17.11.10

 

 

 

Os meus avós maternos "na casa da avenida"

Lisboa, 1927

 

 

A Grande Guerra e o pós-guerra provocaram a maior desestabilização da sociedade portuguesa desde a época das guerras civis, na primeira metade do século XIX. [...] Depois de 1918, os preços enlouqueceram: deram-se aumentos gigantescos de um dia para o outro, segundo um ritmo irregular e violento. O valor do dinheiro tornou-se incerto.[...] Mas nem toda a gente passou por estes transes da mesma maneira. Nem a prosperidade nem as dificuldades foram gerais. [...] A inflação destruiu o modo de vida daqueles que dependiam de rendimentos fixos, como juros de títulos ou de montepios. Não só os pôs quase na miséria, como de qualquer modo lhes degradou o estatuto social, sobretudo quando este passou cada vez mais a ser julgado em função de determinados consumos: possuir automóvel, telefone, etc. No funcionalismo do Estado a inflação prejudicou os ordenados médios e altos, que subiram menos do que os ordenados inferiores: amanuenses, sargentos, praças passaram a ganhar melhor, enquanto directores-gerais e oficiais superiores viram o seu poder de compra reduzido a metade. [...] Subitamente, a sociedade não era a mesma. Mais igualitária, cheia de caras novas: os “ricos” não eram os mesmos, os “pobres” também não.

 

 


 

 

© Rui Ramos

in A Segunda Fundação (1890-1926)

Volume VI da História de Portugal, dirigida por José Mattoso, 1994. (2ª edição em 2001)

 

 

link do postPor VF, às 11:14  comentar

pesquisar neste blog
 
mais sobre mim
Translator
sitemeter
contador sapo