18.12.10

 

 

 

Capa de Panorama Revista de Arte e Turismo, nº 28 - IV série

Dezembro de 1968


 

 

Editada mensalmente pelo SPN, Secretariado da Propaganda Nacional (em 1945 SNI, Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo) — e terminada com a dissolução deste organismo, à queda do regime do Estado Novo em 1974, sob a superior direcção de António Ferro até 1949 (e tendo como director gráfico Bernardo Marques até então e Júlio Gil depois de uma interrupção em 1950) Panorama foi a primeira revista portuguesa de vocação modernizante. em grande parte consagrada às artes plásticas — embora, pela própria função cultural e propagandística da instituição editora, entre estas fossem especialmente tratadas as de carácter decorativo e de atracção turística, domínios em que a própria revista lançou iniciativas de relevo. Não deixaram por isso os números da sua primeira série, correspondentes à acção de A. Ferro durante a década de 40 (depois, com maior acentuação política, a revista entrou em franca decadência cultural) de prestar atenção à pintura, à escultura, ao desenho e também à arquitectura, sobretudo para encarecer a acção fomentadora do Estado Novo. Esta vinculação política, de carácter oficial, levou Panorama a documentar sectariamente as iniciativas do SPN-SNI, e as suas exposições, com esquecimento de outras — e propositadas ignorâncias das Exposições Gerais de Artes Plásticas ou da Exposição Surrealista de 1949 e da de Azevedo-Lemos-Vespeira de 1952 e outras, depois, de idêntico carácter modernizante contestatário, nas décadas seguintes. Bem paginada e ilustrada, documentalmente, com colaboração de bons desenhadores e excelentes capas (Bernardo Marques, Emmerico, Paulo, Ofélia, Anahory, Lapa), Panorama tinha menor interesse nos textos publicados, de carácter magazinesco, embora com algumas assinaturas de relevo (J. Osório de Oliveira. Reynaldo dos Santos, Reis Santos, Diogo de Macedo, João Couto).

 

 

inCatálogo da exposição Os Anos 40 na Arte Portuguesa

Comissário: Fernando de Azevedo

Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1982

 

 

Imagem:

Grupo do Grande Presépio do Mosteiro da Madre de Deus. Oficina de António Ferreira. Séc XVIII. Museu Nacional de Arte Antiga.

Foto: A. Santos d’Almeida

 

 

imagens da revista Panorama aqui e aqui


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