30.12.08

 

Bernardo e Vera em S. Francisco, 1960

 

 

Nos anos cinquenta os meus pais fotografavam com uma Kodak Brownie. Aliás tinham duas, que infelizmente se perderam. Mas lembro-me perfeitamente do "caixote", preto e ligeiramente rugoso. Segurava-se na máquina à altura da cintura e olhava-se por cima para enquadrar.


 

 

 

Visite a George Eastman House aqui

Veja a Brownie que pertenceu a Marylin Monroe aqui.


27.12.08

 


 

Maria Rosa Deslandes Caldeira Coelho

Futscher Pereira

c.1973


Esta fotografia da minha avó Rosita, como todos a chamavam, foi tirada por mim. A mãe do meu pai tinha uma adoração por ele que nos incluiu a todos. Era doce, calma e secreta.O seu amor protegeu-nos muito.


 

L’appartement de ma mère communiquait avec celui de mes grands-parents. Une dizaine de marches, une double porte et un bout de couloir conduisaient au bureau de mon grand-père.

Cette pièce  devint très vite un refuge. Mon grand-père toujours m'y accueillait, toujours il su trouver de quoi m'aider à faire face. Pas pour longtemps, bien sûr, pour quelques heures, une soirée. C'était beaucoup. Ne vivions-nous pas à cette époque au jour le jour?

Lui, ne souriait pas d'un air désolé mais franchement, avec malice souvent. Pour me distraire il évoquait ce que serait ma future vie d'adulte qu'il prédisait passionnante. Aussi brillante que la sienne. Dès que j'étais en mesure de  me projeter dans l'avenir, d'émettre un souhait, si farfelu fût-il, il l'approuvait.

Je désirais écrire? Formidable! Des romans? Non seulement j'étais sa petite-fille mais j'avais du sang russe dans les veines comme Tolstoï et Dostoïevski, "les plus grands romanciers du monde", un sacré atout! Pour le théâtre? Ouille! Lui s'y était cassé les dents et me prônait la prudence. Je préférais devenir actrice? Quel beau métier! Pas facile, dangereux mais qui méritait qu'on y consacre sa vie! J'aurais déclenché le même enthousiasme en annonçant pianiste de jazz, marin-pêcheur, vétérinaire ou exploratrice. Et dans ces moments-là, je renouais avec l'idée d'un futur. Si lui y croyait...

Je lui en serai pour toujours reconnaissante.

 

 

Anne Wiazemsky

 

 

 

 

 

 

 

 

 

consulte as obras da autora disponíveis em português aqui


25.12.08

Boas Festas!

Descubra as diferenças

 

São Francisco, 1958

 

Eu sou a segunda, a contar da esquerda, na primeira fila. Morávamos desde 1955 em S. Francisco, onde o meu pai era o cônsul de Portugal. Atrás de mim está a minha irmã Cristina. A minha mãe escreveu no meu “Livro de Bébé”:

 

 

Natal de 1958

 

Soraya e Afsaneh Eghbal, Teresa, Carlitos, Mariano, Diego e Belen La Vera, Dominique e Nathalie de Fossey, com a Vera e Cristina na nossa casa, dia de Natal.

 


 

 

As primeiras eram filhas do cônsul do Irão em Francisco e os segundos eram filhos do cônsul de Espanha. Os meus pais gostavam muito de Ahmad Eghbal e da sua mulher, que era francesa, bem como de Carlos e Teresa de La Vera, que reencontrámos dez anos mais tarde em Madrid. Dos Eghbal não soube mais nada mas agora, ao "googlar" o nome, descobri que Afsaneh escreveu dois livros. O primeiro, publicado em 1983, tem por título L'espèce errante.

 

 


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22.12.08

 

 

 

 Lisboa, 1968

 

 

Quem se lembra da loja de brinquedos Pinóquio na Praça dos Restauradores? Hoje o espaço é ocupado por uma cervejaria com o mesmo nome. Teriam um fotógrafo de serviço na época do Natal? A qualidade da fotografia leva-me a crer que sim. 

 

Descubra aqui onde encontrei esta fotografia

 

 

 

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21.12.08

 


 

Lisboa, 2007

© Helena Cardoso

 

 

 

visite o blog da autora aqui

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19.12.08

 

 

 

 

 

Uma imagem da mais bela festa de Natal do cinema, a de Fanny e Alexandre, de Ingmar Bergman. Quis rever o filme mas a edição portuguesa em DVD encontra-se esgotada, segundo me disseram na loja, o que até me pareceu bom sinal.

 

No Natal recordo sempre a minha tia-avó Alice, que juntava a família toda numa ceia a seguir à Missa do Galo, na igreja de Santos. Em casa dela o pinheiro era como este e todas as crianças recebiam um brinde. Naquela noite reencontrava ali a magia que o Natal tinha perdido para mim desde o regresso dos Estados Unidos, em 1961.

 

 

 

 

Alice de Barros Pereira de Carvalho

(1917)

 

 

 

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15.12.08

 

 

 

 

 

Guilherme Pereira de Carvalho c. 1929

No banco de trás, em primeiro plano, a actriz Irene Isidro.

 

 

 

 

Esta fotografia figura na contracapa de Lisboa a 24 imagens, de Manuel Costa e Silva, um belíssimo álbum sobre Lisboa no cinema.

 

O dandy sentado ao volante é meu avô materno, Guilherme Pereira de Carvalho. Quando, há muitos anos, vi o filme Lisboa, crónica anedótica, de Leitão de Barros, admiti que o automóvel que circula numa das cenas fosse o do meu avô, que eu sabia ter sido amigo do realizador. Nos anos 20 do século passado não havia assim tantos automóveis em Lisboa. A fotografia deve ter sido tirada durante a rodagem do filme pois não é um fotograma da película.

 

No meu livro Retrovisor, um Álbum de Família incluirei apenas algumas das muitas fotografias que guardo deste meu avô, figura elegante da Lisboa do seu tempo. Sentado a seu lado está o motorista, que reconhecemos nesta outra fotografia, mais antiga que a primeira:

 

 

 

 

Margarida, Frederico e Stella com o motorista c.1925

 

 

 

Mais sobre o filme aqui e o realizador Leitão de Barros aqui e aqui

 

 

 

 

 

Mais sobre Manuel Costa e Silva aqui

 

 

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13.12.08

 

Stella e Miguel  c. 1947

 


 

Mais um enquadramento perfeito, que permite apreciar a moda da época. Não sei que praia é esta, mas quase todas as fotografias deste género que tenho guardadas, de diferentes épocas, foram tiradas em Cascais. Gosto desta repetição, da banalidade destes retratos em que tantos de nós nos reconhecemos.

 

Tentei reconstruir em photoshop a margem da fotografia, mas ficava com um aspecto artificial e optei assim por mostrá-la no estado em que a retirei da moldura.

 

 

 

 

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11.12.08

Amarante, 1938

 

 

 

 

 

 

 

Se houver consciência de que, sob o grandioso aparelho dos disfarces cronológicos, em qualquer estilo, dentro de qualquer género, em qualquer situação, em qualquer ambiente e qualquer que seja o assunto, é o homem eterno que está em causa, muito bem: todo o engenho, todo o ardil e a audácia são permitidos ao poeta para quebrar o encantamento da solidão e comunicar com o próximo, lançando a ponte do palco à plateia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

De qualquer forma e sejam quais forem os instrumentos e o método, o teatro assinala-se por um desvendar o que naturalmente e humanamente se esconde. O progredir da acção é um desocultar incessante, a partir do momento em que o pano de boca, abrindo o espaço cénico, nos coloca em intimidade com os personagens.

 

 

Destas fotografias, pouco mais consegui saber do que a data e o local em foram tiradas. Na primeira vemos ao centro, de vestido escuro minha tia Stella Pereira de Carvalho. Na segunda, a minha mãe é a primeira a contar da esquerda.

 

 

As legendas são excertos da obra À Boca de Cena (edições & etc, 1999) do dramaturgo Fernando Amado, que viria a dirigir os meus pais na peça A Caixa de Pandora, estreada em 16 de Junho de 1946 no Teatro do Ginásio, em Lisboa.

 

 

Visite aqui o Centro de Estudos de Teatro

 

 

 

 

 

 

 


8.12.08

 

Ao receber esta manhã a notícia da morte de António Alçada Baptista, fui reler Peregrinação Interior à procura de um excerto para aqui publicar. Recordava acima de tudo a simplicidade e o sentido de humor com que o autor descreve episódios da sua infância na Covilhã. Ficou para mim como um livro de memórias, um dos meus favoritos de sempre de um escritor português.

 

António Alçada Baptista é um dos escritores que cito em “Retrovisor, um Álbum de Família”. Reencontrei hoje aquelas qualidades intactas, assim como os sorrisos e risos que muitas passagens inevitavelmente convocam. Esquecera por completo as interrogações mais profundas destas “Reflexões sobre Deus” e mesmo o subtítulo deste memorial interior, como lhe chama o autor.

 

 

 

Às vezes penso numa coisa que havia ali na feira popular, em Palhavã, e que era o Poço da Morte. Pagavam-se quinze tostões e os voluntários eram submetidos à força de um vórtice que os fazia subir colados às paredes. Eu nunca tive coragem para me meter naquilo, mas ficava espectador interessado daquela minoria audaz que se entregava livremente à força que a fazia subir. Depois a máquina parava e as pessoas continuavam normalmente coladas ao chão, passeando a sua banalidade somente interrompida.

 

Sinto que um imenso surto vital irrompe na grande comunidade de espaço e de tempo em que estamos imersos. Que ele é feito do esforço dos criadores, santos, poetas e sábios, nomeados ou não, que ao longo dos tempos fizeram dum pequeno sopro interior a epopeia da conquista da verdade e da liberdade que paira ao longo da história como sua e nossa justificação. Sei que para a maioria das pessoas coisas destas nada significam, mas que há outras que fizeram da sua integração nesta epopeia a sua razão de viver. Julgo que Deus estará em mim e eu nele enquanto for capaz de manter esta vontade vital de permanecer na força do seu vórtice criador.

 

 

 

António Alçada Baptista

in Peregrinação Interior I

© Editorial Presença

 

 


5.12.08

 

 

 

 

Willy Ronis, Savoie, 1935

 

 

 

Les photographies des autres, celles qui sont imprimées dans les journaux, les revues, les livres et les cartes postales, mais aussi les méconnues et les obscures qui dorment dans des classeurs ont toujours captivé mon attention dans la mesure où elles me rappelaient des parents, des instants de ma propre histoire familiale, des moments de mon existence; et comme souvent ces éléments de ma vie passée et ces élans avaient été photographiés, ou plus généralement oubliés par l’objectif, j’ai toujours recomposé ce qui m’était cher – espoir, bonheur ou douleur –, à travers les images d’autrui.

 

 

 

Frédéric Mitterrand

in Tous Désirs Confondus

© RAPHO/TOP - ACTES SUD, 1988

 

 

 

 

O excerto e a fotografia de Willy Ronis figuram na contracapa deste livrinho de homenagem à agência de fotografia Rapho. O filme Rapho, histoire d’une famille foi realizado por Frédéric Mitterrand e Patrick Jeudy para as Rencontres photographiques d’Arles, 1987

 

 

Mais sobre a agência Rapho aqui e sobre Frédéric Mitterrand aqui

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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1.12.08

 

 

 

Margarida e Vasco c.1942

 

 

Esta é a fotografia dos meus pais que tenho em casa, dentro de uma moldura. Gosto destes formatos muitos pequenos (6x6 cm), do preto e branco e do enquadramento perfeito, que os mostra de corpo inteiro. As imperfeições —  ele numa posição ligeiramente desconfortável, ela de olhos fechados — acrescentam qualquer coisa a este retrato de namorados.

 

 

 


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