7.10.10

 

A história das regras que governam a aquisição ou perda de nacionalidade é uma história complexa, que tem posto duramente à prova o regime da soberania popular instituído pela Revolução Francesa. Ao trazer luz a estes casos que vivem entre a lei e a política ou, se quisermos, entre o Direito e o Poder, documenta-se um caminho estreito, por vezes sombrio. E o actual debate sobre o lugar dos “ilegais”, “sem papéis” no “Estado de direito” e na “sociedade dos direitos”, volta a mostrar como em tempos de crise é difícil equilibrar o triângulo extremamente dinâmico que se forma entre o poder institucionalizado, a população e o território. Que maus ventos impeliam já a República?

 

Manuela Franco

in “Os desnacionalizados da I República”

Jornal Público–P2 25 Setembro 2010

 



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Lisboa, 24 de Junho de 1916

 

Tenho a honra de devolver a V.Exa, por ordem de S.Exa O Ministro, as duas cartas de denúncia contra Hermano Minder e Leopoldo Futscher que acompanhavam o officio de V.Exa, nº 857, confidencial, de 22 de Junho.


 

 

 

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[...] Eugénio Futscher e filhos, Americo Futscher e Alberto Futscher, que alegam ser portugueses, descendentes de cidadão suisso, tendo-se apresentado a certidão de nascimento do primeiro,que é natural de Lisboa, e a certidão de óbito do pae. Filho legítimo de Rafael Futscher, natural do Cantão de San Gallen, Suissa, e falecido nesta cidade em 15 de Janeiro de 1903. Estas duas certidões, extraídas dos livros de registo da igreja evangélica Alemã de Lisboa foram passadas em Abril e Maio últimos pelo Consul Geral De Espanha, como encarregado dos interesses alemães em Portugal, o que avoluma a suspeita de que se trata de inimigos.

 

 

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Leopoldo Futscher e Eugénio Futscher eram tios maternos de meu avô paterno, Rudolfo Futscher Pereira (1885-1956).  O Professor João Alfredo Lobo Antunes, que foi quem me facultou os dados essenciais sobre a família Futscher em Portugal, para o livro "Retrovisor, um Álbum de Família", conhecia o episódio e mostrou-me cópias de um ou outro documento relacionado.


As cópias dos ofícios que hoje apresento foram-me fornecidas por Manuela Franco que a elas teve acesso no quadro da investigação que realizou no Arquivo Histórico-Diplomático.


mais sobre "os desnacionalizados da I República" no post anterior e o artigo na íntegra aqui.

 

 

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