29.7.13

 

Se a capacidade da fotografia em capturar o extraordinário ou o contingente causou, em termos históricos, maravilha, pelo seu aparente condão de magicamente embalsamar o tempo, a mesma provocou simultaneamente um certo desconforto, já que a preservação de um momento fugidio também servia paradoxalmente de lembrete da corrupção de tudo aquilo que é próprio ao tempo. No arquivo, vemos escrito a letras gordas aquilo que a fotografia leva a cabo numa escala mais modesta: um diálogo com a posteridade, um endereçamento a um tempo por vir, um tempo em que esse mesmo artefacto será ancião, um souvenir de um passado irrecuperável. O objeto arquivístico, tal qual a fotografia, é uma despojada lembrança da morte no futuro.

Com a proliferação da fotografia doméstica (muitos artistas contemporâneos simulam a aparência inábil e inexpressiva das fotos instantâneas) e o interesse crescente pela história e antropologia da vida quotidiana, o arquivo familiar veio juntar-se a outros lugares arquivísticos históricos e burocráticos, tornando-se ao mesmo tempo fonte de significado etnográfico e um lugar menor e localizado (ou até mesmo virtual) de memorialização privada. Em suma, o arquivo tem-se tornado tão ubíquo e comum como a própria fotografia.

 

Ruth Rosengarten

in folha da exposição Entre Memória e Arquivo 


In English: Between Memory and Archive here

 

 

Vivan Sundaram, Lovers, 2001

Colecção Berardo, cortesia do artista

 

 

 

 

Entre Memória e Arquivo



Helena Almeida, Bernd e Hilla Becher, Daniel Blaufuks, Christian Boltanski, Marcel Duchamp, Allan McCollum, Chantal Joffe, Tracy Moffatt, José Luís Neto, Gabriel Orozco, Pedro Quintas, Umrao Singh Sher-Gil, Augusto Alves da Silva, Hiroshi Sugimoto, Vivan Sundaram, Jemima Stehli, Wolf Vostell, Robert Wilson, Francesca Woodman. Curadoria de Ruth Rosengarten*


 

até 29 de Setembro de 2013

Museu Colecção Berardo

 aqui


 

 

 

*o blog Tempus Fugit de Ruth Rosengarten aqui e na lista de blogs deste blog

 

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27.7.13


Le ciel ne voyage pas, mais les pensées parcourent des distances incroyables. Riches en vaticinatons, elles se servent des visions ailées qui ne se posent que de rares fois.

Il arrive qu'elles stagnent dans les cerveaux humains. Quand elles s'élaborent dans la matière grise, l'enceinte où elles gravitent se dessèche et les empêche de se projeter dans le rêve. Alors les pensées ne libèrent pas leurs facultés créatrices; elles restent inanimées et privées de magie. En revanche, le vol que produit le rêve ne sait pas ce que veut dire la mort.

 

Silvia Baron Supervielle

in Lettres à des photographies (Lettre 74)

© Éditions Gallimard, 2013




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20.7.13

 

 

 

Vidal e Hugo Navarro de Andrade Belmarço (c. 1900)

 

 

outra foto dos irmãos aqui

 

interessante apontamento sobre Vidal Belmarço no blog Promontório da Memória aqui

 

Casa Belmarço aqui

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16.7.13

 

 

 

Maria Luísa Navarro de Andrade Belmarço com as filhas Carmita e Stella

Faro c. 1905

 

 

 

 

 

 


14.7.13

 

Manuel de Jesus Belmarço c. 1890 

 

 

 

O jornal Público noticiou há dias que a Casa Belmarço em Faro, adquirida em tempos pela Câmara da cidade para ali instalar o Tribunal da Relação, foi posta à venda pelo Estado. A casa foi mandada construir por meu bisavô sob projecto do arquitecto Norte Júnior e inaugurada em 1912.

 

Manuel de Jesus Belmarço (1857-1918)  fez fortuna no Brasil como negociante de cereais e café. Casou com Maria Luísa Navarro de Andrade e tiveram quatro filhos, três dos quais nasceram no Brasil. Viveu com a família em S. Paulo e após regressar a Portugal, em 1899, construiu uma casa em Lisboa, na Avenida da Liberdade, e esta em Faro, a cidade onde nascera. O filho mais velho, Vidal Alberto Belmarço (1891-1961) e a mulher, Amélia Salter de Sousa Belmarço (1886-1964) viveram nesta casa até ao fim da vida.

 

 

 

 

                                     

 

 a notícia recente aqui

in English read here

 

a Casa Belmarço na Wikipedia aqui

Arquitecto Manuel Josquim Norte Júnior aqui 

 

 

 

 

 

 Trapiche Belmarço e sua ponte de madeira, na cidade de Santos aqui

© Museu do Porto de Santos - Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp)

 

 

Fotos antigas do Porto de Santos na Fundação Arquivo e Memória de Santos  aqui

 

 

 

 

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11.7.13

 

 

 

 

Um enorme jacaré de 4,5 m de comprido morto em 1910 pelo 2º tenente Almeida Pinheiro, imediato da canhoneira chaimite e por um sargento do mesmo navio em frente da praia da catembe (Lourenço Marques)*.

 

 

 

 

 

*Legenda manuscrita no verso da fotografia, gentilmente cedida por Laura Castro Caldas, a quem muito agradeço.
 
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6.7.13

 

 

  


The Beach at Saint-Adresse, with the Dumont Baths, 1856/57

 

foto: Gustave Le Gray (1820–1884)

 

 

 

 

 

Foto: Art Institute Chicago aqui

 

 

outra foto de Le Gray, neste blog, aqui

 
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