26.9.12

 




Sintra (Portugal) 1938:

Seated are T. S. Eliot and Guilherme Pereira de Carvalho, editor of «Lisbon-Courier». — Middle row (from the left): Robert de Traz, Jacques de Lacretelle, Mme de Lacretelle, Mme. A Ferro [Fernanda de Castro], António Ferro — Upper row (from the left): Máximo Buontempelli, Aldo Bizarri, J. Silva Dias.

 


In 1938 T.S. Eliot came to Portugal at the invitation of the Secretariado de Propa­ganda Nacional and took part in the jury which awarded the Camoes prize to Gonzague de Reynold. In June 1943 — in the middle of World War II — Eliot sent the editor of the Portuguese magazine «Aventura» Ruy Cinatti a letter: 

 

 

I am convinced (I may say in explanation) that the ultimate unity of Europe cannot come through identity of political organization, or a legal-political federation, or a vague brotherly love, or an identity of interest among the masses of the people, but from the unity of the Christian Faith, and the unity in diversity of civili­zation and cultures which Christianity brought about in the past.

And for the latter, I believe that the literary periodicals of the highest standards in each European capital have a responsibility, not only to their readers at home, but to each other.

For a few years it seemed as if my hopes might approximate as nearly to realization as human hopes can; and there were half a dozen literary periodicals, some now extinct, some, alas! the same only in name, which could, in time, have done a great deal in spontaneous co-operation (1).

We know what happened; and we saw political divergences, which in part represented a normal reaction against the nineteenth century illusion that there must be one ideal form of government equally suitable for every nation, encroach upon the field of culture, until political variety became cultural disunion. In a situation in which the chief cultural effort of each country is to protect itself against the culture of others, such interchange as my review The Criterion and the other reviews I have in mind required, became impossible.

Those of us who were engaged in that attempt during the twenty years between the wars, may have resigned our personal hopes, but have not, I am sure, abandoned our aspirations. We trust that Europe will not follow the same course again; and we look for another literary generation to realize our frustrated ambitions.

 

 

in "Lisbon Courier"  nº 33, Dezembro 1948


Notes:


1. The Managing Editor of «Lisbon-Courier» [Dr. M. W. Clauss] had met T. S. Eliot in 1928 in London, in his former capacity as Managing Editor of the «Europaeische Revue». Until 1932 this monthly revue, published in German in Vienna, Leipzig, and Ber­lin by Austrian Prince Charles Antoine de Rohan, established a close cooperation and exchange of articles with the «Nouvelle Revue Française» (Paris), «Nuova Antologia» (Rome), Ortega's «Revista del Occidente» (Madrid) and, last but not least, Eliot's «New Criterion».

 

2.«Lisbon-Courier» published this photo and text in 1948 to mark the award of the Nobel Prize for Literature to T.S. Eliot.

 

3. T.S. Eliot and the other members of the jury of Camoes Prize-1938 here





 

 


Ruy Cinatti aqui



21.9.12

 

 

  

..

João Marques de Oliveira (1853-1927).

Óleo sobre madeira (59,5x41 cm)
Museu José Malhoa, Caldas da Rainha, Portugal



Esta e outras marinhas na pintura portuguesa aqui




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15.9.12

 

 

O acaso atirava-me para uma das regiões que iria exercer influência profunda na minha vida, tanto de homem, como de escritor. Dava-se no meu espírito o segundo fenómeno de osmose. O primeiro fora a vivência desmedida do Campo Alegre, o absorver diário da natureza física através do lado sentimental da vida; ao Porto eu ficaria ligado para sempre, como seria o caso de Londres anos mais tarde, teiaranhado pelo amor, pela transferência permanente de um eu que se desdobra e oferece a outra pessoa. Agora aparecia-me o Alto Minho, eldorado onde ancorava todo o bojo que não soçobrara na débacle sentimental. A terra, o mar, o rio, a montanha, as aldeias, o povo, a arte, um todo que me agarrou no imediato, no transe da paixão, debaixo ainda do estado de choque. Abria-se um mundo novo, cosmo-físico para onde eu podia olhar, onde podia mergulhar, penetrando na Natureza sem pedir licença. Às vezes, nos imprevistos da vida, nas esquinas da sorte, nós esbarramos com um habitat que está desde a criação do mundo à nossa espera. Ali, intacto, permanente, rico, silencioso. Eu sentia uma grandeza frente a meus olhos, imensidão que estava a par da grandeza do amor, não a substituía, menos ainda distracção para pacóvio, ou paliativo de doença; sim, mundo de pormenores alcantilados, de versos ditos ao fim de tarde, de banhos cheios de algas, mergulhos na amostra de eternidade que se apalpa com os dedos. Tão forte este binómio Amor-Natureza, impacto de sismo, eu certo de que mais cedo ou mais tarde havia de ter consequências. E, na inconsciência do consciente, às vezes reparava no segundo de tempo em que teria de, um dia, comunicar a outros o choque brutal que estava recebendo. Eu seria o médio que coa, filtra, decanta, o que paira sem rumo na Natureza, fosse o reino do Amor, quer o próprio caudal do telúrico. Fruta verde em mim, nada estava amadurecido, o período de gestação seria longo, rebentaria na cabeça com a necessidade urgente de recriar esse estado emocional.

 

 

Ruben A.

in O Mundo à Minha Procura , Autobiografia III  pp. 81-82

© Assírio & Alvim e Herdeiros de Ruben A.  (1994)



  

link do postPor VF, às 17:24  comentar

4.9.12

 

... No virar do século XIX para o XX é numerosa a família que habita a casa da Carreira. Além do casal, Maria Luiza e Bento, e seus seis filhos, nela vivem também: Severiana, tia de Maria Luiza; Joana que, enviuvando, se recolhe com quatro filhos a casa da irmã; Angelina que, solteira, é chamada a viver com o irmão Bento.

A miss, a costureira, a cozinheira, as criadas de dentro, o cocheiro e os criados do quintal são os outros habitantes da casa. Todos os cómodos eram poucos para acolher tanta gente e frequentemente se tinha que arranjar quartos para acomodar os novos casais com filhos...

Conhecida a partir dos meados do século XIX por Casa da Carreira — quando o seu proprietário, Diogo Gomes de Abreu e Lima, recebeu o título de Visconde da Carreira — é hoje erradamente chamada Palácio dos Távoras, pois sem­pre foi uma casa familiar sem estrutura de palácio. Durante quatrocentos e quarenta e quatro anos esteve nas mãos da mesma família, sem lutas entre irmãos pela sua posse, acatado o direito do morgado de decidir dos seus destinos, tendo sido sempre enriquecida e melhorada por todas as gerações. Tal como na primeira geração, é ao longo dos tempos que pelos casamentos das filhas herdeiras entram na família apelidos nobres: Abreu, Castro, Pereira, Távora, Faria da Costa e Pita Malheiro. Com estes, mercês, vínculos e casas — Mosteiro em Vitorino das Donas; Outeiro, Agrela, Boavista e Covelas em Ponte da Barca; Lapela, Rodas e Pedra em Monção.

Os apelidos não servem para deles tirarmos proveito, mas como elo de ligação que nos assegura sermos a conti­nuação de várias pessoas, Catarina, Inês, Arcângela, Luiz, Diogo; «são sempre algo mais do que um nome, e é por esse algo que somos verdadeiramente filhos dos nossos pais»1.

 

 

Maria Teresa Távora 

in Um Passeio pela Casa da Carreira  pg. 16-18


NEC DOMUS DOMINUS,

SED DOMINO DOMUS

HONESTANDA EST*


© M. Teresa Távora, Braga, 1999


 

1   Gonzalo T. Ballester, «Os Prazeres e as Sombras, I - Vem aí o Senhor». pg. 46.

 


* NÃO É O DONO QUE DEVE SER HONRADO PELA CASA, MAS A CASA PELO DONO



 

 

Maria Luiza e Bento,  4ºs Viscondes da Carreira


 

 

os seus 6 filhos circa 1900:

 Luís António, Augusta, Maria da Luz e Luísa

no chão: João e Maria José




 

 Os 4ºs Viscondes da Carreira, no pátio da Casa da Carreira, com os seus seis filhos, genros e netos, no baptizado de um destes, Joaquim, primogénito de Maria Augusta e Joaquim Lobo de Miranda.1ªa fila: Casimiro Sacchetti (filho de Maria da Luz e Casimiro Sacchetti, assim como todas as outras crianças que estão de pé); Maria de Jesus (mulher de Luís António) com o filho de ambos, Luís; Viscondes da Carreira tendo entre eles a neta Maria das Dores Sacchetti; José Sacchetti; Angelina Rosa (irmã do Visconde); Augusta com o filho Joaquim; António Sacchetti.Em pé: Luís António; Luísa; Casimiro Sacchetti e sua mulher Maria da Luz; João; Maria José; Joaquim Lobo de Miranda.



 

 


Um Passeio pela Casa da Carreira*, memória reconstruída por uma descendente da família que possuiu a casa, com base no arquivo familiar e nos testemunhos de primos que na infância ali viveram ou passaram férias, e das histórias que sua avó materna, Maria José, lhe contava em pequena, é um contributo exemplar para a História da família e das casas senhoriais em Portugal.

 

A forma (aparentemente) simples como Maria Teresa Távora nos faz visitar cada uma das dependências da Casa da Carreira enquanto nos vai descrevendo episódios da sua história e da vida dos seus ocupantes ao longo dos séculos — dos mais ilustres aos mais modestos, sem esquecer ninguém — não é só um modelo inspirador para trabalhos de investigação histórica e de transmissão da tradição oral como uma reflexão inspirada sobre a passagem do tempo e o significado da palavra nobreza.

 

 

Nota:

A Casa da Carreira é uma das duas casas, ligadas interiormente, em que se encontra hoje instalada a Câmara Municipal de Viana do Castelo. O conjunto imponente é consensualmente considerado um dos mais bonitos Paços do Concelho do país.

 

 


 


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