9.12.10

 

 

 

Les Demoiselles de Rochefort, de Jacques Demy (França, 1967)

 

 

Há em Demy uma arte do signo que frequentemente faz pensar em Brecht ou no Barthes das «Mitologias». O «em-cantado», claro, é a distanciação, mas a distanciação é também — Barthes mostrou-o a propósito de Brecht — a incandescência dos signos, a arte de os conduzir à sua máxima potência, sem os consumir. (...)


O cinema «em-cantado» é cinema mudo-falado. Todos os grandes filmes modernos, e é nisso, realmente, que Demy é «moderno», perverteram as funções do falado, em nome de um poder expressivo que foi o mudo. Trata-se de fazer reaparecer através (e contra) a insipidez informativa da palavra (dos «diálogos») a força expressiva da voz (das «palavras») que provém da gestualidade, do corpo. O melodrama possui esse poder: fazer explodir a palavra em gritos, em cantos, em lamentações, enfim em música e em emoções.

 

Pascal Bonitzer

in Cahiers du Cinema, nº 41. Novembro de 1982

Tradução de João Lopes

in Jacques Demy, Cinemateca Portuguesa, Dezembro 1983

 

 

um excerto de Les Parapluies de Cherbourg aqui


link do postPor VF, às 00:16  comentar

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