26.8.09

 

 

 

François Truffaut com os actores de Baisers Volés (1968)

 

 

 

Roman d'apprentissage, Baisers volés est aussi le récit d'un échec oedipien. Dans un premier temps, la loi du désir balaie avec ironie et mordant la loi des pères. Mais, la voie du couple dans laquelle s'engage Doinel est une imposture. Œdipe devra souffrir.

Le générique se déroule sur l'image des portes de la Cinémathèque fermées par des grilles qui en interdisent l'accès. Ce plan signale d'abord les circonstances de tournage du film. Truffaut se trouvait à l'époque, c'est à dire trois mois avant Mai 68, entièrement absorbé par la défense d'Henri Langlois qui venait d'être renvoyé de la Cinémathèque. Il tourna le film en menant "une double vie de cinéaste et de militant". Improvisées à la dernière minute, réalisées dans un climat de jeu et d'insouciance, les séquences de Baisers volés furent tournées comme une suite de sketches. L'extrême découpage du film (près de 700 plans) fut dicté par les circonstances. Si la merveilleuse scène où Monsieur Tabard expose ses problèmes au directeur de l'agence de détective et celle du monologue de madame Tabard dans la chambre d'Antoine sont très morcelées, c'est simplement que les acteurs, qui avaient reçu leur texte une seconde avant de tourner, ne savaient pas leur rôle.

Le film s'organise selon une ligne directrice souple que Truffaut définit en ces termes :

En vérité, dans Baisers volés, chaque spectateur amenait son sujet, pour les uns c'était l'Education sentimentale, pour les autres l'initiation, d'autres encore pensaient à des aventures picaresques. Chacun apportait ce qu'il voulait, mais il est vrai que c'était dedans. On  avait bourré le film de toutes sortes de choses liées au thème que Balzac appelle "Un début dans la vie".

Baisers volés suit en effet le schéma classique du récit d' apprentissage : un jeune homme, sortant de l'armée pour entrer dans la vie, passe par diverses phases initiatiques et s'intègre, à la fin du film, à l'ordre social par le mariage. C'est d'ailleurs le seul film de Truffaut qui se termine par la formation d'un couple selon le modèle traditionnel du cinéma américain. Il y a pourtant une série d'os dans la version truffaldienne de ce scénario. Pour commencer le jeune homme ne sort pas de l'armée mais il en est chassé et, pour finir, alors qu'il vient tout juste de proposer le mariage à la jeune fille, un fou surgit pour le traiter d'imposteur. Entre temps intervient une série d'épisodes qui méritent un examen attentif car, si Truffaut reprend des schémas classiques de la fiction, il les agrémente du piment de la subversion.

 

Anne Gillain

in François Truffaut:Le Secret Perdu

 

 

Edições Hatier, 1991

Leia o texto integral deste artigo aqui

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24.8.09

 

 

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22.8.09

 

 

 

 

 

Nazaré, Portugal, 1956

Fotografia de Édouard Boubat

 

 

 

You know, in photography we use some marvelous words, like "aperture." One is the camera's diaphragm, which is a mechanical thing, but there is also our own "aperture", our own opening up to reality. Take the photo of the man on the seashore. It was my first trip to Portugal, I believe it was in 1956. In those days traveling seemed extraordinary, there were very few tourists, we had been on the road for two or three days, we arrived at a hotel by the seaside, Sophie was a little tired, and I said, "I am going to the beach," I had only my little old Leica, and that man was there, click. I had only arrived half an hour before, but there he was, with his child, as if he had been waiting for me, and so I took my first photo of Portugal, a photo that will endure. I had come a long way, I had dreamt of Portugal, so in a sense I too was waiting for him, there was expectation on both sides. In some way, a photo is like a stolen kiss. In fact a kiss is always stolen, even if the woman is consenting. With a photograph it's the same: always stolen, and still slightly consenting.

Edouard Boubat
em entrevista a Frank Horvat, que pode ler na íntegra aqui
 


20.8.09

 

 

 

vasco cristina paris 1972

 

Vasco e Cristina, 1972

 

 

 

 

What would the dead want from us

Watching from their cave?

Would they have us forever howling?

Would they have us rave

And disfigure ourselves, or be strangled

Like some ancient emperor's slave?

 

None of my dead friends were emperors

With such exorbitant tastes

And none of them were so vengeful

As to have their friends waste

Waste quite away in sorrow

Disfigured and defaced.

 

I think the dead would want us

To weep for what THEY have lost.

I think that our luck in continuing

Is what would affect them most.

But time would find them generous

And less self-engrossed.

 

And time would find them generous

As they used to be

And what else would they want from us

But an honoured place in our memory,

A favourite room, a hallowed chair,

Privilege and celebrity?

 

And so the dead might cease to grieve

And we might make amends

And there might be a pact between

Dead friends and living friends,

What our dead friends would want from us

Would be such living friends.

 

 

James Fenton

 

 

 

Vasco Luís Futscher Pereira (3 de Fevereiro de 1922 — 20 de  Agosto de 1984)

 

O poema foi lido por Aline Tayar numa cerimónia organizada em memória de Cristina  pelos seus colegas intérpretes do Parlamento Europeu, no dia 25 de Outubro de 2005, em Estrasburgo. 

 


15.8.09

 

 

Querida Vera,

 

serve o presente para te dizer o quanto aprecio o trabalho de investigação e de (re)criação a que te entregaste. Sem querer cair na vulgata psicanalítica, o resultado deste teu "investimento" pessoal e afectivo é um exemplo feliz de "sublimação" ou não fosse a vida uma alquimia onde calcinamos as frustrações e o sofrimento no fito de chegarmos ao ouro do "conhecimento"  de nós próprios e dos demais.

(J.A.S.)

 

 

O comentário foi deixado aqui pelo meu amigo Jorge, antes mesmo de ter folheado o meu livro ou lido a sua epígrafe, que retirei de Uma Infelicidade Maravilhosa, ensaio dedicado aos processos de cicatrização das feridas do passado.

 

Revisitar o passado para o (re)criar, como tão bem diz o Jorge, corresponde quase sempre à necessidade de conferir um sentido ao sofrimento. No lançamento de Retrovisor, não abriu o meu irmão o seu discurso de apresentação interrogando-se sobre as razões que levam a escrever um livro deste tipo? Para logo citar famosa frase (de Tolstoi, em Anna Karenina): "As famílias felizes parecem-se todas; as famílias infelizes são infelizes cada uma à sua maneira".

 

 

Que diz Cyrulnik?

 

Tal como a felicidade, a infelicidade nunca é pura. Mas, assim que construímos a sua história, conferimos um sentido aos nossos sofrimentos e compreendemos, muito tempo depois, como pudemos transformar um infortúnio em algo de maravilhoso, pois qualquer homem agredido é obrigado a metamorfosear-se.

 

A leitura de Uma Infelicidade Maravilhosa foi esclarecedora porque sendo embora impensável comparar os meus infortúnios com as provações suportadas pelos homens e mulheres de que este livro nos fala — permitiu-me compreender melhor certos aspectos da minha história pessoal. Confortaram-me, ainda, a confiança e o optimismo que o autor transmite, ao debrucar-se não tanto sobre os danos provocados pelo trauma mas antes sobre os processos de reparação:

 

O que é interessante para o nosso tema é o facto de todos os que conseguiram ultrapassar as suas dificuldades terem elaborado, muito cedo, uma “teoria da vida”, que associava o sonho e a intelectualização. Quase todas as crianças resilientes tiveram de responder a duas questões. A primeira, «porque tenho de sofrer tanto?», levou-as a um processo de intelectualização. A outra, «apesar disso, como farei para ser feliz?», incitou-as a sonhar.

 

 

 

 

Tradução de Carlos Correia Monteiro de Oliveira

Editora Âmbar

© Éditions Odile Jacob, 1999

 

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9.8.09

 

 

I didn't expect silence. We had always talked so much. She was my best friend as well as my sister: a little less than three years younger than me, the child I needed to protect when I was still a child (and my parents scarcely grown-ups themselves); yet I could not protect her now. When we knew that she was going to die, because the cancer had spread to her lungs and her liver, we spoke about how we would always talk to each other, even after her death. Neither of us had grown up believing in a conventional Christian afterlife (and anyway, I had given up on that unkind God after his failure to answer my prayers to save her); but, even so, it seemed impossible that we would ever be separated by silence, that our voices were contained only in our flesh and blood.
Yet in the weeks after her death, I heard nothing. At night there were just my own muffled screams in the pillow when I went to bed; or the memory that I tried to block out but which filled my head of her agonized breath on her last night, as she gasped for all that remained of life. And I could say nothing to her except, ‘I love you, I love you, I love you.’ ‘I love you too,’ she whispered, before she slipped away to a place where I could not follow.

Justine Picardie
in If the Spirit Moves You
© Justine Picardie, 2001

 

 

 

 Este e outros livros da autora aqui

 

 

Inconformada com a morte da irmã, esta jornalista britânica passou um ano a investigar aqueles que dizem comunicar com ‘o outro lado’. É o diário de um luto, transformado em inquérito sobre a vida depois da morte na era do cepticismo. Um livro honesto e comovente. 

link do postPor VF, às 13:30  comentar

4.8.09

 

 

Museu do Chiado, 4 de Maio de 2009

Fotografia de Vladimir Castro Rodas


 

Passados três meses sobre o lançamento de Retrovisor, um Álbum de Família, recebi já uma série de comentários de leitores, a quem dedico este 'post', com a minha sincera gratidão. Num país em que o silêncio é por vezes ‘ensurdecedor', as reacções dos meus leitores encorajam-me a partilhar aqui algumas das suas observações.Será mais uma pista da exploração que me propus fazer, neste espaço, e na sua companhia, Caro Leitor, quando inaugurei este blog em torno do meu livro e dos temas que aflora.

Palavras de leitores:

No dia em que lançaste o livro vim para casa e comecei a ler, foi tipo devorar. E tem andado aqui em cima da minha mesa de trabalho.

J.M.

Recebi hoje de manhã o teu 'Retrovisor' e passei a tarde a lê-lo.

M.N.F.

 

Muito lhe agradeço o envio do livro sobre a vossa família que li num só “trago”.

P.L.M.

Depois de várias aberturas e leituras gostosas aqui e além no livro, li ontem à noite 'Retrovisor' de fio a pavio…

J.C.

Li finalmente o teu livro, ontem à tarde, de uma assentada.

Bastará isto para que vejas que gostei.

R.C.D.

 

Com efeito, nada me poderia dar maior satisfação. Julgo que qualquer autor sente o mesmo.

 

Pus um grande cuidado na fluidez do texto, ou, melhor dizendo, na sequência dos vários e diferentes textos de que o livro é composto, e foi essa a minha maior preocupação na ‘costura’ final dos capítulos. Creio que foi a ler e, talvez mais ainda, a ver filmes, que compreendi toda a importância do ritmo da narração, de manter o espectador informado, e do cuidado a ter com o “raccord” entre cenas, para evitar incoerências, por mais pequenas que sejam, susceptíveis de o confundirem. Ao longo da paginação do livro, no atelier de Patrícia Proença, muitas fotografias e páginas foram mudando de lugar até me certificar de que as respectivas legendas e outros conteúdos não interferiam no fio narrativo.

 

Imaginei o meu álbum de família como um “filme”, e do cinema e suas metáforas me tenho socorrido por mais de uma vez. Hoje, graças aos amigos (e alguns, poucos, desconhecidos) que leram Retrovisor e tiveram a generosidade de mo comentar, declaro-me satisfeita com a "montagem".

Sobre este tema, recomendo um livro que li quando comecei a escrever o meu:

 

Folheie o livro aqui

 

 

 

Imagem:  No lançamento de Retrovisor, na Cafetaria do Museu do Chiado em Lisboa.

 

introdução de Retrovisor, um álbum de família está aqui

 

Para saber mais sobre a feitura do livro clique na tag “retrovisor”.

 

link do postPor VF, às 14:18  comentar

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