4.6.09


Para o livro Retrovisor, um Álbum de Família, paguei em 2008 os direitos de reprodução de cinco fotografias: três do Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa, e duas da Getty Images. No A.F.M. interessei-me por cinco imagens mas acabei por só "comprar" três depois de saber que cada uma custaria 140 euros. Quando fui levantar o CD com as imagens que encomendara, manifestei à funcionária que me atendeu alguma perplexidade pelo facto de o preço ser o mesmo para qualquer fotografia da colecção. Foi-me respondido que a tabela de preços não havia sido fixada pelo próprio arquivo mas pelos “serviços centrais” da CML. Foi-me ainda comunicado, por e-mail, que “mencionar a proveniência das imagens é obrigatório e deverá ser Arquivo Municipal de Lisboa/Arquivo Fotográfico, e têm de entregar 3 exemplares da obra publicada.”

 

 

 


 

Lisboa nos anos 60 / Fotografia de Armando Serôdio

Arquivo Municipal de Lisboa/Arquivo Fotográfico

 



Considero este preço muito elevado, tendo em conta, por um lado, a deficiente qualidade das imagens - esta, que reproduzo acima no estado em que me foi entregue, apresentava a mancha que distinguimos no canto inferior direito, e todas três tiveram de ser tratadas em termos de contraste -  e, por outro lado, o facto de se destinarem ao interior de um livro de média dimensão e pequena tiragem.

 

 

 

Com a Getty Images foi tudo tratado online. Preenchi um questionário sobre o destino a dar às imagens e foi possível, e mesmo agradável, dialogar com os interlocutores. Esta fotografia dos anos 40, comparável às do A.F.M., em estado impecável, custou-me 50 euros, sem eu ter de sair de casa, o que me pareceu um preço perfeitamente razoável.


 


 

 

Roma nos anos 40 / Fotografia de Ralph Crane

Getty Images



 

Sei que não estamos na América, e aprecio o esforço recentemente feito pelo Arquivo Fotográfico Municipal para colocar em linha a sua colecção, mas esta experiência foi desencorajadora em termos de futuros projectos.

 

 

*

 

 

Os episódios da série Destins d’étoiles evocados em posts anteriores foram exibidos uma ou duas vezes pela televisão francesa na década de 80 e talvez nunca mais sejam vistos, a menos que alguma cinemateca se interesse um dia por exibi-los. A comercialização desses documentários, uma edição em vídeo ou, hoje, em DVD, é inviável devido ao quebra-cabeças dos direitos de autor, o que até se compreende diante da extensa lista de arquivos públicos e colecções privadas que desfilava em cada genérico final. O programa dedicado a Vivien Leigh, por exemplo, não incluía a mais pequena sequência do mítico E Tudo o Vento Levou, mas antes excertos dos testes realizados pela actriz para o papel, uma das muitas “trouvailles” que faziam o encanto dos programas e, acima de tudo, forma astuciosa de contornar o preço astronómico que teria custado citar um minuto que fosse do filme.

 

 

 

link do postPor VF, às 11:32  comentar

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