

António Maria Lisboa morre, Cesariny vai para Londres, Cruzeiro Seixas para África, Henrique Leiria para a América Latina.

 

 

 

Fernando Dacosta

in  Nascido no Estado Novo

Editorial Notícias, 2001 / reeedição Casa das Letras, 2008  aqui

© Fernando Dacosta

 

Imagem: desenho de António Pedro, 1948

link do postPor VF, às 12:50  comentar

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