26.2.11

 

 

 

 

Warsaw Pact invasion of Czechoslovakia in August of 1968

Photo: Ladislav Bielik  aqui

 

 

 

At Wenceslas Square at the center of Prague, below the bullet-scarred facade of the National Museum, tens of thousands of people with transistors to their ears milled around in streets filled with crushed automobiles and pieces of masonry that had been shot down from the surrounding buildings. Walls were covered with painted slogans. Trucks draped with Czechoslovak flags rammed into the Russian tanks and the air rang with the sound of intermittent gunfire.


Standing in the crowd, I felt that this was the supreme moment of our lives. During the night of the invasion, when we lost everything, we found something that people in our world hardly dare to hope for: ourselves and each other. In all those faces, in all those eyes, I saw that we all thought and felt alike, that we all strove for the same things.


Prague resisted in every way it could. Street signs disappeared or were turned around so that the invaders were unable to find their way through the city. License plate numbers of Soviet Security cars were painted in large digits on the walls. Radio and, later, television broadcasts were transmitted from makeshift facilities that were moved from place to place, eluding the Russians. At the same time, the train carrying Russian radio station-detector equipment was lost on its way to Prague. For days it was shunted from siding to siding by Czechoslovak railwaymen. And throughout the city, hungry Russian soldiers who could not get a crumb of food or glass of water from the population wandered through streets where all the traffic signs pointed in one direction: back to Moscow.

 

 

Heda Margolius Kovály

in  Under a Cruel Star – A Life in Prague 1941-1968

Translated from the Czech by Franci Epstein and Helen Epstein with the autor

Holmes & Meier, New York

© Heda Margolius Kovály, 1986

 

 

 

 

 

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22.2.11

 

 

 

 

Tal como Amália Rodrigues, Eusébio e a nossa selecção nacional no Mundial de Futebol de Inglaterra não podiam deixar de figurar no meu álbum de família.

 

Nada nem ninguém pode exagerar o lugar que ocuparam no imaginário português e o que fizeram na sua época pelo nome de Portugal em todo o mundo. Isto compreende-se mais facilmente quando ainda hoje, meio século depois, é ao futebol que os portugueses vão buscar as suas maiores alegrias e motivos de orgulho.

 

 

Se é a primeira que visita leia também aqui

 

 


18.2.11

 

 

 

"Diário Popular", Janeiro de 1968

 

 

Vera Lagoa (pseudónimo de Maria Armanda Falcão) tornou-se uma personagem marcante na década de sessenta. Cronista social de incrível irreverência, assumiu, pela mordacidade, pela elegância da sua escrita, da sua postura, um papel inovador entre nós — crispando por igual os moralistas da direita e da esquerda.

 

Observadora astuta da alta burguesia, farpeia personalidades até aí intocáveis. As setas com que mimoseia, por exemplo, Natália Thomaz, filha do Presidente da República, nas compras, nos chás, nas estreias, nas recepções fazem-se, jornalisticamente, antológicas.

 

O pseudónimo Vera Lagoa surgiu durante um almoço com Luís de Sttau Monteiro: Vera proveio do desejo de ser verdadeira, Lagoa do vinho branco que bebiam à refeição.[…]

 

Membro do staff da candidatura à Presidência da República de Humberto Delgado, em 1958, Vera Lagoa não conseguiu que o general seguisse, no seu apoteótico regresso do Porto, o itinerário anunciado entre Santa Apolónia e o Rossio. «Ele deixou-se influenciar pelos que o rodeavam, sobretudo pela mulher. Estavam com medo que a polícia provocasse incidentes graves, dada a multidão presente. A caravana, que seria triunfal, não se fez. Foi pena. Desperdiçou-se uma ocasião única... essa cedência marcou o princípio da derrota do general.»[…]

 

Mulher de paixões (não de ideologias), extrema-se, após o 25 de Abril e a separação de Tengarrinha, à direita. Encabeça as primeiras reacções públicas contra os comunistas — que passa a combater como outrora combatera os fascistas.

 

Saída do Diário Popular, funda O Diabo (recuperando um título de prestígio), que o Conselho da Revolução manda, porém, suspender. Inconformada, enfrenta os poderes e lança O Sol, também semanário. Uma bomba explode nas suas instalações, destruindo-as. Chamados a pronunciar-se, os tribunais restituem-lhe O Diabo.

 

«A Maria Armanda era uma pessoa com muito mais valor do que a Vera Lagoa. Tinha mais energias, mais coisas porque lutar. A Vera Lagoa afasta muita gente que a Maria Armanda gostaria de ver junto de si. Antigamente vivia rodeada de certas pessoas que estimava muito», dirá, falando na terceira pessoa, da sua dupla e contraditória identidade.

 

 

Fernando Dacosta

in  Nascido no Estado Novo

Editorial Notícias, 2001 / reeedição Casa das Letras, 2008  aqui

© Fernando Dacosta

 

 

Vera Lagoa.jpg

 Crónicas de Vera Lagoa

 

 

No capítulo do meu livro* sobre o período passado em Madrid usei as crónicas sociais que a jornalista Vera Lagoa escrevia nessa época para o "Diário Popular". Escolhi-as por causa dos títulos e porque gosto de recortes de jornal. Num deles vemos Amália Rodrigues e o Príncipe Don Juan Carlos. Amália não podia faltar no meu álbum de família, por todos os motivos, e até aparece mais do que uma vez. Mas independentemente do caso de Amália, creio que um livro como o meu, que também pretende mostrar uma época, ganha sempre em incluir personalidades públicas, e já agora, se possível, tão simpáticas como estas.

 

 

As "Bisbilhotices" de Vera Lagoa causavam sensação pela sua novidade, o que poderá fazer sorrir nos dias de hoje. O certo é que reflectiam uma mudança de atmosfera, ainda que subtil, na sociedade portuguesa dos anos 60.  Subtil, porque "a ostentação chegara a Portugal. Mas não a liberdade, nem o fim da guerra colonial".*

 

* v. "Retrovisor, um Álbum de Família" texto de Maria Filomena Mónica  p.117

 

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14.2.11

 

 

 

 

 

 

 

 

neste terceiro ano de actividade bloguística talvez valha a pena fazer um balanço. Começo por explicar aos visitantes recém-chegados que me lancei nisto para anunciar um livro que tinha acabado de escrever e ia publicar daí a uns meses, em edição de autor (saiu em Maio de 2009). Não podendo contar com grande visibilidade nem distribuição, a oportunidade de usar uma montra gratuita e interactiva era bastante tentadora. Também desejava mobilar o "vazio", quase inevitavel após a finalização de um projecto que me ocupava há muito tempo.

 

 

Um blog, além de servir para mostrar imagens e curiosidades que tinham ficado na gaveta, permitia seguir com os mesmos temas - recordações, álbuns de família, fotografias, curiosidades - e explorá-los mais livremente, sem as mesmas preocupações de coerência, cronologia, fio narrativo, ou o que fosse. Com a ajuda de autores favoritos, fui assim construindo este 'arquivo', procurando casar o álbum de família com as minhas leituras e os assuntos que me interessam.

 

Valeu a pena: julgo que este Retrovisor contribuiu para criar interesse no outro, cuja edição impressa (500 exemplares) se encontra quase esgotada. Volta e meia sinto a satisfação de 'acrescentar um conteúdo'  que ficará guardado na net. Tive a alegria inesperada de reencontrar amigos que perdera de vista e fiz novos contactos na blogosfera.

 

 

Ultimamente este blog recebia 20 a 30 visitas por dia, o que, não sabendo se é muito se é pouco, me contentava. Há dias o Retrovisor mereceu um destaque dos "blogs do sapo", que fez disparar o número de visitas, uma agradável surpresa, veremos se muda alguma coisa. A média de comentários é que é baixa, menos de um por post. Gostava de receber mais feedback, em particular dos visitantes regulares, que sei que há alguns, pelo menos em Portugal, França, Bélgica, Brasil e Estados Unidos. Aos leitores que se têm manifestado, por comentário ou e-mail, nunca agradeço o suficiente.

 

 

Muito obrigada a todos pela visita!

 

 

Imagem: cartão de Dia dos Namorados, E.U.A., anos 50

 

mais sobre este blog e o livro na tag "retrovisor"

 


12.2.11

 

 

 

 

 

 

Por incrível que (me) pareça, não consigo lembrar-me se tínhamos televisão em casa enquanto vivemos em Madrid, de 1967 a 1969. Do que me lembro é de ouvir este programa na rádio, todos os dias, religiosamente, na companhia do meu irmão, que era pequeno mas já adorava música. Ao sábado íamos juntos à loja de discos da calle Serrano comprar um "single" com a semanada.

 

A fabulosa música popular nesses anos obliterou a TV .

 

 

"Los 40 Principales" aqui

 

 

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10.2.11

 

 

 

 

Madrid, 1967

 

 

 

À chegada tínhamos sido recebidos por amigos de São Francisco, um bom augúrio por certo, as coisas começavam bem. A alegria dos espanhóis e a animação de Madrid, em brutal contraste com o ambiente sorumbático de Lisboa, seduziram-me de imediato. E fosse como fosse, em Madrid ser estrangeira deixava de ser um sintoma de desajustamento para se tornar numa realidade concreta, um dado objectivo. O estatuto agradou-me.

O liceu era mais pequeno e acolhedor, e a facilidade com que me integrei na quatrième fez-me compreender melhor, finalmente, o sentido de frequentar o ensino francês. Tornei-me uma aluna calma e razoável.

Viver de novo com os meus pais, na nossa própria casa, apenas com o meu irmão, seis anos mais novo, e duas empregadas, foi solitário e reconfortante ao mesmo tempo. Os meus pais viviam muito absorvidos em si mesmos e nas suas vidas, mas tinham amor e respeito um pelo outro, e por nós também, o que afinal de contas é o principal. Embora nunca mais se pudesse colar tudo o que se tinha partido, os anos que passámos em Espanha seriam de reconstrução.

 

 

 

Imagem: O meu irmão é o quinto a contar da direita, na última fila

 


 

 



7.2.11

 

 

 

 

Praça Duque de Saldanha, Lisboa, anos 60

 

 

 

Deixar Lisboa em 1967 foi uma lufada de ar fresco. Ia fazer catorze anos.

 

O tempo que aqui vivera, marcado por um 'luto' e circunstâncias familiares agravantes, tinha sido difícil. Acabara por me habituar à vida em Portugal, à casa dos meus avós, às ausências dos meus pais, ao liceu francês, mas não me tinha conformado, o que associo a uma série de doenças que me afligiram ao longo desse período, e por fim a um acidente – por distracção, à saída da escola – no qual podia ter morrido.

Na escola,  precisamente, nem tudo corria bem. Findo o ciclo franco-português e passado o exame da quarta-classe, obrigatório para os alunos portugueses, seguira para a sixième (primeiro ano da “secção francesa” do liceu) e entrara novamente em derrapagem. Dispersa e indisciplinada, ao contrário dos meus irmãos que eram bons alunos, as comparações inevitaveis pesavam-me.

Eu gostava do liceu francês mas não conhecia a França. As roupas de pronto-a-vestir que admirava todas as semanas na “Elle”, e outros acessórios muito cobiçados, que as francesas do liceu apresentavam no início do ano lectivo, ao regressar de férias, estavam fora do meu alcance. As minhas amigas eram uma americana e uma portuguesa, tão estrangeiras ali como eu. A minha irmã tinha deixado Portugal em 1965.

No meu meio social, de classe média (funcionários públicos) ocasionalmente em contacto com a classe média-alta (parentes e amigos ricos), também nem tudo corria bem. Apesar da amizade que tinha por alguns primos e filhos de amigas da minha mãe, e da amizade que eles tinham por mim, o convívio, por intermédio deles, com os adolescentes privilegiados do Estoril e de Cascais era geralmente mais sufocante do que outra coisa.

 

Parti para Madrid sem saudades e com alguma expectativa.

 

 

Se é a primeira vez que visita leia também aqui

 



3.2.11

 

 

 

 

este número da revista aqui

 

 

O meu pai faria anos hoje. Havia de achar graça e ficar todo satisfeito com esta escolha de capa da "Relações Internacionais". Vem ela a propósito da recente eleição de Portugal para o cargo de membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, por um mandato de 2 anos.

 

Esta fotografia foi tirada em Maio de 1979, mês em que coube a Portugal assumir pela primeira vez a presidência do CS, era ele nosso embaixador na ONU.

Recentemente apareceu na televisão, por duas vezes, na série de programas de Joaquim Furtado sobre a guerra colonial transmitidos pela RTP. Em Dezembro último foi recordado pelo Embaixador Paulouro das Neves no final de uma entrevista ao “Diário de Notícias”:

 

 

A missão de um diplomata é diferente hoje?


Creio que não. [...] A essência não mudou. Quando eu estava em Brasília, no tempo do PREC, aprendi com o embaixador Futscher Pereira que um diplomata tem o dever de dizer a verdade sem ofender as autoridades do país onde está, e dizer a verdade ao Governo do seu país correndo o risco de o ofender. Isto mantém-se hoje.

 

 

 

 

A entrevista do Embaixador Paulouro das Neves na íntegra aqui

 

Mais sobre a série de reportagens de Joaquim Furtado aqui

 

IPRI aqui

 

 



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