25.10.10

 

 

 

 

Praça Duque de Saldanha, Lisboa, anos 60

 

 

 

A mudança para casa dos meus avós fez-nos recuar no tempo e conhecer uma Lisboa ainda rural, apesar de estarmos na Praça Duque de Saldanha, frente aos modernos cinema e café Monumental, em pleno centro de Lisboa. Ainda passavam eléctricos pelo Saldanha, que iam até ao Campo Grande. Ainda vi pastores com rebanhos a atravessar a avenida da República.

Os meus avós viviam no primeiro andar do edifício que se vê no postal, a “casa do anjo”, num apartamento muito grande. Tinham três empregadas internas – uma cozinheira, uma criada de fora, e a Arminda, que estava ao serviço da minha avó desde os catorze anos e agora tinha mais de setenta. Que idade tinham os meus avós nesta altura? Ela sessenta e dois, ele era dez anos mais velho.

Aos sábados o barbeiro do meu avô vinha a casa, a roupa era lavada por lavadeiras, o leite era trazido por uma leiteira. Foi com a nossa chegada que a minha avó comprou um frigorífico. As compras faziam-se na praça. O telefone tinha um pequeno cofre acoplado no qual era preciso carregar numa moeda, creio que de cinco tostões, para estabelecer a ligação. A minha avó governava a casa com a dispensa fechada à chave e distribuía mensalmente às empregadas doses de açúcar, ovos e sabão.

 

Os meus avós maternos pareciam-me antiquados e algo severos mas aos poucos percebi que -  tal como o liceu francês – “tinham mundo”. Conviviam muito com parentes e amigos e foi com eles que descobri a minha família alargada.

 

 

Uma fotografia dos meus avós maternos aqui

Se é a primeira vez que visita este blog leia também o post "terra de exílio" aqui

link do postPor VF, às 11:07  comentar

De Ana M. L. Castro a 28 de Outubro de 2010 às 22:25
Eu ainda fui a esta casa no tempo da sua Avó Carmita. Gostava muito dela. Era uma senhora com gande categoria e com um sorriso simpático e triste ao mesmo tempo...
Teve uma vida com "muito mundo" mas também com grandes desgostos.
Não imagino o que lhe deve ter custado deixar esta casa no final da vida.

De Henrique Bastos a 29 de Outubro de 2010 às 00:57
Era o Saldanha .

De packard a 30 de Outubro de 2010 às 11:26
a conjugação do vauxhall victor e do datsun 1200 aponta para data à roda de finais dos 60, princípios dos 70. não consigo é caçar o diabo filme... "um lugar para te amar"?

De VF a 30 de Outubro de 2010 às 14:40
Pensei que "Um Lugar para Amar" fosse teatro mas não encontrei nada no Google. Se é título de filme talvez seja possível situar, na obra de Luís de Pina (Cinemateca) sobre as estreias e títulos de estreia em Portugal.
obrigada por identificar os modelos dos automóveis.

De packard a 30 de Outubro de 2010 às 15:44
quem porfia... creio ser este o filme:
http://www.imdb.com/title/tt0062656/
era o tipo de coisas q por lá passava, como se lembra. estreia em 7 de outubro de 1969, título de bons costumes adaptado, eventualmente, da versão brasileira:
http://www.imdb.com/title/tt0062656/releaseinfo
nota-se, na foto, o ar frio e húmido da noite.
(para além do Pina, a hemeroteca ou os peródicos da nacional. ia-se lá!)

De VF a 30 de Outubro de 2010 às 17:53
Sim, deve ser isso mesmo. Obrigada!

De António Pereira de Carvalho a 6 de Novembro de 2010 às 08:22
E posso dizer que a casa tinha 18 divisões e 36 metros de corredor...

De packard a 9 de Novembro de 2010 às 11:41
ainda sobre a foto... v. Diário de Lisboa online de 8 e de 30 de out. de 1969 no site da Fundação M. Soares. A foto foi tirada nesse hiato, curioso ver quem era também (já) o plumitivo crítico de serviço.

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