31.1.09

 

 

Vasco, c. 1924


outra foto de Vasco aqui

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29.1.09

 


 

Guilherme de Barros Pereira de Carvalho

Baía, Brasil, c. 1896

 

 

Outra foto de Guilherme aqui

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27.1.09

 

 


 

António, Rosita e Zeca

c. 1895

 

 


 

 

 

 

outra foto de Rosita aqui

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25.1.09


 

 

Lisboa, c. 1915 

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23.1.09

 

 

 

Criança, c. 1880

Estúdio A. Fillon, Lisboa

(frente e verso)

 

 

 

 

It is a nostalgic time right now and photographs actively promote nostalgia. Photography is an elegiac art, a twilight art. Most subjects photographed are, just by virtue of being photographed, touched with pathos. An ugly or grotesque subject may be moving because it has been dignified by the attention of the photographer. A beautiful subject can be the object of rueful feelings, because it has aged or decayed or no longer exists. All photographs are memento mori. To take a photograph is to participate in another person’s (or thing’s) mortality, vulnerability, mutability. Precisely by slicing out this moment and freezing it, all photographs testify to time’s relentless melt.

 

 

 

© Susan Sontag

 

 

 


20.1.09

 

 

Zulmira de Jesus

São Francisco, c. 1958

 

Tu étais Nanie depuis ma naissance. Les grandes personnes t’appelaient Thérèse, les voisins Mademoiselle Thérèse, le facteur Mademoiselle Lecompte, mais nous: Nanie. Nos parents étaient tes patrons, mais nous étions tes filles. Tu t’occupais de tout, et de nous en plus. Tu faisais battre le coeur de la maison, circuler le sang des étages aux caves. Et notre coeur en plus. Un travail gigantesque.

Tu n’étais pas une “bonne”, mot inconnu au lexique familial. Je l’ai découvert en lisant Les Malheurs de Sophie, un été sous les tilleuls. L’insupportable Sophie (elle coupait des poissons rouges en rondelles; les vers de terre, encore, ça continue à bouger, mais les poissons rouges, berque!) l’employait à tout bout de champ. Et “ma bonne” par-ci, et “ma bonne” par-là. J’ai donc essayé et ma mère m’a enguirlandée. C’était un gros mot. Très vilain. Comme aristocrate ou putain. Pareil. Digne des affreux parvenus nouveaux riches. Sophie n’était pas un petite fille modèle, ton assistante était une employée de maison, et toi, tu étais Nanie. Point final.

 

© Alix de Saint-André

 

 

 

 

 

 

Mais sobre a autora aqui e outro excerto de Ma Nanie aqui

 

Mais sobre o Álbum de Família aqui

 

 

 

 

 


17.1.09

 


 O 'Livro do Bébé' de Cristina

Edição Papelaria da Moda, 1947

 

 

Quando me propus fazer um álbum de família em livro, não tinha escrito uma única palavra, só pensava nas fotografias. Embora naquela altura imaginasse um objecto artesanal e de âmbito restrito, sabia que, antes de mais nada, era essencial encontrar um designer gráfico. Não possuía, simplesmente, conhecimentos à altura das minhas ambições a este nível. Tinha o quadro mais ou menos pensado, mas precisava da moldura. Não sei necessariamente o que procuro, mas não tenho dificuldade em saber do que gosto. E o facto de contratar alguém também funcionaria como compromisso de levar o projecto a bom porto.

 

Uma circunstância feliz pôs-me em contacto com Patrícia Proença, com quem simpatizei de imediato e que descobri conhecer, afinal, do meu passado distante, um passado que ela compreenderia. É, como eu, filha de um diplomata.

 

Propus um regime de sessões de trabalho remuneradas, capítulo a capítulo, para ter sempre as contas em dia na eventualidade de desistência ou impedimento da minha parte.

 

Levava-lhe as fotografias e os textos gravados num CD, passávamos em revista o material e, na sessão seguinte, ela apresentava-me o trabalho impresso, acertávamos correcções e assim por diante, a um ritmo muito variável, condicionado à minha vida e à vida dela. Digitalizei eu todo o material e também restaurei a maior parte das fotografias. Tranquilizava-me imenso o facto de tudo aquilo ir ficando guardado também no computador da Patrícia. Ao longo do trabalho houve um ou outro intervalo maior, a certa altura uma interrupção de quase um ano, mas sem nunca pôr em causa o projecto.


 

Em 2004, a Patrícia fez o design e a ilustração de A Moira Encantada, de Almeida Garrett, um livrinho que me é particularmente caro.

 

A Moira Encantada.jpeg

 

 

Quanto a Retrovisor, um Álbum de Família, O ano de 2008 foi dedicado a revisões, em que trabalhámos lado a lado, por sessões de duas horas. A Patrícia acolheu sempre todas as minhas escolhas com o bom humor que a caracteriza e uma abertura total, e manifestou sempre um entusiasmo sincero pelas fotografias e documentos que lhe fui apresentando.

 

Quando o meu livro sair, e apesar do alívio de termos chegado ao fim de um trabalho tão moroso, sei que vamos sentir a falta uma da outra pois divertimo-nos muito.

 

Espreite o portfolio de Patrícia Proença aqui 

 

A Moira Encantada aqui

 

Mais sobre o meu Álbum de Família aqui e também aqui

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14.1.09

 

 

Nos corredores da Faculdade surgia o neo-realismo, receita de um estado novo ao contrário. Eu lia. Comprava esse movimento de sinceros e insinceros, sangue na estrada, miséria no lar, justiça que se impunha. O Alentejo dava porcos e neo-realismo, e passados mais de vinte anos continuava ainda a dar mais porcos e neo-realismo, tal o atraso de subdesenvolvimento em que nos encontramos. A cobertura quase total, os críticos mais apaixonados, tudo que não estivesse na defesa do povo, era condenado. Eu estaria para sempre condenado — um apátrida das letras. Mal sabia que daí a meses o acaso, mais uma vez na vida, me faria mudar de rumo. Iria encontrar em cheio, no domínio do poder literário, a força antídota e semelhante à situação política — aguardava-me em Coimbra a maçonaria poderosa e crescente do neo-realismo. O público estava já habituado ao ersatz, os editores caldeiravam a ração sem razão, não sabiam, dava-lhes dinheiro, como o algodão de Angola, o café e os diamantes. Havia que emborcar, e estar calado, saíndo fora da linha resultava levar na cabeça. E do Alentejo continuava a desembarcar mais prosa e mais suinagem. Tudo era verdade, quem não estivesse dentro da ordem nova, um excomungado. Havia que pertencer a uma ordem maçónica. Estar junto, amancebar o nosso espírito. Talvez a exigência da época, pensava eu. Qual época qual carapuça, sim a exigência mesquinha do português de querer tudo arregimentado. Essa a triste conclusão. O intelectual português passou séculos de perseguição e de miséria, não pode ter grandeza, a grandeza é produto da liberdade. No útero da sua natureza andrógina ele ainda ouve os sons da Inquisição, o silêncio da procissão dos autos-de-fé. Como haviam de aceitar um artista? Um artista só se aceita quando há liberdade de expressão. Foi assim que receberam Eça de Queirós, que sentiram Raul Brandão. Se eles ainda respirassem, seriam pasto para se queimarem vivos, tanto por parte dos neo-realistas como dos estado-novistas, ambos totalitários, ambos negadores de uma verdade de expressão que se sobrepunha à sua receita. Como podia eu ter consciência de culpa de um crime que não praticava?

A resposta foi dada pelo Cinatti ao publicar a revista Aventura. Ele não fazia cerimónia para dizer a verdade, menos ainda o Jorge de Sena, o Carlos Queirós, a Sophia, o José Blanc de Portugal, o Casais e tantos outros que colaboravam — "uma cidadela fundamentada na Amizade".

 


 

 

Ruben A.

in O Mundo à Minha Procura (vol.II)

 

 

 

Dedicatória aos meus pais

do segundo volume da autobiografia de Ruben A.

1966

 

 

Mais sobre o autor aqui , a sua autobiografia aqui e a sua fotobiografia aqui

 

 


11.1.09

 

 

Margarida, 1940

 

 

A minha mãe aos vinte anos. Nesta altura estudava filologia germânica na Faculdade de Letras, onde conheceu alguns dos seus maiores amigos.

Gostava acima de tudo de poesia. Anos mais tarde haveria de publicar dois livros de poemas. 


 

na avenida

 

sobre o pavimento enobrecido

poisada, a sombra —

não sei quê despercebido

entra de soslaio

no meu olhar embevecido

 

evasiva

a sombra treme,

e o sol entontecido

despista a pomba

 

passam assim,

oblíquos,

os reflexos de algo indeciso

entre o sonhar e o partir

para um país desconhecido...

 

 

Margarida Futscher

Lugar Comum, 1965

 

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10.1.09

 

 

Vasco Luís e Gonçalo Luís c. 1941

 

O meu pai teria aqui uns dezoito ou dezanove anos. Gonçalo, seu primo-direito, era um pouco mais velho. Um como outro eram filhos únicos e cresceram quase como irmãos. Escolheram ambos a carreira diplomática mas não o mesmo curso. O meu pai estava matriculado em Coimbra, em histórico-filosóficas, mas julgo que só lá ia para os exames pois trabalhava em Lisboa. Deve ter sido por esta altura que leu La Chartreuse de Parme, Les Liasons Dangereuses e Dom Quixote de la Mancha. Foi uma época de grandes descobertas pela mão do professor Agostinho da Silva, entre outros mestres.

 

A fotografia, por não ser inédita, não fará parte de “Retrovisor, um Álbum de Família”. Foi publicada em 1984 no catálogo de uma exposição de pintura do meu pai. É da autoria de Francisco da Silva Fernandes, amigo de toda a vida dos meus pais e toda a vida fotógrafo amador apaixonado.

 

Se é a primeira vez que visita este blog, leia também aqui. 

 

 

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7.1.09

 

Marão-1938.jpg

 

Marão, 1938

 

De política, nenhum de nós sabia nada. Era como se tudo o que vinha nos jornais se passasse a séculos e milhares de quilómetros de distancia. As nossas famílias não se interessavam por política, senão em termos de «Ordem», e louvavam-se da paz que o governo impusera a um país em desordem. Qual seria esta desordem e como era a ordem que o governo impunha, nós não fazíamos grande ideia. Os jornais falavam às vezes do caos administrativo e financeiro do passado, enaltecendo as providencias do governo. (…) Mas as transcendências do orçamento e da dívida pública ultrapassavam de muito as especulações das nossas famílias da média ou da alta burguesia. A «ordem» era o contrário de haver «revoluções». (…) Na minha infancia, ainda houvera «revoluções» que eram, para mim, inseparáveis de passarmos dois ou três dias no quarto interior e escuro da casa, deitados no chão, «por causa das balas perdidas» enquanto meu pai e o vizinho de baixo, na escada, discutiam de onde eram os tiros que se ouviam: a Penha de França, a Graça, a Ajuda, etc., sem chegarem a outro acordo que o resultante de, a um estrondo maior, meu pai voltar para dentro, e recolher-se ao quarto escuro, chamado pelos clamores lancinantes da minha mãe. Depois, as revoluções tinham efectivamente acabado, ou abortavam longe e em silêncio, esmagadas suplementarmente pela severidade dos periódicos (que meu pai lia alto, com grandes assentimentos de cabeça) e por grupos de pescadores da Nazaré ou lavradeiras do Minho, que, com os seus trajes típicos, vinham ao Terreiro do Paço, com os regedores na frente e a banda de música, oferecer flores aos salvadores da ordem, que se juntavam todos numa janela a agradecer, como eu e outros, escapados ao liceu, havíamos ido ver uma vez. (…) Claro que, ainda no liceu, o «Anschluss» fora discutido e a Guerra da Etiópia também. Mas a ascensão de Hitler, cujo nome começava a ser conhecido, não aparecia, mesmo no noticiário dos jornais, como uma ameaça às democracias, mas sim como uma perturbação da «ordem» estabelecida pelos «Aliados» na Primeira Grande Guerra. E Mussolini era muito louvado oficialmente, ainda que com discreção, pela sua autoritária organização do progresso da Itália. Todavia, a guerra da Etiópia não era o mesmo que o Anschluss... Que se unissem povos da mesma língua e da mesma raça, não nos parecia coisa por aí além. Que se atacassem o Negus e os «ráses», que o noticiário apresentava habilmente na contradição de serem uns selvagens quase antropófagos, que se recusavam às delícias do progresso, em nome de uma independência que datava desde Salomão e a Rainha do Sabá (e todos nós conhecíamos, de nome, muito mais a Etiópia do que a Austria, já que esse país figurara nas pompas onomásticas dos reis de Portugal,que sabíamos de cor desde a escola primária), eis o que era, sem dúvida, uma agressão. Não o eram, é claro, as campanhas de ocupação africana, que andavam então na moda oficial: os italianos não tinham sido, na verdade, os descobridores da Etiópia, como nós o havíamos sido de tudo e da Etiópia também. Era, de resto, nestes termos de passado histórico que tudo era avaliado e, a tal ponto as coisas nos eram distanciadas, que a república fôra proclamada em Espanha, sem que déssemos por isso.

 

© Jorge de Sena

 

Mais sobre "Sinais de Fogo" aqui e sobre Jorge de Sena aqui

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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4.1.09

 

 

 


Madrid, 1944

 

 

Gostava que "Retrovisor, um Álbum de Família" abrisse na época do namoro dos meus pais, para depois voltar atrás, à infância e juventude de ambos, seguida dos restantes capítulos. Parecia-me mais cativante apresentá-los primeiro juntos, e foi por aí que comecei, mas aos poucos percebi que me faltavam o domínio de escrita e os conhecimentos necessários para fugir à ordem cronológica sem correr o risco de fazer o leitor perder o fio à meada.

Tudo o resto foi pesquisado, digitalizado e escrito por ordem cronológica, à qual toda a minha narrativa acabou por obedecer.

 

Consegui, em contrapartida, a conselho do leitor a quem mostrei a primeira versão completa, incluir os meus avós na história central, depois de inicialmente os ter associado aos meus bisavós numa secção separada, que apareceria no fim. E agora que o livro está quase pronto vejo que não poderia ser doutra maneira, à luz do papel que os meus avós tiveram na vida dos meus pais, assim como na minha vida e na dos meus irmãos.

 

 

 

Se é a primeira vez que visita este blog leia mais sobre o álbum de família aqui

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1.1.09

 

 


 

 

 

Hope is the thing with feathers

That perches in the soul,

And sings the tune without the words,

And never stops at all,

 

And sweetest in the gale is heard;

And sore must be the storm

That could abash the little bird

That kept so many warm.

 

I've heard it in the chilliest land

And on the strangest sea;

Yet, never, in extremity,

It asked a crumb of me.

 

 

Emily Dickinson

 

 

 

O retrato da autora é um daguerreótipo datado de 1846 / 1847.

 

o artigo "Why Emily Dickinson Would Not Smile For the Camera" está aqui

 

 

 

 

Bom Ano 2009.

 

 

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