15.3.09

 

 

 

 

 

Maria Violante Vieira

1.11.1915 -  27.1.1997

 

 

 

Tinha o dom de ouvir os outros, porque se interessava verdadeiramente por eles e porque raramente falava de si própria. Julgo que mantinha essa sua reserva, ou pudor, mesmo com os amigos mais íntimos. Era inteligente e generosa.

 

Para minha irmã Cristina, em particular, a sua presença reconfortante, num período particularmente difícil para a nossa família, tornou-a numa figura de referência. Data desses tempos, ou seja do princípio dos anos 60, esta fotografia tirada por Cristina, no Monte Estoril, ou talvez em Sesimbra, onde Maria Violante se refugiava por vezes no Hotel do Mar.

 

 

Tita - como os sobrinhos e nós lhe chamávamos - tinha uma vida de trabalho intensa. Geria com a irmã, Maria Antónia Vieira Gagean, as empresas que haviam herdado do pai, a Papelaria Progresso e a Papelaria da Moda, e o escritório Vialga, representante da  Parker em Portugal. Ali foram empregues os talentos de criadores tão diversos como o designer Manuel Rodrigues e o poeta Alexandre  O'Neill, que cunhou 'slogans' publicitários para a famosa marca de canetas, segundo acabo de descobrir na tocante biografia de Maria Antónia Oliveira (Publicações Dom Quixote 2007).

 

No início dos anos 70, Maria Violante estabeleceu um primeiro contacto com a UNICEF para trazer para Portugal os cartões de Natal desta agência mundial de ajuda às crianças mais desprotegidas. Na sequência desse contacto, fundou a associação “Amigos da Unicef". Em 10 de Abril de 1979 foi oficialmente criado o Comité Português para a Unicef, ao qual passou a dedicar-se inteiramente, desempenhando o cargo de Presidente até ao final da sua vida.

 

Foi em casa de Maria Violante, um pequeno apartamento com vista para o Tejo, próximo do Jardim do Príncipe Real, que Cristina e eu estivémos pela última vez com o Professor Agostinho da Silva, seu companheiro dos últimos anos. Pouco tempo depois, no dia de Natal de 1996, ou na véspera, não sei, fomos as duas vê-la ao hospital. Foi uma visita muito breve, o tempo de uma carícia e de uma troca de olhares de despedida.

 

 

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